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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Anna Maria Maiolino apresenta exposição no Museu Picasso, em Paris

Paris, França, por Kleber Patricio

Anna Maria Maiolino, obras e detalhes – 179, atelier, 02.2025 ©Everton Ballardin.

A artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino apresenta, aos 83 anos, sua primeira exposição individual em uma instituição francesa. Em cartaz a partir de 14 de junho no Musée Picasso-Paris, um dos mais prestigiados centros de arte moderna da Europa e do mundo, Je suis là. Estou aqui reúne mais de 100 obras, entre pinturas, esculturas, vídeos, fotografias e desenhos inéditos, e percorre seis décadas de uma produção marcada por exílio, linguagem, corpo e resistência.

Maiolino, premiada recentemente com o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, reforça sua atividade no circuito internacional. O título da exposição funciona como um gesto de resposta, uma convocação simbólica à continuidade do fazer artístico. Segundo a artista, “o título afirma que ainda estou aqui, ainda produzindo, ainda engajada em um diálogo vital. As obras em exibição não são objetos passivos, mas presenças ativas que continuam a gerar conversas.”

Anna Maria Maiolino, desenhos – 084, estúdio, 11.2024.

Com curadoria de Sébastien Delot, diretor do Musée Picasso, e da curadora brasileira Fernanda Brenner, fundadora do Pivô, a exposição está organizada em seis núcleos temáticos: Introdução, Entre Significados, Tempestade de Ideias, Em Princípio, Novas Paisagens e Ricochetes, que abordam a multiplicidade de meios, técnicas e reflexões presentes na obra da artista.

Ao receber a mostra, o Musée Picasso-Paris insere Maiolino em uma linha curatorial que, nos últimos anos, tem destacado mulheres artistas com abordagens singulares. Segundo a instituição, os “fios invisíveis” que ligam Maiolino a Picasso estão na relação de ambos com a matéria e com o naturalismo orgânico, ainda que por caminhos distintos. A exposição propõe, no entanto, uma convivência entre presenças ativas, entre obras que seguem gerando diálogo.

A mostra integra a programação oficial da Temporada Brasil-França 2025 e celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O projeto tem patrocínio do BNDES, que reafirma seu compromisso com o fomento à cultura e à economia criativa brasileira.

Anna Maria Maiolino, desenhos – 037, estúdio, 11.2024.

“O apoio do BNDES à Exposição de Anna Maria Maiolino, no âmbito da Temporada Brasil-França 2025, que ocorrerá no Musée Picasso, que por si só é uma potência turística, alinha-se ao objetivo prioritário do Banco de contribuir para a promoção da cultura e da cadeia da economia criativa, reforçando a dimensão de desenvolvimento inerente à atuação do BNDES”, afirma Marina Moreira, superintendente de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.

Representada no Brasil pela Luisa Strina, Maiolino tem uma trajetória reconhecida internacionalmente por sua contribuição singular à arte contemporânea latino-americana, com obras que integram acervos de instituições como o MoMA, Tate Modern, Centre Pompidou e Reina Sofía.

Ao ocupar um dos museus mais emblemáticos da arte moderna mundial, Je suis là. Estou aqui estabelece um diálogo inédito entre a obra de Maiolino e o contexto cultural francês, reafirmando a força simbólica, política e poética de uma artista que permanece em plena ação no corpo, na memória e na linguagem.

Sobre Ana Maria Maiolino

Anna Maria Maiolino, obras e detalhes – 272, atelier, 02.2025.

A obra de Anna Maria Maiolino, uma das principais artistas contemporâneas em atividade, se caracteriza pela experimentação contínua em múltiplas linguagens — da escultura à instalação, do desenho à performance — para abordar temas como identidade, linguagem, corpo e exílio. Sua produção articula o íntimo e o político, revelando uma poética densa e sensível, aberta à interpretação e impregnada de experiência.

