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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Guri 30 anos: inscrições para mais de 100 mil vagas em cursos gratuitos de música estão abertas

São Paulo, por Kleber Patricio

Coral do Guri de São Vicente. Foto: Wilson Melo.

Em 2025 o Guri celebra 30 anos. Até aqui, mais de um milhão de crianças, adolescentes e jovens já passaram pelo programa de educação musical da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura. Muitas famílias e comunidades foram beneficiadas e o maior programa de desenvolvimento cultural e formação humana do Brasil segue ampliando seu trabalho.

A partir de 3 de fevereiro já é possível fazer a matrícula para os cursos deste ano. Ao todo são mais de 100 mil vagas distribuídas em mais de 500 polos de ensino espalhados pela capital, região metropolitana, interior e litoral do estado. Para quem está interessado em aprender música, o momento é agora. E, o que é melhor, não paga nada para se matricular e nem para estudar – é tudo gratuito. As aulas começam no dia 10 de fevereiro, mas as inscrições podem ser feitas até 14 de março de 2025.

Inscrição

Para realizar a matrícula, é necessário comparecer ao polo de ensino que deseja estudar, na companhia de um responsável e apresentar os seguintes documentos: certidão de nascimento ou RG (original e cópia), comprovante de matrícula escolar e/ou declaração de frequência escolar, RG da pessoa de referência que estará junto (original e cópia), uma foto 3×4 recente e comprovante de endereço para consulta.

Quem pode participar

Para estudar no Guri não é preciso ter conhecimento musical e nem ter o instrumento em casa. O Guri oferece cursos regulares de iniciação musical (de 6 a 9 anos) e curso sequencial (10 a 18 anos), que ensina a cantar ou a tocar um instrumento de forma fundamentada e consistente. Nesta modalidade, as alunas e os alunos podem optar por uma dentre as diversas opções de instrumento, a depender da oferta de cada polo de ensino.

Cursos

São diversas disciplinas musicais oferecidas e as opções variam de acordo com cada polo de ensino. Em instrumentos, há cursos de violão, bateria, guitarra, contrabaixo elétrico, acordeão, cavaquinho, bandolim, viola caipira, violão de 7 cordas e muito mais, como piano, teclado e percussão. Há também cursos dos instrumentos que compõem uma orquestra, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo acústico, flauta doce, flauta transversal, clarinete, saxofone, oboé, fagote, trompete, trompa, trombone, tuba, eufônio, percussão e por aí vai – a lista é extensa. Além das tradicionais aulas de instrumento, o Guri também oferece aulas de canto coral e teoria musical, além da organização das práticas de conjunto de acordo com cada tipo de instrumento.

O foco do programa está no atendimento a crianças, adolescentes e jovens, mas a proposta artístico-pedagógica do Guri também visa atender as famílias das alunas e dos alunos matriculados nos cursos. Os maiores de 18 anos interessados em aprender música também podem se matricular nos cursos de Iniciação Musical para Adultos e nos cursos modulares de caráter intergeracional.

A lista completa dos cursos e endereços dos polos está disponível no site souguri.art.br. Antes de sair de casa, entre em contato com o polo de interesse para confirmar os dias e horários de funcionamento.

Sobre o Guri

O maior programa de educação musical e desenvolvimento humano do Brasil, criado e mantido pelo Governo do Estado de São Paulo, sob gestão da Santa Marcelina Cultura, está completando 30 anos em 2025. Com oferta de arte e cultura, mais de 1 milhão de crianças, adolescentes e jovens já passaram pelo Guri, que beneficiou também suas famílias e comunidades. Com mais de mais de 100 mil vagas gratuitas, o Guri está presente em mais de 500 polos de ensino espalhados por todo o Estado – capital, região metropolitana, interior e litoral de São Paulo. Do canto ao instrumento, do popular ao erudito, são inúmeras opções. Além dos Cursos Regulares – divididos entre Iniciais e Sequenciais –, o Guri oferece atividades extracurriculares, como os Cursos Livres – Modulares, Iniciação Musical para Adultos e Luteria, e ainda o Guri 4.0 – que abrangem os cursos EaD, as videoaulas e as transmissões ao vivo no canal @SouGURI no YouTube. Outra ação complementar é o Guri nas Escolas, que oferece atividades pedagógico-musicais dentro das escolas da rede pública de ensino. Aos alunos e às alunas do programa que buscam um aprimoramento mais avançado, também tem os 29 Grupos Musicais do Guri. Para saber mais, acesse souguri.art.br.

Patrocinadores da Santa Marcelina Cultura – O Guri conta com os patrocínios Diamante: CTG Brasil; Master: Bank of America, Ultra e Toyota; Ouro: Tauste Supermercados, Arteris, Adufértil, Chiesi e Verzani & Sandrini; Prata: Novelis, Smurfit Westrock, BASF, WEG, Citrosuco, Capuani, Usina Santa Maria, Sicoob, Vitafor, Maza, Industrias Colombo, Caterpillar e Grupo Maringá; Bronze: Santos Brasil e ACIF-Franca; Apoio Cultural: Frisokar, Ipiranga Agroindustrial, Instituto Center Norte, Mercedes-Benz, Ibiúna Investimentos, Castelo Alimentos, Pirelli e Tegma, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e Santa Marcelina Cultura.

(Com Gabriel Fabri/FSB Comunicação)

Espetáculo ‘A Cobradora’, da Zózima Trupe, leva histórias do ônibus para palcos de São Paulo e ABC

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Christiane Forcinito.

“Quando você abre a porta do ônibus é igual uma porta de uma igreja, qualquer um entra: o preto, o branco, o pobre, o rico, o ladrão, o estuprador, ou seja, você vê de tudo um pouco.” –  Maria das Dores, cobradora.

Após 18 anos tendo o ônibus e a cidade como mote para suas investidas e pesquisas cênicas, o grupo paulistano Zózima Trupe retoma seu espetáculo ‘A Cobradora’, para uma circulação com entrada gratuita, de 7 de fevereiro a 23 de março, em São Caetano do Sul, Mauá e São Paulo. A peça traz no palco a atriz Maria Alencar Rosa sob direção de Anderson Maurício a partir da dramaturgia de Cláudia Barral. A Zózima Trupe é um coletivo teatral paulistano reconhecido desde 2007 pela pesquisa que faz sobre o ônibus urbano como espaço cênico, um lugar democrático e descentralizado do fazer teatral. Dessa percepção, somada às muitas histórias ouvidas das cobradoras do Terminal Parque Dom Pedro, nasceu o espetáculo, o primeiro da companhia a ser realizado em um palco italiano.

Em cena, a personagem Maria das Dores, que se renomeia Dolores por não gostar de seu nome. E ela segue sendo Dolores, um nome que traz em si a dor das mulheres que ela representa e encerra em si todas as Marias e outras mulheres que circulam por uma cidade árida, composta por empregos destinados a homens e, outros, a mulheres. Subverter é a ordem do dia.

A dramaturgia de Claudia Barral traz para o palco todas essas ‘Marias’ das histórias reais, trançadas umas às outras, permeadas pela violência, por mortes, pela sobrevivência diária em busca do sustento, da dignidade, vidas que se emaranham no amor, amizade, luta, tristeza, solidão, revolta, presentes em todas as mulheres. Cada narrativa tinha sua particularidade, mas em cada uma delas algo a ligava a outra mulher, com outra história, com semelhanças na dor ou nos receios ou nas expectativas. Únicas, mas ligadas por sentimentos comuns.

A pesquisa em A Cobradora vai além da trabalhadora das catracas, explorando a mulher que cobra direitos, percebe injustiças e exige igualdade, evocando a figura de ‘Lilith’, símbolo da insubmissão feminina e da luta contra opressões históricas. Paralelamente, surge a ‘Eva’, carregando a culpa atribuída pela destruição do Paraíso. Contudo, no mundo contemporâneo, é a violência masculina, refletida nas crescentes estatísticas de feminicídio, que destrói o paraíso — as casas, famílias e vidas de mulheres e filhos. Se há paraíso, é o homem quem o arrasa repetidamente.

Acessibilidade

As apresentações contarão com ações que contemplem e engajem a participação de pessoas com deficiência. Serão realizadas cinco apresentações com intérpretes de libras e narrações de audiodescrição ao vivo, além de legendas em todo material audiovisual. Também será realizada divulgação em espaços de acolhimento a pessoas com deficiência, como residências inclusivas e institutos assistenciais, além do mapeamento e divulgação de rotas acessíveis para os teatros a partir de pontos estratégicos e outras ações de acessibilidade e inclusão.

Sinopse

O espetáculo traz ao palco histórias narradas de muitas mulheres, representando desde figuras arquetípicas do universo feminino (como Eva ou Lilith), a figuras representativas do cotidiano urbano, construídas através de histórias orais de cobradoras de ônibus. A trabalhadora das catracas, que cobra o seu espaço numa sociedade patriarcal. Essa personagem cobra de si e do mundo os múltiplos desejos-sonhos que lhe foram roubados. Em cena, a mulher cobradora – a trabalhadora, mas também a insubmissa, que cobra seu direito pela dignidade, igualdade e justiça. Quais os espaços que a mulher pode ocupar?

Trajetória da Zózima Trupe

Durante sua trajetória, a Trupe desenvolveu diversos projetos que culminaram na criação e realização dos espetáculos ‘Cordel do amor sem fim’ (2007), de Cláudia Barral, apresentado mais de 650 vezes em vários estados brasileiros e também encenado no continente europeu, ‘Valsa Nº 6’ (2009), de Nelson Rodrigues, ‘O Poeta e o Cavaleiro’ (2010) – livre inspiração na obra literária de Pedro Bandeira e contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (Funarte), ‘Dentro é Lugar Longe’ (2013), de Rudinei Borges, e ‘Os Minutos que se vão com o Tempo’ (2016), com dramaturgia em processo compartilhado com Cláudia Barral e o primeiro espetáculo encenado em ônibus de linha; ‘Iracema via Iracema’, em parceria com o Agrupamento Andar7 (2017), ‘Desterro’ (2018) e ‘A Cobradora’ (2019), ambos com dramaturgia de Cláudia Barral.

A companhia também esteve nos projetos: 1ª Mostra de Teatro no Ônibus (2009) e Plantar no Ferro Frio do Ônibus o Ninho – Residência artística por um teatro do encontro sem fronteiras (2012/2013) contemplado pela 20ª edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, e ‘Os Minutos que se vão com o tempo: da imobilidade urbana ao direito à poesia, à cidade e à vida’, contemplado pela 24ª Edição da Lei de Fomento.

A Trupe foi um dos grupos selecionados para representar o Brasil no I Mercado de Indústrias Culturais dos Países do Sul (Micsul), em maio de 2014 e da 15ª Edição – PLATEA Santiago A Mil, em 2015. A Zózima Trupe foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Inovação pela pesquisa contínua e ampliação do público para o teatro, em 2019.

Trajetória do espetáculo ‘A Cobradora’

Na construção do espetáculo, A Cobradora mostrou, em 2017, um fragmento na Mostra de Teatro no Ônibus, no Terminal Parque Dom Pedro ll e na Casa de Cultura São Mateus. Em 2018, no formato palco, como abertura de processo, esteve no Sesc São Caetano do Sul. Ainda em 2018, dentro do projeto Zózima Visita, foi apresentada na rua, na Praça da Liberdade (pelo Sesc Carmo).

Em 2019, o espetáculo estreou no Sesc Vila Mariana com uma temporada de setembro a outubro, retornando aos palcos em março de 2020 no Sesc Jundiaí, pouco antes do início da pandemia e do fechamento dos espaços culturais em São Paulo. Durante o período de isolamento, migrou para o formato online, participando do Em Casa com Sesc e do projeto Cobradoras e Porteiros, o Contágio Começa na Invisibilidade, pelo Prêmio Zé Renato (maio e junho/2021), além de uma exibição no canal da Biblioteca Mário de Andrade (2021). Em 2022, retomou as apresentações presenciais no Sesc Guarulhos e, em 2023, esteve nos Sescs São Caetano e Itaquera. Em 2024, integrou a programação do Itaú Cultural, com sessões no Sesc Campinas e novamente no Sesc Itaquera.

Ficha técnica

Atriz criadora: Maria Alencar Rosa

Encenação: Anderson Maurício

Dramaturgia: Cláudia Barral

Vídeo mapping: Leonardo Souzza

Preparação corporal e movimento: Natalia Yukie

Preparação Vocal: Marilene Grama

Trilha sonora original: Rodrigo Florentino

Iluminação: Tomate Saraiva, Otávio Rodrigues e Junior Docini

Operadora de luz: Junior Docini

Operadora de som: Pero Manzé

Cenografia: Anderson Maurício e Nathalia Campos

Construtor Cênico: Alício Silva

Figurino: Tatiana Nunes Muniz

Adereços cenográficos: Nathalia Campos

Conteúdo de vídeo: Leonardo Souzza

Orientação de vídeo mapping: Ana Beraldo e Ihon Yadoya

Produção geral: Tatiane Lustoza

Assistente de produção: Iara Nazario, Samyra Keller, Kauã Ferreira e Maytê Costa

Fotografia: Leonardo Souzza

Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Marina Franco.

Serviço:

A Cobradora

Duração: 65 minutos | Classificação indicativa: 16 anos

Retirada de ingressos: Telefone e Whatsapp (11) 94872-5023

FEVEREIRO

7/2, sexta, às 20h e 8/2, sábado, às 11h: Fundação das Artes – R. Visc. de Inhaúma, 730 – Oswaldo Cruz, São Caetano do Sul – SP

14/2 e 15/2 – sexta e sábado, às 20h: Teatro de Mauá – R. Gabriel Marques, 353 – Vila Noemia, Mauá – SP

21 e 22/2 – sexta e sábado, às 20h, 23/2, domingo às 19h: Teatro Flávio Império – R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo – SP

26 e 27/2 – quarta e quinta, às 20h: Teatro Alfredo Mesquita – Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo – SP

MARÇO

13 e 20/3 – quintas, às 20h30: SP Escola de Teatro – Praça Franklin Roosevelt, 210 – Bela Vista, São Paulo – SP

22 e 23/3 – sábado, às 20h e domingo, às 19h: Centro Cultural Santo Amaro – Av. João Dias, 822 – Santo Amaro, São Paulo – SP.

(Com Marina Franco/Canal Aberto Comunicação)

Celebrando a ancestralidade, Nara Couto apresenta ‘Orí’ no Sesc Vila Mariana com participação de Zezé Motta e Egbomy Cici de Oxalá

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

No dia 7 de fevereiro, a multiartista baiana Nara Couto apresenta o show do álbum ‘Orí’, lançado em agosto de 2024, no Sesc Vila Mariana, a partir das 21h. Com participação de Zezé Motta e Egbomy Cici de Oxalá, o espetáculo promete abrir portais para infinitos mundos, trazendo arranjos assinados por Letieres Leite (1959–2021) e pelo músico moçambicano Otis Selimane, responsável também pela direção musical da apresentação, que destaca elementos rítmicos e melódicos de diversos universos africanos.

“O show Orí vem em tom de celebração. Vamos celebrar Orí (cabeça), a divindade que rege nossos caminhos, ao lado da nossa Griot Vovó Cici. A celebração também marca a exposição Leila em Nós, que está em cartaz no Sesc Vila Mariana até dia 9 de fevereiro. Para essa ocasião especial, terei a honra de contar com a presença de Zezé Motta como convidada. Estamos celebrando vidas, arte e ancestralidade”, diz Nara Couto.

A apresentação foi criada a partir de uma pesquisa etnomusical profunda e contemporânea, trazendo canções que são verdadeiros encantamentos musicais para celebração do bem-viver com o seu público. A apresentação é marcada por um repertório baiano e do continente africado (Guiné Bissau e África do Sul), construído através das referências pessoais e artísticas de Nara Couto e conta com releituras de canções do Ilê Aye, Roberto Mendes e Gilberto Gil.

Sobre Nara Couto

Nara Couto é uma pesquisadora das culturas africanas e afro-brasileiras. A multiartista, que nasceu no bairro do Curuzu, em Salvador, radicada em São Paulo, começou a pesquisar ainda adolescente, sobre a relação da musicalidade baiana com o continente africano. Influenciada pelas batidas do bloco afro Ilê Aiyê, se especializou em dança afro contemporânea. Atuou no Balé Folclórico da Bahia e com grandes artistas da música Brasileira, ingressou na Orquestra Afro Sinfônica, em 2009, como vocalista Mezzo Soprano até iniciar sua carreira solo.

Sobre Egbomy Cici de Oxalá

Foto: Divulgação.

Egbomi Cici de Oxalá, nascida Nanci de Souza Silva em 2 de novembro de 1939 no Rio de Janeiro, é uma renomada contadora de histórias e mestra griot que dedica sua vida à preservação e disseminação das tradições afro-brasileiras. Iniciada no candomblé em Salvador em 1972, ela é filha de Oxalá e Oxum e é carinhosamente conhecida como Vó Cici. Ao longo de sua trajetória, Vó Cici trabalhou com o antropólogo e fotógrafo Pierre Verger auxiliando na catalogação de milhares de fotografias relacionadas à cultura afro-brasileira e africana. Atualmente, atua no Espaço Cultural Pierre Verger, onde compartilha seu conhecimento com crianças em situação de vulnerabilidade e com pesquisadores interessados na cultura afro-brasileira. Reconhecida por sua sabedoria e dedicação, Vó Cici foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), destacando-se como uma educadora que transcende disciplinas e gerações.

Sobre Zezé Motta

Foto: Gabriela Maria Afroafeto.

Atriz e cantora, há mais de 60 anos Zezé Motta se dedica à cultura no Brasil. Nascida em Campos, no interior do Rio de Janeiro, ela estudou no Teatro Tablado e começou a carreira profissionalmente em 1968 com a peça “Roda Viva” de Chico Buarque de Hollanda. Na música, lançou mais de 10 LP’s e Cd’s, apresentou-se em Hannover (Alemanha), Carnegie Hall de Nova York (EUA), Olympia de Paris, e em países como Venezuela, México, Chile, Argentina, Angola e Portugal. É uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado, denunciando casos de racismo. Ao todo, são mais de 50 projetos realizados na TV e mais de 70 filmes realizados no Brasil, Angola e Venezuela.

Serviço:

Nara Couto apresenta Orí @ Sesc Vila Mariana

Data: 7 de janeiro, sexta-feira | Horário: 21h

Endereço: R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo – SP

Participações: Zezé Motta e Egbomy Cici de Oxalá

Ingresso: R$18,00 (credencial plena), R$30,00 (meia entrada), R$60,00 (inteira)

Compra online

Capacidade: 611 pessoas

Contato: +55 (11) 5080-3000.

(Com Letícia Tie/Alets Comunicação)

Conservação florestal garante a produtividade do cacau no Pará e na Bahia, mostra estudo

Brasil, por Kleber Patricio

Área analisada abrange 161 municípios responsáveis por 93% da produção nacional de cacau. Foto: Jeser Andrade Arango/Pixabay.

A conservação de florestas favorece a produtividade do cacau na Bahia e no Pará, estados líderes na produção brasileira do fruto, que é o principal ingrediente do chocolate. É o que aponta estudo publicado nesta quinta (30), na revista ‘Environmental Conservation’ por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e das universidades federais do Pará (UFPA) e de Goiás (UFG). No Pará, municípios que preservaram suas florestas tiveram aumento de cerca de 65% na produtividade do cacau desde a década de 80. Já municípios que sofreram forte desmatamento tiveram perdas de produtividade, alguns com reduções de mais de 40%. A maioria dos municípios baianos perderam produtividade ao longo do período de monitoramento, mas aqueles que recuperaram suas florestas tiveram perdas menos acentuadas.

Os pesquisadores reuniram dados históricos sobre a produção do fruto em 161 municípios da Bahia (101) e do Pará (60). A área analisada abrange cerca de 552 mil hectares, o que representa 93% da produção nacional. A equipe calculou a diferença na produtividade entre os períodos de 1985 a 1987 e 2019 a 2021, comparando métricas como variação da cobertura florestal, da extensão de terras cultivadas e do nível de fragmentação florestal, assim como as áreas totais municipais e a porcentagem dedicada ao cultivo.

“Independentemente do histórico de uso do solo nas regiões estudadas, nosso trabalho deixa claro que a perda de cobertura florestal é um fator determinante para a queda na produção”, ressalta Gustavo Júnior de Araújo, pesquisador do ITV e autor principal da publicação. “Os municípios da Bahia vêm sofrendo com a degradação da Mata Atlântica desde o século 18 e a conversão de florestas para agricultura nessa região foi muito intensa”, explica o pesquisador.

O estudo também revelou que os efeitos sobre as propriedades produtoras podem variar conforme o tamanho da área de cultivo. Em municípios paraenses nos quais o cacau não é o principal produto agrícola, a maior cobertura florestal beneficiou apenas grandes propriedades – aquelas com mais de 10 hectares –, possivelmente devido aos maiores recursos financeiros desses produtores. Florestas densas aumentam a distância até centros comerciais e dificultam o acesso a tecnologias, o que pode limitar a lucratividade das pequenas propriedades. Já na Bahia, a produtividade, em ambas as escalas, foi menor em municípios com maior fragmentação florestal.

As conclusões alertam para a necessidade de repensar as práticas agrícolas utilizadas. “Em busca de retornos financeiros mais rápidos, muitos produtores recorrem a monocultivos de cacau a pleno sol, com variedades clonais”, relata Araújo. “Além das incertezas sobre a sustentabilidade desse modelo, a expansão dos monocultivos pode reduzir as florestas naturais e os serviços ecossistêmicos essenciais à cacauicultura”, complementa. Araújo explica que a conservação das florestas é essencial para a regulação climática natural, proteção do solo, polinização e controle biológico de pragas, por exemplo.

O autor defende a implementação de práticas que equilibram a produção e a conservação das florestas como passo fundamental para uma cacauicultura mais eficiente e ecológica. “É necessário incentivar políticas públicas que promovam os benefícios dos sistemas agroflorestais, apoiar financeiramente os produtores na transição para sistemas mais sustentáveis e fomentar a pesquisa sobre a viabilidade e os impactos dos monocultivos de cacau”, aponta. Araújo e sua equipe devem continuar contribuindo com a investigação de questões como a influência da diversidade genética das plantas, do clima e dos microrganismos presentes no solo, atentando para a rentabilidade dos produtores de cacau aliada à conservação da floresta.

DOI: https://doi.org/10.1017/S0376892924000304.

(Fonte: Agência Bori)

Bicho-barbeiro contaminado é encontrado na zona oeste de São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

Um exame realizado a pedido de pesquisadores do Instituto Butantan confirmou que um bicho-barbeiro, encontrado no prédio Lemos Monteiro, que fica no complexo do Instituto, na zona oeste da Capital, estava contaminado com protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. O inseto, que tem hábitos noturnos, foi localizado às 15h30, em uma escada interna de acesso à copa dos funcionários, em 31 de outubro do ano passado. Após um mês, outro inseto vivo foi encontrado no mesmo local e também foi confirmada a contaminação pelo parasita.

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) teve acesso ao laudo do Labfauna, Laboratório Municipal de Saúde Pública, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo que confirmou a contaminação. “No dia em que os técnicos da vigilância em saúde da prefeitura vieram fazer uma vistoria para procurar o foco da infestação, eles nos informaram que outros dez bichos-barbeiros haviam sido localizados em outra área do Instituto e que dois destes estavam contaminados por Trypanosoma cruzi”, afirma Patricia Clissa, membro da diretoria da APqC.

Além do Instituto Butantan, casos confirmados também foram registrados no Campus da Universidade de São Paulo (USP) em novembro de 2023. Desde 2019, a região do Zoológico, na zona sul da Capital, também tem enfrentado casos de bicho-barbeiro infectado. “É de conhecimento da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), ligada à Secretaria de Estado da Saúde que há a presença de animais reservatórios do parasita, os saruês ou gambás, infectados com o Trypanosoma cruzi na periferia de São Paulo, mas não estamos vendo providências para alertar a população do entorno sobre medidas educativas e de prevenção de acidentes”, comenta Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC.

