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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Cientista social analisa a formação e o papel das Forças Armadas no Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Em Como se faz um militar? A formação inicial na Academia Militar das Agulhas Negras de 1995 a 2012, Ana Penido explora o papel da educação na construção das Forças Armadas brasileiras, refletindo sobre as complexas relações entre civis e militares em um contexto democrático. O livro, publicado pela Editora Unesp, analisa o período de transformações na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), investigando como a formação dos oficiais combatentes molda sua identidade e prática profissional.

A autora iniciou sua pesquisa ao observar a homenagem da turma de cadetes de 2010 ao ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, um gesto que evidenciou a distância entre o mundo civil e militar em um período eleitoral marcado pela oposição ao regime militar de 1964. Ao final de cada capítulo, Penido oferece reflexões, facilitando a compreensão dos desafios da formação militar na contemporaneidade.

Penido mergulha na estrutura educacional da Aman, examinando o currículo formal e os elementos de socialização que visam não apenas a transmissão de conhecimentos técnicos, mas também uma ressocialização ideológica. Ela mostra como esses processos preparam os cadetes para a complexa realidade política e social brasileira, criando uma identidade militar específica e influenciando as relações com a sociedade civil. “A obra aborda o percurso das Forças Armadas para educar seus militares desde o Brasil Colônia, apontando os desafios de adaptação e profissionalização do Exército na atualidade”, comenta Suzeley Kalil no prefácio. A autora analisa a formação dos cadetes com uma perspectiva crítica, identificando as tensões entre o militarismo e a democracia.

Em seu estudo, Penido discute temas como a formação ideológica, a função das Forças Armadas na democracia e as transformações na educação militar diante das demandas da sociedade contemporânea. Com base em uma ampla pesquisa documental e bibliográfica, além de dados dos anuários da Aman, ela ressalta a dimensão política da educação militar e sua importância para a compreensão do papel dos militares na sociedade. “A história política brasileira não se entende sem a análise das Forças Armadas e seu impacto na sociedade”, reflete Frederico Carlos de Sá Costa, da Universidade Federal Fluminense. Segundo ele, o estudo das Forças Armadas é essencial para compreender as relações de poder que moldaram e ainda influenciam a República. Penido, em sua obra, fornece uma visão abrangente e crítica sobre essas relações, apresentando uma análise fundamental para todos os interessados na educação em defesa e na cidadania.

Sobre a autora – Ana Penido possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011), mestrado em Estudos Estratégicos da Defesa e da Segurança pela Universidade Federal Fluminense (2015) e doutorado em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (Unesp/Unicamp/Puc-Sp) por meio da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2019). É pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (Gedes – Unicamp) nas áreas de defesa, forças armadas, profissionalização e educação dos militares. É coautora de Ninguém regula a América (Editora Expressão Popular, 2021).

Título: Como se faz um militar?: A formação inicial na Academia Militar das Agulhas Negras de 1995 a 2012

Autora: Ana Penido

Número de páginas: 254

Formato: 13,7 x 21 cm

Preço: R$72

ISBN: 978-65-5711-244-1

Mais informações sobre a Editora Unesp estão disponíveis no site oficial.

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)

Osesp e Thierry Fischer abrem Temporada de 2025 com Coro e soprano Masabane Cecilia Rangwanasha

São Paulo, por Kleber Patricio

Masabane Cecilia Rangwanasha. Foto: Vera Elma Vacek.

É chegada a hora: a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp abre sua Temporada 2025 na Sala São Paulo, entre quinta-feira (13/mar) e sábado (15/mar), sob a regência de seu diretor musical e regente titular Thierry Fischer. As apresentações contarão também com a participação do Coro da Osesp e da soprano sul-africana Masabane Cecilia Rangwanasha, que faz sua estreia com a Osesp.

Ao lado do Coro, a Orquestra inicia o repertório com a obra Crucifixus, de Antonio Lotti; em seguida, tendo Rangwanasha como solista, interpreta as Quatro últimas canções, de Richard Strauss; e finaliza o programa com a Sinfonia nº 5 de Gustav Mahler. O concerto de sexta-feira (14/mar) será transmitido ao vivo pelo YouTube da Osesp a partir das 20h.

Marc-André Hamelin. Foto: Canetty Clarke.

