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Yamandu Costa e Zambujo fazem a ponte Brasil-Portugal com ‘Prenda Minha’

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Álbum de Yamandu Costa e António Zambujo reúne 14 faixas que refletem gosto musical em comum. Foto: Kenton Thatcher.

Um álbum que celebra a amizade de dois artistas e – sobretudo – a simbiose de ritmos lusófono, ‘Prenda Minha’, do violonista gaúcho Yamandu Costa e do cantor português António Zambujo, chega às plataformas digitais solidificando a ponte que une os povos de Brasil e Portugal. Voz e violão formam um conjunto em perfeita harmonia ao longo de 14 faixas, refletindo um gosto musical comum. Na escolha do repertório, os dois artistas atravessam fronteiras e incorporam sonoridades de outros países. O álbum reúne desde clássicos de Chico Buarque, Tom Jobim e Lupicínio até pérolas do cancioneiro latino-americano, além de composições autorais.

‘Prenda Minha’ inclui bossa nova, música tradicional portuguesa, choro, chamamé e guarânia, bem como bolero mexicano e “um monte de coisas diferentes que a gente gosta de escutar”, segundo Yamandu. Lançado pela Universal Music Portugal, o álbum abre com a faixa-título, parceria do violonista com o compositor Paulo César Pinheiro. “Bela como a onça parda / Quando espreita a guarda / Quieta pra nos tocaiar / Pele quase cor de mate / Lábio de escarlate / Pronta pra beijar”, diz a letra de ‘Prenda Minha’.

Na sequência, vem ‘Nervos de Aço’, de Lupicínio Rodrigues, cujos versos caem como uma luva no timbre marcante de Zambujo e no compasso de Yamandu ao violão de sete cordas. A dupla também dá nova roupagem a temas consagrados do cancioneiro nacional, como ‘Valsinha’, de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, ‘Gente Humilde’ (Chico, Vinícius e Garoto), ‘Falando de Amor’ (Tom Jobim) e ‘Tristeza do Jeca’, de Angelino de Oliveira.

Já os ritmos latino-americanos ganham destaque com ‘Profecía’, do cubano Antonio Machin, ‘Recuerdos de Ypacaraí’ (Demetrio Ortiz e Zulema de Mirkin) e ‘Cosechero’, do argentino Rámon Ayala, que fecha o álbum. Yamandu brilha sozinho nas faixas instrumentais ‘Odeon’, clássico de Ernesto Nazareth, e ‘Serelepe’, de autoria própria. A mistura de ritmos e sonoridades diversos é puro deleite para os ouvintes.

“Não houve uma concepção muito elaborada do repertório, que é bem eclético. A gente toca e canta o que gosta de ouvir. Por isso a América Latina está muito presente no álbum. É como se a gente revisitasse as nossas raízes musicais. ‘Prenda Minha’ retrata nossa amizade, nossos encontros e a nossa vontade de estar juntos no palco”, diz Yamandu, lembrando que as gravações ocorreram no seu estúdio em Lisboa “sem nenhuma parafernália”.

Para entender o início dessa parceria, é preciso voltar a 2008. Segundo Yamandu, o primeiro contato com Zambujo – que além de cantor também é compositor e instrumentista – aconteceu quando este começava a fazer carreira no Brasil. Naquele ano, ele veio ao país para sua primeira apresentação, um show no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para o qual convidou Yamandu através de um amigo em comum. “Eu aceitei e combinamos um ensaio. Ali já se deu uma sintonia, uma afinidade muito grande, que veio de forma natural. Não conseguimos ensaiar para o show, mas viramos amigos instantaneamente”, recorda. Zambujo, por sua vez, já era um dos maiores intérpretes contemporâneos da música e da língua portuguesas – e um dos seus mais notáveis embaixadores no mundo. “Fazer o ‘Prenda Minha’ era algo inevitável. Tinha de acontecer. Desde que nos conhecemos, Yamandu e eu sempre mostramos uma grande afinidade na escolha das músicas. Logo começamos a fazer shows juntos. O álbum é fruto dos nossos encontros, das conversas regadas a bons vinhos, deste amor pela música que nos une. Acredito que este será o primeiro de muitos discos que vamos fazer juntos”, aposta Zambujo.

Os dois chegaram a fazer uma turnê no Brasil em 2014, com apresentações em meia dúzia de cidades. Mas ambos tinham o desejo de ir mais longe e estreitar os laços musicais. A parceria foi reforçada há quatro anos, quando Yamandu fixou residência em Portugal – incentivado pelo próprio Zambujo.

