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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Peça “Dzi Croquettes Sem Censura” traz história nunca contada do grupo teatral

São Paulo, por Kleber Patricio

Peça Dzi Croquettes Sem Censura. Foto: Ronaldo Gutierrez.

Amados por uns, odiados pela ditadura militar e, muitas vezes, esquecidos pela própria classe teatral, os Dzi Croquettes chegam ao teatro, como nunca se viu, na peça “Dzi Croquettes Sem Censura”. A dramaturgia é de Ciro Barcelos, um dos membros fundadores da trupe nos anos de 1970. A realização do espetáculo é da TMX Produções.

A peça estreia em curta temporada em São Paulo (SP), no dia 12 de junho, de quinta a domingo, às 20h30min, e no mês de julho, sábado e domingo, às 20h30min, no Teatro Itália (Av. Ipiranga, 344 – República). “Falar do Dzi Croquettes hoje tem uma importância histórica, pois o Dzi não tem só uma história para ser contada – ele é a história. É mostrar a importância do grupo enquanto fenômeno cultural de luta e resistência ao regime militar. Sua influência nas mudanças dos costumes e comportamento de toda uma geração está expressa nos dias de hoje através das conquistas legais de direitos humanos e liberdade de expressão”, explica Ciro, que contou com colaboração dramatúrgica de Julio Kadetti.

O espetáculo une teatro, dança e música, guardando a linguagem teatral peculiar do grupo que veio a influenciar toda uma geração de artistas, criando um novo vocabulário cênico. Com aprimorada consistência técnica, irreverência, criatividade e bom humor, o Dzi Croquettes surgiu com uma proposta inovadora e competente, agregando seguidores que fizeram deles um símbolo de resistência e luta pela liberdade de expressão.

Dzi Croquettes Sem Censura traz a trajetória deles em primeira pessoa, abordando não apenas a vida nos palcos, mas também a convivência entre 13 pessoas que dividiram também uma casa, uma história que nunca foi contada, revelando os bastidores no processo de montagem do grupo, a relação humana entre eles, suas alegrias e tristezas. São artistas em torno de um mesmo ideal de arte e resistência que os manteve unidos mesmo nos momentos mais difíceis, como a perseguição que sofreram pelo regime militar, levando-os a um exílio do país. “O Dzi Croquettes está para sempre tatuado no meu destino. Foi uma experiência única, determinante na minha vida pessoal e profissional. Minha régua e compasso”, define.

A partir do olhar de Ciro Barcelos, ator, coreógrafo e diretor teatral, remanescente do grupo original Dzi Croquettes, fundado em 1972 por Wagner Ribeiro e o bailarino Lennie Dale. O espetáculo reconstrói, pela primeira vez, os bastidores de um dos grupos mais instigantes e provocativos do teatro brasileiro em meio a ditadura militar daqueles tempos sombrios.

Ciro, que já assinou o espetáculo Dzi Croquettes Em Bandália, resgata sua própria vivência, trazendo histórias que não pode contar até hoje. “A minha experiência tendo feito parte da formação original do grupo é fundamental para recontar essa história vivida por mim, pois não existem muitos registros detalhados do que verdadeiramente foi e significou o encontro de 13 atores vivendo em comunidade em torno de um mesmo ideal”.

Ciro interpreta a si mesmo e Lennie Dale, no espetáculo, que também traz Daniel Suleiman, no papel de Ciro na juventude; Fernando Lourenção, como Bayard Tonélli; Akim, como Carlinhos Machado; Celso Till, no papel de Claudio Gaya; Jonathan Capobianco faz o Rogério de Polly; Kaiala, atriz não binária, mostrará os dois lados vivendo Nêga Vilma e Benê; Feccini como Reginaldo de Polly; André Habacuque como Claudio Tovar; Bruno Saldanha é Paulette; e, por fim, Juan Becerra interpreta Wagner Ribeiro. “Alguns atores foram convidados, outros selecionados em audições. Foi difícil devido ao fato de ser um espetáculo biográfico, e eu fiz questão de escolher integrantes com semelhança física aos integrantes do grupo original, que fossem bailarinos, atores e cantores“, explica Ciro, que também é responsável pela coreografia, concepção cênica e direção geral.

