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Sesc Pinheiros recebe Boca Livre com repertório de “Rasgamundo” e clássicos da carreira

São Paulo, por Kleber Patricio

Com mais de quatro décadas de trajetória, quarteto apresenta seu 16º álbum, unindo composições inéditas e memórias afetivas da MPB, com participação especial de João Carlos Coutinho e Marcelo Costa. Foto: Alexander Landau.

O show Rasgamundo integra a série de apresentações do grupo vocal Boca Livre com repertório de seu mais recente trabalho de estúdio, lançado em 2023. Com mais de quatro décadas de carreira, o conjunto – formado por Mauricio Maestro, David Tygel, Zé Renato e Lourenço Baeta – sobe ao palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, nos dias 13 e 14 de junho, sexta e sábado, às 21h. A apresentação conta com a participação especial dos músicos João Carlos Coutinho (piano) e Marcelo Costa (bateria e percussão).

O título do álbum, inspirado em uma canção de Zé Renato e Lourenço Baeta, “Rasgamundo”, que traduz em suas palavras a ideia de deslocamento e travessia como metáforas da experiência humana e da criação artística. A música fala sobre a necessidade constante de romper barreiras, internas e externas, para encontrar novos caminhos e manter viva a força da arte. Dando o tom ao show.

Foto: Leo Aversa.

Com técnica vocal refinada e lirismo característico, o Boca Livre interpreta arranjos que destacam a diversidade de timbres e a precisão harmônica do grupo. O espetáculo alterna momentos de delicadeza e vigor, valorizando as nuances de cada composição. No repertório, canções como “Rio Grande” (Zé Renato e Nando Reis), “Mesmo Se Você Não Vê” (Tim Bernardes) e “O Vento” (Rodrigo Amarante) se somam a canções marcantes da trajetória do quarteto, como “Toada” e “Ponta de Areia”, reafirmando o diálogo contínuo entre passado e presente que marca a identidade do quarteto.

Desde sua formação em 1978, o Boca Livre se consolidou como referência na MPB pela precisão vocal e qualidade dos arranjos. O quarteto se mantém vivo artisticamente, renovando seu repertório sem perder a identidade que o consagrou. O espetáculo no Sesc Pinheiros reforça essa trajetória de inovação e tradição, apresentando ao público uma síntese da evolução do grupo.

Boca Livre | Formado em 1978 no Rio de Janeiro, o grupo Boca Livre é um dos principais representantes da harmonia vocal na música brasileira. Com influências que vão do regional ao erudito, seu trabalho destaca-se por arranjos sofisticados, letras poéticas e interpretações marcantes. O grupo conquistou o Grammy Internacional de Melhor Álbum Pop Latino em 2023 com Pasieros, álbum em homenagem a Rubén Blades. Além do 31º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Grupo de MPB.

Ficha Técnica

Boca Livre

Zé Renato – Voz e violão

David Tygel – Voz e viola

Lourenço Baeta – Voz, violão e flauta

Mauricio Maestro – Voz, contrabaixo e arranjos

Músicos Convidados

João Carlos Coutinho – Piano

Marcelo Costa – Bateria e percussão

Equipe Técnica

Sonorização – Kaka (tecnico PA), Eduardo Ohata (técnico monitor)

Iluminação – Pedro Altman (criação e operação)

Técnico de palco – Moskito

Produção

Direção de Produção – Memeca Moschkovich

Produção Executiva- Guete Oliveira

Produção: Rubra Ros.

Serviço:

Boca Livre

Dias: 13 e 14 de junho, sexta e sábado às 21h.

Local: Teatro Paulo Autran

Classificação: 12 anos

Duração: 120 minutos

Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia) e R$ 21,00 (credencial plena)

Vendas Online: 3/6 a partir das 17h, pelo site e pelo aplicativo Credencial Sesc SP
Vendas Presencial: 4/6 a partir das 17h, nas bilheterias da rede Sesc SP

Sesc Pinheiros

Rua Paes Leme, 195

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábados das 10h às 21h; Mais informações: www.sescsp.org.br.

(Com Gleice Nascimento/Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros)  

Políticos brasileiros se alinham ao conhecimento científico só quando convém

Amazônia, por Kleber Patricio

Contradições recentes mostram como a ciência entra e sai da agenda política, como no caso da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Imagem: Google Earth.

