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Sesc 24 de Maio recebe peça “Meninos” em curta temporada

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo do Grupo II aborda as relações masculinas no contexto familiar contemporâneo. Fotos: Douglas Fontes.

O Sesc 24 de Maio recebe o espetáculo Meninos, do Grupo II, entre os dias 20 e 30 de maio, em curta temporada. A montagem lança um olhar sensível sobre a masculinidade contemporânea, investigando suas fraturas, afetos e possibilidades de reinvenção a partir das relações familiares.
Dividida em três atos, a peça apresenta histórias marcadas pela ausência e pelo silêncio, traçando caminhos de afetividade entre tios e sobrinhos, irmãos, filhos e pais. A dramaturgia constrói um mosaico de vínculos masculinos, revelando tensões, heranças emocionais e formas possíveis de cuidado.

A programação integra o projeto Cena Jovem, realizado pela unidade 24 de Maio desde 2019 com o objetivo de aproximar as juventudes da linguagem teatral. A iniciativa aposta em espetáculos que dialogam com temas de interesse dos jovens e valorizam diretores, dramaturgos e artistas emergentes, incentivando tanto a formação de público quanto o reconhecimento de novas vozes da cena contemporânea.

Assinada por Lucas Mayor, Marcos Gomes e Rafael Cristiano, a dramaturgia dialoga com a obra “Sendo um menino”, de bell hooks, ao abordar a infância e a adolescência masculina sob a perspectiva do crescimento, da formação da identidade e das pressões sociais impostas aos homens desde cedo.

Ficha Técnica: 

Direção: Lucas Mayor e Marcos Gomes

Dramaturgia: Lucas Mayor, Marcos Gomes e Rafael Cristiano

Atuação: Eduardo Guimarães, João Bourbonnais, João Filho, Lucas Laureno, Rafael Cristiano e Ricardo Teodoro

Iluminação: Matheus Brant

Cenografia e Figurino: Grupo II

Produção: Maísa Sousa De Castro

Fotografia: Douglas Fontes.

SERVIÇO:

Meninos

Datas: 20 a 30/5, quarta a sábado, às 18, (Exceto dia 23/5, às 17h)

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 14 anos

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 12/05 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 13/05 – R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc).

Acessibilidade: Tradução em Libras nos dias 22 e 29/5.

Duração do show: 60 minutos

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Acompanhe nas redes:

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Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo | a 350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)

Instituto CPFL leva Escola Olodum e Núcleo de Dança Cisne Negro ao Parque Oziel, em Campinas

Campinas, SP, por Kleber Patricio

Escola Olodum Campinas. Fotos: Tatiana Ferro/Instituto CPFL.

Instituto CPFL implanta, a partir deste mês, dois projetos culturais voltados ao desenvolvimento social de crianças, adolescentes e jovens adultos no Parque Oziel, em Campinas. A comunidade abrigará um núcleo da Escola Olodum Campinas, o primeiro no Estado de São Paulo, e o primeiro Núcleo de Dança Cisne Negro fora da capital paulista. Ao todo, serão oferecidas 400 vagas gratuitas: 300 vagas para as aulas de percussão, canto e dança afro da Escola Olodum Campinas e 100 vagas para aulas de balé clássico do Núcleo de Dança Cisne Negro.

A iniciativa integra a frente CPFL Jovem Geração, voltada à inclusão e transformação social por meio da cultura e do esporte, e compõe a estratégia do Instituto CPFL que reúne diferentes projetos sociais em territórios prioritários com o objetivo de ampliar oportunidades e fortalecer o desenvolvimento local. A escolha do Parque Oziel também carrega um simbolismo importante. A região já foi considerada uma das maiores ocupações urbanas da América Latina e hoje abriga diversas iniciativas voltadas ao fortalecimento social e cultural da comunidade local. “Acreditamos que o acesso à cultura é um caminho potente para ampliar oportunidades e fortalecer vínculos comunitários. Ao reunir no mesmo território dois projetos de grande relevância artística e social, buscamos contribuir para que crianças e jovens tenham contato com diferentes linguagens culturais e possam desenvolver seus talentos e perspectivas de futuro”, afirma Daniela Ortolani Pagotto, head do Instituto CPFL.

