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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Pinacoteca de São Paulo retrata experiências noturnas na arte brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Di Cavalcanti, detalhe Fantoches da meia noite (1921). Imagens: Divulgação/Pinacoteca.

A Pinacoteca de São Paulo inaugura sua programação de 2025 com a mostra coletiva ‘Tecendo a manhã: vida moderna e experiência noturna na arte do Brasil’ nas sete salas do edifício Pinacoteca Luz. A exposição investiga perspectivas de artistas de diferentes origens sobre a experiência da noite, com seus mistérios, personagens e ritos. Com curadoria de Renato Menezes e Thierry Freitas, a coletiva se divide em sete núcleos, percorrendo o assunto por meio de diferentes abordagens, desde um viés social, com reflexões sobre os impactos da modernização nas cidades no século XX, até uma narrativa mais fantástica e imaginativa, na qual surgem enigmas oníricos, paisagens noturnas e os assombros que povoam o imaginário coletivo, com monstros e lobisomens. Obras como ‘Noite na fazenda’ (1969), de Madalena Santos Reinbolt, e ‘Obscura Luz’ (1982), de Cildo Meireles, compõem a mostra.

Na exposição, a experiência da noite se apresenta como um problema artístico para refletir sobre vivências individuais que aparecem, por exemplo, nas representações de sonhos e pesadelos, e coletivas, que dizem respeito a formação histórica e social do país – sobretudo a partir do surgimento da energia elétrica, que mudou a fisionomia das cidades e suas dinâmicas no início do século XX. Atividades de lazer, surgimento de novas profissões, vivências na cidade – que variam de acordo com a origem social do sujeito – figuram em obras emblemáticas, muitas delas expostas pela primeira vez.

“A exposição privilegia a produção de artistas ditos populares e a coloca em relação direta com trabalhos de artistas canônicos do nosso modernismo, muitas vezes criando situações de tensão entre essas diferentes vivências da noite. Ao longo da exposição, percebemos que a noite, um fenômeno natural que afeta a todas as pessoas, reflete problemas artísticos relativos à luminosidade e à representação dos sonhos e visões, mas também problemas sociais relacionados ao trabalho, à coletividade e ao uso do espaço público. Fato é que a noite reforça uma das perguntas mais eloquentes quando olhamos para a arte moderna: quem olha quem? Nós não respondemos a essa pergunta, mas, ao contrário, procuramos transformá-la em motor para as reflexões que estimulamos ao longo de todo o percurso expositivo”, comentam os curadores.

Sobre a exposição

Em 1854 a cidade de São Paulo passou a receber um sistema de iluminação pública com luz a gás. A partir de 1883, o surgimento da energia elétrica aparece como fator determinante na reconfiguração do espaço público. Em Tecendo a manhã, o acender das luzes, na cidade e no campo, marca o início da exposição. Obras como Fachada do Teatro Municipal (sem data), de Valério Vieira (década de 1910) e São Paulo (1966), de Agostinho Batista de Freitas, comentam o espaço compartilhado e a vida coletiva em São Paulo, cidade símbolo da modernidade. Outras representações também podem ser vistas na perspectiva de Gregório Gruber, em Vale do Anhangabaú à noite (1981) e na fotografia de Benedito Junqueira Duarte Praça João Mendes Júnior (1950).

Madalena dos Santos Reinbolt, detalhe de Noite na fazenda (1969).

A segunda sala se volta para o coletivo, apresentando obras que tematizam a sociabilidade noturna. Nos primeiros meses do ano, por exemplo, a Festa de Iemanjá e o Carnaval organizam festas populares em forma de cortejo, movido pelo canto de batuques e afoxés. A cultura do samba, assim como dos bailes, construída fundamentalmente por pessoas negras que experimentavam uma vida cerceada pelas perseguições políticas no pós-abolição, permitiu o florescimento de agremiações inteiramente dedicadas à festa e à celebração da liberdade do corpo marginalizado. Neste núcleo, casamentos, festas religiosas, bailes e parques de diversões podem ser vistos em trabalhos como Festa de Iemanjá (sem data), de Babalu, Parquinho (1990), de Ranchinho, e o Concurso de dança no DCE (1985), dos Retratistas do Morro.

