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Musical em homenagem a Dalva de Oliveira está em cartaz em São Paulo com Soraya Ravenle no papel da diva

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Em temporada até 12/7 no Teatro do SESI-SP (localizado na Av. Paulista), espetáculo traça a linda relação de Borghi com a estrela da era de ouro do rádio antes e depois de conhecê-la. Foto: João Caldas.

Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, diz Renato Borghi.

Impulsionado por este amor incondicional, Borghi revisita suas memórias para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Minha Estrela Dalva é a celebração dessa história, um reencontro do artista com sua musa.

Em 2026, essa memória ganha novo corpo e voz no palco através de um encontro de gigantes. Soraya Ravenle, que iniciou sua brilhante carreira no teatro musical integrando o coro de “A Estrela Dalva” (1987), grande sucesso de Borghi com Marília Pêra, retorna agora para ocupar o centro do palco e encarnar a própria Estrela. Com sua potência vocal e sensibilidade única, ela não interpreta apenas a “Rainha do Rádio”, mas a força da natureza que cantou a dor rasgada antes disso virar moda, a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. Soraya traz à cena o mito humano, o “Rouxinol do Brasil” que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza. “Nem nos meus mais belos sonhos eu poderia imaginar estar ao lado de Renato Borghi para falar de seu amor e devoção por Dalva de Oliveira, considerada por Villa-Lobos e tantas outras pessoas como a maior cantora popular brasileira. E meu primeiro musical foi A Estrela Dalva, com texto e atuação do próprio Renato, estrelado por Marília Pêra. É uma volta de 360° na minha vida, quase toda dedicada ao teatro musical brasileiro. Tenho pensado que assim como me aconteceu com Carmen, Dolores, e Isaurinha, o que faço é um trabalho de tradução. Me aproximo, investigo, estudo, decifro os códigos dessa língua Dalva Vicentina de Oliveira. De que lugar ela canta? Que caminhos sua voz faz? Que histórias essa voz conta para nós ainda hoje? Não me interessa a cópia da casca, me interessa chegar perto da sua alma e colocar a minha bem coladinha com a dela, para que juntas falemos de amor, música, machismo, coragens e medos, alegrias e tristezas de uma artista brasileira, grandiosa, inesquecível. Obrigada Dalva, por sua existência!”, declara Ravenle.

Em um jogo cênico vertiginoso, Renato Borghi divide a cena com sua própria juventude. Elcio Nogueira Seixas, que, além de dirigir o espetáculo, interpreta o Renato de 1969 — um jovem ator da contracultura que, entre a rebeldia do Teatro Oficina e o glamour do rádio, descobre em Dalva a alma do Brasil. “Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato — que foi quem me aproximou do Renato. E no palco, sou ele jovem — o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva”, diz Elcio Nogueira Seixas.

Completando esse triângulo de paixões, Ivan Vellame empresta sua voz de rara beleza para dar vida aos amores de Dalva, com destaque para o compositor Herivelto Martins, trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos públicos e midiáticos que marcaram a era de ouro do rádio. “A Dalva que Renato nos traz é uma convocação para adentrarmos a vida de uma mulher que viveu de alma nua, vocacionada para o Amor e para a Arte. Eu entro representando uns cabras que estranhavam o Amor. Construindo com a direção chegamos à uma encenação não documental, onírica e mítica, mas que não perde o valor de reflexão de que esses homens, os estranhos ao Amor mas que amavam muito – Bruno, Herivelto e Kiko – viam o feminino como sinônimo de desqualificação do masculino. Eu espero que, principalmente, os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões. Se eu for vaiado em cena, por perceberem que homens assim já não estão com nada há muito tempo, vai ser lindo. Eu espero que – Homens, honremos a feminilidade que nos é intrínseca”, enfatiza Vellame.

A direção do espetáculo é dividida com o renomado Elias Andreato. O ator e diretor empresta toda sua sensibilidade e experiência para extrair o melhor de cada ator e dar forma ao texto poético escrito por Borghi. “Em Minha Estrela Dalva, Renato Borghi escreve uma declaração de amor à sua musa eterna, Dalva de Oliveira. Ao lado de Elcio Nogueira Seixas, construímos um espetáculo que é memória, música e exposição profunda. Soraya Ravenle não interpreta Dalva, ela a faz pulsar, e ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro”, destaca Andreato.

