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Osesp recebe pianista Tom Borrow para tocar três concertos de Beethoven

São Paulo, por Kleber Patricio

Osesp na Sala São Paulo. Foto: Mario Daloia.

O ano de 2024 marca as celebrações dos 70 anos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp, além dos 30 anos de atividades do Coro da Osesp e dos 25 anos da Sala São Paulo – a casa da Osesp, dos Coros e de seus Programas Educacionais, inaugurada em 1999 no edifício onde antes funcionava a Estrada de Ferro Sorocabana.

Entre quinta-feira (9/mai) e sábado (11/mai), a Osesp recebe o jovem pianista israelense Tom Borrow, que será o solista no Concerto para piano nº 1 de Beethoven. Como Artista em Residência da Temporada Osesp 2024, Borrow interpreta, nas duas próximas semanas, o segundo e o terceiro Concertos para piano do mestre alemão.

Regido pelo Diretor Musical e Regente Titular da Orquestra, Thierry Fischer, o repertório desta semana trará, ainda, três obras que de alguma maneira retratam o continente americano: ‘Central Park in the dark’, de Charles Ives; ‘Uirapuru’, de Heitor Villa-Lobos; e ‘Amériques’, de Edgard Varèse. Parte da nova série Osesp Duas e Trinta, a apresentação de sexta-feira (10) acontece às 14h30 com transmissão ao vivo no YouTube da Osesp. E, no domingo (12), às 18h, Borrow realiza um recital na Sala São Paulo com a participação de quatro músicos da Orquestra. Será apresentada uma seleção das peças líricas de Edvard Grieg e o Quinteto para piano e cordas nº 2 de Antonín Dvorák.

Sobre o programa

Osesp e Thierry Fischer em concerto na Sala São Paulo. Foto: Laura Manfredini.

Considerada uma das obras mais ousadas do norte-americano Charles Ives (1874–1954), ‘Central Park in the dark’ foi composta em 1906, mas estreada apenas em 1946. É marcada por um radicalismo modernista, em uma tentativa de criação de uma ‘música nacional’ americana. No lugar das sublimes montanhas e florestas cantadas pelo Romantismo (acompanhadas eventualmente pelas águas e nuvens do Impressionismo francês da mesma época), a obra de Ives busca dar concretude à ideia de um complexo ‘quadro sonoro’, no qual a natureza, como no famoso parque de Nova York, está rodeada pelo caos da metrópole.

O Concerto para piano nº 1 em Dó maior, de Ludwig van Beethoven (1770–1827) — que, na verdade, foi o terceiro composto por ele — foi o escolhido para a sua estreia em Viena. Beethoven o considerava uma obra de maior brilho, capaz de impressionar o público. Posteriormente, o compositor pediu indulgência aos críticos, para os seus dois primeiros concertos, declarando que “eles não pertenciam ainda aos [seus] melhores [exemplares] do gênero”, considerando-os “já ultrapassados”.

A melodia básica de um pequeno pássaro de plumagem colorida da Amazônia serviu de inspiração a Villa-Lobos para compor uma de suas mais conhecidas obras: Uirapuru, o pássaro encantado, bailado brasileiro, desenvolvida a partir do poema sinfônico ‘Tédio de Alvorada’, sobre uma paisagem, composto entre 1916 e 1917. Anos mais tarde, o famoso coreógrafo Serge Lifar, em turnê pela América do Sul, apresenta um balé sobre o ‘Choros nº 10 — Rasga o coração’ do compositor brasileiro, baseado na lenda indígena do Jurupari. Para retribuir a gentileza, Villa-Lobos decide reaproveitar temas e motivos da obra anterior, completando em 1934 a partitura final de Uirapuru, que estrearia no ano seguinte no Teatro Colón de Buenos Aires, por ocasião de uma visita de Getúlio Vargas à capital argentina.

A Sala São Paulo. Foto: Mariana Garcia.

