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O que move a economia mundial?

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Para o pesquisador teórico-conceitual Orquiza J.C., o ciclo de crescimento econômico atual coloca a humanidade em um estado de esgotamento e colapso ambiental sem precedentes. Afinal, existir nas médias e grandes cidades – segundo estimativas da ONU indicam, até 2050 mais de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas –significa sucumbir a um modelo onde a produtividade existe como sinônimo de qualidade de vida. De acordo com o estudioso, isso acontece porque a produção é colocada acima da exaustão necessária para atingi-la. E é exatamente para buscar uma maneira mais justa de valorar o esforço do trabalhador que ele provoca o leitor a analisar e reavaliar essa relação em “O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial”.

Para o autor, a necessidade de produzir bens e serviços atingiu níveis de dedicação extenuantes. O corpo humano gera e armazena energia a nível celular para se manter vivo e a emprega em qualquer atividade, desde a respiração até um dia completo de trabalho. Orquiza defende, então, que a essência da economia reside nessa força vital.

Ao longo de uma contextualização histórica e de explicações didáticas, ele traz atenção para como a jornada de trabalho moderna excede em muito os limites naturais do corpo humano – nossos ancestrais pré-históricos dedicavam, em média, apenas 1h30 a 2h por dia às práticas essenciais para a subsistência.

Diante disso, o autor questiona se o modelo de oito horas diárias de trabalho é biologicamente viável. A verdadeira sustentabilidade, seja ela ambiental ou fisiológica, pressupõe um sistema que dê espaço para a saúde e para o bem-estar, em vez de exigir uma priorização de exigências produtivas cada vez mais altas.

A obra é resultado da união de conceitos de filosofia, geopolítica, física e sociologia. Ao longo das páginas, o escritor abre espaço para debates acerca do ritmo insustentável da produção industrial moderna.

“Todos os dias, você negocia partes de sua própria vida para permitir o que chamamos de desenvolvimento econômico – esse é o preço invisível que todos pagamos” (O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial, p. 12)

Embasado em mais de uma década de pesquisa interdisciplinar, O Preço da Vida: Seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia mundial conecta ciência e humanidade, propondo soluções para um futuro mais equilibrado.

O livro vai além de uma análise econômica e abre um novo horizonte para o entendimento do papel humano no mundo. É um convite à sociedade, educadores, economistas e formuladores de políticas públicas para repensar a forma como trabalho, energia e progresso são interligados. 

Ficha técnica

Título: O Preço da Vida: seu trabalho, sua energia – o verdadeiro motor da economia

Autor: João Carlos Orquiza

ISBN: 978-65-01-24959-9

Páginas: 115

Preço: R$ 51,82

Onde encontrar: Amazon, Clube de Autores, Google Play Store

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal.

Sobre o autor: Enquanto aprofunda os estudos e Psicologia, Orquiza J.C. investiga a interseção entre ciência e economia, explorando como as estruturas biológicas humanas conectam-se à cultura, aos transtornos mentais e à sustentabilidade econômica global. Observador e pensador teórico-conceitual autodidata, é crítico das abordagens intervencionistas e comerciais na pesquisa científica. Publicou em revistas acadêmicas renomadas, incluindo um capítulo expandido do livro O Preço da Vida, Seu trabalho, sua energia, o verdadeiro motor da economia mundial e desenvolve modelos teóricos sobre a centralidade da energia humana na economia mundial. Redes sociais do autor: Instagram | ResearchGate | Site.

(Com Ana Paula Gonçalves/LC Agência de Comunicação) 

Do cinema para o turismo: destinos brasileiros brilham nas telas e atraem viajantes

Brasil, por Kleber Patricio

Pelourinho, Salvador, Bahia. Foto: Gabriel Yuji/Unsplash.

Paisagens deslumbrantes, cidades históricas e recantos inusitados do Brasil têm ganhado cada vez mais projeção nas telas do cinema nacional. E o que antes era apenas cenário de grandes produções, agora vira destino de turistas em busca de experiências imersivas. Essa é uma das tendências apontadas pela última edição da Revista Tendências do Turismo, que destaca o chamado “turismo cinematográfico” como um dos movimentos em alta no setor.

