Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Orquestra Jovem Circuito das Águas fecha o ano com dois concertos em Amparo

Amparo, por Kleber Patricio

Crédito da foto: divulgação.

O momento de levar ao público o resultado do aprendizado de quase um ano está cada vez mais perto para os 28 alunos que fazem parte do projeto Orquestra Jovem Circuito das Águas (OJCA). O processo de formação começou em março na cidade de Amparo, no interior de São Paulo e chega ao objetivo final nos últimos dias de 2019. Depois de cumprir o calendário de aulas teóricas, instrumentais e de prática orquestral, professores e músicos contabilizam na agenda quatro concertos confirmados para os meses de novembro e dezembro. Dois deles acontecem em escolas, enquanto os outros dois são abertos e gratuitos para o público de todas as idades.

A estreia oficial da OJCA acontece no dia 24 de novembro (domingo), às 20h, logo depois do término da missa na Catedral Nossa Senhora do Amparo, no Centro de Amparo. Sete dias depois, 1º de dezembro, a orquestra volta a se apresentar em espetáculo marcado para as 20h30 na Igreja Matriz de São Sebastião, no bairro Ribeirão.

Os concertos trazem um apelo social-solidário em prol do Educandário de Amparo. Os organizadores sugerem a doação de alimentos como bolachas, doces e salgadas, açúcar cristal, achocolatado, leite e suco em pó, entre outros itens para o café da manhã e o lanche da tarde dos assistidos pela entidade.

Projeto vai além do ensino gratuito

Crédito da foto: Andreia Pereira.

A Orquestra Jovem Circuito das Águas (OJCA) surgiu a partir da ideia de ex-integrantes da Orquestra Circuito das Águas (OCA), formada por músicos profissionais e que encerrou as atividades no final de 2018. “Podemos considerar que a Orquestra Jovem é ‘filho’ da OCA”, diz o diretor executivo Diego Mozer.

Aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, do governo federal, o projeto vai muito além de sua proposta-base de ensino gratuito de teoria e prática orquestral – o trabalho se aprofunda em aspectos que abrem caminho para o desenvolvimento na formação cultural e social de crianças, jovens e adultos da estância do Circuito das Águas Paulista. “Por meio do ensino da música, trabalhamos para garantir que a experiência cultural se transforme em ganhos na vida pessoal, no caráter e na prática da cidadania no futuro. Por isso a intenção é fazer com que este projeto cresça e atinja mais pessoas nos próximos anos”, enfatiza Mozer.

Após o período de inscrições, o cronograma das 31 semanas de aulas previstas no calendário começou a ser cumprido há sete meses, sempre aos sábados, no Centro de Pastoral São João Paulo II, espaço oferecido pela Paróquia de São Sebastião. Além de teoria e prática orquestral, os alunos dedicam boa parte do tempo aos instrumentos que escolheram para o aprendizado ou aperfeiçoamento – violino, violoncelo e viola de arco. Muitos dos equipamentos utilizados na prática foram financiados pelo próprio projeto na expectativa de atender a faixa mais carente da comunidade. Isso possibilitou a participação de pessoas que tinham o desejo de fazer parte do universo da música clássica, mas enxergavam no aspecto econômico uma barreira intransponível.

Crédito da foto: Andreia Pereira.

Em contrapartida para o conhecimento é preciso seriedade, dedicação e paixão. “Nos propusemos a oferecer um ensino de qualidade, que integrasse todos os tipos de características que um profissional realmente precisa ter tanto na teoria, quanto na prática auditiva, quanto na prática em grupo e nas aulas de instrumentos. O mais importante é que também passamos aos alunos a importância de se ter critérios, olhar crítico e disciplina para se tornar um músico. Em pouco tempo os resultados são bem positivos”, comenta o diretor artístico-pedagógico Joel Brandão.

O corpo docente conta com a experiência de professores que carregam no currículo trabalhos importantes, não só na fase de formação como também como componentes em orquestras no Brasil e no exterior. É o caso da venezuelana Ana Lucia Morales Sánches, formada pelo Sistema de Orquestra Venezuelano e pelo Conservatório de Música do Estado de Aragua.