No Parque Oziel, os novos projetos se somam a outras ações já implantadas pelo Instituto CPFL: o Futebol Social, projeto esportivo que beneficia 180 crianças no núcleo; a Carreta Literária, iniciativa de estímulo à leitura que oferece mais 600 títulos infanto-juvenis a estudantes da rede pública da região; e o CineSolar, cinema itinerante que leva sessões gratuitas de cinema para regiões sem acesso. 

Escola Olodum Campinas

Criada em 1983, a Escola Olodum é um dos principais projetos da Associação Carnavalesca Bloco Afro Olodum, reconhecida internacionalmente por sua atuação pioneira em educação antirracista por meio da arte, da cultura e da educação. Inspirado na experiência da Escola Olodum de Salvador, o projeto chega a Campinas com uma proposta de formação cidadã baseada na valorização da cultura afro-brasileira. As atividades serão voltadas a pessoas de 7 a 29 anos, com cursos gratuitos de percussão samba-reggae, canto coral e dança afro.

Núcleo de Dança Cisne Negro.

Para Marcelo Gentil, presidente institucional do Olodum, a implantação de uma unidade da Escola Olodum em Campinas, uma cidade que, de acordo com dados do IBGE, tem uma população formada por 39,9 % de pretos e pardos, representa um marco importante no processo de expansão qualiquantitativa do projeto de educação não formal, ampliando a parceria com a Riart, responsável por implantar o núcleo da Escola Olodum Rio. “Estar no Parque Oziel significa reconhecer a potência cultural existente neste território e reafirmar o compromisso de levar oportunidades reais de formação artística e desenvolvimento humano para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Mais do que oferecer cursos, a Escola Olodum chega para fortalecer autoestima, pertencimento, identidade e perspectivas de futuro. É o Olodum contribuindo com a formação de novas lideranças e reafirmando que a educação é o nosso tambor mais potente”.

Núcleo de Dança Cisne Negro

A Cisne Negro Cia. de Dança é considerada uma das companhias contemporâneas mais importantes do país. Em quase cinco décadas de trajetória, já foi assistida por mais de 5 milhões de espectadores, realizou apresentações em 17 países e passou por mais de 500 cidades. Em 2021, a companhia criou o Núcleo de Dança Cisne Negro, projeto social que oferece aulas gratuitas de balé clássico para crianças de 5 a 12 anos, com base na metodologia da Royal Academy of Dance (RAD).

A iniciativa começou no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e posteriormente foi ampliada para unidades na Lapa e em Heliópolis. A chegada ao Parque Oziel marca a quarta unidade do projeto e a primeira fora da capital paulista. “Levar o Núcleo de Dança Cisne Negro Instituto CPFL Campinas para o Parque Oziel, com atividades voltadas a crianças de 05 a 12 anos, representa um passo importante na ampliação territorial do projeto social da companhia. É uma forma de expandir uma iniciativa consolidada de formação artística para uma região marcada por vulnerabilidade social, reafirmando nosso compromisso com a democratização do acesso à arte”, afirma Dany Bittencourt, diretora artística e coreógrafa da Cisne Negro Cia. de Dança.

Expectativas

Para lideranças locais, a chegada dos novos projetos representa uma oportunidade importante para os jovens da região. “Projetos como Escola Olodum e Cisne Negro vão agregar muito para os jovens da comunidade, oferecendo oportunidades que muitos deles não teriam em outros lugares. É uma chance de desenvolver talentos, aprender coisas novas e ampliar horizontes”, afirma Josenilton Almeida, conhecido como Zangão, líder comunitário do Parque Oziel. “A comunidade está muito grata pelos projetos que já acontecem aqui, como o CineSolar, a Carreta Literária e o Futebol Social. São atividades que fazem diferença na vida das crianças e das famílias. Agora, com a chegada desses novos projetos, as oportunidades só aumentam”, completa.

