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‘Maria, a Rainha Louca’, coprodução Brasil-Portugal dirigida por Elza Cataldo, está no Mercado de Cannes

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Maria de Medeiros. Foto: Marcia Charnizon.

‘Maria,​ a Rainha Louca’, o novo longa-metragem​ da realizadora mineira Elza Cataldo, está​ em fase​ de pós-produção​ e foi selecionado para​ о Showcase​ dо Brasil​ nо Festival​ de Cannes, onde está sendo apresentado para programadores, distribuidores​ e agentes​ dо setor audiovisual internacional.

Essa é a primeira vez que a figura da monarca D. Maria I é protagonista no cinema. A atriz portuguesa Maria​ de Medeiros​ interpreta a personagem do filme que propõe uma revisão sensível​ e potente​ dо estigma​ de ‘loucura’, reforçando a importância política​ e dimensão humana da Rainha, muitas vezes ignoradas.

Com​ um elenco que inclui ainda Paulo Rocha, Juliana Carneiro da Cunha, Rita Batata, Fernanda Vianna, Rafaela Simas, Jefferson da Fonseca, Alexandre Cioletti e Gláucia Vandeveld, Maria,​ a Rainha Louca recria​ о Brasil​ dо início​ dо século XIX​ e retrata​ a tensão crescente entre​ a rainha​ e seu filho,​ D. João VI,​ nо momento histórico​ em que​ a corte portuguesa​ se instala​ nо Rio​ de Janeiro. “A nossa Maria não​ é apenas uma figura​ dо passado, mas uma presença viva que nos obriga​ a pensar nos mecanismos​ dо poder,​ na violência​ dо silêncio​ e​ nо custo​ de ser mulher num mundo ainda amplamente dominado por homens”, afirma Elza Cataldo, diretora com​ um olhar cinematográfico autoral que realizou uma extensa pesquisa sobre D. Maria I.

Com distribuição​ da Lira Filmes (Brasil) e NOS Lusomundo Audiovisuais (Portugal) já confirmada nos dois países em 2026, e obra aposta num olhar contemporâneo sobre uma personagem histórica feminina complexa​ e poderosa.​ Temas como saúde mental, poder, memória histórica​ e identidade são abordados na obra, em sintonia com​ оs debates atuais sobre​ о papel das mulheres​ na história​ e​ na cultura.

(Fonte: Trombone Comunicação)

Espetáculo ‘O vazio é cheio de coisa’ chega ao Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Diego Bresani.

Nos dias 29 e 30 de maio, quinta e sexta, às 19h, o Sesc 24 de Maio apresenta o espetáculo ‘O vazio é cheio de coisa’, da Cia. Nós No Bambu. Na performance solo da artista Poema Mühlenberg, o encontro entre o corpo e o bambu dá origem a uma dramaturgia sensível, construída por gestos, poesia, som e luz.

A cena parte do mínimo — um corpo e um bambu — para explorar o imaginário do público com imagens carregadas de significados. A obra é uma síntese afetiva dos 15 anos de pesquisa da artista no campo da arte corpo bambu, linguagem desenvolvida em processos contínuos de investigação artística, que entrelaçam dança acrobática, teatro e artesanato.

Com direção de Edson Beserra e trilha original de Samuel Mota, O vazio é cheio de coisa propõe uma experiência poética e visceral, marcada pelo hibridismo e pela expressividade da fisicalidade e do elemento vegetal.

Sobre a Cia. | Fundada em 2003 no Distrito Federal, a Cia. Nós No Bambu surgiu da pesquisa do Sistema Integral Bambu, criado por Marcelo Rio Branco. A companhia investiga possibilidades cênicas a partir da relação entre corpo e estruturas de bambu. Desde 2008, sob direção de Poema Mühlenberg, o grupo já realizou seis espetáculos, além de performances, oficinas e projetos especiais.

Ficha técnica (resumida)

Concepção, cenografia e interpretação: Poema Mühlenberg

Direção e coreografia: Edson Beserra

Colaboração coreográfica: Ana Flávia Almeida

Trilha sonora original e direção musical: Samuel Mota

Iluminação: Emmanuel Queiroz (Trupe do Cerrado)

Figurino: Poema Mühlenberg

Rigger: Denis Inoue e Jackson Prado

Produção executiva: Felipe Junqueira

Realização: Cia. Nós No Bambu

Acesse: Youtube  | Instagram.

Serviço: 

O vazio é cheio de coisa, com Cia. Nós No Bambu

Datas: 29 e 30/5, quinta e sexta, às 19h.

