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Artigo: “A falta de preservação ambiental e suas consequências”

Brasil, por Kleber Patricio

Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares, bióloga e mestre em Direito Ambiental.

Beto Guedes, músico e compositor, já apresentava sua preocupação com o planeta, a nossa casa comum, nos idos dos anos 1970 e 1980. Passados cerca de 50 anos, o mundo ainda continua vivendo a mesma situação — o planeta sendo destruído, as espécies sendo ameaçadas e o ser humano se colocando como se fosse diferente de tudo e todos, alheio à realidade e achando-se imortal. Há a visão de que não faz parte do todo que é o meio ambiente e que precisa dele para sobreviver.

A preocupação ambiental começou na década de 1970, na qual houve maior consciência para a integração do homem com o meio ambiente, com vistas ao conhecimento, aprendizado e sua proteção. O ser humano viveu um dualismo entre o direito de continuar a explorar o meio ambiente e o dever de sua manutenção ao perceber que ele também pertencia ao ambiente e que poderia sofrer com a degradação deste. E, com a exploração contínua da natureza, o próprio ser humano sofria com as suas consequências.

Foram inúmeros os desafios para a sociedade entre a preservação ambiental e continuar na sua exploração. Ocorreram os movimentos hippies de amor e paz, além do ambientalismo. A Conferência de Estocolmo, de 1972, foi uma das reações a essa mudança de comportamento. O evento foi considerado um marco na história ambiental mundial ao trazer para a agenda internacional as discussões em torno do meio ambiente causadas pela degradação ambiental do ser humano, cujas consequências ultrapassam as fronteiras dos países.

Após o ano de 1972, foi criado o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Essa foi a primeira agência ambiental pensada para coordenar e fazer a proteção jurídica das questões relacionadas ao meio ambiente.

Cerca de 20 anos depois, em 1992, foi realizada na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92. Nela, 117 chefes de Estados estiveram presentes com o objetivo de debater os problemas ambientais mundiais. A intenção, nesse encontro, foi introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico.

Consequências da atualidade

A sustentabilidade seria a interação equilibrada entre o econômico, o social e o ambiental, cuja balança no sistema capitalista é de difícil calibração devido à natureza do peso do vetor econômico, baseado na sociedade de consumo, cada vez mais intensa. Dessa forma, desenvolver ações para a redução da insustentabilidade pode se apresentar como a estratégia mais adequada para a humanidade.

Hoje, apenas a sustentabilidade ambiental é conhecida. Entretanto, conceito deveria ser aplicado em outras áreas da espécie humana, como na qualidade de vida ou no conhecimento transmitido pelas gerações mais antigas. A sabedoria dos mais antigos é contra as forças da mudança, contra as ambições tecnológicas e as experimentações incertas e potencialmente perigosas. A era nuclear trouxe a primeira degradação global ao meio ambiente e, junto a ela, veio a destruição do ser humano.

Conforme a teoria da evolução de Charles Darwin proposta na segunda metade do século XIX, as espécies animais “têm uma trajetória de nascimento, desenvolvimento e morte”. Umas nascem e outras se estinguem — então, por que não o homem também não estaria na lista de extinção? Seria ele por se achar mais inteligente? Seria aquele que não precisaria nem de nada, nem de ninguém?

O meio ambiente encontra-se na seguinte situação: as reservas de água doce, os estoques de peixes e florestas estão diminuindo. As terras férteis estão sendo destruídas. Várias espécies de animais e plantas estão extintas e outras encontram-se no mesmo caminho.

Agora, nos idos de 2020, o ano especial, período que deveria ser como um sinal, vimos a destruição pelo fogo de inúmeras espécies de flora e fauna. O incêndio criminoso ocorrido no pantanal só nos mostra que ainda continua destruindo a terra por dinheiro e que as espécies não importam.