Nascida na Itália em 1942, Maiolino viveu na Venezuela antes de se radicar no Brasil, onde integrou movimentos cruciais da arte brasileira, como a Nova Figuração e a Nova Objetividade. Estudou gravura no Rio de Janeiro e, entre 1968 e 1971, aprofundou sua pesquisa em técnicas gráficas no Pratt Graphic Center, em Nova York. A partir dos anos 1980, desenvolve uma linguagem própria por meio do gesto e da matéria — em especial o barro — em obras que reafirmam a presença como resistência.

Reconhecida internacionalmente, Maiolino recebeu em 2024 o Leão de Ouro pelo conjunto da obra na 60ª Bienal de Veneza. Já apresentou exposições individuais em instituições como MoCA (Los Angeles), Whitechapel Gallery (Londres), PAC (Milão), Fundação Antoni Tàpies (Barcelona), Kunsthaus Baselland (Suíça), Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), MALBA (Buenos Aires), SCAD Museum (EUA) e Hauser & Wirth (Nova York).

Também integrou mostras coletivas de grande relevância, como documenta 13 (Kassel), Radical Women (Hammer Museum, Brooklyn Museum, Pinacoteca), The EY Exhibition (Tate Modern), Guggenheim Bilbao, Bienal de São Paulo, Bienal de Lyon, Bienal de Gwangju, entre outras.

Em 2022, recebeu o título de Honorary Doctor pela University of the Arts London. Sua obra faz parte de acervos como MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), Centre Pompidou (Paris), Reina Sofía (Madri), MASP, Pinacoteca de São Paulo, MALBA (Buenos Aires) e Galleria Nazionale di Roma.

Sobre o Musée Picasso-Paris

Instalado no Hôtel Salé, no coração do Marais, o Musée National Picasso-Paris abriga o maior acervo público do mundo dedicado a Pablo Picasso. Com um programa curatorial que destaca diálogos entre a obra do artista e a arte contemporânea internacional, é hoje uma das instituições mais relevantes da arte moderna na Europa e no mundo.

Sobre a Temporada Brasil-França 2025

A Temporada Brasil-França 2025 celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países com uma programação cultural diversa, realizada em ambos os territórios. A iniciativa é promovida pelos governos do Brasil e da França, com coordenação do Institut Français e do Instituto Guimarães Rosa, e inclui artes visuais, música, literatura, audiovisual, performance e intercâmbio acadêmico.

Serviço:

Anna Maria Maiolino: Je suis là. Estou aqui

Abertura: 14 de junho de 2025 | Visitação: até 21 de setembro de 2025

Local: Musée national Picasso-Paris – Hôtel Salé Endereço: 5 rue de Thorigny, 75003 Paris, França

Horários: terça a domingo, das 9h30 às 18h (fechado às segundas-feiras e nos dias 1º de janeiro, 1º de maio e 25 de dezembro)

Ingressos: €16 (inteira) / €12 (meia)

Audioguia disponível em francês, inglês, alemão, espanhol, italiano e chinês Mais informações e venda de ingressos: www.museepicassoparis.fr Instagram: @museepicassoparis.

(Com Ana Lima/A4&Holofote Comunicação)

Instituto Tomie Ohtake apresenta Manfredo de Souzanetto – As montanhas

São Paulo, por Kleber Patricio

Manfredo de Souzanetto, Série Olhe bem as montanhas, 1973-1974, Ecoline, aquarela, lápis de cor e nanquim sobre papel, 4 peças 62 x 79, 62 x 82, 62 x 88, 62 x 88 cm. Fotos: Estúdio em Obra.

O Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Manfredo de Souzanetto – As montanhas, exposição com patrocínio do Nubank, mantenedor do Instituto Tomie Ohtake, e com apoio da galeria Simões de Assis. Sob curadoria de Paulo Miyada, diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, a mostra ficará em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025, paralelamente às exposições Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros, Manuel Messias – Sem limites e Casa Sueli Carneiro em residência no Instituto Tomie Ohtake.

Propondo um mergulho na formação poética e crítica de um dos nomes mais singulares da arte contemporânea brasileira, a mostra reúne cerca de 50 obras produzidas entre as décadas de 1970 e 1990. São sobretudo desenhos, fotografias e pinturas — a grande maioria advindas do acervo de Souzanetto, que as guardou por décadas, como se antevisse a importância desses trabalhos na constituição da sua trajetória.

