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Capulanas Cia de Arte Negra inicia celebrações de seus 20 anos com “No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Cena de No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração. Fotos: Noelia Nájera.

Inspirado na cosmologia iorubá-nagô e nas experiências de mulheres negras, o espetáculo “No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração” transforma o ventre feminino em território de memória, ancestralidade e criação. A nova montagem da Capulanas Cia de Arte Negra realiza temporada gratuita entre os dias 03 de julho e 9 de agosto de 2026, passando pela Goma Capulanas, no Jardim São João; pelo Terreiro Ilê Axé Dará Omo Ofá Bebê, no Balneário Dom Carlos; e pelo Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na Vila Buarque. A circulação integra o projeto A Casa, o Terreiro e o Teatro, contemplado pela 44ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e concebido para dialogar com diferentes territórios de encontro, criação e ancestralidade.

Com direção de Olaegbé, que assina a dramaturgia ao lado das demais integrantes do grupo, a peça acompanha a trajetória de Capulanas, uma mulher negra que gesta um espetáculo dentro do próprio ventre. Orientada por Milagros, uma sensível médica afro-cubana, ela inicia uma busca pelos fragmentos de uma história coletiva de mulheres extraordinárias que ensaiaram, dia após dia, o nascimento de uma nova festa. Entre consultas médicas, memórias familiares e encontros com ancestrais, a obra costura temas como maternidade, violência obstétrica, apagamento histórico e resistência cultural.

A jornada é atravessada por personagens, entidades e figuras ancestrais que colaboram para esse nascimento coletivo, entre elas Tia Ma Monserrat, Maria Júlia Figueiredo, Maria Júlia da Conceição, Eleiê, Exu, Oshum, Oyá e Osá.

Concebida a partir da relação entre casa, terreiro e teatro, a circulação dialoga diretamente com as características de cada espaço. Na Goma Capulanas, sede da companhia, a encenação assume a atmosfera de uma casa antiga de mulheres negras. No Ilê Axê Dará Omo Ofá Bebê, a obra encontra o terreiro como território de ancestralidade, acolhimento e fortalecimento comunitário. Já no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, a arquitetura circular aproxima atrizes e espectadores, destacando a dimensão cênica e coletiva do encontro.

Um dos elementos centrais da encenação nasce do encontro entre a Capulanas Cia de Arte Negra e o artista beninense Barthélémy Hountchonou, reconhecido por seu trabalho na escultura de máscaras. Para a montagem, ele criou ventres de madeira vestidos pelas atrizes Adriana Paixão, Flávia Rosa, Débora Marçal, Sol Tereza e Beatriz Oliveira, transformando o corpo gestante em imagem cênica que conecta ancestralidade, criação e potência feminina.

Em atuação desde 2007, a Capulanas Cia de Arte Negra desenvolve uma pesquisa que coloca as experiências de mulheres negras periféricas no centro da criação artística. Em No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração, a companhia aprofunda investigações presentes em sua trajetória, aproximando espiritualidade, memória, saúde e ancestralidade afrodiaspórica. “Escolhemos bailar para o odu Osá Meji para lembrar às mulheres negras da importância do cuidado com a própria saúde, especialmente em relação às doenças ligadas ao ventre, ao útero, às pernas e às partes sanguíneas do corpo. Durante a pesquisa, percebemos a necessidade de incentivar essa comunidade a realizar exames e, ao mesmo tempo, fortalecer sua conexão com a ancestralidade”, comenta a diretora Olaegbé.

A figura de Milagros simboliza justamente a aproximação entre esses universos. “Ela é uma doutora do SUS e, ao mesmo tempo, um grande pássaro destinado a cuidar daquela barriga. Ao realizar esse parto, Capulanas entra em contato com mulheres que enfrentaram situações como a violência obstétrica ou o diagnóstico precoce da retirada do útero”, acrescenta.