Na sala seguinte, a exposição apresenta personagens associados à noite. A prostituição e o ambiente dos bordéis foram temas frequentes na obra de Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi e Lasar Segall, que se interessavam em observar uma vida marginal, precária e ilegal que não poderia acontecer à luz do dia. Desses artistas, estão expostas respectivamente obras como Fantoches da meia-noite (1921), O ladrão (1955) e Mulheres do mangue com espelhos (1926), que convidam o público a refletir sobre gênero e classe a partir da visão de homens brancos da elite cultural do país sobre mulheres e pessoas negras, pobres e em estado de decadência no contexto pós-abolição.

A quarta sala destaca uma figura mítica evocada pela lua cheia: o Lobisomem. Um conjunto de obras de Ana das Carrancas, além de peças de madeira de Mestre Guarany e Artur Pereira, remetem ao personagem. As obras dividem o espaço expositivo com representações de formas lunares, em especial a obra monumental de Tomie Ohtake, Lua (políptico) (1984). Na sequência, paisagens noturnas que flertam com a abstração e a metafísica contrastam trabalhos como Fachada roxa e verde (início da década de 1960) de Volpi, com obras de artistas populares como Cafezal #1, de Adir Mendes de Souza e Derrubada erótica (2013), de Nilson Pimenta, para pensar sobre o espaço do sonho e os enigmas oníricos.

Indissociável do tema da noite, a experiência do sonhar é contemplada na sexta sala, que se dedica ao imaginário do pesadelo e das assombrações. Em trabalhos como a escultura Exu-Caveira (1982-1983), é possível contemplar a reação de Chico Tabibuia às visões noturnas: convertido à uma religião que demonizava as entidades afro-brasileiras que ele cultuava anteriormente, o artista passou a esculpir na madeira esses espíritos que, segundo ele, insistiam em persegui-lo. Outros artistas como Mestre Galdino, Ulisses Pereira Chaves e Maria Martins também podem ser vistos pelo público. A alvorada marca o encerramento da exposição, trazendo ao último núcleo a transição da noite para o dia, com trabalhos de Djanira, Tereza Costa Rêgo e Heitor dos Prazeres.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo | A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo. 

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

Quintas-feiras com horário estendido na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h)

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca de São Paulo)

Yamandu Costa e António Zambujo fazem apresentação única em São Paulo no dia 25

São Paulo, por Kleber Patricio

Yamandu Costa e António Zambujo: novo álbum e turnê por 11 cidades brasileiras em março. Fotos: Kenton Thatcher.

Eles se reencontraram no palco e no estúdio, estreitando os laços que unem Brasil e Portugal na música. Depois do bem-sucedido ‘Prenda Minha’, álbum lançado em 2024, o violonista gaúcho Yamandu Costa e o cantor português António Zambujo iniciam turnê por 11 cidades brasileiras em março, celebrando uma amizade que vem desde 2008. No próximo dia 25, fazem apresentação única em São Paulo, no Tokio Marine Hall. O repertório inclui desde canções de Chico Buarque, Tom Jobim e Lupicínio Rodrigues até pérolas do cancioneiro latino-americano, além de composições autorais. Voz e violão em perfeita sintonia a serviço da arte.
O setlist é um passeio pelas raízes musicais da dupla. Juntos no palco, eles interpretam clássicos da bossa nova, música tradicional portuguesa, choro, chamamé e guarânia, bem como bolero mexicano e “um monte de coisas diferentes que a gente gosta de ouvir”, segundo Yamandu. Um dos destaques é ‘Nervos de Aço’ (Lupicínio), cujos versos caem como uma luva no timbre marcante de Zambujo e no compasso de Yamandu ao violão de sete cordas. ‘Prenda Minha’, composição original do violonista em parceria com Paulo César Pinheiro, é linda de ouvir: “Bela como a onça parda / Quando espreita a guarda / Quieta pra nos tocaiar / Pele quase cor de mate / Lábio de escarlate / Pronta pra beijar”, diz a letra.

