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Festival Imersivo das Favelas abre espaço para trabalhos tecnológicos de jovens negros e indígenas

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Em 12 de agosto é celebrado o Dia Internacional da Juventude e, por isso, durante todo o mês surgem iniciativas para dar oportunidades e atender interesses desse público. Uma delas é o Festival Imersivo das Favelas, que terá sua primeira edição em formato online e gratuita, com o objetivo de amplificar vozes de artistas e VR filmmakers negros e indígenas de periferias e zonas rurais de todo o Brasil.

A chamada para submissão dos projetos que remixam artes visuais e tecnologias imersivas vai até o dia 18 de agosto e deve ser feita pelo Google Formulário. Para participar, os jovens devem ter de 17 a 30 anos e estar desenvolvendo trabalhos contemporâneos como projeção mapeada, 360º, 3D, programação, animação ou games, levando em consideração a estética afrofuturista. Podem se inscrever artistas de todas as regiões do país, desde que sejam indígenas ou negros e moradores de periferias e zonas rurais.

Durante todo o mega evento, a proposta é potencializar a atuação revolucionária de jovens inovadores que trabalham com tecnologias sociais, ancestrais, low tech e high tech. Com produção e estética afrofuturista da produtora Sete Léguas em parceria com a escola GatoMÍDIA e Coletivo Papo Reto, os participantes poderão acompanhar talk shows e workshops ao vivo para aprender sobre as diferentes vertentes da realidade virtual, cinema e arte contemporânea por meio de uma plataforma digital em 360° que simula o contato presencial. O evento será aberto ao público em geral, sem necessidade de inscrição prévia e submissão de trabalhos.

“Queremos a participação de jovens artistas que trabalham com cinema, música ou tecnologia. Eles podem ter feito faculdade, curso técnico ou aprendido a mexer com tecnologia e artes por serem curiosos. Também são bem-vindos aqueles que já tentaram participar ou participaram de algum projeto da Lei Aldir Blanc e queiram mostrar seu trabalho para o mund”, complementa João Inada, criador do documentário Na Pele VR‘ e fundador do coletivo Sete Léguas.

Em sua edição de estreia, que acontece nos dias 27, 28 e 29 de agosto, o FIF terá como obra principal a experiência Na Pele VR, primeiro documentário em realidade virtual interativo produzido no Complexo do Alemão, que foi estreado no IDFA – Doc lab Competition for Digital Storytelling 2020 e teve apresentação ilustre no festival South by Southwest, em Austin, no Texas. “A ideia após a criação do Na Pele VR era fazer uma grande aparição no Brasil para chamar outros jovens negros e indígenas de periferias do Brasil a apresentarem suas produções visuais imersivas. Nós queremos ser um canal para abrir portas para esses artistas, que são capazes de transformar a sociedade a partir de suas vivências e projetos”, explica a fundadora da GatoMÍDIA, Thamyra Thâmara.

O evento tem apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil e da FordFoudation, que desde o desenvolvimento do documentário no Morro do Alemão ajudam a financiar projetos que saem das periferias. Para complementar a experiência dos participantes, grandes personalidades engajadas em causas sociais confirmaram presença; entre eles, o DJ Rennan da Penha e o criador da Batekoo Brasil, Mauricio Sacramento. Além disso, também integram o FIF Nina da Hora, referência do afrofuturismo, a ativista e comunicadora indígena Alice Pataxó, curadores de arte e designers da África do Sul e Senegal, como Dan Minkar e Thokozani Madonsela, entre outros convidados.

Em uma das mesas do festival, intitulada Favela AGORA, Rennan da Penha, Alice Pataxó, Raull Santiago, junto à multiartista e fundadora do Afrofunk Rio,Taisa Machado e à comunicadora e ativista Tiê, vão debater as possibilidades de desenvolvimento da arte, a partir das novas tecnologias e os alcances globais que elas têm. Confira a programação na íntegra.

