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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Jovens da periferia têm dias de cineastas

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Objetiva Produções Cinematográficas.

Cerca de 75 jovens e adolescentes de Taboão da Serra e Embu entre 12 a 18 anos participam até o dia 7 de julho das oficinas de cinema promovidas pela Objetiva Produções Cinematográficas. Os curtas-metragens produzidos por esses jovens serão exibidos no 4º Festival de Cinema Educa Claquete Ação (ECA), que acontece de 1º a 31 de agosto de 2024, em plataforma online e sessões presenciais.

Nas oficinas presenciais, os participantes têm acesso aos principais aspectos do fazer cinematográfico com aulas de roteiro, direção, produção, direção de fotografia e edição de imagens. A oficina tem carga horária de 36h, com aulas duas vezes por semana, com duração de duas horas e meia.

Além de aulas teóricas, os alunos também vão a campo para as gravações dos curtas-metragens utilizando vários equipamentos profissionais que são utilizados na realização de um filme, como câmeras, microfones, claquete e até um drone.

“Orientados por profissionais com experiência no áudio visual, os alunos estão produzindo sete curtas-metragens com temas diversos. Muitos temas fazem parte da realidade destes adolescentes e jovens como o bullying, a questão racial, de gênero, o autismo, a música, entre outros”, explica Kaiane do Vale Martins, produtora e curadora do projeto.

A aluna Gyovanna Nunes, 18 anos, é uma das roteiristas e personagem de um curta-metragem que conta a história de uma violonista autista. Professora de violino, Gyovanna relata que o curso vem contribuindo muito para sua vida. “Cursos como estes são muito caros, é uma oportunidade única poder participar de um curso gratuito com esta qualidade, aprendi sobre luz, composição de cena, posicionamento de câmera. É uma alegria e um orgulho saber que o público e outros profissionais da área, vão poder apreciar nossos curtas-metragens. Eu espero que esse filme impacte a vida de alguém e conscientize sobre o tema”, falou a jovem.

Tapete vermelho

Os sete curtas-metragens produzidos por esses jovens serão exibidos durante o 4º Festival de Cinema Educa Claquete Ação (ECA) que acontece de 1º a 31 de agosto de 2024 em plataforma online e sessões presenciais. A cerimônia de abertura acontecerá no principal teatro de Taboão da Serra, o Centro Municipal de Recreação e Cultura (Cemur) no dia 1º de agosto, das 18h às 21h, na Praça Nícola Vivilechio, 334 – Jardim Bom Tempo, Taboão da Serra – SP.

Live com especialistas

Quer saber mais sobre cinema? No próximo dia 13 de julho, das 15h às 16h, o 4º Festival de Cinema Educa Claquete Ação (ECA) realiza uma live com o tema Cinema na Sala de Aula, que será transmitida pelo Canal de YouTube e redes sociais do Festival Educa Claquete Ação.

O debate traz profissionais da área cinematográfica e educadores para explorar a influência do audiovisual na sociedade contemporânea e seu papel como forma de expressão e ferramenta de aprendizagem lúdica nas escolas. Participam o diretor Tico Barreto, premiado em várias produções, entre elas como melhor diretor do curta ‘Nove’, Festival Internacional Take Único (2019); a produtora e documentarista Cida Reis, que possui mais de 20 anos de experiência na área e a cineasta Carissa Vieira, que estimula uma abordagem antirracista na sétima arte.

Sobre o Festival ECA | O 4º Festival de Cinema Educa Claquete Ação (ECA) acontecerá de 1º a 31 de agosto de 2024, em plataforma online e sessões presenciais. Serão exibidos 18 curtas-metragens, sendo dez filmes competitivos, um filme convidado, e sete filmes realizados nas oficinas produzidas pelo Festival. O filme convidado contará a história de José Luis Zagati, um catador de sucatas que montou na garagem de sua casa, em Taboão da Serra, um cinema com cadeiras, cartazes e filmes que encontrou no lixão. O Mini Cine Tupy foi, por muitos anos, o único cinema na cidade. (ZAGATI, Edu Felistoque e Nereu Cerdeira – 2001).