Vale dizer que a pandemia do coronavírus nos deixou o alerta de que, quando a natureza quer, ela dá o troco — ela paralisa o mundo. O nosso planeta já não comporta tanto desperdício, tantos itens descartados. Precisamos mudar a nossa consciência. Já percebemos que quando alguma coisa acontece do outro lado do mundo, ela também nos atinge.

O meio ambiente como bem de todos e devendo ser usados por todos, para as gerações atuais e as futuras, deve ser resguardado. Não é mais possível conviver com a alta poluição do ar atmosférico, com o desmatamento de áreas enormes, dizimando não somente a flora, como a fauna. O aquecimento global, o uso excessivo de combustíveis fósseis para a energia, a contaminação dos recursos hídricos tanto doces como os de água salgada, prejudica várias espécies de animais, dentre eles, os seres humanos.

(Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares é graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG, especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha e Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara.)

Edição especial de 25 anos da Campinas Decor ganha novos ambientes

Campinas, por Kleber Patricio

Detalhe da obra com telhado e fachadas recuperados. Fotos: divulgação.

O adiamento da Campinas Decor para o início de 2021 em virtude da pandemia de Covid-19 abriu novas possibilidades de participação na edição que marca os 25 anos da principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior paulista. Com mais tempo para a preparação do evento, a organização criou novos ambientes, redefiniu o cronograma e está na reta final de captação de expositores e patrocinadores.

Com nova data definida para o período de 26 de fevereiro a 25 de abril do próximo ano, a 25ª edição da Campinas Decor terá como cenário o antigo prédio do Cotuca (Colégio Técnico de Campinas), fechado desde 2014 por falta de condições de uso, reforçando a política da mostra de recuperar imóveis do patrimônio público. Os arquitetos, designers de interiores e paisagistas interessados em participar do projeto ainda têm oportunidade de escolha entre mais de 60 ambientes internos e externos desta que será uma das maiores edições da mostra, com uma área total de quase 7 mil metros quadrados.

Um dos mais de 60 ambientes do evento durante as obras de preparação da mostra

Uma das novidades criadas recentemente no projeto é um amplo deck ao ar livre, que servirá de apoio para o bar e o restaurante da mostra. “Esse ambiente inclusive será útil dentro do rígido protocolo que iremos adotar para garantir a segurança de todos em virtude da pandemia”, explica Sueli Cardoso, diretora da mostra. Ela explica tratar-se de uma excelente oportunidade de integrar um projeto histórico, que além de marcar os 25 anos da Campinas Decor, irá recuperar e devolver para a cidade de Campinas este importante prédio, que poderá voltar a abrigar o Cotuca. Sueli afirma ainda que as características do imóvel, como o pé direito alto e os grandes espaços, fazem com que este seja “o cenário perfeito” para os profissionais soltarem a criatividade e mostrarem seus estilos de trabalho para os visitantes.

O time de expositores traz os principais nomes do setor em Campinas e região (confira abaixo a relação). Podem participar tanto profissionais com experiência no mercado quanto recém-formados, que se encaixam na categoria Novos Talentos, com até três anos de formados.

A 25ª edição também já conta com uma robusta lista de patrocinadores, apoiadores e fornecedores oficiais: MRV, Suvinil, Engetax, Deca, Leo Sob Medida, Guardian Glass e Cyber Glass, Hunter Douglas, C&C Casa e Construção, Duratex, TecPrag, MBM Negócios, Kosten-Haus e Portobello Shop. “Além de termos renovado o contrato com diversos patrocinadores e apoiadores de peso que há anos participam da Campinas Decor, conseguimos o apoio de diversos nomes importantes, que darão ainda mais força e representatividade ao nosso evento”, afirma Sueli.

Recuperação do patrimônio público

Detalhe das obras.

A realização da Campinas Decor – 25 anos no Cotuca será possível graças a um convênio de permissão de uso firmado entre a organização do evento e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O termo tem como objetivo a cooperação entre a universidade e a iniciativa privada para a conservação do imóvel.