As confirmações ocorrem ao mesmo tempo em que a estrutura de laboratórios da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), extinta em 2020, aguarda a devida reestruturação dentro da composição administrativa do Instituto Pasteur, da Secretaria de Estado da Saúde, para que possa voltar a realizar suas atividades da forma eficiente que vinham sendo realizadas. “Já se passaram mais de quatro anos desde que o Estado tomou a decisão irresponsável de extinguir a Sucen e, até agora, mais de dez laboratórios seguem sem um CNPJ, comprometendo gravemente a realização de pesquisas. Equipes de vigilância e pesquisa foram separadas, sendo direcionadas para órgãos diferentes, impactando diretamente o papel do Estado na coordenação do controle de endemias, como é o caso da doença de Chagas, transmitida pelo bicho-babeiro”, afirma Lutgnes.

Apesar de ser uma região com histórico de casos de bicho-barbeiro infectados, conforme os pesquisadores ligados à APqC, o surgimento de insetos pode estar relacionado aos impactos ambientais provocados pela expansão imobiliária na zona oeste de São Paulo.

“O próprio Instituto Butantan fez uma supressão importante de árvores para sua expansão, enquanto no entorno há uma verticalização gigantesca, com a construção de prédios no lugar de casas, com supressão de vegetação e isso tudo acaba alterando o ambiente, deslocando os saruês de seu habitat natural e favorecendo o contato do bicho-babeiro com os humanos. O que mais nos preocupa é que se nenhuma atitude for tomada pela Secretaria de Estado da Saúde no que diz respeito a alertar a população e reestruturar as atividades da Sucen para que voltem a ser conduzidas de forma articulada junto às vigilâncias municipais; isto pode resultar em infecções de seres humanos, se é que elas já não estão ocorrendo”, diz a presidente da APqC.

Pesquisa científica da Sucen

Para tentar reativar as atividades que eram desenvolvidas pela Sucen, no começo do ano passado o promotor de justiça Arthur Pinto Filho se reuniu com representantes da Secretaria de Estado da Saúde, da APqC e do Instituto Pasteur para onde foram realocados os pesquisadores da Sucen. Um procedimento foi aberto para acompanhar o caso, mas não houve avanços.

Em dezembro, em ofício ao procurador-geral de Justiça do Estado, Paulo Sérgio de Oliveira Costa, a deputada Beth Sahão (PT) solicitou informações sobre o procedimento. Além da doença de Chagas, a Sucen monitorava, coletava e pesquisava outros vetores causadores de doenças graves, como febre amarela, dengue, chikungunya, zika e malária, dentre outras.

Entenda a situação da Sucen

Em uma breve retrospectiva, em outubro de 2020 foi aprovada a Lei 17.293/20 que extinguiu a Sucen. Em abril de 2022 foi publicado o Decreto 66.664/22 que efetivou a extinção, a desocupação do prédio da Cardeal Arcoverde em Pinheiros, a realocação dos mais de 800 servidores, entre outras medidas.

No prédio da Cardeal Arcoverde se centralizavam as ações de recebimento dos bicho-barbeiros infectados para análise do conteúdo intestinal e realização de exames sobre infecção e coleta de material para verificação da fonte alimentar para verificar se algum inseto havia picado um humano, permitindo uma ação rápida para a prevenção da Doença de Chagas, que deve ser realizada nos primeiros 60 dias após a infecção. Esta atividade não está mais sendo realizada por nenhum órgão do estado devido à extinção da Sucen.

Laudo confirmando contaminação: Bicho-barbeiro-Laudo_47926-1_2024 (1).pdf

Ofício ao MP-SP (dezembro 2024):

Ofício 195-2024. Ministério Público do Estado de São Paulo. Requerimento. Superintendência de Controle.pdf

Mais informações: apqc.org.br.

(Com Marcia Bernardes/Agência FR)