“Minha Estrela Dalva” está em cartaz no Teatro do SESI-SP (Avenida Paulista, 1313), de quinta a domingo, e os ingressos são gratuitos através do site www.sesisp.org.br/eventos.

Sobre o SESI-SP

O SESI-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram a marca de quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 97 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados.

A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. Também de atuar na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do SESI-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas.

Sinopse do espetáculo

Minha Estrela Dalva não é uma biografia, é um encontro impossível. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a “Rainha da Voz” cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Neste “delírio documentado”, passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas — que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. Borghi, interpretando a si mesmo, dialoga com uma Dalva no auge de sua glória e vulnerabilidade, vivida pela premiada atriz Soraya Ravenle. Ao lado deles, o ator Ivan Vellame dá vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, ampliando o olhar sobre sua trajetória pessoal.

A encenação ganha vida através dos arranjos e da direção musical de William Guedes, que conduz a sonoridade afetiva do espetáculo. Em cena, os corpos dos atores se movem sob a delicada direção de Roberto Alencar e Irupe Sarmiento. A atmosfera visual — criada pelo cenário monumental de Márcia Moon, pela iluminação ao mesmo tempo onírica e brutal de Wagner Pinto e pelos figurinos glamourosos de Fábio Namatame — constrói um universo onde o esplendor das rádios dos anos 50 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás do mito e o fã por trás do ator.

Dalva de Oliveira e o empoderamento feminino

Em Minha Estrela Dalva, cada homem que passou pela vida de Dalva de Oliveira exerceu sobre ela uma variação do mesmo poder: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. Herivelto, o marido compositor, dizia: “Fui eu que te fiz, sua caipira” — e cobrava a dívida como se o talento dela fosse propriedade dele. Kiko, o segundo marido, queria transformá-la numa diva europeia bem-comportada. Bruno roubou seu dinheiro e fugiu. A televisão acendeu um canhão de luz no seu rosto e disse que não havia como fazer um close naquela mulher envelhecida. A resposta de Dalva, que atravessa a peça como um refrão, é uma só: “Eu não tenho dono.”

Chamaram-na de Messalina, de indigna de ser mãe, de cafona, de acabada. Pelos jornais dos anos 1950, Dalva foi submetida ao mesmo linchamento público que as redes sociais aplicam hoje a qualquer mulher que ousa viver fora do roteiro. A tecnologia mudou. A lógica, não.

Mas Dalva transformou cada golpe em canção. Quando o ex-marido a difamou, ela gravou “Errei sim” e devolveu: “Que venha logo a primeira pedra me atirar.” Quando quiseram enterrá-la, cantou “Bandeira Branca” no Maracanã e o público se ajoelhou. “Se meu coração está machucado, deixo sangrar — eu canto melhor assim, de peito aberto.”

Renato Borghi, que a amou desde os seis anos de idade, escreveu esta peça não para embalsamá-la em nostalgia, mas para devolvê-la ao palco viva, contraditória e indomável — uma mulher que bebe demais, que mostra as pernas, que faz reza forte contra os ex-companheiros, que briga com o diretor e reescreve as próprias cenas. Borghi tem a sabedoria de não a idealizar, porque o que torna Dalva uma figura poderosa para as mulheres de hoje não é a perfeição — é a inteireza.

No clímax do espetáculo, Dalva canta “Jenny dos Piratas”, de Brecht e Kurt Weill: a história da mulher humilhada que um dia será a única de pé quando tudo ruir. É a convergência exata entre a emoção visceral da maior cantora popular brasileira e o teatro político. Quando lhe perguntam quem deve morrer, Jenny responde: “Todos.” É a fantasia de justiça de todas as mulheres que foram esmagadas e se recusaram a ficar no chão.

Sua história não é relíquia. É espelho. E o que vemos nele hoje é que a luta de Dalva continua sendo a de todas as mulheres.

