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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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MASP apresenta exposição de Monet com obras inéditas no Hemisfério Sul

São Paulo, por Kleber Patricio

Claude Monet, Ponte de Waterloo, 1903, McMaster University, McMaster Museum of Art, doação Herman H. Levy, 1984, Hamilton, Canadá. Foto: Robert McNair.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand anuncia a exposição ‘A Ecologia de Monet’, apresentando uma leitura contemporânea sobre a relação de Claude Monet (1840–1926) com a natureza, as transformações ambientais, a modernização da paisagem e as tensões entre ser humano e natureza. A exposição apresenta obras que perpassam grande parte da carreira do artista — das décadas de 1870 até 1920 — revelando diferentes momentos de sua relação com a paisagem e com o meio ambiente. Em cartaz de 16 de maio a 24 de agosto de 2025, a exposição reúne 32 pinturas do impressionista francês, sendo a maioria inédita no hemisfério sul.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP, e com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP, a exposição aborda diferentes aspectos da relação de Monet com a ecologia em cinco núcleos: Os barcos de Monet; O Sena como Ecossistema; Neblina e Fumaça; O Pintor como Caçador e Giverny: Natureza Controlada. “É inegável que o artista teve um olhar atento para as transformações ambientais de seu tempo, documentando desde a industrialização crescente até fenômenos naturais, como enchentes e degelos. No entanto, a relação de Monet com a ecologia da época era outra, muito diferente das dimensões atuais do termo, tanto no campo das ciências do clima como no da história da arte. Ainda assim, é possível traçar leituras contemporâneas sobre o seu trabalho, especialmente se considerarmos a força e o impacto que sua obra segue exercendo na sociedade”, afirma Fernando Oliva.

O núcleo O Sena como Ecossistema aborda a água como um motivo constante na produção do artista, que cresceu na cidade do Havre, no norte da França, onde o rio Sena deságua no Oceano Atlântico. Ao longo da vida, Monet percorreu grande parte dos 776 km do rio e seus afluentes, desenvolvendo uma relação profunda com as paisagens fluviais, que também expressam os hábitos sociais e o processo de industrialização. Na mostra, a importância do Sena para a vida e a obra do artista também é representada em um painel expográfico curvo que simboliza o percurso do rio.

O curso d’água também tem destaque no núcleo Os barcos de Monet, no qual o impressionista apresenta o afluente do rio Sena em uma imersão. As barcas são mostradas de pontos de vista elevados, eliminando, assim, a noção de uma linha do horizonte. A correnteza do rio é destacada por pinceladas onduladas em tons de vermelho e amarelo que se somam ao verde intenso.

O núcleo Neblina e Fumaça discute como Monet representou as transformações urbanas e industriais de seu tempo. A energia a vapor, as fábricas em expansão, a produção de carvão e as rápidas mudanças nos meios de produção modificaram o horizonte das cidades do século XIX, fazendo com que as torres das igrejas passassem a competir com as chaminés na paisagem urbana. Os trabalhos em que o artista retrata as pontes de Waterloo e de Charing Cross, de Londres, são emblemáticos, pois dão a ver a forma como Monet explorou a perspectiva atmosférica com cores e pinceladas singulares, conferindo espessura à neblina e evidenciando o ar carregado pela fumaça liberada pelas indústrias instaladas às margens do rio Tâmisa.

O Pintor como Caçador parte das longas caminhadas de Monet à procura de boas vistas as quais pintar ou, como ele próprio dizia, boas ‘impressões’. Se no início de sua produção o artista se limitava a áreas de fácil acesso, especialmente após os anos 1880 passou a se aventurar por trilhas em busca de pontos de vista originais. Nesse núcleo também são apresentadas pinturas de Monet realizadas em suas viagens pela costa francesa —Normandia, Bretanha e Mediterrâneo —, além de passagens por outros países, como a Holanda.

Giverny: Natureza Controlada apresenta obras como A ponte japonesa (1918–1926) e A ponte japonesa sobre a lagoa das ninfeias em Giverny (1920–1924), concebidas pelo pintor no refúgio que criou nos jardins de sua propriedade na cidade de Giverny, onde viveu por mais de quatro décadas. Esse núcleo faz uma reflexão sobre a paixão de Monet por seus jardins, que também pode ser analisada como um desejo de controlar e moldar a natureza. “A exposição reflete uma relação complexa do pintor com a paisagem natural e o meio ambiente. Em suas pinturas coexiste um elogio ao meio ambiente e uma tentativa de organizá-lo, de contê-lo”, conclui Oliva.