De acordo com análises recentes dos sites especializados Travel + Leisure e Euronews, essa conexão entre mídia e turismo não só enriquece a experiência dos viajantes, mas também impulsiona a economia local. Estima-se que filmes populares aumentem o fluxo turístico em média 31% nas localidades onde foram gravados, redefinindo a forma como histórias ganham vida fora das telas.

Cenários que viraram roteiro de viagem

Exemplos não faltam. O Pelourinho, em Salvador (BA), ficou mundialmente conhecido após aparecer em produções como “Ó Paí, Ó”. As cores vibrantes, a arquitetura colonial e a cultura de rua do bairro atraem milhares de visitantes que desejam vivenciar o clima retratado no longa.

O Rio de Janeiro é outro cenário clássico das produções nacionais. Palco de cenas de “Cidade de Deus”, “Meu Nome Não É Johnny”, “Minha mãe é uma peça”, entre muitos outros, virou parada obrigatória para turistas interessados em roteiros guiados por moradores locais, ou simplesmente para curtir as belezas do estado. Outro destaque da capital fluminense é a ambientação do recente filme “Ainda Estou Aqui”, que tem levado visitantes a explorar os locais de filmagem, impulsionando a movimentação turística na cidade.

Rio de Janeiro. Foto: Agustin Diaz Gargiulo/Unsplash.

 

No interior do Brasil, o fenômeno também se confirma. A cidade de Cabaceiras, na Paraíba, ganhou o apelido de “Roliúde Nordestina” por ser cenário de diversos filmes, sendo o mais emblemático “O Auto da Compadecida”. Desde então, a cidade se consolidou como referência no turismo audiovisual, atraindo viajantes curiosos para conhecer os bastidores da obra e o cenário que deu vida ao clássico da cultura brasileira.

Outro destino emblemático é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que ganhou fama internacional ao aparecer em filmes como “Casa de Areia”. As dunas e lagoas de água cristalina viraram sonho de consumo para aventureiros e amantes da natureza.

Já em Tiradentes (MG), cidade charmosa do interior mineiro, o turismo cultural é potencializado por seu histórico como locação para produções de época, como “O Menino Maluquinho”, e pelo tradicional Festival de Cinema de Tiradentes, que movimenta a economia e o calendário cultural local.

Brasil também nas telas internacionais

Além das produções nacionais, o Brasil tem se destacado como cenário para filmes internacionais de grande repercussão. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem sido um dos destinos favoritos de Hollywood. “Velozes e Furiosos 5: Operação Rio” trouxe cenas de ação gravadas em pontos icônicos como o Parque Lage e Mangaratiba. Mais recentemente, o blockbuster “Godzilla e Kong: O Novo Império” também utilizou diversos cenários cariocas, como o Centro, Santa Teresa, Leme e Copacabana.

Lençóis Maranhenses. Foto: Seiji Seiji/Unsplash.

A cidade também foi a inspiração para a animação “Rio”, que apresentou ao mundo o Cristo Redentor, a Floresta da Tijuca e outras paisagens marcantes. Outro exemplo é a saga Crepúsculo, que teve parte do filme “Amanhecer – Parte 1” gravada na Lapa, famoso bairro boêmio da capital fluminense.

Além do Rio de Janeiro, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses recebeu as filmagens da produção do filme “Vingadores: Guerra Infinita”. O cartão-postal nordestino formado por dunas e espelhos-d’água se transformou no planeta Vormir na trama do longa-metragem, com isso, essas produções ajudaram a projetar ainda mais o Brasil no mapa do turismo internacional.

(Fonte: Ministério do Turismo)

Como a simbologia das histórias e personagens influenciam na personalidade das crianças

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação.

