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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Especialistas destacam consequências da Ditadura Militar no Brasil

Brasil, por Kleber Patricio

Imagem: divulgação.

No dia 31 de março de 1964, tropas militares marcharam de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro com o objetivo depor o governo de João Goulart, presidente brasileiro à época. Esse foi o começo de um período de ficaria marcado na memória dos brasileiros. No dia 2 de abril de 1964, o presidente do Senado declarava vagas a presidência e a vice-presidência da República, empossando o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, na presidência da República. O ato teria implicações na vida dos brasileiros nos próximos 21 anos.

O que aconteceu durante o período de 1964 a 1985 é alvo de debate político até os dias atuais. Há quem defenda que o que ocorreu foi uma revolução e não uma ditadura militar, como historiadores conceituam. “A Historiografia em si considera como ‘revolução’ todo e qualquer movimento que resulte em transformações políticas, econômicas e/ou sociais num curto período de tempo. Sendo assim, o golpe civil-militar de 1964 não se configura como uma revolução. Afinal, trata-se de um processo de caráter conservador, que objetivava justamente evitar transformações que supostamente ocorreriam no Brasil, arquitetadas por um governo que, na visão dos militares, estaria alinhado ao comunismo soviético”, explica o historiador e especialista em ENEM Cássio Luige.

Fernanda Ribeiro Haag, mestre em Linguagens e Sociedade e doutoranda em História Social, destaca que chamar esses eventos de revolução, justificando que visavam pacificar o país e protegê-lo da “subversão” ou do “comunismo”, não encontra sustentação conceitual. “Se nos ativermos às discussões conceituais, vemos que revolução é uma mudança radical nas estruturas de determinada sociedade, vide exemplos da Revolução Haitiana ou Francesa. Ora, a estrutura social brasileira não foi modificada pela chegada ilegal dos militares ao poder em 1964. O conceito de golpe se aplica muito mais ao Brasil de 1964. O cientista político Álvaro Bianchi fala sucintamente que o golpe de Estado ‘é uma mudança institucional promovida sob a direção de uma fração do aparelho de Estado que utiliza para tal de medidas e recursos excepcionais que não fazem parte das regras usuais do jogo político’, destaca.

Para o historiador Ricardo Carvalho, chamar de revolução o Golpe de 1964 é fazer um eufemismo político. “É uma tentativa de disfarçar o caráter autoritário, inconstitucional. E como a gente diz, um estado de exceção que se estabelece no Brasil, desrespeitando toda a ordem democrática. Isso é comum. Os ditadores nunca vão se autointitular de ditadores”, disse.

Atos Institucionais | É importante compreender que os Atos Institucionais (AI’s) foram decretos autoritários que ‘legalizavam’ as ações de Estado consideradas ilegais antes do início do governo militar, é como explica Cássio Luige. “Por meio deles, os golpistas solidificaram as bases da ditadura. Gradualmente, os AI’s foram retirando poderes do judiciário e do legislativo, e transferindo-os ao executivo que estava sob controle militar, tal qual ocorre em outros governos ditatoriais. O desequilíbrio entre os três poderes em detrimento da concentração de poder na mão dos militares deixava a sociedade, de maneira geral, a mercê de abusos de poder”, pontua o professor.

Durante o período foram promulgados 17 atos institucionais, regulamentados por 104 atos complementares, e que garantiram uma forte centralização administrativa e política do Brasil. “Os impactos dos atos foram em vários setores, desde alterar a forma de escolha de presidentes, o sistema partidário, a abertura ou não do Congresso até mesmo afetando os direitos básicos dos cidadãos: liberdade de expressão, direito de ir e vir, direito a Habeas Corpus, exigência de mandado para prisão”, relata Luciana Haider, professora e socióloga do Centro Universitário UniAcademia, de Juiz de Fora/MG.