A montagem também dialoga com o Gẹ̀lẹ̀dẹ̀, dança ritual do povo iorubá presente na Nigéria, no Benin e no Togo, dedicada à celebração das mães ancestrais. Nessa tradição, dançar como as ancestrais dançam é também um gesto de cura, permanência e celebração da vida.

Essa dimensão ancestral atravessa ainda o figurino, concebido por Débora Marçal, que utiliza as roupas como dispositivos dramatúrgicos. As atrizes vestem sucessivas camadas de saiotes confeccionados com capulanas — tecido estampado amplamente utilizado em países africanos — evocando as grandes mães e estabelecendo conexões simbólicas com diferentes linhagens femininas.

Na trilha sonora, executada por Mauricio Badé, Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou Yuri, referências do Candomblé e da Santeria dialogam com guitarras, samplers e sonoridades contemporâneas, ampliando o encontro entre tradição e presente que atravessa toda a encenação.

Sobre o Grupo Capulanas Cia de Arte Negra

A Capulanas Cia de Arte Negra é um coletivo de teatro negro feminino fundado em 2007, na zona sul de São Paulo, por Adriana Paixão, Debora Marçal, Flavia Rosa e Priscila Obaci. Sua trajetória teve início com o espetáculo Solano Trindade e suas Negras Poesias (2007–2009), obra que estabeleceu as bases de sua pesquisa artística a partir da potência da poesia negra brasileira.

O trabalho do grupo nasce da relação entre corpo, memória e território. Suas criações são construídas a partir das heranças ancestrais, das experiências vividas nas periferias urbanas e das múltiplas formas de resistência presentes no cotidiano. Em 2010, com Pé no Quintal, a companhia aprofundou a investigação sobre os territórios periféricos e suas dinâmicas culturais. Dois anos depois, ampliou essa pesquisa por meio do intercâmbio internacional Pé no Quintal de Moçambique, realizado em parceria com artistas africanos, e da criação de Sangoma – saúde às mulheres negras, espetáculo que se tornou referência ao abordar a saúde da mulher negra em diálogo com saberes ancestrais e contemporâneos.

Ao longo de sua trajetória, a Capulanas consolidou uma prática artística que compreende o teatro como produção de conhecimento. Suas obras funcionam como espaços de reflexão crítica sobre as estruturas raciais, de gênero e de classe que atravessam a sociedade brasileira.

A pesquisa desenvolvida pelo coletivo tem como eixo as espiritualidades afrodiaspóricas, os processos de cura, o prazer e os imaginários afrofuturistas, entendidos como dimensões interligadas de uma mesma investigação sobre o corpo negro feminino. Nesse percurso, o corpo é concebido como arquivo vivo, território de disputa e espaço de elaboração de futuros possíveis. Em 2014, com Sã da Cura ao Gozo, a companhia aprofundou as reflexões sobre cura e espiritualidade. Em 2016, com Ialodês – Trilogia da Mulher Negra: uma ficção afrofuturista, reafirmou a centralidade das mulheres negras como protagonistas da cena e do porvir.

Em 2012, a criação do Goma Capulanas marcou uma nova etapa da trajetória do grupo. Instalado no Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, o espaço consolidou-se como um polo de criação, formação e difusão cultural, ampliando a atuação da companhia para além da produção de espetáculos e fortalecendo sua presença no território.

Sinopse | Inspirada na cosmologia iorubá-nagô, a obra acompanha a trajetória de Capulanas, uma mulher negra que está gestando um espetáculo dentro do próprio ventre. Orientada por Milagros — uma sensível médica afro-cubana — Capulanas inicia uma travessia em busca de fragmentos de uma história coletiva de mulheres absolutamente fantásticas, que ensaiaram, dia após dia, o nascimento de uma nova festa. Entre consultas médicas, memórias familiares e encontros com ancestrais, o espetáculo costura temas como maternidade, violência obstétrica, apagamento histórico e resistência cultural.

