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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Espetáculo ‘Não Me Entrego, Não!’, com Othon Bastos, estreia no Sesc 14 Bis, em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Beti Niemeyer.

Quando Flávio Marinho recebeu um calhamaço de escritos que Othon Bastos deixou sob sua diligência, confiada pela amizade de décadas dos dois, nenhum deles imaginava que o solo, elaborado sob minuciosa pesquisa, posteriormente escrito e dirigido por Flávio levando em conta os principais acontecimentos da existência de Othon, seria o sucesso de público e crítica que se transformou ‘Não me entrego, não!’.  O espetáculo estreia no Sesc 14 Bis, em São Paulo, de 20 de março a 21 de abril de 2025, de quinta a sábado, às 20h e domingo, às 18h segunda (21), às 15h.

Com a experiência de quem criou muitos tipos e começou histórias diversas tantas vezes ao longo da vida, o ator Othon Bastos repete o gesto com frescor e números expressivos. Às vésperas de completar 92 anos de vida e 74 anos de carreira, nos intervalos da temporada oficial Othon tem circulado com o trabalho em diversos estados do país e já contabiliza mais de 40 mil espectadores e 100 apresentações. Dentre tantos méritos, o espetáculo recebeu láureas como o Prêmio FITA (Festa Internacional de Teatro de Angra), que premiou Flávio Marinho na categoria Melhor Autor e Othon Bastos com o Prêmio Oficial do Júri. A dupla foi ainda homenageada na 1ª edição do Prêmio Arte e Longevidade Rio 2024 e Othon, que está indicado na categoria Melhor Ator pelo júri carioca do Prêmio Shell, levou ainda o prêmio Cariocas do Ano da revista Veja Rio na categoria Teatro. Com a peça, Othon Bastos foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator. O espetáculo também concorre ao prêmio APTR em cinco categorias: dramaturgia e direção (Flávio Marinho), ator protagonista (Othon Bastos), espetáculo e produção não-musical.

Foto: @jamesclickphoto.

Othon possui uma carreira de títulos marcantes no cinema (‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, de Glauber Rocha) e no teatro (‘Um grito parado no ar’, de Gianfrancesco Guarnieri) que são relembrados em cena, propondo uma reflexão sobre cada momento da sua trajetória. É o mural de uma vida dividido em blocos temáticos – trabalho, amor, teatro, cinema, política etc. – cujas reflexões envolvem citações e referências de alguns dos autores mais importantes do mundo. A peça é uma lição de vida e de resiliência, de como enfrentar os duros obstáculos que se apresentam em nossa existência – e como superá-los.

O desejo de voltar à ribalta partiu do próprio Othon que, após assistir a montagem ‘Judy: o arco-íris é aqui’, ficou com a ideia de estar em cena relembrando suas histórias. “Eu pensei como é maravilhoso contar a vida de alguém no palco. E aí falei com o Flávio que eu queria fazer um espetáculo com ele sobre a minha vida e entreguei umas 600 páginas de pensamentos escritos sobre coisas que eu gosto, autores, anotações… Ali tinha um resumo bom sobre mim. E fomos fazendo: ele leu, entendeu e foi montando o espetáculo. E é mais difícil me lembrar do texto, embora seja uma peça sobre a minha própria memória, porque ela chega editada, diferente das lembranças espontâneas”, confidencia Othon Bastos.

Foto: @jamesclickphoto.

Com a missão de converter tantas lembranças e histórias, Flávio Marinho precisou condensar os anos de vivência do veterano ator em alguns minutos de espetáculo teatral. “À primeira vista, o que temos é o próprio Othon Bastos, que estará em cena contando histórias divertidas e dramáticas da sua vida pessoal e profissional. Isto seria, digamos, o esqueleto dramático da peça. Só que este esqueleto é recheado de diversas reflexões, frutos imediatos do tema abordado por Othon. Por exemplo, depois que ele encontra o amor da vida, com quem está casado há 57 anos, o texto passa a refletir o sentimento do amor através de diversas referências e citações”, adianta o autor e diretor, que trabalha com a mesma equipe teatral há mais de 35 anos, reunindo profissionais como Liliane Seco (Trilha Original), Paulo Cesar Medeiros (Iluminação), Fabio Oliveira (Administração), Ronald Teixeira (Direção de Arte), Beti Niemeyer (Fotografia), Bianca De Felippes (Produtora) e Gamba (Programação Visual). “Já somos considerados uma família”, conclui.

O mesmo se dá após Othon mencionar um fato político: a peça envereda por historietas e pequenas pensatas políticas – e assim por diante. “O Flávio escreveu maravilhosamente bem. Começa nos meus 11, 12 anos e vem até hoje. Nada foi fácil para mim; muitos dos meus principais papéis eu entrei substituindo outro ator. Se alguém me perguntar como comecei minha carreira, eu digo que comecei substituindo o Walter Clark, que era meu colega de turma de teatro, e depois muitas outras coisas aconteceram. O Chico Xavier já dizia que se uma coisa é sua, ela te encontra, não é preciso se preocupar”, pondera o homenageado, que terá a companhia de sua ‘memória’ em cena, a atriz Juliana Medela trazendo observações às suas falas. “A ideia de ter a minha memória em cena foi minha, achei que seria interessante ter uma espécie de Alexa em cena. Ela entra para fazer descrições”, diverte-se Othon, numa alusão à assistente virtual desenvolvida pela Amazon.