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô) – Teatro (1º subsolo)

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 20/5 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 21/5 – R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc).

Classificação: 12 anos

Duração: 50 minutos

Acompanhe nas redes:

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sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)

Brasil aprova Plano Nacional de Economia Circular

Brasília, por Kleber Patricio

Foto: Julio César Silva/Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O Governo Federal aprovou no dia 8 de março o Plano Nacional de Economia Circular (PLANEC), marco importante para a transição do Brasil rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável e regenerativo. A iniciativa é parte da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) e propõe transformar os atuais sistemas de produção e consumo, priorizando a redução de resíduos, a valorização de materiais e a regeneração dos ecossistemas.

O plano prevê a adoção de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis, inovação tecnológica e novos modelos de negócios. Também destaca a necessidade de maior integração entre setor produtivo, academia, governos e sociedade civil, com o objetivo de promover uma transição justa e inclusiva, levando em conta desigualdades de gênero, raça e renda. A geração de empregos formais e a redução da dependência de recursos finitos são metas centrais.

Ao estimular mudanças em toda a cadeia de valor — do design de produtos à logística reversa — o PLANEC pretende criar um ambiente propício para a economia circular no país. A proposta reforça a importância da economia circular como caminho não apenas para a sustentabilidade ambiental, mas também para o crescimento econômico e o fortalecimento da justiça social.

“A aprovação do Plano Nacional de Economia Circular é, para o Brasil, um marco histórico em direção a um desenvolvimento que nos trará prosperidade duradoura. Ele consolida um avanço sem precedentes que o Brasil deu nos últimos anos em direção à economia circular, passando de um país que foi um dos últimos da região latino-americana a começar o desenvolvimento de políticas públicas nacionais para a economia circular, para tornar-se, rapidamente, referência e centro de discussões sobre o tema. 

Este é um plano que foi realmente construído em coletividade. O texto esteve aberto em consulta pública por 30 dias e recebeu mais de mil sugestões. Todas elas foram acatadas, ao menos parcialmente. Nesta quinta-feira, durante a segunda reunião do Fórum Nacional de Economia Circular, todos os membros do pleno aprovaram o texto, sem contestação. 

O plano também sedimenta essa agenda como um tema central para o governo, de modo que está alinhado com a principal agenda da Fazenda, o Plano de Transformação Ecológica, e da Indústria, que é a Nova Indústria Brasil. Além disso, constrói também as suas agendas específicas, com foco em redesenhar o sistema produtivo para uma economia circular.  

O lançamento chega em um momento oportuno, quando estamos às vésperas da realização do principal evento de economia circular do mundo – o Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF) – que pela primeira vez acontece no Sul Global”, avalia Luisa Santiago, diretora executiva para a Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

Fórum Mundial de Economia Circular pela primeira vez no Brasil

De 13 a 16 de maio, São Paulo foi palco de um dos principais encontros globais sobre economia circular. Pela primeira vez realizado na América do Sul, o Fórum Mundial de Economia Circular (World Circular Economy Forum – WCEF) reuniu lideranças internacionais, empresas, representantes de governos e especialistas para debater soluções e estratégias voltadas à transição para um modelo econômico mais circular e regenerativo.

A programação incluiu temas centrais, como design de produtos circulares, cadeias de valor sustentáveis e mecanismos de financiamento para inovação. A Fundação Ellen MacArthur participou como parceira do evento e contribuiu com reflexões sobre a transição para modelos de negócios ancorados na natureza e a importância de fortalecer as conexões entre países do Sul Global.

Um dos destaques foi o painel Projetando soluções baseadas na natureza para uma economia circular, com a participação de Luisa Santiago, diretora executiva da Fundação para a América Latina. A sessão, coorganizada com a CNI e o Fundo Finlandês de Inovação (Sitra), trouxe perspectivas sobre como alinhar regeneração, design circular e financiamento público-privado na construção de soluções duradouras.

Brasil volta a restringir importação de resíduos após pressão de catadores
O presidente Luiz Inácio da Silva revogou o decreto 12.438, publicado no dia 17 de abril, que autorizava a importação de alguns resíduos sólidos como papel, determinados plásticos PET e vidro, após pressão de catadores de materiais recicláveis. A decisão atendeu a uma demanda dos catadores, que se mobilizaram contra a medida por argumentarem que a liberação da importação prejudica a renda e o trabalho da categoria.

Segundo os representantes do movimento, a importação de resíduos poderia representar uma concorrência injusta com os materiais coletados no Brasil, impactando diretamente a renda de milhares de famílias que dependem da reciclagem como fonte de sustento.

