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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Mental Abstrato apresenta álbum ‘UZOMA’ no Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Mental Abstrato. Foto: KVPA.

O grupo Mental Abstrato sobe ao palco do Sesc 24 de Maio no dia 17 de janeiro, às 20h, para apresentar o show do seu segundo álbum, UZOMA. Referência no estilo Jazz Rap no Brasil, o grupo é formado por Omig One, Calmão, e Guimas Santos, que desde 2005 conquistam reconhecimento internacional com suas criações que mesclam o jazz contemporâneo e o hip hop.

Gravado no Red Bull Music Studios São Paulo, UZOMA é uma trilha sonora urbana que traduz a música brasileira contemporânea, dos subúrbios de São Paulo para o mundo, com influências afro-jazzísticas marcantes.

Com uma trajetória consolidada, o Mental Abstrato já realizou shows em festivais pelo Brasil e exterior, dividindo palco com nomes como Elza Soares, João Donato, Azymuth, Robert Glasper, e Joey Bada$$.

Sobre o grupo

Precursores do Jazz Rap no Brasil, o Mental Abstrato é reconhecido por sua autenticidade e internacionalização, com discos lançados no Japão e nos Estados Unidos, além de parcerias com selos europeus. Em 2014, a música Baião entrou no top 10 da BBC Radio London, sendo destacada pelo renomado produtor musical Gilles Peterson.

Ouça: Spotify / DEEZER / Apple Music / YouTube Music

Veja: You Tube.

Serviço:

Mental Abstrato – Show do álbum Uzoma

Data: 17/1, sexta-feira, às 20h

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 12 anos

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 7/12 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 8/12 – R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc).

Duração do show: 90 min

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

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sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc SP)

CAIXA Cultural RJ recebe a exposição individual ‘Solfejo’, de Felippe Moraes

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Solaris Discotecum, 2023. Foto: Estúdio Em Obras.

Obras que emitem som através da interação do visitante, peças com luz de néon e backlight, fotografias de ondas sonoras e concertos com representações das músicas dos planetas são algumas das experiências propostas pela exposição ‘Solfejo’, do artista carioca Felippe Moraes, com texto curatorial assinado por Victor Gorgulho, que vai ocupar a Caixa Cultural RJ: tanto a Unidade Passeio como o Teatro Nelson Rodrigues. A mostra fica em cartaz de 14 de janeiro a 30 de março, com entrada gratuita.

Nesta que é a maior mostra de sua carreira, Moraes apresenta cerca de 50 trabalhos criados ao longo dos últimos 15 anos. A mostra estreou em 2019, em São Paulo, quando alcançou um público de cerca de 25 mil pessoas. Cinco anos depois, ela chega ao Rio revista, ampliada e transformada para falar da cidade natal do artista, que nasceu na Zona Norte.

“Sou um artista carioca e suburbano profundamente interessado pelo samba e pelo Carnaval. A música é constitutiva tanto da minha identidade quanto da do Rio de Janeiro, que se reinventa todos os fevereiros pelas canções que canta e brinca. Pensando nisso, o convite para realizar uma exposição nos arredores da Lapa e da Cinelândia durante o verão me compeliu a atualizar a mostra para falar sobre essa cidade que se assenta sobre tambores. Refletir sobre as músicas que ela compõe e como ela é capaz de constituir territórios. Foram criados novos trabalhos especialmente para esse momento e colocados em diálogo com outros de mais de uma década atrás. Eles formam um recorte importante da minha obra, partindo de músicas que encontramos nas encruzilhadas, terreiros e rodas de samba, e que por fim nos falam sobre o cosmos e nosso lugar no universo.”

Felippe Moraes – série Desenho Sonoro, 2014. Foto: Felippe Moraes.