Presente na escandalosa estreia da ‘Sagração da Primavera’, Varèse acabou chocando seus antigos mestres europeus, reconfigurando o Impressionismo de Debussy, a ironia de Satie, o virtuosismo de Busoni e a riqueza rítmica de Stravinsky, com o objetivo de traduzir em música o vigor da modernidade americana. Apesar da evidente intenção mimética, ‘Amériques’ deveria ir além da mera referência programática, adquirindo um significado simbólico ao expressar um ‘estado de alma’ propriamente ‘americano’. A obra seria, nas palavras do compositor, “uma meditação, a impressão de um estrangeiro que se interroga sobre as possibilidades extraordinárias de nossa nova civilização”.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp | A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp é um dos grupos sinfônicos mais expressivos da América Latina. Com 13 turnês internacionais e quatro turnês nacionais realizadas, mais de uma centena de álbuns gravados e uma média de 120 apresentações por temporada, a Osesp vem alterando a paisagem musical do país e pavimentando uma sólida trajetória dentro e fora do Brasil, obtendo o reconhecimento de revistas especializadas como Gramophone e Diapason, e relevantes prêmios, como o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Clássica de 2007. A Orquestra se destacou ao participar de três dos mais importantes festivais de verão europeus, em 2016, ao se tornar a primeira orquestra profissional latino-americana a se apresentar em turnê pela China, em 2019, e ao estrear em 2022, no Carnegie Hall, em Nova York, apresentando um concerto na série oficial de assinatura da casa e o elogiado espetáculo Floresta Villa-Lobos. Desde 2020, Thierry Fischer ocupa os cargos de Diretor Musical e Regente Titular, antes ocupados por Marin Alsop (2012-19), Yan Pascal Tortelier (2010-11), John Neschling (1997-2009), Eleazar de Carvalho (1973-96), Bruno Roccella (1963-67) e Souza Lima (1953). Mais que uma orquestra, a Osesp é também uma iniciativa cultural original e tentacular que abrange diversos corpos artísticos e projetos sociais e de formação, como os Coros Sinfônico, Juvenil e Infantil, a Academia de Música, o Selo Digital, a Editora da Osesp e o Descubra a Orquestra. Fundada oficialmente em 1954, a Orquestra passou por radical reestruturação entre 1997 e 1999 e, desde 2005, é gerida pela Fundação Osesp.

Thierry Fischer | Desde 2020, Thierry Fischer é diretor musical da Osesp, cargo que também assumiu em setembro de 2022 na Orquestra Sinfônica de Castilla y León, na Espanha. De 2009 a junho de 2023, atuou como diretor artístico da Sinfônica de Utah, da qual se tornou diretor artístico emérito. Foi principal regente convidado da Filarmônica de Seul [2017-20] e regente titular (agora convidado honorário) da Filarmônica de Nagoya [2008-11]. Já regeu orquestras como a Royal Philharmonic, a Filarmônica de Londres, as Sinfônicas da BBC, de Boston e Cincinnatti e a Orchestre de la Suisse Romande. Também esteve à frente de grupos como a Orquestra de Câmara da Europa, a London Sinfonietta e o Ensemble Intercontemporain. Thierry Fischer iniciou a carreira como Primeira Flauta em Hamburgo e na Ópera de Zurique. Gravou com a Sinfônica de Utah, pelo selo Hyperion, Des Canyons aux Étoiles [Dos cânions às estrelas], de Olivier Messiaen, selecionado pelo prêmio Gramophone 2023, na categoria orquestral. Na Temporada 2024, embarca junto à Osesp para uma turnê internacional em comemoração aos 70 anos da Orquestra.

Tom Borrow. Foto: Tal Givony.

Tom Borrow | Nascido em Tel Aviv, em 2000, Tom Borrow iniciou seus estudos no Conservatório de Música de Givatayim e na Escola de Música Buchmann-Mehta, frequentando ainda o Centro de Música de Jerusalém. Recebeu aclamação do público e da crítica após ser chamado com apenas 36 horas de antecedência para substituir a renomada pianista Khatia Buniatishvili em uma série de 12 concertos com a Filarmônica de Israel, em 2019. Em 2021, após estreia muito elogiada junto à Orquestra de Cleveland, a Musical America o indicou como “Novo Artista do Mês”. Nomeado Artista da Nova Geração da BBC, apresenta-se no regularmente no Wigmore Hall. Estreou em 2022 na BBC Proms, no Royal Albert Hall. Dentre suas distinções, destacam-se o Prêmio Terence Judd-Hallé Orchestra [2023], o Concurso de Jovens Artistas da Rádio Israelense e da Sinfônica de Jerusalém, além do prêmio “Maurice M. Clairmont” [2018], concedido pela America-Israel Cultural Foundation e pela Universidade de Tel Aviv. Seus compromissos recentes incluem a Orquestra de Cleveland, as Sinfônicas Nacional Dinarmaquesa, de Milão, de Baltimore, de Atlanta, de St. Louis e da BBC, as Filarmônicas Tcheca e de Londres, além das orquestras do Konzerthaus de Berlim e de Viena e a própria Osesp.

PROGRAMA

PARA OUVIR AS AMÉRICAS

ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO

THIERRY FISCHER REGENTE

TOM BORROW PIANO

Charles IVES | Central Park in the dark [Central Park no escuro]

Ludwig Van BEETHOVEN | Concerto para piano nº 1 em Dó maior, Op. 15

Heitor VILLA-LOBOS | Uirapuru

Edgard VARÈSE | Amériques [Américas]

TOM BORROW CONVIDA MÚSICOS DA OSESP

TOM BORROW PIANO

E MÚSICOS DA OSESP

EMMANUELE BALDINI VIOLINO

SUNG EUN CHO VIOLINO

SARAH PIRES VIOLA

JIN JOO DOOH VIOLONCELO

Edvard GRIEG | Peças líricas: Seleção

Antonín DVORÁK | Quinteto para piano e cordas nº 2 em Lá maior, Op. 81.