Ainda segundo Luciana Haider, os impactos dos atos foram em vários setores, desde alterar a forma de escolha de presidentes, assim como “o sistema partidário, a abertura ou não do Congresso até mesmo afetando os direitos básicos dos cidadãos, como a liberdade de expressão, o direito de ir e vir, o direito a Habeas Corpus e a exigência de mandado para prisão”, pontua a professora, que ainda completa: “Entre suas consequências podemos ressaltar o ato institucional mais famoso assinado em 13/12/1968, o AI-5, que literalmente fez o governo militar – que se fingia de democrático – assumir seu lado autoritário. As torturas, a prisão de opositores, a censura prévia aos meios de comunicação, o fim do direito de responder em liberdade por acusações – tudo isso se estabeleceu a partir do AI-5. Um período sombrio, que trouxe reflexos históricos ainda hoje em nossa realidade política, econômica e social”.

Outro fato também destacado pelo historiador Cássio Luige é que algumas pessoas foram violentadas antes mesmo que sua culpa fosse comprovada. “É comum que pessoas que tem simpatia com o governo militar afirmarem que a ditadura ‘só perseguia aqueles que mereciam’. Mas, além de considerar que nenhum ser humano ‘merece ser torturado’, é importante lembrar que algumas pessoas foram violentadas antes que sua culpa fosse sequer comprovada. Além disso, por meio de obras como Cativeiro sem Fim, encontramos histórias de crianças que foram vítimas destes abusos de poder dos militares”, conclui.

Censura | Com o AI-5, a censura passou a atuar com mais intensidade, censurando a imprensa nacional de divulgar fatos que desagradavam o governo vigente. “Não era difícil encontrar nas primeiras páginas dos jornais da época receitas de bolo, trechos de Os Lusíadas ou simplesmente espaços vazios. Ali estavam publicações consideradas subversivas e retiradas do jornal antes da publicação”, comenta Cássio.

O Jornal da Tarde, de São Paulo, foi um dos afetados durantes o período. Já na edição, em que noticia o AI-5, o jornal publicou uma previsão de tempo que ficou famosa descrevendo que haveria tempestades e nuvens negras, uma referência à ditadura. No livro Jornal da Tarde – Uma ousadia que reinventou a imprensa brasileira, Ferdinando Casagrande conta que o editor Ruy Mesquita teve a ideia de colocar receitas que não funcionavam no lugar de matérias censuradas, para alertar o leitor de que algo estava estranho. Em algumas receitas, haviam críticas veladas ao regime e a apoiadores, como a receita de frango ao passarinho, uma clara referência ao senador Jarbas Passarinho, a famosa receita “Lauto Pastel”, em referência ao governador Laudo Natel e uma página inteira intitulada “Receitas do Alfredo’s”, em referência ao ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, considerado um dos mentores intelectuais da censura.

Esses atos durante a ditadura foram realizados porque o jornal não podia publicar notícias que não eram agradáveis ao governo. “Para quem acredita que a criminalidade era menor na época da ditadura, é importante lembrar que problemas sociais, políticos e econômicos eram prejudiciais à imagem do governo. Sendo assim, estas notícias eram censuradas”, disse o historiador Cássio.

Economia: Crescimento sem desenvolvimento | Obras faraônicas, investimento em infraestrutura e uma grande industrialização são usualmente justificativas usadas para defender o período militar. No entanto, o alto gasto público fez com que o Brasil tivesse o conhecido “Milagre Econômico”, um período de muito crescimento econômico, com aumento do Produto Interno Bruto (PIB), mas um baixo desenvolvimento, com baixa na qualidade de vida da população. O período deixou como consequência uma década de 1980 de muita dificuldade, especialmente com a inflação.