SERVIÇO:

Escola Olodum Campinas

Público: crianças, adolescentes e jovens

Vagas disponíveis: 300 vagas – aulas de percussão, canto e dança afro

(Escola Olodum Campinas)

Início das atividades: maio de 2026

Inscrições: escolaolodumcampinas.com.br

Núcleo de Dança Cisne Negro Instituto CPFL Campinas

Vagas disponíveis: 100 vagas – aulas de balé clássico para crianças de 5 a 12 anos

Início das atividades: maio de 2026

Inscrições: SELEÇÃO NÚCLEO DE DANÇA CPFL – Google Formulários.

(Com Aline Telles/WGO – Comunicação Além do Óbvio)

Pinacoteca de São Paulo exibe conjunto de gravuras de Beatriz Milhazes

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Noite de verão (2006).

A Pinacoteca de São Paulo apresenta “Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo”, no 2º andar do edifício Pina Estação. A exposição reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado de sua colaboração com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press, estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. Com curadoria de Renato Menezes, a mostra procura enfatizar os desafios técnicos da gravura e as especificidades das impressões em grande formato. Algumas de suas obras possuem quase 2 metros de largura, combinando múltiplas cores com matrizes diversas.

Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. A profícua produção da artista é marcada por uma linguagem de notável complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura, tronco principal de sua produção, até chegar nas gravuras, técnica que pratica com assiduidade desde seu encontro com Rusell.

“Desde muito cedo – a artista fez parte da mostra Como vai você geração 80? – Milhazes conseguiu conciliar elementos e referências muito diferentes da cultura brasileira. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira, grafismos indígenas, os artistas modernos do Brasi – ela se alimenta dessas referências e transforma tudo isso em uma linguagem própria”, conta o curador. “Em alguma medida, a gravura, técnica de reprodução de imagens, completa o sentido profundamente popular de seu trabalho, já manifestado em sua pintura. Além disso, a gravura coloca desafios técnicos novos para o seu trabalho e requer outra forma de lidar com o tempo”, completa Menezes.

“Minha pintura se nutre do diálogo afetivo com os diferentes meios que venho trabalhando. O respeito e compreensão do tempo de cada prática carregam para o meu processo criativo, inovação, elementos novos para refletir o desenvolvimento dos meus conceitos”, afirma Milhazes.

A Pinacoteca de São Paulo é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos, que foram doados ao acervo da instituição em 2009 e 2024. As gravuras foram desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell, renomado impressor e entusiasta da obra da artista. Nelas, Milhazes utiliza principalmente a serigrafia, técnica que consiste em fazer a tinta passar para a superfície desejada através de um bastidor preparado. O resultado, que é, em geral, chapado e com poucas cores, é subvertido pela artista, que consegue efeitos de transparência e sobreposição, criando situações de profundidade e vibração nas cores.

Nessas obras podem ser vistas estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos, parte de seu vocabulário de formas desde o início de suas investigações no campo da pintura. Nas gravuras aparecem também arabescos e formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira, da qual também é herdeira. Isso pode ser visto, por exemplo, em Entre o mar e a montanha (1998). Na mostra é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).A exposição Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo tem patrício da Vivo, na cota Master, QI Tech, na cota Ouro, Iguatemi São Paulo, na cota Prata, e Verde Asset Management, na cota Bronze.

SOBRE A ARTISTA

Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1960) é pintora, gravadora e ilustradora. Com uma produção artística desenvolvida a partir de diferentes técnicas e materiais, seu trabalho é caracterizado pelo uso da cor, de estruturas geométricas, arabescos, florais e motivos ornamentais. Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas no Brasil e internacional. Participou do Carnegie International, (1995); Bienal de Sydney (1998); Bienal de São Paulo (1998, 2004); Bienal de Shangai (2006) e Bienal de Veneza (2003, 2024).

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO:

Pinacoteca de São Paulo | Edifício Pina Estação | 2º andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Pinacoteca)

“Saudade”, novo espetáculo d’Os Geraldos, estreia em São Paulo

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena de “Saudade”. Crédito: Stephanie Laura.