Serviço:

9 de maio, quinta-feira, às 20h30

10 de maio, sexta-feira, às 14h30 [Osesp Duas e Trinta] – Concerto Digital

11 de maio, sábado, às 16h30

12 de maio, domingo, às 18h00 [Recital]

Endereço: Sala São Paulo | Praça Júlio Prestes, 16

Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares

Recomendação etária: 7 anos

Ingressos: Entre R$39,60 e R$271,00 [Osesp] e entre R$39,60 e R$143,00 [Recital] (Valores inteiros)

Bilheteria (INTI)

(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h

Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners

Estacionamento: R$28,00 (noturno e sábado à tarde) e R$16,00 (sábado e domingo de manhã) | 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos

*Estudantes, pessoas acima dos 60 anos, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade de 15 a 29 anos, pessoas com deficiências e um acompanhante e servidores da educação (servidores do quadro de apoio – funcionários da secretaria e operacionais – e especialistas da Educação – coordenadores pedagógicos, diretores e supervisores – da rede pública, estadual e municipal) têm desconto de 50% nos ingressos para os concertos da Temporada Osesp na Sala São Paulo, mediante comprovação.

A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

(Fonte: Fundação Osesp)

Agricultura familiar no Brasil: importância e perspectivas futuras para seu fortalecimento

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Foto: Emanuel da Silva Cavalcanti/Embrapa Amapá.

Por Andréia Vigolo Lourenço e Catia Grisa — Há dez anos, durante uma Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), 2014 era eleito o Ano Internacional da Agricultura Familiar. A data marcou politicamente o debate internacional que reconhece a importância dessa categoria social para a geração de emprego e renda nas áreas rurais, a gestão dos recursos naturais, a produção de alimentos e a garantia da segurança e soberania alimentar dos países.

No Brasil, o reconhecimento político da agricultura familiar ocorreu antes. A Lei nº 11.326, de 2006, atende à demanda de diversos movimentos sociais do campo por políticas públicas que fossem além de considerar a existência desse grupo social. Eles reivindicaram a implementação de ações que vão da previdência e direitos sociais à reforma agrária de acordo com as particularidades de seus modos de vida, de organização e de produção.

O último recenseamento agropecuário, realizado em 2017 pelo IBGE, evidencia a importância das unidades familiares de produção em termos não apenas de participação na produção de alimentos, mas também na abertura de postos de trabalho. Só para se ter uma ideia, 77% de todos os estabelecimentos no Brasil se enquadram nessa categoria, empregando mais de dez milhões de pessoas. Isso corresponde a 67% de todo o pessoal ocupado no campo.

Além disso, embora ocupe apenas 23% da área total da agropecuária, naquele ano a agricultura familiar participou com 84% da produção de fava no país, 70% de mandioca, 64% de leite de vaca, 51% de suínos, 46% de aves, além de 58% de abóbora e da cebola. Na produção de frutos, participou com 67% do volume total de abacaxi, 79% da uva para processamento, 73% do maracujá e 68% do pêssego. Sem contar os produtos regionais, como açaí (79% do volume produzido), jambo (88%), guaraná (74%), erva-mate (69%), cupuaçu e caju (ambos com 66%), que possuem enorme relevância para a preservação da diversidade alimentar e cultural do nosso país.

Portanto, ao construirmos ações que favorecem a melhoria da qualidade de vida e das condições produtivas da agricultura familiar, contribuímos para a o fortalecimento da produção e oferta de alimentos, a geração de emprego e renda no campo e para uma melhor gestão dos recursos ambientais do Brasil.

Nesses quase vinte anos, ocorreram conquistas em termos de inserção em mercados, acesso a insumos, crédito e financiamento, pesquisa, assistência técnica e organização social. Entretanto, a agricultura familiar ainda enfrenta desafios como o envelhecimento da população rural, dificuldades de acesso à terra, violência no campo, condições de trabalho inadequadas, problemas ambientais e de saúde pública.

O enfrentamento desses desafios ganha destaque em nível internacional. Em 2019, por exemplo, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lança a Década da Agricultura Familiar 2019 – 2028 para articular ações que contribuam, principalmente, na luta contra a fome e a pobreza.

Estamos na metade da Década e, buscando fortalecer esse debate, nos dias 7 e 8 de maio de 2024 acontece, em Porto Alegre (RS), o Seminário Internacional sobre Agricultura Familiar, aberto à participação de organizações. As perspectivas futuras para a agricultura familiar emergem com novas questões a serem respondidas: pensar políticas que valorizem as características potenciais da agricultura familiar, associadas a instrumentos que contribuam para mitigação das mudanças climáticas e transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

Sobre as autoras:

Andréia Vigolo Lourenço – Pesquisadora de Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS/UFRGS) e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agricultura Alimentação e Desenvolvimento (GEPAD)

Catia Grisa – professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadora do GEPAD e da Rede Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural na América Latina e Caribe (Rede PP-AL).