Por Sabine Righetti – Nunca exaltei políticos que supostamente saudaram a ciência na pandemia de Covid-19. Isso porque os posicionamentos políticos têm mais a ver com um território que se deseja marcar do que com a defesa do conhecimento científico em si — e isso muda conforme o contexto. Foi exatamente o que aconteceu recentemente em discussões ambientais importantes no país. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente resolvi levantar essa discussão à luz do que estamos presenciando no Congresso Nacional.

Explico. Acabamos de ver o senador Omar Aziz (PSD-AM), que liderou a CPI da Covid, defender a construção da BR-319 no meio da floresta amazônica. Ele falou, em audiência com a participação da ministra Marina Silva — aquela audiência misógina —, em 27 de maio, que a “falta de estrada” fez com que o oxigênio não chegasse em Manaus na crise da Covid de janeiro de 2021.

É uma falácia: como o próprio Omar Aziz constatou na CPI, o Ministério da Saúde, sob Bolsonaro, soube antecipadamente que faltaria oxigênio do Amazonas por causa do crescimento de casos graves, não fez a compra e nem a distribuição necessária por avião. Se tivesse estrada, ainda assim não teria oxigênio. Ele sabe disso.

Do mesmo modo, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que também apoiou a ciência na CPI da Covid — e escreveu um livro sobre isso com o também senador Humberto Costa (PT-PE), “A política contra o vírus” (Cia das Letras, 2022) —, agora defende a exploração de gás da foz do rio Amazonas. Isso contraria o consenso científico global, que prega descarbonização.

O contrassenso de Randolfe Rodrigues é gigante: não é hora de investir em mais energia fóssil (muito menos no meio da floresta!), mas sim de expandir as energias renováveis e limpas. Se isso não acontecer, não conseguiremos conter o aumento da temperatura global e a nossa própria existência estará em risco. Ele também sabe disso.

Omar Aziz e Randolfe Rodrigues foram os senadores que mais basearam suas perguntas e colocações em estudos científicos na CPI da Covid. Importante: eles mencionaram pesquisas renomadas, que dialogavam com o consenso científico, ou seja, que mostravam que o coronavírus era grave e que precisávamos de vacina. Isso foi mostrado no relatório “Evidências em debate – como as evidências científicas foram mobilizadas durante a CPI da Covid”, divulgado à imprensa pela Bori em março de 2023. Cada um deles mencionou três pesquisas em suas falas. Foi o que o autor, o jornalista Marcelo Soares, mestre em divulgação científica no Labjor-Unicamp sob a minha orientação, chamou de “ciência da oposição”.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao ex-governador João Doria (PSDB-SP), que viu na Coronavac uma forma de se contrapor a Bolsonaro (e talvez ganhar seu eleitorado). Ou para Luiz Henrique Mandetta (União-MS), ministro da Saúde do início do mandato de Bolsonaro, que topou fazer parte de um governo sabidamente negacionista, mas passou a defender a ciência quando isso lhe trouxe holofotes. Ele, aliás, também escreveu um livro sobre isso: “Um paciente chamado Brasil: os bastidores da luta contra o coronavírus” (Objetiva, 2020).

Quando políticos brasileiros recorrem a discursos supostamente baseados em evidências, fica claro que o compromisso não é com a ciência — é com as urnas. O posicionamento pode estar alinhado ao consenso acadêmico hoje se isso for conveniente. Depois, como vimos nas discussões ambientais recentes no país, tudo pode mudar. Cabe a nós, sociedade, cobrar embasamento científico em cada tomada de decisão.

Sobre a autora | Sabine Righetti é jornalista, pesquisadora de comunicação social da ciência e de negacionismo científico no Labjor-Unicamp e cofundadora da Bori. É autora, com Estêvão Gamba, de “Negacionismo científico e suas consequências” (Almedina, 2024).

(Fonte: Agência Bori – Os artigos de opinião publicados não refletem, necessariamente, a opinião da Agência Bori e/ou do website Kleber Patricio Online)

Projeto em Indaiatuba leva flores a pontos usados para descarte irregular de resíduos

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Espaços são limpos e ganham uma “cara nova” com a instalação de canteiros coloridos e o plantio de flores. Foto: Gabriel Beccari.