FICHA TÉCNICA

Realização: Capulanas Cia de Arte Negra

Direção: Olaegbé

Dramaturgia: Olaegbé e Capulanas cia de Arte Negra

Elenco: Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa, Sol Tereza e Beatriz Oliveira

Direção de Arte: Débora Marçal

Cenografia: Studio Trânsito Ara – Débora Marçal e Olaegbé

Figurino: Studio Trânsito Ara – Débora Marçal

Criação de Máscaras: Barthélémy Hountchonou

Design de Luz: Dede Ferreira

Direção Musical: Mauricio Badé

Visagismo: Capulanas Cia de Arte Negra

Produção Administrativa: Fernanda Conceição

Produção Artística: Nicoly Soares – É tudo nosso Prod. e Olaegbé

Assistente de Produção: Larissa Góis e Kátia Patriota

Preparação Corporal: Carol Rocha Ewaci

Direção de Movimento: Verônica Santos

Preparação e Pesquisa Corporal: Deuses que dançam e Wellington Ngunga

Corpo-Voz Estudo de texto: William Simplício

Preparação de canto: Adriana Moreira

Execução e criação musical conjunta: Mauricio Badé, Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou Yuri

Operação de Luz: Dede Ferreira

Assistente de produção de figurino: Katia Patriota

Visagista: Claudia Andrade

Costureiras: Katia Patriota e Claudia Andrade

Cenotécnica: Kátia Patriota

Designer gráfico: Filipe Celestino

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Tradução e Interpretação em Libras: Mirian Caxilé – Assessoria em Acessibilidade.

SERVIÇO:

No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração

Duração: 80 minutos | Classificação indicativa: 12 anos

Gratuito | Ingressos: Plataforma Sympla

Dias 03, 04, 05, 11 e 12 de julho — Goma Capulanas

Rua José Barros Magaldi, 1121 — Jardim São Luiz, São Paulo/SP — CEP 05815-010

Horário: Sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h

Dias 17, 18, 19, 25 e 26 de julho — Terreiro Ilê Axê Dará Omo Ofá Bebê

Estrada Bem-Te-Vi, 3610 — Balneário Dom Carlos, São Paulo/SP — CEP 04947-000

Horário: Sexta a domingo, às 18h

Dias 05, 06, 07, 08, 09 de agosto — Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Rua Dr. Teodoro Baima, 94 — Vila Buarque, São Paulo/SP — CEP 01220-040

Horário: De quarta a sábado, às 20h e domingo, às 19h.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

“Prisma – Eu Sou Assim”: Espetáculo infantil apresenta temporada no Sesc Belenzinho

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo é uma aventura cheia de graça que se passa dentro e fora da cabeça de uma menina autista. Foto: Cacá Bernardes.

O Sesc Belenzinho recebe a partir do dia 4 até 21 de julho, a peça “Prisma – Eu Sou Assim”, com dramaturgia de Marcelo Romagnoli e direção de Cris Lozano. As apresentações acontecem aos sábados, domingos e feriados às 12h. Os ingressos estão disponíveis no portal sescsp.org.br e nas bilheterias físicas das unidades Sesc, a R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12 (Credencial Sesc).

Prisma – eu sou assim é uma aventura cheia de graça que se passa dentro e fora da cabeça de uma menina autista. A peça é o ponto de vista bem-humorado e inusitado desta criança e a plateia acompanha sua história: o nascimento, a infância, as relações familiares, a escola, as interações com os amigos e as primeiras descobertas da vida.

SERVIÇO:

Espetáculo Prisma – Eu Sou Assim

De 4 a 19 de julho. Sábados, domingos e feriados, às 12h. 

Local: Teatro (374 lugares). Duração: 60 min. Classificação: Livre.

Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada); R$ 12,00 (Credencial Plena); Crianças até 12 anos não pagam ingresso.

Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento: De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube: @sescbelenzinho.