Construído no início do Século 20 e localizado no número 177 da Rua Culto à Ciência, bairro Botafogo, região central da cidade, o complexo do Edifício “Bento Quirino” foi cedido pela Secretaria de Educação para uso da Unicamp e, de 1967 a 2014, abrigou o colégio. Trata-se uma grandiosa construção tombada pelo Patrimônio Histórico, de orientação eclética de tendência neoclássica, projetada pelo engenheiro arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851 1928), considerado responsável pela introdução de novos conceitos para a organização da arquitetura escolar à luz dos ideais de ensino republicanos.

O Cotuca vem funcionando em imóvel alugado no bairro Taquaral desde agosto de 2014, devido à interdição em fevereiro do mesmo ano do prédio doado pelo abolicionista Bento Quirino dos Santos, com breve interim das atividades no campus da Unicamp em Barão Geraldo. Após a realização da mostra e o trabalho de recuperação que será realizado pela organização, expositores, patrocinadores e fornecedores, o colégio poderá voltar a funcionar no local. Durante as obras de preparação da mostra, organização e expositores reconstruíram o telhado, recuperaram pisos e revestimentos, consertaram portas e janelas e modernizaram as redes hidráulica e elétrica das edificações que compõem o complexo do colégio. Agora, já estão em andamento as obras de preparação dos espaços em si.

A Campinas Decor – 25 anos será a nona edição da mostra a ser realizada em um prédio de propriedade pública e a terceira em parceria com a Unicamp. A primeira dobradinha com a universidade aconteceu em 2008, na Estação Guanabara, da qual a Unicamp é comodatária. O prédio da antiga estação foi totalmente recuperado e passou a abrigar o CIS-Guanabara – Centro Cultural de Inclusão e Integração Social. Em 2018, o evento recuperou as edificações da Fazenda Argentina, adquirida pela universidade para fins de expansão e que após a reforma passou a ser utilizado pela universidade para a instalação do escritório de sua agência de inovação e de empresas startups.

Além dos prédios citados, a Campinas Decor já recuperou o Casarão do Lago do Café (2003), o Instituto Agronômico de Campinas (nas edições de 2009 e 2010, em locais diferentes), a Estação Cultura (2011), a Casa de Vidro, também no Lago do Café (2016) e, em 2019, o prédio famoso por ter abrigado o antigo Colégio Ateneu, pertencente à prefeitura. No total, já foram investidos cerca de R$25,5 milhões em benfeitorias nesses prédios, cotizados entre a organização, expositores, patrocinadores e fornecedores. As obras realizadas propiciaram a realização de inúmeras atividades nesses locais, sempre em benefício da população.