Serviço:

Estreia Dzi Croquettes Sem Censura | curta temporada | São Paulo (SP)

Onde: Teatro Itália (Av. Ipiranga, 344 – República)

Estreia: dia 12 de junho, de quinta a domingo, às 20h30min; e no mês de julho: sábado e domingo, às 20h30min

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos: R$ 160 (inteira)

Informações: @dzicroquettes.

Sinopse | Dzi Croquettes Sem Censura reconstrói a história viva de um dos grupos mais revolucionários do teatro brasileiro. Em tempos de censura e repressão, eles criaram liberdade com seus próprios corpos, e 50 anos depois, a verdadeira história dos Dzi Croquettes volta aos palcos com esse espetáculo que mergulha nos bastidores de um dos coletivos artísticos mais provocativos e inovadores do país. Fundado em 1972 por Wagner Ribeiro e Lennie Dale, o Dzi Croquettes não apenas desafiou o regime militar, mas também expandiu as fronteiras da arte brasileira ao combinar teatro, dança e música em uma linguagem cênica que atravessou gerações. Mais do que relembrar um sucesso de público, o espetáculo revela a complexidade da vida em comunidade, a coragem diante da censura e o legado afetivo de uma geração que ousou sonhar e lutar.

Ficha Técnica

Texto – Ciro Barcelos

Colaboração de dramaturgia – Júlio Kadetti

Direção – Ciro Barcelos

Supervisão Cênica – Kleber Montanheiro

Assistente de direção – Talita Franceschini

Preparação de elenco – Liane Maya

Direção de Produção: Tiago Xavier

Elenco – André Habacuque, Akim, Bruno Saldanha, Celso Till, César Viggiani, Ciro Barcelos, Daniel Suleiman, Fernando Lourenção, Jonathan Capobianco, Juan Becerra, Kaiala

Iluminação – Gabriele Souza

Cenografia – André Habacuque

Desenho de maquiagem: Shary Camerini

Figurino Concepção – Ciro Barcelos

Criação e Execução de figurino: – Henrique Versoni – ⁠Su Martins – ⁠Acrides Júnior – ⁠Fernando Callegaro

Costureira: Sônia Oliveira

Direção Musical e Arranjos – André Perine

Direção Vocal – Bruno Santos

Preparação Vocal – Glaucia Verena

Produção executiva: Bruno Aredes , Isabella Mello e Tiago Xavier

Diretor de Marketing e comunicação: Tiago Xavier

Designer – Felypso Cipelli

Redes sociais – Mariah Gabriela e Bruno Saldanha

Assistente de produção – Fernando Callegaro

Coreografia – Ciro Barcelos

Coreografia Bolero – Ronaldo Gutierrez

Assistente de Coreografia – Akim

Preparação Física – Christian Andrade

Catering – Casa 12

Idealização – Ciro Barcelos.

(Com Isidoro B. Guggiana)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera double bill, com Puccini e Strauss, em reflexão sobre a guerra

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Rafael Salvador.

O Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera double bill, com Puccini e Strauss, em reflexão sobre a guerra. Com direção cênica de André Heller-Lopes e direção musical de Priscila Bomfim, a double bill une o compositor italiano Giacomo Puccini e o alemão Richard Strauss. Nesta ocasião, será apresentada pela primeira vez na América Latina a ópera “Friedenstag” (Dia de Paz), de Strauss. Ao lado dela, outra raridade: “Le Villi” (As Fadas), a primeira ópera de Puccini, formando um double bill exclusivo com duas óperas de um ato. Com classificação livre para todos os públicos e duração aproximada de 170 minutos, incluindo intervalo, as apresentações serão entre os dias 19 e 27 de julho. Os ingressos variam de R$ 33 a R$ 210 (valores de inteira).

