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Entrevista: “Hidrelétrica não é energia limpa”, diz coordenador de monitoramento independente no Xingu

Volta Grande do Xingu, por Kleber Patricio

Josiel Juruna, coordenador de monitoramento independente, com Belo Monte ao fundo. Foto: Wajã Xipai.

Desde que a usina de Belo Monte se instalou no Xingu, os povos indígenas e ribeirinhos que dependem da pesca e da floresta para sobreviver sofrem consequências. Com a barragem, a biodiversidade no entorno se reduziu e já se sente falta de espécies antes abundantes, como dos peixes pacu, curimatã e piau. Assumindo um papel inédito na região, a Associação Aymix, do povo Yudjá/Juruna, da Volta Grande do Xingu, no Pará, decidiu se unir a pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) para realizar um monitoramento ambiental territorial independente — o Mati-VGX. O projeto alia conhecimento tradicional e acadêmico para registrar os impactos de Belo Monte sobre a floresta e o rio.

Josiel Juruna, coordenador do Mati-VGX e morador da Volta Grande, tornou-se uma referência na conexão entre ciência indígena e ocidental. “Os tomadores de decisão não valorizam quem não tem estudo. Mas o nosso conhecimento é importante”, afirma. E completa: “A única maneira de combater um projeto grande é a união. Depois que nos unimos, começamos a ter voz contra Belo Monte”.

O projeto, que começou com a observação das piracemas a partir de 2013, hoje também acompanha a vegetação, os alimentos consumidos nas aldeias e a saúde das comunidades. Já se estende por três aldeias da Terra Indígena Paquiçamba e seis comunidades ribeirinhas.

Como surgiu o projeto de monitoramento?

Nós sofremos graves impactos de Belo Monte aqui na Volta Grande [do Xingu] e identificamos que o que estava sendo registrado pelo Ibama e pela empresa não era a realidade. Então veio a ideia de fazermos um monitoramento independente e buscamos uma parceria com a UFPA.

Naquela época, a gente saía para pescar todos os dias, tinha costume de pescar à noite. A gente percebeu que tinha algumas espécies de peixe que não eram mais vistas. Não estávamos mais vendo peixes pequenos, então começamos a fazer o monitoramento de piracemas. A universidade veio com os equipamentos, e a gente não tinha nem celular. Fizemos tudo voluntariamente, não tinha bolsa, nada — só queríamos mostrar os impactos que estavam acontecendo sobre os peixes e ficavam escondidos nos estudos da empresa.

E como isso se ampliou ao longo do tempo?

Conversamos com outras comunidades e fizemos o monitoramento das piracemas, da pesca e da alimentação. A gente pesa, mede e faz toda a biometria dos peixes. É uma pessoa em cada comunidade. No começo eram só três comunidades participando, hoje são 13

E eu sempre fiquei no monitoramento com os professores e fui pegando experiência. Até hoje eu faço o trabalho de monitoramento em piracema, faço o pesômetro, que é um outro aparelho, faço inspeção da vegetação… Continuo fazendo esse trabalho, mesmo depois de me tornar coordenador.

E como funciona o monitoramento propriamente dito? 

Temos relatos dos mais velhos de que havia locais de piracema antes da barragem, que ali era o local de desova dos peixes. Aí vamos ver se tem água entrando naqueles locais onde os peixes já estavam acostumados a desovar antes da barragem. Tiramos foto por um aplicativo da régua que temos instalado. Esse aplicativo registra a data, a hora e a localização.

Verificamos se tem alguma fruta que caiu, alguma flor ou árvore morta. Utilizamos um aparelho chamado pedômetro, que mede o lençol freático. Nós monitoramos também a vegetação, checamos as árvores e vemos se as frutas estão caindo no seco ou na água.

Tem uma pessoa na aldeia responsável por medir os peixes. Tudo é pesado e medido, temos uma ficha desenvolvida para isso. Isso vai para outra pessoa que passa as informações para planilhas e vai para uma pessoa de Manaus que gera gráficos que são discutidos em algumas reuniões.

Fazemos uma reunião grande anual para aprovar as informações e relatar para o Ibama. Quando há publicações em revistas científicas, somos todos autores.

Como a chamada ciência indígena pode se aliar à ciência ocidental? Como esses dois mundos se conectam em prol da preservação da natureza?

Nós temos o conhecimento por morar na região, mas sem a ciência nunca vamos conseguir provar nada. Os tomadores de decisão e as pessoas com autoridade não valorizam quem não tem estudo. Mas o nosso conhecimento é importante.

