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Por meio de 20 filmes locais, série de TV revisita quatro décadas de Porto Alegre

Porto Alegre, por Kleber Patricio

Still – “Sob Águas Claras e Inocentes” (2016) – Still – Anelise Vargas – cred. Edu Rabin ©Ausgang.

Do distanciamento social à diversidade de gênero: a série O Cinema e As Cidades revisita quatro décadas de Porto Alegre, por meio de 20 produções locais, entre curta e longas-metragens e documentários. Dirigido por Eduardo Wannmacher e produzido por Frederico Mendina, o seriado vai ao ar por meio de quatro episódios semanais, exibidos nas sextas-feiras, às 21h30, a partir de 4 de junho, em rede nacional no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.

A geração oitentista inicia a produção de um novo cinema urbano em Porto Alegre com a descoberta do super-8 no formato de ficção. Esse movimento é revisitado no episódio introdutório da série, por meio do depoimento de Carlos Gerbase, diretor de Inverno (1983). O distanciamento social por muros e grades é retratado no segundo episódio, com uma análise do curta Ângelo Anda Sumido (1997), de Jorge Furtado.

O cinema fantástico, com criaturas e lendas mágicas, chega ao terceiro episódio, com a animação Reino Azul (1989), de Otto Guerra. Ao longo do tempo, temas ligados ao cinema de gênero, como ficção-científica e terror, sempre estiveram presentes nas produções gaúchas, revelando um lado mais sombrio da capital. Sob Águas Claras e Inocentes (2016), de Emiliano Cunha, também integra o roteiro do seriado.

O diretor Eduardo Wannmacher. Foto: Isidoro B. Guggiana.

O último episódio explora temas urgentes, como a diversidade de gênero, o racismo, a ocupação de lugares públicos e as manifestações sociais. Esses temas são revisitados pelo documentário O Caso do Homem Errado (2017), de Camila de Moraes, entre outros títulos. Produzida pela Pironauta e coproduzida pela Firma Filmes, a série é estruturada em imagens originais das obras analisadas e depoimentos dos respectivos realizadores.

O Cinema e As Cidades tem financiamento do Edital Pró-cultura RS FAC de Produção Audiovisual, realizado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul/Sedac, em parceria com a Ancine, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual.

Serviço:

Série O Cinema e As Cidades

TV por assinatura: Prime Box Brazil

Estreia: 4 de junho

Exibições: sextas-feiras, 21h30

Último episódio: 25 de junho

Temporada: 4 episódios de 30 minutos, cada

Reprises: sábados, 10h30; domingos, 02h30; segundas-feiras, 08h30; terças-feiras, 19h e quinta-feira, 9h

Classificação indicativa: 12 anos.

EQUIPE TÉCNICA

Direção e Roteiro: Eduardo Wannmacher | Produção e Produção Executiva: Frederico Mendina | Controller: Tanize Cardoso | Assistente de Produção Executiva: Fernanda Bischoff | Direção de Fotografia: Thiago Gruner | Assistente de Fotografia e Logger: Rodrigo Scheid | Direção de Produção: Martina Zanetello | Assistente de Produção: Estevão Comelli | Montagem: Thais Fernandes | Assistente de Montagem: Joana Bernardes | Sound Designer: Rafael Rodrigues | Som Direto: Fábio Baltar Duarte | Trilha sonora Original: Ricardo de Carli | Colorista: Daniel Dode | Design Gráfico: Leo Lage | Produção: Pironauta | Co-produção: Firma Filmes | Depoimentos: Bruno Carboni, Camila de Moraes, Carlos Gerbase, Emiliano Cunha, Filipe Matzembacher, Giba Assis Brasil, Gustavo Spolidoro, Jéssica Luz, Jorge Furtado, Julio Andrade, Kiko Ferraz, Lucas Cassales, Mariani Ferreira, Nelson Diniz, Otto Guerra, Valéria Verba e outros. | Filmes: Ainda Orangotangos (2007), Amores Passageiros (2012), Ângelo Anda Sumido (1997), Castanha (2014), Cidade Fantasma (1999), De Lá pra Cá (2011), Inverno (1983), O Cárcere e a Rua (2005), O Caso do Homem Errado (2017), O Corpo (2015), O Teto Sobre Nós (2015), Quem? (2000), Reino Azul (1989), Secundas (2017), Sob Águas Claras e Inocentes (2016), Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes (2013), Tinta Bruta (2018), Três Minutos (1999), Um Corpo Feminino (2018), Um Estrangeiro em Porto Alegre (1999).