A dupla também dá nova roupagem a temas consagrados do cancioneiro nacional, como ‘Valsinha’, de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, ‘Gente Humilde’ (Chico, Vinícius e Garoto), ‘Falando de Amor (Tom Jobim) e ‘Tristeza do Jeca’, de Angelino de Oliveira. Já os ritmos latino-americanos marcam presença com ‘Profecía’, do cubano Adolfo Guzmán, ‘Recuerdos de Ypacaraí’ (Demetrio Ortiz e Zulema de Mirkin) e ‘Cosechero’, do argentino Rámon Ayala. A mistura de ritmos e sonoridades diversos é puro deleite para o público. “A gente não segue fórmulas. Nossa parceria tem algo de intuitivo. O meu violão se propõe a abraçar a voz do Zambujo. O som das cordas é um fio condutor da letra. Formamos um duo de câmara”, brinca Yamandu.
O show traz ainda novidades para os fãs brasileiros. Yamandu e Zambujo gravaram este ano um segundo álbum, ‘Sur’, todo com músicas em espanhol (exceto por ‘Resposta ao Tempo’). O título remete às origens e à identidade cultural de ambos, que nasceram ao sul de seus respectivos países. Dessa nova safra, três canções estão presentes no show: a própria ‘Resposta ao Tempo’, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, a valsa ‘Nube Gris’, de Eduardo Márquez Talledo, e ‘Volver a mi raiz’, de Lúcio Yanel.

“As nossas raízes vêm do Sul, daí o nome do álbum. Eu nasci no Alentejo; o Yamandu, no Rio Grande do Sul. São regiões de traços culturais muito marcantes que fazem parte da nossa educação musical. Fazemos música do nosso tempo, mas temos um pé fincado nas tradições. Isso acabou nos unindo. Essa turnê com Yamandu é um grande reaprendizado. Estamos descobrindo juntos caminhos que ainda não tínhamos explorado. É um privilégio cantar ao lado de um músico que tanto admiro”, diz Zambujo.

Zambujo e Yamandu consagram uma parceria iniciada em 2008.

O disco foi gravado em apenas três dias no estúdio de Yamandu, em Lisboa. O trabalho reforça uma parceria que começou em 2008, quando Zambujo se apresentou pela primeira vez no Brasil. A amizade entre os dois foi quase instantânea. Naquele ano, Zambujo veio ao país para sua primeira apresentação, um show no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para o qual convidou Yamandu através de um amigo em comum. “Eu aceitei e combinamos um ensaio. Ali já teve uma sintonia, um entrosamento muito forte. Não conseguimos ensaiar para o show, mas viramos amigos de infância”, recorda o violonista. Zambujo, por sua vez, já era um dos maiores intérpretes contemporâneos da música portuguesa – e um dos seus embaixadores no mundo.

Os dois chegaram a excursionar pelo Brasil em 2014, com apresentações em meia dúzia de cidades. Mas ambos tinham o desejo de ir mais longe e estreitar os laços musicais. A parceria foi reforçada há quatro anos, quando Yamandu fixou residência em Portugal – incentivado pelo próprio Zambujo.

A nova temporada de shows começou no Auditório Nacional de Madri, em janeiro. Até o fim do ano, a agenda de ambos está lotada. “Trabalhamos de maneira muito simples. Não temos paciência para regravar a mesma canção diversas vezes. Queremos tirar o suco do momento, do jeito que a canção fala. Temos uma sintonia fina no estúdio e no palco. Eu sempre fui mais solista. Acredito que a voz é um instrumento. E o que me encanta na parceria com o Zambujo é que procuramos um lugar que está acima da canção. Às vezes nem é preciso tocar muitas notas. Eu deixo a palavra falar mais alto”, diz Yamandu.

Vídeos: Nervos de Aço | Gente Humilde.

Serviço:

António Zambujo & Yamandu Costa

Data: 25 de março

Horário: 22h

Local: Tokio Marine Hall

Endereço: R. Bragança Paulista, 1.281 – Várzea de Baixo / São Paulo

Capacidade: 4 mil lugares

Ingressos: de R$ 120 a R$ 250

Vendas online: clique aqui

Duração do show: 80 minutos

Classificação etária: 16 anos.

(Com Gabriel Oliven/Lupa Comunicação)

Sala dos Toninhos recebe CORPOMÁQUINA, espetáculo de dança, artes visuais, performance e tecnologia

Campinas, por Kleber Patricio

Cena do espetáculo CORPOMAQUINA. Foto: Victor Natureza.