Foto: @jamesclickphoto.

“É um momento único, mesmo: meu primeiro monólogo e sobre a minha própria vida. É uma experiência muito forte eu ter que ser o meu próprio centro em cena. Mas não trazemos nenhuma lembrança amarga, apenas as alegres e divertidas, para levar curiosidades que vivi ao longo desses anos todos ao público, que saberá o que se passa com um ator – que é uma pessoa comum. Mas, quando se recebe um dom como esse, você tem a capacidade de doar o que recebeu. Então é isso que eu quero, me doar – e que as pessoas me leiam. Quero que elas vejam quem eu sou e como sou”, finaliza Othon Bastos.

FICHA TÉCNICA

Elenco: Othon Bastos

Texto e Direção: Flavio Marinho

Diretora Assistente e Participação Especial: Juliana Medella

Direção de Arte: Ronald Teixeira

Trilha Original: Liliane Secco

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Programação Visual: Gamba Júnior

Fotos: Beti Niemeyer

Visagismo: Fernando Ocazione

Consultoria Artística: José Dias

Assessoria de Imprensa (Nacional): Marrom Glacê Comunicação – Gisele Machado e Bruno Morais

Assessoria de imprensa (SP): Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes

Assessoria Jurídica: Roberto Silva

Coordenador de Redes Sociais: Marcus Vinicius de Moraes

Assistente de Diretor de Arte: Pedro Stanford

Assistente de Produção: Gabriela Newlands

Administração: Fábio Oliveira

Produção Local: Roberta Viana

Desenho de Som e Operação: Vitor Granete

Operador de luz: Luiza Ventura

Direção de Produção: Bianca De Felippes

Produção:  Gávea Filmes

Idealização:  Marinho d’Oliveira Produções Artísticas

Realização:  Sesc São Paulo.

Serviço:

Não me entrego, não!, com Othon Bastos

De 20 de março a 21 de abril de 2025

Quintas a sábados, às 20h e domingos, às 18h e dia 21/4, segunda-feira, às 15h

Ingressos: R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia) / R$ 21 (credencial Sesc)

Classificação Indicativa: 12 anos | Duração: 100 minutos

Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista – São Paulo – SP

Informações: www.sescsp.org.br/14bis

Instagram: @othonbastosnoteatro / @sesc14bis

Sobre o Sesc São Paulo                                                                                    

Com mais de 78 anos de atuação, o Sesc – Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 43 unidades operacionais no estado de São Paulo e desenvolve ações para promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, além de toda a sociedade. Mantido por empresas do setor, o Sesc é uma entidade privada que atende cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Saiba mais em sescsp.org.br.

Serviço:

Sesc 14 Bis

Horário de funcionamento: terça a sábado, 10h às 21h; domingos e feriados, 10h às 19h.

Estacionamento: Vagas para carros, motos e bicicletas.

R$ 12 para as 3 primeiras horas e R$ 2 a cada hora adicional (Credencial Plena)

R$ 18 para as 3 primeiras horas e R$ 3 a cada hora adicional (Público geral)

Para atividades no Teatro Raul Cortez, preço único: R$ 12 (Credencial Plena) e R$ 18 (Público geral)

*Em dias de shows e espetáculos é possível retirar o veículo após o término das apresentações.

**Transporte gratuito da unidade até a estação de metrô Trianon-Masp da linha 2-verde para os participantes das atividades, de terça a sexta, às 21h40, 21h55 e 22h05.

Como chegar:

Ônibus: a 260 metros do ponto Getúlio Vargas 2 (sentido Centro-Bairro), a 280 metros do ponto Parada 14 Bis (sentido Bairro-Centro) e a 2000 metros do Terminal Bandeira.

Metrô: a 700 metros da estação Trianon-Masp da Linha 2-Verde e a 2000 metros da estação Anhangabaú da Linha 3-Vermelha.

Acompanhe o Sesc 14 Bis na internet:

Site: sescsp.org.br/14bis

Facebook: facebook.com/sesc14bis

Instagram: @sesc14bis

(Com Cristina Berti/Sesc 14 Bis)

Concerto didático com horários especiais mostra ao público a evolução das orquestras sinfônicas

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Concerto Didático da temporada passada com a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal. Foto: Daniel Ebendinger.