A Ecologia de Monet integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da ecologia. A programação do ano também inclui mostras de Hulda Guzmán, Mulheres Atingidas por Barragens, Frans Krajcberg, Clarissa Tossin, Abel Rodríguez, Minerva Cuevas e a grande coletiva Histórias da ecologia.

Sobre o artista

Claude Monet (1840–1926) foi um dos fundadores e principais expoentes do movimento impressionista, revolucionando a história da arte com sua abordagem inovadora da luz e da cor. Nascido em Paris e criado na Normandia, Monet desenvolveu desde cedo uma sensibilidade única para a natureza e suas transformações. Seu quadro Impressão, Nascer do Sol (1872) deu nome ao movimento impressionista. Ao longo de sua carreira, dedicou-se a capturar os efeitos transitórios da luz sobre a paisagem, muitas vezes pintando o mesmo motivo em diferentes horários e condições atmosféricas.

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil — com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.

Catálogo | Por ocasião da mostra, será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e ensaios comissionados que debatem a relação de Monet com a ecologia. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, com assistência de Isabela Ferreira Loures. O catálogo tem texto curatorial de Oliva e artigos dos especialistas Ana Gonçalves Magalhães, Caroline Shields, Géraldine Lefebvre, Maria Grazia Messina, Marianne Mathieu, Michael J. Call, Nicholas Mirzoeff e Stephen F. Eisenman.

Loja MASP | Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta uma coleção exclusiva inspirada na obra de Claude Monet. A seleção de produtos inclui lenços de seda, vela aromática, aromatizador de ambiente, bolsas, ímãs, postais, marca-páginas, garrafa térmica, camisetas, cadernos de capa dura e bloco de anotação.
Realização | A Ecologia de Monet é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem patrocínio exclusivo de Nubank.

Serviço:

A Ecologia de Monet

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

16/5 —24/8/25

1° andar, Edifício Lina Bo Bardi

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada).

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)

Coral Paulistano realiza concerto em homenagem ao álbum de estreia do grupo Secos & Molhados

São Paulo, por Kleber Patricio

Coral Paulistano. Fotos: Larissa Paz.

Em maio, o Coral Paulistano e a Orquestra Sinfônica, sob regência de Maíra Ferreira, com direção de Otávio Juliano e participação especial de João Ricardo, apresentam Secos & Molhados, um concerto em homenagem aos 52 anos do álbum homônimo, que figura constantemente as primeiras posições nas listas de álbuns e capas mais icônicas da música brasileira. As apresentações acontecem no dia 16, sexta-feira, às 20h, e 17, sábado, às 17h, na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo.

Neste concerto, o Coral Paulistano apresenta as canções desse icônico disco de estreia de Secos e Molhados, como ‘Sangue Latino’, ‘O Vira’, ‘Rosa de Hiroshima’, ‘Fala’ e ‘Flores Astrais’, entre outras, além de poemas, vertidos em música, dos seguintes autores: Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes e João Apolinário, pai de João Ricardo. Os ingressos custam de R$11 a R$70, a classificação é livre e duração de 60 minutos.

Meio século de história de volta ao palco

A origem do nome da banda é tão emblemática, quanto o grupo em si, em 1970, durante uma viagem do cantor e compositor, João Ricardo, que estava em Ubatuba e se deparou com um armazém cuja placa indicava “secos e molhados”. Os dizeres lhe chamaram a atenção, e imaginou que seria um excelente nome para sua banda. No ano seguinte, o grupo foi formado ao lado de Ney Matogrosso e Gérson Conrad e, em 23 de maio de 1973, gravaram seu primeiro disco de estúdio: Secos & Molhados.

Maíra Ferreira, regente do Coral Paulistano.

Com letras atemporais e vocais marcantes de Ney Matogrosso, o disco uniu estilos musicais como folk, pop, glam rock, free jazz, rock progressivo e baião, o que possibilitou a conquista de fãs de gêneros musicais completamente distintos, inclusive os admiradores do mundo underground. Com a maioria dos arranjos escritos por Zé Rodrix, Secos e Molhados utilizava instrumentos elétricos, tinha um forte apelo cênico em suas performances e uma estreita relação com a poesia. Além disso, a capa do disco, de autoria do fotógrafo Antonio Carlos Rodrigues foi eleita em 2000 pelo jornal Folha de São Paulo, através de enquete, como a melhor já produzida no país.