A Robo.Art, agrupamento multimídia sediado em São José do Rio Preto (SP), apresenta em Campinas neste final de semana – 22 e 23 de março, às 20h – o espetáculo CORPOMÁQUINA, experiência visual e sonora que mescla dança, artes visuais, performance e tecnologia. As apresentações são gratuitas e acontecem na Sala dos Toninhos – Estação Cultura (Rua Francisco Teodoro, s/nº, Vila Industrial). Os ingressos podem ser retirados a partir de uma hora antes do início das sessões. O espetáculo tem duração de 45 minutos e conta com recurso de audiodescrição. Após a apresentação do primeiro dia, será realizado um bate-papo com interpretação em Libras entre os artistas e a plateia. No domingo, haverá um workshop das 14h às 17h, também gratuito. As inscrições podem ser realizadas em www.robo.art.br/inscricoes.

Corpo e máquina

CORPOMÁQUINA foi vencedor do Prêmio Denilto Gomes de Dança 2022 na categoria Intermédia Performática em Dança e indicado em duas categorias (Prêmio Técnico e Intérprete) no Prêmio APCA de Dança 2023.

O elenco de CORPOMÁQUINA é formado por quatro artistas: Vinicius Paquitinho Francês (direção coreográfica e performance), Vinicius Dall’Acqua (direção geral e operação de som), Gustavo Arão (técnico mecatrônica, operação de luz e contrarregragem) e Elissa Pomponio (operação de videomapping e design gráfico).

Foto: Guilherme Di Curzio.

Em cena, dispositivos anexados aos corpos dos performers transformam a tensão e distensão muscular em sons e imagens videomapeadas e projetadas em tempo real sobre os próprios corpos dos integrantes. O performer Vinicius Francês explica que, com o avanço das tecnologias, a automatização e a digitalização da vida, o espetáculo se propõe a questionar qual o futuro possível dessa fusão entre o ser humano e a máquina.

“Durante o processo criativo, levantamos as seguintes questões: como distinguir o que é humano e o que é máquina?  Com o avanço protético, artificial e científico-tecnológico em interação com nossas vidas, qual futuro nos aguarda? A partir desses questionamentos, desenvolvemos um sistema próprio de tradução de movimentos baseado em sensores e microcontroladores para realizar a leitura da tensão e distensão muscular do bailarino que, ao se movimentar, produz a sonoridade da obra através desse dispositivo”, detalha Francês.

As apresentações e atividade formativa integram o projeto CorpoMáquina – Redes Rizomáticas, contemplado pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal do Ministério da Cultura por meio da Lei Paulo Gustavo – 2023.

Serviço:

CORPOMÁQUINA com o Robo.Art

Campinas

Quando: às 20h nos dias 22 (sábado) e 23 (domingo) de março

Onde:  Sala dos Toninhos – Estação Cultura – Rua Francisco Teodoro, s/nº, Vila Industrial, Campinas

45 minutos | 10 anos | Gratuito (ingressos podem ser retirados a partir de 1h antes do início)

50 lugares (sujeito a lotação)

Bate-papo após apresentação do dia 22 de março

Workshop gratuito das 14h às 17h do dia 23 de março. Inscrições www.robo.art.br/inscricoes

Ideia original, direção geral, criação e operação de som: Vinicius Dall’Acqua @vinicius_acqua

Direção coreográfica e performer: Vinicius Paquitinho Francês @vinicius.frances

Operação de video mapping, mídias sociais e design: Elissa Pomponio @elisacomdoiss

Técnico mecatrônico, contrarregragem e operação de luz: Gustavo Arão @guga.tres3

Provocação e trilha sonora original: Eric Barbosa @ericdsbarbosa

Produção local e audiodescrição: Fabiana Pezzoti @pezzotti_pzt

Assessoria acessibilidade artística: Daniela Honório @daniela.honorio.980

Realização e produção executiva e administrativa: Agrupamento Robo.Art (São José do Rio Preto) robo.art.br.