Em setembro de 2022, veio o show que deu origem ao disco, no palco do Teatro Tivoli, em Lisboa, durante as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil. Desde então, os dois vêm lotando teatros e salas de espetáculos em países como Brasil, Portugal, Espanha, França e Sérvia. Agora chegou a vez de lançar um álbum que fortalece os vínculos de amizade e abre novos horizontes na trajetória de Yamandu e Zambujo. ‘Prenda Minha’ é um marco na carreira de artistas que transitam por culturas e gêneros musicais diferentes sem jamais perder a originalidade.

FICHA TÉCNICA

Prenda Minha

António Zambujo e Yamandu Costa

Gravação: Jorge Cervantes – Estúdio Bagual (Lisboa)

Edição: Elodie Bouny, Jorge Cervantes

Mixagem e Masterização: Jorge Cervantes – CervanteStudio

Produção: Yamandu Costa e António Zambujo

Universal Music Portugal (2024)

Faixas (ouça aqui):

1 – Prenda Minha – Yamandu Costa e Paulo César Pinheiro

2 – Nervos de Aço – Lupicínio Rodrigues

3 – Serelepe – Yamandu Costa

4 – Sinal da Cruz – Ferrer Trindade e Max

5 – Valsinha – Chico Buarque e Vinícius de Moraes

6 – Recuerdos de Ypacaraí – Demetrio Ortiz e Zulema de Mirkin

7 – Tristeza do Jeca – Angelino de Oliveira

8 – Falando de Amor – Tom Jobim

9 – Gente Humilde – Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Garoto

10 – Odeon – Ernesto Nazareth

11 – Estrela da Tarde – José Carlos Ary dos Santos e Fernando Tordo

12 – Profecía – Antonio Machin

13 – Rapaz da Camisola Verde – Pedro Homem de Mello e Frei Hermano da Câmara

14 – El Cosechero – Ramón Ayala.

(Fonte: Lupa Comunicação)

Encontro Musical de Indaiatuba abre inscrições

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Inscrições para EMIn já estão abertas. Foto: Felipe Gomes.

Estão abertas as inscrições para a 5ª edição do Encontro Musical de Indaiatuba (EMIn), que acontece de 20 a 25 de julho. Interessados em participar do Festival precisam se inscrever até 16 de junho. Todas as informações, bem como regulamento, estão disponíveis neste link.

Nesta edição do evento serão oferecidas, na parte pedagógica, mais de 15 oficinas, entre cursos de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta transversal e trompete e regência orquestral, curso oferecido pela primeira vez desde a sua criação. Além disso, haverá formação de quatro orquestras: Orquestra Sinfônica do EMIn, Orquestra Acadêmica e duas Cameratas de Cordas, possibilitando aos alunos dos diversos níveis a prática em conjunto, que é essencial na formação musical. Em sua 5ª edição, o EMIn figura entre os mais importantes Festivais voltados para a música clássica do interior do Estado de São Paulo. “Neste ano, viveremos o maior EMIn desde sua criação, com a ampliação da duração do encontro, dos cursos, professores e apresentações oferecidas para a comunidade”, destaca o maestro da Sinfônica de Indaiatuba, Paulo de Paula.

Seleção | Para concorrer a uma das vagas oferecidas, será necessário o envio de um vídeo do inscrito executando ao instrumento ou regendo (no caso dos candidatos à oficina de regência) uma peça/trecho de livre escolha. O vídeo deverá ser gravado e postado na plataforma do Youtube e, o link, fornecido na ficha de inscrição. Vale lembrar que é imprescindível que o vídeo seja disponibilizado nas opções de visibilidade público ou não listado, pois vídeos listados como privados poderão ocasionar a desclassificação do aluno, uma vez que não será possível avaliá-los. Após avaliação do vídeo, os candidatos serão selecionados e classificados de acordo com seu grau de competência musical. A partir desta avaliação, as atividades musicais, além das aulas das quais o aluno participará, serão divididas.

Alojamento | Os participantes selecionados que optarem pela modalidade de inscrição com direito a alojamento, além dos cursos e concertos, terão acesso gratuito a partir das 16h do dia 20 de julho, com direito a café da manhã simples entre os dias 21 e 25.

O 5º Encontro Musical de Indaiatuba (EMIn) é uma realização da Amoji (Associação Mantenedora da Orquestra de Indaiatuba), Prefeitura Municipal de Indaiatuba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Serviço:

Inscrição 5º EMIn – de 13/5 a 16/6

Ficha de inscrição

Regulamento.