(Fonte: Agência Bori – Os artigos de opinião publicados não refletem, necessariamente, a opinião do site Kleber Patricio Online)

Novo programa do CNPq pode atrair quem está no início de carreira fora do país, mas diáspora não é homogênea

Brasil, por Kleber Patricio

Programa “Conhecimento Brasil” do CNPq prevê 800 milhões para repatriação de pesquisadores, além de financiar cooperação entre cientistas atuantes no país e no exterior. Foto: USP Imagens.

Por Ana Maria Carneiro, Ana Maria Gimenez, Elizabeth Balbachevsky, Leonardo de Azevedo e Vinícius Ferreira — Nas últimas semanas, o programa ‘Conhecimento Brasil’, apresentado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tem sido intensamente debatido pela comunidade científica. Gostaríamos de acrescentar pontos ao debate a partir de dados de uma pesquisa de 2023 com 1200 pesquisadores da diáspora científica brasileira, vivendo em 42 países diferentes.

Além da ‘repatriação de pesquisadores’, com maior visibilidade pela alocação de recursos (cerca de 800 milhões do 1 bilhão de reais do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT – para um período de 5 anos), o programa prevê recursos para a mobilização de membros da diáspora brasileira para atuar no país de forma temporária e para projetos de cooperação entre pesquisadores no Brasil e brasileiros no exterior. Nesse sentido, ele pode representar um passo importante na ressignificação da diáspora científica brasileira, alinhada a uma nova perspectiva sobre a circulação de cientistas para além das fronteiras nacionais, ultrapassando a visão limitada da ‘fuga de cérebros’.

Nosso survey apontou que não existe uma única diáspora científica brasileira no exterior, o que é importante para analisar a efetividade do programa. Além disso, mais de 70% dos participantes não têm uma previsão de retorno ao Brasil, especialmente sem oportunidades de emprego, mas se mostram dispostos a colaborar com a ciência nacional apontando sugestões de políticas em três grandes eixos.

Para pesquisadores que desejam retornar ao Brasil, especialmente em início de carreira: carreiras acadêmicas mais atrativas, com melhor remuneração e maior oferta de vagas. Para esse grupo, a repatriação do programa do CNPq parece atender às expectativas.

Para promover colaboração entre os membros da diáspora e o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil: oportunidades de vínculo temporário ou dupla filiação institucional no país e no exterior; fomento para ações de mobilidade e cooperação entre a diáspora e pesquisadores no Brasil. Muitos desses brasileiros têm acesso a diferentes recursos no exterior, que podem beneficiar a CT&I brasileira. Para eles, dificilmente o componente de retorno ao país do programa irá interessar.

Dinamização do ambiente brasileiro, com mudanças que beneficiariam pesquisadores no exterior e no Brasil, como: ampliação de oportunidades de financiamento à pesquisa, apoio a projetos multicêntricos para parcerias de longa duração; planos de carreira mais flexíveis e aumento do número e do valor das bolsas.

Tais propostas, longe de aderir ou rechaçar imediatamente o programa ‘Conhecimento Brasil’, mostram que a situação é mais complexa do que parece. Mas um ponto importante a se destacar é que ele privilegia quem está fora do Brasil, com mais recursos e condições diferenciadas de financiamento. Além de não atacar o cerne da razão da saída de cientistas do país – falta de oportunidades e de condições mais favoráveis para se fazer ciência – também desconsidera que a circulação de pessoas é um fato incontornável do mundo contemporâneo, sobretudo no campo científico.

Especialistas afirmam que as políticas para a diáspora não serão efetivas se não fizerem parte de um conjunto mais amplo de políticas para o desenvolvimento científico, tecnológico, social e cultural de cada país. É essencial, portanto, fomentar um ambiente doméstico mais favorável à ciência, tornando-o mais convidativo, tanto para os que já atuam por aqui, quanto para os que porventura desejem atuar.

Sobre os autores:

Ana Maria Carneiro é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Ana Maria Nunes Gimenez é pesquisadora do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT/IG/Unicamp) e INCT-PPED

Elizabeth Balbachevsky é pesquisadora do Departamento de Ciência Política, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP)

Leonardo Francisco de Azevedo é pesquisador do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Vinicius Kauê Ferreira é pesquisador do Departamento de Ciências Sociais, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

(Fonte: Agência Bori)

Walter Lima Jr. é tema da mostra “Em cima da terra, embaixo do céu – Os cinemas de Walter Lima Jr.”, na CAIXA Cultural Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Walter Lima Jr. em foto de Lally Zwetzch.

