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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Instituto Moreira Salles lança podcast sobre a escritora Clarice Lispector

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Clarice Lispector, agosto de 1969. Foto: Maureen Bisilliat/Acervo IMS.

Aclamada pela crítica e fenômeno popular na internet, Clarice Lispector (1920–1977) é considerada, internacionalmente, um dos grandes nomes da literatura do século XX. Desde 10 de dezembro, data de nascimento da escritora, o público pode saber mais sobre a autora no podcast Clarice Lispector: visões do esplendor, lançado pelo Instituto Moreira Salles. Os cinco episódios do programa estão disponíveis gratuitamente no Spotify e no site da Rádio Batuta, rádio de internet do IMS, além de outros tocadores de podcast.

O lançamento do podcast integra as celebrações da Hora de Clarice, programação anual organizada pelo IMS para comemorar o aniversário da escritora, cujo arquivo está sob a guarda da instituição. Em 2024, Clarice completaria 104 anos. Misteriosa, reveladora, experimental, estranhamente mística ou filosófica – como definir a escrita da autora de A hora da estrela? Essa pergunta norteia o programa concebido e apresentado por Bruno Cosentino, que integra a coordenadoria de Literatura do IMS, e Eucanaã Ferraz, consultor de Literatura do IMS.

Em cinco episódios, Cosentino e Ferraz percorrem a vida e obra da escritora a partir de conversas com especialistas, professores e pesquisadores. O podcast conta também com a participação da cantora Maria Bethânia, que lê trechos do conto ‘Amor’, do texto ‘Mineirinho’ e do livro Perto do coração selvagem, de Clarice, autora que cita como uma de suas referências literárias. Cada episódio começa com a própria voz de Clarice, em fragmentos de um depoimento que a escritora cedeu ao Museu da Imagem e do Som (MIS) na série ‘Depoimentos para a posteridade’, em 1976.

No primeiro episódio, Nádia Battella Gotlib, professora de literatura brasileira da USP e autora da fotobiografia de Clarice, e Regina Pontieri, docente de teoria literária da USP, falam sobre a chegada da escritora ao Brasil, quando ainda era uma criança de colo, acompanhada de sua família, e da mudança do Recife, cidade onde passou a infância, para o Rio de Janeiro. As duas também abordam os estudos de Clarice na Faculdade de Direito, seu casamento e seus três primeiros livros publicados: Perto do coração selvagem, O lustre e A cidade sitiada.

No episódio seguinte, os apresentadores conversam com a crítica literária e psicanalista Yudith Rosenbaum e o músico e compositor José Miguel Wisnik, ambos professores da USP, sobre o período em que Clarice, separada do marido – e após 15 anos fora do Brasil – voltou a viver no Rio de Janeiro com os filhos. Nesse momento, após mais de uma década sem publicar, Clarice lançou dois livros que vinham sendo escritos durante sua estadia no exterior: o romance A maçã no escuro e o livro de contos Laços de família. Nos anos seguintes, também vieram a público A legião estrangeira e A paixão segundo G.H.

A crônica é o tema que norteia o terceiro episódio do podcast, com o escritor e pesquisador Evando Nascimento, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Flávia Trocoli, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os dois comentam a atuação de Clarice na imprensa com a publicação de crônicas no Jornal do Brasil e entrevistas em sua coluna na revista Manchete. Também nessa época, a autora lançou os livros Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres e Felicidade clandestina.

No quarto episódio, o crítico português Carlos Mendes Sousa, professor da Universidade do Minho, e João Camilo Penna, docente de literatura comparada da UFRJ, focam no período em que Clarice escreveu um livro tão breve quanto perturbador, Água viva, lançado em 1973, além de duas coletâneas de contos, A via crucis do corpo e Onde estivestes de noite, ambos publicadas em 1974. No ano seguinte, a autora participou do Congresso Internacional de Bruxaria, na Colômbia.

O podcast se encerra com uma conversa entre Teresa Montero, autora da mais recente biografia de Clarice, À procura da própria coisa, lançada pela editora Rocco, e Sônia Roncador, professora de literatura e cultura brasileiras na Universidade de Illinois, sobre os últimos anos de vida da escritora, com destaque para seu derradeiro livro, A hora da estrela, e os manuscritos de Um sopro de vida, publicado postumamente. As duas também debatem a escrita da autora voltada para o universo infantil em textos memorialísticos, publicados na reunião de contos Felicidade clandestina, e nos livros para crianças – O mistério do coelho pensante, A mulher que matou os peixes e A vida íntima de Laura, entre outros.

Mais informações sobre Clarice no IMS

O arquivo de Clarice Lispector está sob a guarda do IMS desde 2004, sendo formado por biblioteca e documentos, entre os quais manuscritos dos livros A hora da estrela e Um sopro de vida, correspondências e cadernos, entre outros itens. Além de promover a Hora de Clarice, o IMS já homenageou a escritora com o volume duplo (17-18) dos Cadernos de Literatura Brasileira. Também lançou o livro Clarice Lispector – Figuras de escrita, de Carlos Mendes de Sousa, e organizou as exposições Clarice, pintora, apresentada em 2009 no IMS Rio, e Constelação Clarice, exibida em 2021 no IMS Paulista, em 2022 no IMS Rio, quando foi escolhida pela revista britânica de arte contemporânea Frieze como uma das dez melhores exposições do mundo naquele ano. Em 2020, ano de seu centenário, a instituição lançou um site bilíngue, em português e inglês, dedicado à escritora, que é constantemente alimentado com conteúdos sobre Clarice, além de ter sua própria newsletter (saiba mais).

Mais podcasts lançados pelo IMS | No site da Batuta, rádio de internet do Instituto Moreira Salles, é possível ouvir mais podcasts lançados pelo IMS. Entre os destaques, estão Sertões: histórias de Canudos, feito a partir do livro clássico de Euclides da Cunha, Xingu: terra marcada, que narra a história da demarcação do território indígena e dos conflitos em torno dele, e Lima Barreto: o negro é a cor mais cortante, lançado por ocasião do centenário da morte do escritor. Confira os podcasts no site da Batuta.

Serviço:

Podcast Clarice Lispector: visões do esplendor

Disponível no Spotify, no site da Rádio Batuta, entre outros tocadores de podcasts

Gratuito

Guia de episódios (todos já disponíveis)

Episódio 1, ‘O de-dentro’, com Nádia Battella Gotlib e Regina Pontieri

Episódio 2, ‘Largar no chão o corpo antigo’, com Yudith Rosenbaum e Zé Miguel Wisnik

Episódio 3, ‘Nasci incumbida’, com Evando Nascimento e Flávia Trocoli

Episódio 4, ‘A coisa em si’, com Carlos Mendes Sousa e João Camilo Penna

Episódio 5, ‘É tempo de morangos’, com Teresa Montero e Sônia Roncador.

(Com Mariana Tessitore/IMS)

Editora Senac São Paulo lança ‘Absolutamente CHANEL’

São Paulo, por Kleber Patricio

A Editora Senac São Paulo acaba de lançar o livro ‘Absolutamente CHANEL’, da historiadora de moda Catherine Örmen, que convida para uma viagem completa pela história da marca, de sua fundadora Gabrielle Chanel e suas criações de sucesso.

Ao longo das mais de 100 páginas, o leitor irá encontrar histórias de itens icônicos da marca, como a bolsa 2.55, que recebe este nome em virtude de ter sido criada por Coco em fevereiro de 1955 e é objeto de desejo até hoje por muitas pessoas que se interessam por moda. Além dela, o livro destaca a linha de joalheria com a sua marca registrada, as pérolas, perfumaria e maquiagens da marca Chanel, que são sinônimos de qualidade e sofisticação.

No entanto, o ponto alto do título são as réplicas dos croquis e convites dos desfiles para a semana de alta costura de Paris e alguns bilhetes escritos por Coco. Com relação aos figurinos de Chanel, alguns destaques vão para a criação do estilo navy ou náutico, em suas coleções inspiradas nos uniformes dos marinheiros, trazendo para as roupas femininas uma atmosfera leve, contemporânea e despojada.

Outro modelo da Maison que recebe atenção especial no livro com fotos de desfiles, croquis e sua confecção, são os tailleurs de tweed da Chanel que seguem sendo referência de elegância e atemporalidade, com peças que passam de geração em geração e não saem de moda. Um clássico.

Além de percorrer todas as criações de Coco Chanel, a obra também permeia as inovações trazidas por Karl Lagerfeld, designer alemão que esteve à frente da direção criativa da marca de 1983 a 2019 trazendo inovações e frescores, acompanhando sempre a atualidade. Inclusive, Lagerfeld foi o responsável por edições mais modernas de bolsas inspiradas na tradicional 2.55 e pelos desfiles memoráveis no Grand Palais, em Paris.

‘Absolutamente CHANEL’ ainda traz um pouco da história recente da marca sob o comando da estilista Virginie Viard, que assumiu o cargo de diretora criativa da Chanel logo após o falecimento de Lagerfeld e executou com maestria seu trabalho ao colocar uma identidade mais moderna, mas mantendo o DNA da marca. Virginie deixou o cargo da Maison em junho deste ano. Sendo assim, esta publicação da Editora Senac São Paulo apresenta ao público brasileiro a história da marca, em um convite irresistível para adentrar ao universo único e envolvente da Maison Chanel.

Ficha Técnica | Absolutamente CHANEL
Autores: Catherine Ormen
Páginas: 130
Preço: R$299
Onde comprar: Editora Senac São Paulo.

(Com Maria Luiza Malozzi/In Press Porter Novelli)

‘Clipe “Nossa História’: uma homenagem do Instituto Anelo a Luiz Gonzaga no Dia Nacional do Forró

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: André Silva.

O Instituto Anelo lançou na sexta-feira, 13 de dezembro, a música ‘Nossa História’, composição de Lucas Soares em homenagem ao eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A estreia foi publicada às 7h da manhã no canal do Anelo no Youtube, na data em que se comemora tanto o aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga quanto o Dia Nacional do Forró.

A produção de ‘Nossa História’ foi realizada no Instituto Anelo contando com uma equipe de 14 profissionais. Os arranjos ficaram a cargo de Deivyson Fernandez e Josimar Prince e a produção foi conduzida por Elaine Oliveira. A masterização e edição foram realizadas por Thiago Santana. A edição do clipe foi realizada por André Silva, que contou com Kevin Santana, ambos do T7S Estudio, na captação de imagens.

Luccas divide os vocais da canção com Júlia Toledo, cantora e regente dos Coros do Instituto Anelo. “Me senti muito honrada em fazer parte deste projeto. A letra que o Luccas trouxe para contar esta jornada é muito singela, mas cheia de força. O arranjo musical ficou muito rico e traduziu toda a atmosfera que queríamos trazer para esta canção”, comemora Júlia.

“A música narra a trajetória de um casal que coleciona lembranças na construção de uma vida em família e encontra graça e beleza no passar do tempo, tudo isto embalado pelo ritmo acolhedor e caloroso do forró”, destaca Luccas, o compositor da canção, que teve como inspiração as famílias de seus amigos de infância que vieram do Nordeste, para morar em uma das vielas do Jardim Florence, periferia de Campinas. “O Luiz Gonzaga é uma grande referência para mim, como músico. O Nordeste realmente tem uma potência musical muito significativa para todo o Brasil. Eu comecei a me interessar de fato pela música nordestina, inclusive a tocar acordeom, depois de conhecer melhor do Rei do Baião”, complementa.

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Dia Nacional do Forró

O Dia Nacional do Forró foi instituído em 2005 para homenagear Luiz Gonzaga. O músico, nascido em 13 de dezembro de 1912 (Exu, Pernambuco), foi responsável pela popularização dos ritmos nordestinos que compõe o forró por todo o Brasil, como o xote, xaxado, baião, chamego, a quadrilha, o arrasta-pé e pé-de-serra.

O Rei do Baião, conhecido por obras como ‘Asa Branca’, ‘Assum Preto’ e ‘Xote das Meninas’, faleceu em 1989, aos 77 anos, depois de 50 anos de carreira e mais de 70 discos gravados, no Recife.

No ano de 2021, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), declarou o forró como patrimônio cultural do Brasil.

Onde assistir | Plataforma Youtube: @InstitutoAneloOficial.

(Fonte: Yeux Comunicação)

Gincana ecológica promove soltura de mais de 360 mil filhotes de quelônios no interior do Amazonas

Carauari, por Kleber Patricio

Fotos: Rebeca Vilhena.

A cidade de Carauari, no interior do Amazonas, foi palco de uma das mais significativas ações ambientais da região: a soltura de mais de 360 mil filhotes de quelônios nas praias da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Uacari e da Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá. Realizada durante a Gincana Ecológica 2024, em novembro, a iniciativa simboliza o esforço coletivo de comunidades e instituições na conservação da biodiversidade amazônica.

“O projeto não só protege espécies fundamentais para o equilíbrio da nossa Amazônia, mas também inspira as novas gerações a cuidar do que temos de mais precioso: nossa biodiversidade. Ensinar nossos jovens a valorizarem esses esforços é plantar sementes de esperança”, declara Maria Alburquerque, coordenadora do projeto Floresta Mais Comunidade, que apoia a iniciativa.

O evento de soltura reuniu aproximadamente 600 ribeirinhos de 53 comunidades ao longo do rio Juruá e contou com o trabalho dedicado de 66 monitores responsáveis pela preservação de 19 tabuleiros de quelônios neste ano. Durante a semana da Gincana, comunidades como Toari, Morro Alto, Santo Antônio de Brito, Bom Jesus e Gumo do Facão organizaram atividades que destacaram a importância da conservação e do manejo sustentável, além de celebrar o trabalho dos monitores que se dedicam durante meses para a preservação dessas espécies.

Segundo Raimundo Cunha, presidente da Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo (Amecsara), o sucesso da iniciativa reflete o modelo de gestão colaborativa implementado na região. “A Gincana é um evento essencial no Médio Juruá. Além de marcar o encerramento do monitoramento, ela desempenha um papel crucial no engajamento das comunidades e na conscientização ambiental. Vai além das ações locais, abrangendo novos territórios e promovendo um impacto significativo na conservação da região como um todo”, declara Raimundo.

Mais do que um evento, a Gincana é um espaço de interação, especialmente para a juventude, como observado nos últimos anos, com a crescente participação de escolas e professores. “Mudar a mentalidade de um adulto sobre conservação é desafiador, mas trabalhar a conscientização desde a infância, com atividades como a Gincana, é muito mais eficaz, acrescenta.

A Gincana também valoriza o trabalho dos monitores, grandes responsáveis pelo sucesso do monitoramento, e envolve mulheres, jovens e crianças em atividades que promovem educação ambiental e conservação. “Preservar os quelônios é importante, mas não só eles; outras espécies que vivem na praia também são beneficiadas. Ao preservar, garantimos que as futuras gerações possam ver o que vemos hoje. É um trabalho maravilhoso”, afirma Celícia Araújo, monitora de campo que acompanha 19 tabuleiros ao longo de cinco meses.

Parcerias para a conservação

O evento, onde os comunitários atuam diretamente em todas as fases, conta com o apoio de instituições como o Memorial Chico Mendes, Amecsara, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Juruá e da Associação dos Moradores da RDS Uacari (Amaru). Esse esforço conjunto demonstra a força da união entre comunidades e parceiros na proteção dos ecossistemas amazônicos.

“Este projeto é fundamental para a preservação da sociobiodiversidade. Todo mundo sabe que, se não cuidar, não vai ter. Apesar disso, ainda enfrentamos desafios com a pesca ilegal de quelônios. Lutamos por práticas sustentáveis, e é isso que nos motiva”, enfatiza Antônio Silva, morador da comunidade Bom Jesus.

A ação contou com o apoio técnico do Projeto Pé de Pincha da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da gestão da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Parceiros como a Sitawi Finanças do Bem, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) contribuíram para fortalecer redes de conservação e desenvolvimento sustentável.

Manejo sustentável

O trabalho de conservação no Médio Juruá tem gerado resultados notáveis, como o aumento das populações de quelônios. Isso permitiu iniciativas como a criação de quelônios, licenciada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

“Agora, já estamos com os animais prontos para venda. Estamos muito contentes, pois esse era nosso sonho: ter uma fonte de renda sustentável dentro das comunidades. Muitas comunidades já nos procuraram, perguntando se dá resultado, e nós respondemos que sim. Se houver disposição e vontade de preservar, conseguimos”, explica Francisco Mendes, mais conhecido como Bomba, um dos líderes da criação comunitária.

Em abril de 2025 ocorrerá a primeira venda legalizada de quelônios na região, consolidando o manejo sustentável como uma alternativa viável de geração de renda. “Desde 2017, com a resolução do governo do Amazonas que permitiu a criação comercial de quelônios de base comunitária, a universidade tem acompanhado essas experiências no Médio Juruá. Agora, os animais atingiram o peso mínimo de venda e iniciaremos o processo de comercialização no próximo ano”, comenta Paulo Andrade, coordenador do Projeto Pé de Pincha da Ufam.

A criação de quelônios é vista como um avanço significativo para as comunidades locais, fortalecendo práticas sustentáveis e promovendo a preservação ambiental. “Esse é um grande avanço. Com a comercialização, vamos valorizar ainda mais o trabalho dos monitores e inspirar outras comunidades a adotar práticas sustentáveis”, conclui Francisco Sollivan, presidente da Amaru.

Memorial Chico Mendes | O Memorial Chico Mendes, fundado em 1996 pelo CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação do legado do ativista ambiental Chico Mendes e à promoção de projetos sociais e ambientais na Amazônia. Por meio de diversas iniciativas, busca contribuir para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das comunidades extrativistas.

(Com Emanuelle Araújo Melo de Campos/Up Comunicação Inteligente)

Ansiedade: “Não há nada pior para uma mente ansiosa do que ser excluído”, explica cientista da mente

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgção

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 18 milhões de brasileiros sofrem com o transtorno de ansiedade, isso simboliza cerca de 9% da população. Com esses dados recentes, reforça a urgência das pessoas procurarem o tratamento ideal para lidar com a doença. Wanessa Moreira, cientista da mente e autoridade no campo da terapia, explica que a ansiedade é o resultado do aumento exponencial de inúmeras tarefas desse tempo atual; ou seja, o acúmulo de funções que acaba gerando muito estresse. O ser humano está cercado de decisões para serem tomadas o tempo todo, isso pode contribuir para o crescimento da ansiedade.

“Você foi excluído do grupo. Parece uma simples frase, mas esse ato tem um poder avassalador na vida de uma pessoa que sofre de ansiedade. Existem pessoas que passam mal diante de mensagens desse contexto. Acontece que não há nada pior para a mente ansiosa do que ser excluído, rejeitado, bloqueado, ter o relacionamento ou trabalho finalizado de forma abrupta e sem resposta”, comenta a terapeuta.

