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Pesquisadores exploram influência francesa no Brasil nos séculos XIX e XX

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

A imigração francesa desempenhou um papel crucial na formação do Brasil, deixando legados duradouros em diversas esferas. Em Franceses no Brasil: Séculos XIX-XX, lançamento da Editora Unesp, os organizadores Laurent Vidal e Tania Regina de Luca reúnem pesquisas que investigam a presença e a atuação de indivíduos e grupos franceses em diferentes regiões do país, revelando como transformaram paisagens urbanas e rurais. A obra oferece uma análise abrangente, abordando desde as motivações dos imigrantes até os impactos de sua presença na política, economia e cultura brasileiras.
Mais do que uma narrativa centrada no tradicional eixo Rio de Janeiro-Paris, o livro explora a circulação de franceses em diferentes regiões do Brasil. Profissionais como comerciantes, médicos, engenheiros, livreiros, artistas, modistas e colonos agrícolas são destacados, evidenciando a diversidade de suas contribuições. Além das trajetórias individuais, os autores discutem os projetos políticos e diplomáticos que impulsionaram essa migração, analisando como os imigrantes se inseriram em variados contextos sociais e econômicos.

“Um mosaico delicioso e curioso que delineia com fragmentos preciosos uma imagem fascinante e abrangente sobre a presença francesa no Brasil entre os séculos XIX e XX”, define a pesquisadora da UFMG Eliana de Freitas Dutra. “Trata-se de uma obra, em reedição ampliada, com leituras fundamentais para todos aqueles que querem conhecer a história dos franceses não apenas no Rio de Janeiro, então capital federal, mas no norte e no nordeste do país, na região sudeste e na região sul; na cidade e no campo; no sertão e no litoral. Sem descuidar das motivações, das expectativas e do perfil dos projetos individuais daqueles que imigraram e escolheram o Brasil como destino, os autores vasculham com igual ênfase os projetos políticos, diplomáticos, econômicos, comerciais, culturais e civilizatórios que subjazem aos deslocamentos dos franceses rumo ao nosso país.” 

Esta segunda edição, revista e ampliada, inclui contribuições inéditas, como a atuação de franceses em Pernambuco, a imigração francófona na segunda metade do século XIX e a história de figuras emblemáticas, como Pedro Théberge, médico francês que viveu no sertão do Ceará. Também são abordados temas como a imprensa francesa no Brasil e projetos de colonização que atraíram trabalhadores europeus para o país.

Publicada originalmente em 2009, a obra se consagrou como referência nos estudos sobre as trocas culturais entre Brasil e França. Relançada durante a Temporada Cruzada França-Brasil 2025, Franceses no Brasil reafirma sua relevância ao explorar os laços transatlânticos e as dinâmicas dessa conexão. “Da ideia inicial de preencher um ‘vazio historiográfico’, o projeto atingiu seu objetivo: consolidou um campo de pesquisa em constante evolução, alinhado a abordagens como a história transnacional”, afirmam os organizadores. “Esta é a edição definitiva de um marco historiográfico.” 

Sobre os organizadores

Laurent Vidal é historiador e professor na universidade de La Rochelle. Dirigiu (2008‐2022) o centro de pesquisa em História Internacional e Atlântica (CRHIA), é atualmente presidente da residência artística internacional Intermondes Humanités Océanes. Foi professor convidado em várias universidades brasileiras.

Tania Regina de Luca é mestre e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo. É professora titular dos cursos de graduação e pós‐graduação em História da Universidade Estadual Paulista, campus Assis, e pesquisadora do CNPq. Desenvolve pesquisas a respeito da história da imprensa.

Título: Franceses no Brasil: séculos XIX‐XX 

Organizadores: Laurent Vidal, Tania Regina de Luca

Número de páginas: 646

Formato: 16 x 23 cm

Preço: R$ 110

ISBN: 978‐65‐5711‐262‐5.

Mais informações sobre a Editora Unesp estão disponíveis no site oficial.