Manfredo de Souzanetto, 17.1993, 1993, pigmentos naturais e resina acrílica sobre tela colada em madeira, 175 x65x2 cm.

Nascido em 1947 no norte do Vale do Jequitinhonha, Manfredo teve uma infância marcada pelas paisagens montanhosas e pelas riquezas naturais da região, especialmente as pedras, cerâmicas e pigmentos terrosos — elementos que mais tarde se tornariam centrais em sua produção artística. As obras selecionadas revelam o processo de amadurecimento do artista, acompanhando a sua produção artística durante o percurso que o levou de Minas Gerais ao Rio de Janeiro, passando por Belo Horizonte, Paris e Juiz de Fora.

Ainda que tenha se deslocado por diferentes centros urbanos e circuitos artísticos, Souzanetto manteve uma profunda conexão com sua terra natal. Em sua obra as montanhas mineiras não são apenas formas geográficas, mas entidades afetivas e políticas, evocadas em cores, volumes e superfícies que desafiam fronteiras entre escultura, pintura e intervenção paisagística. Como Miyada afirma no texto curatorial, “As montanhas, aqui, são muitas e nenhuma. Elas são memória atávica e pensamento junto da paisagem, articuladas de modo visual, material, cromático. Elas, as montanhas, são parte do que constitui este mundo, essas obras e esse artista”, conclui.

Mais do que um panorama histórico, a exposição convida o público a revisitar o gesto de olhar para a paisagem — como já propunha o artista em sua juventude com o emblemático adesivo “Olhe bem as montanhas”. Em um momento em que os territórios naturais enfrentam ameaças crescentes, as obras de Manfredo oferecem uma reflexão sobre permanência, destruição e pertencimento. É um chamado para ver, com outros olhos, aquilo que insiste em permanecer: a paisagem como memória viva e a arte como forma de resistência.

Programa Público

Manfredo de Souzanetto, Sem título, 1976, Guache e grafite sobre papel, 76 x 56cm.

A esta exposição soma-se um programa público de encontros, oficinas e vivências, com programação atualizada pelo site e redes sociais do Instituto ao longo do período expositivo. No dia 13 de junho, sexta-feira, haverá uma programação concebida especialmente para professores das redes pública e privada, com visita à exposição e prática no ateliê acompanhadas pela equipe de educadores da instituição. A participação no evento acontece mediante inscrição prévia e está sujeita a lotação.

Amigo Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Serviço:

Manfredo de Souzanetto – As montanhas

Abertura: 12 de junho, às 19h

Em cartaz de 13 de junho a 3 de agosto de 2025

De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Fone: (11) 2245 1900.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

Oceanos absorveram energia de 1,7 bilhão de bombas atômicas em 10 anos

Mundo, por Kleber Patricio

Foto: Silas Baisch/Unsplash.

As atividades industriais e econômicas adicionaram ao oceano o equivalente energético de quase dois bilhões de bombas atômicas como a que foi lançada sobre Hiroshima desde a assinatura do Acordo de Paris. O conteúdo de calor do oceano em 2025 (até uma profundidade de 2000 metros) era cerca de 104 zettajoules maior do que em 2015 — o que equivale a aproximadamente 1,7 bilhão de bombas atômicas como as lançadas sobre Hiroshima em 1945 (cerca de cinco bombas por segundo).

A média diária global de gelo marinho atingiu um mínimo histórico em fevereiro de 2025. A extensão e o volume máximos do gelo marinho, tanto em 2023 quanto em 2024, também ficaram dramaticamente abaixo dos níveis dos anos anteriores.

O gelo marinho da Antártica pode ter entrado em um novo estado, consideravelmente menor, já que as extensões máximas de inverno em 2023 e 2024 ficaram muito aquém das registradas anteriormente. Em 2025, a extensão do gelo antártico também segue muito abaixo das médias históricas em termos de extensão e volume. As extensões mínimas de verão do gelo antártico de 2022 a 2025 foram as menores da história, cerca de metade da média histórica, e o valor mínimo registrado em 2023 foi calculado como algo que só ocorreria uma vez a cada 2650 anos sem mudança climática. O gelo do Ártico atingiu seu volume mais baixo já registrado em março de 2025, após décadas de declínio.

