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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Exposição conta a história do samba e da identidade negra em Curitiba

Curitiba, por Kleber Patricio

Exposição ‘Entre a Vila e a Cidade: A Curitiba do Samba’. Fotos: Divulgação/PUC PR.

A exposição ‘Entre a Vila e a Cidade: A Curitiba do Samba’ convida o público a conhecer e refletir sobre a história do samba na capital paranaense e sua relação com a ocupação do espaço urbano, a resistência cultural e a identidade negra. A mostra acontece no Centro Cultural da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e está aberta até dia 11 de julho com visitação gratuita. O evento reúne fotografias, recortes de jornais, adereços das escolas de samba e retratos da velha guarda. “Essa exposição é um convite para enxergar Curitiba pelo olhar de quem faz o carnaval acontecer. É sobre resistência, criatividade e a força coletiva do samba na cidade, celebrando os territórios, as escolas, os blocos e, principalmente, as pessoas que fazem o samba pulsar”, conta Gustavo Paris, curador da exposição e integrante da PUCPR Cultura.

O samba, expressão cultural nascida da mistura de ritmos, tradições e memórias da diáspora africana, encontrou em Curitiba um terreno próprio para se desenvolver. Um dos pilares da exposição é a relação entre o samba e a ferrovia, elemento simbólico que representa tanto a conexão territorial quanto às barreiras enfrentadas pelas e pelos sambistas ao longo das décadas. Um mapa colaborativo elaborado pelo Bloco Boca Negra destaca os territórios do samba na capital, enquanto uma instalação central convida os visitantes a uma roda ancestral, celebrando os mestres que construíram essa história.

A exposição também dialoga com o movimento atual dos blocos de rua, evidenciando suas aproximações com o carnaval como forma de ocupação do espaço público e de continuidade das manifestações culturais coletivas. “A história do samba e do carnaval em Curitiba é muito interessante porque conta a própria história da cidade”, conta a antropóloga Caroline Blum, consultora da exposição. “O carnaval está aqui há 80 anos e a escola de samba mais antiga da cidade, Embaixadores da Alegria, é de 1948, ou seja, temos uma trajetória histórica tão grande como outros polos, como o Rio de Janeiro”, diz Caroline.

Entre a Vila e a Cidade é um convite para conhecer e reconhecer a Curitiba do tambor, da festa, da negritude, da criatividade periférica e das comunidades que constroem sua identidade cultural. Uma Curitiba que pulsa ao ritmo do samba. A exposição é realizada pela PUCPR Cultura, com o apoio da Casa da Memória, Fundação Cultural de Curitiba, Museu Paranaense, Secretaria de Estado da Cultura e Governo do Estado do Paraná. O horário de visitação é de terça a sexta, das 9h às 22h, e sábados, das 9h às 13h.

Serviço: 

Exposição Entre a Vila e a Cidade: A Curitiba do Samba 

Data: até 11 de julho

Horário: Terça a sexta, das 9h às 22h | Sábados, das 9h às 13h

Local: Centro Cultural da PUCPR (Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho)

Entrada gratuita

Outras informações: www.instagram.com/pucpr_cultura.

(Com Aline Anile/PG1 Comunicação)

Martins&Montero recebe ‘Entrevero’, nova exposição de Michel Zózimo

São Paulo, por Kleber Patricio

Michel Zózimo – Pavão Azul, 2025 – acrílica e nanquim sobre linho unique – 
260 X 150 X 5 cm. Fotos: © Fábio Del Re e Carlos Stein/Viva Foto/Cortesia Martins&Montero.

A partir de 24 de maio de 2025, a galeria Martins&Montero apresenta ‘Entrevero’, exposição individual do artista Michel Zózimo que reúne um conjunto inédito de obras desenvolvidas ao longo dos últimos dois anos. É a primeira vez que o artista expõe uma pintura de grande formato, dando continuidade ao rigor persistente que atravessa sua pesquisa e produção — uma obra porosa ao tempo, à textura e à natureza.