“O time de apoiadores tem o propósito de inspirar, neste período de pandemia, jovens artistas e ajudá-los a realizar sonhos. Nadando contra as perspectivas de vida que apontam aos favelados, queremos dar oportunidades a adolescentes e adultos que têm medo da violência policial, de não conseguirem ajudar a família e de não poderem se sentir realizados com as coisas que gostam de fazer”, aponta Raull Santiago, fundador do Coletivo Papo Reto, que atua no Complexo do Alemão, e um dos idealizadores do FIF.

Assista ao trailer de Na Pele VR aqui.

Sobre os idealizadores do FIF

João Inada é diretor, produtor e criador de conteúdo imersivo. Diretor do Na Pele e Mestre pela Universidade de Columbia em jornalismo, Inada é fundador da Sete Léguas Filmes, uma produtora especializada em criar conteúdo e campanhas de impacto social e ambiental. Atualmente é integrante do Gabinete dos Bichos, um coletivo de jornalistas, ambientalistas e indígenas que produz conteúdo com foco político-ambiental.

Raull Santiago é comunicador, fundador do Coletivo Papo Reto, um dos 50 profissionais mais criativos do Brasil pela revista WIRED (2020). Gestor de projetos sociais do terceiro setor, produtor cultural e audiovisual, consultor de marketing, ativista pelos direitos humanos, mudanças climáticas, negritudes, vida na favela e empresário – CEO da Agência Brecha – Hub de Favela.

Thamyra Thâmara é jornalista, roteirista, produtora de narrativas 360º e doutoranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolve pesquisa sobre afrofuturismo, blackness e produção de visualidades anticoloniais. Thamyra é fundadora do GatoMÍDIA, rede e metodologia de aprendizado em mídia e tecnologia para jovens negres e moradores de favelas e periferias de todo o Brasil. Além disso, dirigiu e roteirizou os curtas Mulheres Negrias na Política e Descolonize o Olhar, exibido na Assembleia Geral da ONU em 2019. E fez parte da sala de roteiro do primeiro documentário em realidade virtual em favela Na Pele VR, selecionado para o IDFA – International Documentary Filmfestival Amsterdam e SXSW Film Festival.

Convidados do Continente Africano

Jumoke Sanwo (Nigéria) – é uma contadora de histórias, interlocutora cultural e diretora criativa da Incubadora de Arte Rotativa, um espaço de arte alternativa em Lagos, Nigéria. Como contadora de histórias, trabalha com o meio de Fotografia, Vídeo, Arte, Cinema e Realidade Virtual. Ela envolve as realidades e complexidades da espacialidade/temporalidade nas sociedades pós-coloniais, refletindo sobre auto percepção e separação, experimentada através tempo e espaço. As suas obras têm sido expostas em galerias, museus e festivais em muitas regiões de todo o mundo.

Thokozani Madonsela (África do Sul) – é um artista de mural, pintor e tipógrafo. Madonsela é especializada em diferentes meios, como desenhos a carvão, pintura e arte em mosaico. Participou de várias exposições coletivas, como a SA Taxi Foundation Art Awards e Absa L’Atelier, para citar alguns; ele também esteve envolvido em projetos especiais e comissões.

Mohammed Blakk (Gana) – é artista criativo e empresário de Gana que fundou a marca de roupas de rua Afronative, em 2014, patrocinada por nomes como King Promise e Adjoa Aboah. Em 2019, ele foi selecionado como uma das várias pessoas de cor pela BET para o projeto Artist in Residency (Air) específico do Instagram da rede. Ele é creditado como o artista corporal para o episódio Black is King de Beyoncé, filmado em Gana.

Bibi Seck (Senegal) – é co-fundador do premiado estúdio de design e inovação Birsel+Seck e fundador do Dakar Next, um estúdio-laboratório de design em Dakar, Senegal. Bibi nasceu em Paris e passou os seus anos formativos em Londres, Paris e Dakar. Recebeu o seu mestrado em design industrial em 1990 da ESDI, Paris. Antes de se mudar para Nova Iorque em 2003, Bibi foi designer líder na Renault durante 12 anos e tem uma vasta experiência em materiais e fabrico e orientação de grandes equipes de design por meio de problemas complexos. Bibi Seck liderou as equipas de design de interiores para vários veículos de produção, incluindo os Scenic I, Twingo II, Trafic, e Scenic II. Scenic I (1996) e Trafic (2002) ganharam os prémios Carro do Ano da imprensa comercial europeia. Enquanto esteve na Renault, Bibi desenhou o relógio Micrográfico F1 para Tag Heuer, ganhando o prestigioso Prix d’Horlogerie de Genève 2002.