O nível do mar atingiu um recorde histórico em 2024 — e a taxa de elevação aumentou desde 2015. A reversão da elevação do nível do mar levaria centenas ou até milhares de anos, mesmo que começássemos agora.

Na média os oceanos vêm se tornando mais ácidos de forma constante e a taxas que não eram observadas há pelo menos 26.000 anos. Em média, os oceanos estão cerca de 4% mais ácidos do que em 2015. Em 2024, o “Planetary Health Check” do Instituto de Potsdam alertou que a acidez dos oceanos pode se tornar em breve o sétimo limite planetário a ser ultrapassado.

As temperaturas médias da superfície do mar atingiram um recorde histórico em 2024, ficando 0,84°C acima da média para a época do ano, superando o recorde anterior de 2023. As temperaturas médias da superfície do mar em 2023, 2024 e 2025 ficaram nitidamente acima dos anos anteriores. O oceano absorveu cerca de 90% do calor extra produzido pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento — mas sua capacidade de continuar absorvendo esse calor está diminuindo, o que faz com que mais calor permaneça na superfície.

Houve quase 3,5 vezes mais dias de ondas de calor marinhas nos verões de 2023 e 2024 do que a média histórica. Também ocorreram ondas de calor extremas e recordes em 2022. Metade das ondas de calor marinhas desde 2000 não teria ocorrido sem o aquecimento global, e essas ondas de calor hoje duram três vezes mais do que em 1940.

As ondas de calor marinhas causaram devastação nos últimos dez anos. Uma onda de calor marinha entre 2013 e 2016, apelidada de “The Blob”, provocou a morte por inanição de milhares de filhotes de leão-marinho na Califórnia, matou quatro milhões de airos ou murres-comuns (aves marinhas), e provavelmente causou uma redução de 34% na população de baleias-jubarte no Havaí. A onda de calor marinha no noroeste do Pacífico em 2021 causou perdas recordes de US$ 8,19 milhões para a pesca japonesa. As ondas de calor marinhas de 2023-2024 fecharam as pescarias de anchova no Peru, com perdas estimadas em US$ 1,4 bilhão; alimentaram a Tempestade Daniel — a inundação mais mortal da história da África, com até 10.000 mortos — e causaram mortes em massa de peixes e moluscos em todo o mundo.

O aquecimento dos oceanos e as ondas de calor marinhas causaram branqueamento de corais sem precedentes. Durante o primeiro evento global de branqueamento de corais em 1998, 21% dos recifes sofreram estresse térmico suficiente para causar branqueamento — no terceiro evento, entre 2014 e 2017, esse número foi de 68%. De 2023 a 2025, o branqueamento já afetou 84% dos recifes do mundo (e ainda está em curso), e a intensidade deste evento foi tão severa que a NOAA adicionou três novos níveis (Níveis 3 a 5) à sua Escala de Alerta de Branqueamento para refletir a maior proporção de corais morrendo.

Por fim, há ainda o impacto direto da indústria do petróleo, que está expandindo sua atuação offshore. Esse avanço agrava a contaminação das águas, ameaçando a biodiversidade marinha e os modos de vida que dependem do oceano. No Brasil, os riscos já são evidentes: em 2024, foram registrados mais de 700 acidentes na exploração de petróleo no mar – o maior número da série histórica –, além de 1.375 quase-acidentes, muitos deles em instalações de produção e sondas offshore. Mesmo assim, o governo e a Petrobras seguem pressionando pela abertura de novas áreas sensíveis, como a foz do Amazonas.