O concerto tem direção de Otávio Juliano, responsável pelo documentário Secos & Molhados (2021), e foi durante as gravações das entrevistas para o documentário com João Ricardo, realizadas no Theatro Municipal, que o diretor comentou sobre a possibilidade de ter “a obra da banda Secos & Molhados cantada por esse coral incrível”, e Ricardo, o principal compositor e fundador da banda adorou a ideia.

Sobre o concerto, o diretor pontua: “Será também um espetáculo com elementos audiovisuais novamente, como o de 85 anos do Coral Paulistano, com a presença do próprio João Ricardo, que é muito raro, celebrando a música do Secos e Molhados, as composições incríveis de um álbum que entra na história, considerado um dos grandes álbuns da música brasileira, e a capa considerada pela revista Rolling Stone, como uma das melhores capas de todos os tempos. Então, serão duas noites muito especiais para celebrar essa obra”.

A regente, Maíra Ferreira, destaca a importância de valorizar e trazer novos ares para um clássico da música nacional. “Esse repertório é inesquecível, está na memória dos brasileiros, uma obra que foi feita na década de 70 e ainda é tão presente. O Coral Paulistano busca valorizar a música brasileira, todas as músicas brasileiras, não o que chamamos de música de conceito apenas, mas a música que tem nossa identidade. Então achamos que seria ideal a junção de todas essas forças e celebrar essa música que é nacional e diferente do que costumamos apresentar, porque o nosso público também merece diversidade”, conclui.

Serviço:

16 de maio, sexta-feira, 20h

17 de maio, sábado, 17h

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

CORAL PAULISTANO

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

Maíra Ferreira, regência

Otávio Juliano, direção

João Ricardo, participação especial

Sangue Latino

O Vira

O Patrão Nosso de Cada Dia

Amor

Primavera nos Dentes

Mulher Barriguda

El Rey

Rosa de Hiroshima

Rondó do Capitão

As Andorinhas

Fala

Flores Astrais

O hierofante

Doce e amargo

Toada & Rock & Mambo & Tango & etc.

Ingressos de R$11,00 a R$70,00 (inteira)

Classificação livre para todos os públicos – sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

Duração total: Aproximadamente 60 minutos (sem intervalo)

Mais informações disponíveis no site.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Edições Sesc SP lançam ‘Vestígios da floresta’, de Daniel Cangussu, obra sobre povos indígenas isolados da Amazônia

São Paulo, por Kleber Patricio

Biólogo e indigenista Daniel Cangussu revela a complexidade que circunda os povos indígenas que optam pelo isolamento e explora em detalhe a chamada ciência mateira, que decifra os rastros que orientam expedições de proteção e monitoramento. Foto: Sesc SP.

Funcionário da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde 2010, Daniel Cangussu integra a equipe dedicada à proteção dos territórios de povos indígenas isolados e de recente contato na Amazônia. Em ‘Vestígios da floresta: povos refugiados da Amazônia’, novo lançamento das Edições Sesc São Paulo, ele une outras vozes à sua vasta experiência de campo a amplia o debate por meio de pesquisas de caráter transdisciplinar.

Movido pelo crescente interesse público nos povos indígenas isolados e pelas ameaças do extrativismo predatório e do agronegócio na Amazônia, Cangussu revisitou sua dissertação de mestrado, defendida em 2021 no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e nos apresenta uma releitura desse trabalho, integrando estudos de botânica, ecologia, arqueologia e indigenismo à proteção e ao monitoramento dos povos indígenas isolados.

A edição traz ainda fotografias das expedições indigenistas captadas no cenário amazônico, com destaque para a imagem da capa: uma fotografia inédita do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que fotografou os Suruwaha em 2018. Ele também assina o prefácio da obra.

No texto de introdução, Cangussu lembra que a morte do último indígena de um povo isolado, conhecido como ‘Índio do Buraco’, em 2022, “reacendeu o debate sobre esses povos, chamando a atenção para o intrigante cenário amazônico”. No mesmo ano, o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, que atuavam diretamente na proteção dos territórios desses povos, evidenciou ainda mais esse “sensível e dramático cenário”. O autor traça um panorama da situação dos povos isolados e da atuação dos ‘indigenistas mateiros’, como ele, que têm a tarefa de monitorar e proteger esses povos sem estabelecer contato direto com eles. Ele ainda explica e defende a condição de ‘refugiados’ desses povos dentro do território brasileiro.