Dois grandes nomes da música: Giacomo Puccini e Richard Strauss. Provavelmente os compositores de ópera mais influentes do final do século XIX e início do XX e, apesar de terem obras tão distintas, representantes do auge das artes em seus países, a Itália e a Alemanha. A primeira, Le Villi (As Fadas), é uma ópera-ballet com libreto de Ferdinando Fontana, baseado no conto Les Willis de Jean-Baptiste Alphonse Karr, também utilizado no ballet Giselle. Já a segunda, Friedenstag (Dia de Paz), ópera em um ato com libreto de Joseph Gregor, é inédita na América Latina. As apresentações serão no sábado, 19, às 17h; domingo, 20, às 17h; terça-feira, 22, às 20h; quarta-feira, 23, às 20h; sexta-feira, 25, às 20h; sábado, 26, às 17h; e domingo, 27, às 17h. Os ingressos variam de R$ 33 a R$ 210 (valores de inteira). Com classificação livre para todos os públicos e duração aproximada de 170 minutos, incluindo intervalo.

Ambas apresentações tem direção musical de Priscila Bomfim e direção cênica de André Heller-Lopes. A cenografia leva a assinatura de Bia Junqueira, o design de luz é de Fábio Retti, os figurinos são de Laura Françozo e a assistência de direção cênica é de Ana Vanessa. O Coro Lírico Municipal tem regência de Hernán Sánchez Arteaga.

Em uma combinação única destas duas obras, o Theatro Municipal cria um programa operístico surpreendente, sob a assinatura de um dos principais diretores de ópera do Brasil. “Quando fui convidado pensei: como unir esse primeiro Puccini, que fala de uma lenda fantástica, com uma narrativa de guerra do Strauss? Decidi que poderia trabalhar como se um fosse o prelúdio da guerra e outro a guerra. Nessa montagem, Le Villi se passa no início dos anos trinta e o Friedenstag no auge dos anos da guerra. Inclusive, esse ano comemoramos os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, mas ainda vivemos em um mundo de conflitos bélicos. Bom, isso tudo será conectado por inúmeros recursos cênicos e através de um personagem, Roberto, que é um soldado”, pontua André Heller-Lopes.

Ainda sobre os aspectos da montagem, Heller-Lopes explica que a sua criação se ancora nos recursos originais do texto. “Eu trabalho com o que outros diretores de ópera fazem: a capacidade de fazer um clássico com um ponto de virada, ou um molho diferente, como forma de criar uma sub-leitura no texto. Mas o texto original é sagrado”, pontua.

Diretor cênico André Heller-Lopes. Foto: Leo Aversa.

Em Le Villi (As Fadas), nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, os papéis principais serão interpretados por Rodrigo Esteves (Guglielmo), Gabriella Pace (Anna) e Eric Herrero (Roberto). Já nos dias 20, 23 e 26 de julho, o elenco traz Johnny França (Guglielmo), Daniela Tabernig (Anna) e Marcello Vannucci (Roberto).

Já em Friedenstag (Dia de Paz), o espetáculo conta, nos dias 19, 22, 25 e 27 de julho, com Leonardo Neiva (Comandante), Eiko Senda (Maria) e Eric Herrero (Um Piemontese). Nos dias 20, 23 e 26 de julho, os papéis são assumidos por Rodrigo Esteves (Comandante), Daniela Tabernig (Maria) e Marcello Vannucci (Um Piemontese).