Depois do sucesso do Concerto de abertura da temporada 2025 do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, ainda no mês de março o público vai ter a oportunidade de conferir um concerto didático com o maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres, que contará a história da evolução das orquestras com uma linguagem bem acessível ao público. O concerto conta com o patrocínio da Petrobras e texto de Eric Herrero. As apresentações terão obras de Bach, Mozart, Tchaikovsky, Rossini, Beethoven e Vivaldi e dos brasileiros Heitor Villa-Lobos e Lorenzo Fernandes. Como solistas, Carolina Morel (soprano), Loren Vandal (soprano), Fernando Lorenzo (barítono), Daniel Albuquerque (violinista) e Sofia Ceccato (flauta). Participações especiais de Liana Vasconcelos (bailarina), Bruno Fernandes e Ludoviko Vianna (atores) como Goiabada e Marshmallow e Murilo Emerenciano (piano). A direção cênica será de Mateus Dutra. As apresentações acontecem nos dias 28, às 11h e 29, às 17h.

A presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino, destaca a importância de falar a mesma língua das crianças: “O Concerto Didático é uma ótima oportunidade de aproximar as crianças do nosso mundo, para mais esta realização, contamos com o patrocínio da Petrobras. De maneira lúdica, o maestro traz a história da orquestra citando grandes compositores e convidando para que estejam atentos aos detalhes de cada título apresentado. É incrível ver o deslumbramento do público, traga sua criança para viver esta oportunidade cultural aqui no Municipal”.

“Programar Concertos Didáticos me dá um enorme prazer, pois vamos formando plateias e trabalhando pela perenidade do nosso setor. Com os artistas incríveis do Theatro Municipal do Rio de Janeiro participando, então, nem se fala”, ressalta o diretor artístico da FTM, Eric Herrero

“Expor crianças e jovens à música de concerto é abrir uma porta para a sensibilidade, a criatividade e o pensamento crítico. A música ensina a ouvir, a sentir e a se conectar com o outro e isso é fundamental para a formação de qualquer indivíduo. Nosso objetivo é mostrar ao grande público que a música de concerto pode ser emocionante, divertida e cheia de histórias fascinantes”, celebra o maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres.

Concerto Didático

Músicas:

Antonio Vivaldi ‘Primavera’ – 1º movimento

Johann Sebastian Bach ‘Badinerie’ – suíte n° 2

Wolfgang Amadeus Mozart – ‘Pequena Serenata Noturna’ – 1º movimento

Gioachino Rossini – ‘Duetto Buffo di Due Gatti’

Ludwig van Beethoven ‘5ª Sinfonia’ – 1º movimento

Gioachino Rossini – ‘Ária do Figaro’

PiotrIlitch Tchaikovsky ‘Lago’ Ato 1 nº9 e final ato 2

Heitor Villa-Lobos ‘Trenzinho do Caipira’

Oscar Lorenzo Fernandes ‘Batuque’

Solistas: Carolina Morel (soprano), Loren Vandal (soprano), Fernando Lorenzo (barítono), Daniel Albuquerque (violinista) e Sofia Ceccato (flauta)

Participações especiais: Liana Vasconcelos (bailarina), Murilo Emerenciano (piano), Bruno Fernandes e Ludoviko Vianna (atores)

Texto: Eric Herrero

Direção Cênica: Mateus Dutra

Regência: Felipe Prazeres

Direção Artística TMRJ: Eric Herrero.

Serviço:

Concerto Didático com Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Datas: 28/3 às 11h; 29/3 às 17h

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/n° – Centro

Duração: 1h15

Classificação: Livre

Ingressos:

Frisas e Camarotes – R$60,00 (ingresso individual)

Plateia e Balcão Nobre – R$40,00

Balcão Superior e Lateral – R$30,00

Galeria Central e Latera l – R$15,00

Ingressos pelo site www.theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro 

Haverá uma palestra gratuita no Salão Assyrio uma hora antes do início de cada espetáculo. 

Patrocínio Oficial Petrobras

Apoio: Livraria da Travessa, Rádio MEC, Rádio Paradiso Rio, Fever, Embaixada da Áustria

Realização Institucional: Associação dos Amigos do Teatro Municipal, Fundação Teatro Municipal, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Lei de Incentivo à Cultura 

Realização: Ministério da Cultura e Governo Federal, União e Reconstrução.

(Com Cláudia Tisato/Assessoria de imprensa TMRJ)

‘O Cinema Underground de Roberta e Michael Findlay’ – Filmografia do casal que influenciou um time de cineastas consagrados de várias gerações começa dia 20 de março na Estação Botafogo

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Imagem: Divulgação.

‘O Cinema Underground de Roberta e Michael Findlay’, que acontece de 20 a 26 de março na Sala 2 da Estação Botafogo, vai exibir 27 filmes do casal que deixou seu nome marcado na história do cinema underground – importantes nomes dos gêneros ‘exploração’ e de ‘terror’, especialmente em filmes de baixo orçamento feitos nos Estados Unidos durante os anos 60 e 70. Sob curadoria do cineasta e jornalista Mário Abbade, a intensa programação conta com filmes como ‘Possua-me nua’ (Take me naked), ‘O maníaco da carne’ (The touch of her flesh), ‘O grito dos mutilados’ (Shriek of the mutilated) e ‘Snuff’ (1975), entre outros. Programação completa aqui.