Conheça os profissionais que já integram o time da Campinas Decor – 25 anos: Pavilhão de Entrada – Laressa Moscateli Gardes; Fachada Luminotécnica – Paulo Tornoziello; Paisagismo da Fachada – Juliano Zanella; Lobby ABÊ – Floresta Urbana – Niró Albiero; Hall Acolhedor – Suzy Yamaguchi; Living – Roberta Kassouf; Home Cinema – Patricia Moreno; Contando a História – Fernando Arrivabene; Jantar em Paris – Guacira Bonafé e Gabrielle Bonganha; Cozinha com Aromas da Toscana – Bruna Barbieri e Andrea Ottoni; Tudo em Família – Alessandro Oliveira, Wellington Gaspar e Fernanda Valle; Sala de Banho – Maycon Flamarion e Daniella Antunes; Estar Íntimo – Daniele D’Ambrosio e Cátia Furlan; Refúgio do Casal – Rita Diniz e Patricia Diniz; Suíte dos Trigêmeos – Anderson Leite; Suíte da Filha – Emanuela Morais e Ariane Sayao; Quarto dos Hóspedes – Janaina Ramalho; Dream Casa – Elaine Carvalho; ParaTi – Beto Tozi; Estar do Enólogo – Susan Bortoletto e Nicole Krause; Simples Assim – Bruna Vilela, Ana Michelle Betti e Victoria Barboni; Conceito H – Mariana Oliveira; Casa de Campo – Kátia El Badouy; Espaço Cult – Mariana Niiya e Fabricio Barros; Bem estar Vintage – Célia Rossi e Ariane Giliotti; Alma de Viajante – Bia Ferrari; Le Grand Salon – Marcelo Camargo; Conexão – Vani Mazoni; Loft da Diversidade – André Zimmerman; Welcome to Las Vegas – Eliane Cardoso; Recanto da Escritora – Andrea Barroso; Organic Style  – Barbara di Monaco, Solange Tannuri e Izilda Moraes; Toalete Despojado – Renato Forti; O Mínimo é o Máximo (NT) – Alana Padovani e José Guilherme Cruz; Conectividade – Caique Ferreira e Karina Rezende; Gabinete do Investidor – Marina Zanatto; Café Decor – Caroline Desiderio Neves; Arquitetando em Nova Iorque – Adriana Consulin; Loja do Bem (NT) – Diogo Furquim e Marcelo Nascimento Lima; Kaza Koff – Ana Mitzakoff; Studio da Digital Influencer – Jojô Carvalho e Maria Gabriela Linares; Escritório da Designer – Josiane Emidio e Claudia Silva; Espaço Gourmet – Sueli Cardoso; Estado Zen – Valquiria Castilho; Spa Elemental – Ludmila Manita e Milena Sande; Espaço MRV – MRV; Te Encontro na Festa – Gabriela Gonzalez; Viver Guardian – Fabricia Pellizzon e Fernando Pellizzon; Loja Conceito – Stella Buratto, Giuliano Carvalho e Lucia Freitas; Meu Estilo – Alice Sturari; Morada Brasileira – Gustavo Pigatto.

Serviço:

25ª Campinas Decor

Quando: de 26 de fevereiro a 25 de abril de 2021

Onde: Rua Culto à Ciência, 177, Campinas

Telefone para informações: (19) 3255-7744

www.campinasdecor.com.br.

Casa Vogue anuncia curso online de home design

São Paulo, por Kleber Patricio

Em parceria com o Istituto Europeo di Design (IED), a revista Casa Vogue abre vagas para a segunda edição do Home Design por Casa Vogue, curso de extensão on-line que tem por objetivo promover o debate e a reflexão sobre design de interiores residenciais, buscando estabelecer conexões com as mudanças culturais, tecnológicas, sociais, de comportamento e consumo na atualidade. Serão 15 horas de aulas digitais, ministradas ao vivo de 26 a 30 de outubro por ferramenta de videoconferência.

Voltado a profissionais, estudantes e interessados nas áreas de arquitetura e design de interiores, o curso intercala atividades práticas com palestras de especialistas da Casa Vogue, professores do IED e nomes consagrados do setor. Com grade de disciplinas atual e inovadora, as aulas abordarão, entre outros temas, tendências e cenários, mercado e redes sociais, processos contemporâneos de projeto, comunicação, marketing e processos criativos nos editoriais de design de interiores – sempre de forma dinâmica, colaborativa e crítica.

Segundo Guilherme Amorozo, editor-chefe de Casa Vogue, repensar a morada contemporânea nunca foi tão urgente e complexo. “Em tempos de isolamento social, os espaços domésticos se transformaram abruptamente e passaram a ser percebidos de outras formas, gerando demandas e olhares novos ou revisitados. É fundamental compreender esse processo, bem como as mudanças sociais, culturais, tecnológicas e de consumo vividas na atualidade e seu impacto no futuro do home design“, explica.

A junção entre o conhecimento acadêmico do IED e a ampla experiência editorial da Casa Vogue proporciona uma reflexão profunda sobre como o design pode transformar essa nova espacialidade, redesenhar as novas geografias simbólicas e propor o conceito de lar em meio ao hibridismo que emergiu tão intensamente em todas as casas.