Comentários de cientistas sobre este briefing:

Prof. Alex Sen Gupta, Universidade de New South Wales, Sydney, Austrália

“Na última década, medimos um adicional de 104 zettajoules entrando e aquecendo o sistema climático — isso são 104 mil milhões de milhões de milhões de joules de energia. Mas o que isso significa? Para comparação, a bomba de Hiroshima liberou 63 milhões de milhões de joules. Comparando esses dois números, o aquecimento global nos últimos 10 anos equivale a cerca de 1,7 bilhão de explosões atômicas, ou, se dividirmos pelo número de segundos em 10 anos, equivale a cerca de 5 explosões atômicas por segundo. Claramente isso está afetando os oceanos — está fazendo o nível do mar subir, os sistemas de gelo derreterem e a atmosfera e os oceanos aquecerem. Esse último fator significa um aumento das ondas de calor marinhas e toda a devastação que elas causam. Toda essa energia vem da ação humana, ao colocar mais e mais gases de efeito estufa na atmosfera. Isso precisa parar.” 

Dra. Kathryn E. Smith, Associação Biológica Marinha do Reino Unido

“Minha pesquisa recente mostrou que as ondas de calor marinhas causaram impactos severos globalmente nos últimos anos. Vimos mais colapsos de pescarias, eventos de mortalidade em massa e danos a ecossistemas. Os oceanos aquecidos também alimentaram tempestades em terra, gerando bilhões de dólares em prejuízos e milhares de mortes. Todos esses impactos ocorreram antes mesmo de atingirmos o limite de 1,5°C. Uma década após o Acordo de Paris, é ainda mais importante evitar que esses limites sejam ultrapassados. A vasta maioria dos impactos nos oceanos que observamos na última década são resultado direto das mudanças climáticas causadas por humanos. A escalada dos impactos é, francamente, chocante — e sem a redução das emissões e do uso de combustíveis fósseis, só vai piorar nos próximos anos.”

Dra. Karen Filbee-Dexter, Universidade da Austrália Ocidental

“A mudança climática está empurrando nosso oceano para um território desconhecido, provocando colapsos e danos irreparáveis a muitos ecossistemas e espécies marinhas valiosas. O mais preocupante é que nossas emissões já nos condenaram a impactos que serão sentidos por gerações.” 

Dra. Jennifer Francis, Centro de Pesquisa Climática Woodwell, revisora científica do relatório State of the Cryosphere da ICCI

“O gelo marinho do Ártico é um dos maiores indicadores das mudanças climáticas causadas pelo ser humano. Existindo próximo ao ponto de congelamento da água salgada, o gelo derrete com um leve aquecimento — e esse derretimento é acelerado por um ciclo vicioso de aquecimento-derretimento-mais aquecimento. Satélites documentam esse declínio desde a década de 1970. Durante o verão, a área coberta pelo gelo diminuiu quase pela metade e seu volume em cerca de três quartos em menos de uma vida humana. Na última década, a cobertura de gelo extremamente fina tornou-se altamente vulnerável a ventos, correntes oceânicas, surtos de calor vindos do sul e períodos ensolarados. Durante esses anos, sua extensão passou a oscilar mais intensamente, com recordes mínimos diários sendo quebrados rotineiramente. 

A perda de gelo significa que navios agora podem navegar com mais liberdade em rotas polares, trazendo benefícios econômicos, mas riscos maiores de vazamentos de combustível. Áreas maiores de água aberta permitem a proliferação anormal de algas marinhas em locais e épocas inusitados, afetando a delicada teia alimentar marinha. As grandes plataformas de gelo, que antes serviam de berçário e área de caça para mamíferos marinhos, estão cada vez mais escassas. E os povos que dependiam do gelo para transporte e práticas tradicionais de pesca e caça precisam mudar suas formas de vida.” 

Dra. Aimée Slangen, Líder de Pesquisa no Instituto Real de Pesquisas Marinhas da Holanda (NIOZ)

“A taxa de elevação do nível do mar aumentou desde 2015 e sabemos que isso se deve em grande parte às mudanças climáticas causadas por humanos. Ao contrário de outros fenômenos, como a temperatura, as mudanças no nível do mar ocorrem relativamente devagar — mas aumentos adicionais já estão assegurados e se tornarão visíveis nos próximos anos e décadas. A elevação do nível do mar é importante porque ameaça populações humanas e ecossistemas costeiros, agrava as tempestades e leva a mais erosão costeira.”

