Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Com narrativa a três vozes, ‘Sonata Patética’ é o novo romance de Menalton Braff

Araraquara, por Kleber Patricio

32º livro do autor reconhecido com os prêmios Jabuti (2000) e Machado de Assis (2020) sai pelo selo Ópio Literário, da Degustadora Editora. Fotos: Renato Lopes.

O escritor Menalton Braff acaba de lançar seu novo livro. O romance ‘Sonata Patética’ é um lançamento do selo Ópio Literário, da Degustadora Editora. Com capítulos curtos e alternância de três narradores – os irmãos Marco Aurélio, Júlia e Augusto –, a narrativa explora as complexas relações familiares e as consequências da suspeita de traição amorosa.

O enredo é marcado pela presença de Olívia, personagem que provoca reações intensas nos protagonistas e impulsiona a trama. “É um drama familiar envolvendo dois irmãos e uma irmã. Há uma quarta personagem secundária que servirá de eixo nas relações entre os irmãos”, comenta Menalton.

Menalton Braff e Melissa Velludo – Sonata Patetica.

A obra, de 157, páginas se desenvolve no ritmo da Sonata nº 8, de Ludwig van Beethoven, conhecida como Patética. “Percebi que as estruturas narrativo-formais do livro e da Sonata Patética do Beethoven eram semelhantes: cada narrador do romance equivalendo a um dos temas do primeiro movimento da música”, explica o autor.

A editora Melissa Velludo, responsável pelo selo Ópio Literário, destaca a importância do lançamento. “É um grande prazer poder publicar o Menalton, que é um autor premiado e reconhecido e de quem eu sou fã”, afirma. “Como todos os seus livros, este é literariamente muito bem elaborado e cheio de simbologias. É um romance que nós estamos muito felizes em publicar”.

Além da trama, a obra conta com posfácio assinado pela professora Elaine Christina Mota, professora mestra em literatura comparada pela Unesp Araraquara. Sonata Patética também está disponível para venda pelo link https://www.degustadoraeditora.com.br/sonata-patetica-de-menalton-braff—pre-venda/p.

Sobre o autor

Menalton Braff.

O gaúcho Menalton Braff, 86 anos, é um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Com mais de 40 anos de carreira e 32 livros publicados, venceu prêmios como o Jabuti, em 2000, e o Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, em 2020. Radicado em São Paulo desde 1965, Menalton reside na região de Ribeirão Preto há mais de três décadas.

Sobre a editora

O selo Ópio Literário, da Degustadora Editora, foi criado com o propósito de publicar obras da literatura brasileira contemporânea. Sonata Patética, de Menalton Braff, é o segundo livro do catálogo, que já conta com Instantâneos de Anas, de Cristina Bresser Campos, obra vencedora do 1º Concurso Literário da Degustadora Editora, em 2024. A segunda edição do concurso está com inscrições abertas até o dia 27 de abril de 2025.

(Com Angelo Davanço)

Pinacoteca de São Paulo exibe filme de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca

São Paulo, por Kleber Patricio

Frame de ‘Estás vendo coisas’ (2016).

A Pinacoteca de São Paulo apresenta ‘Bárbara Wagner e Benjamin de Burca: Estás vendo coisas’ (2016), na sala de vídeo do edifício Pinacoteca Luz. O filme foi apresentado pela primeira vez na 32ª Bienal de São Paulo e investiga a paisagem social e profissional da música Brega no Recife. A curadoria é de Ana Paula Lopes.

A produção retrata como a indústria dos videoclipes impulsiona um ideal de sucesso moldado pelo capitalismo, destacando a autorregulação e a manipulação da imagem na construção da identidade artística. Wagner e de Burca documentaram a vida de jovens cantoras e MCs ligados a movimentos de diferentes gêneros do movimento musical do brega em Pernambuco. Adentrando os bastidores desta indústria periférica e mássica, a trama traz uma camada autorreferencial que permite pensar questões ligadas a agências e dispositivos de representação.

Sobre o filme

Estás Vendo Coisas acompanha dois personagens principais — o cabeleireiro e MC Porck e a bombeira e cantora Dayana Paixão — em seus trajetos entre o estúdio e o palco. Com uma estrutura próxima à de um musical, o filme se desenrola no interior de uma casa noturna, onde gestos são entrelaçados a canções sobre amor, fidelidade, sucesso e riqueza. Retirada de seu contexto mediatizado, a linguagem do Brega é desconstruída e rearranjada, revelando o vocabulário do espetáculo como uma nova forma de trabalho.

Sobre Bárbara Wagner e Benjamin de Burca

Bárbara Wagner (Brasília, Brasil, 1980) e Benjamin de Burca (Munique, Alemanha, 1975) têm uma parceria de trabalho de mais de uma década. A dupla produz vídeos e instalações a partir do profundo estudo e íntima convivência com artistas de cenas musicais populares e não-hegemônicas. Entre o documentário e a ficção, o trabalho da dupla envolve estreita colaboração com os retratados em seus filmes, numa criação cinematográfica coletiva que passa a ser munição para diferentes narrativas de construção de autoimagens que, embora marginalizadas pelo viés de classe e raça, são centrais na formação da identidade sociocultural brasileira.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. A B3 – A Bolsa do Brasil é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

Quintas-feiras com horário estendido na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h)

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Mostra temporária no Museu do Café aborda nova identidade visual da instituição

Santos, por Kleber Patricio

Encerrando o mês de comemorações do aniversário de 27 anos do MC, Em movimento – A nova identidade do Museu do Café coloca em evidência o processo de rebranding da instituição. Foto: Divulgação.

A partir do dia 27 de março, o público poderá conferir no Museu do Café (MC) uma nova mostra temporária. Encerrando o mês de comemorações do aniversário de 27 anos do MC, ‘Em movimento – A nova identidade do Museu do Café’ coloca em evidência o processo de rebranding da instituição, que incluiu a atualização de logomarca, tipografia e paleta de cores, entre outros.

Fruto de uma parceria com o Istituto Superiore per le Industrie Artistiche Roma (ISIA Roma Design), o rebranding do Museu buscava uma identidade visual capaz de comunicar sua posição como equipamento cultural mais aberto, moderno e dinâmico. Os responsáveis pelo projeto foram os alunos do Mestrado em Design Sistêmico para Comunicação da instituição italiana, que participaram da pesquisa, desenvolvimento e finalização da diretriz estética. A parceria foi resultado de uma das ações de internacionalização do Museu do Café, que levou para a Itália a exposição itinerante ‘Viaggio nella terra del caffè’.

Na mostra, será possível conhecer as três propostas elaboradas – intituladas União, Difusão e Circularidade – e apresentadas na Embaixada do Brasil em Roma, com posterior escolha do projeto final por uma comissão julgadora. A proposta vencedora, Circularidade, faz referência aos movimentos orgânicos e circulares que integram a cadeia de produção e consumo do café, assim como a elementos arquitetônicos do edifício histórico que abriga o Museu. “Essa mudança de marca está relacionada também a uma transformação mais profunda do Museu, que busca estabelecer uma conexão emocional e de afetividade com os diversos públicos, destacando o lado humano e social do café. Quem puder visitar a mostra, entenderá melhor as influências e inspirações da identidade visual que estampa nossos canais oficiais desde o final do ano passado”, explica Alessandra Almeida, diretora-executiva do Museu do Café.

A inauguração de Em movimento – A nova identidade do Museu do Café acontecerá no dia 27 às 11h e será aberta ao público.

Museu do Café

Rua XV de Novembro, 95 – Centro Histórico – Santos/SP

Telefone: (13) 3213-1750

Funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h (fechamento da bilheteria às 17h)

R$ 16 e meia-entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos | Grátis aos sábados e, todos os dias, para as crianças até 7 anos

Acessibilidade no local – Não possui estacionamento

www.museudocafe.org.br.

(Com Larissa Fonseca/Assessoria de Comunicação Museu do Café)

André Balboni lança ‘Dança dos Orixás’

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

André Balboni e banda. Foto: Stella Balboni.

O compositor e pianista André Balboni mergulhou na tradição afro-brasileira para desenvolver seu mais recente álbum ‘Dança dos Orixás’, um minucioso trabalho de pesquisa que propõe um encontro das religiões de matriz africana com o jazz. Mas é o jazz de Moacir Santos que aqui prevalece, moldando o trabalho com contornos brasileiros de fato. Ao longo das oito faixas, o ouvinte vai se deparar com belos temas, desenvolvidos em composições modais e uma banda estelar. O disco, que chegou às plataformas digitais no dia 21 de março, abraça Exu (na inspirada ‘Encruzilhada’), evoca a sensualidade da Pomba-Gira (em ‘Moça branca sai da garrafa’), afaga Iemanjá Ogunté (em ‘Cinza de rosas’) e até traz de volta a ‘Igrejinha’, de Hermeto Pascoal.

Assim, o álbum foi escrito e produzido para uma banda de jazz: bateria, contrabaixo, piano, saxofone, trompete e percussão, e visa trazer à luz do som a importância da tradição da música brasileira que vai desde a música de terreiro do candomblé aos afrosambas e ao jazz brasileiro. As composições de André Balboni reúnem de alguma forma essas facetas estéticas das tradições musicais para homenagear a tradição da música preta brasileira. A ideia é extrair dessa profusão de ritmos e harmonias uma música que seja, antes de mais nada, dançante para incorporar a vitalidade e o axé dos orixás, como o próprio nome do trabalho anuncia.

Além da exímia banda, com os melhores músicos de jazz de São Paulo, que conta com a participação especial da premiada saxofonista Sintia Piccin, o disco foi gravado ao vivo no estúdio do compositor. O álbum também conta com a mentoria do babalorixá Pai Sidnei, da Casa de Xangô (CCRIAS), que apadrinhou o projeto desde sua concepção para que o trabalho reverencie e respeite a tradição do candomblé e, ao mesmo tempo, para que leve o impulso espiritual-estético dos orixás para as pessoas para além dos terreiros. Justamente porque o trabalho de André Balboni é um ‘louvor aos orixás’, uma homenagem e uma oração para as entidades, mas não se inscreve dentro do contexto religioso, não é música de terreiro de candomblé. As composições de André refletem uma tradução possível do enredo, das narrativas, dos orixás para uma estrutura musical conhecida do grande público: com uma banda de jazz.

Sobre o disco

Capa. Foto: Divulgação.

O compositor pensou a concepção estética deste trabalho, a partir dos passos das danças de um determinado orixá, justamente porque o orixá se revela ao incorporado e ao povo do terreiro por meio de sua coreografia e do toque dos instrumentos de percussão. Esses toques chamam as entidades que dançam; isto é, os orixás aparecem por meio de uma linguagem não verbal e intuitiva com o seu cortejo dançado. De modo que o compositor pensou que os instrumentos musicais, por se tratar de um disco de música instrumental que não tem canto da voz humana, são manifestações sonoras como cantos dos orixás. Os orixás estão presentificados na magia do ritmo, da melodia e da harmonia de cada música.

Na primeira composição, Encruzilhada: Dança de Exu, por exemplo, André criou um ambiente para um improviso poli rítmico e polifônico da banda, onde cada instrumentista escolheu uma escala modal para desenhar uma melodia “como se fosse um caminho” e, assim, a soma dessas melodias representam os vários caminhos do deus Exu. A ideia geral é dar um tom de abertura, de que algo pode acontecer e que a encruzilhada é um lugar que precisa de engajamento; ela é lugar de escolha de rumos. Abertura de caminhos. E, neste caso, trata-se de saber se a pessoa vai enveredar nos próximos passos do caminho que o trabalho apresenta.

Na segunda composição, Dança de Logun Edé, este orixá, que é conhecido por ser “o mais belo de todos” e simbolizado pela ave do pavão, está presente em sua batida no tradicional ijexá, que também é batida de sua mãe Oxum. No aspecto melódico, há alguma influência dos afrosambas, de Vinicius de Moraes e Baden Powell, que delineiam toda a beleza e potência deste orixá por meio de um canto que pode ser entoado ao alto. No campo da harmonia, temos uma composição modal, que está na tonalidade de ré menor, mudando apenas para um acompanhamento harmônico de baixo contínuo no refrão e no solo de percussão. Aqui, o compositor inova ao trazer o frescor da música modal para a estética do jazz brasileiro. Essa dança se dá em forma de cortejo para Logun Edé, que aparece em todo o seu esplendor.

E, assim, cada composição tem o seu orixá que lhe é próprio, seja no ritmo, na melodia ou na harmonia. Em cada música, eles se apresentam e se escondem, se mostram e nos provocam com a sua dança. André Balboni segue a tradição de Dorival Caymmi, dos afrosambas, de Vinicius de Moraes e Baden Powel, e de Moacir Santos, que busca trazer à luz os temas e as questões mais fundamentais da música dos orixás.

Sobre o compositor

Foto: Stella Balboni.

André Balboni é um músico e compositor brasileiro que vive atualmente em São Paulo. Os seus trabalhos combinam jazz e música clássica com influências que vão desde Villa-Lobos a Tom Jobim. Trabalha como professor, produtor musical e compositor de trilhas para filmes, documentários e espetáculos de dança. Criou e produziu a música original de diversos filmes para produtoras como a O2 Filmes, canais de TV (GNT/Globo) e importantes diretores de cinema, como Fernando Meirelles. André gravou e produziu três álbuns com suas composições e arranjos: Ser-Tao (2019) inspirado no Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa, Satie For Lovers (2021) em homenagem ao compositor francês Erik Satie, e Cais (2024), álbum com composições próprias e de Dorival Caymmi e Milton Nascimento. André Balboni também é estudioso da interface entre música e filosofia e publicou o livro Sopro das Musas – Fundamentos filosóficos da música pela Odysseus Editora, em 2018.

Dança dos Orixás: Música, (en)cantamento e melodia existencial (texto do babalorixá Pai Sidnei)

Estamos diante de uma palavra (en)cantada, um som que movimenta, que agita o corpo e a mente. Em Yorùbá, dizemos Ará e Orí (corpo e cabeça), mas é o coração – Òkàn – que coloca a cabeça que sente, que pensa, que elabora para dançar. Em tempos de rigidez, dureza e ódio, precisamos fluir, os Orixás dançam. Eles nos ensinam que é na melodia existencial que nos encontramos para amar, para existir sem medo. A Dança dos Orixás não é apenas música — é vida, é alegria, é ar, fogo, terra e água traduzidos pelos sons que se encontram no centro da encruzilhada e geram uma espiral de múltiplos sentidos. É um chamado para a liberdade do corpo e do espírito, para a conexão com o que nos faz humanos e ancestrais ao mesmo tempo.

Cada faixa deste álbum é um movimento, um rito, um convite ao encontro com aquilo que pulsa em nós. Os ritmos se entrelaçam como as raízes de uma grande árvore sagrada onde os tempos se confundem e os elementos se abraçam. A Dança dos Orixás acredita na aglutinação. Aqui, não há separações entre os sons, os gêneros, os ritmos. Aqui o ‘ou’ não é o regente. Aqui quem conduz a melodia é o ‘e’. O ‘e’ não divide — ele soma, constrói, expande. Os instrumentos dialogam como velhos conhecidos, as melodias se encontram sem medo, sem pesos, sem medidas.

Na Encruzilhada, Exu abre os caminhos com sua dança inquieta. Ele é verbo, sopro, tambor e surpresa. Traz consigo a travessia, a escolha, o riso e o enigma. E porque Exu abre e nunca fecha, Logun Edé vem logo depois, fluindo entre margens, caçando sentidos, deslizando entre a leveza e a firmeza. A melodia de Logun é dualidade, um vaivém que nos ensina a navegar entre mundos.