(Fonte: Armazém da Notícia)

Conservação de vegetação nativa é fundamental para combate às mudanças climáticas, advertem cientistas

Amazônia, por Kleber Patricio

Mudanças climáticas podem levar à perda de biodiversidade: imagem mostra vista panorâmica de floresta nativa. Foto: Dezalb/Pixabay.

A mitigação do impacto das mudanças climáticas na perda de biodiversidade passa por adotar medidas que preservem a vegetação e o solo nativos, já que eles são responsáveis por estocar carbono. Seria preciso evitar a fragmentação desses ambientes e realizar a correta recuperação de áreas degradadas. É o que dizem pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro de Conhecimento em Biodiversidade, em parceria com colegas de instituições estrangeiras, em reflexão publicada na revista científica ‘BioScience’ nesta quinta (23).

Dentre as principais recomendações dos especialistas, estão a coibição do plantio de florestas baseadas em espécies exóticas, como pinus ou eucalipto, e a promoção de um uso mais consciente da terra para atividades agrícolas, o que evitaria a expansão de áreas de cultivo.

Com uso da literatura científica recente, os pesquisadores elencam seis pontos-chave para mitigar as mudanças climáticas: a conservação de estoques e sumidouros de carbono, a restauração adequada de áreas degradadas, a conservação integrada de fauna e flora locais, o investimento em mais produtividade agrícola em vez da devastação de novas áreas naturais para cultivo, a incorporação de medidas práticas para sustentabilidade por empresas e instituições financeiras e a colaboração entre especialistas para alinhar políticas e ações necessárias aos desafios ambientais. Esse último ponto poderia ser feito por meio da união das Conferências das Nações Unidas (COPs) sobre Biodiversidade e Clima, que atualmente têm calendários distintos de realização.

A substituição de ecossistemas originais por florestas plantadas, por exemplo, pode aumentar as emissões de gases causadores do efeito estufa. Isso acontece porque o processo de tirar a vegetação original deixa o solo exposto, o que faz com que ele libere mais carbono. Por consequência, isso pode ampliar o impacto dos eventos climáticos extremos, como secas e enchentes. Os autores alertam: “ao introduzirmos um número limitado de espécies não nativas em uma determinada região, podemos, inadvertidamente, destruir a funcionalidade ecológica do ambiente, o que pode refletir na capacidade de fornecer nascentes de água, manter polinizadores para agricultura, controlar a umidade e o clima e influenciar o regime de chuvas”.

Em áreas como a Amazônia, os cientistas enfatizam a prioridade absoluta de parar o desmatamento e a degradação da floresta remanescente – e avaliam que a restauração só se tornará prioridade depois destes objetivos serem alcançados. “Para o Brasil, a mensagem seria a necessidade de elevar muito a prioridade de áreas desmatadas. Apesar de discurso do governo, elas ainda não são tão prioritárias quanto áreas com grandes impactos ambientais de mineração ou energia, agricultura e infraestrutura de transportes”, avalia o pesquisador do INPA Philip Fearnside, um dos autores do artigo.

Os pesquisadores também recomendam aos formuladores de políticas públicas que não aprovem projetos de lei que descaracterizem as áreas de proteção e promovam a expansão de áreas agrícolas. “O Brasil precisa largar de planos de extrair petróleo até a foz do rio Amazonas, de abrir vastas áreas de floresta com rodovias como a BR-319 e AM 366, de legalizar reivindicações de posses em terras públicas, de subsidiar pastagem e soja e de construir mais barragens amazônicas”, conclui Fearnside.

(Fonte: Agência Bori)

Fundação Dorina Nowill para Cegos capacita gratuitamente pessoas cegas e com baixa visão

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem: website Fundação Dorina.

A Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência em habilitação e reabilitação de pessoas cegas e com baixa visão, tem se destacado nessa missão de habilitar e reabilitar pessoas, promovendo sua autonomia e independência em todas as fases da vida.

Por meio de programas abrangentes de reabilitação visual, a instituição oferece atendimentos individualizados e em grupo, desenvolvidos de acordo com demandas e particularidades de cada um, preservando e valorizando sua identidade e história. Desde bebês até idosos, são oferecidas, de forma gratuita e sem a necessidade de encaminhamento, intervenções especializadas para habilitar e reabilitar no desenvolvimento infantil, nas habilidades motoras, cognitivas, linguísticas e sociais, apoiar o desempenho e aprendizado de crianças e adolescentes cegos e com baixa visão, promover o desenvolvimento pessoal, resgatar e fortalecer a autoestima, autonomia e independência de jovens, adultos e idosos.