(Com Priscila Dias/Sesc Belenzinho)

B3 e Instituto Inhotim lançam rota dedicada à arte brasileira

Brumadinho, MG, por Kleber Patricio

Iniciativa cria percurso de aproximadamente 10 km no Inhotim, conectando o público à produção artística nacional e valorizando o legado da arte brasileira. Foto: Divulgação/Inhotim.

A partir de julho, o aplicativo do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), contará com a Rota Artistas Brasileiros B3, uma iniciativa inédita entre a bolsa do Brasil e o museu que oferece um percurso cultural imersivo ao longo de aproximadamente 10 quilômetros, reunindo obras de artistas nacionais. A ação tem como objetivo valorizar o patrimônio cultural brasileiro e contribuir para a preservação de um legado que reflete a história e a diversidade do país.

A rota reúne 100% das galerias e obras a céu aberto dedicadas à produção artística brasileira, passando pelas três rotas do Inhotim (amarela, laranja e rosa). São mais de 20 galerias e obras de artistas nacionais, entre eles nomes como Hélio Oiticica, Lygia Pape, Cildo Meireles, Adriana Varejão, Dalton Paula, Luana Vitra, Arjan Martins e Rivane Neuenschwander. No aplicativo, o público tem acesso a um percurso que oferece um panorama da arte brasileira contemporânea, destacando diferentes trajetórias, linguagens e expressões que ajudam a construir o patrimônio cultural do país. As rotas também contam com audioguias, ampliando a acessibilidade e proporcionando uma experiência mais inclusiva para os visitantes.

“Na B3, acreditamos que investir em cultura é investir no Brasil. Ao lançar a Rota de Arte Brasileira B3, em parceria com o Instituto Inhotim, contribuímos para fortalecer o patrimônio cultural, ampliar o acesso à arte e garantir que esse legado continue inspirando as próximas gerações”, afirma Janaína Vilella, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da B3.

“O Inhotim tem um importante acervo no qual a produção de artistas brasileiros está presente. O roteiro com foco nessas obras, seja em galerias ou visitando obras a céu aberto, é uma oportunidade para o público conhecer artistas de diferentes gerações e poéticas”, comenta Deri Andrade, curador do Instituto Inhotim.

A rota propõe novos olhares sobre o acervo de Inhotim, incentivando o público a aprofundar seu contato com obras que refletem a pluralidade da produção artística brasileira. Ao percorrer esse conjunto de trabalhos, os visitantes têm a oportunidade de acessar diferentes perspectivas sobre a história, a cultura e as múltiplas identidades que compõem o país.

Sobre Instituto Inhotim

Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, o Instituto Inhotim nasce da interseção entre arte, natureza e educação. Nos 140 hectares que compreendem a sua área, a pessoa visitante caminha entre milhares de espécies de plantas de diferentes continentes e um acervo artístico composto por esculturas, instalações, fotografias, pinturas e muitos outros formatos artísticos de grandes nomes da arte contemporânea nacional e internacional. Devido à sua extensão e localização – entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado –, o Inhotim possibilita que artistas criem obras de forma singular e inovadora, além de viabilizar a exibição permanente de trabalhos em grande escala. É essa experiência integrada da criação artística, natureza, território, em uma programação sempre viva, que faz do Inhotim um lugar único no mundo. Aberto ao público desde 2006, o Instituto Inhotim já recebeu mais de 4 milhões e 400 mil pessoas e, atualmente, tem ingressos gratuitos em todas as quartas-feiras e no último domingo do mês.

(Fonte: B3)

“Formas Musicais”, a arte da escuta inteligente: desvendando a música sinfônica

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

O maestro Ricardo Rocha. Espaço Leia Brasil apresenta curso “Formas Musicais – Como conhecer e saber ouvir o pensamento musical”. Foto: Daniel Ebendinger.