Sobre a união musical de dois gênios da ópera, a diretora musical e maestra regente assistente da Orquestra Sinfônica municipal, Priscila Bomfim, explica o que o público pode esperar deste programa. “A diferença entre a forma de expressão dos dois compositores é muito clara: Puccini, que ressalta a narrativa de uma fábula encantada com suas melodias marcantes presentes no canto e reforçadas pelos naipes da orquestra; e Strauss, com sua orquestração densa e complexa, que reforça o drama militar e bélico da guerra por meio da pluralidade rítmica e de uma orquestração romântica e com influência wagneriana”, explica. “Além disso, a união entre balé e ópera em Le Villi apresenta uma música que é, ao mesmo tempo, dançante mas pertencente ao universo operístico. E claro, o desafio de unir dois compositores que são esteios da ópera italiana e alemã na mesma produção, ressaltando e resguardando suas características e estilos distintos”, pontua a maestra.

Sobre Le Villi (As Fadas)

Le Villi é inspirada em lendas eslavas sobre espíritos vingativos de jovens traídos pelo amor. Estreada em 1884, carrega influências do estilo composicional de Amilcare Ponchielli, mestre de Puccini, trazendo uma atmosfera quase mística, distinta das obras seguintes do compositor. A trama é a mesma do famoso balé Giselle, de Adolphe Adam: uma jovem de coração partido transforma-se em uma criatura sobrenatural que se vinga de seu amante infiel, forçando-o a dançar até a morte. Embora não tenha sido bem-recebida no concurso para o qual foi composta, o concurso de Sonzogno, a ópera foi aclamada por críticos que viram em Puccini uma promessa para a ópera italiana. “O que são essas Villi? São figuras como bacantes. Essa é a visão da ópera: uma ideia contemporânea, inclusive no estilo do balé, mas dentro da dramaturgia de ópera. A partir disso, uma grande inspiração que me veio foi a imagem da personagem de Metrópolis, de Fritz Lang, que é meio mulher e meio metal”, explica o diretor André Heller-Lopes.

Sobre Friedenstag (Dia de Paz)

Friedenstag, foi composta por Strauss em 1938, com libreto de Joseph Gregor. Ambientada em uma fortaleza no sul da Alemanha, ao final da Guerra dos Trinta Anos, a ópera explora temas de esperança e reconciliação. O comandante da fortaleza, em um momento de desesperança, redescobre o valor da paz quando as tropas inimigas cercam seu território. A obra é um reflexo dos tempos conturbados da ascensão do nacionalismo e do militarismo na Europa, oferecendo uma poderosa mensagem pacifista. “Eu trouxe a ideia de como seria interessante apresentar o Friedenstag (Dia de Paz). Por ser uma ópera inédita na América Latina, uma criação importante de Strauss, e é pouco conhecida. Ela tem uma fama que não corresponde à realidade porque é uma obra sobre a paz, no entanto, como estreou em 1938, na Alemanha, foi utilizada pela agenda do governo. Basta dizer que ela é uma criação de Stefan Zweig, um autor importantíssimo que precisou fugir do regime na América do Sul. O que estamos fazendo é um resgate”, finaliza o diretor.

Serviço:

Óperas Double Bill | Le Villi – As Fadas, de Giacomo Puccini e Friedenstag – Dia de Paz, de Richard Strauss

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Sábado, 19/07, 17h

Domingo, 20/07, 17h

Terça-feira, 22/07, 20h

Quarta-feira, 23/07, 20h

Sexta-feira, 25/07, 20h

Sábado, 26/07, 17h

Domingo, 27/07, 17h

Priscila Bomfim, direção musical

André Heller-Lopes, direção cênica

Hernán Sánchez Arteaga, regente do Coro Lírico Municipal

Bia Junqueira, cenografia

Fábio Retti, design de luz

Laura Françozo, figurino

Ana Vanessa, assistente de direção cênica

Le Villi (As Fadas)* (70′)

Ópera-balé em dois atos de Giacomo Puccini com libreto de Ferdinando Fontana (70′)