A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Indaiatuba, município da Região Metropolitana de Campinas (SP), “colore” os locais que são utilizados irregularmente pela população para o descarte de resíduos. Ele acontece em conjunto com o Programa Bairro Limpo, quando a equipe aproveita a ação de limpeza para instalar canteiros e plantar flores nos pontos que mais sofrem com descarte irregular de lixo. No local também são instalados avisos com orientações de como e onde a população pode fazer o descarte correto dos materiais. A proposta é envolver a população no projeto e trabalhar a educação ambiental de uma forma leve e assertiva. Em maio, o bairro escolhido foi o Parque Campo Bonito.

Antes e durante a ação, os agentes ambientais circulam pelo bairro e realizam um trabalho de conscientização envolvendo os moradores do entorno do ponto, abordando sobre a importância do descarte correto e alertando sobre as consequências que o lixo pode causar ao meio ambiente quando não se toma os cuidados necessários.

O secretário de Serviços Urbanos, Guilherme Magnusson, ressaltou que a limpeza urbana é essencial para se alcançar bem-estar e o desenvolvimento do município, e que a Administração Municipal está sempre buscando novas formas de contribuir ainda mais para isso. “O descarte irregular é um problema que há tempos estamos tentando combater aqui em Indaiatuba. Para isso, incentivamos a coleta seletiva com ilhas ecológicas instaladas por toda a cidade, e disponibilizamos quatro ecopontos onde a população pode levar além dos descartáveis, lixo eletrônico, móveis velhos, madeiras e até entulhos resultantes de pequenas reformas”, explicou.

Magnusson também completou que a Prefeitura realiza a Operação Cata-Bagulho, com caminhões que percorrem os bairros com data marcada, para que os munícipes possam se programar e descartar corretamente o que precisa. “Ainda temos as Mega Operações de Limpeza e o Limpa Indaiatuba, que é realizado com o Bairro Limpo. Estamos fazendo nossa parte, mas também precisamos do engajamento da população nesta causa”, explicou.

O Limpa Indaiatuba chegou para reforçar esse trabalho de limpeza urbana, mas também para estimular uma mudança de hábitos, de forma que os usuários possam enxergar a importância do descarte correto do lixo e os seus benefícios. A ideia é que a Prefeitura limpe e os munícipes cuidem para que o local continue sendo de uso da comunidade.

(Com Sirlene Virgilio Bueno/Secom/Prefeitura de Indaiatuba)

Como Machado de Assis criou uma psicologia conceitual antes de Freud

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Com um jeito divertido, irônico e incisivo de escrever, Machado de Assis analisou a sociedade, as emoções humanas e a complexidade da mente de uma forma tão profunda que ele nem sequer poderia imaginar quantos conceitos citados por ele seriam descobertos anos depois por Sigmund Freud. Autodidata, o autor carioca teve um acesso limitado à educação formal. Entretanto, isso não o impediu de se tornar um dos maiores nomes da literatura brasileira e – agora – também um precursor da psicanálise antes mesmo de Sigmund Freud iniciar os estudos sobre a psique.

Esta é a descoberta inédita que o pesquisador sobre narcisismo, mestre em Filosofia e psicólogo Adelmo Marcos Rossi apresenta no livro “O Imortal Machado de Assis – Autor de Si Mesmo”, após “A Cruel Filosofia do Narcisismo” (2021). Ao se debruçar sobre a extensa obra machadiana, composta por romances, crônicas, poemas, peças teatrais e contos, ele mostra, em mais de 450 páginas, os conceitos sobre os quais o Bruxo do Cosme Velho se apoiou.

De acordo com Adelmo, Machado de Assis tomou o narcisismo como elemento central de sua analítica desde o primeiro conto “Três Tesouros Perdidos” (1858), publicado quando ele tinha somente 19 anos. Já a “cura pela fala”, concepção freudiana sobre a importância da palavra no processo terapêutico, aparece sob o princípio em latim similia similibus curantur, que significa “o mesmo se trata com o mesmo”.