Muitos são os processos de construção que influenciam na individualidade de uma criança. Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, a literatura infantil, com o seu poder educativo e terapêutico, faz parte dessa formação ao apresentar valores, normas sociais e emoções, pois permite que a criança projete seus sentimentos e entenda melhor a realidade ao seu redor. “Os contos funcionam como espelhos e janelas para as crianças. São espelhos porque refletem suas emoções e experiências, ajudando-as a nomear e compreender o que sentem. E são janelas porque as transportam para outras realidades e ampliam sua visão de mundo e sua capacidade de empatia”, explica Paula.

Fábulas, mitos, parábolas, lendas ou histórias populares dialogam diferentes aspectos do desenvolvimento humano, e a grande força terapêutica dos contos está em sua simbologia. “Crianças pequenas, muitas vezes, ainda não conseguem nomear suas emoções, mas conseguem se identificar com os personagens e as situações narradas. Um monstro pode representar um medo interno, uma floresta escura pode simbolizar uma fase de insegurança, um herói solitário pode refletir um sentimento de abandono ou busca por pertencimento. Ao ouvir e recontar essas histórias, a criança encontra uma maneira de expressar aquilo que sente sem precisar verbalizar diretamente”, enfatiza Paula.

Leitura

O diálogo com os filhos é uma oportunidade de fortalecer os laços afetivos e, na leitura, é possível incluir diversos temas que tocam aspectos profundos da psique infantil. E isso promove um crescimento emocional que pode ser levado para a vida adulta.

Como exemplo, a obra Contos da Carochinha com a Turma da Mônica, escrito pela própria Paula Furtado, adapta contos tradicionais para uma linguagem mais acessível utilizando os personagens de Mauricio de Sousa; e o Era Uma Vez – Aprendendo Português, também da escritora, que apresenta os contos de fadas de forma mais próxima a dos originais, voltado a crianças a partir de 10 anos, que já têm um maior entendimento das narrativas clássicas e podem explorar suas simbologias com mais profundidade.

Ambiente escolar

Em sala de aula, educadores podem explorar com os alunos alguns contos clássicos que apresentam, em sua estrutura, momentos de dificuldade e transformação, o que a ajuda a criança a entender que os desafios fazem parte do crescimento. Paula cita alguns clássicos:

O Patinho Feio – Hans Christian Andersen. Ensina que cada indivíduo tem seu próprio tempo de desenvolvimento e que a aparência inicial não define o valor de ninguém.

Cinderela – Charles Perrault. Trabalha a resiliência, trata da inveja representada pelas irmãs más que tentam impedir o crescimento da princesa.

A Bela e a Fera – Gabrielle-Suzanne Barbot. Reforça a capacidade de superar as adversidades e a importância de enxergar além das aparências.

João e Maria – Explora questões como abandono, rejeição e compulsão alimentar.

Branca de Neve – Aborda a vaidade exacerbada e as consequências do narcisismo. A madrasta, obcecada pela própria beleza, ensina às crianças como a inveja e a busca por uma perfeição ilusória podem ser destrutivas.

“Por meio dos contos, as crianças também entendem que o herói nunca começa forte e preparado, ele precisa enfrentar obstáculos, errar, tentar de novo e viver situações que podem ser desafiadoras na vida real e ajudam a formar sua personalidade”, finaliza Paula.  

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já trabalhou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental na rede particular de ensino, e já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino pública e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Como autora, Paula completa seu trabalho escrevendo diversos livros infantojuvenis (100 obras até o momento) e, dentro de suas atuações de jornada literária, também foi coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com a Girassol Brasil e Mauricio de Sousa. A autora complementa suas atividades escrevendo para diferentes revistas de educação sobre temas pedagógicos, além de trabalhar na criação e patente de Jogos Pedagógicos como: Desafio, Detetive de Palavras, De Olho na Ortografia, dentre outros.

(Com Elenice Cóstola/Way Comunicações)

MAC RS anuncia novo ciclo de exposições na Casa de Cultura Mario Quintana

Porto Alegre, por Kleber Patricio

Casa de Cultura Mario Quintana. Foto: Andressa Moreira/Arquivo.