Com ao menos 25 anos dedicado à música, Ana Lucia é professora de viola no projeto OJCA, além de fazer parte da orquestra comunitária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Fico feliz em participar do projeto e poder compartilhar o conhecimento que tenho. Fazer com que as pessoas descubram a afinidade e se conectem com o desenvolvimento musical é realmente uma missão espetacular. Mesmo com aulas apenas uma vez por semana, já alcançamos ótimos resultados aqui”, diz.

Mudança na maneira de viver

O projeto de formação da Orquestra Jovem Circuito das Águas (OJCA) é prova de que nunca é tarde para se lançar em algo novo e desconhecido na vida. Basta aproveitar as oportunidades que surgem e depositar dedicação. É o caso de Anderson Brolesi, que aos 42 anos de idade foi tocado pela música clássica graças aos filhos. Agora, os sábados do aluno são dedicados ao violoncelo. “Meus dois filhos iniciaram aulas de flauta doce em um projeto que antecedeu a esse. Eles levaram a música clássica para o ambiente familiar e isso me despertou o desejo de aprender. Aos 42 anos de idade, jamais imaginei que ainda poderia tocar algum instrumento, mas aceitei o desafio. Posso dizer que a música é relaxante, proporciona a paz, uma sensação diferente, uma terapia”, relata Brolezi.

A companhia do filho Leonardo, de 12 anos, nos ensaios traz ainda mais força Anderson Brolezi. “Ele toca violino no projeto OJCA e depois de cada aula, conversamos e trocamos informações sobre as dificuldades, acertos e expectativas. É uma experiência incrível e que vale muito a pena, mesmo com o ‘cello’ sendo um instrumento desafiador e difícil, que exige muita dedicação e disciplina”, explica.

Márcia de Almeida gostaria que a filha fizesse parte do projeto de formação da OJCA, mas quem ficou foi ela. “Nunca tive qualquer contato com a música antes e sinceramente sinto mudanças incríveis. Levei tudo o que aprendi nesse período para a minha vida pessoal e profissional. Tive um ganho muito bacana em foco e planejamento. O estudo da música me trouxe tranquilidade e um domínio emocional sem precedentes. É pura magia. Me sinto motivada, sem sintomas de estresse e ansiedade. Não imaginava aprender a tocar violino tão rapidamente, me sinto realizada. Os sábados são os dias mais felizes para mim”, resume.

Ainda jovem, Lorena Isabelle Dias de Souza, 15 anos, fala como o ambiente musical lhe trouxe uma melhor qualidade de vida. “Eu já cantava e comecei a aprender violão, mas era uma pessoa muito tímida. O projeto me vez enxergar o mundo de outra forma. Optei pelo violino para realizar um sonho. A música me ajudou a superar alguns momentos difíceis na minha vida”, conclui.

Serviço:

Projeto Orquestra Jovem Circuito das Águas (OJCA)

Sede – Amparo/SP

Início – março de 2019

Alunos – 28

Viabilização – Lei Federal de Incentivo à Cultura

Patrocinadores – Supermercados Sempre Unidos, Supermercado Daólio, Peptan e Rousselot Gelatinas

Programação de concertos de fim de ano

Domingo 24/11 – 20h

Local – Catedral Nossa Senhora do Amparo

Endereço – Praça Monsenhor João Batista Lisboa, 33, Centro, Amparo/SP

Entrada gratuita.

Domingo 1/12 – 20h30

Local – Igreja Matriz de São Sebastião

Endereço – Rua Dr. Coriolano Burgos, s/nº, Bairro Ribeirão, Amparo/SP

Entrada gratuita.

Bloody Mery & Os Dry Martinis apresenta o jazz de New Orleans no Alma Jazz Club

Campinas, por Kleber Patricio

Grupo Bloody Mery & Os Dry Martinis são os responsáveis por trazer um pouco do jazz americano para a casa nesta sexta. Crédito da foto: divulgação.

Inspirado nas casas de jazz da cidade de New Orleans, o Alma Jazz Club, em Campinas, recebe um show especial inspirado no ritmo musical que teve origem na cidade sulista de Louisiana, o New Orleans Night. A apresentação acontece nesta sexta-feira, 1º de novembro, com o grupo Bloody Mery & Os Dry Martinis. O show tem início às 20h e o couvert é opcional.

