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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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IMS recebe mostra inédita sobre cinema indígena brasileiro

São Paulo, por Kleber Patricio

Frame do filme “ATL – Acampamento Terra Livre” (2017), de Edgar Kanaykõ Xakriabá.

Em abril, o Cinema do IMS apresenta a mostra Demarcação das telas e revolução das imagens: celebrando a produção audiovisual indígena no Brasil. A retrospectiva se debruça sobre as últimas décadas de produção cinematográfica de autoria e coautoria indígena no Brasil e é um desdobramento da exposição “Xingu: contatos”, que esteve em cartaz no IMS Paulista até 9 de abril.

Com curadoria de Graci Guarani, Takumã Kuikuro e Christian Fischgold, será apresentada uma seleção de 30 filmes dirigidos ou codirigidos por cineastas indígenas de todas as regiões do país. A mostra acontece na cidade de São Paulo a partir do dia 25 de abril e segue ao longo do mês de maio. A programação também inclui debate com os curadores da mostra, após a sessão “Cinema indígena e meio ambiente”. O bate-papo acontece no cineteatro do IMS Paulista, no dia 25 de abril, às 19h30.

O objetivo da retrospectiva é reforçar a importância política, social, econômica e estética do cinema para os povos indígenas apresentando uma extensa variedade de linguagens, divididas em seis eixos temáticos: Imagens-espírito, Resistência política, Meio ambiente, Animações, Linguagens artísticas e Clássicos.

“Atualmente, cerca de 90% das comunidades indígenas brasileiras possuem seu próprio cineasta. Esses artistas transformaram suas comunidades em poderosos centros de produção de imagens e ocuparam uma posição importante no intercâmbio da produção simbólica, fortalecendo significativamente uma cadeia produtiva com diversas possibilidades de formação e atuação”, comentam os curadores da mostra.

Entre os títulos apresentados, estão “Zawxiperkwer Ka’a – Guardiões da floresta” (2019), de Jocy Guajajara e Milson Guajajara, “ATL – Acampamento Terra Livre” (2017), de Edgar Kanaykõ Xakriabá, “Kaapora – O chamado das matas” (2020), de Olinda Muniz Wanderley, e “Yarang Mamin” (2019), de Kamatxi Ikpeng, que trazem uma perspectiva da importância do audiovisual como ferramenta para a luta política, a proteção do território, a reivindicação de direitos e a relação das comunidades indígenas com o meio ambiente.

Local de produção dos filmes e da etnia do povo retratado.

Outros destaques são os clássicos do cinema indígena brasileiro realizados nas décadas de 1990 e 2000, como “Wapté Mnhõnõ – A iniciação do jovem Xavante” (1999), de Divino Tserewahú, e “Shomõtsi” (2001), de Wewito Piyãko, além de produções contemporâneas e mais recentes, como “Tamuia” (2021), de Denilson Baniwa, e “Karaiw a’e wà” (2022), de Zahy Tentehar.

Também serão exibidos trabalhos que ressaltam a apropriação das linguagens técnicas dos filmes de animação como exemplos do acionamento das culturas visuais indígenas, que dialogam com um público ainda mais abrangente.

Para os curadores da mostra, a ideia foi “priorizar a diversidade temática, territorial, de deslocamentos e pertencimentos das obras selecionadas. Se a literatura e as artes visuais indígenas consolidaram nomes singulares de qualidade indiscutível, foi o trabalho com o audiovisual que melhor se integrou à paisagem social das comunidades indígenas no Brasil, uma vez que se trata das formas de ouvir e enxergar (áudio/visual) o que está no princípio de suas culturas”.

Serviço:

Mostra de filmes Demarcação das telas e revolução das imagens: celebrando a produção audiovisual indígena no Brasil

Programação completa: clique aqui

IMS Paulista

Início: 25 de abril

Avenida Paulista, 2424

Ingressos: R$10 (inteira) e R$5 (meia)

Os ingressos das sessões do IMS Paulista podem ser adquiridos neste site e na bilheteria do centro cultural, para sessões do mesmo dia.

(Fonte: IMS Paulista)

Liniker se apresenta com concerto Candlelight em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Pela primeira vez, a cantora, compositora e vencedora do Grammy Latino, Liniker, será a estrela de dois concertos íntimos a luz de velas no Teatro Bradesco em abril. Fotos: divulgação.

Os Concertos Candlelight, uma série de espetáculos musicais intimistas em ambientes cercados por milhares de velas original da Fever, apresentará, pela primeira vez, dois concertos com a vencedora do Grammy Latino Liniker. Os concertos aconteceram no Teatro Bradesco nos dias 25 e 26 de abril às 21h.