E no domingo (16/mar), às 18h, acontece o primeiro recital solo desta Temporada, estrelando o pianista canadense Marc-André Hamelin. A apresentação será na recém-inaugurada Estação CCR das Artes, onde o músico executará peças de Haydn, Beethoven, Medtner e Rachmaninov.

Sobre o programa

Ao longo de uma carreira muito bem-sucedida, Antonio Lotti (1667-1740) produziu música instrumental e vocal de variados gêneros, incluindo aproximadamente 30 óperas. Sua obra mais célebre, existente em inúmeras versões, é Crucifixus. Nela, o uso de polifonia nos remete à música de Palestrina: o tema é introduzido pelos baixos e as outras vozes entram, uma a uma, em sequência orgânica, tornando a música cada vez mais dissonante até culminar em uma cadência de tirar o fôlego.

Compostas nas montanhas suíças em 1948, um ano antes da morte de Richard Strauss (1864-1949), as Quatro últimas canções orquestrais, publicadas postumamente, podem ser entendidas como uma espécie de epitáfio pessoal e artístico do compositor. A sequência dos poemas (estabelecida pelo editor após os conselhos do maestro Wilhelm Furtwängler, que estreou a obra com a soprano Kisten Flagstad, em 1950), configura o arco metafórico de uma serena jornada, das alegrias da primavera até o acolhedor crepúsculo invernal.

Osesp, Coro e Thierry Fischer. Foto: Mario Daloia.

A Quinta Sinfonia, de Gustav Mahler (1860-1911), foi composta entre 1901 e 1902 e é marcada por contrastes, oscilando entre gritos de desespero e declarações de amor. Mahler conta que, após seu encontro com a jovem Alma Margaretha Maria, com quem se casa em março de 1902, a composição tomou um rumo completamente diferente do planejado. A extrema disparidade entre as partes da obra não passou desapercebida para o compositor, que uma vez disse: “A Quinta é uma obra amaldiçoada. Ninguém a compreende ou compreenderá”.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp

Desde seu primeiro concerto, em 1954, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. A cada ano, a Osesp realiza em média 130 concertos para cerca de 150 mil pessoas. Thierry Fischer tornou-se diretor musical e regente titular em 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, por Marin Alsop. Seus antecessores foram Yan Pascal Tortelier, John Neschling, Eleazar de Carvalho, Bruno Roccella e Souza Lima. Além da Orquestra, há um coro profissional, grupos de câmara, uma editora de partituras e uma vibrante plataforma educacional. A Osesp já realizou turnês em diversos estados do Brasil e também pela América Latina, Estados Unidos, Europa e China, apresentando-se em alguns dos mais importantes festivais da música clássica, como o BBC Proms, e em salas de concerto como o Concertgebouw de Amsterdam, a Philharmonie de Berlim e o Carnegie Hall em Nova York. Mantém, desde 2008, o projeto Osesp Itinerante, promovendo concertos, oficinas e cursos de apreciação musical pelo interior do estado de São Paulo. É administrada pela Fundação Osesp desde 2005.

Coro da Osesp

Sala São Paulo. Foto: Mariana Garcia.

O Coro da Osesp, além de sua versátil atuação sinfônica, enfatiza o registro e a difusão da música dos séculos XX e XXI e de compositores brasileiros. Destacam-se em sua ampla discografia Canções do Brasil (Biscoito Fino, 2010), Aylton Escobar: Obras para coro (Selo Digital Osesp, 2013) e Heitor Villa-Lobos: Choral transcriptions (Naxos, 2019). Apresentou-se em 2006 para o rei da Espanha, Filipe vi, em Oviedo, no 25º Prêmio da Fundação Príncipe de Astúrias. Em 2020, cantou, sob a batuta de Marin Alsop, no Concerto de Abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, feito repetido em 2021, em filme virtual que trazia também Yo-Yo Ma e artistas de sete países. Junto à Osesp, estreou no Carnegie Hall, em Nova York, em 2022, se apresentando na série oficial de assinatura da casa no elogiado Floresta Villa-Lobos. Fundado em 1994 por Aylton Escobar, integra a Osesp desde 2000, completando 30 anos de atividade em 2024. Teve como regentes Naomi Munakata [1995-2015] e Valentina Peleggi [2017-2019]. A partir de fevereiro de 2025, Thomas Blunt assume a posição de regente titular.