Kombo Chapfika (Zimbábue) – artista visual multidisciplinar, nascido e criado em Harare, Zimbabué. Artista maioritariamente autodidata, tem trabalhado em animação, publicidade, radiodifusão, web desenvolvimento e belas artes. O seu trabalho explora a mutação da cultura africana contemporânea, à medida em que esta se adapta à modernidade e à interconectividade tecnológica. Cria arte que exprime o imenso potencial e a realidade do Zimbabué e da África em geral.

Brian Afande (Quênia) – é co-fundador e diretor executivo BlackRhino VR. Como um dos primeiros africanos a adotar a experiência XR, acredita que democratizar o acesso a estas tecnologias é a chave para construir a consciência em torno do potencial que os jovens em África podem alcançar. É seu desejo sincero que, por meio da criação de sinergias, parcerias e colaborações, possam-se equipar os jovens africanos para serem os inovadores e inventores da XR do futuro.

Serviço:

Dia do evento: 27, 28 e 29 de agosto de 2021

Início da submissão de projetos: até 18 de agosto de 2021

Link para submissão de projetos: aqui

Preço: gratuito para jovens artistas e para a população em geral, que poderá acompanhar a programação através do site do FIF. Aqueles que não forem submeter projetos, não necessitam de inscrição prévia no evento.

“Quadrilátero” estreia no CCBB São Paulo reunindo músicos sob curadoria de Leo Gandelman

São Paulo, por Kleber Patricio

Leo Gandelman (ao centro) com o Quadrilátero Percussão. Foto: DuHarte Fotografia.

Quatro dias de apresentações, quatro encontros de artistas, quatro famílias de instrumentos — essa é a essência de Quadrilátero, projeto que nasceu em 2012 e retorna aos palcos do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) em quatro cidades e chega a São Paulo em 12 de agosto, depois de passar com sucesso pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Idealizado por Léo Gandelman com apoio do produtor cultural Pablo Castellar, o projeto reúne, a cada dia, quartetos de feras da música brasileira em encontros singulares.

A cada apresentação – 12 a 15 de agosto, quinta-feira e sexta-feira às 19h e sábado e domingo, às 17h –, quartetos de diferentes famílias de instrumentos ganham destaque. Os convidados são Pretinho da Serrinha, Robertinho Silva, Marcos Suzano e Marcelo Costa, na percussão (dia 12/8); Leo Gandelman, Nivaldo Ornelas, Mauro Senise e Zé Carlos Bigorna no sax e instrumentos de sopro (dia 13/8); Henrique Cases, Rogério Caetano, Luis Barcelos e João Camarero nas cordas dedilhadas (dia 14/8) e, fechando o circuito (dia 15/8), Janaina Salles, Joanna Bello, Inah Kurrels e Jocelynne Huiliñir Cárdenas nas cordas.

Leo Gandelman. Foto: Cafi.

O público terá a oportunidade de conferir o talento individual de cada artista e participar do encontro do quarteto, todos tocando juntos. Leo Gandelman atua como anfitrião e faz participações especiais em todos os espetáculos, marcados para 19h de quinta-feira e sexta-feira e, aos sábados e domingos, às 17h. Ao final do espetáculo dedicado a Cordas Dedilhadas, no dia 14 de agosto, haverá uma conversa de meia-hora com o público para aprofundar o debate sobre a carreira dos músicos e falar sobre a intrínseca relação do artista com a música. Também dentro da programação, o idealizador e curador do Quadrilátero, o músico Léo Gandelman, fará uma masterclass com duração de uma hora aberta ao público, no dia 15 de agosto, às 15 h.