Zózimo apresenta trabalhos em múltiplos suportes — colagens, desenhos, pinturas, cerâmicas, bordados, bronze e madeira —, todos marcados pela mesma lógica formal e rítmica. A diversidade dos meios não compromete a unidade do conjunto, pelo contrário: a reforça. Os bordados, feitos em parceria com a artista Fernanda Gassen, são como pinturas feitas com agulha em que a técnica se reinventa conforme as exigências da imagem. As cerâmicas, iniciadas há mais de uma década, trazem o peso do tempo maturado entre modelagem, padrão e matéria.

Michel Zózimo – Lâmina 11, Gata lambendo romã, série Livro Verde, 2024 – grafite aquarelado e nanquim sobre papel algodão unique – 40 x 30 cm.

O título Entrevero opera como núcleo conceitual e campo semântico expandido. Nomeia o que se mistura, o que se embaralha, o que se vê sem nitidez. Carrega, ainda, a ressonância regionalista do sul do Brasil: a confusão como embate, como tensão indistinta entre forças em movimento. E, por fim, deixa ecoar o verbo ‘entrever’, esse gesto liminar entre o visível e o que escapa. A exposição, como o nome sugere, é um território de emaranhados: entre técnica e intuição, natureza e artefato, figura e fundo, humano e não humano.

Zózimo dá mais desdobramentos à sua pesquisa principal de imagens enciclopédicas antigas, atravessadas por marcas de sua própria temporalidade — ruídos da impressão, texturas involuntárias, falhas que se tornam matéria. A essas imagens ele responde com um gesto paciente e contínuo, que remete à tatuagem tebori: sobre o papel, o nanquim constrói luz e sombra por meio de retículas de pontilhados, como se desenhasse a partir de uma memória táctil do tempo. É uma espécie de transe gráfico, que o artista Cristiano Lenhardt, autor do texto da exposição, descreve como ‘psicogravação’ — um fazer que se aproxima da meditação e que dissolve o autor em sua própria repetição.

A exposição revela um entrevero de flores, frutos e animais, onde o olhar do espectador se vê convocado a reconhecer formas, padrões, olhos — em uma evocação à pareidolia, essa herança ancestral de identificar rostos por instinto à sobrevivência. Não há, porém, uma narrativa linear. O que guia a experiência é o desencadeamento sensorial, um ímpeto orgânico sequencial que conecta as obras como se fossem derivações de um mesmo corpo.

Michel Zózimo – Ave do paraíso com pé direito, da série Tábuas, 2024 – grafite aquarelado, nanquim sobre madeira acácia, fixação verniz fosco unique – 16 x 26 x 3 cm.

Há em Entrevero uma afirmação sutil — mas firme — de uma política do indistinto. Nas obras, como na vida, não há separações rígidas: animais humanos e não humanos compartilham o mesmo plano, assim como figura e fundo se dissolvem um no outro. É nesse terreno ambíguo que a exposição se estabelece: a imersão em um universo onde tempo, matéria e gesto se misturam.

Sobre o artista

Os desenhos, bordados, cerâmicas, colagens, esculturas e instalações de Michel Zózimo (Santa Maria, 1977) partem de distintos assuntos, originários de pesquisas visuais que investigam acontecimentos naturais e oníricos, como que retirados de velhas enciclopédias impressas ou livros mágicos. Dentre os assuntos: a formação de pedras, a origem de vulcões e montanhas, a queda de meteoritos, os planetas que nos cercam, as estranhas formas de corais, conchas e árvores, a possível existência de objetos voadores não identificados, a execução de truques de mágica, as operações transformadoras da alquimia e da magia, as imagens que povoam pesadelos, os desenhos de tatuagem em estilo horimono e os filmes de ficção científica.