A ciência mateira

Segundo Cangussu, a ‘ciência mateira’ integra não apenas o conhecimento científico, mas também a sabedoria tradicional dos habitantes da floresta. A ciência e o ofício do indigenista mateiro representam um saber que traduz rastros, plantas e artefatos deixados pelos povos indígenas, além de orientar expedições de proteção e monitoramento realizadas por esses profissionais. O autor relata que seu trabalho sempre despertou grande curiosidade e dúvidas, e que, no livro, ele busca responder às perguntas mais frequentes que recebe sobre os povos isolados e sobre sua própria atuação. Para alcançar um público mais amplo, Cangussu optou por uma linguagem mais leve e acessível no decorrer do livro, evitando, sempre que possível, o uso excessivo de citações e terminologias típicas da linguagem acadêmica.

“Povos compulsoriamente refugiados”

No texto da quarta capa do livro, a antropóloga e professora emérita da Universidade de Chicago Manuela Carneiro da Cunha afirma que os indígenas isolados “não são povos que recusam a história e não nos conhecem. Pelo contrário, conhecem-nos bem demais”. Eles são, na verdade, povos “compulsoriamente refugiados nas florestas que restam”. Já no texto da orelha, a indigenista e ativista Marina Kahn também relembra os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips e afirma que, naquele momento, Cangussu “entendeu que precisava ir além dos aspectos ecológico e antropológico de sua pesquisa para fazer ecoar, também, seu entendimento sobre o indigenismo e a relevância do sertanista em ambientes quase sempre hostis”.

“A leitura das histórias inscritas nas árvores e trilhas pode revelar saberes essenciais para imaginarmos e construirmos mundos mais ricos e diversos, tanto biológica quanto culturalmente.” (Luiz Deoclecio Massaro Galina, diretor do Sesc São Paulo)

A política do não contato

No primeiro capítulo, o autor descreve a política de não contato, esclarecendo por que muitos povos amazônicos optam por não ter ligação com os não indígenas. Ele explica sua opção por usar a expressão “indígenas em isolamento compulsório”, por acreditar que a ideia de isolamento em si diz pouco sobre esses grupos. Até onde se sabe, os povos atualmente isolados alguma vez tiveram contato com os não indígenas, mas, em determinado momento, passaram a evitá-los devido aos riscos inerentes a essa relação. Para tanto, se viram obrigados a abrir mão de porções da floresta onde esse contato poderia ocorrer.

Para ilustrar isso, Daniel Cangussu traz um panorama histórico do contato entre indígenas e colonizadores europeus e como isso significou um verdadeiro genocídio, com uma queda demográfica de cerca de 90% nas populações indígenas nos dois primeiros séculos de colonização. O refúgio em áreas da floresta de mais difícil acesso foi inicialmente uma resposta dos indígenas para resistir a esse genocídio e, no século XX, o isolamento acabou se tornando uma política do Estado brasileiro para proteger os povos remanescentes. O autor contextualiza como essa política se desenvolveu por meio da atuação de sertanistas, de indigenistas e da Funai.

Arbustos, galhos e sementes como geolocalizadores

No capítulo seguinte, Cangussu introduz a ideia de ciência mateira. No texto de orelha, Marina Kahn define essa ciência como aquela “para a qual arbustos quebrados ou sementes descartadas são convertidos em informações acerca da mobilidade e da territorialidade dos povos indígenas isolados”. Para o autor, “é aquela cujo rol de conhecimentos nativos é aprendido a partir do convívio milenar com as florestas”. Esse saber orienta-se por pistas concretas, embora quase imperceptíveis para quem não tem o olhar treinado para identificá-las. A partir desses indícios e resíduos, é possível “remontar lapsos de vida e intenções humanas”.

‘O perigo de uma história única’ e a invisibilidade de mulheres indigenistas

Neste capítulo, ‘outras vozes’ começam a se intercalar com a narrativa de Cangussu, como a do mateiro José Lopes dos Sales Apurinã e a da indígena Mandeí Juma, que trazem seus relatos e perspectivas. Um dos subcapítulos, ‘O perigo de uma história única’, aborda e busca enfrentar a invisibilidade das mulheres indigenistas. Na história das expedições amazônicas, os protagonistas quase sempre são homens. Para Cangussu, “a não participação de mulheres indígenas e mateiras nas ações de campo desempenhadas pelas Frentes de Proteção Etnoambiental pode gerar vícios metodológicos graves”.