A retrospectiva pretende apresentar, pela primeira vez no Brasil, a filmografia do casal, que influenciou um time de cineastas consagrados de várias gerações. É o caso dos americanos Wes Craven, Sam Raimi e Rob Zombie, do canadense David Cronenberg, do holandês Paul Verhoeven, do espanhol Álex de la Iglesia, do francês Alexandre Aja, do italiano Abel Ferrara e do argentino Gaspar Noé, em uma extensa lista de diretores que flertam com esse subgênero. Segundo o curador, não houve no mundo uma mostra sobre a obra de Roberta e Michael Findlay. “Do alto dos seus 81 anos, ela disse que estava emocionada com esta inciativa, porque nunca fizeram uma mostra desta magnitude em homenagem a eles”, diz Abbade.

Ao mesmo tempo, a mostra quer ressaltar como Roberta e Michael trabalhavam em completa sintonia naquilo que se pode catalogar como uma relação igualitária entre uma mulher e um homem em todas as funções de uma equipe de produção para o cinema. Roberta tinha voz ativa no set e é considerada uma importante representante feminista do cinema underground.

Em outra abordagem, historicamente a arte frequentemente desafia normas morais e explora temas tabus, como violência, sexualidade transgressora ou decadência humana com o objetivo de provocar, questionar ou expor aspectos sombrios da condição humana. Obras como as do Marquês de Sade, a literatura de autores como Georges Bataille abordam a depravação não como mero choque, mas como crítica social, investigação filosófica ou expressão de liberdade criativa.

Michael Findlay

Michael Findlay (1938–1977) foi um cineasta e produtor que ficou conhecido principalmente por seus filmes de terror e exploitation, muitas vezes com um estilo gráfico e transgressor para a época. Ele é mais lembrado por seu trabalho em filmes que exploravam temas sensacionalistas, como o sexo e a violência, características típicas do gênero exploitation.

Findlay dirigiu e produziu uma série de filmes de baixo orçamento. Um dos seus filmes mais famosos é The Touch of Her Flesh (1967), um thriller psicológico e de vingança, que aborda temas de erotismo e violência. Ele também foi responsável pela direção de filmes como Shriek of the Mutilated (1974), um filme de terror que se tornou um cult apesar de sua produção de baixo orçamento.

Os filmes de Findlay frequentemente se distanciam das produções convencionais e tentam chocar a audiência com suas cenas de violência explícita e sexualidade. Eles eram voltados para um público mais niche e, com o tempo, se tornaram parte do movimento exploitation, que envolvia uma abordagem mais ousada e provocativa ao cinema.

Roberta Findlay

Roberta Findlay (1943), esposa de Michael Findlay, é cineasta e atriz que também se destacou no gênero exploitation e terror. Ela é conhecida por seu trabalho em filmes de baixo orçamento, nos quais muitas vezes se envolvia como diretora, roteirista e produtora.

Roberta Findlay dirigiu diversos filmes no mesmo estilo de seu marido, com grande foco em elementos sensacionalistas e de horror. Ela é conhecida por filmes como Snuff (1976), um dos filmes mais infames de sua carreira, que foi envolto em controvérsias. Snuff é um filme exploitation que, embora não seja realmente um ‘snuff film’ (como o título sugere), explora o tema de violência extrema e manipulação da mídia.

Roberta também foi uma das poucas mulheres a trabalhar de forma consistente no gênero exploitation, em um período em que esse campo era dominado por homens. Ela se destacou não apenas como cineasta, mas também como produtora, atriz e em outras funções de produção.

Nota do curador:

O meu primeiro contato com Roberta e Michael Findlay foi em 1982, quando aluguei Snuff em uma locadora em Ipanema que trabalha com fitas de VHS importadas. O longa, o mais alugado durante mais de três meses, ficou famoso por, supostamente, trazer uma cena real de assassinato – assunto mais comentado então na locadora. Convenhamos que a baixa qualidade das fitas de VHS ajudou a disseminar a lenda, já que não dava para ver detalhes com precisão.

Depois dessa primeira experiência, saí em busca de mais filmes do casal de diretores. Na época, não era fácil conseguir informação sobre as produções mais novas, então, era uma alegria quando se conseguia ler algo a respeito do tema ou ver um filme recém-lançado lá fora. Tais fitas eram importadas e a grande maioria provinha de companhias independentes como a Something Weird Video, fundada em 1990.

De lá para cá, tivemos a chegada do DVD, do Blu-ray e dos arquivos digitais na internet, o que facilitou, finalmente, planejar a mostra O Cinema Underground de Roberta e Michael Findlay. Com o adendo de receber a bênção da própria cineasta, aos 81 anos de idade. Já Michael, infelizmente nos deixou em maio de 1977 vítima de um acidente de helicóptero. Praticamente desconhecidos do grande público, Roberta e Michael Findlay são famosos entre os pesquisadores como a dupla mais notória nos acervos da ‘exploração’ a combinar sexo e violência.