Depois de passar por Minas Gerais, Distrito Federal e pelo Rio de Janeiro, o grupo campineiro Os Geraldos estreia em São Paulo o espetáculo “Saudade”. A montagem narra a história de um vilarejo onde a morte era tratada como brincadeira pelas crianças, até que um acontecimento altera de forma definitiva a maneira como elas compreendem a perda. A temporada acontece no Teatro do Sesc Santana de 15 de maio a 14 de junho de 2026. Informações de dias, horários e valores no www.sescsp.org.br/programacao/saudade-3/.

Inspirada no conto “Pinguinho”, de Viriato Correia, e em textos de Rubem Alves, a peça articula infância, morte e memória a partir de uma encenação que integra narrativa e canto coletivo. No vilarejo que se constrói em cena, a saudade surge como experiência compartilhada entre atores e público.

Com concepção e direção de Douglas Novais, direção musical de Everton Gennari e dramaturgia de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro, o espetáculo reúne 13 intérpretes em cena, que executam ao vivo canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim. A música organiza a progressão das cenas e aproxima referências culturais distintas de um imaginário popular.

Foto: Tatana Reis.

Criado há 18 anos em Campinas, Os Geraldos desenvolvem pesquisa em teatro popular centrada na relação direta com a plateia. O grupo já circulou por 106 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países.

Destrinchando a montagem

A primeira apresentação de Saudade ocorreu em língua espanhola. Ainda na etapa inicial de pesquisa, em 2024, o projeto foi selecionado na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do Programa Iberescena, entre mais de 200 propostas inscritas por 24 países. A partir desse convite, o grupo realizou uma residência artística na Catalunha, na Espanha, com desdobramentos na Itália, França e Inglaterra.

Segundo o diretor Douglas Novais, a experiência evidenciou a permeabilidade da narrativa: a versão apresentada em espanhol encontrou ressonância junto ao público europeu, aproximando contextos culturais distintos por meio de temas universais.

Foto: Bob Sousa.

A encenação articula teatro popular e diálogo intercultural. A música ao vivo ocupa função estruturante na dramaturgia, organizando a progressão das cenas. O repertório reúne canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim, mobilizando memórias compartilhadas e reforçando a dimensão coletiva da experiência cênica.

O cenário, também assinado por Novais, utiliza um chão de vidro que alterna reflexão e iluminação interna, modificando a percepção do espaço ao longo do espetáculo. A iluminação é de Caetano Vilela. Os figurinos, também concebidos pelo diretor, são confeccionados em algodão cru e partem de referências das infâncias dos intérpretes. A visualidade dialoga com a paleta e o olhar social presentes na obra de Cândido Portinari.

Repercussão

Ao longo das cidades por onde passou, Saudade também motivou diferentes leituras de críticos e pesquisadores que acompanharam as apresentações.

Foto: Stephanie Lauria.

O crítico e fotógrafo Bob Sousa observa a visualidade como elemento estruturante da encenação, destacando a articulação entre imagem, som, palavra e corpo na construção de uma memória compartilhada. Ele aponta aproximações com o universo pictórico de Cândido Portinari, sobretudo no olhar voltado ao homem comum e ao Brasil interiorano, e ressalta a presença do coro como eixo da proposta cênica.

Para o crítico de arte Rômulo Sobrinho, a montagem mobiliza dimensões sensoriais e afetivas. Ele chama atenção para a cenografia de caráter simbólico e para a trilha sonora como fio condutor da narrativa.

Já o pesquisador Marcos Antônio Alexandre, doutor em Letras pela UFMG, destaca o diálogo da obra com memórias individuais e coletivas, observando o trânsito entre humor e melancolia e a construção coral do elenco.

Grupo Os Geraldos

Foto: Tatiana Reis.

É um grupo de teatro formado por artistas, de 19 a 60 anos, que vêm de pequenas cidades do interior de São Paulo e de outros estados, trazendo consigo um olhar enraizado no Brasil profundo. Desde 2008, o grupo desenvolve um teatro popular que valoriza a relação direta com o público e combina pesquisa técnica com a vivência de quem conhece o país por dentro.