O Canto do Jacu Preto ressoa nas matas, carregando o mistério das Iyami, as grandes mães que sobrevoam a existência com asas de encantamento. Sua dança é força e segredo, um chamado profundo ao que há de mais ancestral. E então, Cinza de Rosas nos mergulha no mar de Yemanjá Ogunté, senhora das águas destemidas, arrojadas, das ondas que quebram e retornam, da memória e do renascimento. Como Yemanjá, a melodia nos nutre.

No cruzamento entre o sagrado e o profano, Moça Branca Sai da Garrafa traz a dança de Pomba Gira — redemoinho de desejo e liberdade, uma força que gira, envolve e transborda. Deixe a gira girar. Um grito de liberdade ecoa da canção que nos leva a força transgressora da Pombagira.

Logo em seguida, Porta do Mundo se abre para Exu-Ogun, o movimento da força e da estrada, onde a lâmina da batalha encontra o pulso da criação.

E porque o sagrado também tem a brancura da paz, Igrejinha chega para Oxalá na releitura encantada de Hermeto Pascoal e André Balboni. Uma dança que acalma, que envolve, que nos lembra da suavidade do caminhar. Mas todo ciclo precisa de fogo para se transformar, e assim Rapsódia Brasileira veste Xangô Airá com relâmpagos e trovões, com madeira que arde e se reinventa, com acordes que ecoam como sentenças justas.

Neste álbum, voltamos para sentir. Voltamos a sentir. Os sentidos primevos são acionados pelo (re)encontro melódico ancestral. Aqui, cada nota é uma oferenda, cada batida um chamado ao movimento, à conexão com a própria essência. A Dança dos Orixás é mais do que música — é um cruzo de linguagens, espaços e tempos, um portal de encantamento e encantação. Uma ponte entre o que fomos, o que somos e o que podemos ser. Deixe-se atravessar. Permita-se dançar. Esta é a Dança dos Orixás.

Ficha técnica 

Ser-Tao Estudio (2025)

Composição e Produção musical: André Balboni

Piano: André Balboni

Bateria: Bruno Iasi

Contrabaixo: Nando Vicencio

Sax: Sintia Piccin

Trompete: Richard Fermino

Percussão: Julio Dreads

Efeitos sonoros: Paulo Bira

Engenheiro de áudio: Raul Bianchi

Produção executiva: Sofia Tsirakis e Stella Balboni

Foto e vídeo: Stella Balboni

Marketing digital: Stella Balboni

Repertório

1 – Encruzilhada:  Dança de Exu (André Balboni)

2 – Dança de Logun Edé (André Balboni)

3 – Canto do Jacu Preto: Dança das Iyami (André Balboni e Ricardo Santo)

4 – Cinza de Rosas: Dança de Iemanjá Ogunté (André Balboni) 

5 – Moça branca sai da garrafa: Dança da Pomba-Gira (André Balboni) 

6 – Na porta do mundo: Dança de Exu-Ogum (André Balboni) 

7 – Igrejinha: Dança de Oxalá (Hermeto Pascoal, arranjos André Balboni) 

8 – Rapsódia Brasileira: Dança de Xangô Airá (André Balboni).

(Com Alexandre Aquino)

MASP apresenta múltiplas faces da arte geométrica em exposição

São Paulo, por Kleber Patricio

Habuba Farah Riccetti (Getulina, São Paulo, Brasil [Brazil], 1931) – Sem título [Untitled], 1952 – Óleo sobre tela [Oil on canvas], 81 x 59,5 – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Doação da artista [Gift of the artist], 2021
MASP.11314. Foto [Photo] Marcelo Pallotta.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta de 28 de março a 3 de agosto de 2025 a exposição ‘Cinco ensaios sobre o MASP – Geometrias’, no quarto e décimo andar do Edifício Pietro Maria Bardi. Com mais de 50 obras do acervo do museu, incluindo cerca de 20 doações recentes, Geometrias apresenta trabalhos realizados por artistas que despontaram à época das vanguardas construtivas, em diálogo com artistas contemporâneos que empregam diferentes materialidades para criar composições geometrizadas.