Em meados da década de 1960, Michael foi destaque entre um pequeno grupo de cineastas underground de Nova York (incluindo Joseph W. Sarno, Joseph P. Mawra e Lou Campa) que produziam filmes de baixíssimo orçamento de ‘exploração’. Assim são chamadas as primeiras produções a combinar histórias de terror ou suspense convencionais com cenas de sexo sadomasoquista para o mercado de grindhouse (especializado em filmes violentos com temas explorativos). Às vezes, sob o pseudônimo de Julian Marsh, Michael, além de dirigir, atuava nos filmes usando o nome Robert West.

Uma marca do casal era empregar os mesmos atores repetidamente, em especial, Uta Erickson e Marie Brent, também conhecida como Janet Banzet. Todos adotavam pseudônimos por causa dos órgãos de censura. Os Findlays eram amigos de George Weiss, produtor do longa ‘Glen ou Glenda’, dirigido por Ed Wood, e de uma série de filmes fetichistas com a personagem Olga (‘House of Shame de Olga’ e ‘Olga’s Girls’, entre outros). Foi em 1964 que, encorajados por Weiss, Roberta e Michael começaram a fazer filmes no novo subgênero de exploração que aliava sexo e violência.

A série da HBO ‘The deuce’, criada por David Simon e George Pelecanos, foi inspirada nos Findlay, principalmente em Roberta. Ambientada nos anos 1970, exibe o mundo da prostituição nas ruas de Nova York para depois chegar ao mercado do cinema pornográfico e do cinema marginal. Os personagens principais, interpretados por Maggie Gyllenhaal e David Krumholtz, são uma espécie de representação ficcional da trajetória dos Findlays numa Nova York machista, dominada pela máfia e por uma polícia corrupta, muito antes do projeto Tolerância Zero implementado pelo prefeito Rudy Giuliani, nos anos 1990.

A série televisiva ilustra como Roberta e Michael precisaram lançar mão de pseudônimos para poder se relacionar com amigos e familiares, ao mesmo tempo que corriam perigo por negociar com mafiosos, autoridades e censores. Também na trama, a personagem de Maggie Gyllenhaal revoluciona seu meio ao dirigir filmes com temática adulta em uma indústria dominada por homens. Antes de ser diretora e de assinar a fotografia de filmes de Michael, atuava como coadjuvante nos filmes do casal com o pseudônimo de Anna Riva.

O objetivo da mostra O Cinema Underground de Roberta e Michael Findlay é revelar ao público brasileiro quem são esses pioneiros do cinema underground e marginal nos Estados Unidos, mas que acabaram esquecidos. Roberta, que continuou produzindo conteúdo após a morte de Michael, ainda é um importante símbolo do movimento feminista, apesar de não gostar do rótulo. A atual discussão sobre uma maior participação da mulher nas diversas funções de uma produção cinematográfica reforça quão oportuno é redescobrir o trabalho de Roberta Findlay.

Serviço:

Mostra O Cinema Underground de Roberta e Michael Findlay

Classificação etária: 18 anos

Estação NET Botafogo 2: Rua Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo

Ingressos: R$18.

(Com Alexandre Aquino)

Novo álbum da Osesp pelo selo Naxos traz Thierry Fischer e Guido Sant’Anna

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do álbum Violin Concertos. Foto: Cauê Diniz/Naxos.

Está disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 14 de março o novo lançamento da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp pelo selo Naxos. Gravado na Sala São Paulo em julho de 2023 e com produção, engenharia e edição de Ulrich Schneider, o álbum Mendelssohn – Tchaikovsky | Violin Concertos traz duas obras arrebatadoras interpretadas pela Osesp ao lado do prodígio brasileiro do violino Guido Sant’Anna, sob a batuta do diretor musical e regente titular da Orquestra, Thierry Fischer: o Concerto para violino e orquestra em mi menor, Op. 64, do alemão Felix Mendelssohn, e o Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 35, do russo Piotr Ilitch Tchaikovsky.

Mendelssohn concebeu o Concerto para violino em mi menor para seu amigo de infância, Ferdinand David, que era spalla da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig, na Alemanha, embora o compositor tenha levado anos para aperfeiçoá-lo. Este Concerto continua sendo uma das obras mais significativas do gênero – sereno, lírico e luminoso.

O Concerto para violino em Ré maior de Tchaikovsky é também um dos maiores desse formato do século XIX, escrito para o aluno favorito do compositor, Iosif Kotek, e uma obra de grande beleza e repleta de desafios virtuosos. Neste álbum eles são interpretados pelo brilhante Guido Sant’Anna, o primeiro violinista sul-americano a vencer o prestigiado Fritz Kreisler International Competition, em 2022.

Mendelssohn – Tchaikovsky | Violin Concertos pode ser encontrado em edição física na Loja Clássicos, que está localizada dentro da Sala São Paulo (piso térreo), e em edição digital nas mais diversas plataformas de streaming.

