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Em nova obra, Leandro Karnal reúne crônicas que ampliam a bagagem linguística

São Paulo, por Kleber Patricio

Professor e historiador, Leandro Karnal lança a obra “Para pensar e escrever melhor” pela Editora Planeta. O livro, que conta com uma identidade visual diferente das obras anteriormente escritas pelo autor, reúne 50 crônicas – publicadas originalmente no jornal O Estado de São Paulo – organizadas de maneira que ilustra o próprio processo criativo. Com prefácio de Gabriela Prioli e introdução de Diogo Arrais, o livreto propõe que, a partir da leitura, o público consiga compreender melhor os recursos da linguagem e descubra o prazer que há na escrita e na oratória.

Nesta obra, Karnal revela o seu lado professor. De forma didática, organiza os pequenos textos em cinco blocos que são acompanhados por dicas que guiam onde observar, como reconhecer a profundidade do gênero e a importância dos recursos que o compõem. E apresentando os mais variados recursos linguísticos, do mais simples até o mais complexo, com o intuito de evidenciar que qualquer um que tenha o que compartilhar pode se expressar por meio das palavras.

As crônicas discutem sobre política, esperança, conflitos e humanidade. Há diversidade de cenários que abraçam os mais diferentes tipos de leitores. “Há contextos tão variados que penso ser impossível terminar esta leitura sem sentir-se contemplado por um texto sequer. Para mim, uma das maiores qualidades de uma vida de leitura é a certeza da não solidão: a leitura nos acolhe porque nos apresenta, no modo de vida ou na forma de pensar, os nossos iguais”, escreveu Gabriela Priori no prefácio.

Em “Para pensar e escrever melhor”, Karnal veste a camisa de um professor em sala de aula. Como bom educador, ensina a escrever a partir do pressuposto de que todas as pessoas têm o que dizer e expõe a fé que possui na comunicação e na arte de se fazer entender por meio das palavras. Ao fim e ao cabo, o texto comunica que Leandro acredita no potencial de seus leitores.

Ficha Técnica

Título: Para pensar e escrever melhor

Autor: Leandro Karnal

ISBN: 978-85-422-2629-4

192 páginas

R$54,90

Editora Planeta.

Sobre o autor | Leandro Karnal é historiador, professor, escritor, palestrante, youtuber e apresentador de TV. Doutor em História Cultural pela Universidade de São Paulo, autor best-seller dos livros “Crer ou não crer” e “O dilema do porco espinho”, ambos publicados pela Editora Planeta. É apresentador do programa CNN Brasil Tonight e colunista nos jornais O Estado de S. Paulo e Zero Hora (RS). Tornou-se um grande influenciador digital, com mais de 3,6 milhões de seguidores no Instagram e quase 1 milhão de inscritos no YouTube (Prazer, Karnal). É um dos mais requisitados palestrantes do país, além de ter sido eleito para a Academia Paulista de Letras.

Sobre a editora | Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

(Fonte: Editora Planeta)

Exposição: “As gravuristas brasileiras” na Bananal Arte e Cultura Contemporânea

São Paulo, por Kleber Patricio

Ana Calzavara, “Você pode ver em seus olhos”. Foto: Everton Ballardin.

Com curadoria de Ana Carla Soler, a exposição “Gravadas no Corpo” traz um mapeamento de gravuristas que investigam o corpo a partir da perspectiva da mulher. A mostra reúne o trabalho de 28 artistas em atividade no Brasil, que atuam no campo da gravura e de processos gráficos. Estão lá obras de Ana Calzavara, Andrea Hygino, Cleiri Cardoso, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Leya Mira Brander, Gabriela Noujaim, Natali Tubenchlak, Nara Amélia, entre outras. A exposição pode ser visitada até 21 de abril de 2024 na Bananal Arte e Cultura, na Barra Funda, em São Paulo.

O mote propulsor dessa exposição é o corpo de trabalho de Käthe Kollwitz (1867–1945), desenhista, escultora e gravadora alemã que, em um cenário entre a I e a II Guerra Mundial, teve um papel fundamental nos movimentos antiguerra. Seus trabalhos trazem figuras femininas como protagonistas dos horrores causados pelo período bélico. São mães protegendo seus filhos, mulheres enfrentando a morte cercando seus entes queridos e a fome e a miséria provenientes das crises econômicas. No Brasil, o trabalho de Kollwitz ganhou projeção nacional no início do século XX, impulsionado pela crítica especializada. Mario de Andrade, Flávio de Carvalho e Mário Pedrosa foram críticos e escritores que escreveram importantes análises sobre sua obra.