A estética do grupo desenvolve-se em três frentes principais: as Visualidades do Espetáculo, com um ateliê próprio responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação; a Expressividade Vocal, que investiga a palavra falada e cantada como matéria central da cena; e o Coro, entendido tanto como base estrutural da encenação quanto como um signo da ética do trabalho coletivo, de modo que a relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.

FICHA TÉCNICA

Direção e concepção de cena, figurino e cenografia: Douglas Novais

Direção musical e preparação vocal: Everton Gennari

Dramaturgia: Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro

Direção de texto: Douglas Novais e Paula Guerreiro

Elenco: Alexandre Cremon, Carolina Delduque, Emme Toniolo, Everton Gennari, Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, João Fernandes, Julia Cavalcanti, Paty Palaçon, Paula Guerreiro, Pedro Dias, Roberta Postale e Valéria Aguiar

Iluminação: Caetano Vilela

Visagismo e maquiagem: Douglas Novais e Gileade Batista

Assistência de direção: Julia Cavalcanti

Assistência Dramatúrgica: Emme Toniolo e Tatiana Alves

Coordenação do Ateliê Kairós: Emme Toniolo

Assistência do Ateliê Kairós: Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, Vinícius Zaggo, Valéria Aguiar, Agnes Foster, Aline Sivieri e Jennifer Adélia

Fotografia: Stephanie Lauria, Bob Sousa e Guto Muniz

Design gráfico e Ilustrações: Guilherme Crivelaro

Redação do programa: Paula Guerreiro

Operação de luz: Débora Piccin

Coordenação de produção executiva: Paty Palaçon

Produção executiva: Anna Helena Longuinhos

Assistência de produção: João Vitor Paulato, Nicole Mesquita, Lívia Telles

Captação e Projetos: Carolina Delduque, Paula Guerreiro, Lívia Telles, Paty Palaçon

Assistência de Captação e Projetos: Pedro Dias, Anna Helena Longuinhos e Débora Piccin

Coordenação técnica: João Fernandes e Alexandre Cremon

Assistência técnica: Roberta Postale e Pedro Dias

Coordenação de comunicação: Nicole Mesquita

Coordenação de gestão: Tatiana Alves

Coordenação geral: Douglas Novais

Produção: Os Geraldos.

SERVIÇO:

Saudade | Grupo Os Geraldos

Data dos Eventos: de 15/05 a 14/06/2026, sextas e sábados às 20h, aos domingos e feriados às 18h. Com exceção do dia 23/05, onde a sessão será às 21h e do dia 13/06 que não haverá sessão. Sessões extras nos dias 29/05 e 12/06, às 15h.

Entrada Gratuita: nos dias 15, 16 e 17/05 (*Semana S) e nos dias 23 e 24/05 (Virada Cultural).

Acessibilidade: a partir do dia 22/05 – tradução e interpretação em Libras, audiodescrição e recursos táteis.

Duração: 60 minutos

Recomendação etária indicativa: 12 anos

Ingressos: R$ 18 (credencial plena), R$ 30 (meia entrada) e 60 (inteira)

Venda de ingressos a partir de 5/5 pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/santana, ou a partir de 6/5 nas bilheterias das Unidades.

Sesc Santana – Teatro (330 lugares)

Av. Luiz Dumont Villares, 579, São Paulo – SP, Tel.: 11 2971-8700

Prefira o transporte público: Jd. São Paulo – 850m | Parada Inglesa – 1.250m

Siga o Sesc Santana na rede: instagram.com/sescsantana | sescsp.org.br/santana

*A Semana S é uma iniciativa nacional do Sistema Comércio (CNC-Sesc-Senac) realizada em maio para destacar e oferecer serviços gratuitos ou de baixo custo nas áreas de cultura, lazer, saúde, turismo e qualificação profissional.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Exposição “O útero também é um punho” terá conversa sobre direitos reprodutivos femininos

Nova York, NY, por Kleber Patricio

Rosa Bunchaft – Tribunal de Família – A Costela de Adão e a Vara – 2023/2025 – Fotoinstalação em cianotipia. Foto: Divulgação.

