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Garibaldi: um pedacinho da Itália em solo gaúcho

Garibaldi, por Kleber Patricio

Em 2025, o Rio Grande do Sul celebra os 150 anos da imigração italiana — um marco histórico que moldou a cultura, a arquitetura, a gastronomia e o jeito de ser de tantas cidades da Serra. Em meio a esse legado, Garibaldi se destaca como um dos destinos mais autênticos para quem deseja vivenciar um pedaço da Itália sem sair do Brasil.

Conhecida como a Capital Nacional do Espumante, Garibaldi é mais do que um polo vitivinícola: é um lugar onde as tradições dos imigrantes seguem vivas, celebradas com orgulho em cada canto. Dos casarios centenários às festas comunitárias, o visitante é acolhido com memória, sabor e hospitalidade. “Em um ano tão simbólico para a história dos descendentes italianos no Brasil, visitar Garibaldi é mais do que uma viagem turística: é uma forma de celebrar a identidade e os valores deixados por quem ajudou a construir essa terra com tanto trabalho e afeto”, destaca o prefeito de Garibaldi, Sérgio Chesini.

A seguir, confira algumas experiências imperdíveis para quem deseja mergulhar nesse legado.

Degustar espumantes premiados no berço da bebida no Brasil

Foto: FM Criação.

Garibaldi abriga vinícolas icônicas como Peterlongo, Chandon e Cooperativa Garibaldi, além de pequenas vinícolas familiares que oferecem experiências intimistas. É possível degustar rótulos premiados internacionalmente e aprender sobre o método champenoise, tudo em meio a vinhedos que parecem saídos de um cenário europeu.

Passear no Tim-Tim pelo Centro Histórico

Foto: Vicente Silveira.

O passeio de Tim-Tim – um legítimo caminhão do Exército dos anos 40 transformado em um elegante ônibus de turismo — percorre os principais pontos do centro histórico com narração e trilha sonora típica. É uma forma leve e divertida de conhecer a cidade e aprender sobre sua história, arquitetura e personagens.

Caminhar pelo Centro Histórico e se hospedar em casarões centenários

Fotos: Samuel Cereja.

O centro da cidade é um verdadeiro cartão-postal: ruas arborizadas, arquitetura típica dos imigrantes e um clima de vila italiana. Entre lojas, cafés e opções gastronômicas, o visitante desfruta de uma verdadeira viagem no tempo e de um clima acolhedor.

Visitar a Igreja Matriz São Pedro

Foto: Divulgação/Prefeitura de Garibaldi

Localizada no coração da cidade, a imponente Igreja Matriz encanta pela arquitetura e pelo simbolismo. Sua escadaria oferece uma vista privilegiada do centro histórico, sendo ponto de encontro de moradores e turistas. Além disso, ao lado, o visitante pode desfrutar do conforto de uma praça com infraestrutura inspirada em jardins franceses e paisagismo verde aconchegante.

Conhecer o Museu Municipal de Garibaldi

Foto: Alexandra Ungaratto.

O museu preserva a memória da imigração com acervo rico em fotografias, objetos, mobiliário e documentos. Uma visita que emociona e conecta o visitante à trajetória das famílias que moldaram a cidade.

Participar de festas que celebram a cultura italiana

Foto: Divulgação.

Garibaldi tem um calendário recheado de eventos que exaltam suas raízes. A Fenachamp é a grande celebração do espumante e ocorre a cada dois anos. Em 2025, a festa será realizada de 2 a 26 de outubro. O Festival do Grostoli (abril) valoriza a doçura da cozinha das nonnas. E o Festival Colonial Italiano, que reúne música, oficinas e danças que recontam o cotidiano dos imigrantes, está marcado para os próximos dias 24 e 25 de maio.

Saborear uma verdadeira sequência italiana feita pelas nonnas

Massas artesanais, galeto, polenta, radicci com bacon e vinho da casa: a tradicional sequência italiana é uma celebração do sabor e da memória. Restaurantes e cantinas rurais mantêm viva essa tradição em ambientes repletos de afeto.

Embarcar na Maria Fumaça com música e emoção

Foto: Vicente Silveira.

A clássica viagem de Maria Fumaça leva os visitantes de Garibaldi até Bento Gonçalves, com apresentações culturais a bordo, degustações e paisagens encantadoras. Uma experiência inesquecível que celebra a imigração italiana com todos os sentidos.