Enquanto Freud queria alcançar “a imortalidade do Eu” (O Narcisismo, 1914), como criador
de uma nova ciência, incluindo tardiamente o Narcisismo na psicanálise, Machado havia percebido o Narcisismo estrutural tomando-o como ponto de partida. Freud dirá que a literatura – a arte das palavras – era superior à ciência na busca de desvendar os mistérios da alma humana, e Machado tinha essa compreensão sem ter lido a obra de Freud.
(O Imortal Machado de Assis – Autor de Si Mesmo, p. 14)

O pesquisador traça, no início do livro, um paralelo entre vocábulos conceituais empregados por Machado de Assis e termos cunhados pelo pai da psicanálise: amor de transferência, castração, recalque, chiste, acontecimento imprevisto, inconsciente e outros. A obra está dividida em 24 capítulos independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem.

Em O Imortal Machado de Assis – Autor de Si Mesmo, os leitores compreenderão como o escritor de “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) fundou uma espécie de psicologia sob a forma de literatura. Enquanto Sigmund Freud foi fundamental para a área da ciência e conceituou termos importantes para a compreensão da psique humana, a obra machadiana pode não ter criado esse instrumental, mas apresentou a psicologia e as tramas da mente por meio da ficção.

Ficha técnica

Título: O Imortal Machado de Assis – Autor de Si Mesmo

Autor: Adelmo Marcos Rossi

ISBN: 978-65-5389-082-4

Páginas: 456

Preço: R$ 120

Onde encontrar: Amazon.

Foto: Divulgação.

Sobre o autor: Engenheiro civil (UFES, 1980), mestre em Ciência de Sistemas (Tóquio, 1990), psicólogo (UFES, 2010), mestre em Filosofia (UFES, 2015) e microempresário, Adelmo Marcos Rossi dedica quase 15 anos aos estudos sobre psicanálise. Fundador do Grupo de Pesquisa do Narcisismo, também é autor do livro “A Cruel Filosofia do Narcisismo – Uma Interpretação do Sonho de Freud” (2021). Após um longo período de pesquisa acerca das relações entre as obras machadiana e freudiana, publicou O Imortal Machado de Assis – Autor de Si Mesmo.

Redes sociais:

Instagram: @adelmomarcosrossi

Facebook: /psicanaliseemato

Youtube: @adelmomarcosrossi.

(Com Gabriela Bubniak/LC Agência de Comunicação)

Belém recebe título de Capital Mundial do Brega

Belém, por Kleber Patricio

Por Cayambe – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=8317732.

Desde o dia 30 de maio, Belém passa a ostentar mais um título mundial: a de capital mundial do brega. A honraria, concedida durante a 123ª reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, em Segóvia, Espanha, destaca a riqueza cultural da cidade que já é reconhecida internacionalmente por sua gastronomia. “Foi uma honra receber este reconhecimento durante um evento tão qualificado como a reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, entidade das Nações Unidas para o turismo. Títulos como este reforçam a vocação do estado para a atividade turística e confirmam o sentimento de orgulhos que nós paraenses sentimos em relação a nossa riqueza cultural”, destacou o ministro.

A honraria foi entregue ao ministro Celso Sabino, atual presidente do Conselho Executivo da ONU Turismo, pelo secretário-geral da entidade, Zurab Pololikashvili. Em vídeo gravado para as redes sociais, Zurab mencionou ainda o prefeito da cidade de Belém, Igor Normando.

Sabino esteve em Segóvia para presidir a reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo, que elegeu a primeira mulher a assumir a secretaria-geral do órgão, Shaikha Nasser Al Nowais, candidata dos Emirados Árabes Unidos.

HISTÓRICA – A relação de Belém com o brega se confunde com a própria expansão do estilo musical. Nas periferias da cidade, o ritmo é mais que música: é resistência, lazer, memória e pertencimento. Do romantismo tradicional ao tecnobrega moderno, o brega paraense evoluiu ao longo das décadas, incorporando batidas eletrônicas, influências caribenhas e experimentações sonoras com as quais a cidade já viu brilhar fora de suas fronteiras nomes como Pinduca, Wanderley Andrade, Joelma, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e muitos outros que demonstram a capacidade do brega em se renovar sem perder suas raízes paraenses.

ESTRELA DA APARELHAGEM – Ao longo dos anos, o brega também se uniu à cultura das aparelhagens – verdadeiros paredões de som que movimentam multidões em festas ao ar livre pelos bairros de Belém e pelo interior do Pará. Esses eventos reúnem milhares de pessoas e fazem parte do cotidiano de Belém, onde o brega é trilha sonora para amores, encontros e celebrações da vida.

(Com Livia Cunha Albernaz/Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo)