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Fabricação de cimento, grande emissor industrial de carbono, pode ser menos poluente com troca de matéria-prima

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Fabricação de cimento, grande emissor industrial de carbono, pode ser menos poluente com troca de matéria-prima. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

No setor industrial, a produção de cimento é um dos principais responsáveis pela emissão de dióxido de carbono, o CO2, na atmosfera. Para diminuir a pegada de carbono dessa atividade, é necessário investir em matérias-primas que substituam o clínquer, o principal produto intermediário do cimento. Esta medida pode representar uma redução de cerca de 11% nas emissões de CO2 na cadeia do cimento. Também são essenciais a substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais limpas na produção e a melhoria da eficiência energética nas fábricas.

É o que aponta o relatório publicado na quinta (20) pelo projeto Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil (DIP-BR), conduzido pelo Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GIC/IE-UFRJ). Os pesquisadores mapearam os principais atores da cadeia produtiva do cimento no Brasil e reuniram dados de estudos acadêmicos anteriores, de tendências de mercado e de fontes como o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Segundo o SEEG, a produção do cimento foi responsável por 26% das emissões de CO2 do setor industrial brasileiro, representando até 2% das emissões totais do país em 2022.

O clínquer, cuja fabricação contribui significativamente para as emissões de dióxido de carbono do setor, é originado da queima de calcário a altas temperaturas. Para reduzir o consumo de clínquer, materiais alternativos são adicionados ou substituídos parcialmente na mistura levada ao forno – como o fíler calcário, obtido através da moagem do calcário, gerando partículas menores e menos poluentes. Outros materiais alternativos mencionados pelo estudo são a argila calcinada e as biocinzas. Segundo a professora do Instituto de Economia da UFRJ e uma das autoras do documento, Julia Torracca, “a adição de substitutos não só reduz as emissões de CO2 como também promove a circularidade ao utilizar subprodutos de outras atividades econômicas que seriam descartados”.

Torracca destaca a captura e armazenamento de carbono como uma dimensão em que o Brasil ainda tem espaço para avançar. Segundo a pesquisadora, as principais empresas brasileiras veem essa como uma estratégia futura e estão investindo em tecnologias nessa direção, como a captura de CO2 por meio de águas antes de o gás ser liberado na atmosfera.

Para impulsionar a modernização e a descarbonização da produção de cimento no Brasil, os pesquisadores enfatizam a importância de políticas públicas eficazes. “A política industrial brasileira em execução no momento não possui objetivos de descarbonização específicos para os diferentes setores industriais. Com o foco principal nas emissões provenientes do uso da terra e da agropecuária, há uma falta de orientação clara sobre as metas para o setor industrial, incluindo a indústria de cimento”, explica Torracca.

Outra política essencial seria a revisão normativa, com a inclusão de metas claras de redução de emissões e a atualização das normas técnicas – hoje essencialmente prescritivas – para facilitar a adoção de materiais inovadores. Torracca avalia que, se as normas exigirem métricas mais alinhadas ao desempenho, isso permitirá maior flexibilidade na adoção de novos materiais.

O relatório aponta entraves para a modernização da indústria de cimento no Brasil, como o alto custo de implementação de novas tecnologias. A disponibilidade limitada de matérias-primas alternativas ao clínquer e os desafios logísticos decorrentes da dependência do transporte rodoviário também dificultam o processo, alertando para a necessidade de considerar setores direta ou indiretamente relacionados à cadeia do cimento. “Adotar uma estratégia de descarbonização em uma atividade econômica reverbera em outros segmentos, demonstrando a capacidade de espalhamento dessa iniciativa, que não deve ser negligenciada”, conclui Torracca.

(Fonte: Agência Bori)

Norma da Anvisa entra em vigor para proteger eficácia de medicamentos e tratamentos de saúde de milhões de brasileiros

Brasília, por Kleber Patricio

Foto: Christina Victoria Craft/Unsplash.

A partir da segunda-feira (16), entrou em vigor a RDC 430 da Anvisa, uma norma que reforça a segurança de medicamentos sensíveis ao calor e à umidade, garantindo maior controle no transporte e armazenamento, e protegendo a eficácia dos tratamentos de saúde de milhares de brasileiros.

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 430 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelece regras mais rigorosas para o transporte, monitoramento climático e armazenamento de medicamentos termolábeis, prevendo penalidades como multas e até suspensão de atividades para as empresas que não se adequarem. “Com isso, toda a cadeia logística desses produtos, desde a fabricação até sua entrega final, se torna mais segura para todos”, destaca Luiz Renato Hauly, CEO da Pharmalog S.A, empresa que trabalha com o monitoramento de transportes, ambientes e embalagens da cadeia farmacêutica.

Após um ano de prazo para que a indústria farmacêutica pudesse se adequar às novas regras, a norma enfim entra em vigor. “A partir desta segunda-feira, as Vigilâncias Sanitárias já poderão aplicar sanções, como multas, retenção de cargas, suspensão de atividades e até cassação de licenças para quem descumprir a resolução”, alerta.

Foto: Divulgação.

Medicamentos termolábeis incluem insulina, vacinas, anticorpos monoclonais e hormônios — produtos essenciais para tratamentos crônicos e imunização, que podem perder sua eficácia se expostos a temperaturas inadequadas. Hauly explica que esses produtos precisam ser mantidos em temperaturas abaixo de 8º C e que podem perder a eficácia se não forem conservados da maneira correta, colocando até mesmo os tratamentos de diversas doenças em risco. Por isso, toda a indústria precisa seguir boas práticas de armazenagem, distribuição e transporte com rigoroso gerenciamento do ambiente, uso de equipamentos e instrumentos apropriados e a presença de equipe técnica qualificada e de planos de contingência. “A conscientização da população é fundamental para garantir que esses medicamentos cheguem com segurança aos pacientes, minimizando riscos à saúde causados pelo manejo inadequado”, avalia.

As novas necessidades geradas pela RDC 430 já estão estimulando a busca por soluções tecnológicas para monitoramento de temperatura e umidade, para a qualificação do transporte e até para as embalagens. No caso específico da Pharmalog S.A, a healthtech terminou 2024 com mais de mil cargas mapeadas e com preservação superior a R$ 25 milhões em medicamentos sensíveis.  Com sede em Manaus, a Pharmalog S.A foi fundada em 2020 com foco em monitoramento de temperatura de medicamentos termolábeis. É a única empresa no Brasil a utilizar uma plataforma SaaS/Cloud que monitora os medicamentos de ponta a ponta.

(Com Renan Araújo/Agência Em Foco)

Malásia: legado gastronômico, sabores e experiências

Malásia, por Kleber Patricio

O Nasi Lemak, recentemente reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Foto: Divulgação.

A Malásia é um mosaico de culturas e oferece uma jornada única para amantes da gastronomia. O país – onde tradições malaias, chinesas, indianas e indígenas se misturam – apresenta uma culinária tão diversa quanto sua história. Dos mercados de rua de Kuala Lumpur, Penang e Malaca às cozinhas tradicionais de Sabah e Sarawak, a comida reflete a identidade multicultural do país. Explorar a Malásia por meio da gastronomia revela os costumes e tradições de seu povo. Mais do que uma refeição, comer fora é uma experiência que percorre diferentes influências e estilos culinários da Ásia.

Cena gastronômica da Malásia: tradição e inovação

A culinária da Malásia é uma fusão de tradições antigas e inovação, proporcionando uma experiência gastronômica rica. Além das cidades mais conhecidas, sabores regionais menos explorados oferecem descobertas únicas para cada paladar.

Tesouros culinários da Malásia: uma jornada além do prato

Cada prato na Malásia reflete a mistura de culturas. O Nasi Lemak, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial, representa o café da manhã local com arroz de coco, sambal e acompanhamentos saborosos. Outros pratos marcantes incluem o Rendang, carne cozida lentamente com especiarias; o Hainanese Chicken Rice, que destaca a simplicidade, e o Roti Canai, pão achatado inspirado na culinária indiana. Programas de hospedagem familiar permitem que visitantes acompanhem o preparo de pratos malaios autênticos e compartilhem refeições e experiências culturais com as famílias anfitriãs.

A diversidade de sabores malaios

Sabores Malaios: Explore a culinária malaia nos mercados do Bazaar Ramadhan ou nas celebrações do Hari Raya Aidilfitri e Hari Raya Aidiladha. Festivais em todo o país oferecem uma grande variedade de pratos, e eventos nacionais permitem experimentar especialidades festivas.

Legado Culinário Chinês: Experimente os sabores das tradições Cantonês, Szechuan, Hokkien, Hakka, Teochew e Hainanês, resultado de séculos de tradição gastronômica.

Sabores Indianos: Aprecie os pratos temperados da culinária indo-malaia, incluindo a comida Mamak, influência da comunidade indiana muçulmana. O Roti Canai, considerado um tesouro nacional, é um dos favoritos.

O Charme da Culinária Nyonya: Descubra a herança gastronômica da comunidade Baba e Nyonya, uma fusão das tradições malaia e chinesa.

Fusão Portuguesa: Explore a combinação de influências orientais e ocidentais na culinária luso-malaia, reflexo da história do país.

Os Sabores de Bornéu e Especialidades Regionais: Aventure-se em Sarawak e Sabah para provar pratos regionais como Laksa Sarawak, Mee Kolok, Manok Pansoh (frango cozido no bambu) e Umai (salada de peixe cru). Cada estado da Malásia tem suas próprias iguarias, desde o Keropok Lekor e Nasi Dagang de Terengganu até o Laksa Johor e Nasi Biryani Gam de Johor, além do Nasi Kerabu de Kelantan e sobremesas como Kuih Akok e Jala Mas.

Comida de rua: o coração da gastronomia malaia

A comida de rua na Malásia é uma experiência sensorial que reflete a essência da culinária do país. Das ruas de Jalan Alor, em Kuala Lumpur, com seu Satay grelhado e Char Kway Teow, ao Gurney Drive, em Penang, conhecido pelo Penang Laksa e Roti Canai, e à Jonker Street, em Malaca, famosa pelas iguarias Nyonya, como Chicken Rice Balls e Cendol, a comida de rua é a base da gastronomia malaia.

Uma jornada gastronômica das feiras de rua às estrelas Michelin

Para quem busca uma experiência gastronômica sofisticada, a Malásia conta com uma crescente seleção de restaurantes de alta gastronomia. O país abriga sete restaurantes com estrelas Michelin e 56 estabelecimentos reconhecidos pelo Bib Gourmand, destacando o melhor da inovação culinária malaia. Entre os destaques estão:

Dewakan (Kuala Lumpur): destaca-se pelo uso de ingredientes nativos e indígenas.

DC Restaurant by Darren Chin: combina técnicas francesas com sabores malaios.

Gēn (Penang): reinterpreta ingredientes locais de forma contemporânea.

Au Jardin: oferece alta gastronomia europeia com toques regionais.

Auntie Gaik Lean’s Old School Eatery (Malacca): preserva as tradições da culinária Peranakan.

Das movimentadas feiras de rua aos restaurantes estrelados, a gastronomia da Malásia celebra diversidade, tradição e inovação. Seja você um apreciador experiente ou um turista de primeira viagem, o país oferece uma jornada culinária que desperta os sentidos e deixa uma marca inesquecível no paladar.

Sobre Malaysia Tourism | O Turismo da Malásia, também conhecido como Malaysia Tourism Promotion Board, opera sob o Ministério do Turismo, Artes e Cultura da Malásia. Dedicada a promover o país como um destino turístico único, o Malaysia Tourism desempenha um papel vital no panorama do turismo internacional. O próximo Visit Malaysia Year, em 2026, destacará a sustentabilidade da indústria do turismo do país, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Para obter mais informações, visite o site do Malaysia Tourism e os perfis oficiais no Facebook, Instagram, YouTube e TikTok.

(Com Fabiana Andrade/Tourism Malaysia/AVIAREPS)  

Obras de autoras em língua inglesa ganham novo impulso no Brasil

Ribeirão Preto, por Kleber Patricio

Edição de Freshwater chega ao Brasil em um formato pocket de luxo. Fotos: Divulgação.

A literatura produzida por mulheres em língua inglesa encontra um novo espaço no Brasil com o lançamento do selo Inglesa, uma iniciativa da Degustadora Editora. Criado para trazer ao público brasileiro obras pouco conhecidas ou inéditas no país, o selo tem curadoria da escritora, tradutora e ensaísta mineira radicada na Inglaterra Nara Vidal, que, além da seleção, também é responsável pela tradução de alguns dos títulos.

A primeira obra publicada pelo selo é ‘Freshwater’, a única peça teatral escrita por Virginia Woolf. O texto, um exercício modernista e irônico, ambientado na baía de Freshwater, onde ficava a casa de sua tia-avó, Julia Margaret Cameron, traz uma crítica a elite intelectual britânica da época. A obra lançada pela Inglesa apresenta duas versões da peça, datadas de 1923 e 1935, permitindo ao leitor acompanhar a evolução da escrita de Woolf.

“Traduzir esse texto foi uma experiência fascinante. Freshwater é repleto de humor e sagacidade, com muitas piadas internas e referências que mostram uma Virginia Woolf surpreendentemente leve e divertida”, destaca Nara, vencedora do prêmio de melhor romance literário pela APCA, em 2024, com o livro Puro.

A edição de Freshwater chega ao mercado em um formato pocket de luxo em 124 páginas, com capa dura e guarda personalizada, além de tradução, notas e prefácio assinados por Nara Vidal. A identidade visual do livro também é assinada pela curadora, enquanto o trabalho gráfico é de Alexandre Guidorizzi. A capa utiliza um detalhe da pintura The Red Book, do artista irlandês John Lavery.

A criação do selo Inglesa reflete o desejo da Degustadora Editora de expandir o acesso à literatura de autoras que, apesar de sua relevância, ainda não possuem circulação ampla no Brasil. Sob a direção de Melissa Velludo, a editora também busca promover o trabalho de tradutores e escritores brasileiros por meio da produção de textos de apoio, aumentando as oportunidades na área editorial.

Próximos lançamentos

Nara Vidal, curadora do selo Inglesa.

Após a publicação de Freshwater, o selo Inglesa tem intenção de publicar outras importantes obras. Entre os próximos lançamentos estão um livro de contos pouco conhecidos da escritora norte-americana Edith Wharton e uma edição especial dos Cadernos Completos de Katherine Mansfield, que reúne diários, anotações e reflexões da escritora. A proposta é apresentar o material sem os cortes que foram impostos na publicação original por seu marido, John Murray, resgatando o verdadeiro conteúdo da autora.

O selo também trará uma importante obra da feminista inglesa Mary Wollstonecraft, além de uma obra de Bryher, nome artístico da novelista e ensaísta britânica Annie Winifred Ellerman, conhecida por seu relacionamento com a poeta Hilda Doolittle.

“Minha experiência como livreira me permite enxergar o mercado tanto do ponto de vista das editoras quanto das livrarias. Queremos que os livros da Inglesa estejam disponíveis em todo o Brasil, com edições que valorizem o trabalho das autoras e das tradutoras”, afirma a editora Melissa Velludo, que em 2024 foi eleita a melhor livreira do Brasil pelo prêmio Publishnews/Catavento.

O livro Freshwater está à venda pelo site da Degustadora Editora, no link https://www.degustadoraeditora.com.br/freshwater/p.

(Com Angelo Davanço/Press Manager Mail)

Exposição ‘Amazônia, terra em transe’ – a fotografia de Victor Moriyama como denúncia e arte engajada na Pinacoteca Benedicto Calixto

Santos, por Kleber Patricio

Fotos: Victor Moriyama.

A Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto apresenta a exposição ‘Amazônia, terra em transe’, fotografias de Victor Moriyama, que abre a agenda expositiva Arte na Pinacoteca  3ª edição – 2025. A mostra acontece em um ano simbólico para o debate ambiental, no qual o Brasil sedia a COP 30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém do Pará.

Com curadoria de Antonio Carlos Cavalcanti Filho e Carlos Zibel, a exposição reúne um poderoso conjunto de imagens que revelam, com profundidade e sensibilidade, a devastação da Amazônia e os impactos socioculturais dessa destruição. Mais do que um registro documental, as fotografias de Moriyama funcionam como um manifesto visual, explorando a relação entre progresso e degradação e dando visibilidade à luta das populações indígenas e ribeirinhas pela preservação de suas terras e culturas.

“A fotografia tem o poder de criar uma conexão emocional com o espectador. Meu objetivo é que as pessoas sintam o peso da destruição da Amazônia, mas também reconheçam a força e a resistência dos povos que vivem nela”, afirma Victor Moriyama.

Desde a chegada dos colonizadores, a Amazônia tem sido retratada como um paraíso de recursos inesgotáveis. A exposição desconstrói essa visão romântica da floresta, apresentando imagens que evidenciam as consequências do desmatamento, das queimadas e da exploração ilegal de terras. Moriyama denuncia não apenas a destruição ambiental, mas também os impactos sociais dessa crise, incluindo o deslocamento forçado de comunidades e a perda de modos de vida tradicionais.

A mostra convida o público a um olhar crítico sobre as relações de poder e os discursos históricos que sustentam a exploração da Amazônia. Inspirada no conceito de arte engajada, a exposição questiona a herança colonialista e eurocêntrica na representação da floresta e propõe um espaço de reflexão sobre a importância do protagonismo dos povos indígenas na luta pela preservação ambiental.

“Não se trata apenas de registrar imagens. É sobre dar visibilidade a histórias que muitas vezes são ignoradas, sobre criar pontes entre realidades distantes e provocar mudanças”, diz Moriyama.

Exploração imersiva: Os ambientes da exposição

A exposição se desdobra em uma jornada sensorial e reflexiva, conduzindo os visitantes por diferentes facetas da Amazônia – da sua riqueza natural e espiritual até os impactos da degradação ambiental. Cada sala é um convite à imersão nesse universo complexo, onde beleza e destruição coexistem.

No primeiro ambiente, um mosaico vibrante dá as boas-vindas refletindo a simultaneidade da vida na floresta. Aqui, a grandiosidade da biodiversidade se entrelaça com a espiritualidade dos povos tradicionais, enquanto camadas narrativas revelam tanto a exuberância da natureza quanto os primeiros sinais de sua fragilidade diante das ações humanas. Essa composição plural traduz a Amazônia em sua complexidade, mostrando que tudo acontece ao mesmo tempo: a preservação, a ameaça e a resistência.

No segundo, aprofunda o olhar sobre a degradação ambiental. A floresta começa a perder seu equilíbrio natural, e os impactos da intervenção humana se tornam mais evidentes. O espaço convida à reflexão sobre os danos causados pela exploração desenfreada, apresentando imagens e elementos que evidenciam os desafios enfrentados pelo bioma amazônico.

Já no terceiro é um tributo à natureza e aos povos tradicionais. Aqui, a experiência se transforma em uma homenagem à biodiversidade e ao sagrado da floresta tropical. O ambiente celebra a riqueza do bioma, destacando a conexão ancestral entre as comunidades indígenas e a terra, além da profundidade espiritual presente no ecossistema. É uma imersão na essência da Amazônia, onde os visitantes podem sentir sua grandiosidade e importância.

Por fim, o último ambiente traz uma atmosfera mais densa e impactante. O espaço escuro e carregado de imagens dramáticas transporta o público para a realidade da devastação. Queimadas, desmatamento e destruição tomam conta da narrativa visual, acompanhadas por um vídeo que aprofunda a reflexão sobre as consequências da ação humana. Esse encerramento reforça a urgência da preservação e a necessidade de um compromisso coletivo com o futuro da floresta.

Ao percorrer estes ambientes, a exposição propõe um mergulho na Amazônia em todas as suas camadas – sua exuberância, sua cultura, sua vulnerabilidade e sua luta pela sobrevivência. É uma experiência que desperta sentidos e consciência, ampliando o entendimento sobre um dos patrimônios naturais mais importantes do planeta.

“O que está acontecendo na Amazônia afeta o mundo inteiro. É uma questão global, e minha missão é amplificar essas vozes e essas paisagens que estão desaparecendo diante dos nossos olhos”, destaca o fotógrafo.

A exposição Amazônia, terra em transe faz parte da 3ª edição do projeto Arte na Pinacoteca, uma realização do Ministério da Cultura, patrocinado pela Ecovias, Rumo, Instituto Rumo, Brasil Terminal Portuário (BTP), MSC, MedLog e G. Pierotti, por meio da lei de incentivo à cultura, promovido pela Fundação Benedicto Calixto, promovido pela Fundação Benedicto Calixto. A direção executiva do projeto é de Leila Gazzaneo e a produção executiva é de Fábio Luiz Salgado.

Sobre o artista:

Victor Moriyama, paulistano, é formado em Comunicação Social com ênfase em Rádio e TV e iniciou sua carreira na Folha de S.Paulo. Especializou-se em fotojornalismo investigativo, documentando questões socioambientais na América Latina, especialmente na Amazônia.

Atualmente, trabalha regularmente para o The New York Times e colabora com veículos como National Geographic, Le Monde, Libération e El País. Em 2022, foi reconhecido com o George Polk Award e foi finalista do Prêmio Pulitzer, ambos pelo trabalho desenvolvido com a equipe do New York Times.

Suas exposições internacionais incluem Perpignan, França (2020), Culturescapes – Solo Exhibition, Suíça (2021), Open Society Foundation, Colômbia (2022) e Barcelona, Espanha (2024), entre outras.

Serviço:

Amazônia, terra em transe

Pinacoteca Benedicto Calixto

Avenida  Bartholomeu de Gusmão 15  – Santos – SP

Período: 14 de março a 20 de abril de 2025

Funciona de terça a domingo, das 9h às 18h com entrada gratuita.

Saiba mais:  https://pinacotecadesantos.org.br/

Acompanhe a programação no Instagram: @pinacotecabenedictocalixto

Mais informações pelo WhatsApp da Pinacoteca: (13) 99734-6364

A mostra acontece em um ano simbólico para o debate ambiental, no qual o Brasil sedia a COP 30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém do Pará.

(Com Vanessa Gianellini)