Além disso, a Fundação realiza um importante trabalho junto às famílias, oferecendo orientações sobre a deficiência visual, fortalecendo vínculos e promovendo o papel protetivo da família e como primeiro núcleo de inclusão da pessoa com deficiência visual. Os atendimentos incluem diversas áreas, como Serviço Social, Psicologia, Pedagogia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Orientação e Mobilidade, Oftalmologia e Ortóptica. Ao chegar à Fundação, os clientes passam por uma avaliação inicial para identificar suas necessidades e expectativas e são encaminhados para os serviços adequados.

Durante a pandemia, a Fundação Dorina adaptou seus atendimentos para o formato remoto, expandindo sua atuação para outros estados do Brasil. Mesmo com o retorno dos serviços presenciais, o modelo híbrido foi mantido para garantir o acesso contínuo à reabilitação visual.

Como parte de seu compromisso com a inclusão, a Fundação Dorina desenvolve projetos de empregabilidade, capacitação profissional, livros em formatos acessíveis através da plataforma Dorinateca e parcerias para soluções de acessibilidade, promovendo a inclusão em todos os aspectos da vida. Com uma atuação em constante evolução e expansão, a instituição mantém vivo o legado de sua fundadora, proporcionando autonomia e independência para pessoas cegas e com baixa visão em todo o Brasil.

Para mais informações sobre os serviços da Fundação, basta acessar o site.

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Há 78 anos se dedica à inclusão social de crianças, jovens, adultos e idosos cegos ou com baixa visão. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles habilitação e reabilitação e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.

Responsável por um dos maiores parques gráficos braille em capacidade produtiva da América Latina, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, audiodescrição e consultorias especializadas como acessibilidade arquitetônica e web. Com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual. Mais detalhes no site.

(Fonte: Assessoria de Imprensa Fundação Dorina Nowill para Cegos)

Cristian Duarte em companhia apresenta ‘e nunca as minhas mãos estão vazias’

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Mayra Azzi.

O mais recente trabalho de Cristian Duarte em companhia, ‘e nunca as minhas mãos estão vazias’, usa o poema da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, declamado por Maria Bethânia, como ponto de partida: “Apesar das ruínas e da morte/ Onde sempre acabou cada ilusão/ A força dos meus sonhos é tão forte/ Que de tudo renasce a exaltação/ E nunca as minhas mãos ficam vazias”. Contemplado pela 32ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura, a peça, que faz parte do projeto Kintsugi, se apresenta no Sesc Pompeia de 30 de maio a 9 de junho de 2024, de quinta a sábado, às 21h e aos domingos, às 18h; no dia 30, feriado de Corpus Christi, a estreia acontece às 18h.

Com nove artistas em cena – Aline Bonamin, Allyson Amaral, Andrea Rosa Sá, Danielli Mendes, Felipe Stocco, Gabriel Fernandez Tolgyesi, Leandro Berton, Maurício Alves e Paulo Carpino –, o diretor usa a experiência física e afetiva de cada um para trazer gestos e movimentos para a composição coletiva. Esses movimentos dão forma a construções, desconstruções e reconstruções, provocados pelo entorno de cada um e pela realidade em meio a guerras, devastação e desigualdades em diferentes esferas e escalas, mas que ainda assim percebem uma fresta. Apesar de várias e tantas mortes, ainda há vida.

“Busco fazer com a dança um momento de reflexão, de deleite ético e estético. Uma oportunidade de olhar e sentir o mundo sob outras perspectivas. Nesta peça, mãos é metáfora de corpo que compreende estar sempre impregnado de experiências, vícios, convicções e ficções. Não é possível começar do zero. Não existe zero. Não existe vazio. Estamos sempre fazendo escolhas a partir das coisas que nos compõem diariamente. Os livros, as séries, os filmes, os quadros, a rua, a família, o que comemos, as pequenas e grandes indignações diárias, sentimentos e emoções que desencadeiam afetos e consequentemente, gestos e escolhas. O elenco desta criação é formado por uma diversidade de pessoas com experiências de dança, de vida, distintas”, diz Cristian Duarte.

Em ‘e nunca as minhas mãos estão vazias’, o público acompanha três roteiros que acontecem simultaneamente com bastante rigor no palco: um roteiro para a trilha sonora, composta e executada ao vivo pelo elenco; ao mesmo tempo, os intérpretes também executam um roteiro coreográfico individual e em conjunto bastante orientado pela espacialidade; e, por fim, um roteiro de figurino que se transforma durante a peça.