Sobre Pironauta | A Pironauta foi fundada para atuar na criação e produção de conteúdo audiovisual, com foco na abrangência e diversidade de conteúdo. Produziu o longa Xico Stockinger (2012), de Frederico Mendina – prêmio de melhor fotografia no 4º Curta Amazônia e seleções no Portobello Film Festival (Reino Unido), Bogocine (Colombia), Duhok Film Festival (Iraque) e Gramado. Atualmente, prepara-se para lançar o longa inédito Depois de Ser Cinza (2021), de Eduardo Wannmacher, e desenvolve o projeto intitulado Castas.

Sobre Eduardo Wannmacher | Diretor, produtor e roteirista, Eduardo Wannmacher trabalha com televisão e cinema desde os anos 1990. É realizador de diversos documentários para TV e curtas; entre eles, 24 Horas com Carolina (2012), selecionado para o Festival de Havana. Outros trabalhos incluem Pra que Servem os Homens? (2013), Eu, Ele e os Outros (2012), Melhor que Aqui (2011), Na Rota do Imperador (2009). O inédito Depois de Ser Cinza (2021) é sua estreia na direção de longas-metragens.

“Persona – Som”, trilha sonora do “Jogo das Mutações”, de Roberto Campadello, é relançada no Brasil e Europa

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Todos os mistérios ao redor de um dos discos mais intrigantes da música brasileira estão prestes a ser revelados. Persona – Som, a trilha sonora do Jogo das Mutações, será relançada simultaneamente no Brasil e na Europa pelos selos Discos Nada, dedicado à música experimental brasileira, e Black Sweat Records. Acompanhando a trilha completa em vinil e incluindo duas faixas bônus, também será lançada uma edição limitada de um box contendo um livreto de 24 páginas com fotos da época, poster, espelho Persona e suportes, velas e protetor. A pré-venda online já está ativa, mas a venda oficial é a partir de 8 de junho.

O Persona, como um todo, foi concebido pelo artista plástico Roberto Campadello, que nasceu na Itália, passou a infância na Venezuela e a juventude no Brasil. Um artista multimídia que foi apresentado ao I Ching em Londres. Encantado, começou a traduzi-lo para o português e, mergulhado nessa filosofia, iniciou a criação dos Steps, desenhos mágicos cujas imagens formam um baralho que servia como método alternativo de consulta ao I Ching.

Em 1973, ele montou uma instalação na XII Bienal de São Paulo onde as paredes eram espelhos dourados, semi-reflexivos, representando a divisão – ou o limite – entre o mundo material e o espiritual. A Casa Dourada, como foi batizada, apresentava o conceito: uma nave espacial “intronáutica”, tendo Campadello como capitão. O I Ching era o computador de bordo e Steps, o sistema de programação visual. No interior da instalação, Roberto ficava esperando as pessoas e, quando alguém perguntava a proposta, a resposta era: “Senta e sente”.

Foi dançando através do espelho que Roberto conheceu a cantora Carmen Flores. Eles se casaram durante a mesma Bienal, e comemoraram em cima da Oca.

Esta é a primeira reedição do disco Persona. O álbum, agora em 12 polegadas, foi remasterizado na Europa a partir das masters originais e contém duas faixas bônus. Esta reedição, lançada no Brasil como estreia da Discos Nada, vem ainda acompanhada de uma réplica do poster original e um livreto de 24 páginas repleto de imagens inéditas e recortes de artigos da época, além de textos da família de Roberto e do músico e jornalista Ayrton Mugnaini.

Como escreve Ayrton no encarte, Campadello percebia múltiplas dimensões em seus trabalhos. Ouvindo o disco, hoje, é possível visualizar e escutar muitas dessas dimensões a cada nova audição. Este é o cerne do projeto Persona, um mundo infinito e eterno de possibilidades e sensações.

A venda é pelo site da Nada Nada Discos, tendo apenas 500 cópias disponíveis. O box completo terá o valor de R$430,00 e apenas o vinil será R$140,00 (https://www.nadanadadiscos.com).

Do conceito ao lançamento | Foi dançando através do espelho que Roberto conheceu a cantora Carmen Flores. Eles se casaram durante a mesma Bienal e comemoraram em cima da Oca. Carmen relembra aquele momento mágico na vida do casal. Durante a montagem da Casa Dourada, enquanto os montadores carregavam os espelhos, Roberto percebeu que os rostos deles se misturavam e dai veio a ideia do Persona – O Jogo das Mutações.