A economista Pollyanna Rodrigues Gondin explica que no período do “Milagre Econômico”, o PIB brasileiro chegou a taxas acima de 10%. “Os resultados consideráveis em relação ao PIB brasileiro foram decorrentes dos incentivos à industrialização (subsídios e incentivos fiscais), dos investimentos em infraestrutura que já vinham ocorrendo, políticas de incentivo à exportação, abertura ao capital externo e algumas reformas políticas. Um dos resultados foi o expressivo crescimento da indústria de transformação. Como dito anteriormente, o PIB expressa o crescimento econômico, de modo que um país pode crescer, mas ao mesmo tempo não se desenvolver. E foi exatamente o que aconteceu com o nosso país”, conta.

Mas do outro lado, a vida do brasileiro continuava a ser difícil. “Na verdade, houve uma piora significativa de indicadores sociais (desenvolvimento econômico), o que faz, de modo geral, se questionar a veracidade do período conhecido como ‘Milagre Econômico’. Uma das consequências mais gritantes da ditadura militar foi o aumento da desigualdade social. Para além disso, a falta de acesso da população a dados públicos, aumento da concentração de renda, inflação e aumento do endividamento externo. Durante a ditadura muito se falava em ‘deixar o bolo crescer para depois distribuir seus pedaços de forma igualitária’. Em outras palavras, o que se afirmava era ‘primeiro, promoveremos o crescimento da nossa economia, e depois, distribuiremos essa renda com a população’. Isso de fato não ocorreu”, relata Pollyanna.

Fim da ditadura | Mas mais do que a situação econômica, as consequências da ditadura militar no Brasil são discutidas até os dias de hoje. Uma das razões é a forma como a ditadura terminou. O Brasil passou por um processo de reabertura que iniciou no fim da década de 70 e se arrastou até a década de 80, culminando na promulgação da Constituição de 88, vigente até hoje.

O historiador Ricardo Carvalho destaca que ainda há uma discussão entre os pesquisadores sobre como o período militar terminou. “Há quem diga que foi o próprio desgaste do modelo econômico, o famoso Milagre Econômico do regime militar. Outros dizem que existia um desejo de determinados setores liberais de assumir o comando da nação pelo fracasso do modelo econômico do próprio estado autoritário. Mas há uma teoria que me parece de interesse, que é a dialética da repressão. Os próprios colaboradores do golpe, como o governo dos Estados Unidos da América, teriam ajudado nessa pressão. O que é a dialética da repressão? É que quanto mais você reprime, mais ela faz se desenvolver também, dentro da estrutura, os movimentos de oposição. É como um pai autoritário que quanto mais ele oprime, censura a liberdade do filho, mais o filho busca caminhos não tradicionais para manifestar a sua liberdade. Há quem defenda que o excesso de repressão da ditadura acabou favorecendo o surgimento de muitos grupos de oposição e alguns que, inclusive, atuavam na clandestinidade. Havia a defesa da necessidade do processo de abertura, até para diminuir a força desses setores da oposição”, conclui.

Guia prático do CRMV-SP auxilia profissionais na notificação obrigatória de doenças animais

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Jorge Salvador/Unsplash.

Com o objetivo de facilitar o acesso de médicos-veterinários às regras e caminhos para a notificação obrigatória de doenças animais, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) elaborou um guia prático em que é possível acessar as informações de forma prática e rápida. A ferramenta está disponível no site do Regional.

A tabela possui hiperlinks de acesso, textos explicativos, legislações vigentes – nas esferas federal, estadual e municipal –, conteúdos técnicos e sites para notificação on-line. O arquivo permite a pesquisa por tipo de enfermidade e espécie. “A grande quantidade de normas de diversos órgãos, que estabelecem condutas diferentes para as notificações, foi o que motivou o Regional a criar este recurso, preocupado em auxiliar os profissionais”, diz Leonardo Burlini, coordenador técnico médico-veterinário do Conselho, que participou do trabalho que resultou no arquivo, juntamente com as comissões técnicas de Saúde Animal (CTSA) e de Saúde Pública Veterinária (CTSPV) do CRMV-SP.