(Com Diego Moura/Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp)

Duca Belintani lança álbum ‘Live at Juke Joint’ com participações especiais no Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Jota Erre.

No dia 5 de junho, quinta-feira, às 20h, o Sesc 24 de Maio recebe o guitarrista brasileiro Duca Belintani para o show de lançamento do álbum Live at Juke Joint, gravado ao vivo no icônico estado do Mississippi (EUA). Com um repertório autoral inspirado no Hill Country Blues, o disco transmite a essência crua e visceral do estilo, em uma verdadeira viagem ao coração do blues.

A gravação foi realizada durante a participação de Belintani como o primeiro artista brasileiro no lineup oficial do Juke Joint Blues Festival, em 2024. O show capta a energia dos palcos onde o blues nasceu e agora chega a São Paulo em performance especial.

No palco, Duca comanda guitarras e vocais, acompanhado por Vinas Peixoto (bateria) e Benigno Sobral (baixo). Os convidados especiais da noite são os guitarristas Gui Cicarelli e Luiz Bueno, em uma celebração musical emocionante.

Ouça: DEEZER / Apple Music / YouTube Music

Veja: You Tube.

Serviço:

Duca Belintani | Lançamento do álbum Live at Juke Joint

Data: 5/6, quinta-feira, às 20h

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 12 anos

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou pelo aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 27/5 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 28/5 – R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc)

Duração do show: 90 min

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

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sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Assessoria de Imprensa Sesc 24 de Maio)

Orquestra Jovem do Estado apresenta concerto com obras de Mozart, Revueltas e estreia mundial de Elodie Bouny

São Paulo, por Kleber Patricio

Concerto da Orquestra Jovem do Estado na Sala São Paulo. Foto: Heloísa Bortz.

A Orquestra Jovem do Estado, grupo ligado à Escola de Música do Estado de São Paulo – Emesp Tom Jobim, realiza o próximo concerto da temporada 2025 no dia 1º de junho às 16h na Sala São Paulo. Sob a regência do maestro Cláudio Cruz e com participação da violinista Elisa Fukuda, o programa incluirá a estreia mundial da peça Abertura Perpétua, da compositora francesa Elodie Bouny (1982 -), além de obras icônicas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) e Silvestre Revueltas (1899–1940).

Encomendada especialmente para a Orquestra Jovem do Estado, a peça Abertura Perpétua abrirá o concerto, marcando a força criativa da violonista e compositora Elodie Bouny, que desenvolveu sua carreira artística no Brasil. Na sequência, será apresentado o Concerto para violino nº 5, também conhecido como o ‘Concerto Turco’. Escrita em 1775, a obra destaca o virtuosismo de Mozart e é estruturada em três movimentos, mesclando elegância clássica, lirismo e alta capacidade técnica. Para finalizar, o grupo irá executar a vibrante Las Noches de los Mayas, do mexicano Silvestre Revueltas, que transporta o público para o universo místico da civilização maia.

Os concertos da temporada 2025 da Orquestra Jovem do Estado na Sala São Paulo ocorrem aos domingos e os ingressos custam de R$ 30 (meia-entrada) a R$ 60 (inteira).

Transmissão ao vivo

Para democratizar o acesso ao público, os concertos realizados na Sala São Paulo serão também transmitidos ao vivo gratuitamente pelo canal de YouTube da EMESP Tom Jobim, em: www.youtube.com/tjemesp.

A temporada da Orquestra Jovem do Estado conta com patrocínios do Bank of America, Machado Meyer Advogados, Crédit Agricole, Wallerstein e Cultura Inglesa, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e é uma realização da Santa Marcelina Cultura, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo Federal.