A presença humana na floresta

O terceiro capítulo, ‘Os caminhos da floresta’, traz fundamentações ecológicas e botânicas associadas à pesquisa acadêmica e à experiência indigenista do autor, que se coloca como um discípulo daqueles que o acompanham nas expedições, os guias mateiros, quase sempre indígenas. Cangussu aborda como, ao caminhar pelos ‘varadouros’ – trilhas que conectam aldeias, acampamentos e outros assentamentos –, a floresta, que vista de cima parece intocada, se revela permeada pela ação humana. A quebra de galhos e arbustos é uma das ações mais comuns e, para o autor, esses vestígios apresentam um amplo significado comunicativo.

Ele explica também o que diferencia os caminhos feitos por humanos e por outros animais e o que as árvores e outras espécies vegetais revelam sobre a história e a arqueologia da Amazônia. Um dos subcapítulos aborda as ‘tiradas de mel’, por exemplo, um sinal da presença de indígenas não contatados que é representativo da relação entre os humanos e outros animais – no caso, as abelhas melíferas.

No capítulo final, o biólogo se aprofunda nos desafios e limitações metodológicos para a produção etnográfica sobre os povos isolados e, para exemplificar, relata e faz uma análise de um encontro entre ribeirinhos e indígenas isolados nas cabeceiras do igarapé Canuaru, no sul do Amazonas. Lá, habitam os Jamamadi, os Jarawara, os Banawa e, presume-se, os Hi-Merimã, ainda isolados e com população estimada em cem pessoas. Os Hi-Merimã mantiveram intensos contatos com os povos indígenas de seu entorno até, pelo menos, 1960. Porém, os assentamentos permanentes de não indígenas na região os levaram a se isolar. O capítulo traz um depoimento do senhor Domingos, ribeirinho que pertence a uma família que emigrou do Ceará fugindo das secas e tornou-se extrativista na Amazônia.

SOBRE O AUTOR

Daniel Cangussu nasceu em 1983, na cidade de Águas Formosas, no Vale do Mucuri (MG). Graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e se especializou em Tecnologias Aplicadas ao Ensino de Biologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). No início de 2021, concluiu o mestrado em Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Atua há 15 anos como indigenista da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), onde passou a integrar o quadro de servidores que se dedica à proteção dos povos indígenas isolados e de recente contato na Amazônia. Atuou ainda com os povos indígenas do Vale do Jequitinhonha e do Vale do Mucuri, com os quais permanece desenvolvendo projetos de pesquisa. Tem estabelecido parcerias com pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, sendo o diálogo interdisciplinar um traço fundamental de seus trabalhos em ecologia histórica e em etnobotânica.

SOBRE AS EDIÇÕES SESC SÃO PAULO

Pautadas pelos conceitos de educação permanente e acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam livros em diversas áreas do conhecimento e em diálogo com a programação do Sesc. A editora apresenta um catálogo variado, voltado à preservação e à difusão de conteúdos sobre os múltiplos aspectos da contemporaneidade. Seus títulos estão disponíveis nas Lojas Sesc, na livraria virtual do Portal Sesc São Paulo, nas principais livrarias e em aplicativos como Google Play e Apple Store.

Ficha técnica:

Vestígios da floresta: povos indígenas refugiados da Amazônia

Autor: Daniel Cangussu

Edições Sesc São Paulo, 2024

Número de páginas: 204

ISBN: 978-85-9493-311-9 (Ed. Sesc SP)

Preço de capa: R$ 80,00

Os títulos das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc São Paulo, nas principais livrarias, em aplicativos como Apple Store e Google Play e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria.

(Com Diego Zebele/Edições Sesc São Paulo | Comunicação)

MAM São Paulo e Fundação Dorina Nowill para Cegos promovem ação coletiva com foco em acessibilidade por meio da arte

São Paulo, por Kleber Patricio

Acessibilidade e comunidade: ação coletiva entre educativos MAM e Centro de Memória Dorina Nowill para Cegos. Foto: Ana Flavia.