A preocupação excessiva, os pensamentos acelerados e repetitivos, o medo desmedido, as atitudes compulsivas e demais características dos transtornos de ansiedade podem trazer consequências em curto, médio e longo prazos para uma pessoa. Os impactos negativos comprometem a qualidade de vida. E, também, os relacionamentos pessoais e profissionais, a capacidade produtiva e a relação da pessoa com o mundo. A terapeuta Wanessa Moreira desenvolveu o projeto intitulado bloco terapia, que tem como objetivo transformar a ansiedade em habilidades de tomada de decisão. Essa abordagem é especialmente benéfica para aqueles que enfrentam desafios emocionais, ajudando-os a superar barreiras internas e a desenvolver uma maior clareza e confiança nas escolhas que fazem em suas vidas. “Por não compreender o que aconteceu de fato ou não conseguir uma explicação da outra parte que a fez romper os laços, faz com que a mente entre em um colapso de possibilidades e trava exatamente nesse lugar. Não é a necessidade de convencer o outro a não excluir, mas simplesmente por não encontrar coerência ou lógica. A mente é um grande scanner de padrões e quando se depara com um muro, com a ausência de coerência e lógica daquilo que a pessoa registrou, leva a um caos sem tamanho”, pontua Moreira. “O estrago é grande se a pessoa não tiver um acompanhamento que a ajude a ver o passo a passo que levou a exclusão – a sair das ilusões e, principalmente, sair da culpa. Essa quantidade de dopamina lançada na ansiedade sem resposta, nesse loop da mente, faz com que a própria pessoa comece a distorcer a realidade ou a história e contar mentiras para si mesma para suportar o terror do vazio ou da falta de informação”, acrescenta.

A ansiedade entre crianças e jovens tem aumentado nos últimos anos e, em 2023, superou a taxa de adultos. Entre 2013 e 2023, o número de internações relacionadas a estresse e ansiedade em adolescentes e jovens de 13 a 29 anos cresceu 136%. “Os jovens estão adoecendo por tentar se comunicar e não conseguem, pois há uma divergência de como processam a informação. É como uma plataforma de celular IOS ou Android – são diferentes e geralmente quem usa uma não terá facilidade para fazer uso da outra. Essa geração nativa digital aprende a se comunicar em infolinguagem, que é a linguagem do passo a passo da rede; não há dedução, há um fio linear para cada ação. Como por exemplo, clique aqui, aguarde instantes, selecione aqui, agora siga para esse local, escolha uma das opções e assim por diante. Essa comunicação passo a passo gera uma segurança de não estar no escuro”, esclarece Wanessa Moreira.

“A tecnologia não é a causadora da ansiedade, o problema está em conseguir se comunicar fora da rede com assertividade ou, ainda, conseguir se comunicar dentro da rede com efetividade. Com um bom uso, a tecnologia é incrível. A necessidade de rolar as telas em excesso ou ainda a necessidade de passar o dia digitando com as pessoas sem conseguir fazer mais nada a partir disso acontece porque a mente está em ‘loop’ com algumas situações; como o Pi 3,14159265359, é um número irracional de uma constante que não deixa a mente encontrar uma lógica de como agir para lidar com a situação que gera o ‘loop’ e a mente vai em busca de pistas na rede, ficando plugada nas telas sem entender o motivo”, finaliza.

A ansiedade possui diferentes tipos que podem ser classificados como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno de Pânico (TP), Transtorno de Ansiedade Fóbico (ou fobia social), Agorafobia, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e Transtorno de Ansiedade de Separação. Ansiedade é coisa séria e deve ser tratada com responsabilidade. Procure um médico.

Sobre Wanessa Moreira | Wanessa Moreira é cientista da mente e autoridade no campo da terapia. Mestre em Fisiopatologia de Clínica Médica pela Unesp com mais de 20 anos de experiência. Desenvolveu a Geometria da Mente, uma neuro linguagem com a finalidade de transformar a ansiedade em tomada de decisão e poder de ação que consiste em um mapa mental com formas geométricas que traduzem os pensamentos e colocam cada um deles em uma sequência linear, que possibilita, de forma tangível, visualizar e agir mediante o que está tomando espaço dentro da mente do paciente. Essa abordagem é especialmente benéfica para os ansiosos desenvolverem uma maior clareza e confiança nas escolhas que fazem em suas vidas. Possui mais de 26 mil atendimentos e é autora de dois livros: ‘A Trajetória da Borboleta’ (2013) e ‘Recalculando a Rota’ (2022).

(Com Paulo Sanseverino)