Nascida em Araraquara, no interior de São Paulo, a cantora e compositora Liniker ficou conhecida no Brasil e internacionalmente ao lançar o EP “Cru” (2015) e os discos “Remonta” (2016) e “Goela Abaixo” (2019)  – ao lado da banda Caramelows. Em 2021, lançou também o seu primeiro disco-solo, “Indigo Borboleta Anil”, que recebeu três indicações ao Grammy Latino 2022 e levou o prêmio de “Melhor álbum de música popular brasileira”, tornando-a a artista brasileira com mais indicações ao prêmio neste ano e a primeira artista transgênero a ganhar um Grammy.

As sessões musicais apresentadas pela Fever, que também já trouxe um concerto Candlelight com Anavitória no Brasil, trará o melhor da música de Liniker em um ambiente íntimo à luz de velas.

Os espetáculos nos dias 25 e 26 de abril terão uma duração de 90 minutos com abertura de portas 30 minutos antes do concerto. Os ingressos, com valores a partir de R$150, podem ser adquiridos exclusivamente no site ou app da Fever, a principal plataforma global de descoberta de entretenimento ao vivo.

Os concertos Candlelight são uma série de concertos de música originais criados pela Fever com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, permitindo que pessoas de todo o mundo desfrutem de apresentações de música ao vivo à luz de velas tocadas por músicos locais em vários espaços deslumbrantes iluminados por milhares de velas. Candlelight foi inicialmente concebido como uma série de música clássica com concertos apresentando obras dos maiores compositores como Vivaldi, Mozart e Chopin. Agora, a lista cada vez maior de programas inclui uma grande variedade de temas e gêneros, incluindo homenagens a artistas contemporâneos como Queen, ABBA, Coldplay e Ed Sheeran, além de shows dedicados ao K-Pop, trilhas sonoras de filmes e muito mais. Essa experiência multissensorial também evoluiu para apresentar diferentes elementos, como bailarinos ou artistas aéreos, além de outros gêneros, como jazz, soul, ópera, flamenco e muito mais. Os concertos Candlelight estão presentes em mais de 100 cidades em todo o mundo, com mais de três milhões de participantes até o momento.

Candlelight: Liniker à luz de velas

Data e hora: 25 e 26 de abril às 21h

Artistas: Liniker – voz, Vitor Arantes – piano, Ana Karina – baixo

Duração: 60 minutos (abertura de portas 30 minutos antes e não será permitida a entrada na sala após o fechamento das portas)

Ingressos: a partir de R$150 pela Fever

Localização: Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500, Loja 263, 3° Piso, Perdizes, 5005-900)

Idade: a partir dos 8 anos. Menores de 16 anos deverão ser acompanhados por um adulto.

Sobre a Fever

A Fever é a principal plataforma global de descoberta de entretenimento ao vivo que ajuda, desde 2014, milhões de pessoas a descobrirem as melhores experiências nas suas cidades. Com a missão de democratizar o acesso à cultura e ao entretenimento na vida real através da sua plataforma, a Fever inspira os utilizadores a aproveitarem experiências locais exclusivas e eventos, desde exposições imersivas, peças de teatro interativas e festivais até pop-ups de degustações moleculares, enquanto capacita criadores com dados e tecnologia para criar e expandir experiências em todo o mundo.

Sobre Liniker

Nascida no interior de São Paulo, a cantora e compositora Liniker ficou conhecida em 2015, no Brasil e internacionalmente, ao colocar na internet o EP Cru, lançado sob a alcunha de Liniker e os Caramelows. De lá pra cá lançou os discos “Remonta” (2016) e “Goela Abaixo” (2019 – indicado ao Grammy Latino). Em 2021, viveu a protagonista Cassandra, na série “Manhãs de Setembro”, da Prime Vídeo, além de lançar também o seu primeiro disco-solo, “Indigo Borboleta Anil”, que tem a participação de Milton Nascimento, da Orquestra Jazz Sinfônica, de Letieres Leite e da Orkestra Rumpilezz, entre outros. O álbum recebeu três indicações ao Grammy Latino 2022 e levou o prêmio de “Melhor álbum de música popular brasileira”, tornando Liniker a artista brasileira com mais indicações ao prêmio neste ano e a primeira artista transgênero a ganhar um Grammy.

(Fonte: Sherlock Communications)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta “O Guarani”, de Carlos Gomes, com concepção geral de Ailton Krenak

São Paulo, por Kleber Patricio

O ator David Vera Popygua Ju. Foto: Stig de Lavor.