“Desde o começo da pandemia, tenho tocado sozinho, em casa, compondo, treinando. Acordo todo dia motivado pela ideia de aprender mais, do meu encontro diário com o instrumento. Mas sinto muita falta da troca com outros músicos, da troca com o público. Sei que todos os músicos envolvidos no projeto sentem o mesmo. Desde os primeiros ensaios no Rio, temos conversado e a troca tem sido emocionante”, conta Leo Gandelman. “Estamos provocando encontros de músicos que estão tocando juntos pela primeira vez neste projeto. É um encontro de confiança, e confiança é fundamental para a música fluir. Estamos muito felizes de levar esse encontro para o CCBB São Paulo”.

“Estamos seguindo todos os protocolos estabelecidos pelas autoridades locais e a Organização Mundial da Saúde para a convivência nos bastidores e no palco. E o CCBB, que voltou a abraçar o Quadrilátero, é extremamente cuidadoso com o respeito às normas para a plateia. É um grande privilégio poder participar desse retorno aos palcos de artistas dessa grandeza”, explica Pablo Castellar.

Depois de São Paulo, o Quadrilátero segue para o CCBB de Brasília.

O Quarteto de Cordas Dedilhadas. Foto: Cyntia C. Santos.

Sobre a temporada no CCBB São Paulo | O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo funciona todos os dias, das 9h às 18h, exceto às terças. O CCBB está adaptado às novas medidas de segurança sanitária: entrada apenas com agendamento online (eventim.com.br), controle da quantidade de pessoas no prédio, fluxo único de circulação, aferição de temperatura, uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool gel e sinalizadores no piso para o distanciamento, o serviço de guarda-volumes está suspenso. São disponibilizados apenas 2 ingressos por CPF para o dia e horário agendado. No teatro, a capacidade foi reduzida e não há previsão de fila de espera por desistência. Os ingressos devem ser comprados com antecedência on-line ou na bilheteria do CCBB. Antes e entre cada apresentação, há higienização completa do espaço.

Serviço:

Quadrilátero 2021

Dia 12 de agosto, às 19h – Percussão: Pretinho da Serrinha, Marcos Suzano, Marcelo Costa e Robertinho Silva. Tema: Da África às Américas

Dia 13 de agosto, às 19h – Sax – Leo Gandelman, Mauro Senise, Zé Carlos Bigorna, Nivaldo Ornelas. Tema: Ary Barroso e Moacyr Santos

Dia 14 de agosto, às 17h – Cordas dedilhadas: Rogério Caetano, Luis Barcelos, João Camarero, Henrique Cases. Tema: Choro e Afro Sambas

Dia 15 de agosto, às 15h – Masterclass com Leo Gandelman

Dia 15 de agosto, às 17h – Cordas: Janaina Salles, Joanna Bello, Inah Kurrels, Jocelynne Huiliñir Cárdenas. Tema: Radamés Gnattali, Astor Piazzolla e Villa-Lobos.

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico, Triângulo SP, São Paulo-SP

Aberto todos os dias, das 9h às 18h, exceto às terças

Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô

Informações: (11) 4297-0600

Estacionamento conveniado: Rua da Consolação, 228 (R$14 por seis horas, necessário validar ticket na bilheteria). Uma van faz o traslado gratuito entre o estacionamento e o CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República.

ccbbsp@bb.com.br | ccbb.com.br | twitter.com/ccbb_sp | facebook.com/ccbbsp | instagram.com/ccbbsp

Entrada:

R$30,00 (inteira) / R$15,00 (meia)

A venda de ingressos ocorre através do site da Eventim

Teatro trabalhando com lotação limitada, máximo de 45 pessoas presenciais.

Exposição “OSGEMEOS: Segredos” segue da Pinacoteca de São Paulo para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba

Curitiba, por Kleber Patricio

Os gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo. Foto: divulgação.

A Pinacoteca de São Paulo anunciou na sexta-feira (6) que a exposição OSGEMEOS: Segredos seguirá para Curitiba e poderá ser visitada no Museu Oscar Niemeyer (MON) a partir de setembro de 2021.