ORQUESTRA JOVEM DO ESTADO NA SALA SÃO PAULO

Bouny/Mozart/Revueltas

Orquestra Jovem do Estado

Cláudio Cruz regência

Elisa Fukuda, violino

ELODIE BOUNY (1982-)

Abertura Perpétua (estreia mundial, 2025)

WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756–1791)

Concerto para violino n. 5 em Lá Maior, K219 (Turco) – 31’

I – Allegro aperto

II – Adagio

III – Rondo: Tempo di menuetto

SILVESTRE REVUELTAS (1899–1940)

Las noches de los mayas (Limantour Suíte Orquestral em 4 movimentos) – 31’

I – Noche de los Mayas

II – Noche de jaranas

III – Noche de Yucatán

IV – Noche de encantamento; Tema y variaciones

[Editora original: Peermusic Classical. Representante exclusivo Boosey & Hawkes (Nova York)]

Concerto: 1º de junho, domingo, 16h

Local: Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, São Paulo/SP)
Ingressos: R$ 30 (meia) e R$ 60 (inteira), aqui.

ORQUESTRA JOVEM DO ESTADO 

Referência tanto por seu bem-sucedido plano pedagógico, quanto por sua cuidadosa curadoria artística, a Orquestra Jovem do Estado é sinônimo de excelência musical no Brasil. Há mais de 40 anos contribui para o aprimoramento técnico e artístico dos bolsistas que a integram, ajudando-os a se prepararem para a vida profissional. Sob a direção musical do maestro Cláudio Cruz, o grupo já tocou nos principais palcos e festivais do Brasil e do mundo, com a participação de renomados solistas, gravou CDs e recebeu prêmios. Em parceria com o Machado Mayer Advogados, realiza o Prêmio Ernani de Almeida Machado desde 2012. A Orquestra Jovem do Estado é um grupo artístico ligado à Emesp Tom Jobim, instituição da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo gerida pela organização social Santa Marcelina Cultura.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Projeto Especial da São Paulo Escola de Dança estreia ‘Rostos de Janus’ na Estação CCR das Artes

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Silvia Machado.

A São Paulo Escola de Dança estreia ‘Rostos de Janus’, nos dias 30 e 31 de maio, às 19h, na Estação CCR das Artes, equipamento que faz parte do Complexo Cultural Júlio Prestes. O espetáculo, com coreografia de Vinícius Anselmo, é protagonizado pelos estudantes do Projeto Especial da SPED. A noite se completa com ‘E Assim Foi…’, de Anselmo Zolla, e a entrada é gratuita. Os ingressos estão sendo distribuídos neste link.

A obra mergulha na complexidade da identidade e do pertencimento, inspirando-se na figura mitológica de Janus e em teorias filosóficas e psicológicas sobre a dualidade entre o eu interior e o exterior. A coreografia alia mitologia e psicologia para investigar como a multiplicidade de papéis e personas molda a experiência humana. Janus é uma figura central na mitologia, representando o deus das mudanças, transições, começos e fins, e é frequentemente descrito com duas faces, uma que olha para o futuro e outra para o passado, simbolizando o dualismo inerente à existência. Já na psicanálise, pode ser interpretado como um arquétipo que representa a dualidade da mente humana, a capacidade de olhar tanto para o passado, quanto para o futuro, e de lidar com a tensão entre eles. Utilizando a técnica da dança contemporânea em diálogo com elementos clássicos e modernos, a obra incorpora conceitos de pensadores como Jacques Lacan (1901–1981) e Carl Jung (1875–1961) para traduzir ideias profundas por meio do movimento.

‘Rostos de Janus’ convida o público a refletir sobre a multiplicidade interna de cada indivíduo e as formas como diferentes facetas do eu se manifestam e se conectam no convívio coletivo. Vinícius Anselmo pontua que coreografar ‘Rostos de Janus’ foi uma experiência intensa e prazerosa. “Fiquei impressionado com o envolvimento e a paixão dos jovens estudantes da SPED, que mergulharam na criação. Foi um processo coletivo, em que cada um contribuiu com sua potência e história. A obra fala sobre dualidades — sentimentos opostos, tempos que se cruzam, o passado e o futuro convivendo num mesmo corpo. É sobre reconhecer que somos feitos de contrastes, e que isso nos fortalece como grupo e como indivíduos. Abraçamos o processo com entrega coletiva e construímos a obra com dedicação e presença”, afirma Vinicius.