Como parte da exposição “O útero também é um punho”, na Apexart, em Nova York, será realizada no dia 16 de maio, às 15h, uma roda de conversa on-line com as pesquisadoras e curadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa. A conversa ampliará as discussões sobre os direitos reprodutivos femininos, tema da exposição curada por Talita Trizoli e Renata Freitas, que apresenta cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance. O projeto foi o único brasileiro contemplado entre 658 inscritos de todo o mundo que passaram por uma criteriosa seleção da instituição educativa e cultural localizada em Nova York, que tem mais de 30 anos de tradição.

A mostra, que pode ser vista até o dia 23 de maio de 2026, apresenta obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. “Debater direitos reprodutivos vai muito além da questão de continuar ou não uma gestação. Envolve acesso à educação, transporte público, saúde, educação sexual nas escolas, métodos contraceptivos seguros e eficazes, atendimento médico digno, licença-maternidade, segurança no trabalho e condições que possibilitem uma parentalidade responsável”, dizem as curadoras Talita Trizoli e Renata Freitas.

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. “Apesar de sua urgência, a justiça reprodutiva permanece amplamente ausente na arte contemporânea brasileira, frequentemente silenciada por censura e resistência institucional”, afirmam as curadoras.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”. “O poema é um clássico feminista e um dos poucos poemas que vai falar de aborto e de violência do corpo feminino. Nele, ela compara o útero a uma unidade de medida, mas também a um karma da corporeidade feminizada. Assim, pretendemos destacar nesta exposição as ambivalências que permeiam a experiência da feminilidade ainda atrelada à dimensão anatômica, e particularmente às suas limitações institucionais”, ressaltam as curadoras.

OBRAS EM EXPOSIÇÃO

A mostra traz trabalhos em diversos suportes, que abordam o tema dos direitos reprodutivos das mulheres sob diferentes aspectos. Desta forma, entre as obras, está “Autonomia condicional”, da artista argentina radicada em São Paulo, Guillermina Bustos, um jogo eletrônico de perguntas e respostas no qual cada participante deve enfrentar a tensão de decidir o que fazer diante de uma gravidez indesejada, levando em consideração uma série de limites e variáveis temporais e contextuais. 

Natali Tubenchlak apresenta obras das séries “Prenhe”, na qual mescla imagens de animais prenhes com corpos de crianças, e a serigrafia inédita “Necrófagos”, que parte da premiada fotografia da mulher indígena amamentando uma criança e um animal, feita pelo fotógrafo Pisco del Gaiso, e substitui pelo corpo de uma mulher branca, com dois urubus se alimentando. A correlação do corpo materno com o animal também aparece na videoperformance “Sua vaca!”, da artista Ludmilla Ramalho, que materializa a objetificação do corpo materno através da sobreposição de um crânio bovino sobre o rosto da performer enquanto ela amamenta sua filha. A obra emerge da experiência traumática que transforma o corpo feminino em “corpo-santo” durante a gravidez e “corpo-vaca” no período de amamentação. A animalidade também está presente na pintura “Efeito Bruce”, de Rikia Amaral, que traz a estratégia biológica de aborto espontâneo que ocorre nos corpos de roedores e chimpanzés diante da adversidade e do estresse ambiental. A artista também apresenta a escultura “Sekhmet”, que representa a deusa egípcia homônima, feita com ovos e cera.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

Há, também, um conjunto de pequenas peças da artista Rosa Bunchaft, intitulada “Tribunal da família: a Costela de Adão e a Vara”, na qual, por meio de cianotipias de fóruns, plantas e retratos de família, ela examina as Varas de Família a partir de sua própria perspectiva, sendo uma mãe neurodivergente que enfrentou violência institucional sob a misógina Lei da Alienação Parental (LAP). Ela também apresenta o autorretrato “Como a dama do mar”, na qual aparece grávida, boiando na imensidão do oceano.