Músicos

Nath Calan: Bateria e Percussão

Giancarlo Barletta: Baixo

Gustavo Fiel: Piano elétrico

William Guedes: Violão

Denise Ferrari: Violoncelo

Eliza Monteiro: Viola

Mica Marcondes: Violino

Ficha técnica

Idealização: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas

Dramaturgia: Renato Borghi

Direção Artística: Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas

Elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame

Direção de Movimento: Roberto Alencar e Irupe Sarmiento

Direção Musical e Arranjos: William Guedes

Cenografia: Márcia Moon

Assistência de Cenografia e Direção de Palco: Márcio Zunhiga

Assistência de Produção e Contrarregragem: Anderson Conceição

Cenotécnico: Denis Chimanski

Figurinista: Fábio Namatame

Assistência de Figurino: Luisa Galvão

Produção de Figurino: Eliana Liu

Modelagem: Juliano Lopes

Costura: Lenilda Moura e Fernando Reinert

Design de Perucas: Feliciano San Roman

Camareiras: Aline Delgado e Maria da Graças

Maquiagem: Matheus Delgado

Colaborações na preparação vocal de Soraya: Felipe Abreu e Gilberto Chaves

Cabelo de Soraya: Beto Carramanhos

Desenho de Luz: Wagner Pinto

Assistência e Produção de Luz: Carina Tavares

Operação e Programação de Luz: Jorge Forjaz

Desenho e Operação de Som: Cecília Lüzs

Desenho de Som Associado: Roberta Helena

Direção de Produção e Administração Financeira: Lukas Cordeiro

Produção Executiva: Camila Bevilacqua

Assessoria de Imprensa: Agência Taga

Projeto Gráfico: Werner Schulz

Fotografia: João Caldas

Assistência de Fotografia: Andréia Machado

Assessoria Jurídica: Carolina Wanderley

Contabilidade: Fato Assessoria Contábil

Audiodescrição: Gangorra Audiodescrição

Interpretação em Libras: Space Libras

Redes sociais: Instagram – https://www.instagram.com/dalvaomusical.

SERVIÇO:

“Minha Estrela Dalva”

Centro Cultural Fiesp | Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)

Temporada: até 12/07

Sessões: Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Classificação etária: 14 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.

Ingressos gratuitos. Reservas pelo site www.sesisp.org.br/eventos.

(Com Valentina Dewers/Agência Taga)

Roberto Camasmie apresenta exposição “Gotejar” com visita guiada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Fotos: João Liberado.

O artista plástico Roberto Camasmie apresenta “Gotejar”, uma exposição que marca uma nova e expressiva fase de sua trajetória artística. A mostra propõe uma imersão estética onde o gesto espontâneo do gotejamento dialoga com a memória, a figuração e a força da matéria pictórica. Nesta série inédita, Camasmie explora sobreposições, texturas e camadas de cor que transformam a tela em um território de emoção e movimento. Tons vibrantes, contrastes intensos e intervenções gestuais criam composições que transitam entre o clássico e o contemporâneo, revelando uma linguagem visual renovada e profundamente autoral.

Entre os destaques da exposição está uma obra especial desenvolvida na mesma técnica da série Gotejar: uma grande tela inspirada na bandeira do Brasil incorporando os rostos dos jogadores da Seleção Brasileira. A obra presta uma homenagem aos atletas que representam o país e simboliza a união, a paixão nacional pelo futebol e a esperança do povo brasileiro na conquista do tão sonhado hexacampeonato mundial.

Como parte da programação da exposição, o artista receberá convidados para uma visita guiada especial, compartilhando os processos criativos, inspirações e reflexões que deram origem a esta nova fase.

(Com Elaine Veloso)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena da montagem de Tristão e Isolda de Allex Aguilera, no Teatro de la Maestranza.
Foto: Roberto Alcain.

Conforme anunciado para a programação 2026, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta, entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, a ópera “Tristão e Isolda” em três atos com música e libreto de Richard Wagner. A produção reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal sob direção musical de Roberto Minczuk. A direção cênica, que anteriormente seria de Daniela Thomas, passa a ser do diretor brasileiro Allex Aguilera, que traz a montagem realizada no Teatro de la Maestranza, em Sevilha.

Descrita pelo próprio Wagner como o trabalho mais audacioso de sua carreira, a obra representa um marco na história da música ocidental ao expandir os limites da tonalidade e da harmonia tradicional. Seu célebre “acorde de Tristão”, apresentado logo no prelúdio, tornou-se símbolo das transformações que influenciaram profundamente a música dos séculos seguintes.

Baseada na versão de Gottfried von Strassburg para um dos mais conhecidos mitos medievais e inspirada pela filosofia de Arthur Schopenhauer, a trama acompanha a paixão avassaladora entre Tristão e Isolda, desencadeada pela ingestão acidental de uma poção de amor. O relacionamento proibido entre os dois culmina em um desfecho trágico, marcado pela célebre ária final Liebestod, um dos momentos mais emblemáticos da história da música.