A trilha sonora foi especialmente composta pelo instrumentista André Mehmari. “O tema central da música é a busca por um equilíbrio entre o piano acústico e a eletrônica. Toda a base da composição é sustentada pelo piano — único instrumento utilizado, tocado por mim —, mas esse som é transformado por meio de pedais, processamentos e intervenções no computador. O desafio foi justamente o de encontrar um ponto de equilíbrio entre essas duas forças, que muitas vezes parecem contrastantes. Também busquei criar momentos de forte contraste: trechos mais contemplativos e outros mais rítmicos, oferecendo ao coreógrafo uma paleta rica de possibilidades para a criação do movimento”, explica Mehmari.

No início do espetáculo, todos os bailarinos usam paletós pretos, indicando uma massificação dos indivíduos, e máscaras na nuca, para simbolizar a dualidade dos opostos. Durante a coreografia, eles vão tirando os paletós, como que se libertando de uma massificação em busca de uma individualidade. O conceito do figurino foi pensado pelo conceituado Fábio Namatame a partir da individualidade de cada bailarino. “Tentamos trazer uma personalidade e ao mesmo tempo uma neutralidade, para desenvolver estes personagens em busca de transformação e pertencimentos. As linhas são simples, com cores claras em tons de craft. Usamos materiais diversos para trazer o universo mais cotidiano e plural para esta coreografia”, indica o figurinista.

O projeto de iluminação de Marcel Rodrigues enfatiza a dualidade do tempo — passado e futuro coexistindo num mesmo corpo, em dois rostos, duas visões, ou seja, a luz como um portal de transição, revelando camadas de tempo, identidade e movimento. “Usamos contrastes entre cores quentes e frias, luz e sombra, diferentes texturas, criando uma atmosfera em que as diferenças coexistem no mesmo espaço. É uma luz que potencializa o ambiente e amplia a dramaturgia, ajudando a contar a história e a fortalecer a mensagem do movimento”, observa o iluminador.

A obra ainda poderá ser vista em diferentes locais, como o Masp, durante a Semana Paulista de Dança, na Fábrica de Cultura de Brasilândia, na Capital, e também no interior do Estado, em cidades como Bauru e Diadema.

E ASSIM FOI…. | A noite se completa com ‘E Assim Foi…’, de Anselmo Zolla, também criada especialmente para o Projeto Especial da SPED. Com dramaturgia assinada por Andrea Cavinato, a coreografia é uma fábula contemporânea que apresenta dois grupos de seres humanos que habitam a grande floresta e, a partir do encontro de jovens, um de cada grupo, rompem-se tabus, interditos e tradições de seus respectivos círculos sociais, aproximando as duas comunidades. As descobertas de suas diferenças e semelhanças ocorrem em etapas, na alternância dos ciclos de suas rotinas, festas e rituais. A aproximação dos grupos os faz esquecer dos medos impostos e, ao se tocarem, acontece a grande transformação.

A trilha sonora de Joaquim Tomé com locução de Tuna Duwek serve como fio condutor da coreografia em formato de prosa poética musicada, oferecendo uma perspectiva que tem o intuito de pontuar os personagens no desenvolvimento da história, criando o reconhecimento sobre os dois grupos que se encontram e se descobrem. A obra traduz em movimento a essência de diferentes vivências e tradições que coexistem e se transformam no encontro com o outro. “Apresentar esses dois trabalhos na Estação CCR das Artes é uma oportunidade valiosa de ampliar os horizontes formativos dos nossos estudantes e, ao mesmo tempo, de aproximar o público da potência criativa destes movimentos. ‘Rostos de Janus’ e ‘E Assim Foi…’ são obras que refletem, cada uma à sua maneira, questões fundamentais sobre identidade, convivência e transformação — temas que dialogam diretamente com o espírito do nosso tempo”, fala Inês Bogéa, diretora artística e educacional da São Paulo Escola de Dança. 