De 12 a 14 de maio (segunda a quarta-feira), das 9h às 16h, as equipes educativas do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Centro de Memória Dorina Nowill para Cegos realizam uma ação especial, convidando o público a refletir sobre acessibilidade, inclusão e criatividade por meio da arte. Durante três dias, obras do acervo de recursos táteis e de acessibilidade — desenvolvido nos últimos três anos com base em obras da coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo — estarão expostas no auditório da Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo, com entrada gratuita.

“A ação coletiva contará com materiais táteis produzidos especialmente para estimular a percepção por outros sentidos, promovendo um contato mais amplo e inclusivo com a arte”, explica Mirela Estelles, coordenadora do MAM Educativo. A iniciativa integra a programação da 23ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que este ano tem como tema ‘O Futuro dos Museus em Comunidades em Rápida Transformação’.

A ação conta ainda com uma visita aberta ao público com o MAM Educativo, no dia 13 de maio, quarta-feira, das 15h às 16h, com o objetivo de ampliar repertórios e abrir espaço para troca e reflexão sobre a importância entre arte, acesso e comunidade.

Serviço:

12 a 14/5 (segunda a quarta)

Acessibilidade e comunidade: ação coletiva entre educativos MAM e Centro de Memória Dorina Nowill para Cegos

Programa de Visitação + Semana Nacional de Museus

Horário: das 9h às 16h

Local: Fundação Dorina Nowill para Cegos | Rua Doutor Diogo de Faria, 558 Vila Clementino – São Paulo/SP

Visitação aberta ao público: 12 a 14 de maio (segunda a quarta) 9h às 16h

Telefone para contato: (11) 50870999 / (11) 50870955

Atividade presencial e gratuita, para todos os públicos, com audiodescrição. Vagas limitadas. Inscrições via link Fundação Dorina Nowill para cegos. Para intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br com até 48h de antecedência.

13/5 (terça)

Acessibilidade e comunidade: visita aberta ao público com MAM Educativo

Programa de Visitação + Arte e Acessibilidade + Semana Nacional de Museus

Horário: das 15h às 16h

Local: Fundação Dorina Nowill para Cegos | Rua Doutor Diogo de Faria, 558 Vila Clementino – São Paulo/SP

Atividade presencial e gratuita, para todos os públicos, com audiodescrição. Vagas limitadas. Inscrições via link Fundação Dorina Nowill para cegos. Para intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br com até 48h de antecedência.

Sobre o MAM São Paulo
Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de cinco mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. O MAM tem uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

O MAM está temporariamente fora de sua sede no Ibirapuera desde agosto de 2024 devido à reforma da marquise, realizada pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, e o retorno do museu ao Parque está previsto para o segundo semestre de 2025. A programação de exposições do primeiro semestre está sendo apresentada em instituições parceiras como o Centro Cultural Fiesp e o Sesc São Paulo. Acompanhe as atividades do MAM através do site (www.mam.org.br) e pelas redes sociais (@mamsaopaulo).

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Há mais de 7 décadas se dedica à inclusão social de crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.

Responsável por um dos maiores parques gráficos braille em capacidade produtiva da América Latina, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, audiodescrição e consultorias especializadas como acessibilidade arquitetônica e web. Com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual. Mais detalhes aqui no site.

(Com Ana Cationi/RPMA Comunicação) 

Guia MICHELIN, para viajantes e motoristas, completa 125 anos

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Martin Baron/Unsplash.

Criado originalmente em 1900 na França, o Guia MICHELIN completa 125 anos em 2025. Como grande inovação que é, a seleção não começou como o icônico guia de restaurantes. Para ajudar os motoristas a realizarem suas viagens, os irmãos Michelin (André e Edouard Michelin) produziram um pequeno guia com informações úteis para os motoristas e viajantes, como mapas, oficinas para troca de pneus, postos de combustível e para o momento de descanso – uma lista de lugares para comer ou passar a noite.

Reconhecendo a crescente influência da seção de restaurantes do guia, os irmãos Michelin recrutaram uma equipe de clientes ocultos – hoje chamados de inspetores – para visitar restaurantes anonimamente. Em 1926, o Guia começou a avaliar os restaurantes e conceder uma estrela aos melhores estabelecimentos. As sonhadas três estrelas chegaram cinco anos depois. Em 1936, os critérios de avaliação foram divulgados pela primeira vez: uma estrela para ‘restaurantes muito bons em suas categorias’; duas estrelas para ‘excelente cozinha; vale a visita’; e três estrelas para ‘gastronomia excepcional; vale uma jornada especial’. Já em 1997, o Guia ganhou a distinção Bib Gourmand, referência à melhor relação qualidade preço.