O elenco conta, alternadamente, com os tenores Simon O’Neill e Michael Weinius no papel de Tristão, e as sopranos Annemarie Kremer e Eiko Senda como Isolda. Completam o elenco Leonardo Neiva (Kurwenal), Denise de Freitas (Brangäne), Hernan Iturralde (Rei Marke), Paulo Queiroz (Marinheiro) e Jessé Vieira (Timoneiro).

SOBRE O INSTITUTO BACCARELLI

Com 30 anos de trajetória, o Instituto Baccarelli é hoje uma das principais organizações sociais sem fins lucrativos do Brasil, promovendo educação, cultura e inclusão social. Com sede em Heliópolis, atende gratuitamente cerca de 1.650 alunos por ano, utilizando a música como ferramenta de transformação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. A instituição também é responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo e, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, administra 12 unidades dos CEUs e as atividades do Programa Escola Aberta em 10 EMEFs, ampliando o acesso à cultura e ao ensino em 23 territórios periféricos da cidade.

A educação musical de excelência é o principal pilar do Baccarelli, oferecendo desenvolvimento pessoal e reais oportunidades de profissionalização. Entre os destaques da organização estão a construção do Teatro Baccarelli, a primeira sala de concertos em território de favela no mundo, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob direção artística do renomado maestro Isaac Karabtchevsky, e o Coral Jovem Heliópolis, todos reconhecidos nacional e internacionalmente.

Para mais informações, acesse: baccarelli.org.br.

Instagram: Link

Instagram Teatro: Link.

(Com André Santa Rosa/Theatro Municipal)

Cisne Negro Cia de Dança apresenta novo espetáculo “Que tal o impossível?” no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com coreografia assinada por Jorge Garcia, o espetáculo apresenta a efervescência
cultural de SP através de uma estética contemporânea, poética e visualmente potente. Foto: Reginaldo Azevedo.

A renomada Cisne Negro Cia de Dança estreia o espetáculo “Que tal o impossível?” nos dias 26, 27 e 28 de junho no Sesc Belenzinho, com uma imersão coreográfica no universo sonoro e teatral do icônico músico Itamar Assumpção. Conduzida pelo coreógrafo Jorge Garcia, a montagem utiliza a canção-título do compositor como ponto de partida para explorar os movimentos contemporâneos, lúdicos e sensíveis que dão vida à noite paulistana.

O espetáculo consolida o encontro entre o legado de um dos maiores expoentes da Vanguarda Paulista e a trajetória de quase 50 anos da companhia de dança, uma das mais tradicionais do país. A concepção de Que tal o impossível? transporta o público para um cenário predominantemente noturno, inspirado nos bares, palcos e performances que o próprio Itamar frequentava e transformava na São Paulo das décadas de 1980 e 1990.

A pesquisa coreográfica se debruça sobre essa atmosfera urbana para construir uma composição visualmente marcante, na qual os corpos dos bailarinos se misturam a elementos cenográficos potentes que recriam a poesia e o caos da vida noturna da cidade. Longe de ser uma biografia linear, o espetáculo propõe um mergulho no instinto e na teatralidade de Itamar Assumpção, transformando suas provocações rítmicas em gestos.

Ao unir a musicalidade pulsante do artista com o vigor técnico da Cisne Negro, Que tal o impossível? apresenta- se como um mosaico cultural em movimento, costurando nostalgia, modernidade e o eterno espírito vanguardista de São Paulo.

FICHA TÉCNICA 

Música: Itamar Assumpção

Direção Artística: Dany Bittencourt

Concepção e coreografia: Jorge Garcia

Assistente de coreografia: Patrícia Alquezar

Trilha Sonora: Maurício Badé

Mixagem: Bruno Buarque

Participação Especial: Anelis Assumpção e Rubi Assumpção

Curadoria Musical: Anelis Assumpção

Cenografia: Leo Ceolin

Iluminação: Rossana Boccia

Figurino: João Pimenta

Participações especiais na Trilha Sonora: Anelis Assumpção, Rubi Assumpção, Mazinho Lima e Minarê Aureliano

Elenco: Bianca Huang, Isabelle Prado, Gabriela Evangelista, Rayssa Albuquerque, Diego Azevedo, Gabriel Félix, Luís Miranda, Willian Gásparo.