Um dos mais importantes cineastas brasileiros, Walter Lima Jr., 85 anos de vida e 60 de carreira, segue em atividade. Para comemorar essa longa trajetória, ele recebe a retrospectiva ‘Em cima da terra, embaixo do céu – Os cinemas de Walter Lima Jr.’, na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, de 30 de abril a 19 de maio de 2024. Serão exibidos documentários, curtas, médias e longas-metragens, além de debate e oficina com o homenageado, curso com o diretor de fotografia Pedro Farkas e bate-papos. O evento, que conta com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, será gratuito com retirada de senhas 30 minutos antes de cada exibição e atividade programada. A programação está em https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/Programacao.aspx?idEvento=1614.

Apaixonado por cinema desde a infância, o cineasta brasileiro passeou por diferentes gêneros, formatos e temas ao longo de seus 60 anos de carreira – iniciados oficialmente a partir do convite de Glauber Rocha para assumir a assistência de direção no filme ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, em 1963. A partir de então, Walter avançaria em filmografia própria.

A mostra ‘Em Cima da Terra, Embaixo do Céu – Os Cinemas de Walter Lima Jr.’ busca celebrar, em vida, a trajetória premiada do cineasta, que se diz contente em ter uma retrospectiva desta grandeza. “Fiz os filmes para as pessoas se sentirem parte daquilo e para trazer cultura, conhecimento. Isso comprova que fiz a minha parte. A mostra traz um conjunto de filmes e é bom ver este enfoque para poder fazer uma avaliação da obra em si. É uma panorâmica intensa, variada, de vários caminhos, várias direções”, avalia o diretor.

Foto: Divulgação.

A obra de Walter Lima Jr. vibra em brasilidade. Já em seu primeiro longa-metragem, ‘Menino de Engenho’ (1965), adapta a escrita de José Lins do Rego celebrando a beleza rural com ecos do pioneiro (e ídolo) Humberto Mauro. Passeia pelo Carnaval de rua em ‘A Lira do Delírio’ (1978), abraça lendas folclóricas em ‘Ele, o Boto’ (1987), revisita o passado histórico do país com ‘Inocência’ (1983), ‘Chico Rei’ (1985), ‘Através da Sombra’ (2015), celebra a Bossa Nova com ‘Os Desafinados’ (2008).

A curadoria, composta pelos realizadores Gregory Baltz e Kaio Caiazzo, coloca uma lupa em seus filmes, dos mais aclamados às obras menos conhecidas. É o caso, por exemplo, do documentário de média-metragem que dá nome à mostra. ‘Em Cima da Terra, Embaixo do Céu’ é um filme de 40 minutos feito em 1982 sobre os limites da solidariedade em comunidades pobres do Rio e de Curitiba – obra desconhecida do grande público e parte do acervo de Walter. A Mostra será a oportunidade de revisitar em tela grande obras marcantes e ‘desaparecidas’ como ‘Brasil Ano 2000’ (1968), ‘Na Boca da Noite’ (1970), ‘Joana Angélica’ (1979) e ‘Uma Casa para Pelé’ (1992).

“Muitos dos filmes não estavam disponíveis em streamings ou mesmo em DVDs. Redescobrir a obra de Walter e celebrar isso em vida ficou sendo a nossa missão”, ressalta Kaio.

Walter Lima Jr. é um dos diretores mais premiados do Brasil. Urso de Prata no Festival de Berlim por ‘Brasil Ano 2000’, Prêmio Cinema D’Avennire no Festival de Veneza por ‘A Ostra e o Vento’, Prêmio Air France e Festival de Havana por ‘Inocência’, e muitos outros do circuito brasileiro.

Foto: Divulgação.

O homenageado conta que cada projeto tem sua importância. “O momento mais feliz foi quando vi meu primeiro filme pronto, por exemplo. E gosto muito de um filme, particularmente, ‘Os Desafinados’, que é um testemunho de vida. Vivi aquelas coisas que estão sendo contadas no filme. Mas também tem ‘A Lira em delírio’, ‘Inocência’. Posso dizer que me sinto muito próximo dos filmes que fiz. E os filmes dizem isso: os ciclos da vida, encontros e desencontros”, diz.

“Foram muitos os diretores cultuados que só conseguiam agradar aos prêmios e festivais. Também muitos os nomes que conseguiam encher as salas, porém esnobados pela crítica. Walter está no centro: seu cinema tem a proeza de equilibrar os dois lados num saldo mais que positivo”, ressalta Gregory Baltz.

Atividades paralelas

A mostra conta com atividades extras gratuitas (com retirada de ingressos a partir de 30 minutos antes de cada sessão e atividade programada), a saber:

Bate-papos na CAIXA Cultural

10 de maio – Encontro com os atores Othon Bastos e Antônio Pitanga, logo após a exibição de ‘Chico Rei’

11 de maio – Encontro com a atriz e produtora Virginia Cavendish, logo após a exibição de ‘Através da Sombra’

15 de maio – Encontro com o cineasta Walter Lima Jr, logo após a exibição de ‘Ele, o boto’

Sessão com Interpretação em Libras

14 de maio, 15h30, ‘A Ostra e o Vento’

A interpretação em Libras estará inserida diretamente no filme.