Sobre o Projeto Kintsugi

A coreografia ‘e nunca as minhas mãos estão vazias’ faz parte do projeto Kintsugi. O termo foi difundido na internet nos últimos anos e, de modo geral, trata-se de uma arte japonesa na qual uma peça de cerâmica quebrada é reparada com um verniz contendo ouro. Nessa arte, não se escondem os remendos da cerâmica quebrada, destaca-se a visibilidade das fissuras, enaltecidas pelo ouro, salientando as imperfeições das trajetórias, as histórias percorridas pela peça de cerâmica e gerando significados singulares da existência ali presente.

O projeto Kintsugi adotou esse nome como uma metáfora aos processos de continuidade de Cristian Duarte em companhia para pensar memória, resiliência e perseverança. Olhar para os mais variados pedaços daquilo que já fizemos, tocando em perspectivas do que éramos e o do que somos, em gerúndio, como água, um rio-mar que não pára de correr ressignificando a cada instante onde você está e aquilo que é capaz de perceber. Kintsugi foi também metáfora propulsora para reencontrar a site-específica ‘Despedançada’ – uma coreografia realizada em modo virtual durante a pandemia de Covid composta por um site que abriga mais de 25 ‘pedaços’ de dança. Pedaços compostos por danças em áudios, vídeos e fotografias extraídas de diferentes referências artísticas, como Isadora Duncan, Linn da Quebrada, Maya Deren, Anna Halprin e Augusto Omolú, entre outros.

Kintsugi envolveu diversas ações e etapas; dentre elas, períodos de imersão apelidados de cacos. Foram 5 cacos, exercícios cênicos feitos pelo elenco dividido em partes. Diferente do habitual ensaio com todo o elenco, os cacos foram imersões feitas por 4 duplas e 1 trio, nas quais os performers vivenciaram um processo de criação intensificado junto da direção. Ao final de cada caco realizou-se uma abertura pública intitulada ‘Experimenta’. Além disso, as demais ações do projeto – Jams e Laboratórios – também estimularam o campo investigativo permitindo que outras corpas e subjetividades atravessassem esse contexto, vibrando suas possibilidades e potências.

Em companhia

Cristian Duarte em companhia é uma iniciativa do coreógrafo Cristian Duarte para estar, criar, produzir, difundir, co/mover o pensamento e excitar a percepção com dança junto de artistas que gostam, apoiam e promovem o trânsito entre as diversas áreas do conhecimento, entre linguagens, criando contextos de experimentação e formação em dança na cidade de São Paulo. É um organismo residente na Casa do Povo desde 2013, onde desenvolveu a residência LOTE e atualmente o contexto Z0NA.

Entendendo a força que o estatuto companhia possui, o ato simbólico de nomear não o ser, mas o estar em companhia, reflete uma realidade afetiva mais conectada e coerente com os sentidos. Estar em companhia pressupõe acompanhar o outro ao seu lado. Faz questão de estar, pois é na manutenção das presenças e do presente que este movimento persiste. Este exercício político e estético está escrito na trajetória de Cristian Duarte em companhia enquanto bando.

FICHA TÉCNICA

Uma produção de Cristian Duarte em companhia

Coreografia e Direção: Cristian Duarte

Criação e Dança: Aline Bonamin, Allyson Amaral, Andrea Rosa Sá, Danielli Mendes, Felipe Stocco, Gabriel Fernandez Tolgyesi, Leandro Berton, Maurício Alves e Paulo Carpino

Acompanhamento dramatúrgico: Júlia Rocha

Concepção sonora e Figurinos: em companhia

Performance sonora: elenco

Operação de som: Tom Monteiro

Iluminação: André Boll/Santa Luz

Fotografia: Mayra Azzi

Produção Executiva em 2023: Rafael Petri/MoviCena

Vídeo e Design: Iago Mati

Realização: 32a Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura, Bonobos Produções e Z0NA

Apoio: Casa do Povo, Publica e Risotropical

Produção: Corpo Rastreado – Rodrigo Fidelis

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes

@crisduarte_

@zonafora_

cristianduarte.net.

Serviço:

e nunca as minhas mãos estão vazias, com Cristian Duarte em companhia

Sesc Pompeia – Teatro | Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, SP

De 30 de maio a 9 de junho de 2024

Horário: quinta-feira a sábado, às 21h; e domingo, às 18h

Dia 30/5, quinta-feira, feriado de Corpus Christi, a apresentação acontece às 18h.

Ingressos: R$50 (inteira); R$25 (meia entrada); R$15 (credencial plena)

Duração: 60 minutos

Classificação: 14 anos.

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)