É um pouco nova essa relação. É difícil de entender, até para os próprios cientistas, que o conhecimento local tem que ser valorizado e que o conhecimento local também é ciência. Isso ainda é uma barreira que estamos enfrentando.

No nosso caso, fomos mostrando a realidade, contando o que estava acontecendo e deixando os pesquisadores das universidades à vontade para dizerem o que achavam do que nós estávamos compartilhando. Ouvimos a opinião deles e entendemos que poderíamos juntar os conhecimentos, os deles e os nossos, formando um só. Acredito que deu certo, e segue assim até hoje.

O que vocês observaram de resultados? Quais são os efeitos da hidrelétrica de Belo Monte sobre o ciclo reprodutivo dos peixes e o modo de vida dos Juruna e dos ribeirinhos?

Conseguimos identificar que todos que moram na margem da Volta Grande sofrem algum impacto. Algumas espécies da região desapareceram. Outras identificamos que estão totalmente deformadas.

Algumas espécies de peixe não são mais consumidas por medo de estarem doentes. Outras, que faziam parte da alimentação, a gente não pesca mais. Identificamos também que os peixes estão mais magros devido às frutas que não estão caindo mais na água. Estão com tamanho menor.

Na questão da saúde, dentro da terra indígena e ao longo do rio, mudou muito. Há vários problemas que antes as pessoas não tinham que hoje estão com mais incidência. Diabetes, pressão alta, problemas digestivos. Isso por causa do consumo de mais produto da cidade e o que vem do rio.

Não é que as pessoas não queiram pescar e consumir mais do próprio rio, mas porque o rio não oferece o que ele oferecia antes.

E tem a questão da mudança de bioma. Muitas árvores já morreram ao longo da Volta Grande e as árvores também já deixaram de frutificar no tempo certo que víamos antes.

Como esse conhecimento pode prevenir outros projetos como Belo Monte?

As pessoas acham que as barragens são uma energia limpa, mas isso não existe. Em nenhum local da Amazônia nem do mundo.

As pessoas não devem acreditar no que os tomadores de decisão falam, eles dizem que as barragens não vão trazer impacto, mas trazem, sim. Elas destroem biomas e a vida de quem mora no local, destroi povos e traz várias consequências. Mas, para mostrar isso, só se unindo, formando parcerias e fazendo estudos antes de implementar uma barragem num local, porque, se você deixar para depois, como nós fizemos, fica mais difícil reverter a situação.

As pessoas têm que se unir e gerar informações para que esses projetos não aconteçam, porque eles trazem muito impacto não só social, mas mental, cultural. Só a união faz com que continuemos lutando, porque sofremos isso na pele. Depois que nos unimos, começamos a ter voz contra Belo Monte.

Quais são as suas expectativas para a COP desse ano? Pensam em apresentar os resultados do monitoramento?

Estamos planejando apresentar os resultados que conseguimos, apresentar nossas publicações, a ideia é que a gente consiga. Mas, como eu participei de uma COP na Colômbia, não crio expectativas. É um evento de cachorro grande, não dão muita visibilidade para peixes pequenos, não.

(Fonte: Agência Bori)

Pinacoteca de São Paulo realiza segunda edição da festa junina no próximo domingo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Ana Rosa Debastiani Ribeiro/Pixabay.

A Pinacoteca de São Paulo realiza a segunda edição de sua festa junina no edifício Pinacoteca Contemporânea. Dando fôlego à programação cultural do museu, a Pina Junina acontece no domingo, 29/6, das 13h às 20h. O evento é gratuito.

Este ano a festa contará com o set da DJ Evelyn Cristina, das 13h às 16h, apresentação de forró com o Trio Mana Flor, das 16h às 17h, e o projeto Som na Rural, das 17h às 19:30h. O projeto leva música e performances de forma itinerante para diversas cidades há 15 anos e se tornou patrimônio imaterial de Pernambuco em 2024, fazendo sua última parada na Pina Junina após circular por diversos espaços culturais na cidade de São Paulo.

A praça de alimentação, com comidas e bebidas típicas, ficará por conta do projeto Pão do Povo da Rua, iniciativa do Instituto de Pesquisa da Cozinha Brasileira que atua no território da Luz na distribuição de marmitas para os moradores do entorno. À 15h acontece o bingo.