Além do grupo, a programação do Alma conta com diversos shows para exaltar a cultura do jazz, trazendo um pouco desse ritmo para o público de Campinas e região. As atrações acontecem de quarta a sábado, a partir das 20h e, aos sábados e domingos, a casa oferece o Jazz no Brunch, quando os visitantes podem degustar o cardápio especial enquanto aproveitam a programação musical.

Quem vem das cidades vizinhas e deseja consumir os drinks da casa sem a preocupação de dirigir, pode ficar tranquilo: o Alma Jazz Club oferece uma estrutura-hostel que hospeda até 18 pessoas, um serviço inédito pensado para aliar divertimento a segurança e tranquilidade.

Confira os shows dos próximos dias:

31/10 – quinta – Cartola In Jazz – por Bebé Salvego – 20h

1/11 – sexta – New Orleans Night – com Bloody Mery & Os Dry Martinis – 20h

2/11 – sábado

Jazz no Brunch – Tributo Tom Jobim “Chega de Saudade” com Vanessa Costa e Luca Alves Duo – 12h

Bossas, Sambas & Serestas – por Bruna Volpi Quarteto – 20h

3/11 – domingo – Jazz no Brunch – Diana Krall por Janice Pezoa – 12h

Siga o Alma Jazz Club no Instagram e acompanhe a programação: @almajazzclub.

Alma Jazz Club

Endereço: R: Santo Antonio, 452, Cambuí, Campinas/SP

Telefone: (19) 3395-3700

Horário de funcionamento: quarta a sexta das 18 à 0h, sábado das 10h à 0h e domingo das 10 às 17h

Wi-fi: cortesia

Cartões: todos, exceto Alelo e Sodexo

Estacionamento: valet no local (pago)

Couvert artístico: opcional

Valores da diária do hostel: R$69,90 sem café da manhã e R$79,90 com café da manhã.

Psicóloga lança livros que abordam prevenção da violência sexual na infância

São Paulo, por Kleber Patricio

A psicóloga Vivian Esteves e os lançamentos. Crédito da foto: Facebook.

Os números são assustadores – segundo dados do Disque 100 do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, só em 2018 foram registradas um total de 17.093 denúncias de violência sexual contra menores de idade em todo o Brasil. A maior parte delas é de abuso sexual (13.418 casos), mas há denúncias também de exploração sexual (3.675). Os números mostram que mais de 70% das ocorrências são praticados por pais, mães, padrastos ou outros parentes das vítimas. Em mais de 70% dos registros, a violência foi cometida na casa do abusador ou da vítima. Com o objetivo de informar as problemáticas do tema para pais, professores, educadores, profissionais da área da saúde e educação, a psicóloga, palestrante e terapeuta cognitiva comportamental Vivian Cordeiro Esteves lança, no dia 2 de novembro, em São Paulo, os livros Precisamos falar sobre isso! Prevenção da violência sexual na infância. As obras, produzidas de maneira independente, serão comercializadas a R$40,00 por meio de um kit com os dois livros. Um, de 28 páginas, é um Manual do Adulto. O outro, de 48 páginas, é um livro infantil.

O Manual do Adulto esclarece a epidemia do abuso sexual infantil, explica sobre a violência, quais as formas de abuso, o perfil do abusador, sinais de alerta para identificar se a criança está sofrendo com o problema e os perigos da internet. Já o livro infantil oferece ferramentas fundamentais para a proteção das crianças de forma interativa e lúdica. “Ele aborda temas importantes, como autoestima e as ensina a identificarem as suas partes íntimas, diferenciar bons e maus toques de adultos, além de reconhecer sentimentos e emoções, segredos que podemos ou não guardar e locais de proteção da violência contra a criança”, explica a autora dos livros.

Nesse primeiro momento, o kit poderá ser adquirido por meio das redes sociais da própria autora (Facebook e Instagram). Vivian Esteves já negocia com as livrarias para que ele também seja disponibilizado por seus respectivos canais oficiais de venda. Enquanto isso não acontece, a psicóloga também recebe convites de escolas e empresas para palestrar sobre o tema e promover os livros. “As obras são ferramentas indispensáveis para que pais e adultos possam dialogar sobre a violência sexual contra as crianças de maneira leve. Meninos e meninas precisam saber identificar um abuso e não podemos ter vergonha de educá-los com essa consciência”, afirma.

