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Sesc Avenida Paulista promove exibição e bate-papo do filme “Eu não quero voltar sozinho”, de Daniel Ribeiro

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Dirigido e roteirizado por Daniel Ribeiro, “Eu Não Quero Voltar Sozinho” ganhou destaque no circuito de festivais e tornou-se uma importante referência na produção audiovisual brasileira dedicada às experiências da juventude e à diversidade. Foto: Divulgação.

No dia 30 de setembro, das 18h às 20h, o Sesc Avenida Paulista realiza uma sessão cineclubista com a exibição do curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, dirigido pelo cineasta brasileiro Daniel Ribeiro. Após a sessão, o público é convidado a participar de um bate-papo para compartilhar impressões, experiências e diferentes leituras sobre a obra. A atividade tem mediação de Cecília Franco, educadora de atividades infantojuvenis.

Lançado em 2010, o curta acompanha Leonardo, um adolescente cego que vive as inquietações e descobertas próprias dessa fase da vida. Sua rotina começa a se transformar com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. Enquanto constrói uma relação de amizade com o recém-chegado, Leonardo também precisa lidar com os ciúmes da amiga Giovana e compreender sentimentos que surgem a partir dessa nova convivência.

Dirigido e roteirizado por Daniel Ribeiro, Eu Não Quero Voltar Sozinho ganhou destaque no circuito de festivais e tornou-se uma importante referência na produção audiovisual brasileira dedicada às experiências da juventude e à diversidade. A história foi posteriormente expandida pelo diretor no longa-metragem Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, lançado em 2014 e inspirado no universo e nos personagens do curta.

A proposta da atividade vai além da exibição do filme. A prática de Cineclube entende o audiovisual como ponto de partida para a construção de diálogos e para o exercício da escuta coletiva. “Ao reunir diferentes percepções sobre uma mesma obra, o debate amplia as possibilidades de interpretação e cria um espaço para refletir sobre questões presentes no filme e em seu contexto, como relações de amizade, autonomia, convivência, preconceitos e as múltiplas experiências que atravessam a adolescência”, explica Cecilia, que conclui: “a atividade é um convite para assistir, conversar e construir coletivamente novas leituras sobre o filme e sobre os temas que ele mobiliza”.

Ficha técnica

Cast/Elenco: Ghilherme Lobo, Tess Amorim, Fabio Audi

Roteiro e Direção/Writer and Director: Daniel Ribeiro

Produção Executiva / Producer: Diana Almeida

Fotografia/Cinematographer: Pierre de Kerchove

Direção de Arte/Art Director: Olivia Helena Sanches

Montagem/Editing: Cristian Chinen

Edição de Som/Sound Editor: Daniel Turini e Simone Alves

Trilha Sonora/Music: Tatá Aeroplano e Juliano Polimeno

Produção de Elenco/Cast Producer: Alice Wolfenson e Danilo Gambini.

SERVIÇO:

Exibição | Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro

Bate-papo pós exibição Cecília Mogadouro, educadora do Programa Juventudes

Data: 30 de setembro de 2026. Quarta, das 18h às 20h

Local: Térreo

Duração da exibição: 17 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Grátis | entrega de senhas com 30 minutos de antecedência.

Sesc Avenida Paulista

Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo

Fone: (11) 3170-0800

Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m

Horário de funcionamento da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

(Com Fernanda Porta Nova/Assessoria de Imprensa Sesc Avenida Paulista) 

Zéh Palito apresenta “O meu quintal é maior do que o mundo” na Galeria Simões de Assis

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Com texto crítico de Renato Menezes, mostra reúne 15 obras inéditas, entre pinturas e obras em azulejo, técnica que será apresentada pela primeira vez nesta exposição. Foto: @youknowmyface.