SOBRE O SOM NA RURAL

O Som na Rural é um projeto itinerante de ocupação artística e cultural que transforma uma antiga rural modelo em palco móvel, levando música, poesia, performances e intervenções para as ruas, praças e comunidades. Fundado e realizado pelo artista Roger de Renor e Nilton Pereira, o projeto nasceu em Recife e tem como base a valorização da cultura popular pernambucana, dialogando com suas raízes e misturando tradição e contemporaneidade.

Em 2024, o Som na Rural completou 15 anos de estrada e se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Recife, uma afirmação da cultura pernambucana como força viva, pulsante e em constante reinvenção.

SOBRE O TRIO MANA FLOR

O Trio Mana Flor é um grupo composto de três mulheres que celebram a força feminina e a riqueza da cultura nordestina por meio do forró e de outros ritmos tradicionais. Formado por Cimara Gomes Ferreira Fróis (sanfona e triângulo), Talita Del Collado Larcipretti (zabumba) e Carolina Bahiense Guimarães (sanfona e triângulo), o trio foi criado em 2008 e se destaca por ser o primeiro trio de forró composto exclusivamente por mulheres no Brasil.

SOBRE O PÃO DO POVO DA RUA

O Pão do Povo da Rua é um projeto realizado pelo Instituto de Pesquisa da Cozinha Brasileira (IPCB), e que diariamente produz 3.000 pães e bolos conceituais, nutritivos e saborosos, destinado à distribuição para as pessoas em situação de rua, no centro de São Paulo. Esses pães e bolos são produzidos por pessoas que estavam em situação de rua e que, acolhidas pelo projeto, ingressaram no programa de capacitação em panificação.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais. A Pina também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo.

Serviço:

Pina Junina

Período: 29.06.2025 – das 13h às 20h

Curadoria: Clarissa Ximenes

Evento gratuito

Local: Edifício Pinacoteca Contemporânea – Praça do museu

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h).

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Memórias de infância com jornadas transatlânticas entre Brasil e Portugal

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

O título Nunca mais é muito tempo – a história incomum de uma menina comum, escrito por Natalia Rodrigo, reflete a percepção de tempo influenciada por vivências e emoções de uma menina que, desde cedo, viveu entre vários mundos, em diferentes aspectos. A partir do olhar infantil, a autora conta a trajetória de uma família que migrou de Portugal para o Brasil em busca de oportunidades e para escapar das dificuldades do período salazarista, quando a economia estava quase estagnada, as aldeias viviam isoladas e as pessoas lutavam, com dificuldade, no dia a dia, para sobreviver.

A obra apresenta a visão de uma garota nascida no interior de São Paulo, filha de portugueses oriundos de uma aldeia em Trás-os-Montes. Desde sempre, ela convive com o sonho acalentado pelas pais: o de retornar à sua aldeia, no norte de Portugal, de onde se despediram da família e partiram para o outro lado do Atlântico, logo após o casamento. Um horizonte que lhe parece improvável, mas ele se torna realidade sem muita demora, quando “a grande viagem” acontece.

Dividido em três partes — o início da vida no Brasil, a ida a Portugal e o retorno —, o enredo retrata as emoções típicas de processos de mudança, inesquecíveis para a menina. Com o olhar tocado pela sensibilidade infantil, o leitor percebe o mundo sob o ponto de vista da garota que, muitas vezes, ainda não consegue nomear as próprias sensações.

Entre as histórias, contadas de forma não linear, semelhante ao fluxo da memória, Natalia Rodrigo explora os contrastes socioculturais de cada país. Ao chegar na pequena aldeia transmontana, Vilar Seco, ela se depara com outro mundo, estranho aos seus olhos. Depois, entre ruas de terra, casas de pedra, comida na lareira, campos de trigo e um forte senso de comunidade, a garota deixa-se capturar por uma nova vida e, sem que perceba, a vida do Brasil vai ficando cada vez mais distante.

Quando a família volta para o Brasil, em meio a novos e diferentes conflitos de readaptação, como o sotaque português e os costumes, a menina e suas irmãs, inesperadamente, são obrigadas a enfrentar o maior desafio de suas vidas.