Além de Guilherme Amorozo, que fará a aula inaugural do curso, alguns dos nomes mais respeitados do país estão confirmados na programação: Iza Dezon, especialista em tendências e representante oficial da Peclers Paris no Brasil, Amanda Sequin, editora digital da Casa Vogue, Adriana Frattini, diretora de estilo da Casa Vogue, Natália Martucci, editora-assistente de estilo da Casa Vogue, Fernando Vidal, arquiteto e diretor geral Brasil e Latam da Perkins&Will e Newton Lima, designer de interiores. Acesse http://bit.ly/3ny07mi para conferir detalhes, horários, valor e formas de pagamento do curso.

Sobre a Casa Vogue

Casa Vogue é a revista de maior prestígio do Brasil em decoração, design, arquitetura e lifestyle. Autoridade máxima em comportamento e tendências, todos os meses ela encanta e inspira os amantes do bom viver.

Sobre o IED

O Istituto Europeo di Design – IED é uma rede internacional de formação e pesquisa em design, moda, comunicação visual e gestão de disciplinas criativas. Desde sua inauguração, em 1966, o IED se apresenta como um centro de propostas fortemente inovadoras, com um modelo educacional pragmático e culturalmente rico. Reunindo as melhores características das escolas profissionalizantes e da academia, o Instituto é a realização de uma instituição modelo, apoiada na síntese do pensamento de seu fundador Francesco Morelli: “saber e saber fazer”.

Grand Hyatt São Paulo promove Oktoberfest com medidas de segurança

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Tadeu Brunelli.

O Grand Hyatt São Paulo acaba de anunciar a Oktoberfest do Hyatt, um evento recheado de chope, comidas típicas alemãs e muita música. A festa, que acontecerá dia 25 de outubro, das 13h às 19h, é inspirada na famosa comemoração de Munique e vai possibilitar aos convidados degustar as cervejas Paulaner Münchner Hell e Weissbier à vontade.

A bebida harmonizará perfeitamente com pratos tradicionais como eisbein, chucrute, spatzli e apfelstrudel, em um menu que foi assinado pelo chef Val Fernandes. O evento também contará com um drink exclusivo, o Beer Me Up, um mix de Bourbon, redução de Weiss Bier com mel, gengibre e limão siciliano criado pelo head bartender do hotel, Gustavo Rômulo.

A celebração acontecerá na área externa do hotel e terá capacidade máxima de 100 pessoas. No evento, será respeitado o distanciamento social e tomadas todas as medidas de segurança já aplicadas pela rede Hyatt.

Serviço:

Oktoberfest do Hyatt

Data: domingo, 25 de outubro

Horário: das 13h às 19h

Local: Grand Hyatt São Paulo

Endereço: Av. das Nações Unidas, 13301 – Itaim Bibi

Valor: R$190 por pessoa.

Eduardo Kobra homenageia Pelé com mural em Santos

Santos, por Kleber Patricio

Fotos: Erich Oliveira.

O conhecido artista urbano Eduardo Kobra homenageia Pelé em mural em Santos, no litoral sul do estado de São Paulo. Coração Santista, com 800 metros quadrados, foi finalizado no domingo, 18 de outubro e liberado para o público. A obra está situada em uma parede de 800 metros quadrados na ponta da praia, região que está sendo revitalizada. Está na fachada do CAT (Centro de Atividades Turísticas), em frente ao Mercado de Peixe (Pça Gago Coutinho s/nº – Ponta da Praia), recentemente inaugurado. No mural, há quatro cenas, todas situadas dentro dos arcos (ou círculos) das muretas de Santos, um dos mais conhecidos símbolos da cidade: Pelé, o Bonde, a Bolsa do Café e Um estivador no Porto de Santos.