Breve histórico Robo.Art

O agrupamento Robo.Art, sediado em São José do Rio Preto (SP), foi oficializado em 2018 e atualmente é composto por artistas multidisciplinares que propõem investigar, produzir e difundir obras que dialoguem sobre o cruzamento entre artes e tecnologia, com o viés de explorar as fronteiras de linguagem na produção artística.

O cerne da pesquisa do agrupamento é estabelecido nas abordagens não tradicionais do fazer artístico, na fusão entre artes visuais, plásticas, audiovisuais, do corpo e do movimento. A trajetória do agrupamento começou com a obra interativa Pira_MIDI. Lançou o Museu Virtual Silva sem Fronteiras, um museu online e interativo apresentado como acervo digital do Museu de Arte Primitivista “José Antônio da Silva”, realizado com a técnica de fotogrametria para produção de um acervo 3D em alta qualidade. Também produz as exposições do projeto Influente: cartografias subjetivas, série de seis obras multimídias que buscam expor uma visão não cartesiana subjetiva de diferentes cidades do estado de São Paulo.

Também realizou o Mosaic_Art (mosaico e pintura), Loop (aplicativo galeria para visualização de videoartes) e a vídeo instalação interativa Afluências (vídeo instalação interativa), entre outros.  Entre desenhos, mosaicos, videoinstalações, videoartes, cinema, corpo, dispositivos e prototipagens, o agrupamento se dedica à pesquisa interdisciplinar e à investigação de novas possibilidades tecnológicas e artesanais nas artes cênicas e visuais.

(Com Maria Finetto/Prefeitura de Campinas)

Estudo identifica 41 registros de espécie invasora de mexilhão verde no litoral paulista

Litoral de São Paulo, por Kleber Patricio

Espécie é originária da região Indo-Pacífica; sua presença no Brasil pode pode estar associada ao transporte marítimo e à poluição plástica. Foto: Judgefloro/Wikimedia Commons.

Um estudo publicado na quarta (19) na revista científica Marine Biology, identificou 41 registros da espécie Perna viridis, conhecido como mexilhão verde, ao longo da costa norte do estado de São Paulo. Doze deles estavam localizados dentro de unidades de conservação, incluindo parques nacionais e reservas ecológicas, o que indica que a espécie está se estabelecendo em áreas ecologicamente sensíveis.

Com autoria de pesquisadores do Instituto de Pesca de São Paulo, da Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições parceiras, o estudo mapeia a distribuição da espécie com base em dados que incluem amostragens em campo, revisão da literatura científica e registros da plataforma iNaturalist, em que usuários não cientistas podem relatar a ocorrência da espécie.

O mexilhão verde foi registrado ao longo da costa paulista, nas seguintes áreas: Praia da Cocanha (Caraguatatuba), Praia das Cigarras (São Sebastião), Ponta das Furnas (Ilhabela), Saco da Ribeira (Ubatuba), Enseada da Baleia (Parque estadual da Ilha do Cardoso, Cananeia), Iguape, Ilha Comprida, Peruíbe, São Vicente e Santos. A maioria desses locais foram associados a colônias do mexilhão P. perna, exceto Ubatuba, Iguape, Ilha Comprida, Peruíbe (RDS da Barra do Uma), São Vicente e Santos, onde os espécimes foram coletados de uma corda de amarração de barco.

A espécie é originária da região Indo-Pacífica, onde ocorre naturalmente em águas tropicais e subtropicais. No entanto, desde 1995, a disseminação na costa sul-americana tem levantado preocupações devido a impactos ambientais, econômicos e sanitários. “Ecologicamente, a espécie pode competir com moluscos nativos por espaço e recursos, alterando a estrutura da comunidade bentônica e comprometendo cadeias tróficas”, alerta destaca o pesquisador Edison Barbieri, do Instituto de Pesca, um dos autores do estudo. “Além disso, a bioincrustação causada pelo mexilhão pode afetar a navegabilidade de embarcações, encarecendo custos operacionais. No contexto sanitário, a espécie pode atuar como vetor de microrganismos patogênicos, comprometendo a segurança alimentar e a aquicultura local”, completa o autor.