Thierry Fischer regente

Desde 2020, Thierry Fischer é diretor musical da Osesp, cargo que também assumiu em setembro de 2022 na Orquestra Sinfônica de Castilla y León, na Espanha. De 2009 a junho de 2023, atuou como diretor artístico da Sinfônica de Utah, da qual se tornou diretor artístico emérito. Foi principal regente convidado da Filarmônica de Seul [2017-20] e regente titular (agora convidado honorário) da Filarmônica de Nagoya [2008-11]. Já regeu orquestras como a Royal Philharmonic, a Filarmônica de Londres, as Sinfônicas da BBC, de Boston e Cincinnatti e a Orchestre de la Suisse Romande. Também esteve à frente de grupos como a Orquestra de Câmara da Europa, a London Sinfonietta e o Ensemble intercontemporain. Thierry Fischer iniciou a carreira como Primeira Flauta em Hamburgo e na Ópera de Zurique. Gravou com a Sinfônica de Utah, pelo selo Hyperion, Des canyons aux étoiles [Dos cânions às estrelas], de Olivier Messiaen, selecionado pelo prêmio Gramophone 2023, na categoria orquestral. Na Temporada 2024, embarcou junto à Osesp para a turnê internacional em comemoração aos 70 anos da Orquestra.

Masabane Cecilia Rangwanasha soprano

Estação CCR das Artes. Foto: Alexandre Silva.

Com uma trajetória marcada por colaborações com regentes renomados e performances em algumas das mais prestigiadas instituições musicais do mundo, Rangwanasha continua a se destacar como uma das grandes vozes do cenário operístico e sinfônico da atualidade. Vencedora do BBC Cardiff Singer of the World em 2021 e recentemente nomeada Artista da Nova Geração da BBC Radio 3, recebeu o Prêmio Herbert von Karajan de 2024. Sua carreira tem se consolidado junto às mais prestigiadas orquestras e nos palcos de importantes salas de concerto da Europa e dos Estados Unidos, como as Sinfônicas de Chicago e da BBC, a Orquestra Nacional de Bordeaux e The Hallé, as Óperas Nacional de Washington, Estatal de Hamburgo e a Royal Opera House, em Londres, além da Konzerthaus de Viena e do Wigmore Hall. Na temporada 2024-2025, a sul-africana se apresenta com as Filarmônicas de Munique e Bergen, a Sinfônica de Londres, a Orquestra de Minnesota e a Accademia Nazionale di Santa Cecilia, além da própria Osesp.

Marc-André Hamelin piano

Reconhecido mundialmente por sua fusão excepcional de musicalidade e virtuosismo técnico, Hamelin se apresenta regularmente com algumas das principais orquestras do mundo e em prestigiadas salas de concerto e festivais internacionais. Na temporada 2024-2025, faz recitais na China, na Coreia do Sul e no Japão. Na Europa, apresenta-se em cidades como Varsóvia, Copenhague, Toulouse, Florença, Budapeste, Hamburgo e Londres. No Brasil, retorna à Osesp para concerto e recital. Na América do Norte, Hamelin se apresenta no Carnegie Hall e colabora com orquestras como as de Cleveland, Montreal, Atlanta, Quebec, Ottawa e Edmonton. Participa de festivais como Schubertiade, Banff Center e Lanaudière. Artista exclusivo da Hyperion Records, lançou quase 90 álbuns, com repertórios solo, sinfônico e de câmara. Nascido em Montreal, Hamelin já recebeu diversas honrarias, incluindo Juno Awards e indicações ao Grammy. É Oficial da Ordem do Canadá, Chevalier da Ordem Nacional do Quebec e membro da Sociedade Real do Canadá.

PROGRAMAS

ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – OSESP

CORO DA OSESP

THIERRY FISCHER regente

MASABANE CECILIA RANGWANASHA soprano

Antonio LOTTI | Crucifixus

Richard STRAUSS | Quatro últimas canções

Gustav MAHLER | Sinfonia nº 5 em dó sustenido menor

MARC-ANDRÉ HAMELIN piano

Joseph HAYDN | Sonata para piano em Ré maior, Hob. XVI: 37

Ludwig van BEETHOVEN | Sonata para piano nº 3 em Dó maior, Op. 2, nº 3

Nikolai MEDTNER

Improvisação em si bemol menor (em forma de variação), Op. 31, nº 1

Dança festiva, Op. 38, nº 3

Sergei RACHMANINOV

Études-tableaux, Op. 39, nº 5 [Estudos de quadros]