No dia 26 de setembro, Zéh Palito inaugura na Simões de Assis, em São Paulo, a exposição individual “O meu quintal é maior do que o mundo”, com texto crítico de Renato Menezes. Em cartaz até 7 de novembro, a mostra reúne 15 obras inéditas, entre pinturas e trabalhos em azulejo, que marcam a estreia de uma nova técnica na produção do artista. Os personagens e temas apresentados partem de sua família, de Limeira, e também da capital paulista, cidades que atravessam sua trajetória pessoal e artística.

O título “O meu quintal é maior do que o mundo” vem da relação entre o espaço íntimo e a dimensão mais ampla do universo construído pelo artista. Mais do que um cenário, o quintal aparece como ponto de partida para uma produção que transforma experiências pessoais em imagens capazes de alcançar outras histórias e memórias.

Zéh Palito e seu pai com as obras em azulejo, 2026.

Renato Menezes, no texto “Zéh Palito: refação e desidealização”, situa a produção do artista dentro da tradição retratística afro-atlântica contemporânea, estabelecendo relações com nomes como Amoako Boafo, Antônio Obá, Kehinde Wiley, Njideka Akunyili Crosby e Nina Chanel Abney. Para o curador, os retratos de Zéh Palito também se conectam ao conceito de “fabulação crítica”, formulado pela pesquisadora Saidiya Hartman, ao reconstruírem imagens e narrativas sobre a população negra a partir de perspectivas produzidas pelos próprios sujeitos negros.

Menezes aproxima a pintura de Zéh Palito da tradição de artistas como José Antônio da Silva e Ranchinho, que se dedicaram à representação do cotidiano e do mundo caipira. A escolha por cenas cotidianas também é central na produção do artista. Em suas pinturas, os personagens frequentemente aparecem fora de situações de ação, em momentos de pausa, convivência e descanso.

Zéh Palito, Flores de Reinaldo – Um Soneto de Prazer, 2026, Cortesia do artista e Simões de Assis. Foto: Estúdio em Obra.

Para Zéh Palito, existe uma constante busca por equilíbrio entre delicadeza e potência. “Penso muito na construção de imagens que celebram a vida. Não como uma forma de negar as dificuldades, mas de imaginar futuros possíveis. Minha obra fala sobre pertencimento, identidade, afeto, ancestralidade e liberdade. São temas que continuam crescendo comigo”, conta.

Esta é a terceira exposição do artista na Simões de Assis, que já apresentou a individual “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola”, em São Paulo; e “Vai Saudade: Heitor do Prazeres & Zéh Palito”, em Curitiba.

SERVIÇO:

“O meu quintal é maior do que o mundo”, individual de Zéh Palito

Entrada gratuita

Abertura: 26 de setembro, sábado, das 11h às 15h

Período de visitação: 26 de setembro a 7 de novembro

Local: Simões de Assis | Alameda Lorena, 2050 A, Jardins, São Paulo/SP

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h.

Sobre Zéh Palito

As obras de Zéh Palito abordam experiências da diáspora africana a partir da construção de personagens negros como protagonistas de suas próprias narrativas. Entre cores vibrantes, elementos da natureza e referências culturais brasileiras, africanas e norte-americanas, suas pinturas afirmam formas de poder, prazer e pertencimento. Sua pesquisa se desenvolve em diferentes escalas, como pinturas figurativas sobre tela, murais site-specific e, mais recentemente, obras em azulejo.

Participou de mostras internacionais coletivas no Zeitz MOCAA, no Kunstmuseum Basel, Baltimore Museum of Art e Saint Louis Art Museum; além de individuais, como Between the World and Me, no Museum of Contemporary Art of Querétaro e Cars, Pools and Melanin, na Perrotin. No Brasil, destacam-se as individuais Do pranto o oceano, e nadamos no amor, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, e Eu sei porque o pássaro canta na gaiola, na Simões de Assis. Seus trabalhos integram coleções como Instituto Inhotim, MAC – Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Baltimore Museum of Art, Pérez Art Museum Miami, ICA – Institute of Contemporary Art, Miami, e El Museo del Barrio, em Nova York.