Em 2024, apresentou a individual Livro Verde no Instituto Ling (Porto Alegre), que acompanhou o lançamento de seu livro de artista. Em 2023 participou do Artist-in-residence Programm des Salzburger Kunstvereins, produzindo a publicação de artista BERG. Em 2021 realizou a individual O nome vem depois, com curadoria de Lilia Schwarcz, na Sé Galeria, em São Paulo. Entre as principais mostras estão 36º Panorama da Arte Brasileira (2019, MAM/SP), RS XXI (2017, Santander Cultural/RS), Soft Cover Revolution (2015, Fundación Arte Vivo Otero Herrera/Madri), Festival Vídeo Brasil (2014, SESC/SP), 9ª Bienal do Mercosul (2013, Memorial do Rio Grande do Sul/RS), Temporada de Projetos Paço das Artes (2012, Paço das Artes/SP), Rumos Artes Visuais (2011, Itaú Cultural/SP) e Programa de Exposições Centro Cultural de São Paulo (2010, Centro Cultural de São Paulo/SP), recebendo o Prêmio Residência Artística do PECCSP no Hangar em Barcelona, no ano de 2011. Tem dois livros publicados através de Prêmios de Incentivo à Produção Crítica da Funarte: Assim que for editado, lhe envio (2013) e Estratégias Expansivas da Arte: publicações de artistas e seus espaços moventes (2010).

Michel Zózimo: Entrevero

Abertura: 24/5/2025 | 13h – 18h

Visitação: até 28/6/2025 | de terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h

Martins&Montero – Rua Jamaica, 50 – São Paulo, SP

(Com Carolina Amoedo/A4&Holofote Comunicação)

‘Maria, a Rainha Louca’, coprodução Brasil-Portugal dirigida por Elza Cataldo, está no Mercado de Cannes

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Maria de Medeiros. Foto: Marcia Charnizon.

‘Maria,​ a Rainha Louca’, o novo longa-metragem​ da realizadora mineira Elza Cataldo, está​ em fase​ de pós-produção​ e foi selecionado para​ о Showcase​ dо Brasil​ nо Festival​ de Cannes, onde está sendo apresentado para programadores, distribuidores​ e agentes​ dо setor audiovisual internacional.

Essa é a primeira vez que a figura da monarca D. Maria I é protagonista no cinema. A atriz portuguesa Maria​ de Medeiros​ interpreta a personagem do filme que propõe uma revisão sensível​ e potente​ dо estigma​ de ‘loucura’, reforçando a importância política​ e dimensão humana da Rainha, muitas vezes ignoradas.

Com​ um elenco que inclui ainda Paulo Rocha, Juliana Carneiro da Cunha, Rita Batata, Fernanda Vianna, Rafaela Simas, Jefferson da Fonseca, Alexandre Cioletti e Gláucia Vandeveld, Maria,​ a Rainha Louca recria​ о Brasil​ dо início​ dо século XIX​ e retrata​ a tensão crescente entre​ a rainha​ e seu filho,​ D. João VI,​ nо momento histórico​ em que​ a corte portuguesa​ se instala​ nо Rio​ de Janeiro. “A nossa Maria não​ é apenas uma figura​ dо passado, mas uma presença viva que nos obriga​ a pensar nos mecanismos​ dо poder,​ na violência​ dо silêncio​ e​ nо custo​ de ser mulher num mundo ainda amplamente dominado por homens”, afirma Elza Cataldo, diretora com​ um olhar cinematográfico autoral que realizou uma extensa pesquisa sobre D. Maria I.

Com distribuição​ da Lira Filmes (Brasil) e NOS Lusomundo Audiovisuais (Portugal) já confirmada nos dois países em 2026, e obra aposta num olhar contemporâneo sobre uma personagem histórica feminina complexa​ e poderosa.​ Temas como saúde mental, poder, memória histórica​ e identidade são abordados na obra, em sintonia com​ оs debates atuais sobre​ о papel das mulheres​ na história​ e​ na cultura.

(Fonte: Trombone Comunicação)

Espetáculo ‘O vazio é cheio de coisa’ chega ao Sesc 24 de Maio

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Diego Bresani.

Nos dias 29 e 30 de maio, quinta e sexta, às 19h, o Sesc 24 de Maio apresenta o espetáculo ‘O vazio é cheio de coisa’, da Cia. Nós No Bambu. Na performance solo da artista Poema Mühlenberg, o encontro entre o corpo e o bambu dá origem a uma dramaturgia sensível, construída por gestos, poesia, som e luz.