Na capital Paulista, OSGEMEOS: Segredos, com curadoria do diretor-geral da Pinacoteca, Jochen Volz, impactou mais de 511 mil pessoas, contando as ações online e as visitas presenciais. A mostra liderou o interesse pelas atividades culturais em São Paulo desde seu início, em 15 de outubro de 2020. Os ingressos esgotavam minutos após serem disponibilizados e a programação segue “sold out” até 9 de agosto de 2021, último dia da exibição na Pina. Durante todo o período, a Pinacoteca operou com restrições de atendimento e seguiu todos os protocolos de higiene e segurança do Plano São Paulo de combate à Covid-19, o que limitou a capacidade de atendimento. Mesmo assim, mais de 179 mil visitantes passaram pelos espaços da mostra e puderam apreciar o trabalho dos irmãos presencialmente.

Exposição “OSGEMEOS: Segredos”. Foto: Isabella Matheus.

Por conta do êxito da exposição, OSGEMEOS: Segredos foi prorrogada duas vezes e um tour virtual foi lançado para que o público de outros países e estados pudesse ter acesso à trajetória e aos trabalhos da dupla de artistas. O número de acessos à experiência virtual em 360º da mega exposição já supera os 122 mil. Clique aqui e veja.

Ainda por conta da exposição, outros projetos foram desdobrados para atingir novos públicos, tudo transmitido de forma online. Dentre as ações, está a série audiovisual Segredos, idealizada pelos artistas OSGEMEOS, sobre a essência e perspectivas do hip hop paulista, com mais de 126 mil visualizações no YouTube do museu. A produção conta com 4 episódios de aproximadamente 20 minutos cada. Os vídeos aproximam os telespectadores do universo criativo dos irmãos e têm a intenção de incentivar outros jovens brasileiros a conhecerem e se aproximarem das manifestações artísticas de rua e seguir na busca de sua própria identidade, podendo até mesmo transformar a sua realidade. Assista a série completa.

Devido à pandemia, as visitas educativas das escolas a Pinacoteca organizadas pelo NAE (Núcleo de Ação Educativa) ficaram suspensas. Para suprir esse viés educativo, um vídeo com OSGEMEOS apresentando a mostra foi produzido e disponibilizado no canal do Youtube do museu e já alcança a marca de 73 mil visualizações. O material é voltado para professores e alunos, mas todos podem assistir. Confira aqui.

Foto: Isabella Matheus.

Já as lives, com a participação do curador Jochen Volz e dos artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, tiveram uma audiência de cerca de 11 mil pessoas.

OSGEMEOS: Segredos na Pina | Na Pinacoteca de São Paulo, a exposição contou com mais de 1000 itens do rico imaginário d’OSGEMEOS. O duo apresentou pinturas, instalações imersivas e sonoras, esculturas, intervenções site specific, desenhos e cadernos de anotações. O corpo de obras ocupou as sete salas de exposições temporárias do primeiro andar, um dos pátios e o hall, além de uma instalação concebida especialmente para o Octógono do museu.

Catálogos | Dois catálogos bilíngues, em português e em inglês, foram produzidos. O primeiro inclui apresentação do diretor-geral da Pinacoteca, Jochen Volz, textos inéditos de Julia Flamingo e de Paulo Portella, além de imagens de obras da exposição e de outros projetos. O segundo apresenta vistas da mostra na Pinacoteca de São Paulo. Os dois estão à venda na loja presencial e virtual do museu que pode ser acessada em Pina loja. As publicações são os produtos mais solicitados da coleção d’OSGEMEOS superando mais de 9 mil unidades vendidas.

Serviço:

OSGEMEOS: Segredos

Curadoria: Jochen Volz

A partir de setembro de 2021 no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, Paraná

Pinacoteca de São Paulo

De 15/10/2020 a 9/8/2021

Ingressos esgotados

Mais de 511 mil pessoas impactadas.

Sobre OSGEMEOS | Projetos recentes da dupla incluem exposições individuais em: Frost Art Museum (Nashville, 2019), Hamburger Bahnhof (em colaboração com Flying Steps) (Berlim, 2019), Mattress Factory (Pittsburgh, 2018), Pirelli HangarBicocca (Milão, 2016), Museu Casa do Pontal (Rio de Janeiro, 2015) e ICA – The Institute of Contemporary Art (Boston, 2012). Suas obras integram coleções importantes ao redor do mundo, como: MOT (Tóquio), Franks-Suss Collection (Londres), MAM-SP (São Paulo), Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo), Museu Casa do Pontal (Rio de Janeiro).