Alguns trabalhos falam mais diretamente do gesto abortivo, como é o caso da instalação “O alívio”, da artista Raffaella Yacar, feita com um manto de veludo, seda, argila e água gelificada do rio Limmat, em Zurique, onde mora. A instalação se desdobra como uma composição enigmática, de caráter onírico, que dialoga com debates sobre os direitos reprodutivos das mulheres, tendo relação com o aborto espontâneo. Já outras representações são mais sutis, como as aquarelas “Existência anulada”, de Mariana Feitosa, onde um corpo grávido existe apenas através das manchas deixadas no tecido. Já Leticia Ranzani, que passou por duas depressões pós-parto, apresenta desenhos feitos em fotografias de seus próprios filhos, que falam de uma mulher que vai sumindo aos poucos no delírio dos outros.

Na instalação “Licença poética”, Renata Freitas trabalha com lençóis hospitalares, que vestem o espaço com sobreposições de camadas translúcidas. Em algum momento da vida, 100 milhões de mulheres terão contato com esses lençóis, seja em partos ou exames ginecológicos. Entre delicadeza e força, a obra expõe a tensão entre cuidado, controle e autonomia e reflete sobre o poder de decisão de cada mulher sobre o seu próprio corpo.

O útero também é um punho – vista da exposição. Foto: Andrew Schwartz.

Liane Roditi tem o corpo muito presente em seu trabalho, seja na pintura “Sucção”, em que uma massa branca de dedos, centralizada sobre um fundo terroso na tela, apresenta uma incerteza de movimentos – não se sabe se as mãos estão sendo puxadas para dentro ou lutando para emergir, seja na videoperformance “Desvio”, em que artista filma suas pernas nuas, por onde escorre um líquido vermelho em direção ao chão branco. Alternativas possíveis para lidar com a maternidade também aparecem na exposição, como nas obras de Leíner Hoki, que traz outras possibilidades de maternagem a partir de relações homoafetivas, ou mesmo as vias alternativas para lidar com a gravidez indesejada. A artista também apresenta uma releitura da icônica obra “A Fazedora de Anjos” (1908), de Pedro Weingartner, que pertence à Pinacoteca de São Paulo.

SOBRE AS CURADORAS

Talita Trizoli é historiadora da arte, curadora e pesquisadora brasileira, especializada em arte feminista brasileira e em questões de gênero e ética sob uma perspectiva sistêmica, com publicações de referência na área. Foi curadora de diversas exposições no Brasil, todas com perspectiva feminista. Coordenadora do G.A.F. desde 2020, foi recentemente contemplada com a Mellon Fellowship como High Impact Scholar na UT Austin. Também realizou pós-doutorado no IEB-USP com bolsa Capes/Fapesp. 

Renata Freitas é artista visual, pesquisadora e curadora brasileira, doutora em Comunicação e Semiótica. Sua prática articula teoria feminista, a pesquisa artística sobre corpo, memória, gênero e poder, desenvolvendo trabalhos em pintura, performance e instalação no Brasil e internacionalmente. 

SOBRE A APEXART

A Apexart é uma instituição artística educacional que tem atuado como um importante espaço de incubação para curadores e criativos por mais de 30 anos. Desde sua fundação, em 1994, a Apexart apresentou 269 exposições em 39 países, proporcionando visibilidade profissional a mais de 1.200 artistas. Mais de 240 artistas e curadores de mais de 50 países já receberam bolsa da Apexart. Somos movidos pela ideia de que a exclusividade é contrária à criatividade. Nossos editais enfatizam a transparência e processos de seleção justos, realizados por grandes júris descentralizados, e nosso programa de Bolsas oferece importantes oportunidades de reflexão para que artistas considerem novas ideias e questões. 

SERVIÇO:

Conversa na exposição “O útero também é um punho” 

Dia 16 de maio, às 15h, com as pesquisadoras e curadoras Carolina Filippini e Fernanda Corrêa, através do link: https://www.eventbrite.com/e/talk-with-carolina-filippini-and-fernanda-correa-da-silva-tickets-1983164059086?aff=oddtdtcreator

Exposição: até 23 de maio de 2026

Local: Apexart

Endereço: 291 Church St. NYC

Funcionamento: de terça a sábado, das 11h às 18h

Entrada gratuita.

(Com Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)