Serviço:

4º Festival de Cinema Educa Claquete Ação (ECA)

1º a 31 de agosto de 2024 em plataforma online e sessões presenciais nas cidades de Taboão da Serra e Embu das Artes

Facebook: https://www.facebook.com/FestivalECA

Site: https://festivaleca.com.br/

Instagram: @festival.eca.

(Fonte: Mídia Brazil Comunicação Integrada)

Festival do Pinhão leva gastronomia e cultura no coração do Paraná

São José dos Pinhais, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

A apenas alguns minutos de Curitiba, São José dos Pinhais recebe entre 1º de junho e 31 e julho a 4ª edição do Festival do Pinhão. Organizado pela Acamp (Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores do Turismo Rural da Campina do Taquaral e Região) em parceria com a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da cidade, o evento já se consolidou como um dos principais da época de inverno no Sul do país.

A festa conta com a participação de 17 estabelecimentos que fazem parte da Rota das Colônias, além de convidados do Caminho do Vinho e dos Caminhos da Colônia Murici. Todos os participantes foram desafiados a criar produtos e experiências ligadas ao pinhão com o objetivo de valorizar a gastronomia paranaense.

Culinária diversificada

Neste ano, o destaque está na variedade: é possível provar desde o sorvete de pinhão da Piccola’z Sorvetes até a pizza de pinhão da Queijaria Sapori Italiani e a lasanha de pinhão da Cantina Zanchetta.

Restaurantes como o Gralha Azul, localizado na Vinícola Araucária e sob o comando do chef Junio Cezar da Silva, encantam com preparos complexos e cheios de sabor. O menu especial inclui medalhão de mignon com redução de vinho e amoras negras acompanhado de risoto de pinhão e alho-poró, e um estrogonofe de pinhão à moda do chef, com pinhões frescos flambados na manteiga, toque de vinho branco, brunoise de tomates, nata e mostarda.

Vale lembrar que o pinhão, semente da araucária, é um dos alimentos mais emblemáticos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, únicos estados onde a árvore é encontrada naturalmente. Além de ser versátil, ele é uma verdadeira iguaria regional, presente em diversos pratos tradicionais da culinária sulista e faz parte do patrimônio natural e cultural da região.

Onde se hospedar

O evento, que dura dois meses inteiros, também movimenta a indústria hoteleira. No coração da Rota das Colônias, o Hotel Boutique Vinícola Araucária by Slaviero Hotéis é a melhor opção para quem busca aproveitar a programação completa. Inaugurado em fevereiro, o hotel é composto por 13 chalés modernos assinados pelo renomado arquiteto Jayme Bernardo. Com comodidades como lareira elétrica, Alexa, garrafa de vinho selecionada (375ml) e banheira de hidromassagem no apartamento, a hospedagem oferece ainda café da manhã e uma visita guiada à vinícola com degustação de vinhos da casa.

O Festival do Pinhão promove o turismo rural, histórico e cultural do estado, destacando as rotas coloniais de São José dos Pinhais, que juntas incluem cerca de 500 negócios entre restaurantes, cafés, adegas, cervejarias e parques. Durante junho e julho, os visitantes terão a oportunidade de explorar a história da região, participar de atividades recreativas e adquirir produtos artesanais diretamente dos produtores locais.

(Fonte: Mapa 360)

Casarão histórico apresenta arte contemporânea em Espírito Santo do Pinhal

Espírito Santo do Pinhal, por Kleber Patricio

Visita à Cia da Hebe, em Espírito Santo do Pinhal, é opção para férias de julho. Foto:
Divulgação.

Fazer e ter arte contemporânea numa cidade com 39 mil habitantes no interior de São Paulo é desafiador e ousado. Mas a prova de que isso é possível e que o público admira e respeita essa iniciativa é a ‘Latências Ocupação Fotográfica Híbrida’, uma ocupação visual com fotografias, instalações, colagens, vídeos, palavras-imagens, intervenções urbanas, clipes e lambe-lambes criados por sete artistas que integram o Núcleo de Criação da Cia da Hebe, em Espírito Santo do Pinhal (SP), que pode ser visitada durante as férias de julho.