Viver o turismo rural com sabor e autenticidade

Foto: Alexandra Ungaratto.

Nas áreas mais afastadas do centro, o turista encontra propriedades rurais onde se pode provar queijos, grostoli, salames, sucos e vinhos direto do produtor. Cada visita é uma oportunidade de ouvir boas histórias, conhecer processos artesanais e contemplar paisagens deslumbrantes.

(Com Laura Kirchhof/Critério Comunicação)

Um conto fantástico sobre os ciclos femininos

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Fotos: Divulgação.

Adelaine cresceu em um reino cinzento e enfeitiçado onde os homens eram os únicos moradores e vários saberes milenares foram proibidos. Mas quando a menina passa pela primeira menstruação, o rei percebe sua verdadeira identidade e a expulsa para uma misteriosa floresta. Perdida na natureza e com medo do futuro, ela encontra um grupo de mulheres que a acolhe. Neste novo lugar, a protagonista inicia a verdadeira jornada do livro infanto-juvenil ‘O Diário de Adelaine’, ao descobrir todas as nuances sobre o universo feminino que, por muitos anos, foram banidas.

Escrita pela fisioterapeuta pélvica e especialista em saúde da mulher Berenice V.S. Meurer, a obra dialoga com jovens sobre a menarca, a saúde menstrual e a sexualidade com objetivo de romper padrões geracionais de silêncio acerca do corpo feminino. Em uma jornada fantástica até um mundo semelhante aos de contos de fadas, as leitoras entram em contato com o poder da irmandade, da ancestralidade e do autoconhecimento.

Com ilustrações da artista plástica Tatti Simões, a autora atravessa temas informativos por meio de uma narrativa leve e repleta de aventuras. Entre os assuntos, aborda as diferenças entre as quatro fases do ciclo – menstrual, folicular, ovulação e lútea -, os sintomas mais comuns da TPM, os sinais que precisam de um acompanhamento especializado e as responsabilidades de uma relação íntima.

“Nós, mulheres, passamos por essas mudanças, por altos e baixos hormonais que geram alterações de humor, de alegria e tristeza, raiva, medo e algum desconforto físico em alguns ciclos. Assim como a natureza, também estamos em movimento interno constante. Podemos ter dias que nosso temperamento está como o ar em brisa suave ou dias de ventania.” (O Diário de Adelaine, p. 54)

Além de conteúdos educacionais, a publicação retrata a importância dos laços formados pela protagonista. Ao chegar na floresta, Adelaine faz amizade com duas garotas que se tornam suas confidentes, além de reencontrar a mãe. Entre períodos repletos de desafios emocionais e situações que demandam força interna, ela conta com o apoio das mulheres ao seu redor para confiar mais em si e respeitar os próprios limites.

Nas páginas finais, O Diário de Adelaine convida as leitoras a escreverem sobre seus sentimentos e as mudanças do corpo durante o processo de amadurecimento, no intuito de ajudar na percepção das transformações e no entendimento sobre a saúde. Assim como a protagonista fez em um diário, as jovens podem discorrer de forma livre sobre as emoções e os sintomas físicos para, anualmente, observarem as ondulações do ciclo. “O livro contribui para que as meninas iniciem seus ciclos menstruais com mais amor-próprio, consciência e conhecimento sobre o corpo, além de ser uma ferramenta para abrir conversas na família e na escola. Muitos pais e mães não sabem por onde começar a conversar com as filhas, então esta é uma forma de se aproximar do universo feminino e melhorar as relações familiares”, afirma a autora.

FICHA TÉCNICA

Título: O Diário de Adelaine

Autora: Berenice V.S. Meurer

ISBN: 978-65-5872-757-6

Páginas: 100

Preço: R$ 69,90

Onde comprar: Amazon | Site do livro.

Sobre a autora | Berenice Vieira da Silva Meurer é fisioterapeuta pélvica e professora de yoga desde 2006. Especializada em fisioterapia uroginecológica e sexualidade humana, tem foco no atendimento de mulheres em diferentes fases da vida. É idealizadora do programa Gestar Íntegro, voltado à preparação física e emocional para o parto, a amamentação e a maternidade. A partir do compromisso em promover uma relação saudável das mulheres com seus corpos e com o intuito de romper ciclos de silêncio sobre a saúde feminina, publicou o livro O Diário de Adelaine. Como escritora, ocupa a cadeira de nº4 na Academia Brasileira de Letras de Santa Catarina – seccional de Águas Mornas (ALBSC-AM) e já vendeu mais de 10 mil exemplares da obra.