Veja a seguir detalhes sobre cada uma das cenas:

Pelé: “Fiz inspirado na imagem de Pelé jogando pela Seleção Brasileira, com o suor escorrendo pela camisa e formando um coração em seu peito, cena captada pelo fotógrafo Luiz Paulo Machado, quando trabalhava na revista Placar. O mérito é do fotógrafo. Procurei respeitar esse instante mágico e mantive até o efeito da luz nas mãos da foto original. Mas, claro, coloquei as cores e também muito preto e branco, dentro das características do meu trabalho. Parece que Pelé está projetado para fora do mural, como um 3D! Também imaginei que o suor tivesse formado a palavra ‘Santos’, como referência ao amor dele pela cidade e pelo clube”, revela o artista.

Porto de Santos: um estivador acompanha o processo de retirada de um contêiner de um navio. É uma cena com muita cor, com o estivador em primeiro plano, o que mostra a importância, a força e a beleza do trabalho feito cotidianamente em Santos. “É uma homenagem às pessoas que trabalham e constroem as cidades. Não apenas em Santos, mas no Brasil e no mundo inteiro”, afirma.

Bonde da Cidade: Kobra mostra um bonde, um dos símbolos da cidade; alguns, ativos até hoje para turismo. Na imagem, vemos um condutor e o próprio bonde com reflexo na calçada icônica de Santos. “Essa cena tem uma conexão com meu trabalho e as memórias que tenho de arquiteturas, paisagens e personagens”, conta o muralista. O personagem que aparece na obra é o condutor Welcio Francilino da Costa, 45 (mesma idade de Kobra), nascido em Londrina, Paraná e ainda servidor da CET Santos. Hoje, o condutor vende os tickets para o passeio de bonde em uma bilheteria situada dentro do Museu Pelé. No último sábado, ao saber que Kobra começava a retirar as telas e andaimes para finalizar a obra, Welcio, que vive há 25 e dez meses em Santos (25 anos e nove meses na CET, seu único emprego na cidade) foi até o mural e ficou emocionado e admirado com todo o trabalho. “Foi baseada em uma foto de cerca de 17 anos atrás. Não imaginava que seria tão monumental. É uma homenagem para mim, claro, mas também à cidade que me acolheu e que amo. Foi aqui que conheci minha esposa, Cláudia Helena Jorge e que tive meu filho (Jonnathan). Enfim, foi a cidade onde formei minha família. Santos mora no meu coração. Adorei ver todas as cenas colocadas por você, especialmente o bonde. Sou apaixonado pelos bondes! Ninguém pode falar mal deles perto de mim; são meu xodó”, disse para Kobra.

Bolsa do Café: O artista mostra a magnífica porta principal desse prédio também icônico em Santos. “Em minha pesquisa, avaliei e estudei imagens de centenas de prédios da cidade. A Bolsa do Café é sensacional, excepcional com uma quantidade incrível de detalhes. É linda por dentro e por fora. Entre os detalhes, quis valorizar a porta de entrada, as colunas principais e as esculturas que ficam no topo”, conta Kobra, que também revela uma ligação afetiva com Santos. “Nos meus primeiros anos de vida, eu ia para Santos com meus pais, porque meus avôs tinham um apartamento na cidade. Tenho lembranças vagas, mas sinto-me desde sempre ligado afetivamente à cidade. Por isso, fazer esse mural é uma honra, um privilégio e uma emoção para mim”, diz Eduardo Kobra.

Foto: Martin Lima.

Pelé é, ao lado de Ayrton Senna, a grande referência esportiva de Kobra. Fazer um mural em Santos é um sonho antigo do artista urbano. “É um gênio, considerado o maior atleta do século 20. É o maior jogador de todos os tempos, mas também um ícone pop, pintado por Andy Warhol. Tornou-se o maior símbolo de brasilidade no mundo. Em todos os cerca de 35 países onde pintei, a primeira coisa que dizem quando sabem que sou brasileiro é ‘Pelé’. Muitas vezes também dizem ‘Carnaval’, mas sempre tem Pelé. Fico impressionado. Afinal, ele parou de jogar há 43 anos e segue como o brasileiro mais famoso no mundo”, diz Kobra.