Com a curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, e Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP, a exposição propõe um olhar tanto para a geometria tradicional, primordialmente orientada por princípios matemáticos, quanto para abordagens mais experimentais. Esses conceitos se desdobram em obras de artistas nacionais e internacionais que exploram diversos suportes e técnicas, como pinturas, esculturas, fotografias e tecidos. O diálogo entre as diferentes tendências reflete a incorporação da arte geométrica ao acervo do museu.

“O acervo do MASP é constituído sobretudo por obras figurativas, mas, aos poucos, a coleção de trabalhos abstrato-geométricos vem sendo ampliada. A organização de Geometrias mobilizou artistas e colecionadores, que generosamente doaram um número expressivo de obras as quais não apenas preenchem lacunas, mas também atualizam o acervo”, afirma Regina Teixeira de Barros.

Jandyra Waters (Sertãozinho, São Paulo, Brasil [Brazil], 1921) – Sem título [Untitled], 1982 – Óleo sobre tela [Oil on canvas], 80 x 100 cm – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Doação [Gift] Lais H. Zogbi Porto e [and] Telmo G. Porto, 2021 – MASP.11315. Foto [Photo] Marcelo Pallotta.

A mostra destaca os movimentos concretista e neoconcretista, reunindo obras de Judith Lauand (Pontal, SP, 1922–2022), Willys de Castro (Uberlândia, MG, 1926 – São Paulo, SP, 1988), Hércules Barsotti (São Paulo, SP, 1914–2010), Lygia Clark (Belo Horizonte, MG, 1920–1988), Amilcar de Castro (Paraisópolis, MG, 1920 – Belo Horizonte, MG, 2002), entre outros. Além disso, são apresentados artistas que exploraram a geometria sob outras perspectivas, como Rubem Valentim (Salvador, BA, 1922–1991), que desenvolveu um sistema de símbolos afro-brasileiros; e Daiara Tukano (São Paulo, SP, 1982), que cria grafismos ligados às cosmogonias do povo Yepá-Mahsã.

O uso de padronagens têxteis surge em trabalhos como os de Cláudia Alarcón (Povo Wichí, Río Pilcomayo, Argentina, 1989) e Laura Lima (Governador Valadares, MG, 1971), que também estabelece conexões com a moda. Já outros artistas empregam a geometria para abordar questões políticas contemporâneas, como Sarah Morris (Londres, Reino Unido, 1967) e Kiluanji Kia Henda (Luanda, Angola, 1979).

O pensamento geométrico conduz também a expografia, resultando em paredes com ‘dobras’ que exploram as possibilidades das formas. O caminho pela sala expositiva não linear ressalta a proposta de uma apresentação que transcende barreiras geográficas e temporais, abordando uma multiplicidade de vozes e contextos.

Iran do Espírito Santo (São Paulo, Brasil [Brazil], 1963)
Lata K [Can K], 2005 – Escultura em Aço inoxidável [Stainless Steel Sculpture], 28 x 20,5 x 20,5 cm – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Doação do artista [Gift of the artist], 2019 – EC.00015. Foto [Photo] Eduardo Ortega, cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de
Janeiro.

Geometrias, Artes da África, Renoir, Histórias do MASP e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP, série de exposições pensadas a partir do acervo do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi.

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.

Realização

Cinco ensaios sobre o MASP Geometrias é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e tem patrocínio do Bradesco.

Serviço:

Cinco ensaios sobre o MASP Geometrias

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, e Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP

4° e 10° andar, Edifício Pietro Maria Bardi

Visitação: 28/3 — 3/8/2025

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1510 – Bela Vista, São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada).  Site oficial | Facebook | Instagram.

(Com Carla Gil/Conteúdo Comunicação)