Redes sociais da autora:

Instagram: @odiariodeadelainelivro | @berenice.shakti

Facebook: /berenice.meurer

Site: https://odiariodeadelaine.com/ | https://vivazsaudefeminina.com/.

(Com Maria Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)

Após sete anos, Renata Sorrah retorna a Porto Alegre com espetáculo inédito

Porto Alegre, por Kleber Patricio

Fotos: Nana Moraes.

Um dos mais renomados nomes das artes cênicas do país, Renata Sorrah está de volta a Porto Alegre, após sete anos. A atriz se apresenta nos dias 04 e 05 de junho, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto, como parte da programação do 19º Festival Palco Giratório Sesc. Com direção e dramaturgia de Marcio Abreu, o espetáculo ‘Ao Vivo [Dentro da Cabeça de Alguém]’ é uma criação da Companhia Brasileira de Teatro e propõe um mergulho sensível e poético na memória, no tempo e na potência da arte.

A última vez que Sorrah esteve na capital gaúcha com um espetáculo foi em setembro de 2018, no 25º Porto Alegre em Cena, quando integrou o elenco da peça ‘Preto’. Desta vez, ela retorna como protagonista de uma montagem inédita no Estado, que estreou em 2024 em São Paulo, inspirada livremente no clássico ‘A Gaivota’, de Anton Tchekhov. Em ‘Ao Vivo [Dentro da Cabeça de Alguém]’, a atriz que deu vida à icônica Heleninha Roitman de ‘Vale Tudo’ revisita sua própria história, fazendo alusão a uma montagem do clássico russo da qual participou na década de 1970. A partir dessa memória, o espetáculo constrói uma experiência, ao mesmo tempo, íntima e universal, em que teatro, vídeo, som e movimento se entrelaçam.

Em Porto Alegre, ‘Ao Vivo [Dentro da Cabeça de Alguém]’ contará com recursos de acessibilidade. No dia 4, terá tradução para Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), e, no dia 5, contará com recursos de audiodescrição. A última apresentação contará, ainda, com um recurso inédito na programação do festival: a visita tátil. A proposta é que pessoas cegas, com baixa visão ou surdocegas possam explorar cenários e figurinos por meio do tato, com a orientação de profissionais especializados. Os ingressos para a peça podem ser adquiridos pelo site do evento, em qualquer Unidade do Sesc/RS ou 1h antes na bilheteria do Teatro conforme a disponibilidade do local.

Festival Palco Giratório Sesc

Após 18 edições em Porto Alegre, o Festival Palco Giratório Sesc movimenta e incentiva as artes cênicas com uma programação intensa, tradicionalmente no mês de maio. O Festival integra o Circuito Nacional, realizado pelo Sesc em diferentes estados para promover a difusão e o intercâmbio cultural, consolidando a iniciativa como a maior ação do gênero no Brasil. Ao longo de cada ano, traz uma programação caracterizada pela diversidade de expressões e temáticas, qualidade de espetáculos e ações formativas com grupos de todas as regiões do País. A proposta é destacar questões presentes na contemporaneidade por meio da arte. A 19ª edição, em 2025, ocorre entre os dias 20 de maio e 8 de junho. Serão 64 sessões de espetáculos apresentados por 52 grupos artísticos – sendo 24 do Rio Grande do Sul – que tomam conta de 22 espaços culturais da Capital Gaúcha.

(Com Denis Machado/Moglia Comunicação)

Lenda da música brasileira, Rosa Passos será homenageada com o “Troféu Tradições” pela UBC Cantora, compositora e violonista baiana será a homenageada da quinta edição do prêmio, em cerimônia na Casa UBC, no Rio de Janeiro, no dia 9 de junho

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Rosa Passos. Foto: Thamires Santiago.

Com sua voz acolhedora, seu violão refinado e uma trajetória que atravessa fronteiras sem perder as raízes, Rosa Passos será a grande homenageada da quinta edição do Troféu Tradições. A cerimônia, realizada pela União Brasileira de Compositores (UBC), acontece no dia 9 de junho, às 19h, na Casa UBC, no Rio de Janeiro, e celebra a artista que se tornou uma das maiores embaixadoras da música brasileira no mundo. Dona de um repertório que combina sofisticação e simplicidade, Rosa receberá a honraria das mãos da cantora, compositora e presidenta da UBC, Paula Lima, em uma noite especial de celebração à sua arte e legado.