Compromisso com a saúde do coletivo | Presidente da CTSPV/CRMV-SP, Adriana Maria Lopes Vieira comenta que, além de ser um dever previsto em legislação, a notificação compulsória é uma ferramenta de grande importância para o conhecimento do comportamento de doenças e seus possíveis agravos, a exemplo de emergências sanitárias. “Os registros possibilitam que a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde sejam avaliadas. Os dados também contribuem na identificação de fatores essenciais para o planejamento e execução de ações de prevenção, controle e tratamento das doenças”, afirma a médica-veterinária, citando, ainda, que a definição do que é prioridade dentre as medidas adotadas também se dá a partir das informações recebidas por meio de notificações.

Reflexos da saúde na economia | Segundo Fábio Paarmann, membro da CTSA/CRMV-SP, a iniciativa do Regional de oferecer um material para elucidar quanto às condutas diante de doenças animais ajuda a reduzir o impacto de enfermidades não apenas na saúde das pessoas e dos rebanhos. Com as informações que chegam a partir das notificações, “também se diminui perdas econômicas, como gastos com tratamentos ou com quedas nas produções”, diz o médico-veterinário, que ainda frisa a manutenção do acesso a mercados importadores de nossos produtos, dos empregos e, consequentemente, da renda das pessoas ligadas ao Agronegócio.

Entenda como utilizar a tabela:

– Acesse o campo “Grupo de animais” e localize o grupo ou espécie em questão;

– Em seguida, vá para o campo “Enfermidade” e localize o nome da doença ou evento;

– Após o preenchimento dos dois campos iniciais, a tabela automaticamente indicará como proceder em: “Quando Notificar” e “Via de Notificação”;

– O campo “Via de Notificação” possui hiperlinks para a notificação eletrônica, modelos de formulários eletrônicos e endereços e contatos dos órgãos competentes;

– São disponibilizados também hiperlinks para as principais legislações relacionadas à enfermidade selecionada;

– Nos campos “Conheça mais sobre as Entidades Envolvidas” e “Conheça mais sobre a Enfermidade” há, ainda, hiperlinks para aprofundamento.

Acesse a tabela em:

https://www.crmvsp.gov.br/Materiais/tabela_dinamica_DNO_Versao_Excel_Oficce_2007.xlsx.

Sobre o CRMV-SP | O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. É o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do estado de São Paulo, com mais de 43 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, estados e municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.

Plataforma de e-books do Governo de SP registra mais de 44 mil acessos em 4 meses de funcionamento

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem de Felix Lichtenfeld por Pixabay.

As Bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos, instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, celebraram o Dia do Livro (no último dia 23) com 44.075 acessos à plataforma de difusão da leitura BSP Digital em 4 meses. Lançada em 15 de dezembro de 2020, a plataforma online tem mais de mil livros de diversos gêneros que podem ser acessados gratuitamente, além de 46.443 sócios, e realizou 8.323 empréstimos – uma média de 5,5 de obras como O Alienista, de Machado de Assis; Filosofia explica as grandes questões da humanidade, de Clóvis de Barros Filho; O menino que não queria tomar banho, de Simone Magno; Conversas que tive comigo, de Nelson Mandela; Estação Carandiru, de Dráuzio Varella e Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.

Biblioteca digital | Quem quiser se tornar sócio das bibliotecas pode se cadastrar diretamente nos sites de cada uma das unidades – bsp.org.br/cadastro-online/ e bvl.org.br/cadastro-online/. Para isso, basta ter em mãos o número do documento de identidade, endereço, e-mail e telefone. Será necessário apenas escolher uma senha para acesso aos serviços digitais.

Os sócios também podem fazer empréstimos e reserva de livros físicos de até duas obras por 15 dias, além de  sugestões de compras para o acervo. A modalidade dá acesso, também, à  Tocalivros, que oferece centenas de audiolivros.

A BSP e a BVL são equipamentos geridos pela Organização Social SP Leituras – eleita pelo terceiro ano consecutivo uma das 100 Melhores ONGs do Brasil.