Sobre a Simões de Assis

Com mais de 40 anos de história, a Simões de Assis é uma das principais galerias da América Latina dedicadas à arte moderna e contemporânea. Fundada em Curitiba, em 1984, opera em duas sedes: São Paulo e Curitiba. A galeria representa um grupo de 38 artistas e espólios, com foco em arte brasileira e diálogo com perspectivas latino-americanas e globais, além de desenvolver parcerias com galerias, museus e curadores no Brasil e no exterior.

www.simoesdeassis.com | @simoesdeassis_ | fb.com/simoesdeassisgaleria.

(Com Patrícia Marrese/Marrese Assessoria)

Livro desvenda fenômeno do voto “em nome de Deus” “O Deus das urnas” investiga como católicos e evangélicos passaram a ocupar espaço central nas disputas presidenciais brasileiras e revela as relações entre religião, poder e escolha eleitoral

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a religião deixou de ocupar apenas os templos e passou a disputar espaço no palanque, no discurso dos candidatos e, sobretudo, nas estratégias eleitorais. Foi a partir dessa afirmação que o sociólogo Alexandre Landim escreveu “O Deus das urnas: evangélicos e católicos em eleições presidenciais no Brasil”, lançado pela Editora Telha e sugere uma análise crítica sobre a aproximação entre fé e política. A obra percorre as eleições de 2010 a 2022 e questiona até que ponto crenças religiosas passaram a determinar escolhas políticas e também a definir os temas que chegam às urnas.

“O Deus das urnas” mostra como o uso do discurso religioso é usado como instrumento de mobilização eleitoral. Questões morais, valores familiares, aborto, costumes e diferentes interpretações sobre o papel do Estado passaram a integrar as campanhas. Para Landim, compreender a política brasileira contemporânea exige olhar para esse movimento sem simplificações, já que a religião se tornou uma variável importante para entender tanto o comportamento do eleitor quanto as estratégias adotadas por candidatos.

A investigação que culminou no lançamento do livro também expõe uma transformação na própria sociedade brasileira, onde católicos e evangélicos não formam blocos homogêneos, mas suas identidades religiosas passaram a apresentar diferenças no comportamento eleitoral. As pesquisas do sociólogo apontam para uma ampliação da distância entre esses grupos nas preferências políticas ao longo das últimas décadas, fenômeno que ganhou força a partir de 2010. O resultado é uma nova divisão no cenário eleitoral, na qual a filiação religiosa pode pesar tanto quanto fatores sociais, econômicos e ideológicos.

As mais de uma centena de pesquisas de opinião e um amplo conjunto de materiais da imprensa dão base para que “O Deus das urnas” amplie a discussão do terreno das opiniões para o campo da investigação sociológica. Em vez de tratar a presença religiosa na política como um episódio passageiro, Alexandre Landim acompanha sua trajetória e mostra como igrejas, lideranças e candidatos passaram a causar influência nas agendas públicas

Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo, mestre pela Universidade Estadual do Ceará e doutor pela Universidade Federal do Ceará, Alexandre Landim pesquisa religiões no Brasil há mais de uma década. Professor de Sociologia do Instituto Federal do Ceará, ele transforma sua investigação acadêmica em uma obra acessível a pesquisadores e ao público interessado em política, comportamento, religião e cultura.

“O Deus das urnas” coloca uma questão incômoda em pauta: quando a fé entra no cálculo eleitoral, onde termina a convicção religiosa e começa a estratégia de poder?

Sobre a autora

Alexandre Landim é paulistano e radicado em Fortaleza-CE desde 2012. Sociólogo e escritor, dedica-se há mais de dez anos ao tema das religiões no Brasil. Cientista social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre (UECE) e doutor em Sociologia (UFC) com período de estágio na École des Hautes Études en Sciences, França. É professor de Sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Também publicou o romance De onde estou já fui embora (2019), ganhador do edital das Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza.