Rosa Passos interpretará canções que marcaram sua carreira em uma noite especial. Aos 73 anos, a artista baiana tem 24 álbuns em sua discografia, incluindo muitos com composições autorais, como Recriação (1979), Curare (1991), Pano pra Manga (1996), Dunas (2001), Amanhã vai ser verão (2018), From Paulelli to Rosa Passos (2020) e É Luxo Só (2011). Fortemente influenciada pela maneira de cantar e tocar violão de João Gilberto, Rosa se destacou interpretando clássicos da Bossa Nova e obras de grandes compositores brasileiros como Ary Barroso, Dorival Caymmi, Djavan, João Bosco e Gilberto Gil.

Foto: Divulgação.

Sobre ser homenageada, Rosa Passos declarou: “Ao ser homenageada pela UBC, recebo essa distinção com grande alegria. Vindo de uma casa que congrega aqueles que se dedicam ao sagrado ofício da música, tem um brilho e significado especial para mim. Cantar, tocar e compor canções representam a tradução da essência mais pura do que sou.”

Ao longo de sua carreira, Rosa Passos conquistou reconhecimento em mercados importantes como Japão, Europa e Estados Unidos, e foi agraciada com o título de doutora honoris causa pela Berklee College of Music, uma das mais prestigiadas instituições de ensino musical do mundo.

Segundo Paula Lima, a escolha de Rosa para a homenagem simboliza perfeitamente a proposta do ‘Troféu Tradições’. “É uma grande honra para nós homenagearmos a embaixadora da música brasileira Rosa Passos na nossa nova Casa UBC, na quinta edição do Troféu Tradições. Esse prêmio que reconhece e homenageia grandes mulheres. A sua contribuição para a nossa música é gigantesca. Com sua voz brilhante, interpretações únicas, uma habilidade especial como violonista, Rosa tem uma sensibilidade rara, e une técnica e emoção. É referência, é ícone e é inspiração. A nossa dama tem legado e história. Será uma noite das mais bonitas, memoráveis e inesquecíveis”, celebra a presidenta da UBC.

O diretor-executivo da UBC, Marcelo Castello Branco, também destacou a importância da artista: “Rosa Passos, cantora, compositora e violonista, tem uma trajetória digna de grandes estrelas e é um dos talentos brasileiros mais reconhecidos no exterior, com seu estilo único e sua voz encantadora. Para a UBC é uma honra ter Rosa como uma de nossas titulares mais ilustres e reverenciar seu talento com o Prêmio Tradições 2025.” 

Fernanda Takai, cantora, compositora, multi-instrumentista e diretora da UBC, reforça a admiração por Rosa: “Rosa Passos tem o aconchego na voz. Ela é a cantora de afinação impecável que escolhe seu repertório com sabedoria. Sofisticação e simplicidade. Se não bastasse tudo isso, ainda compõe e toca um violão magistral. Ah, Rosinha, somos todos apaixonados por você! Não é à toa que seu canto tem representado o Brasil pelos palcos mais importantes do mundo. Acho que tenho sorte de poder te abraçar a cada show seu que vejo. Obrigada, querida Rosa.” 

Esta será a quinta edição do Troféu Tradições, criado pela UBC para reconhecer a contribuição de mulheres fundamentais para a história da música brasileira. Anastácia, Dona Onete, Lia de Itamaracá e Alaíde Costa foram as artistas homenageadas nas edições anteriores.

Sobre a UBC | A União Brasileira de Compositores – UBC é uma associação sem fins lucrativos, dirigida por autores, que tem como objetivo principal a defesa e a promoção dos interesses dos titulares de direitos autorais de músicas e a distribuição dos rendimentos gerados pela utilização das mesmas, bem como o desenvolvimento cultural. A UBC foi fundada em 1942 por autores e atua até hoje com dinamismo, excelência em tecnologia da informação e transparência, representando mais de 70 mil associados, entre autores, intérpretes, músicos, editoras e gravadoras.

(Fonte: Lupa Comunicação)

Brasil ganha Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas

São Paulo, por Kleber Patricio

Na foto, Marilia Marton, Renata Motta, Sonia Guajajara, Marco Antonio Zago, Altaci Kokama, Eduardo Neves e Carlos Gilberto Carlotti Junior. Fotos: Ana Laura.