Curso ‘A fotografia no cinema de Walter Lima Jr’, com Pedro Farkas – 18 de maio – 13h30

2h de duração

Distribuição de senhas 30 minutos antes, direto na bilheteria da CAIXA Cultural. Vagas limitadas. Sujeito a lotação da sala.

No curso, Pedro Farkas falará sobre sua experiência ao fotografar os filmes de Walter Lima Jr. ao longo de 40 anos de parceria. Filmes como ‘Inocência’, a primeira parceria dos dois, e obras mais recentes como ‘Os Desafinados’ e ‘Através da Sombra’, serão analisadas pelo fotógrafo.

Sinopses e classificação indicativa

Menino de Engenho (1965) – 110 min (Livre)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Sávio Rolim, Geraldo del Rey, Rodolfo Arena, Anecy Rocha, Maria Lucia Dahl, Antônio Pitanga e outros.

Sinopse: Na Paraíba da década de 1920, um menino é enviado para morar com alguns parentes em uma plantação de cana de açúcar após perder a mãe. Sua adaptação acaba sendo difícil e dolorosa.

Brasil Ano 2000 (1969) – 95 min (18 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Anecy Rocha, Ênio Gonçalves, Hélio Fernando, Iracema de Alencar, Zbigniew Ziembinski, Raul Cortez, Manfredo Colasanti e outros.

Sinopse: Uma mãe e dois filhos caminham por uma estrada rumo ao norte do Brasil e pegam carona com um caminhoneiro até uma cidade desconhecida. Ao chegarem na cidade, conhecem um pesquisador que lhes propõe se passarem por índios. No povoado, os habitantes se preparam para a chegada do general que vai inaugurar uma base de foguetes.

Na Boca da Noite (1971) – 68 min (18 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Rubens Corrêa, Ivan de Albuquerque, Anecy Rocha, Roberto Bonfim, Marília Carneiro e outros.

Sinopse: Um bancário resolve assaltar o banco onde trabalha como uma forma de reparar a sua juventude perdida. Na noite da execução do crime, ele encontra um faxineiro com quem estabelece uma relação tensa que mudará tudo.

Conversa com Cascudo (1977) – 30 min (Livre)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Luís da Câmara Cascudo

Sinopse: O etnólogo e folclorista Luís da Câmara Cascudo surpreendido em seu cotidiano –junto à família e aos amigos, cercado do canto dos pássaros e dos objetos de estimação que colecionou – fala dos primórdios de sua carreira e de como se interessou pelas pesquisas folclóricas.

A Lira do Delírio (1978) – 105 min (16 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Anecy Rocha, Cláudio Marzo, Paulo César Pereio, Antonio Pedro, Tonico Pereira e outros.

Sinopse: No intervalo entre dois carnavais de um bloco de Niterói, Ness Elliot se envolve com um rico e ciumento amante. Para submetê-la à sua vontade, ele tenta os mais diversos artifícios, como a tentativa de transformá-la em uma traficante e o sequestro de seu bebê. Desesperada, ela procura ajuda de antigos companheiros do bloco carnavalesco Lira do Delírio.

Joana Angélica (1979) – 58 min (10 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Maria Fernanda, Walmor Chagas, Bemvindo Sequeira, Harildo Deda, Sonia dos Humildes e outros.

Sinopse: A história da religiosa concepcionista baiana, nascida no Brasil colônia, que morreu defendendo o Convento da Lapa em Salvador (Bahia) contra soldados portugueses.

Em Cima da Terra, Embaixo do Céu (1981) – 41 min (10 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Sinopse: Nas favelas do Rio de Janeiro e nas regiões periféricas de Curitiba (Paraná), a câmera acompanha o esforço dos grupamentos mais pobres da população para criar soluções espontâneas de habitação.

Inocência (1983) – 118 min (12 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Fernanda Torres, Edson Celulari, Sebastião Vasconcelos, Ricardo Zambelli, Fernando Torres, Chica Xavier e outros.

Sinopse: No século XIX, uma garota do interior é seduzida por um jovem médico que está tratando-a e também está hospedado em sua casa por alguns dias. Ela tenta esconder o romance proibido de seu pai que desaprova o relacionamento.

Chico Rei (1985) – 115 min (16 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Severino d’Acelino, Antonio Pitanga, Othon Bastos, Cláudio Marzo, Cosme dos Santos, Carlos Kroeber e outros.

Sinopse: Em meados do século XVIII, Galanga, rei do Congo, é aprisionado e vendido como escravo. Trazido da África num navio negreiro, recebe o nome de Chico Rei e vai trabalhar nas minas de ouro de um desafeto do governador de Vila Rica. Escondendo pepitas no corpo e nos cabelos, Galanga habilita-se a comprar sua alforria e, após a desgraça do seu ex-senhor, adquire a mina Encardideira, tornando-se o primeiro negro proprietário. Rico, ele associa-se a uma irmandade para ajudar outros negros a comprarem a liberdade.