‘Rostos de Janus’ é um projeto contemplado na Política Nacional Aldir Blanc, via edital Fomento CultSP ProAC Nº23/2024  —  Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

PROJETO ESPECIAL | Dentre as ações desenvolvidas pela São Paulo Escola de Dança, destaca-se o Projeto Especial, formado por estudantes dos Cursos Regulares, selecionados por meio de edital próprio, que vivenciam a formação do grupo a cada semestre como bolsistas. Essa iniciativa objetiva a inserção dos estudantes no mundo do trabalho por meio de coreografias próprias do repertório da escola para a participação em eventos extraordinários às atividades curriculares. A rotina do grupo consiste em uma série de ensaios e encontros contínuos, acompanhados por um docente — ou profissional da dança convidado, em processos de montagens específicas para apresentações.

Além de ‘Rostos de Janus’ e ‘E Assim Foi…’, o grupo já protagonizou o espetáculo ‘Cartas de Amor’, composto por cinco coreografias, de cinco diferentes artistas — Claudia Palma, Vinícius Anselmo, Kátia Barros, Sérgio Rocha e Leilane Telles —, uma obra que aborda o reconhecimento de si diante da partida de uma pessoa amada. O programa é composto por: ‘Mergulho’, de Sérgio Rocha; ‘Lamento de Orfeu’, de Kátia Barros; ‘O Último Beijo’, de Vinícius Anselmo; ‘Aqua’, de Cláudia Palma; e ‘O Samba de Orfeu’, de Leilane Teles.

Entre os espaços de apresentações, destacam-se aberturas de espetáculos da São Paulo Cia. de Dança em Fábricas de Cultura e apresentações no MASP.

Serviço:

Estreia: Dias 30 e 31 de maio, às 19h, na Estação CCR das Artes, Complexo Júlio Prestes – Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos

Ingressos pelo site da Sala São Paulo.

(Com Elara Leite/Assessoria de Imprensa São Paulo Escola de Dança)

Exposição ‘Tempos de uma Casa’ na Casa Museu Ema Klabin revela os bastidores de uma residência antes de se tornar museu

São Paulo, por Kleber Patricio

Ema Klabin ao lado da pequena Ema Lopes, filha de uma funcionária, que recebeu esse nome em sua homenagem. Nascida na residência, viveu ali com a família por 11 anos, no quarto que hoje abriga a sala do curador. Atualmente, é farmacêutica. Foto: Divulgação/Arquivo Ema Lopes, reprodução Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

Até 24 de agosto, a Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição ‘Tempos de uma casa’. A mostra convida o público a conhecer os bastidores da residência de Ema Klabin (25/1/1907–27/1/1994) antes de sua conversão em museu, revelando aspectos pouco conhecidos de seu cotidiano. Com curadoria de Paulo de Freitas Costa, a exposição propõe um olhar mais íntimo e realista sobre a vivência na casa, rompendo com a imagem idealizada que muitas vezes envolve a vida de grandes colecionadores. Em contraste com narrativas romantizadas, Tempos de uma casa apresenta histórias reais, atravessadas por afetos, rotinas e relações construídas ao longo do tempo.

Aberta ao público desde 2007, a Casa Museu Ema Klabin acaba de completar 18 anos de funcionamento. Para além do diversificado acervo de mais de 1.600 obras, que inclui pinturas, mobiliário, livros raros, peças arqueológicas e de artes decorativas, o público terá acesso, pela primeira vez, a itens preservados na reserva técnica. Esses objetos, muitos de uso cotidiano, revelam aspectos singulares da dinâmica da casa e ajudam a reconstruir histórias que não costumam estar em destaque nas grandes coleções.