Ouvir uma orquestra vai muito além de apreciar a beleza dos sons. Compreender os instrumentos, identificar os padrões e estruturas que organizam uma obra de concerto e transformar a experiência de escuta em uma descoberta do pensamento criativo do compositor revelam um novo olhar para quem deseja mergulhar neste universo. Essa é a proposta do curso “Formas Musicais”, ministrado pelo maestro Ricardo Rocha, fundador e diretor musical da Cia. Bachiana, que completa 40 anos de trajetória em 2026. Serão oito aulas, realizadas aos sábados, das 10h às 13h, na Escola de Música Villa-Lobos, com início em 18 de julho.

Formas Musicais investe na formação de novas plateias de todas as idades, voltando-se para os que querem compreender a linguagem da música de concerto em seu próprio discurso. Ele tem como foco a aprendizagem de uma audição musical inteligente não só para leigos e estudantes em geral, mas também para os professores e profissionais da música e outras artes, por meio de uma abordagem inédita no reconhecimento dos principais eventos musicais em meio à sua organização estrutural. “É um método capaz de oferecer um caminho para uma audição inteligente das grandes obras orquestrais em seus principais formatos, como suítes, aberturas, sinfonias, concertos solistas e poemas sinfônicos, formas consagradas que constituem o volume maior do repertório sinfônico da história de nossa música”, ressalta o regente Ricardo Rocha.

A cada aula haverá a análise de cinco das mais importantes e diferentes formas que a história da música produziu. Ao todo, serão 20 famosas obras da história da música, escritas nos séculos 18, 19 e 20 por 14 dos maiores compositores de todos os tempos, como Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Wagner, Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky, Grieg, Dvorák, Mussorgski, Debussy, Ravel, Sibelius, Bartók e Stravinsky. “O resultado desse método, que vem sendo desenvolvido há mais de 30 anos, surpreende pela experiência de uma audição completamente diferente, capaz de abrir novas vias de acesso ao entendimento e à fruição estética de obras-primas de grandes compositores”, destaca o maestro.

Programação das aulas:

Introdução: Breve história da música ocidental e das formas musicais 

Aula I – Suite, fonte para as diversas formas que nasceram depois

– Barroca (século 18): J. S. Bach, Suite n. 2 em si menor, BWV 1067

– Romântica (século 19): Grieg, Suite n.1 de Peer Gynt, opus 46

– Moderna sobre temática barroca (século 20): Stravinsky, Suite Pulcinella 

Aula II – Abertura, que nascida como introdução às Suites, com o tempo ganhou autonomia como peça de concerto

– Clássica (final do século 18): Mozart, abertura de A Flauta Mágica

– Programática (século 19): Wagner, abertura de Os Mestres Cantores

– Concertante (século 19): Rimsky-Korsakov, Abertura Páscoa Russa 

Aula III – Sinfonia Clássica, em 4 movimentos: exemplo de um movimento de cada

– Haydn, Sinfonia n. 39 em sol menor (I. Allegro assai))

– SchubertQuinta Sinfonia, em si bemol maior, D 485 (II. Andante con moto)

– Beethoven, Sinfonia n.8 em fá maior, opus 93 (III. Tempo di Menuetto)

– Mozart, Sinfonia n. 41, Júpiter, a “Zero” de Beethoven (IV, Molto allegro) 

Aula IV – Sinfonia Romântica, em 4 movimentos: apresentação completa e analisada de duas grandes representantes do Romantismo

 Beethoven, Sinfonia n. 3 em mi bemol maior, opus ‘Eroica”

– Tchaikovsky, Sinfonia n. 5, in mi menor op. 64

Aula V – Concerto Solista – um painel comparado da forma sonata

–  Introdução: a forma barroca Concerto Grosso em Bach, Concerto para dois Violinos

– Piano, Classicismo: Beethoven, Concerto n.3 em dó menor, 1º. movimento

– Violoncelo, Romantismo: Dvorák, Concerto n.2 em si menor, 1º. movimento

– Piano, Modernismo: Ravel, Concerto para Piano em sol1º. movimento

Aula VI – Poema Sinfônico 1 – Obras a serem analisadas:

– SibeliusFinlândia

– Debussy, L’après-midi d’um faune

– MussorgskiQuadros de uma Exposição (Ravel)

Aula VI – Poema Sinfônico 2, Encerramento: a análise detalhada e completa de:

– Gustav MahlerDAS LIED VON DER ERDE – “A Canção da Terra” 

Obra-prima e testamento musical do compositor, sobre poemas chineses do século VI, sobre a vida e seu ciclo na juventude, maturidade e despedida.