No ano seguinte, Roberto, a convite do SESC Pompeia (ainda em seus primórdios), monta a Casa Dourada em um dos galpões da Rua Clélia. Foi lá que conheceu Luis Carlini, na época guitarrista do Tutti Frutti, banda de Rita Lee. O guitarrista, que vinha experimentando com o LSD desde os primórdios daquela década, estava retornando de sua fase mais lisérgica, psicodélica e progressiva: “Eu estava muito envolvido com a cultura hippie e a cena underground vivia um momento bem criativo. Nesse embalo, comecei a misturar sons: linhas melódicas, ruídos, câmara de eco, guitarra, despertador, violão, falas, percussão… Cheguei até a quebrar um vidro, para criar um clima”.

“A Casa Dourada” apresentava o conceito: uma nave espacial “intronáutica”, tendo Campadello como capitão. O I Ching era o computador de bordo e STEPS, o sistema de programação visual. No interior da instalação, Roberto ficava esperando as pessoas e quando alguém perguntava a proposta, a resposta era: “Senta e sente”.

Foi assim que Roberto e Carlini passaram para a criação de uma trilha sonora para o jogo Persona baseada nos oito elementos do I-Ching (Monte, Céu, Terra, Fogo, Água, Vento, Lago e Trovão).

Para a gravação, Carlini convocou seus parceiros do Tutti Frutti: o baixista Lee Marcucci e o baterista Franklin Paolillo. Roberto chamou uma trupe de intronautas para participar das gravações; entre eles, Carmen, que canta as duas músicas não instrumentais da trilha. Sem nenhum ensaio, entraram no Estúdio Mídia, destinado à locução para publicidade, e registraram um dos trabalhos mais experimentais e misteriosos já lançados no Brasil.

Persona | O Jogo das Mutações é composto pelo Espelho Persona, dois apoios, duas velas, instruções e uma trilha sonora exclusiva. Na primeira edição, a trilha vinha em uma fita cassete e apenas mil cópias foram lançadas. A segunda saiu com a capa da “mulher gato”, um poster com instruções e a trilha sonora prensada em um vinil de 10 polegadas. Com isso, algumas músicas ficaram de fora por falta de espaço e ambas as versões são bem raras.

O conceito Persona ainda rendeu outra Bienal, muitas exposições, eventos e um lendário bar/centro cultural no bairro boêmio do Bixiga, na região central de São Paulo. Roberto faleceu em 2014 e hoje o Persona compreende dois estúdios fotográficos; um em Visconde de Mauá (RJ) e outro itinerante, dentro de uma Kombi – projetos tocados por Carmen e os filhos.

Discos Nada | Sub-selo da Nada Nada Discos, projeto de Mateus Mondini, a Discos Nada é dedicada à música experimental brasileira e Persona é seu primeiro lançamento. O próximo álbum a entrar para o catálogo ainda este ano é o primeiro LP de Jocy de Oliveira, gravado em 1959. Como próximos projetos entram dois LPs do Alcides Neves, o Fragmentos da Casa de Marco Bosco, além de álbuns completos de bandas que na época foram lançados apenas em coletâneas como o Chance e o AKT (com Sandra Coutinho, das Mercenárias, e Biba Meira, do Defalla).

A Nada Nada Discos, existente desde 2009, permanece focada em lançar bandas contemporâneas como Rakta e Deafkids, assim como reeditar clássicos e discos perdidos de bandas do Punk e Pós-Punk nacional, como Mercenárias, Ratos de Porão, Fellini, Cólera, Inocentes e Replicantes.

(Com Bento Araújo)

Espetáculo convida crianças a conhecerem um planeta sem água

Salto, por Kleber Patricio

Peça de teatro sobre a preservação da água acontece em junho, em Salto (SP).
Foto: Francio de Holanda Martins.

Uma a cada cinco crianças não têm acesso garantido à água potável, de acordo com a Unicef. O espetáculo Acabou a água do mundo, e agora? convida as crianças a conhecerem um planeta sem água e a necessidade da preservação com as descobertas dos irmãos Tonico e Tinoco. A peça, que tem entrada gratuita, acontece no dia 12 de junho, às 19h, na Sala Palma de Ouro, em Salto (SP). Para assistir, é necessário obter o ingresso online, mediante cadastro.