A cena parte do mínimo — um corpo e um bambu — para explorar o imaginário do público com imagens carregadas de significados. A obra é uma síntese afetiva dos 15 anos de pesquisa da artista no campo da arte corpo bambu, linguagem desenvolvida em processos contínuos de investigação artística, que entrelaçam dança acrobática, teatro e artesanato.

Com direção de Edson Beserra e trilha original de Samuel Mota, O vazio é cheio de coisa propõe uma experiência poética e visceral, marcada pelo hibridismo e pela expressividade da fisicalidade e do elemento vegetal.

Sobre a Cia. | Fundada em 2003 no Distrito Federal, a Cia. Nós No Bambu surgiu da pesquisa do Sistema Integral Bambu, criado por Marcelo Rio Branco. A companhia investiga possibilidades cênicas a partir da relação entre corpo e estruturas de bambu. Desde 2008, sob direção de Poema Mühlenberg, o grupo já realizou seis espetáculos, além de performances, oficinas e projetos especiais.

Ficha técnica (resumida)

Concepção, cenografia e interpretação: Poema Mühlenberg

Direção e coreografia: Edson Beserra

Colaboração coreográfica: Ana Flávia Almeida

Trilha sonora original e direção musical: Samuel Mota

Iluminação: Emmanuel Queiroz (Trupe do Cerrado)

Figurino: Poema Mühlenberg

Rigger: Denis Inoue e Jackson Prado

Produção executiva: Felipe Junqueira

Realização: Cia. Nós No Bambu

Acesse: Youtube  | Instagram.

Serviço: 

O vazio é cheio de coisa, com Cia. Nós No Bambu

Datas: 29 e 30/5, quinta e sexta, às 19h.

Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô) – Teatro (1º subsolo)

Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 20/5 e nas bilheterias das unidades Sesc SP a partir de 21/5 – R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc).

Classificação: 12 anos

Duração: 50 minutos

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sescsp.org.br/24demaio

Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

350 metros do metrô República

Fone: (11) 3350-6300.

(Com Meyre Vitorino/Sesc 24 de Maio)

Brasil aprova Plano Nacional de Economia Circular

Brasília, por Kleber Patricio

Foto: Julio César Silva/Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O Governo Federal aprovou no dia 8 de março o Plano Nacional de Economia Circular (PLANEC), marco importante para a transição do Brasil rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável e regenerativo. A iniciativa é parte da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) e propõe transformar os atuais sistemas de produção e consumo, priorizando a redução de resíduos, a valorização de materiais e a regeneração dos ecossistemas.

O plano prevê a adoção de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis, inovação tecnológica e novos modelos de negócios. Também destaca a necessidade de maior integração entre setor produtivo, academia, governos e sociedade civil, com o objetivo de promover uma transição justa e inclusiva, levando em conta desigualdades de gênero, raça e renda. A geração de empregos formais e a redução da dependência de recursos finitos são metas centrais.

Ao estimular mudanças em toda a cadeia de valor — do design de produtos à logística reversa — o PLANEC pretende criar um ambiente propício para a economia circular no país. A proposta reforça a importância da economia circular como caminho não apenas para a sustentabilidade ambiental, mas também para o crescimento econômico e o fortalecimento da justiça social.

“A aprovação do Plano Nacional de Economia Circular é, para o Brasil, um marco histórico em direção a um desenvolvimento que nos trará prosperidade duradoura. Ele consolida um avanço sem precedentes que o Brasil deu nos últimos anos em direção à economia circular, passando de um país que foi um dos últimos da região latino-americana a começar o desenvolvimento de políticas públicas nacionais para a economia circular, para tornar-se, rapidamente, referência e centro de discussões sobre o tema. 

Este é um plano que foi realmente construído em coletividade. O texto esteve aberto em consulta pública por 30 dias e recebeu mais de mil sugestões. Todas elas foram acatadas, ao menos parcialmente. Nesta quinta-feira, durante a segunda reunião do Fórum Nacional de Economia Circular, todos os membros do pleno aprovaram o texto, sem contestação. 