Sonata nº 2 em si bemol menor, Op. 36 (Versão de 1931)

Serviço:

13 de março, quinta-feira, 20h

14 de março, sexta-feira, 20h — Concerto Digital

15 de março, sábado, 16h30

16 de março, domingo, 18h [recital]

Endereço: Praça Júlio Prestes, 16, Luz, São Paulo, SP

Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares [Sala São Paulo] | 543 lugares [Estação CCR das Artes]

Recomendação etária: 7 anos

Ingressos: De R$42,00 a R$295,00 [Osesp]; de R$42,00 a R$150,00 [Recital] (valores inteiros)

Bilheteria (INTI): osesp.byinti.com | salasaopaulo.byinti.com
(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h.Estacionamento: Rua Mauá, 51 | R$39,00 (noturno, sábado e domingo após às 12h30)| 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.

Mais informações nos sites oficiais da Osesp e da Sala São Paulo.

A Sala São Paulo Digital conta com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Fundação Osesp, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal.

A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

Acompanhe a Osesp: Site | Instagram | YouTube | Facebook | TikTok | LinkedIn

(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Instituto Tomie Ohtake apresenta Patricia Leite – Olho d’água

São Paulo, por Kleber Patricio

Patricia Leite, Fim de tarde com nuvem, 2015, óleo sobre madeira, 162 x 132 cm, Courtesy of the artist and Mendes Wood DM. Copyright The Artist. Foto: Gui Gomes.

O Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Instituto Tomie Ohtake com e apoio da Mendes Wood DM e Thomas Dane Gallery, têm o prazer de anunciar Patricia LeiteOlho d’água, exposição realizada na esteira dos projetos que vem promovendo nos últimos anos acerca da representatividade e da importância de artistas mulheres na cena artística nacional – Anna Maria Maiolino, Vânia Mignone, Iole de Freitas, Maria Lira Marques e Mira Schendel são os exemplos mais recentes. Paralelamente à mostra da artista mineira, será inaugurada a exposição Instituto Tomie Ohtake visita Coleção Vilma Eid – Em cada canto.

Com curadoria de Germano Dushá, Olho d’água reúne cerca de 30 obras, entre desenhos, pinturas e objetos que perpassam os quarenta anos da trajetória artística de Patricia Leite. Estão presentes desde os trabalhos da década de 1980 até outros inéditos realizados em 2025. Segundo Dushá, o público encontrará “um recorte específico que dá testemunho, igualmente, da capacidade elástica e da coesão estilística de uma artista tão inventiva quanto fiel ao seu condão”.

Patricia Leite, Avencas, 2017, óleo sobre madeira, 40 x 50 cm, Courtesy of the artist and Mendes Wood DM. Copyright The Artist. Foto: EstudioEmObra.

Do início de carreira, quando a artista produzia sobretudo desenhos abstratos, há um destaque para um grupo de pastéis sobre papel que datam de 1986, além da sua primeira pintura, uma acrílica sobre tela de 1988. Tempos depois, Leite passaria a usar a madeira como principal suporte para suas pinturas. Segundo o curador, apesar do abstracionismo inquestionável, esses trabalhos iniciais já sugerem um percurso para o que mais tarde será sua figuração. “Para uma imaginação desprendida, certamente será possível entrever os princípios de um jardim, de um parque ou de uma serra”, afirma Dushá.

Algumas das mais emblemáticas obras de Patrícia Leite estão na exposição. São pinturas nas quais a artista cria o que chama de ‘sensações de paisagens’ – um pôr do sol, um luar, uma praia ao anoitecer, cachoeiras, recortes da mata, céus estrelados ou com fogos de artifício. Obras cujas fontes de inspiração possam ter sido viagens, diálogos com amigos, letras de músicas, cenas de filmes, trechos de poesias, recordações marcantes ou fotografias tiradas por ela ou encontradas. Segundo Dushá, “Num balanço entre o magnetismo da brasilidade e a vocação para o universal, sua obra celebra o que há de singular na cultura brasileira, sem, no entanto, limitar-se”.

Patricia Leite, Sem título, 1986, pastel oleoso sobre papel, 17 x 23 cm, Courtesy of the artist and Mendes Wood DM. Copyright The Artist. Foto: EstudioEmObra.