Autora foi vítima de abuso na infância

Vivian fala com muita propriedade sobre o assunto, pois ela mesma, na infância, foi vítima de abuso. “A intenção é utilizar a minha formação e o conhecimento profissional com essa situação que eu mesma vivi quando criança para ajudar, sabendo das dificuldades e a experiência de quem passou por isso”, revela. De acordo com ela, o abuso sexual infantil é um problema universal que atinge milhares de crianças e adolescentes de forma silenciosa e dissimulada. “A vítima tem muita dificuldade em falar sobre o que aconteceu. Muitas passam anos e anos sem revelar o abuso para ninguém”, completa.

Segundo ela, a omissão de muitos pais ou a falta de ação deles pode apontar que os próprios possam ter sido vítimas de violência sexual na infância. “Por outro lado, temos pais que, para manter a família feliz, de fachada, mantêm o segredo, acreditando que não falando sobre o assunto o mesmo deixará de causar danos. Mas na realidade, o silêncio só trará sofrimento ainda maior do que o abuso provocou. A criança passa a se sentir ainda mais desamparada diante da falta de atenção e proteção da família, o que ocasiona danos ainda maiores”, conclui.

Serviço:

Precisamos falar sobre isso! Prevenção da violência sexual na infância

Lançamento: 2 de novembro

Horário: das 18 às 21 horas

Local: Frutaria Pitaya

Endereço: Rua Monte Serrat, 1439 – Tatuapé, São Paulo/SP.

Prefeitura inaugura serviço de acolhimento para pessoas com deficiência

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Residência inclusiva oferecerá 20 vagas. Crédito da foto: Eliandro Figueira.

O prefeito de Indaiatuba, Nilson Gaspar (MDB), inaugurou no último sábado (26) a Residência Inclusiva – Serviço de Acolhimento Institucional para Jovens e Adultos com Deficiência “Rubens Ribeiro dos Santos”. Localizado no Distrito Empresarial Bartolomai e com projeto da Secretaria de Assistência Social, o espaço será administrado pelo Ciaspe (Centro de Inclusão e

A obra da Residência Inclusiva foi iniciada em outubro de 2018 e recebeu investimentos no valor de R$1.090.835,32. O prédio foi projetado pela Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia, com 405 metros quadrados de construção. São 20 vagas, sendo 10 vagas para homens e 10 para mulheres, em dependências separas contendo cinco dormitórios duplos, três banheiros e uma sala de estar em cada uma delas. A cozinha, lavanderia, refeitório e varanda serão de uso compartilhado.

Toda a rede de atendimento ligada ao acolhimento para a Residência Inclusiva, incluindo assistentes sociais, médicos, enfermeiros e funcionários do Ciaspe, passarão por capacitação, que será realizada nos dias 4 e 5 de novembro no Auditório da Prefeitura. As vagas serão direcionadas para jovens e adultos entre 18 e 59 anos que tenham os vínculos familiares rompidos ou fragilizados. Os encaminhamentos poderão acontecer por meio dos Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Poder Judiciário ou Ministério Público.

Mostra no Espaço Cultural Porto Seguro celebra o franco-venezuelano Cruz-Diez

São Paulo, por Kleber Patricio

Crédito da foto: Rafael Guillen/Articruz.

Figura de singular trajetória na arte contemporânea, o franco-venezuelano Carlos Cruz-Diez (1923 – 2019) dedicou sua vida ao estudo da cor nas artes contemporâneas. Artista profícuo, autor de pinturas, fotografias e instalações, foi aos poucos afastando suas criações das formas, anedotas, símbolos e até mesmo signos, num radical mergulho na cor em si – liberta ao máximo do aspecto decorativo ou secundário na representação artística. Sua extensa obra é agora celebrada na mostra Cruz-Diez: a liberdade da cor, exposição em cartaz de 9 de novembro a 2 de fevereiro no Espaço Cultural Porto Seguro, com curadoria de Rodrigo Villela.

Nascido em Caracas, na Venezuela, Cruz-Diez interessou-se pela cor ainda criança, ao admirar a dança luminosa das garrafas que seu pai fabricava artesanalmente. Manteve a paixão pelas cores e pela potência expressiva dos fenômenos luminosos por toda a vida. Em meados de 1950, iniciou suas experimentações artísticas com a cor, o movimento e a luz e, na década seguinte, mudou-se para França, onde residiu e produziu incessantemente até seu recente falecimento, em julho deste ano.