Faixa a faixa:

Felix MENDELSSOHN (1809-1847)

Violin Concerto in E minor, Op. 64, MWV O14 (1844)        28:52

  1. Allegro molto appassionato          13:04
  2. Andante                                         9:00
  3. III Allegro molto vivace                  6:48

Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY (1840-1893)

Violin Concerto in D major, Op. 35 (1878)                           36:55

  1. Allegro moderato                          19:17
  2. Canzonetta: Andante                     6:46
  3. III Finale: Allegro vivacissimo       10:39

Textos de Luiz Marques sobre o álbum:

Concertos para Violino

Felix Mendelssohn (1809–1847)

Concerto para violino em mi menor, Op. 64 (1844)

Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809–1847) está entre os criadores da ideia de uma tradição musical essencialmente alemã, tal como ainda hoje a entendemos: de Bach, cuja proeminência o próprio Mendelssohn revelou ao mundo, entre 1827 e 1829, a Brahms, seu sucessor (segundo declara Eduard Marxsen, em 1847), passando por Haydn, Mozart, Beethoven e Schumann. Compositor dotado de um personalíssimo senso melódico, capaz de dominar com inata elegância todos os aspectos da linguagem musical, Mendelssohn foi também pianista, organista, violinista e regente, além de criador e diretor de um renomado conservatório em Leipzig, que ele transformou em capital da tradição clássica.

Mendelssohn foi também um verdadeiro polímata. O valor artístico de seus desenhos e paisagens em aquarela foi reconhecido por Richard Wagner, que, como se sabe, não se inscreve entre os admiradores incondicionais de sua obra musical. Poliglota e versado em línguas clássicas, Mendelssohn foi amigo próximo e discípulo do grande historiador da Antiguidade, Johann Gustav Droysen (1808–1884), e ainda foi prosador admirável, rivalizando com Berlioz e Schumann em argúcia crítica, em especial em sua vasta correspondência com grandes personalidades da cultura alemã. Como seu pai, o banqueiro Abraham, converteu-se ao protestantismo (acrescentando ao nome judaico Mendelssohn o protestante Bartholdy). O compositor era estudioso de teologia, adaptando os libretos de seus oratórios Paulus e Elias, e assíduo ouvinte dos sermões berlinenses do teólogo e filósofo Friedrich Schleiermacher (1768–1834), com quem compartilhava o entusiasmo por Platão e o mesmo gênero de sentimento religioso romântico.

O fenômeno Mendelssohn só pode ser entendido de fato se devidamente situado numa das mais felizes constelações da cultura alemã da primeira metade do século XIX. Basta dizer que, em 1821, ele foi levado a Weimar por seu professor de composição, Carl Friedrich Zelter (1758–1832), e foi apresentado a Goethe. Entabulou-se então uma singular amizade entre o menino de 12 anos e o olímpico patriarca de 72, que o reteve um mês em sua casa, cativado por seu gênio e sua precocidade intelectual.

Concebido desde 1838 para o amigo de infância de Mendelssohn, Ferdinand David (1810–1873), nomeado spalla da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig pelo compositor, que se tornara seu regente em 1835, o Concerto para violino em mi menor teve sua estreia apenas em 1845. Ao lado de Sonho de uma noite de verão, Op. 61, é talvez a mais conhecida das peças orquestrais de Mendelssohn, e um dos mais universalmente aclamados concertos de violino do século XIX, junto aos de Beethoven, Brahms e Tchaikovsky.

Anos a fio, o primeiro tema do primeiro movimento — um angustiante lamento — “não dava paz” ao compositor, conforme escreveu ao amigo. Introduzido pelas madeiras, o segundo tema, em Sol maior, traz um senso de serenidade que dialoga com o primeiro tema até o final. A pureza e o vibrante lirismo da linha melódica do ’Andante’ permanecem inigualados por qualquer outro compositor de seu tempo e, talvez, pelo próprio Mendelssohn. A seção central de sua forma ternária tinge-se de acentos mais dramáticos, sem, contudo, perder a delicadeza e a elegância supremas do compositor. O terceiro movimento, por fim, traz de volta o frescor e a luminosidade juvenis da abertura concertante Sonho de uma noite de verão, Op. 21.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840–1893)

Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 35 (1878)

O Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 35, de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840–1893), está entre os mais universalmente amados concertos para violino do século XIX. O primeiro movimento, ‘Allegro moderato’, introduz um primeiro tema, magnificamente melancólico, que é dos mais conhecidos de toda a música deste compositor. Uma cadenza introduz o segundo tema, que rivaliza com o primeiro em beleza e confirma as dificuldades técnicas imensas que permeiam o primeiro e o terceiro movimentos, e que fizeram seus primeiros intérpretes desistir de enfrentá-las. A reexposição do primeiro tema pela orquestra, agora com a expressividade de uma marcha heroica, dá mostra da habilidade singular de Tchaikovsky de reelaborar a mesma melodia em registros emocionais contrastantes. Trata-se de um dos momentos mais emocionantes desse movimento. Seu desenvolvimento sucessivo alterna dramaticidade superlativa e longas passagens de divagação introspectiva que introduzem uma segunda cadenza, a qual se resolve em variações líricas sobre o tema famoso.