A mostra gratuita vem recebendo visitantes locais e de diversas cidades desde sua abertura, há um ano. Os trabalhos expostos são fortes, densos, com temáticas atuais como o preconceito racial, o preconceito contra a mulher, contra o homem gay, as memórias auditivas, os indígenas. Resultante de um processo de investigações artísticas pessoais, ‘Latências’ estabelece um diálogo com os visitantes, permitindo que possam se ver em cada obra. Quem vê os trabalhos não apenas admira, mas tem ativada a sensibilidade, se relaciona com eles por meio de um pensamento crítico e emocional.

Não se trata de uma exposição com cavalete, trilho de iluminação, pinturas bucólicas que se espera em uma cidade do interior. Os temas tocam, provocam, assustam, comovem. Os artistas tiveram a liberdade e a honestidade de sair de modismos, de conceitos estudados, daquilo que se denomina contemporâneo. A coordenação da mostra é de Tika Tiritilli, fotógrafa, artista visual e ativista, João Barim, fotógrafo e design, e Mônica Sucupira, atriz, diretora, poeta e roteirista.

Espaço de arte e cultura

Quase toda cidade pequena tem uma igreja, praça, jardim, uma biblioteca, botecos…, mas nem toda cidade do interior tem um espaço de arte no formato da Cia da Hebe, que apresenta com ‘Latências’ um trabalho profundo e intenso fora do eixo da capital. A Cia da Hebe ocupa um casarão bonito com 121 anos no centro de Espírito Santo do Pinhal, oferecendo, em sua programação, oficinas, encontros e conversas, sempre acompanhados de café e bolo. Trata-se de uma associação de arte e cultura sem fins lucrativos que realiza um trabalho totalmente gratuito de formação, informação, criação e convivência por meio da arte.

O trabalho da Cia é diferente, ousado, capaz de surpreender e encantar quem visita o local. “Nunca pensei encontrar um espaço assim em uma cidade pequena”, “é lindo, me emocionei, não imaginava existir algo assim aqui” ou “os temas são muito contemporâneos, me surpreendi” são as frases mais comuns ditas por quem conhece a Cia.

A mostra ‘Latências Ocupação Fotográfica Híbrida’ conta com QR Code integrado que possibilita melhor experiência de seus visitantes e acessibilidade às pessoas com deficiência visual. Com entrada gratuita, a Cia da Hebe está localizada na Rua Capitão João Batista Mendes Silva, 175, no centro de Espírito Santo do Pinhal.

Núcleo de Criação da Cia da Hebe, responsável pela ocupação ‘Latências’: Glauber Carrião, Helô Mattiazzi, Roberta Sucupira, Rita Maia, Tika Tiritilli, João Barim e Mônica Sucupira. Colaboradores: Tamara Barim e Leandro Pereira.

(Fonte: Carol Silveira Comunicação)

Instituto Agronômico de Campinas comemora 137 anos com casa cheia

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação/website IAC.

No dia 27 de junho de 2024, o Instituto Agronômico (IAC-Apta) completou 137 anos. A cerimônia de comemoração contou com grande público interno e externo. O diretor-geral do IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, enfatizou que “celebrar é iluminar os resultados alcançados ao longo dos anos”. Ele mencionou que, quando o IAC foi criado, a população brasileira representava apenas 6,7% da população atual e à época prevalecia a agricultura de quintal. Landell também destacou a complexidade de desenvolver pesquisas agrícolas e mencionou que, ao longo dos 137 anos, o IAC criou 1150 cultivares. “A população reconhece o valor do IAC, como vimos com a votação do G1, que nos elegeu como a 1º maravilha de Campinas”, completa.

O secretário executivo de Estado de Agricultura e Abastecimento, Edson Alves Fernandes, ressaltou a importância de a Secretaria e o Governo cuidarem de novos concursos para pesquisadores e servidores de apoio e também do orçamento para que todo o trabalho realizado pelo IAC tenha continuidade. “O IAC só chegou até aqui graças aos seus antecessores, homens e mulheres que edificam a história do Instituto”.