A exposição conta com ‘Composição Aleatória #2’, um conjunto de três gangorras com quatro sinos acoplados a cada uma delas. Nessa obra, Felippe convida o público a se balançar nas estruturas, acionando assim os 12 sinos e produzindo uma composição sonora aleatória e que nunca se repete. Para a temporada carioca, Felippe se inspirou ainda mais no universo do samba. Transformou o piano do foyer da Caixa numa obra de arte, com um néon interno que diz ‘Madeira Quando Morre Canta’, trecho de ‘Minha Missão’ composta por João Nogueira. Também resgatou três pedras do chão dos locais onde as escolas de samba desfilaram ao longo do século XX – Av. Presidente Vargas, Av. Rio Branco e Av. Marquês de Sapucaí – e as repousou um suportes de mármore gravados com a letra de Chico Buarque: Aqui passaram sambas imortais, Aqui sangraram pelos nossos pés, Aqui sambaram nossos ancestrais. E por último, integrou à exposição um néon vermelho suspenso com a frase ‘Como Será o Amanhã’, samba-enredo da União da Ilha de 1978. “O néon é contemporâneo do samba e são constitutivos da ideia da cidade moderna brasileira”, contextualiza o artista.

Do interesse de Felippe pelos movimentos cósmicos, Solfejo apresenta ‘Harmonices Mundi’, vídeo produzido em 2017, no Irã, que exibe seis instrumentistas tocando uma composição Johannes Kepler, de 1619, para os planetas, revelando seus movimentos, tempos e narrativas.

Partindo desse princípio, o artista desenvolveu, em 2023, ‘Solaris Discotecum’, uma pista de dança que simula a dança dos corpos celestes. “Um globo de espelho pende do teto, fazendo as vezes do sol, e uma pequena esfera de chumbo circula ao seu redor, fazendo as vezes da Terra, na escala exata”, descreve Felippe. Ao redor, estão suspensos 12 desenhados com a forma das constelações do zodíaco. “É um convite a dançar em meio às estrelas”, completa.

Felippe Moraes – Tubos Sonoros, 2014. Foto: Felippe Moraes.

Em uma das Galerias está ‘Samba Exaltação’, um panorama da produção de Moraes sobre o samba e o carnaval. A série, que começou como intervenções públicas em São Paulo no ano de 2021, apresenta fotografias em backlight e letreiros comdizeres tradicionais do cancioneiro brasileiro como ‘Não deixe o samba morrer’ e ‘Canta forte, canta alto’. A obra “apela à memória afetiva das músicas para que o público possa ouvir as canções mentalmente”, sugere o artista.

Serviço:

[Artes Visuais] Solfejo

Local: CAIXA Cultural RJ – Unidade Passeio e Teatro Nelson Rodrigues

Endereços: Rua do Passeio, 38 e Av. República do Paraguai, 230 – Centro

Telefone (Unidade Passeio): (21) 3980-3815

Período: de 14 de janeiro a 30 de março de 2025

Visitações: terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 18h.

Mais informações: Site | Instagram

Entrada franca

Classificação: livre para todos os públicos

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal.

(Com Fabio Dobbs/Dobbs Scarpa)

MASP inicia visitas gratuitas durante à noite

São Paulo, por Kleber Patricio

Por Marcelo N Valente – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=42956131.

A B3, a bolsa de valores do Brasil, realiza uma nova parceria com o MASP. O público poderá visitar gratuitamente o museu todas às sextas-feiras, com entradas entre 18h e 20h, a partir do dia 10 de janeiro. Os ingressos gratuitos estão disponíveis no site oficial do museu.

“A B3 investe no desenvolvimento da sociedade. O acesso a museus é essencial neste processo e nós atuamos para ampliar a democratização cultural. A relação da B3 com o MASP é antiga. Tivemos o privilégio realizar um comodato com o museu há alguns anos com 65 obras de arte do acervo da bolsa de valores”, diz Bruna De Caro, superintendente de Marca e Marketing na B3.

O projeto fortalece o compromisso da B3 em democratizar o acesso à cultura. A bolsa de valores do Brasil apoia 15 projetos culturais e contribuiu em 2024 para que mais de 109 mil pessoas acessassem os oito museus patrocinados. Dentre as instituições apoiadas, incluindo o MASP, estão a Fundação FHC, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu do Amanhã, o Museu Judaico e o MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas como o instituto Baccarelli e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Sobre a B3

A B3 S.A. (B3SA3) é uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo e uma das maiores em valor de mercado, entre as líderes globais do setor de bolsas. Conecta, desenvolve e viabiliza o mercado financeiro e de capitais e, junto com os clientes e a sociedade, potencializa o crescimento do Brasil.

Atua nos ambientes de bolsa e de balcão, além de oferecer produtos e serviços para a cadeia de financiamento. Com sede em São Paulo e escritórios em Chicago, Londres, Singapura e Xangai, desempenha funções importantes no mercado pela promoção de melhores práticas em governança corporativa, gestão de riscos e sustentabilidade.

B3, a bolsa do Brasil.

(Fonte: Assessoria de Imprensa B3)

Rio Bossa Nossa celebra Tom Jobim e a Bossa Nova com música, esportes, sustentabilidade, acessibilidade e ação social na praia de Ipanema

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação.

Para comemorar o Dia Nacional da Bossa Nova em homenagem a Tom Jobim, o Rio Bossa Nossa está de volta e promete agitar as areias de Ipanema nos dias 24, 25 e 26 de janeiro, marcando o verão carioca com muita música, esporte, sustentabilidade, acessibilidade e ação social. Com os patrocínios de Light, Fairmont, Cerveja Sol, Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, através da Lei de incentivo à cultura e com coparticipação do Sesc, o evento reúne grandes nomes da música e diversas atividades ao ar livre, tudo isso no cenário icônico da Cidade Maravilhosa.

O encontro vem para celebrar o Dia Nacional da Bossa Nova, em 25 de janeiro, em homenagem a Tom Jobim, data que celebra o aniversário de nascimento do artista, um dos precursores do gênero musical. A essência da Bossa Nova, o festival traz toda a leveza e poesia que marcaram o movimento musical nascido há mais de 70 anos. Inspirado no sol, no céu e no mar da Garota de Ipanema, o Rio Bossa Nossa faz um tributo ao estilo que revolucionou a música brasileira, trazendo o desenho melódico que embala corpos com a famosa batida de violão, misturando simplicidade e sofisticação.

Clássicos como ‘Chega de Saudade’ e ‘Garota de Ipanema’ ainda ecoam nas praias cariocas, acompanhados pelo ritmo que parece dançar com a brisa e o balanço das ondas. É com essa mesma malemolência e leveza que o evento convida o público a uma imersão nostálgica e poética na alma da Bossa Nova. O evento vai ser apresentado pela Garota de Ipanema Helô Pinheiro e tem a curadoria artística do incrível Pretinho da Serrinha, que também realizará uma ação social com Oficinas de Percussão para crianças de várias comunidades.

Além dos shows noturnos, com destaque para a apresentação de Roberto Menescal, DJ Marcelinho da Lua, Em Tom Maior, Hamilton de Holanda, e Orquestra Petrobras Sinfônica e Mario Adnet com o concerto ‘Tom e Villa Sinfônico’, o festival também oferece uma programação diurna repleta de atividades como vôlei, beach tennis, yoga, futevôlei, ginástica e outros, ideais para quem quer aproveitar o verão de maneira saudável e divertida. Com um formato inclusivo e democrático, o Rio Bossa Nossa é pensado para todas as idades, criando um espaço de lazer para corpo, mente e alma.

O evento contará com aulas gratuitas da Bodytech durante o fim de semana, com funcional e alongamento, na sexta (24) ministradas pelas professoras Cinthia Podda e Ana Keller; Wolf Fit e dança no sábado (25) com Felipe Barboza e Rômulo de Oliveira) e para fechar o domingo (26), yoga com Jaqueline Mito.

O compromisso com a sustentabilidade é outro ponto alto do evento, que adota práticas como a gestão eficiente de resíduos, compensação de carbono, distribuição de água potável gratuita e o uso de copos reutilizáveis. A acessibilidade também é uma prioridade: a estrutura do festival contará com rampas de acesso, plataformas elevatórias para garantir que todos possam assistir aos shows e banheiros adaptados. Além disso, haverá tradução em libras durante as apresentações, reforçando que o festival será uma experiência verdadeiramente inclusiva.

Com uma vibe leve e envolvente, o Rio Bossa Nossa celebra o melhor da cultura carioca, misturando o passado icônico da Bossa Nova com o frescor do verão e a energia vibrante do Rio de Janeiro. “Estamos trazendo o espírito da Bossa Nova de volta à praia onde tudo começou, resgatando a essência do Rio e proporcionando um festival que une música, esporte e bem-estar“, afirma Emerson Martins, da Carioca Entretenimento, idealizador e responsável pelo evento. Para ver o calendário completo, acesse as redes oficiais do evento.

Serviço:

Rio Bossa Nossa

Data: 24, 25 e 26 de janeiro de 2025

Local: Praia de Ipanema, Rio de Janeiro

Patrocínios: Light, Fairmont, Cerveja Sol, Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, através da Lei de incentivo à cultura

Co Participação: SESC

Instagram: @riobossanossa.

(Com Felipe Rider de Abreu/Hochmüller Comunicação)

Peça ‘O Vazio na Mala’ estreia em Campinas no dia 17 de janeiro

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: Karim Kahn.

A obra mescla fatos históricos a uma narrativa ficcional para reconstruir a jornada de uma família que, fugindo das perseguições nazistas, deixou a Alemanha rumo à China. Após enfrentar os desafios da ocupação japonesa em Xangai, em 1941, a família migrou para o Brasil, onde recomeçou sua vida. O Vazio na Mala será apresentado em temporada popular nos teatros do SESI de Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Itapetininga, de 17 de janeiro a 22 de junho de 2025 (ver roteiro das cidades no final do texto). A turnê começa por Campinas no dia 17 de janeiro, com sessões até 26 de janeiro, em duas semanas de temporada, no Centro Cultural SESI Campinas, na Av. das Amoreiras, 450 – Pq. Itália. Dias 17, 18, 19 de janeiro | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h. 24, 25 e 26 de janeiro | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h.

Inspirada e provocada pelas marcas deixadas pela perseguição nazista, a dramaturgia inédita de O Vazio na Mala constrói uma ficção atual que desdobra temas universais e atemporais. A peça aborda como o silêncio permeia as relações familiares e sociais, ao mesmo tempo em que explora o poder do afeto na regeneração de feridas, muitas vezes de forma inesperada. No espetáculo, o silêncio é elevado à condição de personagem principal, guardado e vigiado dentro de uma antiga mala. Este objeto, aparentemente banal, carrega os horrores de um passado que insiste em permanecer oculto. É na busca pelo vazio que habita essa mala que a história ganha vida e revela seus segredos.

Foto: João Caldas.

O Vazio na Mala estreou em março de 2024 em São Paulo por meio do Edital SESI Artes Cênicas – Teatro do SESI-SP Inéditos, com grande êxito. Em sua temporada de estreia, alcançou um público de 22 mil pessoas. Venceu o Prêmio Bibi Ferreira 2024 nas categorias Melhor Dramaturgia Original, Melhor Atriz (Noemi Marinho) e Melhor Peça de Teatro. No mesmo ano, recebeu o Prêmio CENYM nas categorias Melhor Qualidade Artística e Melhor Cenário, além de indicações, com resultado para 2025, para o Prêmio Shell (Melhor Atriz – Noemi Marinho) e para o Prêmio APCA (Dramaturgia – Nanna de Castro e Melhor Atriz – Noemi Marinho). Concepção e idealização de Dinah Feldman, texto de Nanna de Castro e direção de Kiko Marques. No elenco, Noemi Marinho, Fabio Herford, Marcelo Varzea e Dinah Feldman. Compõem também a equipe Gregory Slivar (trilha sonora), Márcio Medina (cenário), João Pimenta (figurinos), Louise Helène (visagismo) Wagner Pinto (luz), André Grynwask (videomapping) e Marcela Horta (direção de produção). Está prevista uma circulação do espetáculo com 30 apresentações por seis cidades do Estado de São Paulo em 2025, incluindo seis sessões com interpretação em Libras para garantir acessibilidade e inclusão.

Idealização e texto
A atriz Dinah Feldman idealizou o espetáculo ao tomar conhecimento, por meio do depoimento em vídeo do primo William Jedwab, dos fatos ocorridos com pais e avós dele. De valor narrativo, os dados fornecidos na gravação e uma mala de couro surrada vinda da Segunda Guerra (contendo documentos em alemão e chinês), trazida pelos parentes, contam a trajetória e o drama dos Jedwab. Hoje são documentos preservados e guardados no Museu Judaico de São Paulo. À saga da família, junta-se a ficção em torno da curiosidade sobre o conteúdo de uma velha mala de couro. A ideia de montar a peça nasceu paralelamente ao trabalho de Dinah no núcleo Educação e Participação do Museu Judaico de São Paulo, quando conviveu por um ano com a mala, exposta no local depois de doada pelo primo. Nas visitas guiadas, a atriz contava a história do objeto. “Falando da mala, fui desenvolvendo o projeto do espetáculo” diz, informando que ela e o primo logo escolheram Nanna de Castro para escrever o texto.

Sinopse

Foto: Karim Kahn.

Silêncio, memória e afeto em cena: O Vazio na Mala explora os ecos do trauma familiar e da perseguição nazista. O Vazio na Mala é um espetáculo teatral baseado em fatos reais que mergulha nas profundas marcas deixadas pelo Holocausto e suas repercussões nas gerações subsequentes. A trama explora o impacto do silêncio e dos traumas nas relações familiares, revelando como o passado molda o presente e como o afeto pode ser uma poderosa ferramenta de cura. A história se desenrola em torno das memórias de uma família que fugiu da Alemanha nazista, atravessou a China e chegou ao Brasil, destacando os segredos guardados por décadas. Temas universais como os ciclos familiares, a busca por significado e a herança emocional permeiam a narrativa, enquanto a peça nos convida a refletir sobre o que resta de uma vida vivida em meio à violência e ao medo. A mala, objeto central e símbolo do espetáculo, guarda não apenas documentos, mas o silêncio e as memórias reprimidas de uma família que lutou pela sobrevivência. À medida em que essas memórias são desvendadas, o público é levado a contemplar as complexidades do passado e o impacto dessas histórias no presente. O Vazio na Mala é uma jornada emocional que explora a força da memória, do tempo e da resiliência humana.

Sobre a montagem – por Kiko Marques

A encenação de Kiko Marques é centrada nas atuações, no poder das palavras, na qualidade ao mesmo tempo particular e pública daquilo que está sendo contado e também na comunhão desses fatores com o cenário, figurinos, luz, som e projeções. “Contamos uma história criada a partir de um fato real e que trazemos ao espectador na forma de uma visita aos protagonistas dessa história, um encontro com suas vidas particulares e seus dramas mais íntimos”. Kiko pretende levar o espectador a ser testemunha e cúmplice dessas vidas e suas trajetórias. “Para isso, os apresentamos à intimidade das personagens, às suas casas, aos quartos de sua infância, seus hábitos, suas roupas”. Ao mesmo tempo, a proposta é centrada na perspectiva ampla dessa história que nasce no holocausto, da fuga de uma mulher judia à perseguição nazista durante a 2ª guerra mundial, história de uma sobrevivente ao projeto nazista de extermínio em massa de seres humanos.

Foto: João Caldas.

“Em cena temos as casas de Esther e Franz, mãe sobrevivente e filho já morto, que aparece na forma de espectro/memória; Sami, neto de Esther e filho de Franz, que chega para visitar ao mesmo tempo a avó e suas memórias de infância; e uma mala fechada onde Esther pretendeu aprisionar sua história, como sua memória que se esvai. Também temos um céu de malas por sobre nosso mundo e nossa mala particular. Um céu de histórias iguais a dela. Temos as duas casas, espelhadas, onde a ação acontece, e que se separam à medida em que as memórias se encarnam e o vazio se instaura; temos a segunda guerra e a perseguição que são projetadas nas paredes dessas casas como balas e bombas a corroer não mais a matéria presente, mas a perspectiva do futuro.”

Sobre o texto de Nanna de Castro

Nanna de Castro foi uma das pessoas entrevistadas por Dinah e William quando selecionavam quem escreveria o texto. Da história ouvida por ela, o ponto considerado marcante da trama, “o que tocou minha alma” foi a relação entre pai e filho. De forma intuitiva e emocional, a autora logo imaginou o resgate dessa relação danificada. “Propus o caminho e William topou”, conta, lembrando do frio na barriga ao imaginar “andar pela história de uma família, pelos meandros afetivos das relações”. Para escrever o texto, Nanna baseou-se também em entrevistas que fez com pessoas da família de William – a irmã, os amigos do pai, uma tia. “Aprofundei-me em pesquisas no Museu Judaico, estudei histórias similares e li alguns livros; entre eles, A Garota Alemã, de Armando Lucas Correa; Maus, a História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman, e Ten Green Bottles, de Vivian Kaplan”, conta, observando que a peça tem um lugar quase de uma constelação familiar. “De alguma forma, o teatro tem o poder de revisitar a ligação de pai e filho e trazer para um lugar mais saudável”, finaliza.

Sobre a cenografia de Marcio Medina

Foto: João Caldas.

A velha mala de couro – com os segredos e as memórias de uma história de vida – foi o objeto que inspirou e norteou a cenografia de Marcio Medina. Para reproduzir o passado de duas gerações – o quarto de Esther (Noemi Marinho) e do seu filho Franz (Fábio Herford) – o cenógrafo concebeu dois quadrantes espelhados com objetos e mobiliário. O fundo do palco abriga um grande telão de papel – como uma antiga carta – emoldurado com palavras e fragmentos de frases em hebraico, chinês etc. Medina explica que as peças retratam o que resta de memória no cérebro e alma de Esther e servem de superfície para inúmeras projeções de lembranças e fatos passados. Os quadrantes pouco a pouco deslizam para as coxias, deixando o palco nu, deserto. Como o apagamento da mente, fica o nada absoluto. Várias malas ocupam todo o espaço aéreo do palco. “Iluminadas, revelam em seu conteúdo imagens de vários grupos perseguidos pelos nazistas na segunda guerra”, explica. “Uma mala pode transportar uma história de sobrevivência, resguardada e reduzida por um apagamento de memória da personagem Esther, de 92 anos. São histórias, objetos e documentos consumidos pela luta e manutenção de uma família”, finaliza Marcio.

Sobre o figurino de João Pimenta

O figurinista João Pimenta inverteu seu processo de trabalho na construção do figurino dos personagens. Depois de receber o briefing do diretor Kiko Marques, solicitando “uma roupa casual, do cotidiano”, o criativo logo partiu para a criação das peças. Pelo que absorveu, começou a desenvolver as roupas antes mesmo de ter o texto finalizado e de saber o perfil, as características dos personagens – quem era essa família – mãe, pai, cuidadora e filho. “Minha proposta com o Kiko foi fazer este caminho inverso – criar o figurino e depois encaixá-lo na necessidade do espetáculo. A gente costuma dizer que na moda a roupa é a segunda pele e que no figurino ela é a primeira pele, a casca do personagem”. Pimenta considera positivo o processo pois permite que o elenco ensaie com as roupas desde o começo e não em uma etapa mais adiante. “Assim, o ator já pode sentir o personagem. E a ideia agora é ir ajustando até finalizar.”

Uma única cor foi concebida para todas as peças – o cinza e suas várias tonalidades. No design, a proposta de mesclar referências de várias não define tempo nenhum. Todas as roupas foram confeccionadas em tecido de alfaiataria, como risca de giz, lã fria, cinza mescla. Para dar a ideia de uma roupa com história, o figurino passou por um tratamento de envelhecimento, menos na roupa do filho. Um vestido em tecido de gola fechada transmite a austeridade demandada pela personagem Esther. Desgastado, o figurino do pai – “uma roupa de ficar em casa” – é formado por camiseta regata, roupão e chinelo. Já o da cuidadora, em tom mais claro, tem fluidez e passa o conceito de um anjo. Camisa e calça social, o do filho jornalista é mais elegante e atual.

Sobre a trilha sonora de Gregory Slivar

O universo da música judaica e suas variadas matizes são o foco da pesquisa de Gregory Slivar, autor da trilha sonora. “Com a ajuda de Dinah Feldman, entrevistamos pessoas ligadas à música deste contexto cultural, como músicos de Klezmer, cantores e pesquisadores, bem como também assistimos reuniões em sinagogas. Para além dessas pesquisas, ainda estou experimentando como me apropriar deste material a fim de poder colaborar com a história da peça”, conta Gregory. Uma vez imerso neste universo, Greg pretende usá-lo como inspiração para suas composições. “As músicas irão aparecer como traços de memória e ligações entre os recortes de espaço e tempo da peça”. Slivar explica que as vozes serão um elemento sonoro de lembrança e, remetendo aos conjuntos tradicionais, uma base instrumental será usada para realizar a costura das cenas. “Penso na trilha como este caminho entre o subjetivo destas personagens, suas buscas de um lugar de pertencimento, a fuga dos traumas e seus ritos de cura.”

Serviço:

Circulação O Vazio na Mala

Culturas em Movimento – coletivo artístico e produção cultural

Drama, adulto, 90 min. Recomendado para maiores de 14 anos.

Dramaturgia: Nanna de Castro. Direção: Kiko Marques. Elenco: Dinah Feldman, Fábio Herford, Marcelo Varzea e Noemi Marinho.

De 17 de janeiro a 22 de junho de 2025

Centro Cultural SESI Campinas

Av. das Amoreiras, 450 – Pq. Itália

17, 18, 19 de janeiro | Sexta-feira e sábado às 20h e domingo às 19h

24, 25 e 26 de janeiro | Sexta-feira e sábado às 20h e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 25 de janeiro

Oficina de Produção: Dia 25 de janeiro, das 10h às 13h.

Sobre a oficina: A Oficina de Produção Teatral tem como objetivo proporcionar uma vivência prática no âmbito da produção teatral, com foco na resolução de problemas enfrentados no dia a dia da área. Os participantes terão a oportunidade de trabalhar em grupo para superar desafios reais da produção, desenvolvendo habilidades de trabalho em equipe, comunicação e solução criativa de problemas. O projeto final dependerá da capacidade de cada participante em lidar com as dificuldades apresentadas ao longo da oficina.

Centro Cultural SESI Ribeirão Preto

Rua João Ignacchitti, 20-364 – Jardim Castelo Branco, Ribeirão Preto – SP

7, 8, 9 de fevereiro | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

14, 15 e 16 de fevereiro | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 15 de fevereiro

Oficina de Produção: Dia 15 de fevereiro, das 10h às 13h.

Centro Cultural SESI São José do Rio Preto

Av. Duque de Caxias, 4656 – Jardim dos Seixas, São José do Rio Preto – SP

14, 15, 16 de março | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

21, 22 e 23 de março | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 22 de março

Oficina de Produção: Dia 22 de março, das 10h às 13h.

Centro Cultural SESI São José dos Campos

Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucaliptos, São José dos Campos – SP

11, 12 e 13 de abril | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 12 de abril

Oficina de Produção: Dia 12 de abril, das 10h às 13h.

Centro Cultural SESI Sorocaba

Rua Gustavo Teixeira, 369 – Vila Independência, Sorocaba – SP

9, 10, 11 de maio | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

16, 17 e 18 de maio | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 17 de maio

Oficina de Produção: Dia 17 de maio, das 10h às 13h.

Centro Cultural SESI Itapetininga

Av. Padre Antônio Brunetti, 1360 – Vila Rio Branco, Itapetininga – SP

20, 21, 22 de junho | Sexta-feira e sábado às 20h, e domingo às 19h

Sessão com intérprete de Libras: sábado, 21 de junho

Oficina de Produção: Dia 21 de junho, das 10h às 13h.

(Com Maurício Barreira/ARTEPLURAL Comunicação)