#EmCasaComSESC apresenta Camilo Carrara Quarteto em “Microcosmo SP”

São Paulo, por Kleber Patricio

Crédito das fotos: Tiago Sormani.

Terça-feira é dia de música instrumental na programação Música #EmCasaComSesc e do Instrumental SESC Brasil. No dia 10/8, o Teatro Anchieta, no SESC Consolação, recebe o show Camilo Carrara Quarteto – Microcosmo SP. Acompanhado pelos músicos Luca Raele (clarinete e piano), Nath Calan (bateria, percussão e vibrafone) e Tiago Sormani (flauta, sax e teclado), o violonista Camilo Carrara (violão de nylon e de aço) sobe ao palco para mostrar Microcosmo SP, seu projeto em homenagem à diversidade sonora e cultural de São Paulo.

O trabalho é formado por composições autorais que retratam o universo musical do artista – marcado pelas andanças por salas de concertos, serestas, rodas de samba e choro, bares de jazz, baladas eletrônicas e forrós, entre outras paisagens sonoras da cidade. Além da variedade de linguagem das composições, apresenta o violão em algumas de suas múltiplas possibilidades: com os diferentes timbres das cordas de nylon e aço, como instrumento solista ou acompanhante, com efeitos eletrônicos ou como instrumento de percussão.

O repertório do show reúne músicas do recente projeto de Carrara, além de composições de trabalhos anteriores, a exemplo de Suíte Canção do Sol Nascente (Momiji/Sakura/Furusato), Matutina, ValsaWabi Sabi e Sampa_Toquio_Viena.

Camilo Carrara é violonista, multi-instrumentista, arranjador, compositor, professor, consultor de sound branding e tecnologia musical, diretor e produtor musical. Transita no cenário musical entre os universos da música erudita e popular. Atualmente é professor da graduação da Faculdade Cantareira, da Pós-Graduação da Faculdade Santa Marcelina e consultor Artístico-Pedagógico da Sustenidos – Organização Social de Cultura, em São Paulo. Também é artista em residência e professor de violão do Nacional Music Festival, em Chestertown, Maryland (Estados Unidos). Atua como músico convidado e solista junto à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Orquestra Municipal de São Paulo (OSM), Banda Sinfônica do Estado de São Paulo e Het Spectra Ensemble (grupo belga de música contemporânea), entre outros. Participou de gravações, shows e concertos no Brasil e exterior, ao lado de nomes como Akira Inoue, Alaíde Costa, Carmina Juarez, Cida Moreira, Eugénia Melo e Castro, Johnny Alf, José Miguel Wisnik, Masako Kawamura, Mônica Salmaso, Sue Metthewse e Zizi Possi. Sua discografia consiste em mais de 80 CDs, entre colaborações e trabalhos solos. Na área da criação, destacam-se suas trilhas para dança, TV, cinema, teatro e publicidade.

No ar desde abril de 2020, o #EmCasaComSesc segue em 2021 com uma programação diversificada de espetáculos ao vivo na internet. São shows, apresentações de teatro e dança, e espetáculos para crianças e famílias, sempre mesclando artistas e companhias consagrados no cenário brasileiro com novos talentos. As transmissões acontecem de terça a domingo, às 19h, no Instagram SESC Ao Vivo e no YouTube SESC São Paulo, exceto a apresentação para crianças, aos sábados, que ocorre às 15h.

As transmissões são majoritariamente realizadas diretamente das unidades do SESC São Paulo, sem presença do público no local e seguindo todos os protocolos de segurança de prevenção à Covid-19. Além dos palcos, alguns trabalhos são transmitidos a partir da casa ou do estúdio dos artistas. Tudo em conformidade com as medidas estipuladas pelo Plano São Paulo.

Nuno Ramos apresenta releitura cênica de “Iracema, uma Transa Amazônica” no SESC Avenida Paulista

São Paulo, por Kleber Patricio

“Iracema Fala”. Foto: Ricardo Ferreira.