Ele, o Boto (1987) – 108 min (16 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss, Ney Latorraca, Dira Paes e outros

Sinopse: Segundo uma lenda amazônica, todo mês, durante a lua cheia, uma vila de pescadores brasileira recebe um convidado misterioso: o Boto – que se transforma em humano para seduzir, ser amado pelas mulheres e odiado pelos homens. Uma de suas conquistas é a filha de um pescador, que tem um filho com o Boto. Constantemente, o Boto reaparece para seduzi-la e, mesmo quando ela se casa, ele continua a procurando. Isto provoca a ira do marido que deseja matá-lo de qualquer jeito.

Mestre Joaquim Pedro (1988) – 60 min (10 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Dina Sfat, Ítala Nandi, Paulo José, Antonio Callado, Paulo César Saraceni e outros

Sinopse: O cineasta Joaquim Pedro de Andrade (1932–1988) foi um dos maiores amigos de Walter Lima Júnior no meio cinematográfico carioca. Imediatamente após a sua morte, Walter realizou este documentário-tributo, onde passa em revista a obra e as ideias de Joaquim. Tomando por base um longo depoimento do diretor à jornalista Helena Salem para a série 90 Anos de Cinema Brasileiro, o programa apresenta cenas selecionadas de todos os seus filmes e depoimentos de colegas, colaboradores, parentes e amigos.

Uma Casa para Pelé (1992) – 60 min (10 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Sinopse: Pelé, habitante das ruas, é mostrado no seu cotidiano a partir do momento em que ganha uma casa. A mudança que ocorre em sua vida é documentada.

David Neves: O Cinema dos Meus Olhos (1994) – 56 min (10 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: David Neves

Sinopse: Em entrevista a Walter Lima Júnior, o cineasta David Neves apresenta a sua lista de cenas favoritas do cinema – uma verdadeira antologia de cinéfilo comentada. Algumas delas: a conversa no trem em ‘São Bernardo’, de Leon Hirszman; a chegada da máquina desnatadeira em ‘A Linha Geral’, de Eisenstein; o diálogo de ‘Um Apólogo’, de Humberto Mauro; a apresentação do samba de Grande Otelo a Ângela Maria em ‘Rio Zona Norte’, de Nelson Pereira dos Santos; a sequência final de ‘As Noites de Cabíria’, de Federico Fellini.

Wagner Tiso: A Música dos Meus Olhos (1994) – 77 min (Livre)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Wagner Tiso

Sinopse: Estruturado em duas partes, o programa é na verdade uma conversa entre Walter Lima Jr. e Wagner Tiso, onde o cineasta e o compositor se encontram num prazer comum: relacionar imagens e música ao sabor da emoção. Na primeira parte, rememoram as trilhas sonoras que os marcaram e influenciaram. Na segunda, comentam as trilhas de Tiso para filmes como ‘Inocência’, ‘Ele, o Boto’ (ambos de Walter) e ‘O Grande Mentecapto’, de Oswaldo Caldeira.

O Monge e a Filha do Carrasco (1995) – 96 min (14 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Murilo Benício, Karina Barun, Paul Dillon, Patricia Pillar, José Lewgoy, Rubens de Falco, Eduardo Conde e outros.

Sinopse: No século XVIII, Benedicta sofre por ser filha do carrasco local. Recém-chegado, o monge Ambrosius se apaixona pela moça, provocando a insatisfação dos superiores e do filho de um poderoso aristocrata.

A Ostra e o Vento (1997) – 112 min (12 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Lima Duarte, Leandra Leal, Fernando Torres, Floriano Peixoto, Débora Bloch e outros.

Sinopse: A jovem Marcela vive com seu pai, o faroleiro José, e o velho Daniel em uma ilha. O único contato da menina com o mundo exterior é com uma embarcação de quatro marinheiros. Na adolescência, Marcela passa a sentir sua sexualidade e seus anseios de viver de forma mais intensa.

Walter.doc (2000) – 55 min (Livre)

Direção: Beth Formaggini

Elenco: Walter Lima Júnior

Sinopse: A vida e obra de Walter Lima Júnior.

Thomaz Farkas, brasileiro (2003) – curta-metragem (Livre)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Thomaz Farkas

Sinopse: Documentário sobre o fotógrafo húngaro, um expoente da história do documentário brasileiro.

Diante do Espelho (2004) – curta-metragem (Livre)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Matheus Nachtergaele

Sinopse: Walter Lima Júnior recriou a ficção Rei Lear com o ator Matheus Nachtergaele.

Os Desafinados (2009) – 140 min (12 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Rodrigo Santoro, Selton Mello, Ângelo Paes Leme, Jair Oliveira, Cláudia Abreu, Alessandra Negrini e outros.

Sinopse: Na década de 60, Joaquim, Dico, Davi e PC são jovens músicos e compositores, que partem para Nova York em busca de sucesso. Em Nova York, eles formam um grupo chamado ‘Os Desafinados’ e integram o movimento que lançou a Bossa Nova. Ao longo dos anos, eles acompanham o cenário político e musical do Brasil.