SERVIÇO:

Show Cisne Negro Cia de Dança

Sex, 26/06/2026, 19h30

Sáb, 27/06/2026, 19h30

Dom, 28/06/2026, 16h

Valores: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada), R$ 15 (Credencial Plena – Sesc).

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Limite de 2 ingressos por pessoa.

Local: Sala de Espetáculo II (120 lugares). Classificação: Livre. Duração: 40 min.

SESC BELENZINHO 

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Transporte Público   

Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Estacionamento 

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

Sesc Belenzinho nas redes   

Facebook | Instagram | @sescbelenzinho.

(Com Andressa Santiago/Sesc Belenzinho)

As vilas mais bonitas da Turquia para o slow travel

Turquia, por Kleber Patricio

Vilas da Turquia são destinos ideais de slow travel. Foto: Divulgação/Turquia (Türkiye) Fotos: Divulgação/Turquia (Türkiye).

À medida que avançamos por 2026, o slow travel (viagem lenta) se tornou mais do que uma tendência de nicho — é agora uma filosofia de viagem definidora. Moldados pelo ritmo acelerado da vida urbana, agendas exigentes e um desejo crescente de significado em vez de quilometragem, os viajantes buscam cada vez mais experiências mais calmas e intencionais. De acordo com o Relatório de Perspectivas para 2026 da Comissão Europeia de Viagens, o slow travel está ganhando um verdadeiro impulso, subindo de 22% em 2025 para 26% em 2026.

Neste contexto, as vilas da Turquia emergiram como destinos ideais de slow travel — oferecendo paisagens de tirar o fôlego, tradições profundamente enraizadas e a oportunidade de vivenciar uma conexão mais genuína com a vida local. Aninhadas entre as montanhas e as linhas costeiras da Anatólia, essas vilas convidam os visitantes a se afastarem da pressa por meio de uma cultura autêntica, gastronomia do campo para a mesa, artesanato tradicional e uma arquitetura atemporal. Várias foram reconhecidas pelo programa Best Tourism Villages da ONU Turismo, afirmando seu compromisso com um turismo sustentável e promovido pela comunidade. Conheça algumas das vilas mais gratificantes da Turquia:

Bárbaros: a vila da hospitalidade e dos espantalhos

Bárbaros, nomeada uma das Best Tourism Villages 2025 pela ONU Turismo, é uma vila pacífica de 700 anos em Urla, Izmir, onde o tempo se move suavemente e os visitantes são atraídos pelos ritmos da autêntica vida do Egeu. Os hóspedes podem se hospedar em casas de pedra carinhosamente preservadas, passear por ruas de paralelepípedos ladeadas por janelas de madeira desgastadas e apoiar as mulheres artesãs locais por meio de lojas de artesanato e oficinas.

Vila de Mardin.

O coração de Barbaros é sua célebre tradição Çat Kapı (Bater à Porta) — um sinal simples em uma porta que se abre para uma refeição caseira do Egeu, preparada com azeite prensado nas proximidades, vegetais do quintal e ervas frescas. Os favoritos locais incluem o katmer, uma massa salgada quente recheada com queijo coalho artesanal, salsa e cebola. Na primavera, os habitantes locais colhem karabaşotu (um tipo de lavanda), adicionando outra camada sensorial ao caráter da vila.

Para quem deseja mergulhar totalmente nos costumes locais, o Festival do Oyuk (Espantalho) em setembro é obrigatório. Espantalhos feitos à mão, que desfilam pelas ruas, permanecem em exibição permanente durante todo o ano, transformando Barbaros em uma galeria viva ao ar livre. A apenas três quilômetros de distância, a Rota dos Vinhedos de Urla — que abriga a maior concentração de restaurantes do Guia MICHELIN na Turquia — oferece um contraponto gastronômico refinado ao charme rústico da vila. Bárbaros é a base perfeita: noites tranquilas na vila, aventuras culinárias de dia.

Kale üçağız e ormana: de joia costeira a refúgio de montanha

No coração da Riviera Turca, Antália abriga duas vilas notáveis reconhecidas pela ONU Turismo — cada uma oferecendo uma face completamente diferente do slow travel.

Kale Üçağız é uma charmosa vila costeira localizada na província de Antalya, Turquia, famosa por sua atmosfera pacífica, ruínas lícias submersas e casas tradicionais. A vila foi reconhecida como uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo pela ONU e serve como um dos principais pontos de partida para explorar a região da ilha de Kekova.

