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Estudo mensura valores da Amazônia em pé; 42% das espécies de plantas são utilizadas por comunidades tradicionais

Amazônia, por Kleber Patricio

Trabalho propõe atribuir valor da natureza preservada sem se limitar a valores monetários. Foto: TV Brasil/Agência Brasil.

Um estudo de pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) mostra que 83% das espécies da Floresta Nacional de Carajás, no Pará, precisam ser preservadas para manter sua resiliência, ou seja, sua capacidade de continuar funcionando mesmo com eventuais perdas. Entre as plantas, 42% das espécies são utilizadas por comunidades tradicionais da região, com registros de até quatro usos diferentes por espécie. A floresta ainda oferece serviços como polinização agrícola — beneficiando 13 das 20 culturas locais, como cacau, maracujá e açaí — e regulação do clima. A floresta resiliente tem capacidade de reduzir em até 0,4 °C a temperatura local e aumentar em 21% a evapotranspiração — processo essencial ao ciclo da água, que abrange tanto a evaporação de água do solo e a transpiração das plantas.

Além disso, o estudo mostra que 60% das espécies são insubstituíveis para a manutenção das funções ecológicas da floresta. A ausência dessas espécies comprometeria de forma irreversível o ambiente, já que nenhuma outra espécie ou tecnologia poderia assumir seus papéis. As conclusões foram publicadas na revista Ecosystem Services na sexta (30), em artigo que apresenta um modelo para avaliar o capital natural com base na importância de cada espécie para a natureza e para as populações humanas.

O artigo é fruto do projeto ‘Capital Natural das Florestas de Carajás’, realizado pelo Instituto Tecnológico Vale entre 2019 e 2023. A iniciativa se baseou em coletas de campo em 14 pontos da floresta. As métricas foram divididas em duas categorias: ‘natureza para si mesma’, que mensurou as funções ecossistêmicas – ou seja, o papel de cada espécie para a manutenção da floresta – e ‘natureza para as pessoas’, que analisou os benefícios do ecossistema para as populações humanas. Para as funções, os pesquisadores consideraram elementos como riqueza de espécies, interação entre elas, resiliência, singularidade e presença de espécies ameaçadas. Já os serviços incluíram polinização agrícola, regulação do clima, proteção hídrica, uso por comunidades tradicionais e estoque de carbono.

Foram registradas no local 467 espécies de animais e 418 de plantas. Destas, 11% das aves e 9% das plantas estão ameaçadas.

O trabalho propõe atribuir valor da natureza preservada sem se limitar a valores monetários, buscando entender quais são os ativos mais importantes do capital natural para manter a floresta viva, saudável e funcionando plenamente. “Quando você transforma a natureza em dinheiro, você tem uma sustentabilidade fraca, porque você desconsidera que alguns elementos são insubstituíveis”, afirma Tereza Cristina Giannini, pesquisadora do ITV e coautora do artigo. A polinização agrícola foi o único fator medido em valores monetários, estimado em US$ 4,5 milhões por ano (cerca de R$ 23,3 milhões, na cotação atual) considerando os valores de mercado das culturas produzidas no entorno.

Segundo a pesquisadora, o modelo permite que tomadores de decisão, como empresas, governos e comunidades locais, compreendam melhor o que está em jogo ao explorar ou proteger áreas naturais. “O valor da floresta é subjetivo e plural. Para um ribeirinho pode ser algo completamente diferente do que para quem está na cidade. Com essa abordagem, se ganha essa nuance do que é de fato valioso para as pessoas em termos da natureza”, frisa Giannini. Complementando o artigo, os resultados do trabalho também estão disponíveis em um livro e em uma série de dez episódios do podcast Capital Natural, desenvolvidos pelos pesquisadores do ITV em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Vale S.A.

(Fonte: Agência Bori)

Frutos do Cerrado têm alto teor de proteína e podem diversificar a alimentação humana

Cerrado, por Kleber Patricio

Frutos de pequi ainda verdes no Cerrado; espécie se destaca por alto teor de lipídios. Foto: Jean Marconi/Flickr.

A composição nutricional de sete frutos nativos do Cerrado, pouco explorados na literatura científica, foi descrita por cientistas da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Com grande potencial para consumo humano, os frutos têm níveis de carboidrato e de umidade comparáveis aos das frutas convencionalmente consumidas, enquanto seus níveis de proteína variam entre 3,4% e 16,2% — consideravelmente superiores aos das frutas comerciais, que apresentam entre 1,1% e 5,8%. O estudo foi publicado na revista Brazilian Journal of Food Technology nesta sexta (30).

As espécies lobeira (Solanum lycocarpum), angelim-rasteiro (Andira humilis), abacaxi-do-cerrado (Ananas ananassoides), araçá-do-campo (Psidium grandifolium), caraguatá (Bromelia balansae), pequi (Caryocar brasiliense) e Araticum (Annona crassiflora) tiveram suas amostras coletadas entre janeiro e maio de 2023 na Estação Ecológica de Itirapina (SP). Os espécimes foram avaliados na íntegra, considerando polpa, sementes e cascas.