Tendo como inspiração as investigações de gravuristas mulheres sobre o corpo feminino, a exposição é dividida em três eixos. Um deles é “Onde cabe o corpo”, que traz trabalhos que questionam as relações do corpo perante a sociedade, o meio ambiente e a natureza, com obras de artistas como Natali Tubenchlak, Andrea Hygino e Marina De Bonis. Outro núcleo é “Representação ou Autorrepresentação”, que reúne trabalhos que de artistas que investigam a própria imagem a partir das artes gráficas, incluindo obras de Ana Calzarava, Gabriela Noujaim e Cleiri Cardoso. O terceiro grupo chama-se “Narrativas gravadas” e trata de obras desenvolvidas a partir de obras literárias, contos, poesias ou que tenham em sua essência a construção narrativa. Nesse grupo estão obras de Nara Amélia, Leya Mira Brander e Hully Roque, entre outras.

Julia Contreiras, “Desembaraço”. Foto: Julia Contreiras.

O projeto é resultado da pesquisa da curadora, que estuda a presença feminina na gravura nacional. “O Brasil é uma referência mundial na gravura, sendo muito conhecido internacionalmente pela produção entre as décadas de 1940 e 1970, mas que nos últimos anos tem visto nos espaços contemporâneos cada vez menos trabalhos e artistas que exploram essa linguagem. Essa mostra é uma espécie de mapeamento que visa reunir importantes nomes da gravura contemporânea em conjunto. Além disso, carrega a ambição de ampliar o conhecimento tanto do público, como também de pesquisadores, críticos, curadores e agentes do sistema da arte sobre gravadoras que têm pesquisas sólidas em gravura”, conta Ana Carla Soler.

Artistas que participam da exposição: Anabel Antinori (SP), Ana Calzavara (SP), Ana Clara Lemos (RJ), Ana Fátima Carvalho (MG), Andrea Hygino (RJ), Andrea Sobreira, Angela Biegler, Barbara Sotério, Beatriz Lira, Bruna Marassato, Camila Albuquerque, Catarina Dantas, Cleiri Cardoso, Elisa Arruda, Eneida Sanches, Gabriela Noujaim, Hully Roque, Julia Bastos, Julia Contreras, Letícia Gonçalves, Leya Mira Brander, Luciana Bertarelli, Luiza Nasser, Marina De Bonis, Nara Amélia, Natali Tubenchlak, Patricia Brandstatter.

Sobre Ana Carla Soler | Curadora e pesquisadora, graduada em Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero (2008), pós-graduada em Direção e Gestão de Marketing pela Universidade de Barcelona (2010), especialista em Marketing Digital pela ESPM (2012) e graduanda em História da Arte pela UERJ (2024). Tem sua pesquisa direcionada à presença das mulheres no ensino e sistema da arte e busca trazer reflexões sobre os apagamentos históricos, possibilidades de releituras e novas narrativas para a história e o sistema em que a produção artística está inserida. É cocriadora do projeto digital Elas Estão Aqui (e @elasestaoaquinaarte), curadora no Coletivo Artistas Latinas (@artistaslatinas) e parte do coletivo MOTIM – Mito, rito e cartografias feministas nas artes. Ministra cursos que investigam as relações entre a Arte e a Comunicação. Site: https://anacarlasoler.com/.

Serviço:

Exposição de arte “Gravadas no Corpo”

Curadoria: Ana Carla Soler

Período expositivo: até 21/4/2023

Visitação: quinta e sexta, das 12h às 18h; sábado, das 10h às 16h

Local: Bananal Arte e Cultura Contemporânea

Endereço: R. Lavradio, 237 – Barra Funda, São Paulo – SP

https://www.instagram.com/bananal.arte.

(Fonte: Escrita Comunicação)

Semana da Cultura do Chá acontece em agosto com atividades em todo o Brasil

Brasil, por Kleber Patricio

Evento reúne apaixonados pela bebida em cursos, workshops, promoções e lançamentos exclusivos em vários estados. Foto: Divulgação.