*Edição crítica de Martin Desay (2020). Editor: Casa Ricordi srl, Milão representada por Melos Ediciones Musicales S.A., Buenos Aires

dias 19, 22, 25 e 27

Rodrigo Esteves, Guglielmo

Gabriella Pace, Anna

Eric Herrero, Roberto

dias 20, 23 e 26

Johnny França, Guglielmo

Daniela Tabernig, Anna

Marcello Vannucci, Roberto

Intervalo (20’)

Friedenstag (Dia de Paz)** (80’)

Ópera em um ato de Richard Strauss com libreto de Joseph Gregor

** By arrangement with B&H Music Publishing Inc. d/b/a Boosey & Hawkes, publisher and copyright owner.

dias 19, 22, 25 e 27

Leonardo Neiva, Comandante

Eiko Senda, Maria

Eric Herrero, Um Piemontese

dias 20, 23 e 26

Rodrigo Esteves, Comandante

Daniela Tabernig, Maria

Marcello Vannucci, Um Piemontese

Elenco único (todas as datas)

Sérgio Righini, comandante

Saulo Javan, Sentinela

Geilson Santos, atirador

Márcio Marangon, soldado

Daniel Lee, mosqueteiro

Rafael Thomas, corneteiro

Santiago Villalba, oficial

Jessé Vieira, oficial da linha de frente

Miguel Geraldi, prefeito

Leonardo Pace, prelado

Adriana Magalhães, mulher do povo

Classificação: Livre para todos os públicos

Duração aproximada: 170 minutos (com intervalo)

Ingressos: de R$33 a R$210 (inteira)

Programação sujeita a alteração.

Patrocínio: As récitas dos dias 22 e 27/7 têm patrocínio Bradesco.

(Com André Santa Rosa/Assessoria de Imprensa do Theatro Municipal)

Pinacoteca de São Paulo dedica maior exposição do ano à pop arte brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Pré Abertura Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70 na Pina Contemporanea no dia 30/5/2025 para Pinacoteca de São Paulo. Fotos: Levi Fanan.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura a exposição Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70 na Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea. A exposição reúne 250 obras de mais de 100 artistas, muitas delas expostas juntas pela primeira vez, proporcionando uma visão abrangente sobre a arte do período. Com curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo, a mostra se divide em temas que remontam aos grandes acontecimentos do período, como o surgimento da indústria cultural, a ruptura democrática e transformações sociais de diversas ordens. Podem ser vistos trabalhos de Wanda Pimentel, Romanita Disconzi, Antonio Dias e muitos outros. O público poderá ainda vestir e experimentar os famosos parangolés de Hélio Oiticica.

Em um contexto de industrialização e turbulências políticas – Guerra Fria e ditadura civil-militar –, a produção artística nacional lida de maneira contestadora e irreverente com a massificação da cultura promovida pela televisão e os grandes veículos da imprensa e da publicidade. A partir da década de 1960, uma série de tendências figurativas internacionais ganham espaço no debate artístico nacional. Dentre essas tendencias está a Arte Pop, original do Reino Unido, mas que ganhou fama nos Estados Unidos por meio de figuras célebres com Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jasper Johns e Robert Rauschenberg. Entretanto, enquanto esses artistas trabalhavam a linguagem em um contexto de país desenvolvido, industrializado, e com uma produção massificada, artistas brasileiros lidavam com um cenário de subdesenvolvimento e desigualdade em que tinham de elaborar o trauma de uma sociedade oprimida pelo regime militar.

“A exposição lida com um momento da história do país que ainda hoje ressoa em nosso cotidiano. Olhar para essa produção é importante para entender o início da arte contemporânea entre nós, e também as questões disparadoras de muitos dos debates da atualidade. E, diante da reunião dessas obras, podemos entender a força coletiva dos artistas de uma geração que trabalhou para denunciar, protestar e sonhar com uma nova sociedade”, afirmam os curadores.