Palestra online e gratuita celebra o Dia Internacional da Dança

Campinas, por Kleber Patricio

Evento no dia 29 de abril será aberto ao público e terá como tema “Abordagens Somáticas da Dança”, com a profª Luciana Hoppe. Foto: divulgação.

O Centro Universitário UniMetrocamp realiza no dia 29 de abril, às 8h, uma palestra especial em comemoração ao Dia Internacional da Dança. Para marcar a data, a coordenadora do curso de dança na instituição, Profª Dra. Jussara Muller, convidou a também Profª Luciana Hoppe para falar sobre Abordagens Somáticas na Dança.

“Eu fiz questão de celebrar o dia com esse evento para dar visibilidade à própria dança. A ideia é ver o corpo de maneira mais sensível e integrada. Depois de um ano de isolamento, acho importante mostrar para os alunos como manter o corpo ativo”, explica Jussara. “A dança é a arte da presença e uma disciplina prática. Essa é uma forma de resgatar um pouco as ausências causadas pela pandemia”, conclui.

Para participar, é só fazer a inscrição no link https://blog.wyden.com.br/eventos/dia-internacional-da-danca-evento-gratuito/. O evento será exibido por meio da plataforma Teams.

Usina Jam promove festival online na pandemia com programação diversa e plural

Campinas, por Kleber Patricio

André Abujamra é um dos artistas convidados. Foto: Pinterest/portal Pop Cyber.

Com a proposta de reunir e divulgar a diversidade artístico-cultural da cena de Campinas e da RMC, o Festival Usina Jam entrega ao seu público uma versão remodelada em 2021: por conta da pandemia, todas as atividades acontecem em formato online, mas ainda destacando as múltiplas linguagens. A programação do evento contempla shows de música, workshops, apresentações teatrais, uma ação continuada de live painting e uma mostra documental.

“As atividades serão divididas em três dias, embora toda a programação seja online. A ideia é contribuir com o cenário artístico autoral da região a partir do oferecimento de uma grade diversificada e de qualidade. Para além da exposição das obras e dos conteúdos artísticos, o Festival Usina Jam preza pela interatividade como ponto alto da experiência cultural, com o intuito de incentivar que os(as) participantes sejam, além de espectadores passivos, agentes ativos na realização do produto cultural”, explica Daniel Resende, proponente do projeto e curador do Festival.

O setlist completo será dividido com o público por meio dos perfis do Festival no Instagram e no Facebook, mas alguns nomes já são conhecidos: o multiartista André Abujamra, o artista de vanguarda RAPadura e a banda de rock’n’roll Tutti Frutti. Idealizado pelos Pedro Barsa e Gra Soares, o Projeto Corredeira leva ao público um repertório autoral fundamentado nas matrizes musicais afro-brasileiras; Eduardo Machado Trio (considerado pela crítica especializada como um dos maiores nomes do baixo brasileiro da atualidade), Nayra Lays (que mostra toda a sua versatilidade ao passar por estilos diversos da música negra a partir das experimentações de flows, ritmos e expressões), o quarteto Death Metal Sinaya (destaque na cena do rock nacional) e Jasper e a Gana (banda de rock alternativo brasileiro) também estão confirmados no Festival.

Viabilizado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, o Festival Usina Jam foi aprovado pelo ProAC Expresso Lei Aldir Blanc nº. 40/2020 e está marcado para acontecer nos dias 23, 24 e 25 de abril com transmissão ao vivo pelo canal Hocus Pocus no YouTube. Todas as atividades são gratuitas.