História | Tonico e Tinoco viviam suas vidas tranquilamente, sem a menor preocupação com a água. Certo dia, eles acordam em um ambiente assustador, com cheiros horríveis, temperaturas elevadas, ar seco e o pior: sem um pingo de água. O desenrolar dessa história vira uma verdadeira aventura, em que se ensina ao público sobre o uso consciente do recurso, sua importância na higienização – inclusive, na hora de prevenir doenças, como é o caso da covid-19 – e como pequenas ações cotidianas podem fazer toda a diferença.

Espetáculo “Acabou a água do mundo, e agora?” fala sobre a importância do uso consciente dos recursos hídricos. Foto: Francio de Holanda Martins.

O enredo é construído de forma divertida e interativa, com brincadeiras, músicas e bate-papo. Além disso, os espectadores ganharão um livreto que traz mais informações e dicas de preservação da água. O tema é tão relevante que figura entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável  desenvolvidos pela ONU com propósito de, até 2030, garantir uma distribuição universal e equitativa de água. Um futuro sem água, como na peça, é um risco real que virá sem aviso, por isso o espetáculo vem com uma proposta educativa.

Ingressos | Para quem quiser assistir, é preciso se cadastrar online neste link e apresentar o QR Code na data do evento. Vale lembrar que, devido à situação do coronavírus, a Sala Palma de Ouro opera com 40% da capacidade de público. O uso de máscara também é obrigatório, assim como a aferição de temperatura corporal e o cumprimento de todas os protocolos de higienização do evento, estabelecidos aqui.  A classificação é livre; porém, a atração é recomendada para crianças de 4 a 7 anos de idade.

Acabou a água do mundo, e agora? é um espetáculo viabilizado pelo Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, via ProAc ICMS (Programa Estadual de Apoio à Cultura), com patrocínio da Tuberfil. O projeto é realizado pela Rekriarte com coprodução da D’color Produções Culturais. Ambas são empresas que assessoram, planejam e executam projetos culturais para o desenvolvimento social em parceria com instituições, produtoras e artistas dos mais diversos segmentos. A Sala Palma de Ouro fica na Rua Prudente de Moraes, 580, Centro, Salto (SP).

Acabou a água do mundo, e agora? | Elenco: Júlia de Oliveira Silva (Mãe Dona Inezita, Sabiá Bia, Professora Dani), Pedro Henrique Martins (Tinoco, Sapo Tião), Marcello Pedroso Palermo (Tonico, Sapo Nico) | Direção Cênica: Daniela Melo | Direção Geral: Roberta Melo | Produção Executiva: Marco Antonio Cruz Filho | Produção: Rekriarte e Dcolor Produções Culturais.

Link para o vídeo: clique aqui.

Serviço:

Espetáculo Acabou a água do mundo, e agora?

Data: 12/6

Horário: 19h

Local: Sala Palma de Ouro – Rua Prudente de Moraes, 580 – Centro, Salto (SP) – mapa aqui 

Classificação: Livre (recomendada para crianças de 4 a 7 anos)

Evento gratuito: Ingressos aqui

Mais informações: (19) 3256-4500 | contato@dcolor.art.br.

Cinefantasy abre inscrições para a 12ª edição

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem: divulgação.

Estão abertas até 25 de junho de 2021 as inscrições para a 12ª edição do Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico. As pessoas interessadas podem mandar suas obras de ficção ou documentário, longas e curtas, desde que a temática seja fantástica: de horror, ficção científica, western, fantasia, thriller e de ação.

Considerado o maior e mais importante festival de cinema fantástico da América Latina, o Cinefantasy mais uma vez traz uma proposta pioneira e realiza em setembro de 2021 uma edição histórica, com a curadoria e o corpo de júri compostos somente por mulheres cis e trans – entre elas, a diretora e também curadora do festival, Monica Trigo, além de Flavia Guerra, Julie Katherine, Grace Guarani, Dani Pie, Ana Paula Nogueira, Sabrina Paixão, Carissa Vieira, Julia Maria, Tati Regis, Emanuela Siqueira, Camila Borca e Camila Macedo.

O festival vem levantando, desde a sua 8ª edição, bandeiras afirmativas. Em 2018, o festival criou a mostra Mulheres Fantásticas; em 2019, foi a vez da mostra Fantástica Diversidade, para realizadores LGBTQIA+; em 2020, apresentou as mostras Fantasteen, com curtas-metragens focados no público adolescente, e a mostra Pequenos Fantásticos, para crianças a partir de 5 anos de idade, fortalecendo a formação de um futuro público do cinema fantástico, e, em 2021, criou a mostra Fantastic Black Power, dedicada exclusivamente a realizadores negros.