“O Guia MICHELIN está há 125 anos descobrindo novos talentos. Desde sua criação, cruzou fronteiras, atravessou mares e revelou inúmeros talentos em todo o mundo. Não importa a idade, o tipo de cozinha e restaurante, celebramos profissionais cujo talento, dedicação e paixão têm inspirado gerações ao longo das décadas, criando experiências inesquecíveis que vão além para trazer magia à mesa. Devemos um agradecimento especial aos chefs e suas equipes, os protagonistas desta história. Temos muito mais para descobrir e para celebrar juntos”, comemora Gwendal Poullennec, diretor internacional do Guia MICHELIN.

Hoje, o Guia MICHELIN está presente em mais de 50 destinos, como Brasil, Itália, Tailândia, Espanha, Portugal, Cingapura, Estados Unidos, Polônia, Reino Unido, Grécia e França. A publicação também se tornou referência em marketing de serviço por causa por conta de atributos como geração de valor, posicionamento de marca, criação de autoridade e conexão com o público. “Criado lá no século XIX, o Guia se mantém vibrante até os dias de hoje”, destaca Gwendal Poullennec.

Ao longo da história de seus 125 anos, o Guia MICHELIN também se reinventou com conectividade, diversidade e sustentabilidade.

Conectividade

Desde a sua criação, até a última década, o Guia MICHELIN foi publicado de forma impressa, com mais de 30 milhões de guias vendidos em todo o mundo neste período. Objeto de desejo, o guia vermelho é, inclusive, peça de coleção de muitos aficionados por gastronomia no mundo inteiro. Com a nova perspectiva trazida com a internet móvel, o acesso ao Guia se tornou mais democrático e hoje é possível conferir a lista completa de restaurantes em diversas cidades do mundo inteiro no celular, pelo site ou pelo aplicativo com poucos passos. Essa mudança deixou o acesso ao conteúdo do Guia mais fácil e tornou possível uma atualização mais rápida.

Diversidade

Por muitos anos, foram os homens que comandaram boa parte dos grandes restaurantes do mundo. Atualmente, vemos cada vez mais mulheres ocupando esses espaços. Chefs mulheres têm se destacado, como a catalã Carme Ruscalleda, que já somou sete estrelas por seus três restaurantes na Espanha; a francesa Anne-Sophie Pic, responsável por cinco restaurantes que, juntos, acumulam sete estrelas, e Maíra Freire, primeira sommelier brasileira a ser homenageada pelo seu trabalho à frente da adega do restaurante Lasai, duas estrelas MICHELIN do Rio de Janeiro.

A expansão do Guia também extrapolou os salões dos restaurantes. Geralmente associado à ideia de estabelecimentos caros e refinados, o Guia já inclui comida de rua, gastronomia relevante nas culturas locais. É o caso de Bangkok, na Tailândia. “A vocação do Guia em 2025 é tão relevante quanto em 1900, que é tornar a busca de experiências inesquecíveis disponíveis para todos. A gastronomia é uma expressão do movimento de redescoberta de heranças culturais, que também estão nas ruas”, afirma o diretor.

Sustentabilidade

Em 2020, a distinção Estrela Verde foi criada para premiar os restaurantes da seleção mais empenhados na gastronomia sustentável, que combinam a excelência com a responsabilidade ecológica e representam um modelo alternativo e ético.

Seleção Rio de Janeiro & São Paulo

Maior capital da América Latina e cidade com mais de 150 mil bares e restaurantes, São Paulo receberá a aguardada cerimônia de lançamento do Guia MICHELIN Rio de Janeiro e São Paulo 2025. No dia 12 de maio, os apaixonados por gastronomia e por experiências inesquecíveis irão conhecer ao vivo a nova seleção de restaurantes do Guia MICHELIN para as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. O evento será realizado no icônico hotel Rosewood São Paulo, na cidade de São Paulo, e reunirá todos os chefs com os restaurantes recomendados na nova seleção. A cerimônia será transmitida ao vivo pelo canal do Guia MICHELIN no YouTube.

As seleções completas estão disponíveis no site e no aplicativo do Guia Michelin.

(Com Aline Gomes/Textual)