O subsecretário de Agricultura, Orlando Melo de Castro, parabenizou a equipe que manteve e mantém o IAC até os dias atuais, ressaltando que é o trabalho de todos que faz a grandeza do Instituto.

Para o coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Carlos Nabil Ghobril, a importância e o sucesso do agronegócio em São Paulo se devem, em grande parte, ao trabalho do IAC. Nabil ressaltou a necessidade de olhar para o futuro e a importância das parcerias e do trabalho em rede.

Dentre os presentes, o prefeito de Campinas, Dário Saad, destacou a relevância do Instituto. “Reconheço a importância do IAC no desenvolvimento da agricultura brasileira e da cidade de Campinas. O Instituto traçou a vocação desta cidade como polo de ciência e tecnologia”.

Prêmio IAC

Parte das comemorações do aniversário do Instituto, a entrega do Prêmio IAC é uma festa para os agraciados, familiares e amigos. Na categoria interna, Servidor de Apoio Administrativo, o prêmio foi concedido a Reginaldo de Lima, que reconheceu os funcionários como peças fundamentais para o IAC. “Cada um de nós é uma peça importante na engrenagem desta Instituição para que ela funcione no seu propósito”.

Aildson Pereira Duarte foi o ganhador do Prêmio IAC 2024 na categoria interna Pesquisador científico. Ele expressou seu encanto pelo IAC e a importância dos estágios. Duarte destacou a difusão das tecnologias e o reconhecimento de todos que dedicam suas vidas ao Instituto. Ele também abordou os desafios administrativos, destacando a necessidade de não deixar de lado o que nos aflige, mesmo em tempos de celebração.

Na categoria externa, Personalidade de ensino, o Prêmio IAC 2024 foi entregue ao reitor da PUC Campinas, professor Germano Rigacci Júnior, que destacou os 137 anos de trajetória de tecnologia e inovação do IAC. Ele mencionou a parceria da PUC Campinas com o IAC no curso de Agronomia e a importância de cultivar tanto a terra quanto o ensino, destacando que, embora gerações passem, a terra permanece. “Parabéns pela trajetória de conhecimento, tecnologia e inovação voltadas para a agricultura que fizeram a diferença no Brasil, na América Latina e no mundo, onde há pegadas do IAC”.

O Prêmio IAC 2024, na categoria externa Destaque Especial, foi entregue à Prefeitura de Louveira. O prefeito Estanislau Steck mencionou que este reconhecimento é motivo de grande orgulho e enfatizou a necessidade de mais verbas para a pesquisa, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas na produção de uvas.

Honra ao Mérito

A Medalha Franz Wilhelm Dafert foi concedida à pesquisadora da área de café, Massako Toma Braghini, que expressou seu amor pelo trabalho no IAC, onde está desde 1979, e a necessidade de mais apoio devido ao vasto conhecimento acumulado na Instituição. “Amo tanto o que faço, que sinto prazer no meu trabalho”. Mako, como é conhecida, também recebeu homenagem da empresa Daterra, parceira do IAC nas pesquisas com café. Ela também agradeceu pela parceria com as fazendas São Paulo e Tozan.

Sandra Schiavetto, também homenageada com a medalha, falou sobre a honra de estar no IAC e a importância de deixar um legado como mulher, que “já nasce uma semente”. Para ela, sua vida não teria propósito se não fosse para servir ao capital humano. “Eu me intitulo melhorista do ser humano”, fazendo uma analogia com o melhoramento genético de plantas, carro-chefe do IAC.

A Impulsa Comunicação, agência 360º, responsável pela campanha de aniversário do IAC, também foi reconhecida com a medalha pelos serviços prestados ao longo de vários anos. Mateus Domiciano, um dos sócios-fundadores, destacou que a história da Impulsa está entrelaçada com a do IAC. “O Instituto abriu a porteira do agro para nós; hoje, 80% dos nossos clientes são do agronegócio e isso foi possível pela semente que plantamos aqui ao ter o IAC como cliente”.