Com mercado e público em constante expansão no Brasil, o chá tem conquistado cada vez mais espaço na preferência de quem busca por um estilo de vida mais saudável e também como ingrediente na gastronomia e na mixologia. E os apaixonados por esta bebida milenar já podem se preparar, porque a Semana da Cultura do Chá no Brasil 2024 já tem data marcada: de 29 de julho a 4 de agosto.

Para o evento, estão previstas centenas de atividades, como workshops, promoções, encontros, degustações, webinários e outros, que acontecerão online e presencial em vários estados envolvendo a cultura em torno da bebida. Por designação tradicional, chá é toda bebida originada da planta Camellia sinensis, enquanto as outras plantas originam infusões. Popularmente, aqui no Brasil, é comum considerar como chá toda bebida cuja base é composta por ervas, raízes e flores diversas.

Além das atividades para consumidores finais, haverá também uma programação dedicada a empreendedores do ramo, tea blenders, gestores, proprietários de cafeterias e baristas, entre outros. Os quatro primeiros dias terão atividades online e, após, os eventos serão híbridos.

Para Yuri Hayashi, diretora da Escola de Chá Embahú e organizadora da Semana da Cultura do Chá no Brasil, esta é uma oportunidade de educar um público sedento por informações e também unificar um mercado ainda em desenvolvimento. “A primeira edição, no ano passado, nos serviu como um piloto para que pudéssemos entender qual a real demanda do Brasil. Percebemos que há um público ávido por educação em torno do chá e empresários amadurecendo seus negócios, o que eleva nosso mercado a um novo patamar atualmente”.

A iniciativa nasceu através de amantes e profissionais do chá que compõem o grupo de Empreendedorismo Ético no Mercado de Chá. Este ano, a Semana da Cultura do Chá no Brasil também conta com o apoio da AbChá (Associação Brasileira de Chá). Em 2022, a primeira edição da Semana contou com 250 empresas convidadas, cerca de 400 atividades e mais de 2.600 participantes, com apoio de embaixadas internacionais.

Chá é tendência de consumo e mercado

Dados da pesquisa da Euromonitor International (qgosto/2021) indicam que o consumo de chá e infusões no Brasil cresceu 25% entre 2013 e 2020, quase o dobro da média mundial, de 13%, comprovando o vasto interesse dos brasileiros pela bebida e um mercado promissor.

Já a Associação Brasileira de Chá (AbChá), apoiadora do evento, abraça atualmente mais de 100 empresas dedicadas ao produto, incluindo produtores de chá nacionais localizados no Vale do Ribeira, polo brasileiro importante no cultivo da Camellia sinensis.

Serviço:

Semana da Cultura do Chá no Brasil 2024

de 29 de julho a 4 de agosto

Para saber mais e acompanhar a programação: www.semanadocha.com.br e www.instagram.com/semanadocha.

(Fonte: ESC Conteúdo)

[Artigo] A alimentação e a economia circular, por Edson Grandisoli

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

Você já se perguntou de onde vem a comida que vai parar no seu prato? Se aquilo que você come vem de perto ou não? Se é mesmo saudável ou fresco? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os alimentos in natura ou minimamente processados são a base ideal de uma alimentação adequada. Eles são obtidos diretamente de plantas ou animais, com o mínimo ou nenhum tipo de processamento.

Ao sairmos em busca desses ingredientes nas compras, nossa preocupação deve se estender para além do sabor e da qualidade. Ponderamos o preço dos produtos, a distância até o local de compra, o tempo de deslocamento, o que engloba a emissão de carbono neste transporte e diversos outros fatores que fazem parte da equação de um consumo mais sustentável. Estes são somente alguns dos muitos aspectos que nos possibilitam pensar a relação entre alimentação e Economia Circular.

Ao falarmos sobre economia circular na alimentação, não podemos deixar de mencionar a importância de reduzir o desperdício e repensar o ciclo de vida dos alimentos. Isso inclui a maneira como lidamos com resíduos e embalagens. A busca por alimentos não embalados ou que utilizem embalagens sustentáveis, em conjunto com a redução do desperdício, são elementos-chave desta equação.