(Com Cinthia Leone/Climainfo)

Estudo propõe abordagem integrada para combater desnutrição, obesidade e crise climática

Brasil, por Kleber Patricio

Obesidade, desnutrição e mudanças climáticas são três fenômenos interligados, mas ainda pouco abordados em conjunto por pesquisas científicas. Foto: Leonardo Henrique/Fotos públicas.

A alimentação está profundamente conectada a três desafios globais: obesidade, desnutrição e mudanças climáticas. Apesar de frequentemente tratados de forma separada, esses problemas estão interligados e formam a chamada sindemia global. Publicado na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health na quinta (5), um estudo propõe um modelo conceitual inédito que ilustra as conexões dos elementos da sindemia desde o nível individual, como hábitos e condições de saúde, até questões estruturais, como renda e acesso a alimentos, além de impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa na produção de alimentos.

A pesquisa foi conduzida por cientistas das universidades de São Paulo (USP), Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), de Michigan (EUA) e Técnica da Dinamarca. Para entender as relações entre os temas, a equipe realizou uma revisão de escopo, com consulta a pesquisas científicas já existentes sobre os temas, a partir de 11 mil artigos. Porém, apenas 12 preencheram os critérios de abordar pelo menos dois dos três componentes da sindemia (obesidade, desnutrição e clima) em relação ao consumo alimentar. A partir deles, foi possível mapear as relações mais exploradas e revelar limitações de conhecimento na área. Nenhum artigo, por exemplo, tratou simultaneamente de desnutrição e mudanças climáticas no âmbito da alimentação.

Entretanto, conforme o artigo, é fundamental entender o impacto das mudanças climáticas no consumo de alimentos. Com a escassez de alimentos naturais provocada por efeitos das mudanças climáticas, como inundações ou secas, cresce a procura por ultraprocessados, produtos como macarrão instantâneo e biscoitos recheados, que têm a data de validade estendida e podem ser armazenados por mais tempo. Esses itens contribuem com o impacto ambiental, além de estarem associados ao risco aumentado da obesidade e de outras doenças crônicas.

A pesquisa também ressalta evidências de que o aumento de gás carbônico na atmosfera reduz nutrientes essenciais em alimentos básicos como arroz e trigo. E que o impacto das mudanças climáticas na segurança alimentar é mais acentuado em regiões tropicais e entre populações economicamente desfavorecidas, mais impactadas pelo aumento de preços diante de efeitos do clima na produção de alimentos.

O modelo conceitual pode contribuir, por exemplo, para a reavaliação de programas de combate à desnutrição infantil em regiões com insegurança alimentar crônica. “Com base nas conexões, uma política pública poderia ir além da tradicional distribuição de cestas básicas e passar a combinar a identificação de áreas onde a vulnerabilidade nutricional se cruza com eventos climáticos extremos”, explica Giovanna Garrido, mestranda na USP e uma das pesquisadoras responsáveis pelo trabalho.

O modelo também pode apoiar ações que incentivem o consumo de alimentos frescos por meio da agricultura familiar local e promover campanhas educativas voltadas a hábitos alimentares mais saudáveis. Além disso, permite identificar os gargalos reais de cada situação. Por exemplo, se o problema não está na oferta, mas no acesso, talvez o foco precise estar no transporte, nos preços ou nas escolhas alimentares moldadas pela publicidade e pelo hábito. “Essa visão sistêmica é o que o modelo oferece: ele ajuda a transformar políticas fragmentadas em respostas integradas, que não tratam só os sintomas, mas as causas profundas da má nutrição”, conta Garrido.

O artigo também revela a escassez de estudos nacionais e pesquisas que abordem simultaneamente os três componentes em diálogo com o consumo alimentar. Para Garrido, o artigo marca o começo de uma discussão importante. As lacunas identificadas também podem direcionar futuras pesquisas aprofundando o conhecimento da área e fornecendo bases mais sólidas para políticas públicas sistêmicas.