Bastidores do trabalho

Kobra, junto com mais quatro pessoas de sua equipe, passou cerca de 45 dias em Santos, trabalhando com a proteção de telas para que a surpresa para Pelé e a cidade de Santos não fossem reveladas. As telas e os andaimes que utilizou para o trabalho começaram a ser retirados às 7h da manhã do último sábado, dia 17 de outubro. Por volta das 11h, Kobra e demais artistas da equipe iniciaram a finalização do trabalho: primeiro taparam os buracos provocados pelo andaime e depois Kobra retocou vários detalhes da obra. No domingo, Kobra voltou ao local para mais alguns retoques e para assinar a obra sob os aplausos de admiradores e curiosos.  Segundo o artista, foram utilizados de 300 a 350 latas de spray. “Trabalhamos durante 45 dias, das 8h às 18h, para que o mural ficasse pronto para o aniversário de Pelé, no dia 23 de outubro”, diz Kobra, que acrescenta: “um tempo ainda maior, de 60 dias – dois meses – utilizei na pesquisa e projeto da arte. Fiz pesquisas históricas, iconográficas e, como disse, regatei memórias afetivas. Para o chegar ao resultado final, fiz mais de 30 desenhos, buscando o equilíbrio certo entre as cenas, o uso correto de cores e preto e branco e o respeito e valorização da cultura e da história de Santos”, afirma.

A obra contou com o patrocínio da BTP (Brasil Terminal Portuário) e da Comgás e com o apoio do Grupo Mendes. Teve a produção de Dila Spinola, Alexandre Spinola e Luli Hunt e a curadoria de Fábio Magalhães. Coração Santista é a segunda obra do muralista na Baixada Santista. Em 2014, Kobra levou sua arte a dois imensos tanques (14 metros de altura por 17 de diâmetro), da empresa Linde Gases, na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Cubatão ao Guarujá. Na época, contrapôs o ambiente pesado das grandes indústrias com o uso de cores alegres e desenhos de crianças, balões e cata-ventos.

Ao Líbano com carinho: Eduardo Kobra lançou um painel sobre o Líbano, país marcado pela recente tragédia ocorrida em Beirute. A tela será leiloada até o dia 22 de outubro, através da plataforma 32Auctions. O lance inicial para a obra é de 27 mil dólares (cerca de 150 mil reais).  Além do leilão do painel, cinco serigrafias da obra serão sorteadas entre todas as pessoas que fizerem doações – de qualquer valor – para a campanha. De acordo com Kobra, 100% do valor arrecadado será destinado ao país do Oriente Médio. No próximo ano, o conhecido muralista irá pintar a obra Ao Líbano, com carinho em algum prédio da capital daquele país.

O leilão do painel de 1,90 m por 1,90 m, e a possibilidade de doações estarão vigentes na plataforma até o dia 22. Segundo Kobra, o propósito desse trabalho é ajudar às famílias que foram vítimas da explosão. “A obra mostra duas mãos, que simbolizam as mãos da humanidade, levantando o cedro do Líbano, que é um símbolo de paz, de fraternidade, de união e respeito”, diz o artista, que utilizou a bandeira do Líbano como a base para a pintura. “O vermelho representa o sangue derramado pelas pessoas que se feriram ou morreram nas lutas para livrar o país das forças externas; o branco representa a permanente busca pela paz e a beleza das montanhas cobertas pela neve  e o cedro, árvore presente em boa parte do país, é um símbolo de força e eternidade”, explica Kobra.