Para o especialista, a introdução do mexilhão verde no Brasil pode estar associada ao transporte marítimo internacional, especialmente pela liberação de larvas presentes na água de lastro de navios. Além disso, substratos artificiais, como plataformas petrolíferas e embarcações, podem atuar como vetores para a fixação e dispersão da espécie ao longo da costa.  “Outra hipótese relevante é a poluição plástica, uma vez que fragmentos de plástico podem servir de substrato para a fixação de larvas e facilitar a sua disseminação para novas áreas”, frisa Barbieri.

Na visão dos autores, as autoridades ambientais devem estabelecer programas de monitoramento e implementar regulamentações mais rigorosas para o controle da água de lastro e da incrustação biológica em embarcações e plataformas marítimas. Já a população pode contribuir com a ciência cidadã, registrando novas ocorrências da espécie em plataformas digitais como o iNaturalist. Além disso, campanhas de conscientização são essenciais para evitar a dispersão acidental da espécie para novas áreas.

O grupo de pesquisadores continuará monitorando a expansão geográfica do Perna viridis e avaliando os seus impactos ecológicos e econômicos ao longo prazo. Os próximos estudos deverão se concentrar nas interações da espécie com moluscos nativos e na identificação de estratégias eficazes de controle e mitigação. Os exemplares dos mexilhões verdes coletados foram depositados no acervo do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) para futuras análises.

(Fonte: Agência Bori)

Embaixada Britânica lança parceria com Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos para ensino de inglês para séries iniciais

Brasília, por Kleber Patricio

Quatro prefeituras foram selecionadas para projeto-piloto, que inclui capacitação para professores, proposta de currículo e materiais didáticos. Fotos: Divulgação.

A Embaixada do Reino Unido no Brasil lançou no último dia 11 de março um projeto-piloto em parceria com a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) para oferecer aulas de inglês para estudantes das séries iniciais do ensino fundamental (do primeiro ao quinto anos) de quatro municípios: Mogi das Cruzes (SP), Manaus (AM), Abaetetuba (PA) e Sertaneja (PR).

A inciativa tem três eixos:

Currículo: Oferecer à comunidade escolar (Secretarias Municipais de Educação, professores, educadores, estudantes, famílias, gestores escolares) um currículo alinhado à Base Nacional Comum Curricular e ao Quadro Comum de Referência Europeu para Línguas.

Formação de professores: Sugerir caminhos para a capacitação de professores de língua inglesa para os anos iniciais do ensino fundamental de redes municipais.

Materiais didáticos: Propor diretrizes para o uso de materiais de apoio que serão doados por quatro editoras britânicas com séculos de experiência no ensino de língua inglesa: Cambridge University Press & Assessment, Macmillan Education, Oxford University Press e Pearson.

Apesar de o ensino de língua inglesa não ser obrigatório nos anos iniciais do Ensino Fundamental, muitas prefeituras e secretarias municipais de Educação têm optado por oferecê-lo. No entanto, devido à falta de diretrizes oficiais, há uma grande divergência de abordagens de ensino e avaliação, desafio que esta iniciativa pretende contribuir para solucionar.

“Aprender inglês desde cedo é uma ideia muito boa. É muito importante incentivar crianças pequenas — onde quer que estejam no mundo — a ter contato com a língua que tantos bilhões de pessoas vivenciam todos os dias. O ensino de inglês desde cedo já acontece em escolas particulares no Brasil, mas ainda é raro na educação pública. Então é importante que este projeto piloto promova oportunidades iguais de aprendizagem para crianças e jovens no Brasil”, diz o vice-embaixador do Reino Unido no Brasil, Tony Kay.

Francineti Carvalho, prefeita de Abaetetuba/PA, representou a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos na ocasião. Em sua fala, ela destacou o poder da língua inglesa para eliminar desigualdades no Brasil. Trazendo sua experiência pessoal de como a falta do acesso ao inglês na escola pública limitou oportunidades em sua própria trajetória pessoal e profissional, Francinete também destacou a urgência em fechar essa lacuna, gerando oportunidades para os estudantes da rede pública.

O projeto será implementado no segundo semestre, após a formação dos professores que conduzirão as aulas. Os documentos de referência foram desenvolvidos por uma equipe brasileira de acadêmicos de universidades federais, com financiamento do governo britânico.

(Com Mariana Luz/Embaixada do Reino Unido no Brasil)