Entre os dias 13 e 15 de agosto, o SESC Avenida Paulista será palco da estreia de Iracema Fala, performance que integra o projeto A Extinção É Para Sempre, de Nuno Ramos — trabalho multilinguagem idealizado pelo artista e realizado pelo SESC São Paulo com apoio do Goethe-Institut. O público poderá acompanhar a performance ao vivo de forma virtual por meio dos canais do Instagram do SESC Ao Vivo e YouTube do SESC SP (sexta) e canais do SESC Avenida Paulista (sábado e domingo).

O trabalho é uma releitura cênica de Iracema: Uma Transa Amazônica, filme de 1976 de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, que agora inverte os papéis. Quem comanda a cena é a atriz Edna de Cássia, que interpretou a protagonista do longa — a personagem é uma indígena que se esquece de suas origens e segue num percurso de prostituição, abusos e decadência.

“Iracema Fala”. Foto: Ricardo Ferreira.

Edna, que era adolescente quando participou da obra, chegou a vencer o prêmio de atuação no Festival de Brasília, mas nunca mais filmou. Nesta releitura, é a atriz quem dirige, interferindo, paralisando, mandando repetir, comentando — criando, em suma, sua própria versão da história.

Chama | O projeto A Extinção É Para Sempre está com inscrições abertas para o público participar da obra Chama. Criada como um monumento virtual de luto, uma chama eterna e ininterrupta em memória aos mortos que permanecerá acesa durante um ano, a obra agora está aberta a colaborações de pessoas públicas ou anônimas, artistas, coletividades ou instituições do mundo inteiro. Por meio do formulário de inscrição disponível no site SESCsp.org.br/aextincaoeparasempre, o público opta por uma data e horário para transmitir sua chama, que pode ser produzida da forma que preferir e transmitida ao vivo pela plataforma do projeto.

A ideia dessa alternância de chamas é utilizar o fogo como um ritual e também um chamado, uma convocação geral ao luto, à pausa e à dignificação de cada perda. Como explica Nuno Ramos, “Chama é um memorial aos mortos”. Há um fogo principal — a “chama-mãe”, criada pelo artista —, que nunca se apaga, instalado no SESC Avenida Paulista. A obra está sendo transmitida ao vivo no site do projeto desde o dia 25 de maio desse ano, no mesmo espaço virtual onde serão veiculadas as demais chamas.

A Extinção É Para Sempre | Trata-se de um projeto que une diversas linguagens artísticas e busca expressar uma resposta urgente às incertezas do presente: o momento político e social e a situação pandêmica que o mundo atravessa. O projeto multilinguagem e inédito é idealizado pelo artista, compositor, diretor e escritor Nuno Ramos e realizado pelo SESC São Paulo com apoio do Goethe-Institut. Organizado em sete episódios e com colaboração de nomes das artes visuais, da dança, do teatro, da música e do cinema, o laboratório teve início em janeiro de 2021 e seguirá com desdobramentos ao longo de um ano.

“Iracema Fala”. Foto: Ricardo Ferreira.

“Estamos vivendo um misto de queda sem fim com ataque por todos os lados. O projeto é uma tentativa de reagir, com balas múltiplas, a um ataque múltiplo, de manter a linguagem viva em vários níveis”, afirma Nuno Ramos. “É também uma forma de fazer arte ‘a quente’, uma produção em movimento que vá contra o atual estado de apatia e responda aos assuntos que percorrem o espaço público hoje — como o luto, a violência, a ameaça às instituições e a relativização da nossa história”, completa.

“Em meio à imprecisão e complexidade do momento atual, realizar tal proposta com apoio do Goethe-Institut é matizar possibilidades para uma travessia coletiva mais acolhedora, abastecida pelas múltiplas camadas que envolvem o fazer artístico-cultural e as descobertas infindas que a arte proporciona”, reflete Danilo Santos de Miranda, diretor do SESC São Paulo. Configurado como um laboratório artístico, o projeto tem promovido diálogos sobre as proposições com artistas de diversas origens e linguagens, como a escritora Noemi Jaffe, o cineasta Jorge Bodanzky, a diretora Tarina Quelho, a atriz Edna de Cássia, o coreógrafo Eduardo Fukushima e o encenador Antonio Araújo.