As Galerias Sotero Cosme, Augusto Meyer e Virgilio Calegari, na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), se preparam para receber novas exposições a partir de 24 de junho, marcando a retomada das atividades nos espaços após a Bienal do Mercosul. O ciclo de atividades reforça a atuação do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS) na CCMQ, um espaço que tem sido a casa do MAC RS desde sua fundação, em 1992. Ambas instituições são da Secretaria da Cultura do Estado (Sedac).

Para abrir a agenda promovida pelo setor educativo do Museu, uma mediação coletiva pelas três exposições vai possibilitar um momento de reflexão e compartilhamento de sentidos entre artistas, curadores, educadores e visitantes. São elas “Hecho a Mano – Desenhos Esculturas de Patricio Farías”, “Diálogos Contínuos: temporalidades do HIV/aids” e “Lá embaixo era um outro mundo”.

Rogério Nazari – Cover Boy, 1984, Acervo MACRS 4 – Sebastián.

A mediação no dia da abertura começará às 17h no 7º andar da CCMQ, na Fotogaleria Virgílio Calegari, seguirá para a Galeria Sotero Cosme, no 6º andar, e finalizará no 3º andar, na Galeria Augusto Meyer. Logo após, as mostras estarão abertas à visitação. A entrada é gratuita.

O programa de exposições foi elaborado a partir da Chamada Aberta para projetos expositivos, com a seleção realizada pelo Comitê de Acervo e Curadoria do Museu. Este processo segue as políticas já estabelecidas, garantindo uma programação diversificada e de qualidade.

Além do ciclo de atividades que estreia no dia 24 de junho, o MAC RS continuará a desenvolver projetos como o “Acervo em Foco”, que contará com quatro edições ao longo do ano. A instituição também receberá propostas selecionadas por meio dos editais de fomento do Rio Grande do Sul, através do PNAB Artes Visuais, reforçando seu compromisso com a promoção da arte e da cultura na região.

O MAC RS também se prepara para a abertura de sua nova sede no 4º distrito, prevista para a primeira quinzena de agosto.

Sobre as exposições:

Patricio Farías – Sem Título. Foto: Acervo MAC RS.

Hecho a Mano: Desenhos Esculturas de Patricio Farías, que ocupará a Fotogaleria Virgílio Calegari, integra o projeto Acervo em Foco, iniciativa do MAC RS voltada à democratização do acesso ao seu patrimônio artístico, destacando obras e trajetórias de artistas que compõem o acervo institucional. Chileno radicado no Brasil, Patricio Farías tem seu trabalho marcado pela relação íntima entre desenho e escultura.

A exposição evidencia como essas duas linguagens dialogam em sua produção, revelando elementos que extrapolam a materialidade das obras e introduzem aspectos de projeto, mistério e até mesmo humor. Com curadoria de Gabriela Motta, a mostra valoriza tanto a habilidade técnica quanto a dimensão simbólica da produção do artista, propondo um olhar sobre a trajetória pessoal de Farías, exilado do Chile em 1979 durante a ditadura militar.

Esta edição do programa Acervo em Foco propõe reflexões sobre deslocamento, pertencimento e os limites das definições rígidas – seja de nacionalidade, linguagem artística ou conceito. Com leveza e ironia, as obras de Patricio Farías também lançam um olhar crítico sobre o mundo contemporâneo e seus paradoxos.

Diálogos Contínuos: temporalidades do HIV/Aids, que inaugura na Galeria

Lambe com documentação da exposição Arte Contra AIDS (1994, MACRS). Autoria: Camila Couto, Milton Ricardo e Ricardo Ayres.

Sotero Cosme (6º andar da CCMQ), é uma exposição que aborda a relação entre o HIV/Aids e a arte contemporânea, entendendo as mudanças sobre a enfermidade ao longo do tempo e suas diferentes manifestações na visualidade. Com curadoria de Ricardo Ayres e João Eduardo Freitas, e produção executiva de Sebastián Inostroza, a mostra reúne 13 artistas brasileiros e diferentes linguagens artísticas.