O plano também sedimenta essa agenda como um tema central para o governo, de modo que está alinhado com a principal agenda da Fazenda, o Plano de Transformação Ecológica, e da Indústria, que é a Nova Indústria Brasil. Além disso, constrói também as suas agendas específicas, com foco em redesenhar o sistema produtivo para uma economia circular.  

O lançamento chega em um momento oportuno, quando estamos às vésperas da realização do principal evento de economia circular do mundo – o Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF) – que pela primeira vez acontece no Sul Global”, avalia Luisa Santiago, diretora executiva para a Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

Fórum Mundial de Economia Circular pela primeira vez no Brasil

De 13 a 16 de maio, São Paulo foi palco de um dos principais encontros globais sobre economia circular. Pela primeira vez realizado na América do Sul, o Fórum Mundial de Economia Circular (World Circular Economy Forum – WCEF) reuniu lideranças internacionais, empresas, representantes de governos e especialistas para debater soluções e estratégias voltadas à transição para um modelo econômico mais circular e regenerativo.

A programação incluiu temas centrais, como design de produtos circulares, cadeias de valor sustentáveis e mecanismos de financiamento para inovação. A Fundação Ellen MacArthur participou como parceira do evento e contribuiu com reflexões sobre a transição para modelos de negócios ancorados na natureza e a importância de fortalecer as conexões entre países do Sul Global.

Um dos destaques foi o painel Projetando soluções baseadas na natureza para uma economia circular, com a participação de Luisa Santiago, diretora executiva da Fundação para a América Latina. A sessão, coorganizada com a CNI e o Fundo Finlandês de Inovação (Sitra), trouxe perspectivas sobre como alinhar regeneração, design circular e financiamento público-privado na construção de soluções duradouras.

Brasil volta a restringir importação de resíduos após pressão de catadores
O presidente Luiz Inácio da Silva revogou o decreto 12.438, publicado no dia 17 de abril, que autorizava a importação de alguns resíduos sólidos como papel, determinados plásticos PET e vidro, após pressão de catadores de materiais recicláveis. A decisão atendeu a uma demanda dos catadores, que se mobilizaram contra a medida por argumentarem que a liberação da importação prejudica a renda e o trabalho da categoria.

Segundo os representantes do movimento, a importação de resíduos poderia representar uma concorrência injusta com os materiais coletados no Brasil, impactando diretamente a renda de milhares de famílias que dependem da reciclagem como fonte de sustento.

A medida reabriu o debate sobre a gestão de resíduos e a importância de políticas públicas que valorizem a reciclagem local, promovendo inclusão social e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à economia circular. “No Brasil, existe, ainda, uma grande oportunidade de aprimorar os sistemas de reciclagem locais de forma eficaz, beneficiando as pessoas envolvidas, para além dos resultados ambientais e econômicos. Para isso, os materiais que entram na cadeia de reciclagem precisam ser de alta qualidade e, portanto, projetados para a reciclabilidade, algo que não pode ser garantido com a importação em massa de resíduos. 

As medidas que apoiem o desenvolvimento da cadeia de reciclagem precisam acontecer desde o design dos produtos e materiais que entram no mercado e que, eventualmente, entrarão nas cadeias de reciclagem. Medidas como o design para a reciclabilidade, garantirão que materiais de maior valor e alto grau de reciclabilidade entre no mercado. Além disso, a eliminação de materiais problemáticos é crucial para evitar a geração de resíduos, bem como os modelos de reuso, que permitem que materiais circulem por mais tempo e em alto valor, reduzindo a necessidade de novos materiais. O desenvolvimento de infraestrutura necessária para coleta, triagem e reciclagem, bem como os mecanismos de financiamento adequados, como a Responsabilidade Estendida do Produtor (REP), são fundamentais nesse processo e devem levar em conta os trabalhadores da cadeia de reciclagem como parte importante de um sistema de alto valor.

Dessa maneira, estaremos no caminho certo para consolidar uma economia resiliente e que nos trará prosperidade duradoura”, avalia Luisa Santiago, diretora executiva para a Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

(Com Isabela Guaraldi/Sherlock Coomunications)