Sobre a Editora Telha

Fundada no final de 2019, no Rio de Janeiro, a Editora Telha nasceu com o desejo de publicar com liberdade e abrir espaço para vozes plurais, muitas vezes fora dos grandes centros editoriais. Interdependente por natureza, acredita que o trabalho editorial se constrói em rede e que a diversidade de experiências amplia os caminhos da literatura. Já em sua estreia, com Motel Brasil: uma antropologia contemporânea, de Jérôme Souty, alcançou a marca de finalista do Prêmio Jabuti 2020, sinalizando desde o início seu compromisso em valorizar perspectivas que enriquecem o debate cultural.

SERVIÇO:

Livro “O Deus das urnas: evangélicos e católicos em eleições presidenciais no Brasil”

Autor: Alexandre Landim (@prof_alexandre_landim)

Editora: Telha

Páginas: 220

Preço: R$ 69,00

Disponível para compra através do link.

(Com Marcelo Boero/Aspas & Vírgulas)

Rosewood São Paulo é classificado na posição nº 6 da lista The World’s 50 Best Hotels 2026

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Reconhecida pelo quarto ano consecutivo, propriedade sobe 18 posições em relação ao ano anterior e reafirma sua posição entre os principais hotéis do mundo. Fotos: Ruy Teixeira.

O Rosewood São Paulo anuncia sua inclusão na lista The World’s 50 Best Hotels 2026, conquistando a posição nº 6 no prestigiado ranking deste ano. Publicado anualmente pelo 50 Best, responsável também pelos rankings The World’s 50 Best Restaurants e The World’s 50 Best Bars, o levantamento reconhece hotéis que se destacam por redefinir a excelência na hospitalidade por meio de serviço excepcional, design, inovação e experiências memoráveis para seus hóspedes.

A conquista marca o quarto ano consecutivo em que o Rosewood São Paulo integra a lista dos melhores hotéis do mundo. Desde sua estreia no ranking, em 2023, na 27ª posição, a propriedade vem consolidando sua presença internacional, refletindo seu compromisso contínuo com a excelência, a autenticidade e a criação de experiências profundamente conectadas à cultura local.

Instalado no complexo Cidade Matarazzo, o Rosewood São Paulo combina patrimônio histórico, arquitetura contemporânea, arte, gastronomia e bem-estar em um dos projetos de hospitalidade mais ambiciosos da América Latina. A propriedade ocupa a histórica Maternidade Condessa Filomena Matarazzo e a Torre Mata Atlântica, concebida pelo arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Jean Nouvel, criando um diálogo singular entre história, natureza e inovação no coração da cidade.

Com 184 quartos e suítes, o hotel se destaca por sua coleção de arte integrada, programação cultural contínua, experiências gastronômicas diversificadas e pelo Asaya Spa by Guerlain, o único da América do Sul. Mais do que um hotel, o Rosewood São Paulo foi concebido como um ecossistema cultural e de lifestyle que celebra a criatividade, a diversidade e o espírito vibrante do Brasil contemporâneo. “Estar presente no The World’s Best Hotels pelo quarto ano consecutivo é um reconhecimento da nossa paixão em celebrar a alma e a diversidade da cultura brasileira por meio de uma hospitalidade genuína. Esta conquista reforça a dedicação contínua da nossa equipe em redefinir a excelência e criar experiências extraordinárias no coração de São Paulo”, pontua Marie-Bérengère Chapoton, managing director, Rosewood São Paulo.

A lista The World’s 50 Best Hotels 2026 é definida pelos votos da The World’s 50 Best Hotels Academy, composta por mais de 800 especialistas da indústria global da hospitalidade, incluindo hoteleiros experientes, jornalistas especializados em viagens e viajantes frequentes. Durante o período de votação, cada membro da Academia é convidado a indicar os sete hotéis que mais o impressionaram nos 24 meses anteriores, classificando-os em ordem de preferência. A lista anual reconhece propriedades que continuam a redefinir os padrões de excelência na hospitalidade, destacando-se pela qualidade do serviço, inovação, design e experiência oferecida aos hóspedes.