Antiga cozinha da casa, que não é aberta ao público, mantém parte de sua estrutura original e hoje serve como espaço para guarda-volumes e alimentação dos funcionários da instituição. Foto: Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

Durante os 33 anos em que Ema Klabin viveu na casa da Rua Portugal, diversos funcionários fizeram parte de sua história. A exposição trará depoimentos e fotos de época dos funcionários. Ema Klabin desenvolveu uma relação de respeito e todos contribuíram de forma significativa para a manutenção e o funcionamento da casa e tiveram um papel fundamental na construção de um ambiente acolhedor, repleto de memórias e histórias que enriquecem a trajetória da casa e de sua proprietária.

Entre eles, destacam-se Maria Fabelina Ramos Martins, copeira que acompanhou Ema Klabin de 1960 a 1994, e Ema Lopes Rodrigues, filha de Cleonice e Bento Lopes Rodrigues, que recebeu seu nome em homenagem à colecionadora. Ema Lopes viveu ali com a família por 11 anos, no quarto que hoje abriga a sala do curador. Atualmente, ela é farmacêutica.

Convite endereçado a Ema Klabin para recepção em homenagem à Rainha Elizabeth II e ao Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, no Palácio dos Bandeirantes, em 1968. Arquivo Ema Klabin.

O público poderá conferir um conjunto de aproximadamente 80 documentos, mais de 60 fotografias históricas e 90 objetos pessoais e domésticos do acervo da instituição. A exposição inclui ainda depoimentos de ex-funcionários e visitantes, que ajudam a compor um retrato sensível e multifacetado da casa e de seu funcionamento.

Ema Klabin era uma anfitriã dedicada e realizou, ao longo das décadas, inúmeros jantares e almoços cuidadosamente planejados, que reuniram nomes importantes da cena cultural e intelectual brasileira. Entre os frequentadores de sua casa estiveram figuras como Assis Chateaubriand, Magda Tagliaferro, João Carlos Martins e José Mindlin, entre muitos outros.

Frascos de Perfumes, Séc. XVIII. Cristal transparente lapidado com tampas em ouro e prata. Foto: Sérgio Zacchi/Estúdio Massapê.

Essa tradição de hospitalidade e refinamento é mantida até hoje na casa museu: a cada semestre, a mesa de jantar é posta novamente, com base em registros originais da própria colecionadora, recriando     os eventos históricos realizados na residência e permitindo que o público acesse informações sobre a atmosfera dos encontros promovidos por ela.

É justamente esse universo de encontros, detalhes e gestos de acolhimento que a exposição Tempos de uma casa busca reconstituir. Entre os objetos em exibição, estão itens que traduzem os hábitos e gostos da anfitriã: o caderno onde Ema registrava cada jantar com minúcia — da escolha das porcelanas ao arranjo de flores; um caderno de presentes dados e recebidos datado entre as décadas de 1950 e 1970; além de peças como uma licoreira, travessa de caviar, taças, um relógio de viagem, marcadores de lugar, porta caixa de fósforo e uma campainha de mesa; elementos que ajudavam a compor a experiência refinada das recepções na casa.

Mesa holandesa de madeira com marchetaria, séc XIX. Foto: Sérgio Zacchi/Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

A mostra também reúne objetos curiosos do cotidiano, que revelam facetas mais íntimas da rotina doméstica: um delicado frasco de perfume em cristal lapidado com detalhes em ouro, um secador de cabelo de cúpula, uma mesa de jogos com tampo de marchetaria, um batedor de tapetes, entre outros. São peças que, além de funcionais, preservam histórias e atmosferas do tempo vivido por Ema Klabin em sua residência.

Entre os documentos mais reveladores estão convites para eventos históricos, como a recepção em homenagem à Rainha Elizabeth II e ao Príncipe Philip, o chá oferecido à Imperatriz do Irã e festas temáticas, como a curiosa ‘Deusas entre os homens’, em 1950. Há ainda cadernos minuciosamente preenchidos por Ema, com listas de vinhos e receitas; agendas pessoais, como a de 1963, com anotações sobre viagens e cursos; e registros bancários e administrativos da própria Fundação Ema Klabin, idealizada pela colecionadora. Entre os destaques jornalísticos, há matérias da época, como a cobertura da famosa ‘Noite dos Perfumes’ e da exposição de antiguidades de 1961, revelando sua atuação como mecenas e figura central da vida cultural paulistana.