SERVIÇO:

Curso Formas Musicais

Palestrante: Maestro Ricardo Rocha

Período: sábados, de 18 de julho a 5 de setembro

Horário: 10h às 13h

Local: Escola de Música Villa-Lobos

Endereço: Rua Ramalho Ortigão, nº 9 – Centro – Rio de Janeiro (perto da estação de metrô Carioca)

Informações (Leia Brasil): 21- 98133-7880

Telefone Geral: 21 – 2505-9701

Realização: Espaço Leia Brasil.

(Com Cláudia Tisato/Matéria-Prima Comunicação e Arte)

“Divórcio”, peça sobre violência de gênero, estreia em ano que a Lei Maria da Penha completa 20 anos

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Espetáculo reúne documentos reais, histórias de mulheres e relatos de homens para refletir e propor diálogo sobre os atravessamentos da violência de gênero nas relações afetivas. Fotos: Marco Ankosqui.

O que aproxima uma mulher da elite paulistana em processo de separação nos anos 1980 de uma migrante nordestina presa a sucessivos relacionamentos abusivos? O que conecta essas histórias às dúvidas, contradições e experiências de mulheres e homens que vivem relacionamentos hoje? São vozes femininas que insistem em existir, apesar do silenciamento.

Essas perguntas atravessam “Divórcio”, espetáculo inédito criado a partir da parceria entre Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra na dramaturgia. Além de assinar a direção da montagem, Raissa divide a cena com Dina Alves, atriz e ativista, em uma temporada que acontece entre 3 e 26 de julho de 2026, no Complexo Cultural Funarte SP, em sessões às sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.

Construída a partir de documentos reais, pesquisa de campo e relatos de vida, a peça articula quatro narrativas que atravessam épocas, classes sociais e perspectivas distintas. Em cena, Maria Helena tenta compreender o fim de um casamento marcado pelo patriarcado. Maria Sansão busca escapar de uma estrutura opressora que parece se repetir a cada novo relacionamento. Outras duas mulheres contemporâneas compartilham inquietações sobre amor, trabalho, maternidade e autonomia. Enquanto isso, dois homens tentam entender seus próprios comportamentos e o lugar que ocupam dentro de uma sociedade ainda marcada pelo machismo. A peça aposta no enfrentamento dessas questões e no diálogo que pode haver na sociedade sobre os efeitos do patriarcado nas relações humanas.

O ponto de partida para a pesquisa e criação da peça foi a descoberta de um conjunto de cartas que documenta um doloroso processo de divórcio em uma família de classe média alta, em São Paulo, capital, na década de 1980. Ao entrar em contato com os documentos, a psicóloga Cecília Galvani descobriu no material um registro histórico das dinâmicas de poder que atravessam as relações de gênero e se perpetuam através de gerações. As cartas desencadearam uma ampla pesquisa sobre expressões do patriarcado e sua ressonância em diferentes classes sociais. A investigação envolve o público e o convida a refletir sobre facetas desta forma de violência social que oprime não apenas mulheres, mas pessoas de todos os gêneros – inclusive os homens.

Pesquisas e entrevistas

Ao longo de mais de dois anos, a equipe realizou entrevistas com advogados, psicanalistas, mulheres acolhidas em centros de referência e homens participantes de grupos reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha. Esses programas reúnem autores de violência doméstica encaminhados pela Justiça para atividades de responsabilização e reflexão sobre comportamentos violentos.