Os premiados receberão o troféu José Mojica Marins e o troféu João Acaiabe na categoria Fantastic Black Power e as produções brasileiras concorrem a vários prêmios de parceiros institucionais do festival. Além disso, os melhores filmes brasileiros de curta e longa-metragem serão indicados para o disputado Prêmio FantLatam, premiação internacional da Alianza Latinoamericana de Festivales de Cine Fantastico.

O festival se divide nas seguintes sessões competitivas:

Mostra Competitiva de Longas-Metragens – com filmes produzidos nos últimos 24 meses, de Ficção e Animação (com duração a partir de 60 minutos, captados em qualquer formato) e Documentários (com duração a partir de 40 minutos, captados em qualquer formato);

Mostra Competitiva de Curtas-Metragens – seleção de filmes produzidos nos últimos 24 meses, com duração de até 25 minutos, inéditos em festivais realizados no estado de São Paulo, captados em qualquer formato, que participam das seguintes categorias: Amador | Animação | Brasil Fantástico | Espanha Fantástica | Estudante | Fantasia | Fantasteen | Fantastic Black Power | Fantástica Diversidade | Ficção Científica | Horror | Mulheres Fantásticas | Pequenos Fantásticos.

O regulamento completo está disponível no site http://www.cinefantasy.com.br. A arte do cartaz é assinada pela artista Daniela Távora.

Serviço:

Cinefantasy – 12º Festival Internacional de Cinema Fantástico — inscrições abertas até 25/6/2021

Lista completa das curadoras:

Monica Trigo – Longas-metragens

Flavia Guerra – Documentários

Michelle Henriques – Amador

Danie Pie – Animação

Ana Paula Nogueira – Brasil Fantástico

Julie Katherine – Espanha Fantástica

Carissa Vieira – Estudante

Camila Borca – Fantasia

Julia Maria – FantasTeen

Camila Macedo – Fantástica Diversidade

Carissa Veira – Fantastic Black Power

Sabrina Paixão – Ficção Científica

Tati Regis – Horror

Emanuela Siqueira – Mulheres Fantásticas.

LGBTI+fobia: saiba como e onde recorrer durante episódios

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem de StockSnap por Pixabay.

Não é de hoje que ouvimos e acompanhamos a luta contra a LGBTI+fobia. Somente em junho de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a retirada de transgeneridades como doenças mentais da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Essa classificação aconteceu 28 dias após a decisão da OMS de retirar o termo homossexualidade da lista de doenças, no dia 17 de maio de 1990. Até junho de 2019, data em que o Supremo Tribunal Federal decidiu a favor da criminalização da violência contra pessoas LGBTI+, não existia ação penal específica para os episódios. Porém, após a decisão, todos os atos motivados por preconceito devido à orientação sexual passaram a ser equiparados a crimes de racismo. Assim, configuram-se na legislação com pena prevista de um a três anos e aplicação de multa.

Além desse importante avanço, diversas iniciativas têm sido realizadas para promover a inclusão e a diversidade em toda a cadeia de valor e eliminar a LGBTI+fobia. No ambiente corporativo, por exemplo, vemos que as empresas têm se mobilizado cada vez mais para proporcionar igualdade de oportunidades e um ambiente seguro e respeitoso para todas as pessoas. Movimentos como o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ ajudam a trazer ainda mais visibilidade ao assunto – isso porque os esforços e iniciativas são articulados em torno dos 10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+.  “Nossa missão é fortalecer esse diálogo sobre a diversidade e inclusão não apenas no meio empresarial, mas na sociedade, a fim de combater o preconceito contra pessoas LGBTI+. Norteamos nossas ações em torno dos 10 Compromissos com a finalidade de orientar sobre as práticas que cada companhia deve seguir no âmbito interno e no relacionamento com seus diferentes públicos de interesse. O intuito é contribuir para que as práticas de gestão empresarial sejam efetivas e, assim, combater a LGBTI+fobia e seus efeitos negativos em toda a cadeia”, afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.

O que é a LGBTI+fobia e como denunciar? | A LGBTI+fobia é um termo utilizado para definir crimes cometidos contra pessoas LGBTI+. Neste caso, o estigma, o preconceito, a discriminação, o bullying e a violência, bem como a acepção em decorrência de orientação sexual ou identidade de gênero e sua expressão de gênero, é considerado LGBTI+fobia.