Do ponto de vista pictórico, as pinturas trazem composições sintéticas formadas por grandes blocos de cor, pinceladas visíveis e texturas marcantes. A paleta cromática é ao mesmo tempo sensível e vibrante, expondo contrastes sutis entre tons rebaixados e forte luminosidade.

Uma novidade apresentada ao público pela primeira vez nesta exposição são os objetos produzidos entre 2020 e 2025. São pequenas peças compostas pela união de itens encontrados, como pedaços de vidro, madeiras, pedrinhas, miçangas e miudezas decorativas. Segundo o curador, “guardam em si o contraste entre a delicadeza e o rudimentar, afirmando, de modo proposital, sua incompletude”. Dushá lembra que, ao serem expostas ao lado dos primeiros desenhos abstratos, essas peças “parecem conferir corpo aos diagramas de cores e texturas. De igual modo, formam pequenas paisagens, remetendo às praias e morros que observamos nas pinturas de fases mais recentes”, observa o curador.

Programa Público | A estas exposições soma-se um programa público de encontros, oficinas e vivências, com programação atualizada pelo site e redes sociais do Instituto ao longo do período expositivo.

Amigo Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Serviço:

Patricia Leite – Olho d’água

De 14 de março a 25 de maio de 2025

De terça a domingo, das 11h às 19h – entrada franca.

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela

Fone: (11) 2245-1900

Site: institutotomieohtake.org.br

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: www.youtube.com/@tomieohtake.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

Brasil Jazz Sinfônica estreia Temporada 2025 no Teatro Cultura Artística

São Paulo, por Kleber Patricio

No dia 14 de março, a Orquestra Brasil Jazz Sinfônica abre a Temporada 2025 no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, levando ao público a riqueza e a versatilidade da música brasileira. Com regência de Gustavo Petri, a apresentação tem início às 20h e conta com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Moraes Moreira, Pepeu Gomes e muitos outros nomes. Os ingressos estão à venda na plataforma INTI e custam R$180 (inteira) e R$90 (meia).

No repertório estão as canções Suíte Edu Lobo (arranjo de Cyro Pereira); O Fino do Choro Nº 1 (arranjo de Cyro Pereira); Pixinguiando (arranjo de Tiago Costa); Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, de Moraes Moreira e Pepeu Gomes (arranjo de Fernando Corrêa); Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes (arranjo de Alexandre Mihanovich); Só Xote (arranjo de Nelson Ayres); Baião (arranjo de Cyro Pereira) e Aquarela de Sambas (arranjo de Cyro Pereira).

Esse concerto marca o início de uma série de 12 apresentações que, ao longo de 2025, celebrarão o melhor da música brasileira em um dos espaços mais emblemáticos da cidade.

Serviço:

Regência: Gustavo Petri

Data: 14 de março (sexta-feira) | Horário: 20h

Duração: 70 minutos

Local: Teatro Cultura Artística

Endereço: Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação

Ingressos: R$180 (inteira) e R$90 (meia)

Vendas: plataforma INTI.

(Com Gelse Montesso/Fundação Padre Anchieta)

A arte têxtil de Michele Wharton na galeria Alma da Rua

São Paulo, por Kleber Patricio

Manta com xilogravura inspirada nas Molas panamenhas que serão estampadas em bandeiras para a exposição e almofadas com bordados manuais das Molas. Crédito da imagem: Dex Almeida.

A galeria Alma da Rua, localizada no Beco do Batman, um dos endereços mais emblemáticos em arte urbana na capital paulista, participa da DW! Design Weekend 2025, que acontece em São Paulo de 10 a 16 de março, com a mostra ‘Caminhos Pretos’. A arquiteta, designer e artista Michele Wharton apresenta sua coleção de almofadas bordadas de molas panamenhas, quimonos e seis bandeiras inéditas estampadas manualmente em xilogravura com a mesma referência. Esta coleção é inspirada na cultura indígena do Panamá, cidade natal dos seus país. Para Michele, é muito importante estar de volta ao Beco do Batman, rever os primeiros passos, pois reviver este universo é essencial para o pertencimento das suas obras, é a celebração da sua arte.