A medalha de Honra ao Mérito Franz Wilhelm Dafert foi criada em 2009 pelo Instituto para homenagear personalidades e instituições por seus valores pessoais e serviços relevantes prestados à agricultura brasileira. A cerimônia foi um momento de celebração, reflexão e reconhecimento, destacando o impacto significativo do IAC ao longo dos seus 137 anos de existência.

(Fonte: CDI Comunicação)

Mudanças climáticas podem causar impacto em setores estratégicos do litoral de SC como pesca e turismo

Santa Catarina, por Kleber Patricio

Região central da costa de SC, onde se localiza a capital Florianópolis, tem ocupação urbana densa e pode sofrer com chuva excessiva. Foto: Pedro Fritsch/Unsplash.

O estado de Santa Catarina conta com uma população concentrada em regiões costeiras. A ligação com o mar se reflete na organização do espaço, na cultura local e na economia, em grande parte baseada na pesca e no turismo. Porém, o litoral catarinense está cada vez mais exposto a eventos como inundações e ao aumento do nível do mar por conta das mudanças climáticas. Segundo pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), esses eventos podem provocar perdas humanas, econômicas e de biodiversidade com proporções ainda desconhecidas. A constatação está em artigo publicado na revista ‘Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology’ na sexta (28).

O oceanógrafo José Angel Perez, pesquisador da Univali e autor do artigo, destaca a hipótese de que a zona costeira catarinense seja uma das regiões brasileiras que mais possa estar mudando com relação à temperatura e características ambientais.

Através de revisão de literatura, o artigo diagnostica que, na região central da costa de Santa Catarina, onde está localizada a capital Florianópolis e há uma ocupação urbana densa, pode haver ocorrência de desastres naturais devido à chuva excessiva, como enxurradas e inundações. Esses eventos podem ser mais frequentes e mais danosos. No litoral centro-norte, as cheias podem ser mais preocupantes devido às características geográficas de ambientes fluviais e estuários, que também são altamente urbanizados. A qualidade da água doce e marinha rasa e o potencial de fornecimento de água potável também estarão em risco por conta da exposição dos mananciais às alterações decorrentes das mudanças climáticas.

“Nem todo resultado das mudanças climáticas é um evento extremo como a gente está vendo no Rio Grande do Sul. Grande parte dos efeitos mais dramáticos não acontecem de uma hora para outra, mas sim lentamente”, afirma Perez. É o que ocorre, por exemplo, com a pesca, como mostra o trabalho. Mudanças na temperatura afetam a produtividade biológica dos oceanos e a transferência de energia através das cadeias alimentares, diminuindo a produtividade pesqueira. O fenômeno provoca, por exemplo, o deslocamento de espécies de peixes de águas mais quentes para regiões ao sul, além da diminuição de espécies de água fria. Isso impacta diretamente a pesca de espécies de grande valor econômico, cada vez menos disponíveis, como a castanha (Umbrina canosai), a merluza (Merluccius hubsi) e o peixe sapo (Lophius gastrophysus).

O setor do turismo, segundo analisa o estudo, também deve ficar mais suscetível a eventos extremos, como furacões, tempestades e alagamentos. Esses eventos têm potencial para não apenas destruir propriedades, mas também de afetar a topografia das praias e a vegetação de dunas, essenciais para a proteção costeira.

Além disso, o trabalho aponta que a poluição dos corpos d’água pelas enchentes favorece a proliferação de algas e outros microrganismos, alguns potencialmente tóxicos, provocando fenômenos como a maré vermelha. Tudo isso compromete a balneabilidade das praias e a saúde dos ecossistemas marinhos, que deterioram a qualidade da água e afetam diretamente as atividades turísticas e de lazer.

Diante desses problemas, Perez ressalta a necessidade de mais esforços de pesquisa para que seja possível entender e gerar estratégias de adaptação efetivas. A ciência precisa, por exemplo, monitorar processos que já vêm ocorrendo há algum tempo. “Os impactos permanentes podem estar acontecendo lentamente – a pesca, por exemplo, tem diminuído desde 2012. Sem que a ciência olhe para eles, eles ficam fora do radar até que seja tarde demais para evitar”, finaliza.

(Fonte: Agência Bori)