Ao olharmos para o nosso prato de comida, todos os dias, devemos celebrar. Ele é resultado do trabalho de dezenas, centenas de pessoas em parceria com o ambiente. Conhecer cada melhor toda essa cadeia, da produção ao eventual descarte, deve nos fazer refletir sobre questões éticas relacionadas à disponibilidade, ao acesso e, ao mesmo tempo, a todo o desperdício que ainda existe.

Afinal, a circularidade não se limita apenas à produção de alimentos, mas também ao que fazemos com as sobras de comida e embalagens após o consumo. A adoção de práticas de “lixo zero” em nossas casas e o apoio a iniciativas de reciclagem e reutilização de embalagens contribuem significativamente para a construção de uma economia mais circular e sustentável.

Podemos e devemos fazer melhores escolhas todos os dias. É um aprendizado permanente na direção de zerar a quantidade de resíduos que produzimos e garantir acesso a alimentação saudável e de qualidade para todos. Ou seja, uma alimentação circular enquanto garantia de qualidade ambiental e direito humano.

Edson Grandisoli é embaixador e coordenador pedagógico do Movimento Circular, Mestre em Ecologia, Doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP), Pós-Doutor pelo Programa Cidades Globais (IEA-USP) e especialista em Economia Circular pela UNSCC da ONU. É também coidealizador do Movimento Escolas pelo Clima, pesquisador na área de Educação e editor adjunto da Revista Ambiente & Sociedade.

(Fonte: Betini Comunicação)

Inclusão do Autismo ainda é entrave no mundo do trabalho

São Paulo, por Kleber Patricio

As leis garantem a inserção de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho, mas mesmo com a pauta de diversidade tão amplamente disseminada entre as empresas, este tem sido um grande desafio. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que 85% dos profissionais com autismo estão fora do mercado de trabalho. Além do preconceito, há a dificuldade dos gestores de identificar talentos e de adaptar tanto o ambiente de trabalho quanto treinar as equipes para acolherem os profissionais com TEA.

“A empresa precisa priorizar a pluralidade, mas ainda estamos muito longe de alcançar a inclusão de pessoas neurodivergentes. Seja no ambiente corporativo ou no escolar, é necessário desenvolver estruturas e ferramentas, além de contar com uma cultura de acolhimento social adequada para que isso ocorra”, afirma Valmir de Souza, COO da Biomob, startup especializada em consultoria e soluções de acessibilidade.

Ele lembra que é comum no ambiente de trabalho que a equipe subestime a capacidade e aptidão de pessoas com deficiência, o que é traduzido pelo capacitismo. “O debate sobre o descumprimento da legislação que garante o direito e participação plena da pessoa com deficiência na sociedade ainda é pobre e isso se dá muito por conta do capacitismo, que acontece quando a deficiência é posta acima da pessoa. Ele é traduzido por situações como um olhar de pena, uma pergunta invasiva ou uma tentativa de elogio e manifesta preconceito no dia a dia”, ressalta.

O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo é celebrado em 2 de abril e foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para difundir informações para a população sobre o transtorno para reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas. As pessoas diagnosticadas com TEA exibem condições caracterizadas por algum grau de dificuldade com comunicação e interação social, além de padrões atípicos de atividades e comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.

Tais traços se manifestam de diferentes maneiras, em diferentes graus e podem representar ganhos às organizações quando bem direcionados. Uma das características dos profissionais com TEA é o hiperfoco, que faz com que sejam mais detalhistas e analíticos, habilidades que são de extremo valor para áreas como TI, por exemplo. Além disso, são mais produtivos quando contam com rotina e um bom planejamento. “É preciso desmistificar uma série de estereótipos quando falamos de contratar uma pessoa autista. O alto escalão da empresa deve se envolver na questão para entender o perfil do profissional e atribuir funções que estejam relacionadas às suas habilidades pessoais e ao seu foco de interesse. Dentro desta visão, todos tendem a ganhar”, afirma o especialista em governança corporativa, Roberto Gonzalez.