Enquanto lobeira, angelim-rasteiro e abacaxi-do-cerrado apresentaram altos teores de proteína (15,9%, 16,2% e 10%, respectivamente), os frutos de araçá-do-campo, caraguatá e araticum mostraram alta concentração de carboidratos (23,8%, 21,6% e 35,9%). A umidade dos frutos variou de 55,2% a 83%, com baixos níveis de lipídios — exceto no caso do pequi, conhecido por sua alta concentração (40%). As cinzas, que indicam a presença de minerais, permaneceram abaixo de 4,5%.

Além de seu valor nutricional, os frutos desempenham papel ecológico relevante como parte da dieta de animais do Cerrado, como o lobo-guará. O estudo também sugere que essas espécies podem ser fontes para novos produtos alimentícios, farmacêuticos ou cosméticos, além de reforçar a necessidade de conservação do bioma. “O estudo preenche lacunas importantes, especialmente porque é a primeira descrição da composição dos frutos de Andira humilis (angelim-rasteiro) e Psidium grandifolium (araçá-do-campo). Mostra que o Cerrado é ainda mais rico do que se sabia, não apenas em biodiversidade, mas também em potencial nutritivo”, relata o pesquisador Renato D’Elia Feliciano, da Ufscar. “Como essas espécies têm pouco interesse comercial e acesso limitado, há uma grande lacuna no conhecimento científico sobre seu valor nutricional.”

O pesquisador sugere que, como próximos passos, sejam realizados estudos separando polpa, sementes e cascas; análises mais detalhadas de vitaminas, minerais e compostos bioativos; investigação de toxicidade, principalmente de espécies ainda pouco conhecidas, e estudos de aplicabilidade dos frutos na indústria. Ele ressalta: “A pesquisa também reforça a importância dos frutos na dieta das espécies nativas e, com isso, a importância de conservar o Cerrado. A existência de frutos nutricionalmente valiosos nos mostra que a perda da diversidade neste bioma consequentemente resulta na perda de recursos com amplo potencial de uso humano.”

(Fonte: Agência Bori)

Salta une sofisticação e tradição brasileira no roteiro gastronômico de Lisboa

Lisboa, por Kleber Patricio

Tomaz Reis e Rafael Almeida, fundadores do Salta. Fotos: Divulgação.

O Salta é um restaurante fine dining que ressignifica fronteiras da culinária ao unir, de forma ousada, as cozinhas asiática e centro-americana na Europa. Localizado em Lisboa, o restaurante foi fundado por quatro amigos brasileiros com trajetórias em cidades como Nova Iorque, Sydney, São Paulo e Copenhagen. O projeto nasceu durante a pandemia, após um reencontro inesperado de dois dos sócios Rafael Almeida e Tomaz Reis, amigos de infância que não se viam há mais de 10 anos e se reencontraram em Portugal.

Em uma conversa à beira-mar, nasceu a ideia de abrir um restaurante que celebrasse a diversidade cultural vivida por cada um deles. O nome ‘Salta’ é inspirado em Saltapatrás’, termo histórico que remonta ao cruzamento entre colonos asiáticos e nativos da América Central durante o período colonial espanhol. Essa fusão histórica dá o tom da proposta do restaurante: uma cozinha sem rótulos, onde tradição e inovação se encontram em pratos surpreendentes.

O menu que dá sabor ao conceito possui pratos como Ceviche de Vieiras Japonesas com Dashi, Tacos de Caranguejo de casca mole com maionese de gochujang e Nigiri de Atum Bluefin com arroz crocante, maionese picante e mogno. As sobremesas mantêm o mesmo nível dos pratos principais, com opções como o Tempurá de Gelado com baunilha mexicana frito e calda de butterscotch, prezando pela união da criatividade e de ingredientes frescos e resultando numa experiência gastronômica única.

Nigiri de blue fin (mais fotos no post do Instagram).

A cozinha do Salta é comandada por Tomaz Reis, chef executivo formado pela Le Cordon Bleu de Sydney, que traz uma bagagem internacional moldada por experiências em cozinhas da Austrália, Portugal e Brasil. Ao seu lado está Rafael Almeida, também sócio do restaurante, que traz uma visão estratégica e criativa construída ao longo de anos atuando em projetos gastronômicos e culturais também entre Portugal e Brasil. Juntos, imprimem ao restaurante uma identidade própria, marcada por excelência técnica, multiculturalismo e sensibilidade estética.