Sobre a exposição

O interesse dos artistas pela rua, fruto do desejo de ocupar espaços mais diversos e menos institucionalizados, marcou uma série de eventos nos últimos anos da década de 1960 e no início dos anos 1970. Entre eles, figura o “Happening das Bandeiras”, realizado em 1968 na Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro, que reuniu artistas como Nelson Leirner, Flávio Motta, Hélio Oiticica, Carmela Gross e Ana Maria Maiolino. Na ocasião, eles expuseram bandeiras serigrafadas em praça pública promovendo uma ocupação coletiva do espaço público, em busca de um acesso mais amplo e democrático para as artes visuais. O conjunto de bandeiras originais abre a exposição na Grande Galeria.

Na sequência, há trabalhos que tratam de uma indústria cultural em formação no Brasil, exibindo estrelas da música popular brasileira, graças aos festivais televisivos, em meio à febre da corrida espacial, que transformou astronautas em “ícones pop” e transmitiu imagens ao mundo do grande marco histórico que foi a chegada do homem à Lua. Grandes nomes do período estão reunidos, como Nelson Leirner, com seu altar para o rei Roberto Carlos, na obra Adoração (1966), Claudia Andujar, que fotografou Chico Buarque em 1968, Flávio Império, que retratou Caetano Veloso em Lua de São Jorge (1976), o artista popular Waldomiro de Deus, com seus foguetes característicos, Claudio Tozzi, com as obras Bob Dylan (1969), Guevara (1967), além de seus astronautas que marcaram a iconografia da pop à brasileira.

O desejo de rua e as rupturas

As restrições impostas pela ditadura civil-militar foram retratadas nas produções artísticas por meio de diferentes estratégias formais, poéticas e políticas. Na exposição, estão reunidas caricaturas de generais, presentes nas obras de Humberto Espíndola, Antonio Dias e Cybele Varela, desenhos dos presos políticos da coleção Alípio Freire, pertencentes ao Memorial da Resistência, registros fotográficos que Evandro Teixeira realizou na emblemática passeata dos 100 mil, além de trabalhos que procuraram intervir diretamente no contexto político, como as garrafas de coca-cola de Cildo Meireles, que compõem a obra Inserções em circuitos ideológicos (1970), e as trouxas ensanguentadas (1969) de Artur Barrio. Além disso, o tema da criminalidade também permeava as produções artísticas do período. Frente ao estado opressor, figuras de marginalidade foram evocadas como estratégia subversiva, contestando a moral e as leis. Dentre elas, destacam-se uma cena de crime pintada por Paulo Pedro Leal ainda no início dos anos 1960, o filme Natureza (1973) de Luiz Alphonsus e o clássico A bela Lindonéia (1967), de Rubens Gerchman.

O gesto pop se apropria ainda do imaginário da cidade, por meio de signos e códigos urbanos. É o caso de trabalhos como Marlboro (1976), em que Geraldo de Barros transforma restos de outdoor em pinturas, e as superfícies estruturadas com restos de acrílico e latão de Judith Lauand (Sem título, 1972). Na área central da galeria, estão reunidos trabalhos que expressam a disputa pelo espaço público. Setas, semáforos, festividades e proposições coletivas ganham centralidade nas obras. Buum (1966), de Marcelo Nitsche, Totém de interpretação (1969), de Romanita Disconzi, Lateral de ônibus (1969), de Raymundo Colares, e os emblemáticos parangolés de Hélio Oiticica, apresentados pela primeira vez há exatos 60 anos, na mostra Opinião 65, realizada no MAM-Rio, podem ser vistos pelo público. No caso de Oiticica, o visitante poderá, literalmente, experimentar os Parangolés, vestindo-os no espaço expositivo.

A década de 1960 também foi palco de uma revolução sexual fruto de eventos históricos como Maio de 68, na França, e o movimento hippie nos EUA. No núcleo sobre desejo e sexualidade, estão obras de artistas que pensaram as mudanças do estatuto da sexualidade no Brasil, atravessadas também pela cultura de massa. É o caso Wanda Pimentel, com sua série Envolvimento (1968), Teresinha Soares com A caixa de fazer amor (1967) e Antônio Dias em Teu corpo (1967), além de Maria Auxiliadora, Lygia Pape e Vilma Pasqualini.