Embora o Brasil tenha apresentado um avanço importante com a criminalização da LGBTI+fobia, o país ainda ocupa o primeiro lugar no ranking das Américas no quesito de homicídios de pessoas LGBTI+, conforme dados veiculados pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA). Para se ter uma ideia, a cada 19 horas, uma pessoa morre em decorrência de sua orientação sexual. É por esse motivo que a denúncia contra a LGBTI+fobia é uma medida que deve ser sempre seguida por todos. “Quem passa por situações de LGBTI+fobia não deve ficar calado. Quando a pessoa sofre em silêncio, aquele problema persiste apenas para ela. No entanto, a partir do momento em que ela toma a iniciativa de realizar a denúncia, conseguimos fazer todos os encaminhamentos legais, abrimos uma investigação sobre o episódio e, dessa forma, cobramos um posicionamento do poder público e das defensorias”, informa Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI+.

Além do Disque 100 e do Conselho Tutelar (no caso de quem é menor de idade), existem delegacias especializadas em crimes contra intolerância onde podem ser feitas as queixas de crimes contra pessoas LGBTI+. Em alguns casos, as Delegacias de Defesa da Mulher também podem servir de apoio para registrar os episódios, como explica Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes, organização independente direcionada à produção de dados e difusão de conhecimento sobre equidade.

De acordo com o diretor do Instituto Matizes, no caso do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos (em São Paulo, o Disque Denúncia é o 181 e é administrado pela SSP/SP), são exigidas as seguintes informações no atendimento: quem sofreu a violência, qual tipo (física, psicológica, maus tratos e abandono, por exemplo), quem praticou, como localizar a vítima, há quanto tempo ocorreu, em qual local e horário, entre outros dados. As denúncias são recebidas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.

“Muitas pessoas partem da percepção de que uma violência só ocorre em situações extremas, ou seja, que envolvem agressão física ou risco de vida a alguém. Contudo, também é importante levar em consideração as violências verbais e psicológicas que muitas vezes compõem esses quadros”, descreve Lucas. “As denúncias de LGBTI+fobia abrem caminho para a conscientização sobre o tema e fazem com que os indivíduos relacionados aos episódios compreendam a gravidade da situação e suas consequências. Por meio de ferramentas como o Disque 100 é possível mensurar o impacto da violência no Brasil e suas especificidades”, complementa.

A Aliança Nacional LGBTI+, organização da sociedade civil, pluripartidária e sem fins lucrativos que trabalha com a promoção e defesa dos direitos humanos e cidadania da comunidade LGBTI+ também possui uma Central Nacional de Denúncias onde é plausível formalizar crimes de LGBTI+fobia. Para isso, basta acessar a página, preencher o formulário e as equipes estarão em prontidão para atendimento. Além disso, em virtude do aumento de casos de LGBTI+fobia e de grupos LGBTI+fóbicos no Brasil, a Aliança Nacional LGBTI+ tem divulgado um alerta com 11 dicas de segurança. “Se a pessoa está sofrendo LGBTI+fobia, deve buscar redes de apoio, pessoas ou instituições que garantam o seu bem-estar, segurança e integridade a nível imediato, como o exemplo das casas de acolhida. Ao contrário do que se possa imaginar, muitos casos não acontecem na rua, mas dentro de casa”, salienta Bulgarelli. “Nessas situações, é preciso primeiro garantir os meios materiais e psicológicos para essa pessoa sobreviver e, em seguida, apresentar grupos, iniciativas ou associações da sociedade civil e do movimento LGBTI+ que permitam a ela compreender a violência pela qual passou e para que ela se aceite como é”, conclui Lucas.

Sobre o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ | Criado em março de 2013, o Fórum é movimento empresarial com atuação permanente reunindo grandes empresas em torno de 10 Compromissos com a promoção dos direitos humanos LGBTI+. Seu propósito é articular empresas em torno do compromisso com o respeito e a promoção aos direitos humanos LGBT+ no ambiente empresarial e na sociedade, além de eventos periódicos para compartilhar as melhores práticas das empresas signatárias, fomentar o respeito à diversidade sexual e identidade de gênero e abrir espaços para diálogos entre empresas e a comunidade, os 10 Compromissos para a Promoção dos Direitos LGBTI+ expressam o entendimento sobre o papel das empresas e uma agenda de trabalho. Conheça mais em https://www.forumempresaslgbt.com/.