Eduardo Kobra e a Fundação Tamari, criada por Abdallah W. Tamari (fundador da Sucafina, multinacional do ramo de agronegócios de café) e sua esposa, Samia Tamari, se uniram para dar esse apoio às pessoas afetadas. O valor arrecadado com o leilão e doações será utilizado para a compra de alimentos, equipamentos médicos e materiais de construção para aqueles cujas casas foram destruídas. “Conto com o apoio de todos nessa Corrente do Bem e mais uma vez fazer a diferença na vida de tantas pessoas que estão hoje necessitadas e precisam do nosso apoio”, diz Kobra, que recentemente utilizou seu talento para uma campanha que ajudava famílias desassistidas, com situação de vulnerabilidade ainda mais agravada pela pandemia do Covid-19.

Kobra fez o painel Coexistência, onde mostrava crianças de cinco religiões – budismo, cristianismo, islamismo judaísmo e hinduísmo – em oração e vestindo máscaras. Uma serigrafia da obra foi sorteada entre as pessoas que fizeram doações. Com o valor arrecadado foram produzidos e distribuídos 16.620 kits. “Agora, estamos ao lado do povo libanês neste momento de necessidade. Quem não quer ou não pode participar do leilão, mas deseja ajudar o povo libanês, pode doar qualquer valor através do link e, ao final da campanha, concorrer para ganhar no sorteio uma das serigrafias deste trabalho. Qualquer doação pode fazer a diferença. Agora, mais do que nunca, os libaneses, que tanto contribuíram e seguem contribuindo para o nosso país, precisam do nosso apoio”, reforça o artista.

Segundo Kobra, ele já foi convidado pela Sucafina para no próximo ano transformar em mural o painel Ao Líbano, com carinho, em algum prédio de Beirute.

Sobre Eduardo Kobra

Eduardo Kobra, 45 anos, é um expoente da neo-vanguarda paulistana. Começou como pichador, tornou-se grafiteiro e hoje se define como muralista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade e pelo mundo. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado em 95 – para um muralismo original – inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e norte-americanos, beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.

Muitos críticos afirmam que a característica mais marcante de Kobra é o domínio do desenho e das cores. Mas o que é mais fundamental para o artista é o olhar. Kobra foi desde cedo apresentado às adversidades da vida. Viu amigos sucumbirem às drogas e à criminalidade. Alguns foram presos. Outros tantos perderam a vida. Foi o olhar que o salvou.

Kobra é autor de projetos como Muro das Memórias, em que busca transformar a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade; Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza, e Olhares da Paz, onde pinta figuras icônicas que se destacaram na temática da paz e na produção artística, como Nelson Mandela, Anne Frank, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, John Lennon, Malala Yousafzai, Maya Plisetskaya, Salvador Dali e Frida Kahlo.

Em meio ao caos urbano, buscou resgatar o patrimônio histórico que se perdeu. Em um contexto repleto de desigualdade social e injustiças, buscou se inspirar em personagens e cenas que servem de exemplo para um mundo melhor. Hoje, os murais de Kobra estão em cerca de 35 países e em diversas cidades e estados brasileiros – como Etnias – Todos Somos Um, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer, em São Paulo; The Times They Are A-Changin (sobre Bob Dylan), em Minneapolis; Let me be Myself (sobre Anne Frank), em Amsterdã; A Bailarina (Maya Plisetskaia), em Moscou; Fight For Street Art (Basquiat e Andy Warhol), em Nova York e David, nas montanhas de Carrara. Em todos os trabalhos, o artista paulistano busca democratizar a arte e transformar as ruas, avenidas, estradas e até montanhas em galerias a céu aberto.  Inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos. Em 2018, pintou 20 murais nos Estados Unidos, 18 deles em Nova York.

Cada vez mais conhecido, Kobra fica, é claro, orgulhoso quando vê uma multidão que observa um de seus murais, mas costuma dizer que o que o comove de verdade é descobrir alguém que para no meio da correria da cidade para observar, mesmo que por um minuto, os detalhes dessa obra. Apesar dos murais monumentais, Eduardo Kobra faz sua arte para despertar a consciência e a sensibilidade de cada um de nós.

(Com Airton Gontow)