O projeto procura dialogar com a exposição “Arte Contra Aids”, realizada em 1994 no MAC RS, com curadoria de Edilson Viriato e Paulo Gomes, partindo do reconhecimento da importância desta pioneira exposição no contexto brasileiro, sendo uma das primeiras mostras institucionais a abordar a temática do HIV/Aids em um momento em que o estigma e o preconceito eram ainda mais intensos. A presença de artistas que participaram da exposição original, como Elida Tessler, Edilson Viriato, Leopoldo Plentz, Jailton Moreira e Vicente de Mello, reafirma esse diálogo com a história do Museu. Da mesma forma, os trabalhos de Vagner Dotto, Rogério Nazari e Mário Röhnelt, pertencentes ao acervo da instituição, ampliam a compreensão dos anos iniciais da epidemia e do zeitgeist daquela época. Por fim, a participação de Micaela Cyrino, Hiura Fernandes, Lírio Nascimento, Matheus Montanari e Fredericco Restori dialoga com o impacto da enfermidade no presente e a contemporaneidade da enfermidade, entendida como uma condição crônica tratável, mas ainda bastante estigmatizada.

Lá embaixo era um outro mundo. Foto: Anna Ortega.

Lá embaixo era um outro mundo, na Galeria Augusto Meyer (3º andar da CCMQ), ganha reedição no MAC RS, abordando a mineração na região carbonífera do Rio Grande do Sul. A mostra, com curadoria de Taís Cardoso, exibe obras dos artistas Isabel Ramil e Marco Antonio Filho desenvolvidas na residência artística Subsolo, realizada em 2023, no Museu Estadual do Carvão, em Arroio dos Ratos. Originalmente pensadas para serem expostas no Museu do Carvão, as obras refletem sobre os impactos sociais e ambientais da mineração de carvão na região do Baixo Jacuí.

Enquanto Marco Antonio desenvolveu trabalhos dedicados a repensar a figura do mineiro, Isabel apresenta obras que tensionam ícones da região. A exposição, resultado da residência realizada no Museu do Carvão, foi inaugurada em abril de 2024 e contou também com a participação da artista Maria Helena Bernardes, que há vinte anos havia desenvolvido a obra Vaga em campo de rejeito, na mesma região. O projeto foi realizado através da investigação dos arquivos históricos disponíveis no Museu do Carvão, bem como das imediações da cidade de Arroio dos Ratos e arredores, incluindo a visita à Copelmi, mineradora que segue em atividade a céu aberto.

Sobre a Mediação Coletiva Conversas de Casa

Conversas de Casa é uma iniciativa voltada a aproximar os públicos dos artistas, curadores, produtores, educadores e demais agentes culturais envolvidos nas exposições em cartaz. O programa tem como objetivo criar um espaço de troca e reflexão sobre os bastidores das mostras, abordando critérios curatoriais, expografia e processos de criação.

Para marcar a abertura simultânea das exposições Diálogos Contínuos: Temporalidades do HIV/Aids, Lá embaixo era um outro mundo e Hecho a Mano – Desenhos Esculturas, o MAC RS propõe um novo formato para o encontro. Em vez de concentrar a conversa em uma única sala, os participantes serão convidados a integrar uma mediação coletiva pelas três exposições, promovendo um momento de escuta, diálogo crítico e compartilhamento de sentidos. A proposta amplia o alcance do Conversas de Casa como um dispositivo de mediação cultural, fortalecendo o vínculo entre o museu e a comunidade, e estimulando a construção coletiva de conhecimento a partir da arte contemporânea.

Serviço:

Mediação Coletiva – Conversas de Casa

Horário: 17h

Ponto de Encontro: Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da CCMQ (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre / RS)

Hecho A Mano: Desenhos E Esculturas De Patrício Farias – Acervo Em Foco

Local: Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 10 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artista: Patricio Farías

Curadoria: Gabriela Motta

Diálogos Contínuos – Temporalidades Do Hiv/Aids

Local: Galeria Sotero Cosme, 6º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 10 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artistas: Jailton Moreira, Elida Tessler, Leopoldo Plentz, Edilson Viriato, Vicente de Mello, Mário Rohnelt, Rogério Nazari, Vagner Dotto e Matheus Montanari

Curadoria: Ricardo Ayres e João Eduardo Freitas

Produção Executiva: Sebastián Inostroza.