A mostra celebra a trajetória de Michele que desde 2016 faz peças de home decor e slow fashion exclusivas com os marcantes traços das Molas. Com quatro metros de altura, cada bandeira trará impressões inéditas desta arte, já que a cada nova criação, por ser uma técnica manual, nenhum formato se repete, é sempre novo. A mostra ainda terá a participação de outros artistas negros convidados, como Negrito, Negast, Mogle, Negana, Consp, Criola, Fluidez, Fabah e a DJ Yaminah Mello, que, além de apresentar uma obra, também vai comandar o som na abertura junto com o DJ Ícaro Diniz e o DJ Homeless. Todas as obras destes artistas estarão dispostas nas paredes da galeria adornando a instalação de Michele.

O Beco do Batman é o território cultural onde tudo começou para a Michele. Este lugar emblemático e inspirador que serve de válvula artística foi/é fonte de inspiração para ela: “é importante para mim estar de volta onde tudo começou, essa criação nasceu aqui”, diz. A coleção traz o pertencimento indígena panamenho na vida de Michele que cresceu em meio a essa vasta cultura da cidade natal de seus pais e que serviu de inspiração para esse trabalho atemporal com almofadas bordadas de molas panamenhas, além das bandeiras inéditas estampadas manualmente em xilogravura.

Las Molas

As Molas, de origem da comunidade indígena Guna, que se dividem entre o território da Colômbia e Panamá, são tecidos decorativos trabalhados com a técnica do chamado bordado aplicado, feito com tecidos coloridos de cores diferentes; são trabalhadas à mão e contêm duas ou mais camadas de tecidos cortados e costurados uns sobre os outros, formando o mundo que envolve essa comunidade. As Molas, tradicionalmente feitas por mulheres da comunidade Guna, não são apenas roupas diferentes e que não se repetem; elas são uma filosofia, uma tradição preservada. Nelas, as mulheres se vestem a vida toda e com elas afundam na terra quando a morte chega. A origem das molas vem de uma pintura corporal que foi então transferida para o tecido. As Molas representam o pensamento cosmogônico, uma visão gráfica do mundo, repleta de cores e significados antropomórficos e zoomórficos. De acordo com a cosmovisão kuna, ele foi o criador do universo dos nativos, Babdummad, que reposicionou ao seu povo os belos tecidos em que suas visões, flora e fauna são refletidas.

Michele Wharton – @michelewharton

Negra, latina e brasileira. Estas são as heranças e tradições culturais que Michele Wharton carrega para sua marca homônima, a Michele Wharton Design, que apresenta linha inédita de roupas, acessórios e moda casa. Cheias de alma e feitas de forma completamente artesanal e limitada, as peças valorizam a ascendência panamenha de sua criadora, que trouxe do país as tradicionais Molas de tecido que decoram cada uma das peças, com a valorização do patrimônio cultural feito pelas mulheres indígenas da região Guna Dule. Toda a produção de Michele é repleta de cor, autenticidade e significado.

Cada Mola é única e carrega muita ancestralidade. É uma sociedade matriarcal e o conhecimento e a habilidade na costura passa de mãe para filha”, conta. Michele diz que sempre se encantou pela beleza deste trabalho artesanal de sobreposição de tecidos que, quanto mais camadas recebe, mais sofisticado é. “Meus pais são panamenhos e, apesar de crescer no Brasil, carrego essa conexão muito forte com a minha ascendência e com a minha família lá. É um universo requintado e muito rico em referências. Criei a minha brand para difundir esta propriedade cultural”, diz. Michele é arquiteta e designer e desde 2016 faz peças de home decor e slow fashion exclusivas como acessórios: bolsas, cintos, coroas, peças de design e modelagens únicas com os marcantes traços das Molas panamenhas.

Galeria Alma da Rua – @galeriaalmadarua | Fundada em 2009 pelo colecionador Tito Bertolucci como Alma do Mar, cujo foco era destacar arte voltada a cultura do surf, a galeria passou a ser chamada, em 2016, como Alma da Rua. Hoje, mais abrangente, o espaço é focado em grafite e pichação é considerada um centro gerador e articulador de arte urbana. Ele fomenta diversos tipos de manifestações culturais e atividades, através da reflexão, formação, produção e a história da arte presente nas ruas.

Serviço:

Galeria Alma da Rua II – Exposição Caminhos Pretos

Rua Medeiros de Albuquerque, 188 – Vila Madalena | Beco do Batman

Abertura DW!: 13 de março – das 13h às 22h

Período expositivo: 10 a 16 de março

Horário de visitação: Todos os dias das 10h às 18h

Entrada gratuita.

(Com Jucelini Vilela)