A exposição Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70 é apresentada por Bradesco e patrocinada por Livelo, na categoria Platinum, Mattos Filho, na categoria Ouro e Nescafé Dolce Gusto, na categoria Prata. A mostra será exibida no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), na Argentina, de 5 de novembro de 2025 a 2 de fevereiro de 2026.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Contemporânea | Grande Galeria

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Desenvolvimento baseado em exploração de recursos e em grandes obras aprofundou desigualdades na Amazônia

Amazônia, por Kleber Patricio

Transformações como a construção de portos e estradas se intensificaram a partir dos anos 1940. Foto: Divulgação.

Um artigo publicado na sexta (6) na revista Acta Amazonica mostra que o modelo atual de desenvolvimento da Amazônia, centrado na extração de recursos naturais e implementação de grandes projetos – como barragens, estradas ou mineração – intensifica desigualdades sociais, destruição ambiental e conflitos territoriais. Esses projetos ainda trazem impactos duradouros para os ecossistemas e as comunidades locais, com efeitos agravados por mudanças climáticas e políticas permissivas.

Conduzido por cientistas de instituições como Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade da Califórnia (EUA), o artigo baseia-se em literatura acadêmica, relatórios técnicos e dados institucionais para apresentar os principais marcos históricos e políticos da Amazônia desde os anos 1940, considerando as políticas de desenvolvimento de cada época. Parte do conteúdo também foi derivado de levantamentos do Painel Científico para a Amazônia (SPA, na sigla em inglês), composto por 200 pesquisadores de diversos países.

A partir de políticas estatais voltadas à integração territorial e à modernização urbana-industrial, a Amazônia passou a abrigar grandes empreendimentos, como portos e estradas, que favoreceram interesses externos e desconsideraram a diversidade social e ecológica local. Nos anos 1990, com o avanço do neoliberalismo, observou-se o fortalecimento de mercados ilegais como grilagem, garimpo e tráfico de madeira e drogas.

O estudo revela que, diante dessas pressões, as populações locais têm buscado formas de resistência. Sobretudo na década de 80 e 90, movimentos indígenas se articularam com universidades, ONGs, ambientalistas e movimentos internacionais para garantir maior participação na formulação de constituições que contemplassem seus povos e que tivessem ficado de fora da Constituição de 1988. Dentre os resultados dessa luta, destaca-se o reconhecimento de territórios indígenas, quilombolas e de populações tradicionais e maior participação em fóruns de governança ambiental.

Segundo Philip Fearnside, pesquisador do INPA e um dos autores do artigo, o trabalho ajuda a romper com a visão simplista de que a Amazônia é um “vazio demográfico”. O bioma é descrito como um espaço complexo, feito de redes sociais, econômicas e culturais que foi moldado ativamente por seus habitantes – como ribeirinhos, quilombolas, indígenas e migrantes.

O pesquisador explica que, hoje, a maior parte da população da Amazônia vive em cidades. Mas apesar desses grandes centros urbanos, existe ao mesmo tempo uma ligação forte com a população que está na área rural, inclusive com migração de população”, explica. “Essa ligação muitas vezes se dá no âmbito familiar, com mulheres e crianças na cidade para terem acesso a escola e saúde e os homens no campo. Há também aumento de ligações comerciais, com transporte de produtos do campo de cada vez mais longe para os mercados urbanos”, completa.

A pesquisa propõe que as experiências locais sejam valorizadas na formulação de políticas públicas. Os autores defendem alternativas que conciliem justiça ambiental e conservação, com base em saberes tradicionais e participação ativa das comunidades. A expectativa é de que o trabalho ajude a repensar o modelo vigente de desenvolvimento, evitando que a Amazônia atinja pontos de não retorno ecológico e social.