O Brasil é habitado por mais de 305 povos indígenas e é um dos países mais multilíngues do mundo. Embora a maior parte da população desconheça, além do português, são faladas no território nacional mais de 175 línguas indígenas – muitas delas ameaçadas de desaparecer. O Museu da Língua Portuguesa (MLP) e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP) se uniram para a criação do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, iniciativa que pretende contribuir, com comunidades indígenas e instituições parceiras, para a pesquisa, documentação e difusão da diversidade linguística e cultural dos povos indígenas no país.

Com financiamento de R$ 14,5 milhões da Fapesp, o Centro surge com o objetivo de desenvolver pesquisas inéditas e se tornar referência nacional e internacional para constituição de coleções digitais de conhecimentos intangíveis e práticas indígenas a partir de relações de confiança e respeito para com as comunidades e especialistas indígenas envolvidos. Línguas e culturas indígenas têm forte ligação com a história do Estado de São Paulo que, com a sua rede acadêmica e museológica, além de sua importante capacidade tecnológica, coloca-se em situação privilegiada para promover essa iniciativa.

Renata Motta, do Museu da Língua Portuguesa, e Eduardo Neves, do MAE-USP.

O Museu da Língua Portuguesa, o MAE-USP e a FAPESP são instituições do Governo do Estado de São Paulo. O lançamento desta iniciativa aconteceu no dia 20 de maio no auditório do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, com a presença da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. O evento marcou o início dos trabalhos de implementação do Centro e das ações que irão se desenvolver ao longo de cinco anos. Todas as informações do Centro estarão concentradas no link https://linguaseculturasindigenas.org.br/. “A ciência e a tecnologia têm um papel estratégico na preservação e difusão de línguas indígenas. A Antropologia e a Linguística, entre outras áreas do conhecimento, associadas às tecnologias digitais e de comunicação, possibilitarão que a sociedade conheça e valorize as línguas e os conhecimentos tradicionais, blindando as culturas originárias do risco do esquecimento”, diz Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp.

A iniciativa contará com duas pesquisadoras responsáveis nas áreas de Antropologia e Linguística: respectivamente, Maria Luisa Lucas e Luciana Storto. O Centro também abrirá processo seletivo para 14 bolsistas de graduação e pós-graduação e ainda para 5 bolsistas técnicos, com especial atenção às candidaturas indígenas.

Com um plano de trabalho de cinco anos iniciais, as atividades começam com as reuniões do Conselho Consultivo e Comitê de Ética, a formalização das parcerias institucionais, o desenvolvimento técnico do repositório digital, a seleção dos bolsistas e a estruturação das pesquisas, a realização de encontros temáticos e a realização de um seminário internacional em novembro, que fará parte da programação da Temporada França-Brasil 2025.

Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

A necessidade de promoção e fortalecimento das línguas e conhecimentos de povos indígenas é um tópico de preocupação internacional. O tema ganhou relevância na última década especialmente a partir do protagonismo de lideranças indígenas oriundas de países marcados pelos processos de colonização. Por essa razão, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período entre 2022 e 2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas (DILI), com uma série de ações encabeçadas pela Unesco em todo o mundo. O Centro integra-se a esse esforço das Nações Unidas e ao plano global da DILI.

No Brasil, cerca de 20% das línguas presentes no território nunca foram estudadas e muitas delas correm o risco de desaparecer ante a interrupção da sua transmissão entre as gerações. Tal situação tem levado a que muitas comunidades indígenas lutem pelo registro de conhecimentos e práticas diretamente relacionadas à manutenção de suas línguas. Documentá-las em texto, áudio e vídeo é uma forma de valorizar e apoiar o fortalecimento não apenas das línguas, mas de sistemas de conhecimento que abrangem as artes verbais indígenas, os processos de fabricação de objetos, as práticas de ocupação territorial, manejo agroflorestal e de produção de alimentos.

Por isso, a implantação do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas será realizada a partir de parcerias sólidas com comunidades indígenas. O Centro atuará em três linhas principais de ação: pesquisa e documentação; construção do repositório digital de acesso gratuito no qual estarão armazenadas as coleções; e comunicação cultural que se concentrará em ações de mediação intercultural e de difusão. O objetivo é dar visibilidade a esta diversidade e contribuir para que a sociedade brasileira reconheça e valorize as línguas indígenas e os complexos sistemas de conhecimento desses povos.