Carlos Cruz-Diez, ‘Labyrinthe de Transchromie’, 1965/2017. Crédito da foto: divulgação/Articruz.

Com um conjunto de 8 obras, além de 20 fotos, a exposição faz um percurso imersivo em diferentes fases do trabalho do artista, apresentando sua pesquisa e pensamento para além da arte cinética, movimento no qual é reconhecido como expoente pela crítica mundial.

No espaço térreo da instituição, quatro obras emblemáticas da trajetória de Cruz-Diez, três fisicromias e uma transcromia, abrem a mostra. Oriundos de coleções brasileiras, são trabalhos que introduzem o público a alguns dos fenômenos perceptivos e procedimentos fundamentais na pesquisa cromática de Cruz-Diez.

Inédita no Brasil, Labirinto Transcromia (1965/ 2017), instalação exibida no mezanino, é um convite à interação dos visitantes, que se tornam agentes criativos na mostra. Estruturas com tiras coloridas translúcidas presas ao teto, organizadas em distâncias variadas e em uma ordem específica, envolvem o espectador. Ao caminhar entre elas, surgem as mais variadas combinações e efeitos, frutos do fenômeno físico conhecido como síntese subtrativa, em que diferentes pigmentos coloridos sobrepostos produzem novas cores e, eventualmente, chegam ao preto.

‘Chromosaturation’, 1965/2015, Carlos Cruz-Diez. Crédito da foto: divulgação/Articruz.

Nas palavras de Rodrigo Villela, curador da exposição, “Cruz-Diez fez um percurso bastante tocante em busca da cor como potência singular. A questão é que, normalmente, nossa experiência das cores se liga a algum suporte, ou seja, a cor é percebida como um aspecto de algo, o que muitas vezes pode tender ao decorativo. Um exemplo é quando colorimos uma forma qualquer desenhada, uma flor, por exemplo, como se a cor fosse um recurso que dá mais beleza e graça. Mas o desenho da flor poderia existir sem a cor e continuaríamos entendendo o que é”, explica. “É nesse sentido que Cruz-Diez se afasta gradualmente das formas e procura um contato direto com a vibração da cor e seus efeitos, algo que não depende necessariamente de uma forma. Os ambientes de cromossaturação, presentes na mostra, são um bom exemplo. E é em homenagem a esse belo mergulho, fundamental também para a arte contemporânea e a chamada pintura abstrata, que escolhemos A Liberdade da Cor como título da exposição”, completa.

No subsolo da instituição, um ambiente cromointerferente alude à transfiguração do espaço por meio da cor. Nele, quatro objetos – um cilindro, uma esfera e dois pedestais cúbicos – têm sua percepção transformada pela projeção cruzada de quatro feixes luminosos, cada um com uma cor diferente, formando uma trama de luz colorida. Em um percurso cada vez mais imersivo, ao sair desse primeiro espaço o espectador encontra a obra Cromossaturação (1965/2015), instalação composta por três salas contíguas, mas com cores diferentes – vermelho, verde e azul. Não por acaso, essas cores correspondem às frequências do espectro luminoso que estimulam os três tipos cones em nossa retina, células responsáveis por nossa percepção cromática. A experiência cria diferentes efeitos em nosso sistema perceptivo, habituado a receber uma ampla gama de cores simultaneamente.

‘Color in Space and Time’ – Carlos Cruz-Diez. Crédito da foto: divulgação/Articruz

Também no subsolo, uma seleção de fotografias em preto-e-branco clicadas por Cruz-Diez ao longo de sua vida, especialmente na Venezuela e nunca exibidas no Brasil. “A seção das fotografias mostra a humanidade do olhar de Cruz-Diez para com o mundo ao seu redor e ao mesmo tempo já evidenciam seu gosto pela geometria e pelas composições equilibradas de luz e sombra – elementos clássicos da fotografia que em si tendem à abstração”, reflete Rodrigo Villela. Ainda no subsolo, duas projeções: a primeira apresenta fotos de trabalhos do artista em arquitetura, como praças, prédios e monumentos ao redor do mundo. A segunda traz vídeos com depoimentos do próprio Cruz-Diez falando sobre alguns aspectos de sua trajetória e pesquisa.