(Fonte: Agência Bori)

Equipar UBS pode aumentar cobertura vacinal em até 86%, aponta estudo

Belo Horizonte, por Kleber Patricio

Municípios com UBS bem equipadas tiveram quase o dobro de chance de alcançar cobertura vacinal. Foto: FreePik.

Melhorias na estrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na disponibilidade de imunobiológicos estão associadas a maiores coberturas vacinais nos municípios brasileiros. É o que indica estudo realizado pela UFMG publicado recentemente na Revista de Saúde Pública.

A pesquisa analisou dados de 3.977 municípios e as informações foram extraídas de duas bases públicas: o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ).

Entre os itens avaliados na estrutura das UBS estavam: existência de sala de vacinação, geladeira exclusiva, caixas térmicas, cartão de vacinação e serviço de vacinação. Já a disponibilidade de imunobiológicos considerou a presença contínua de oito vacinas: BCG, hepatite B, meningocócica C, poliomielite, pneumocócica 10, tríplice viral, tetravalente/pentavalente e rotavírus oral.

A estrutura das UBS e a oferta de vacinas foram classificadas como “boas”, “regulares” ou “ruins” com base em critérios padronizados. Unidades com seis ou sete dos itens avaliados foram consideradas de boa estrutura. Já aquelas com sete ou oito vacinas sempre disponíveis foram classificadas com boa disponibilidade de imunobiológicos. A cobertura vacinal foi pontuada a partir do número de vacinas com metas atingidas em cada município.

Quando a disponibilidade de vacinas é boa, os municípios com UBS bem estruturadas têm 86% mais chance de alcançar cobertura vacinal adequada em relação aos que têm estrutura ruim. O contrário também se observa: com a estrutura considerada boa, a chance de cobertura adequada é 48% maior quando a oferta de vacinas também é satisfatória. “É indispensável que a rede de frio funcione bem e que as vacinas estejam disponíveis nas unidades”, afirma Guilherme de Andrade Ruela, autor do estudo. “Mas é igualmente essencial que as UBS contem com o espaço, os equipamentos e insumos necessários para garantir a conservação e a aplicação eficaz e segura dos imunizantes”, diz.

O estudo também apontou oscilações na cobertura vacinal ao longo do tempo. Entre 2011 e 2015, a proporção de municípios com cobertura adequada subiu de 32,5% para 55,1%, mas caiu para 42,1% entre 2016 e 2019. A disseminação de notícias falsas, o avanço do movimento antivacina, o enfraquecimento de políticas preventivas e fatores socioeconômicos podem estar entre os principais motivos. “Sugere-se que essa queda ocorra de forma ainda mais visível dependendo da gestão vigente, ou seja, quando não há ações que fortaleçam o Programa Nacional de Imunizações (PNI), por parte, sobretudo, do Governo Federal”, alerta Ruela.

Segundo o pesquisador, a queda na cobertura vacinal provavelmente se manteve mesmo após o período analisado, agravada pela desinformação, avanço dos movimentos antivacina e maior hesitação vacinal. Ele destaca ainda o impacto da pandemia de Covid-19. “A pandemia alterou todo o funcionamento dos serviços de saúde e é possível observar uma redução das coberturas vacinais também nesse período”, diz, recordando que a situação emergencial vivida entre 2020 e 2023 alterou o fluxo de atendimentos nas UBS e afetou a organização dos serviços de saúde.

A pesquisa reforça que unir melhorias na infraestrutura das UBS à oferta adequada de imunizantes é essencial para atingir as metas do PNI. “Houve uma preocupação recente por parte do Governo Federal; o Ministério da Saúde propôs ações para reverter o quadro de quedas e colocar o Brasil, novamente, como destaque no que diz respeito ao programa de imunização”, afirma o autor. Para ele, monitoramentos contínuos são fundamentais para embasar novas políticas e intervenções.

(Fonte: Agência Bori)