A dramaturgia criada por Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra foi construída a partir do encontro entre ficção, pesquisa documental e testemunhos reais de mulheres vítimas de violência. Entre as fontes está a história de Maria Corajosa, baseada em um relato publicado em Histórias de Marias, coletânea organizada pela União de Mulheres durante as ações de mobilização em torno da Lei Maria da Penha. O processo também dialoga com Melhor não contar (2024), de Tatiana Salem Levy, livro que transforma experiências de abuso, silêncio e trauma em narrativa literária. Ao incorporar essas referências, o espetáculo inscreve em cena vozes que atravessam diferentes gerações e contextos, evidenciando a persistência da violência contra as mulheres e as formas de enfrentá-la. “Queríamos retratar a violência de gênero em diferentes épocas e condições sociais, mas também encontrar uma forma de dialogar com os homens e convidá-los a se implicarem nessa discussão”, afirma Raissa Gregori.

Em cena, as atrizes transitam por múltiplos personagens, tempos históricos e registros de atuação. Ambas, Dina e Raissa, conduzem o público por uma estrutura fragmentada que aproxima memória, documento, ficção e testemunho, revelando como determinadas formas de violência se transformam ao longo do tempo sem necessariamente desaparecer.

20 anos da Lei Maria da Penha

A estreia acontece em um momento simbólico. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de vigência. Considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica no Brasil, a legislação criou mecanismos de proteção às mulheres e ampliou a responsabilização dos agressores. O período também coincide com a implementação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, iniciativa que articula ações entre diferentes esferas do poder público para reduzir os índices de violência letal contra mulheres.

Sem oferecer respostas simples, Divórcio propõe um encontro entre histórias íntimas e questões coletivas, convidando o público a refletir sobre amor, poder, heranças familiares e os modos pelos quais a violência continua a se reproduzir — e a necessidade de ser enfrentada — nas relações contemporâneas.

O projeto de Divórcio foi contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de São Paulo (ProAC).

Sinopse | No início dos anos 1980, diante da recém-aprovada Lei do Divórcio, Maria Helena Silva, uma mulher de classe alta, busca se fazer compreender pelo marido através de cartas, durante um processo de separação. Maria Sansão Silva, mulher de classe baixa, tenta se salvar de uma trama repetitiva em que maridos agressores se sucedem e substituem. Nos dias de hoje, duas amigas conversam online enquanto dão conta de tarefas domésticas, maternais e de trabalho, deflagrando permanências do patriarcado numa vida moderna — enquanto dois amigos, no bar, tentam entender as mulheres e conversam sobre seus próprios aprendizados e sobre o papel deles numa sociedade machista.

Ficha Técnica

Dramaturgia: Alexandre Dal Farra e Raissa Gregori

Atuação: Dina Alves e Raissa Gregori

Direção: Raissa Gregori

Pesquisa: Cecília Galvani e Eleonora Nacif

Cenografia: Valdy Lopes

Iluminação: César Pivetti

Audiovisual: Outras Palavras

Preparação corporal: Lucas Brandão

Desenho de som: Daniel Fonseca

Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação

Produção e realização: Corpo Rastreado

Direção de produção: Marcella Guttmann

Produção executiva: Bento Carolina

Idealização: Cecília Galvani

Siga o Instagram da peça @divorcioapeca.

SERVIÇO:

Divórcio

Data: 3 a 26 de julho de 2026, às sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.

Local: Complexo Cultural Funarte SP – Sala Carlos Miranda – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo, SP

Ingresso: R$ 50 (inteira) e R$25 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), vendidos pela Sympla aqui: https://www.sympla.com.br/evento/divorcio-funarte-sp/3467649

Telefone: (11) 95078-3004

Duração: 90 minutos

Classificação: 12 anos.

(Com Daniele Valério /Canal Aberto Comunicação)