Lá embaixo era outro mundo

Local: Galeria Augusto Meyer, 3º andar da CCMQ

Horário: 18h

Visitação: De 24 de junho a 24 de agosto. De terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Artistas: Isabel Ramil, Marco Antônio Filho e Maria Helena Bernardes

Curadoria: Taís Cardoso

Entrada gratuita

macrs.rs.gov.br | @macrs.oficial.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)

Espetáculo “Esgotamento contínuo” leva Gumboot dance ao Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Samira Marana em “Esgotamento Contínuo”. Foto: Eletrikaphoto.

Nos dias 25 e 26 de junho, quarta e quinta, às 19h, o Sesc 24 de Maio recebe o espetáculo “Esgotamento Contínuo”, solo da artista Samira Marana que aproxima a técnica da gumboot dance e o contexto da mineração e siderurgia no Brasil. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos socioeconômicos e ambientais da atividade mineradora, evocando tanto a exaustão física dos corpos quanto o esgotamento simbólico e político diante da atual crise ambiental global.

O título Esgotamento Contínuo faz referência ao processo industrial de lingotamento contínuo — etapa na transformação do minério de ferro em aço — e propõe um paralelo entre essa imagem e o cansaço persistente vivido por comunidades impactadas pela mineração. Criada no fim do século XIX, em ambientes subterrâneos, insalubres e repressivos, a gumboot dance surgiu como forma de comunicação entre trabalhadores proibidos de falar. Mineradores de diferentes regiões, culturas e idiomas desenvolveram uma linguagem corporal e sonora para se expressar e resistir dentro de um sistema de trabalho precário e exploratório.

No espetáculo, Samira funde a expressividade da gumboot dance com elementos da cultura brasileira, como a flauta pífano e referências ao samba. A composição multidisciplinar une dança, música, poesia, texto e vozes de lideranças políticas brasileiras em uma trilha sonora desenvolvida em parceria com o músico Guto Souza. O espetáculo aborda temas como exploração ambiental, preservação dos territórios indígenas e a luta por direitos trabalhistas.

Sobre a artista

Samira Marana é dançarina, pesquisadora e professora paulista nascida em 1986, criada em Valinhos (SP). Iniciou sua trajetória artística aos 6 anos, pela música, na escola pública. É graduada em Dança pela Unicamp e integrou a Companhia Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, onde teve seus primeiros contatos com a gumboot dance e as danças clássicas indianas. Desde 2017, estuda a dança Mohiniattam com a mestra indiana Mandakini Trivedi.

Foi integrante do grupo Gumboot Dance Brasil (2013–2021) e tem seu trabalho reconhecido também na África do Sul, onde apresentou Esgotamento Contínuo em espaços como o Wits Main Theatre (Universidade de Witwatersrand) e a Universidade de Joanesburgo. Samira também lecionou em instituições como a Pretoria Boys High School e se tornou a primeira mulher a ensinar a linguagem e apresentar um solo de gumboot dance no país.

Ficha técnica

Concepção, criação e interpretação: Samira Marana

Trilha sonora: Samira Marana e Guto Souza

Produção, técnico e operador de som: Guto Souza

Paisagens sonoras, samplers/mpc, pífano e violão: Guto Souza

Pífano e flauta transversal: Samira Marana

Vozes em off: Nomthandazo Shangase, Thandi Mseleku, Thabiso Setlhatlole (África do Sul), Peace Madimutsa (Zimbábue), Guto Souza e Samira Marana

Textos: “Lira Itabirana” – Carlos Drummond de Andrade; “Bisneta do Ventre Livre” – Eva Irene Correa Martins

Assista: Youtube – Esgotamento Contínuo TEASER.

Serviço:

Esgotamento contínuo, com Samira Marana

Datas: 25 e 26/6, quarta e quinta, às 19h.

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô) – Tecnologias e Artes (4º andar)

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 17/6 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 18/6 – R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc).

Classificação: 12 anos

Duração: 40 minutos

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Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)