A mostra ultrapassa a área expositiva da instituição com uma obra inédita, agregada à arquitetura externa do prédio, podendo ser vista tanto da rua quanto da praça do Espaço Cultural Porto Seguro. “O trabalho que eu realizo em áreas e edifícios urbanos faz parte de um discurso gerado no tempo e no espaço que cria situações e eventos cromáticos e muda a dialética entre o espectador e o trabalho”, afirmava o artista.

Sobre Carlos Cruz-Diez

Cruz-Diez (Caracas, 1923 – Paris, 2019) é considerado um dos principais expoentes da arte contemporânea. Iniciou sua pesquisa sobre a cor junto ao movimento cinético dos anos 1950-60. O desenvolvimento de sua reflexão plástica ampliou nosso entendimento sobre a cor, demonstrando que a percepção do fenômeno cromático não está associada à forma. Cruz-Diez concebeu essa proposição no que ele qualifica como estruturas espaciais, “cromoestruturas” ou suportes para eventos cromáticos, dando origem ao que conhecemos como “Fisicromia”, “Transcromia”, “Indução Cromática”, “Cor Aditiva” e “Cromossaturação”. Em suas obras, demonstra que a cor, ao interagir com o espectador, converte-se em um acontecimento autônomo capaz de invadir o espaço sem o recurso da forma, sem anedotas, desprovida de símbolos.

Foi premiado na França, na Argentina e na Venezuela e suas obras estão em diversos acervos: Archer M. Huntington Art Gallery, University of Texas (Austin); Casa de las Américas (Havana); Collection of Latin American Art, University of Essex (Colchester); Daros Latinamerican Collection (Zurique); Museum of Modern Art (Nova York); Irish Museum of Modern Art (Dublin); Josef Albers Museum Quadrat Bottrop; Musée d’Art Contemporain de Montréal; Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris; Musée national d’art moderne – Centre Georges Pompidou (Paris); Museo de Arte Contemporáneo (Bogotá); Museo de Arte Contemporáneo de Caracas Sofía Imber; Museo de la Solidaridad Salvador Allende (Santiago); Museum of Contemporary Art (Sydney); Museum of Fine Arts, Houston; Museum of Modern Art (Sydney); Muzeum Sztuki (Lodz); National Taiwan Museum of Fine Arts (Taichung); Neue Pinakotheke (Munique); Palais de l’Unesco (Paris); Sonja-Henie Museum of Modern Art (Hovikodden); Tate Gallery (Londres) e The Blanton Museum of Art (Austin).

No Brasil, suas obras estão no acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Suas mais recentes exposições no país são Cruz-Diez – A Cor no Espaço (Pinacoteca, 2012) e Cruz-Diez: circunstância e ambiguidade da cor (Galeria Raquel Arnauld, 2012).

Serviço:

Cruz-Diez: a liberdade da cor

Local: Espaço Cultural Porto Seguro

Curadoria: Rodrigo Villela

Abertura: 9 de novembro, sábado, das 11h às 19h

Período expositivo: 9 de novembro a 2 de fevereiro

Endereço: Alameda Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos – São Paulo/SP

Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h

Entrada gratuita

Capacidade: 305 pessoas

Acessibilidade

O edifício é acessível para pessoas com mobilidade reduzida. A exposição oferece atendimento especial na visitação com mediadores bilíngues em inglês, espanhol e libras mediante agendamento prévio.

Estacionamento

Alameda Barão de Piracicaba, 634 (sede Porto Seguro). De segunda a sexta-feira, gratuito pelo período de até 1h30 (1ª, 2ª e 3ª hora adicionais, R$10,00 a hora. A partir da 4ª hora adicional, R$5,00 a hora). A partir das 17h30 e aos sábados, domingos e feriados, R$20,00 (preço único).

Serviço de vans:

O Complexo Cultural Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até o Espaço Cultural Porto Seguro. Na Estação da Luz, o ponto de encontro das vans é na saída da Rua José Paulino / Praça da Luz / Pinacoteca, em frente ao Parque Jardim da Luz. Há instrutores no local para orientar o embarque. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 3226-7361.

Horário de funcionamento do serviço de vans: terça a sábado das 9h à 0h. Domingo das 9h às 22h.