Kale Üçağız, também conhecida como a Vila do Castelo, encanta com uma mistura de tranquilidade, história em camadas e aventura. Ruas estreitas ladeadas por casas de pedra levam a restaurantes familiares, oficinas de arte e ao castelo medieval que deu nome à vila. As águas turquesa ao redor convidam a passeios de barco, caiaque no mar e mergulho, enquanto a vila serve de porta de entrada para a famosa Via Lícia — uma das grandes trilhas de caminhada de longa distância do mundo. Nas proximidades, a antiga cidade de Myra e a Igreja de São Nicolau em Demre — dedicada ao santo conhecido mundialmente como Papai Noel — acrescentam uma rica dimensão cultural e espiritual a qualquer visita.

Ormana, no distrito de İbradı, nas Montanhas Taurus, é um paraíso escondido diferente de qualquer outro lugar na Turquia. A vila é celebrada pelas suas extraordinárias “casas de botão” — construídas inteiramente com pedra local e madeira de cedro, sem argamassa, utilizando técnicas transmitidas de geração em geração. Muitas dessas estruturas notáveis funcionam agora como hotéis boutique, oferecendo uma estadia imersiva que é, por si só, uma peça de patrimônio vivo.

Ormana é também um destino para os sentidos: cogumelos morchella, ervas nativas, uvas e melaço de uva combinados com queijo de cabra local de gado criado solto proporcionam refeições memoráveis do campo para a mesa. A tecelagem tradicional de seda Gılamık — exclusiva da vila — é um presente requintado. Nas proximidades, a Gruta de Altınbeşik abriga o maior lago subterrâneo da Turquia; a Planície de Eynif é percorrida por cavalos selvagens; e as ruínas de Tol Han relembram as antigas rotas da Rota da Seda que outrora passavam por ali. Ormana também figura entre as principais viagens sustentáveis do GoTürkiye como um dos exemplos mais marcantes de arquitetura vernácula e turismo rural sustentável no país.

Anıtlı: uma viagem medieval em tur abdin

Anıtlı — anteriormente conhecida como “Hah” na língua siríaca — é um destino de slow travel diferente de qualquer outro. Localizada no distrito de Midyat, em Mardin, na culturalmente extraordinária região de Tur Abdin, oferece uma atmosfera medieval moldada por mosteiros, arquitetura de pedra cor de mel e a coexistência viva de comunidades cristãs siríacas e muçulmanas ao longo dos séculos.

Vila de Ormana. Foto: Divulgação/GoTürkiye.

A vila faz parte do sítio “Igrejas e Mosteiros Tardio-Antigos e Medievais de Midyat e Arredores (Tur Abdin)”, integrado na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial da Unesco. Nas proximidades, o Mosteiro de Mor Gabriel — o mais antigo mosteiro ortodoxo siríaco em funcionamento no mundo, fundado em 397 d.C. — é um local imperdível. Na própria Anıtlı, a Igreja da Virgem Maria oferece uma experiência de estadia especialmente autêntica, com liturgias e missas matinais realizadas regularmente a cada 15 dias.

A gastronomia da região é igualmente cativante. O vinho siríaco caseiro, o pão à base de grão-de-bico feito com técnicas centenárias, o börek siríaco, os picles locais e os doces de amêndoa estão entre as especialidades imperdíveis — refletindo uma herança culinária tão multifacetada quanto a arquitetura. A cultura gastronômica de Mardin está ganhando cada vez mais reconhecimento pelo uso de especiarias locais, combinações de carne com fruta e tradições artesanais.

A vida rural pode ser vivenciada na prática, ordenhando ovelhas ou participando das colheitas locais. A região também ganha vida por meio de eventos culturais: o Festival Internacional de Cinema SineMardin, o Festival Internacional de Cultura e Arte de Midyat, o Festival da Uva Harire e a Bienal de Mardin oferecem, cada um, uma janela vívida para essa paisagem cultural rica e complexa. Os visitantes costumam se hospedar nas casas de pedra de Midyat, a 20 km de Anıtlı, muitas das quais já serviram de cenário para populares novelas e séries de televisão turcas — embora a opção com mais atmosfera continue sendo uma pernoite no próprio complexo da igreja da vila.

(Fonte: MAPA 360)