Ao conhecer meus avós, avistei o inevitável ponto final da vida. Subitamente, apareceu-me real, inescapável. Percebi também um outro universo, que seria o meu a partir dali. Era estranho. Eu não tinha conseguido imaginar nada parecido com o que encontrei. E ainda tinha aquela festa ruidosa e emocionada… Então, senti uma vontade incontrolável de chorar. (Nunca mais é muito tempo, p. 136)

Sobre a publicação, a autora comenta: “a história é permeada de sentimentos e sensações e até se aproxima de um romance em alguns aspectos. Não se trata de uma história factual sobre acontecimentos, mas de uma história que traz vivências extraídas da vida real e recriadas, com o calor de sensações e sentimentos experimentados durante esses acontecimentos”.

FICHA TÉCNICA

Título: Nunca mais é muito tempo

Subtítulo: a história incomum de uma menina comum

Autora: Natalia Rodrigo

Editora: Astrolábio

ISBN: 978-989-37-5845-8

Páginas: 473

Preço: R$ 57,90 (físico) | R$ 20 (e-book)

Onde comprar: Amazon.

Foto: Divulgação.

Sobre a autora | Natalia Rodrigo é socióloga, graduada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atuando com a educação profissional, passou por instituições e empresas como Senac-SP; Centro Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal para a Formação Profissional (Cenafor), do Ministério do Trabalho; e Germinal Consultoria. É coautora do livro “Metodologia do Desenvolvimento de Competências”, publicado pela editora Senac. Agora, lança o livro de memórias Nunca mais é muito tempo: a história incomum de uma menina comum.

(Com Maria Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)

Ellen Oléria e Sérgio Vaz participam do “Sempre Um Papo” no Sesc Pinheiros, em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

A cantora e compositora Ellen Oléria e o escritor e ativista Sérgio Vaz participam de uma conversa sobre o tema “Vozes da Periferia: Literatura, Arte e Justiça Social”. O encontro é uma iniciativa do Sesc SP, em parceria com o projeto Sempre Um Papo. O evento terá a mediação da jornalista Semayat Oliveira e acontecerá no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros no dia 8 de julho, terça-feira, às 19h30. A entrada é gratuita e os ingressos ficam disponíveis para retirada uma hora antes na bilheteria do Sesc. Depois da conversa, Ellen e Sérgio participam de uma sessão de autógrafos.

Neste encontro, dois expoentes da cultura periférica brasileira — o poeta Sérgio Vaz e a cantora, compositora e ativista Ellen Oléria — refletem sobre como a arte nascida nas margens das grandes cidades transforma-se em instrumento de afirmação identitária, resistência política e justiça social. A partir de suas vivências e produções, os convidados propõem um diálogo sobre como literatura e música — articuladas a outras expressões como o slam, o rap, o grafite e o teatro de rua — tornam-se ferramentas de denúncia, consciência e esperança para as populações historicamente invisibilizadas.

Sérgio Vaz é autor de nove livros. Em 2025, ele completa 37 anos dedicados à poesia. No ano de 2021, o livro “Literatura, Pão e Poesia” (Global Editora) do autor foi escolhido pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Sérgio é cofundador do Sarau da Cooperifa (2001), movimento cultural que transformou um bar na periferia de São Paulo em centro cultural. Em 2007, em parceria com vários coletivos da região elaborou a Semana de Arte Moderna da Periferia Além disso, criou projetos como o Cinema na Laje, Prêmio Cooperifa, Poesia no ar, Natal com livros, entre outros.

Ellen Oléria é uma das vozes mais marcantes da música brasileira contemporânea. Ao longo de 25 anos de carreira, acumula prêmios em festivais e já lançou quatro álbuns que evidenciam sua potência criativa e conexão com as raízes musicais do Brasil. Ellen é também uma voz ativa no campo político e social, articulando arte e militância com sensibilidade e firmeza. Soprano dramática de impressionante domínio técnico e emocional, ela condensa em suas interpretações a diversidade e a força do povo brasileiro. Com um sorriso que ilumina cada canção, transforma suas apresentações em encontros de afeto, identidade e celebração.

Sempre um Papo – 39 anos

Criado em 1986, pelo jornalista Afonso Borges, o “Sempre Um Papo” é reconhecido como um dos programas culturais de maior credibilidade do país. O projeto realiza encontros entre importantes nomes da literatura e personalidades nacionais e internacionais com o público, ao vivo, em auditórios e teatros. Em sua história, chegou a 30 cidades de oito estados do País, tendo sido realizado também na Espanha e Portugal. Em 39 anos de trabalho, aconteceram mais de 7 mil eventos, que reuniram um público superior a 2,5 milhões de pessoas. Atua em conjunto com o Sesc SP há 23 anos consecutivos, tendo passado por diversas unidades da instituição.