Nuno, que costuma trabalhar com diversos registros, explica que, aqui, o instinto “foi logo ir juntando muita gente. Temos de fazer, na cultura, o que a representação política não tem conseguido fazer, que é uma abertura, uma capacidade de contaminação entre o que pareceria incongruente. Isso tudo tem de somar agora, mostrar a força que as diferenças têm quando pisam num mesmo chão”, ele pontua.

“Iracema Fala”. Foto: Ricardo Ferreira.

Em cada um dos sete episódios, a equipe artística é reorganizada. Há participações pontuais e também um núcleo que perpassa todo o projeto. Ele é composto por Tarina Quelho, coreógrafa e diretora Tarina Quelho, o músico Romulo Fróes e os performers Allyson Amaral, Tenca e Leandro Souza. Esse grupo fixo, que nasceu de uma busca por novas parcerias, também irá ajudar a criar um diálogo entre todas as obras. “As ideias são muito diferentes entre si, mas formam um todo, e a gente vai carregando as ideias de um episódio para outro”, explica Nuno.

Os três primeiros episódios, o monumento virtual Chama e as performances Chão-Pão e Os Desastres da Guerra podem ser vistos pelo site do projeto (SESCsp.org.br/aextincaoeparasempre). Já os próximos trabalhos — Monumento, Helióptero e A Extinção É Para Sempre — seguem em desenvolvimento no laboratório artístico e seus desdobramentos públicos estarão sujeitos às possibilidades de interação que as mudanças no contexto da pandemia venham a permitir nos próximos meses.

Ficha técnica – Iracema Fala

Criação e direção: Nuno Ramos

Com: Edna de Cassia, Allyson Amaral, Joy Catharina, Gilda Nomacce, Giovanna Monteiro, Tenca

Sonoplastia ao vivo: Ricardo Chuí

Assistência de direção: Vicente Antunes Ramos

Direção de Arte: Eduardo Climachauska

Direção técnica: André Boll

Desenho e operação de luz: Wagner Pinto

Projeto cenográfico: William Zarella Jr.

Direção de palco: Carolina Bucek

Produção de figurino: Victoria Constantino

Criação de Figurino Edna de Cassia: Angélica Chaves

Sonoplastia e Consultoria audiovisual: Rodrigo Gava e Daniel Maia

Assistente técnica e operação de vídeo: Giovanna Kelly

Direção de filmagem: Pedro Nishi

Steadycam: Daniel Lupo

Execução cenográfica: Pará Movimentos

Assessoria jurídica: José Augusto Vieira de Aquino

Assistência de assessoria jurídica: Paula Malfatti

Produção executiva: Giovanna Monteiro, Luiza Alves e Paulo Gircys

Direção de produção: Marisa Riccitelli Sant’ana e Rachel Brumana

Gestão e Produção: Superfície de Eventos

Realização: SESC SP

Apoio: Goethe-Institut

Trechos de diálogos apresentados neste espetáculo constam originalmente em “Iracema Uma Transa Amazônica”, filme de Jorge Bodanky e Orlando Senna.

Ficha técnica do projeto A Extinção É Para Sempre

Realização: SESC São Paulo

Apoio: Goethe-Institut

Idealização e direção artística: Nuno Ramos

Assistência de direção: Vicente Antunes Ramos

Direção de produção: Rachel Brumana

Gestão e coordenação de produção: Marisa Riccitelli Sant’ana

Assistência de produção: Giovanna Monteiro e Luiza Alves

Direção técnica: André Boll e William Zarella Jr.

Artistas convidados e performers: Romulo Fróes, Tarina Quelho, Noemi Jaffe, Edna de Cássia, Eduardo Fukushima, Antonio Araujo, Allyson Amaral, Tenca.

Serviço:

Performance Iracema Fala

13/8, sexta-feira, às 20h30 nos Instagram @SESCAoVivo e no YouTube do SESCSP

14/8, sábado, às 20h30 nos canais do SESC Avenida Paulista (YouTube e Instagram)

15/8, domingo, 17h nos canais do SESC Avenida Paulista (YouTube e Instagram)

Classificação indicativa: 16 anos.