(Fonte: Agência Bori)

Agora é possível conhecer as belezas do Patrimônio Mundial Natural sobre duas rodas

Foz do Iguaçu, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu, apresentou novas atrações para enriquecer a experiência de turistas e moradores da região. No dia 30 de maio, a concessionária Urbia Cataratas e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade inauguraram a Ciclovia das Cataratas e lançaram o serviço de locação de bicicletas, o Bike Iguaçu, disponível para os visitantes desde 2 de junho.

O novo percurso, próprio para passeios de bicicleta, conta com 11,4 quilômetros pavimentados. Com início no Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu e diversos trechos integralmente imersos na Mata Atlântica, a ciclovia leva os visitantes até o início da Trilha das Cataratas do Iguaçu, uma das Sete Maravilhas Mundiais da Natureza, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Mario Macedo Junior, CEO da Urbia Cataratas, destacou que as novidades ampliam as possibilidades para os visitantes.

A novidade também contribui com a experiência do visitante, que pode pedalar pelo parque com tempo e tranquilidade, contemplando cheiros, sons e paisagens da Mata Atlântica. A mobilidade ainda é realizada praticando a sustentabilidade e sem impactos ambientais. Isso porque, de bicicleta, a visita é feita de forma limpa, consciente e com zero emissão de gases de efeito estufa.

Pedale pelo parque – Os visitantes que desejarem conhecer a unidade de conservação sobre duas rodas podem acessar a Ciclovia das Cataratas, trilhas e caminhos do parque com as próprias bicicletas, sendo necessário apenas apresentar o ingresso de entrada. Para turistas e moradores que não possuem bike, o parque lançou um serviço de locação, disponível para todos a partir do dia 2 de junho (segunda-feira).

Bike Iguaçu | Junto com a inauguração da ciclovia, o Parque Nacional do Iguaçu lançou o Bike Iguaçu, serviço para locação de bicicletas. Disponíveis a partir de 2 de junho, as locações podem ser realizadas antecipadamente pelo site oficial tickets.cataratasdoiguacu.com.br. É uma opção para quem quiser viver uma experiência autêntica, ao ar livre, sustentável e com liberdade para seguir o próprio ritmo.

Como funciona a locação  

Os visitantes podem escolher entre períodos de duas, três ou quatro horas de locação, de acordo com o roteiro desejado. Para prolongar a experiência, há opção de tempo extra. Contudo, o uso das bicicletas deverá respeitar o horário de funcionamento do parque e de cada percurso disponível. As bikes estão disponíveis nos aros 20, 24, 26 e 29.

As bicicletas poderão ser alugadas ou devolvidas em três pontos: no Centro de Visitantes, no início da ciclovia; no espaço receptivo do Caminho das Bananeiras, próximo ao Macuco Safari; e no início da Trilha das Cataratas, primeiro mirante perto do hotel. Se o roteiro do passeio for alterado, ou o visitante quiser descansar, ele pode devolver a bike em qualquer um desses pontos e continuar a visita com o serviço de transporte interno da unidade de conservação.

Visite o parque de bicicleta – Não só na Ciclovia das Cataratas o visitante pode andar de bicicleta. Outras trilhas e caminhos têm acesso permitido. O Caminho do Poço Preto possui 18,5km de percurso total, rico em biodiversidade, para quem preferir uma aventura mais longa em meio à floresta nativa do Patrimônio Mundial Natural.

O Caminho das Bananeiras conta com apenas três quilômetros de distância e pode ser acessado de bicicleta ou a pé. O trajeto revela uma experiência leve, ideal para conexão com a natureza, com tranquilidade e segurança. E há ainda a Trilha da Canafístula, um percurso alternativo e encantador de 2,2km, que conecta o visitante a um pedaço preservado e pouco conhecido do parque.

Sobre o Parque Nacional do Iguaçu | O Parque Nacional do Iguaçu, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), é uma unidade de conservação federal e conta com a gestão de visitação turística da concessionária Urbia Cataratas S.A. É um Patrimônio Mundial Natural da UNESCO e referência internacional em turismo sustentável.
Mais informações:

contato@catarataspni.com.br | www.cataratasdoiguacu.com.br

(Urbia Cataratas — Parque Nacional do Iguaçu).

(Com Andréa Almeida/V3COM)