Sobre Rosewood São Paulo

Rosewood São Paulo é um oásis urbano regenerativo, onde a vibrante cultura local e a energia artística florescem em harmonia com a natureza. Instalado em uma antiga maternidade e em uma torre visionária de jardim vertical, projetada pelo vencedor do Prêmio Pritzker Jean Nouvel, o hotel traz nova vida a um enclave histórico da cidade.
Os interiores são uma ode ao ecletismo de São Paulo. Cada um dos 184 quartos e suítes, além das 100 Rosewood Residences é cuidadosamente curado com livros, obras de arte e paredes de madeira, enquanto mais de 450 peças encomendadas a talentos brasileiros compõem uma verdadeira galeria de arte. A gastronomia também é inspirada culturalmente; uma homenagem à efervescente culinária da cidade. Seis restaurantes e bares, comandados por chefs em ascensão, oferecem sabores globais a qualquer hora do dia. Com aulas dinâmicas de fitness, piscinas emolduradas por áreas verdes e um Asaya Spa by Guerlain, o bem-estar aqui reflete os diversos ritmos do Brasil.

Sobre Rosewood

Rosewood é uma coleção global em constante evolução de hotéis, resorts e residências, criada a partir da descoberta de lugares extraordinários. Com 44 destinos únicos, cada propriedade celebra a cultura e a comunidade que lhe dão identidade, preservando a visão de uma hospitalidade capaz de transformar e enriquecer tanto hóspedes quanto anfitriões. Cada detalhe é cuidadosamente concebido para contar a história do lugar, proporcionando momentos inesperados de descoberta e conexão. As Rosewood Residences estendem esse mesmo espírito, inspirando um estilo de vida em que o senso de pertencimento e a curiosidade tornam cada dia mais significativo.

(Com Cíntia Banús/CB PR & MKT)

“Aula Vaga – Teoremas do Impossível”, do Grupo Pandora de Teatro, transforma relatos reais de docentes em espetáculo sobre a situação da educação

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Novo trabalho do Grupo Pandora estreia em setembro no Teatro João Caetano e nasce de uma pesquisa documental construída em escolas públicas, oficinas com educadores e relatos coletados ao longo de meses de investigação. Fotos: Meire Ramos.

“Aula Vaga – Teoremas do Impossível”, novo espetáculo do Grupo Pandora de Teatro, nasce de uma pesquisa realizada com professoras e professores da rede pública de ensino e transforma experiências reais em matéria para a cena. A obra combina teatro documental, audiovisual e poesia para lançar luz sobre a crise na educação nacional e o adoecimento frequentemente invisibilizado dos docentes. Construída a partir de entrevistas, oficinas e encontros realizados com profissionais da educação, a montagem estreia a temporada no dia 24 de setembro, no Teatro João Caetano, em São Paulo, e depois segue em cartaz no Teatro Paulo Eiró, além de realizar apresentações na sede do grupo (veja a programação completa abaixo).

Em cena, a peça ficcionaliza três profissionais da educação, duas professoras e um professor, cujas trajetórias se cruzam em um mosaico de memórias, exaustões e resistências. Entre realidade e ficção, o espetáculo propõe uma travessia que desloca elementos cotidianos da sala de aula para um universo marcado pelo realismo fantástico. “Partimos de um estudo com profissionais da educação para criar uma narrativa fragmentada, uma travessia do documental ao onírico conduzida pela encenação”, define o diretor Lucas Vitorino.

Contemplada pela 45ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, a primeira etapa do processo aconteceu no Espaço Cultural Canhoba, referência no bairro de Perus, onde o grupo atua e a pesquisa foi desenvolvida em diálogo com escolas e profissionais da educação.

A criação incluiu workshops teatrais realizados em unidades escolares durante formações de educadores, uma oficina de criação de três meses voltada a professores e outros profissionais da educação na sede do grupo, além da gravação de dezenas de relatos sobre os desafios da profissão e momentos de mobilização da categoria, incluindo uma manifestação de professores da rede estadual por melhores condições de trabalho.