Recipiente para servir carnes. Foto: Sérgio Zacchi/Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

“O que esta exposição propõe é um olhar para além da elegância e do silêncio da casa: além de Ema Klabin, que construiu este espaço como extensão de sua personalidade, oito funcionários trabalhavam diariamente, cuidando de tudo com dedicação. Suas histórias ganham destaque na mostra, por meio de fotos, depoimentos e memórias que ajudam a reconstruir o cotidiano da residência. A casa também era ponto de encontro de empresários, artistas e autoridades, e tudo isso só acontecia graças ao trabalho discreto de quem estava nos bastidores. Embora Ema morasse sozinha, nunca viveu isolada: havia toda uma rede ao seu redor”, explica Paulo de Freitas Costa, curador da casa museu e dessa exposição.

Tempos de uma casa é um convite à escuta e à observação, resgatando memórias que habitam os espaços e que ajudam a compreender a trajetória da residência, e da própria colecionadora, empresária e mecenas Ema Klabin, para além da grandiosidade de sua coleção.

Serviço:

Exposição Tempos de uma casa, com curadoria de Paulo Costa

Até 24 de agosto de 2025

Visitação:

Visitas livres: quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até às 18h

Visitas mediadas: quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h. sábado, domingo e feriado, às 14h

R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia) para estudantes, idosos, PCD e jovens de baixa renda

Gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública

Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo

Sobre a Casa Museu Ema Klabin

Casa Museu Ema Klabin. Foto: Nelson Kon/Arquivo Casa Museu Ema Klabin.

A residência onde viveu Ema Klabin de 1961 a 1994 é uma das poucas casas museus de colecionador no Brasil com ambientes preservados. A Coleção Ema Klabin inclui pinturas do russo Marc Chagall e do holandês Frans Post, obras do modernismo brasileiro, como de Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de artes decorativas, peças arqueológicas e livros raros, reunindo variadas culturas em um arco temporal de 35 séculos.

A Casa Museu Ema Klabin é uma fundação cultural sem fins lucrativos, de utilidade pública, criada para salvaguardar, estudar e divulgar a coleção, a residência e a memória de Ema Klabin, visando à promoção de atividades de caráter cultural, educacional e social, inspiradas pela sua atuação em vida, de forma a construir, em conjunto com o público mais amplo possível, um ambiente de fruição, diálogo e reflexão.

A programação cultural da casa museu decorre da coleção e da personalidade da empresária Ema Klabin, que teve uma significativa atuação nas manifestações e instituições culturais da cidade de São Paulo, especialmente nas áreas de música e arte. Além de receber a visitação do público, a Casa Museu Ema Klabin realiza exposições temporárias, séries de arte contemporânea, cursos, palestras e oficinas, bem como apresentações de música, dança e teatro.

O jardim da casa museu foi projetado por Roberto Burle Marx e a decoração foi criada por Terri Della Stufa.

Acesse o site e redes sociais:

Site: https://emaklabin.org.br

Instagram: @emaklabin

YouTube: https://www.youtube.com/c/CasaMuseuEmaKlabin

Google Arts & Culture: https://artsandculture.google.com/partner/fundacao-ema-klabin

Facebook: https://www.facebook.com/fundacaoemaklabin

Linkedin: https://www.linkedin.com/company/emaklabin/?originalSubdomain=br

Vídeo institucional: https://www.youtube.com/watch?v=ssdKzor32fQ

Vídeo de realidade virtual: https://www.youtube.com/watch?v=kwXmssppqUU.

(Com Cristina Aguilera/Midia Brazil Comunicação)