Workshops | Dentro da programação serão oferecidos três workshops com ações formativas. Na primeiro, Duda Crespa ministra a oficina Produção Cultural Periférica, que tem como objetivo formar agentes de cultura e lazer através do estímulo ao aprendizado sobre a produção periférica. “Será uma ótima oportunidade para dividir as experiências pessoais que adquiri em anos de estudo e prática ao longo da minha trajetória, além de incitar reflexões e provocações no que tange os chamados ‘eventos de quebrada’, sejam eles no formato presencial ou online. A ideia é conduzir uma oficina que forme pessoas com criatividade, perspectiva de parcerias e acessibilidades para os diversos corpos e na autogestão da economia a partir da mão-de-obra contratada na própria periferia”, explica Duda, mulher preta, não hétero e artista nascida e criada na periferia.

Criador do primeiro curso de discotecagem voltado para cegos no Brasil (2014), o DJ Anderson Farias desenvolveu e adaptou ferramentas digitais de discotecagem para apoio aos deficientes visuais. Durante o Festival Usina Jam, ele ministra a oficina Discotecagem para Pessoas com Deficiência Visual, que defende que ensinar a arte de discotecar para quem não enxerga é completamente possível.

Por fim, o bate-papo Lei Aldir Blanc – Panorama e Impacto Nacional será mediado por Ana Luíza Pradella (produtora, gestora cultural, atual vice-presidente e cofundadora do Movimento Nacional ‘Sou 1 de 11 Milhões de Trabalhadores da Cultura’) e Cintia de Almeida (produtora cultural e especialista em Leis de Incentivo à Cultura). “Em uma perspectiva setorial, vamos discorrer sobre a implantação da Lei nos Estados e Municípios, bem como sua execução e como ela está caminhando na visão do Movimento, que vem atuando diretamente com ações de representação dos trabalhadores da cultura e visa ser um centro catalisador para a mobilização, difusão e apoio ao setor, pretendendo ainda promover o respeito pelo trabalho e criação de cada um”, explica Pradella.

Espetáculos teatrais | Em uma narrativa que mistura cordel, teatro de mamulengos e músicas típicas (como o xaxado e a embolada), Canoa Encantada apresenta As Pelejas de Severino em Busco do Boi Suvaco. O espetáculo narra as aventuras do vaqueiro Severino – representação do homem simples que mantém acesa a chama do sonho e da alegria herdados por meio das manifestações culturais de seu povo – que adentra às terras do temido João Redondo em busca de um boi perdido, sem saber que elas são assombradas pelo terrível Fantasma do Jaraguá Encantado.

A Cia. Pé no Asfalto também é atração confirmada no Festival. Em O Macaco e a Lua, dois palhaços pescadores se perdem em alto mar. Buscando por comida, eles acabam pescando um livro de contos africanos e iniciam uma travessia imaginária até a África. Através da leitura da lenda africana que nomeia o espetáculo, eles entram em uma grande aventura, na qual descobrem a origem do tambor e suas raízes de matriz africana.

O espetáculo A Caravana dos Pássaros Errantes, do Grupo Nômade, tem como tema principal a liberdade. A partir de uma história real acontecida no Piauí em 1913, o grupo reconta as vivências de uma família cigana que foi perseguida e massacrada, trazendo para o espaço cênico as discriminações, lembranças e as crenças dos personagens. Juntamente com dois músicos, os atores Ana Cristina Freitas e Jonas di Paula narram e se multiplicam em personagens diversos.

Mostra Documental | Em Construção: Das bases da vida aos dias atuais trata da personalidade de Samuel Pérsio, um artista plástico nascido em 1982 na cidade de Araucária/PR que está montando um ateliê aberto na sua casa em Recife. No roteiro, o veículo que conduz o conhecer deste artista é sua própria voz, que compartilha sua trajetória em uma conversa entre amigos em um ambiente cotidiano, sua “casa ateliê”. Assinado pelo próprio Samuel Pérsio e por Gabriel Fardin, o mini doc conta com trilha sonora Bapurréca (Arthur Prado e Atabaquara Catulo).

Live Painting | Os artistas Thiago Monster Ectoplasma e Gi Ruggieri serão os responsáveis pela live paint, na qual será criado ao vivo o cenário de um dos palcos da Usina Jam.