Esses materiais, vozes gravadas, vídeos e imagens documentais, permeiam a encenação. “Os relatos alimentaram as cenas. Mesmo quando não aparecem literalmente, estão presentes na construção dramatúrgica”, revela Vitorino.

O tema dialoga com dados que revelam a dimensão do assunto abordado pelo espetáculo. Segundo levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP), com base em dados da Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME), entre janeiro e setembro de 2025 foram registradas 25.699 licenças médicas de professores da rede estadual paulista por transtornos mentais e comportamentais, uma média de 95 afastamentos por dia. No período, os afastamentos somaram 911.634 dias longe das salas de aula, com duração média de 35 dias por licença.

A montagem aposta numa linguagem híbrida em que teatro e cinema convivem em tempo real: câmeras captam ações ao vivo, projeções dialogam com os atores em cena e imagens gravadas ampliam a presença das pessoas entrevistadas.

O cenário recria uma sala de aula deslocada de seu lugar habitual. Lousa, carteira e outros elementos reconhecíveis aparecem reorganizados, como se a própria escola estivesse ligeiramente fora do eixo. No chão, um piso verde remete às antigas lousas escolares; sobre ele, palavras são escritas e gradualmente apagadas ao longo da apresentação. A trilha sonora incorpora referências do trap e da música eletrônica para aproximar o universo sonoro dos estudantes e marcar o encontro entre gerações dentro da escola.

Neste trabalho, o Grupo Pandora opta por abordar o tema pela dimensão humana da experiência docente. “A nossa vontade é falar com os professores que existe um grupo de teatro olhando para essa dor, para essa ferida, para essa luta. É uma peça política, mas profundamente poética”, finaliza o diretor.

Sinopse | O espetáculo investiga o adoecimento docente na escola pública, traduzindo as cicatrizes e as vozes de professoras e professores em uma narrativa visual e poética. A realidade e o delírio transformam o vazio burocrático e a exaustão em matéria cênica, revelando a sala de aula como um espaço onde colapso e resistência habitam o mesmo chão. A peça expõe a crise da educação como projeto político. Uma denúncia em forma de poesia cênica sobre aqueles que, mesmo diante do impossível, insistem em inventar o amanhã.

Ficha técnica:

Criação: Grupo Pandora de Teatro

Texto e direção: Lucas Vitorino

Elenco: Rodolfo Vetore, Thais Kaori e Thalita Duarte

Vídeo e edição: Filipe Dias

Cenografia: Thalita Duarte

Figurino: Claudia Schapira

Adereços: Thais Kaori

Desenho de luz: Elves Ferreira e Kauã Vitorino

Preparação corporal: Rodolfo Vetore

Workshops: Marcelo Soler, Tânia Faria e Heloísa de Lima.

Cenotecnia: Duarte Serralheria

Máscaras de papel machê: Daniel Normal

Costureira: Cleuza Amaro da Silva Barbosa

Operação de vídeo: Lucas Vitorino

Operação de som: Mateus Ramon

Técnica e operação de luz: Kauã Vitorino

Assistência de produção: Camila Oliveira

Foto e design gráfico: Pedro Daniel

Produção Administrativa: Junior Cecon

Produção: Thalita Duarte.

SERVIÇO:

Teatro João Caetano

Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino

Datas: 24, 25, 26, 27, 30 de setembro e 01, 02 e 03 de outubro de 2026

Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h

Sessão Extra: Quarta, 30/09, às 20h

Ingressos: Gratuitos (reservas pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/produtor/grupopandoradeteatro)

Teatro Paulo Eiró

Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro

Datas: 08 a 11 de outubro de 2026

Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h

Ingressos: Gratuitos (reservas pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/produtor/grupopandoradeteatro)

Duração: 70 minutos

Classificação Indicativa: 10 anos

Aviso: Este espetáculo utiliza efeitos de luzes estroboscópicas e flashes luminosos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Comunicação)