O segundo movimento, ‘Canzonetta: Andante’, é um curto intermezzo entre os dois movimentos maiores. Seu primeiro tema é um lamento; o segundo é mais distendido e mais lírico e faz perfeitamente jus ao título canzonetta, de caráter mais leve. Após um diálogo murmurado entre solista e orquestra (flauta e clarineta), o movimento se conclui com uma meditação belíssima comandada sobretudo pelas madeiras.

O terceiro movimento, ‘Allegro vivacissimo’, se inicia sem pausa (attacca subito) e traz em si, como poucos, a energia arrebatadora da música russa. É difícil lembrar de outra peça do repertório romântico a que se aplique tão bem o adjetivo expressivo vivacissimo. Passagens de profunda melancolia, imersas novamente em belos diálogos com as madeiras, dão lugar a explosões de frenética vibração rítmica das escalas, onde o violino chega ao limite de suas potencialidades expressivas e mesmo percussivas. Eduard Hanslick (1825–1904), um crítico musical que passou à história como guardião da ortodoxia clássica germânica, rebelou-se sobretudo contra esse terceiro movimento, que ultrapassava em muito os limites do que sua tradição podia compreender e admitir.

O Concerto de Tchaikovsky completa uma espécie de tetrarquia de concertos para violino, ao lado dos de Beethoven, Mendelssohn e Brahms, e foi composto no mesmo ano de 1878 em que Brahms compunha o seu. O contraste entre ambos é óbvio. Brahms e Tchaikovsky encontraram-se em 1888 em Leipzig e novamente em 1890 em Hamburgo, na ocasião em que este regeu sua Quinta Sinfonia na presença de Brahms. Cordialidades à parte, seus universos musicais não se interpenetram. O caráter profundamente russo da música de Tchaikovsky é evidente e foi tal o entusiasmo suscitado por sua celebérrima Abertura-Fantasia, Romeu e Julieta (1869–1870), que Vladimir Stasov, maître à penser do Grupo do Cinco (Balakirev, Mussorgski, César Cui, Rimsky-Korsakov e Borodin), escreveu: “Vocês eram cinco, agora são seis!”.

Ocorre que Tchaikovsky, embora admirador de Balakirev e de Rimsky-Korsakov, que ele muito ajudou e encorajou, não se vê nesta sexta posição. Tchaikovsky não é um ‘eslavófilo’, um nacionalista stricto sensu. É um aristocrata graduado no recém-criado Conservatório de São Petersburgo (1862), onde reinavam músicos formados no âmbito da tradição germânica, como Nikolai Zaremba e Anton Rubinstein. Professor, em seguida, no Conservatório de Moscou, ele pouco ou nada compartilha com o ideal programático desse famoso Grupo dos Cinco, músicos de sua geração, nascidos todos entre 1833 e 1844, de classe média e sem formação acadêmica.

O Opus 35 foi composto em Clarens, na Suíça, onde Tchaikovsky se refugiara após o naufrágio de seu casamento. Tem a seu lado Iosif Kotek (1855–1885), violinista exímio, amigo íntimo e discípulo predileto que colaborou intensamente na composição dessa obra, sobretudo no que se refere às dificuldades específicas da escritura para o violino. Tchaikovsky nutre uma forte admiração pela música francesa, por Bizet, Gounod, Massenet e Édouard Lalo. Em Clarens, ele e seu discípulo executam com grande entusiasmo uma versão para piano e violino da Sinfonia espanhola de Édouard Lalo (1874), que terá sido uma forte inspiração para a composição de seu concerto. Em uma carta, Tchaikovsky afirma que Lalo, assim como Bizet, “pensa mais na beleza musical do que em observar as tradições estabelecidas, como fazem os alemães”. Nesse sentido, Tchaikovsky não é apenas um gênio absoluto da música de todos os tempos, mas também aquele que foi capaz de criar uma mediação entre a música de seu país e a música ocidental como um todo.

[Luiz Marques é professor do Departamento de História da Unicamp e coordenador do Mare — Museu de Arte para a Pesquisa e Educação]

Sobre a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp
Desde seu primeiro concerto, em 1954, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. A cada ano, a Osesp realiza em média 130 concertos para cerca de 150 mil pessoas. Thierry Fischer tornou-se diretor musical e regente titular em 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, por Marin Alsop. Seus antecessores foram Yan Pascal Tortelier, John Neschling, Eleazar de Carvalho, Bruno Roccella e Souza Lima. Além da Orquestra, há um coro profissional, grupos de câmara, uma editora de partituras e uma vibrante plataforma educacional. A Osesp já realizou turnês em diversos estados do Brasil e também pela América Latina, Estados Unidos, Europa e China, apresentando-se em alguns dos mais importantes festivais da música clássica, como o BBC Proms, e em salas de concerto como o Concertgebouw de Amsterdam, a Philharmonie de Berlim e o Carnegie Hall em Nova York. Mantém, desde 2008, o projeto Osesp Itinerante, promovendo concertos, oficinas e cursos de apreciação musical pelo interior do estado de São Paulo. É administrada pela Fundação Osesp desde 2005.