A medida reabriu o debate sobre a gestão de resíduos e a importância de políticas públicas que valorizem a reciclagem local, promovendo inclusão social e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à economia circular. “No Brasil, existe, ainda, uma grande oportunidade de aprimorar os sistemas de reciclagem locais de forma eficaz, beneficiando as pessoas envolvidas, para além dos resultados ambientais e econômicos. Para isso, os materiais que entram na cadeia de reciclagem precisam ser de alta qualidade e, portanto, projetados para a reciclabilidade, algo que não pode ser garantido com a importação em massa de resíduos. 

As medidas que apoiem o desenvolvimento da cadeia de reciclagem precisam acontecer desde o design dos produtos e materiais que entram no mercado e que, eventualmente, entrarão nas cadeias de reciclagem. Medidas como o design para a reciclabilidade, garantirão que materiais de maior valor e alto grau de reciclabilidade entre no mercado. Além disso, a eliminação de materiais problemáticos é crucial para evitar a geração de resíduos, bem como os modelos de reuso, que permitem que materiais circulem por mais tempo e em alto valor, reduzindo a necessidade de novos materiais. O desenvolvimento de infraestrutura necessária para coleta, triagem e reciclagem, bem como os mecanismos de financiamento adequados, como a Responsabilidade Estendida do Produtor (REP), são fundamentais nesse processo e devem levar em conta os trabalhadores da cadeia de reciclagem como parte importante de um sistema de alto valor.

Dessa maneira, estaremos no caminho certo para consolidar uma economia resiliente e que nos trará prosperidade duradoura”, avalia Luisa Santiago, diretora executiva para a Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

(Com Isabela Guaraldi/Sherlock Coomunications)

Como a violência contra a mulher é tratada de formas opostas por boomers, millennials e geração Z

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Getty Images/ Unsplash+.

A violência contra a mulher não escolhe idade, classe social nem geração. No entanto, as formas como boomers, millennials e integrantes da geração Z encaram esse problema revelam diferenças — e essas diferenças, muitas vezes, são decisivas para o enfrentamento do abuso. Do silenciamento em ambientes familiares à exposição nas redes sociais, o cenário da violência evolui e, com ele, também a forma como é percebido e combatido.

A geração Z, composta por jovens nascidos a partir de 1995, cresceu em meio à internet e às redes sociais e, com isso, se depara com violências que vão além do físico ou psicológico. Vazamento de imagens íntimas sem consentimento, deepfakes com conteúdo sexual e perseguições virtuais são algumas das agressões que afetam, em especial, meninas e mulheres jovens. Para o advogado criminalista Davi Gebara, essa geração está mais preparada para romper o silêncio, mesmo que por meio digital. “Elas denunciam, compartilham, se articulam — mas também enfrentam novas formas de violência que exigem respostas atualizadas”, explica.

Já os millennials, adultos entre 30 e 40 e poucos anos, vivem uma espécie de transição. Embora tenham sido criados em contextos onde o machismo ainda era pouco questionado, muitos hoje repensam relações e padrões herdados. Ainda assim, enfrentam obstáculos. Há quem hesite em reconhecer situações abusivas, principalmente quando envolvem pessoas próximas. Davi aponta que o medo do julgamento, o peso do estigma e a pressão social ainda são barreiras fortes nessa faixa etária.

Entre os boomers, a violência contra a mulher muitas vezes permanece camuflada sob o véu da ‘vida privada’. Mulheres dessa geração, hoje com 60 anos ou mais, cresceram em lares onde a submissão era ensinada como virtude. Casamentos longos, muitas vezes marcados por ciclos de violência silenciosa, tornam mais difícil o rompimento com a situação. “Atendo muitas mulheres que permanecem anos em relacionamentos abusivos, não por falta de coragem, mas porque dependem financeiramente do agressor ou têm medo de ficar sozinhas. É uma prisão silenciosa, muitas vezes reforçada pela própria família e pela sociedade”, afirma Davi.

Para ele, compreender esse recorte geracional é essencial para aprimorar tanto a atuação jurídica quanto as políticas públicas voltadas à proteção da mulher. “Uma jovem de 19 anos vítima de exposição online precisa de um tipo de acolhimento muito diferente de uma mulher de 50 anos presa há décadas em um ciclo de violência”, pontua.

O desafio, segundo o advogado, está em acompanhar a transformação das dinâmicas sociais sem perder de vista a complexidade de cada realidade. É preciso ouvir, acolher e atuar de maneira personalizada, porque, apesar de a violência ser a mesma em sua essência, o contexto de quem sofre muda tudo.

(Fonte: CO Assessoria)