Sonia Guajajara.

As coleções digitais serão constituídas a partir da pesquisa e documentação linguística com foco nos territórios indígenas em Rondônia e na Região das Guianas, importantes áreas multilíngues do país; e de projetos de documentação antropológica voltados ao registro abrangente de práticas e conhecimentos indígenas, sob demanda e interesse das comunidades envolvidas. As ações de difusão serão realizadas em colaboração com instituições parceiras e comunidades indígenas por meio de seminários, oficinas, exposições, programação cultural, ações educativas e produtos editoriais, tendo como públicos-alvo as comunidades indígenas, pesquisadores, estudantes, professores, profissionais de museus e pessoas interessadas em geral.

Para o Museu da Língua Portuguesa, a iniciativa do Centro significa a continuidade e aprofundamento de um processo iniciado em 2022: “Foi quando realizamos a exposição Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, com curadoria da Daiara Tukano, que marcou o lançamento da Década Internacional das Língua Indígenas no Brasil. Desde então, o Museu tem atuado em diferentes iniciativas voltadas à promoção e valorização das línguas indígenas, culminando agora na criação do Centro de Documentação. As línguas são veículos de sistemas de conhecimento e formas de expressão essenciais para a vida dos povos e o uso livre das línguas é central para o desenvolvimento sustentável das sociedades”, diz Renata Motta, diretora executiva do Museu da Língua Portuguesa.

Já para o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, o projeto permite ampliar o trabalho para outras frentes: “O MAE é hoje um dos mais importantes museus antropológicos do mundo. Os mais de 150.000 objetos indígenas que guardamos são registros únicos de formas de conhecimento de povos que muitas vezes tiveram suas histórias apagadas. Além da pesquisa e ensino, parte da nossa missão é promover o acesso a esses objetos e desenvolver formas de curadoria compartilhada que permitam a expansão de nosso acervo. O Centro de Documentação Indígena permitirá a formação de novas coleções em formato digital, formadas em parceria com pesquisadores indígenas, em um trabalho pioneiro de registro e comunicação de patrimônios ameaçados”, diz Eduardo Góes Neves, diretor do MAE-USP.

Sobre o Museu da Língua Portuguesa | Localizado na Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa tem como tema o patrimônio imaterial que é a língua portuguesa e faz uso da tecnologia e de suportes interativos para construir e apresentar seu acervo. O público é convidado para uma viagem sensorial e subjetiva, apresentando a língua como uma manifestação cultural viva, rica, diversa e em constante construção. O Museu da Língua Portuguesa é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, concebido e implantado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O IDBrasil Cultura, Educação e Esporte é a Organização Social de Cultura responsável pela sua gestão.

Sobre o MAE-USP | O Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, criado em 1989, possui um dos mais importantes acervos arqueológicos e etnográficos do Brasil. Na condição de museu universitário, dedica-se aos pilares da vida acadêmica (pesquisa, ensino e extensão) e conta com dois programas de pós-graduação (Arqueologia e Museologia), além de oferecer cursos de graduação regulares à comunidade USP. Herdeiro de coleções etnográficas de instituições como o Museu Paulista e o Acervo Plinio Ayrosa, o MAE-USP abriga hoje importantes coleções como aquelas de Harald Schultz, Herbert Baldus, Curt Nimuendajú, Dina e Claude Lévi-Strauss e Vera Penteado Coelho. Nas últimas décadas, somaram-se ao acervo outras coleções, como as do Banco Santos, de Lux Vidal e de Regina Muller. Destacam-se, ainda, as coleções com peças arqueológicas (em especial aquelas com cerâmicas marajoaras e tapajônicas), africanas, afro-brasileiras e mediterrâneas. Juntas, tais coleções têm fomentado um grande número de projetos de pesquisa dentro e fora do MAE-USP, de pedidos de empréstimo para exposições dentro e fora do país e, de maneira cada vez mais exponencial, demandas de acesso e de estabelecimento de parcerias e projetos colaborativos com as comunidades implicadas nestas coleções.

Sobre a Fapesp | A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Com um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado, a Fapesp está ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo e apoia a pesquisa científica e tecnológica, além da formação de recursos humanos para a CT&I no Brasil e no Exterior.

(Com Alan de Faria/IDBR)