Através da Sombra (2016) – 104 min (14 anos)

Direção: Walter Lima Júnior

Elenco: Virginia Cavendish, Domingos Montagner, Mel Maia, Xande Valois, Ana Lúcia Torre e outros.

Sinopse: A tímida Laura é contratada por um homem rico para cuidar de seus dois sobrinhos órfãos que moram em uma fazenda de plantação de café. Apesar de não se dar muito bem com o campo, ela aceita a tarefa e logo estabelece uma amizade com a pequena Elisa – enquanto seu irmão é enviado a um internato por razões desconhecidas. Aos poucos, com a presença dos escravos e da governanta Geraldina, Laura tem a impressão de que alguns segredos se escondem naquela casa.

Serviço:

Mostra ‘Em cima da terra, embaixo do céu – Os cinemas de Walter Lima Jr’

De 30 de abril a 19 de maio de 2024

CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio

Rua do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro/RJ

Acesso para pessoas com deficiência

Entrada gratuita

Horários da bilheteria: terça a sábado, 13h às 19h; domingos e feriados, 13h às 17h

Programação: https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/Programacao.aspx?idEvento=1614

Retirada de ingressos a partir de 30 minutos antes de cada sessão e atividade programada

Informações: (21) 3980-2069 e (21) 3980-2019.

(Fonte: Claudia Tisato Assessoria de imprensa)

Parque Augusta segue com Mostra 3M de Arte até dia 19 de maio com obras inéditas

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra do Coletivo Coletores. Fotos: Karina Bacci.

A Mostra 3M de Arte, que chega à 12ª edição, segue até 19 de maio no Parque Augusta, em São Paulo. Desenvolvida pela Elo3, com curadoria de Giselle Beiguelman, a temporada tem o tema Infiltragem e reúne obras e performances de artistas como Berna Reale, Coletivo Coletores, Guto Requena, Marcel Diogo, Mari Nagem, Saquinho de Lixo, Vivian Caccuri e Thiago Lanis.

Entre os destaques deste ano, está a participação do Saquinho de Lixo, que tem mais mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, com a obra ‘você sabia que o saquinho está distribuindo cangas no parque augusta’. São 12 estilos diferentes de cangas ofertadas ao público gratuitamente aos finais de semana a partir das 11h.

Cangas personalizadas pelo perfil Saquinho de Lixo.

O Coletivo Coletores aborda questões raciais expostas em cinco obras denominadas ‘Encruzas e Encruzilhadas’, remetendo a linguagens e símbolos sankofas e quilombolas entrelaçados com a contemporaneidade dos pichos.

Já o artista Marcel Diogo discute, sobretudo, a violência racial cometida pelos agentes de segurança pública no Brasil. As esculturas da obra ‘Nem Tudo Que Vai Pra Parede É Obra de Arte’ estão instaladas em diferentes pontos do Parque.

A artista Mari Nagem, selecionada via edital, apresenta a obra ‘Peixe-Passarim’. Trata-se de um equipamento que eleva os visitantes para terem uma visão privilegiada do Parque Augusta, permitindo que cada um crie sua própria perspectiva sobre o olhar da cidade. Para esta visitação é necessário agendamento prévio por meio da plataforma Sympla.

Obra de Marcel Diogo.

O arquiteto e designer Guto Requena destaca uma instalação que une arte e tecnologia na Casa das Araras, em um espaço de 100 metros quadrados, aberta excepcionalmente para a Mostra 3M de Arte. A obra sensorial conecta os visitantes em uma única faixa sonora, desenvolvida por meio dos batimentos cardíacos.

Com ‘Banho de Grave’, Vivian Caccuri e Thiago Lanis usarão o espaço para propor ao público uma sessão de massagem no estilo subwoofer.

Berna Reale exibirá uma performance inédita no entorno que remete à opressão social sofrida pelas mulheres no sistema prisional brasileiro.

Serviço:

12ª Mostra 3M de Arte

Gratuita

Até 19 de maio

Rua Augusta, 200 — Consolação, São Paulo, SP

Sobre a Elo3 | Há 20 anos a Elo3 tem sido líder na transformação social, democratizando o acesso à arte e à cultura em 179 cidades brasileiras. Com projetos inovadores em exposições, fotografia, literatura e educação, a organização alcançou mais de 6 milhões de pessoas e distribuiu 138 mil livros. Destacam-se eventos como a exposição ‘Santos Dumont Designer’ e a Mostra 3M de Arte, juntamente com iniciativas educativas como Retratos da Terra e a Jornada Sabiá de Leitura. A Elo3 oferece à sociedade projetos questionadores, inovadores e transformadores, como a Mostra 3M de Arte. Conheça mais sobre a Elo3 no perfil no Instagram ou no site.

(Fonte: Agência Lema)