Sobre Thierry Fischer regente

Desde 2020, Thierry Fischer é diretor musical da Osesp, cargo que também assumiu em setembro de 2022 na Orquestra Sinfônica de Castilla y León, na Espanha. De 2009 a junho de 2023, atuou como diretor artístico da Sinfônica de Utah, da qual se tornou diretor artístico emérito. Foi principal regente convidado da Filarmônica de Seul [2017-20] e regente titular (agora convidado honorário) da Filarmônica de Nagoya [2008-11]. Já regeu orquestras como a Royal Philharmonic, a Filarmônica de Londres, as Sinfônicas da BBC, de Boston e Cincinnatti e a Orchestre de la Suisse Romande. Também esteve à frente de grupos como a Orquestra de Câmara da Europa, a London Sinfonietta e o Ensemble intercontemporain. Thierry Fischer iniciou a carreira como Primeira Flauta em Hamburgo e na Ópera de Zurique. Gravou com a Sinfônica de Utah, pelo selo Hyperion, Des canyons aux étoiles [Dos cânions às estrelas], de Olivier Messiaen, selecionado pelo prêmio Gramophone 2023, na categoria orquestral. Na Temporada 2024, embarcou junto à Osesp para a turnê internacional em comemoração aos 70 anos da Orquestra.

Sobre Guido Sant’Anna violino

Natural de São Paulo, SP, o violinista fez sua primeira apresentação solo com orquestra aos sete anos de idade e no ano seguinte foi finalista do Concurso Prelúdio (TV Cultura). Em 2018, então com 12 anos, tornou-se o primeiro sul-americano a ser selecionado para a Menuhin Competition, em Genebra (Suíça), recebendo o Prêmio Música de Câmara e de Público, além do apoio da Caris Foundation, com o empréstimo de um violino de Vicenzo Iorio, de 1833. Integrou o Perlman Music Program (EUA) de 2019 a 2021, ano em que venceu o Concurso Jovens Solistas da Osesp. Venceu, em 2022, o 10º Concurso Internacional de Violino Fritz Kreisler (Viena), feito inédito para um brasileiro. Em 2023, iniciou contrato com a agência KD Schmid e recebeu bolsa integral para estudar na prestigiada Kronberg Academy, na Alemanha. Atualmente é bolsista do Cultura Artística e toca em um violino Jean Baptiste Vuillaume [1798-1875], gentilmente cedido pelo Luthier Marcel Richters, de Viena.

A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

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(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Biblioteca Nacional sedia lançamento do livro ‘Cerrado: Caixa-d’água do Brasil’

Brasília, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Um mergulho na essência do Cerrado, suas águas e biodiversidade. Assim pode ser definido o livro ‘Cerrado: Caixa-d’água do Brasil’, uma obra que transcende o registro documental e convida o leitor a entender a importância de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. O livro reúne especialistas e fotógrafos em uma verdadeira jornada ambiental, celebrando as riquezas naturais e refletindo sobre os desafios da conservação.

A caixa-d’água do Brasil

Mais do que paisagens exuberantes, o Cerrado é o coração das principais bacias hidrográficas do país. Seus rios abastecem milhões de pessoas e sustentam a biodiversidade de um bioma que cobre aproximadamente 25% do território nacional. Entretanto, o avanço do desmatamento – que já devastou mais de 712 mil hectares somente em 2024 – torna urgente a conscientização.

“Não é apenas um registro, mas um chamado à ação, forte e urgente”, destaca Atanagildo Brandolt, presidente do Instituto Latinoamerica e coordenador-geral da obra. “Esta publicação tem como objetivo educar e sensibilizar sobre a importância do Cerrado para a sobrevivência das atuais e futuras gerações.”

Uma jornada visual e científica

Fotos: Luiz Ávila e Cuba Cambará.

Organizado por Caco Schmitt, o livro alia ciência, história e sensibilidade ambiental, apresentando análises detalhadas e imagens que encantam e informam. O trabalho de campo percorreu nascentes e áreas emblemáticas do bioma, com o olhar atento dos fotógrafos Luiz Ávila e Cuba Cambará, cujas lentes capturam a essência única do Cerrado.

“As fotos não são apenas registros, mas narrativas que traduzem a alma do bioma”, ressalta Schmitt. Além disso, o livro conta com contribuições de pesquisadores renomados, como Altair Sales Barbosa, José Eloi Guimarães Campos e Braulio Ferreira de Souza Dias, entre outros, que aprofundam a compreensão sobre a riqueza e os desafios do Cerrado.

Um convite à ação

Com apoio da Lei Rouanet e patrocínio do Atacadão Dia a Dia, Cerrado: Caixa-d’água do Brasil é uma obra necessária em tempos de crise climática. Mais do que um livro, é um manifesto pela preservação. “Queremos inspirar práticas sustentáveis que protejam este patrimônio natural inestimável”, afirma Brandolt.

(Com Barbara de Alencar)