A analista de P&D da Otimiza, Jessica Costa, que participa do projeto Otimiza Neuro Pixel, voltado para apoiar empresas na identificação e diagnóstico de neurodivergências em colaboradores não-diagnosticados por meio de IA, explica que pessoas com autismo grau 2 e 3 de suporte tendem a ter mais dificuldades na fala (geralmente são não-verbais) e nas habilidades sociais. “Ser não-verbal não o impede de saber se comunicar. Com as tecnologias atuais, existe uma ampla rede de instrumentos que podem auxiliar na comunicação alternativa como pranchas e o iPad. O que acontece muito é que pessoas TEA 2 e 3 ingressam no mercado de trabalho em empregos mais mecânicos, não descartando a possibilidade de sua inserção em outras áreas”, observa ao ressaltar que as terapias precoces na infância ajudam no desenvolvimento e preparo dos futuros profissionais.

Para atrair e reter talentos com TEA, o gestor deve definir as atividades de forma objetiva, com padrões claros e sem mudanças bruscas. Além disso, é preciso ter cuidado com o ambiente de trabalho, que idealmente precisa ser livre de ruídos, cores e texturas. “Além de cuidar do ambiente físico para que seja leve, é importante dar mentoria a esses profissionais e atuar na sua integração com a equipe, que deve receber treinamento para lidar com a pessoa com TEA. Neste sentido, os colaboradores precisam evitar utilizar figuras de linguagem e ironias, por exemplo, já que há uma dificuldade de entender colocações assim”, explica Valmir de Souza.

Inclusão por lei

A lei 12.764 de 27 de dezembro de 2012 (conhecida como lei Berenice Piana) instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa TEA. Sua inserção no mercado de trabalho também é garantida pela lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (lei 8.213/91). A legislação determina as proporções para empregar pessoas com deficiência, que variam de acordo com a quantidade de funcionários (de 100 a 200 empregados, a reserva legal é de 2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 1.000, de 4%).

As empresas com mais de 1.001 empregados devem reservar 5% das vagas para esse grupo e a contratação de empregados com TEA é opcional àquelas empresas que possuem quadros com menos de 100 colaboradores. As multas para instituições que descumprirem a legislação podem chegar a R$228 mil.

Estatísticas conservadoras

Existem cerca de 70 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). As estimativas oficiais dão conta que o transtorno está presente em 2 milhões de brasileiros. As estatísticas, porém, podem ser conservadoras, pois muitos não recebem o diagnóstico correto na infância e atingem a vida adulta sem saber que tem TEA.

Alguns estudos dão conta que o número de brasileiros com transtorno pode ser até o triplo das estimativas oficiais. O último relatório do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), denominado Relatório Comunitário de 2023 sobre Autismo, retrata que 1 a cada 36 crianças aos 8 anos de idade é diagnosticada com TEA nos Estados Unidos. Se a estatística for extrapolada para a população brasileira, o número pode chegar a quase 6 milhões de pessoas. No Censo Demográfico 2022 o tema foi incluído pela primeira vez, mas os resultados ainda não foram divulgados pelo IBGE.

Neurodiversidade alavanca resultados

O relatório “A diversidade vence: como a inclusão é importante”, produzido pela McKinsey em 2020, demonstra que as equipes neurodivergentes superam as homogêneas em 36%, em termos de rentabilidade. “Integrar profissionais neurodivergentes é uma forma de trazer novas visões, inovações e alavancar o negócio”, ressalta o CEO da Otimiza Benefícios, Anderson Belem.

Diagnosticado com TDAH e Altas Habilidades/SD Criativo Produtivo apenas aos 40 anos, Belem sentiu na pele o que é ser diferente. “Trilhei um caminho repleto de mal-entendidos e oportunidades perdidas até a fundação da minha empresa, que nasceu justamente dessa visão diferenciada das coisas e levou à reengenharia no modelo de benefício do vale-transporte, poupando milhões de recursos que eram desperdiçados anualmente”, conta.

Atualmente, aproximadamente 15% da população mundial é classificada como neurodivergente. São pessoas que, em situações específicas, respondem de forma diferente daquilo que seria esperado, o que pode provocar até mesmo dificuldades de adaptação. Como exemplo, temos dislexia, TEA, TDAH e síndrome de Tourette. “É preciso desmistificar a neurodivergência no mercado de trabalho e apresentar os benefícios da pluralidade e diversidade acima de tudo. A verdadeira superação reside em aceitar nossas singularidades e entender que a inovação nasce da diversidade”, defende Belem.

(Fonte: Compliance Comunicação)