Atualmente, o Salta consolida-se como um dos restaurantes mais bem avaliados de Lisboa, ostentando uma avaliação de 4,8 estrelas no Google, nota média de 9,2 no TheFork baseada em mais de 1.100 avaliações e uma nota de 4,5 estrelas no TripAdvisor. Os clientes não destacam apenas a excelência gastronômica, mas também a atmosfera acolhedora e o serviço atencioso, que tornam cada visita uma experiência memorável. Em maio de 2025, o restaurante reforçou sua proposta multicultural ao receber o chef mexicano Santiago Monteczuma, do prestigiado restaurante Marajó, listado no Guia Michelin da Cidade do México, para um pop-up exclusivo. No Salta, comer é uma celebração multicultural, onde histórias de vida e sabores do mundo se encontram a cada garfada. https://www.salta.pt/

(Com Lucas Leão/Mengucci Imprensa e Mídia)

Editora FGV lança livro sobre a memória do cinema documentário brasileiro e de cineastas durante o período da ditadura militar

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

O livro ‘Memória do cinema documentário brasileiro: histórias de vida’ nos leva aos bastidores da cria­ção documental por meio de entrevistas com 13 documentaris­tas que tiveram suas histórias de vida e trajetórias profissio­nais impactadas pela ditadu­ra militar instaurada em 1964. Entre lembranças e afirmações, medos e hesitações, as entre­vistas reunidas não apenas desvendam processos criativos e desafios de produção, como também lançam luz sobre as tensões entre arte, política e mercado.

Como registrar a rea­lidade sem manipulá-la? Como lidar com censuras e dispu­tas narrativas? Essas questões atravessam os relatos daqueles que filmaram o Brasil com olhar atento e crítico, construindo um testemunho coletivo sobre a força do documentário como prática estética e política.

A obra, organizada por Thais Blank, Arbel Griner e Adelina Cruz, com colaboração de Isabella Poppe, e publicada pela Editora FGV com apoio da Faperj, é resultado do projeto homônimo ao título desenvolvido pelo FGV CPDOC.

Este primeiro volume é dedicado à produção do cinema documentário realizado no Brasil no período de repressão e apresenta entrevistas realizadas em diversos momentos com os cineastas Eduardo Escorel, Eduardo Coutinho, João Batista de Andrade, Jean-Claude Bernardet, Maurice Capovilla, Helena Solberg, Ana Carolina, Geraldo Sarno, Vladimir Carvalho, Silvio Da-Rin, Andrea Tonacci, Joel Zito e Lucia Murat.

A seleção dos cineastas que compõem este volume teve como objetivo permitir que suas biografias fossem contextualizadas não apenas no campo cinematográ­fico, mas também no cenário político e social da ditadura militar, ampliando a compreensão do papel do Cinema Novo no desenvolvi­mento do documentário brasileiro.

Me­mória do cinema documentário brasileiro é, acima de tudo, um convite para revisitar o passa­do, e refletir sobre o presente e o futuro do cinema documen­tal, em tempos de disputa de memórias e imagens.

Para marcar o lançamento desta obra, as organizadoras e alguns dos entrevistados estarão presentes na Janela Livraria do Jardim Botânico/Rio, dia 13/6, a partir das 19h, para bate-papo e autógrafos.

Memória do cinema documentário brasileiro: histórias de vida

Organização: Thais Blank, Arbel Griner, Adelina Cruz; com colaboração de Isabella Poppe

452 páginas

Editora FGV – 2025.

(Com Marcia Gomes/Insightnet)

Marcelo Jeneci apresenta show ‘Night Club Forró Latino’ no Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Show acontece nos dias 7 e 8 de junho, com repertório que transforma hits populares em forró contemporâneo. Foto: Divulgação.

Nos dias 7 e 8 de junho, o Sesc 24 de Maio recebe o cantor e compositor Marcelo Jeneci apresentando seu mais recente EP Night Club Forró Latino’ (Volume I). O projeto traz releituras de grandes sucessos do pagode, sertanejo, pop e reggae, recriados em ritmo de forró com a clássica sanfona de Jeneci. O espetáculo conta com as participações especiais dos Mestres do Pífano de Caruaru, Zé Gago e Bastos.

O EP reúne sete faixas originalmente gravadas por outros artistas, agora reinventadas a partir de uma pesquisa musical conduzida por Jeneci em colaboração com Marcel Klemm, Juba Carvalho, Luiz Araújo e Helder Lopes. A seleção do repertório foi inspirada em trilhas sonoras de rádio, cinema e telenovelas brasileiras.

Sobre Marcelo Jeneci

Natural da Cohab Juscelino, em Guaianases, Zona Leste de São Paulo, Marcelo Jeneci aprendeu música com o pai, técnico em eletrônicos e instrumentos musicais. Iniciou a carreira tocando sanfona na banda de Chico César e, ao longo dos anos, firmou parcerias com nomes como Arnaldo Antunes, Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit. Em 2010, lançou seu álbum de estreia Feito para Acabar, seguido por Dia a Dia, Lado a Lado (2015), em parceria com Tulipa Ruiz.

Ouça: Spotify / Apple Music / YouTube Music

Assista: You Tube.

Serviço:

Marcelo Jeneci | Show Night Club Forró Latino

Datas: 7 e 8 /6 – sábado, às 20h e domingo, 18h

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – a 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 12 anos

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou pelo aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades Sesc – R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc)

Duração do show: 90 min

Serviço de van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h

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Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Assessoria de imprensa Sesc 24 de Maio)