Serviço:

Sempre Um Papo com Ellen Oléria e Sérgio Vaz

Dia 8 de julho, terça-feira, às 19h30

Retirada de ingressos, gratuitos, na bilheteria da unidade, 1h antes do início da atividade.

Local: Teatro Paulo Autran (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo).

Informações: (11) 3095-9400 – https://www.sescsp.org.br/programacao/sempreumpapo/

Informações: www.sempreumpapo.com.br – @sempreumpapo

Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Deborah Colker apresenta espetáculo “Sagração” em Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: Flavio Colker.

Deborah Colker, bailarina e coreógrafa brasileira, internacionalmente conhecida por seus balés que mesclam movimentos de dança com malabarismos audaciosos, estará em Campinas nos dias 28 e 2 de junho, no Teatro Municipal José de Castro Mendes, para apresentar “Sagração”, um espetáculo em que a música clássica de Stravinsky encontra ritmos brasileiros, inspirado por visões ancestrais sobre a origem do mundo. No sábado, dia 28 de junho, a apresentação será às 20h. No domingo, dia 29, às 18h. Os preços dos ingressos variam de R$ 25,00 e R$ 140,00, dependendo do setor e estão à venda na bilheteria e no site https://bileto.sympla.com.br. O Teatro Municipal José de Castro Mendes fica na Rua Conselheiro Gomide, 62, Vila Industrial, em Campinas. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura, Petrobras e Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A produção local é da Teatro GT.

O processo criativo de “Sagração” durou dois anos e meio. Déborah explica que o espetáculo é uma livre adaptação de “A Sagração da Primavera”, obra composta pelo russo Igor Stravinsky, que ganhou projeção mundial pela montagem estreada em Paris em 1913, com coreografia de Vaslav Nijinsky e produção de Sergei Diaghilev para os Ballets Russes. A composição musical é considerada revolucionária por introduzir estruturas rítmicas e harmônicas nunca antes utilizadas em partituras. “Quando decidi recontar esse clássico, pensei que teria de ser a partir da cosmovisão de povos originários do Brasil”, lembra Deborah, que também é pianista. “Stravinsky foi responsável por pontos de ruptura e provocação entre o erudito e o primitivo. ‘A Sagração da Primavera’ representa esses pontos de evolução da humanidade”, diz. Foi em uma viagem para o Xingu, durante o Kuarup, e no encontro com as aldeias indígenas Kalapalo e Kuikuro, que Deborah conheceu Takumã Kuikuro. O cineasta contou a ela como o povo do chão recebeu o fogo do Urubu Rei. Essa história é dançada e acompanhada por narração do próprio Takumã e faz parte da coleção de cosmogonias que a diretora reuniu para montar a dramaturgia do espetáculo.

“Tudo só poderia ter começado com uma mulher. Uma avó. A avó do mundo”, conclui Deborah que, com a assessoria de Nilton Bonder, revisitou a mitologia judaico-cristã. Do livro “Gênesis”, as passagens sobre Eva e a serpente e também Abraão ganham cenas que destacam momentos de ruptura. “São dois mitos que elaboram sobre a consciência humana: pela autonomia de uma mulher que desperta para caminhos interditados e transgride; e de um homem que sai da sua casa e cultura em direção a si mesmo”, destaca Nilton Bonder. Além das alegorias bíblicas, a coreógrafa também buscou referências na literatura científica. “A versão mais recente da nossa espécie é a Homo sapiens sapiens que, assim como outros seres, precisa se adaptar constantemente”, pontua Deborah, destacando a presença das personagens que representam bactérias, herbívoros e quadrúpedes no espetáculo. “Nossa dramaturgia é feita da poesia presente em mitos e teorias que pensam a existência da vida em nosso planeta”. A coreógrafa, em parceria com o diretor musical Alexandre Elias, introduziu à partitura instrumental de Stravinsky a sonoridade pujante das florestas e ritmos brasileiros. Boi bumbá, coco, afoxé e samba foram introduzidos à criação de Stravinsky. Aos acordes de instrumentos de orquestra, o diretor musical adicionou flauta de madeira, maracá, caxixi e tambores. Os paus de chuva também entram em cena no arranjo executado ao vivo pelos bailarinos. Para dar vida às narrativas e trajetórias do espetáculo, o cenógrafo Gringo Cardia incorpora 170 bambus de 4 metros de altura que simbolizam resistência e flexibilidade.

(Com Vera Longuini/Ateliê da Notícia)