O mês de maio celebra alguns aniversários marcantes no Theatro Municipal de São Paulo. Após 104 anos de sua estreia no Theatro Municipal de São Paulo e 23 anos após sua última montagem neste teatro, a maior casa de óperas do Brasil recebe a partir do dia 12/5, sexta-feira, às 20h, a montagem da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, com concepção geral do líder indígena, ambientalista, filósofo e escritor Ailton Krenak. A direção musical é do maestro Roberto Minczuk, a direção cênica fica a cargo da premiada diretora Cibele Forjaz (Teatro Oficina Uzyna Uzona e Cia. Livre) e a direção de arte, do artista Denilson Baniwa e da cenógrafa e figurinista Simone Mina.

“O Guarani”, ópera em quatro atos de Carlos Gomes, tem seu libreto assinado por Antonio Scalvini e Carlo D’Ormeville e foi inspirado no romance de José de Alencar. Além de sua abertura ser muito conhecida como o tema do programa radiofônico oficial estatal A Voz do Brasil, desde a estreia do programa, em 1935, a obra original carrega em si o romantismo e a busca identitária da obra literária que o inspirou.

Na história, a jovem Cecília, de 16 anos, filha de um nobre português, se apaixona por Peri, um jovem indígena de 18 anos. O amor os une e a união desafia questões culturais. Também estão presentes no enredo a história da disputa entre os povos das tribos Aimoré e Guarani e o interesse econômico da Espanha na colônia portuguesa – esse, na figura de Gonzales, aventureiro que se interessa por Cecília. Mas, também e sobretudo, pelo domínio das terras dos indígenas.

A ópera estreou em 1870 no Teatro Scala de Milão e montá-la em 2023 requer atualizações. Com este intuito, como explica a diretora geral do Theatro Municipal de São Paulo, Andrea Caruso Saturnino, “assumimos o desafio de reunir um coletivo multicultural, incluindo pessoas com experiência fora do ambiente da ópera que se prontificaram a mobilizar imagens, sons e textos no propósito de revelar outras possibilidades do libreto inspirado em José de Alencar”. Assim, somam-se os saberes da casa com a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico, sob a direção musical do maestro Roberto Minczuk, à concepção geral de Ailton Krenak e a participação de uma Orquestra e Coro Guarani, além de artistas indígenas, como o artista, curador, designer e ilustrador Denilson Baniwa, responsável pela  cenografia e co-direção de arte. A direção cênica fica a cargo de Cibele Forjaz e soma-se ao trabalho de dramaturgista de Ligiana Costa, ao de direção de arte e cenografia de Simone Mina e ao de assistência musical de Lívio Tragtenberg.

Entre os intérpretes de Peri, destacam-se o brasileiro Atalla Ayan e o chileno Enrique Bravo nos diferentes elencos das récitas e, como Gonzales, se alternam os barítonos brasileiros Rodrigo Esteves e David Marcondes. Ceci, que já foi interpretada por grandes divas, entre elas a grande Bidú Sayão, em 1936, terá como intérpretes a soprano bielorrusa Nadine Koutcher e a gaúcha Debora Faustino.

Para o maestro Roberto Minczuk, “O Guarani” é uma obra que tem um brilho único, tanto para as vozes protagonistas de Cecília e Peri, quanto para todos os demais personagens da ópera: “Traz partes virtuosísticas, empolgantes e sublimes para o Coro e também para a Orquestra. É uma ópera de um poder único e de uma vivacidade, que promete impressionar o público que a assiste”.

Presente em cena, ainda, e de acordo com a polifonia da pessoa humana em diversos povos indígenas, o ator David Vera Popygua Ju interpreta Peri-Eté, um Guarani “verdadeiro” que se relaciona com os cantores líricos. Em cena também, a atriz, artista, ativista e poeta Zahy Tentehar Guajajara, do povo Tentehar-Guajajara, nascida na Aldeia Colônia, Reserva Indígena Cana Brava no Maranhão. “São Paulo é uma terra guarani e, para a maior parte das pessoas, eles são invisíveis. Mas, na ópera, seu canto estará presente”, diz Cibele Forjaz, diretora cênica convidada. Uma orquestra indígena, com instrumentos de sua cultura, seu coro e sua dança, também estará presente em momentos específicos da récita.

As obras de Denilson Baniwa interagem com a arquitetura do Theatro e compõem o conceito no qual se desenrola a ação. Na terra explorada, mundo-mercadoria e mundo-natureza se contrapõem visualmente, relacionando ouro e corpo, sangue e petróleo e evidenciando uma exploração agressiva, irreversível e que segue em curso até os dias atuais. “É uma obra de mais de cem anos e é a primeira vez que tem pessoas indígenas a reelaborando e pensando a partir de uma perspectiva atual. Enquanto Ailton Krenak elabora o discurso e a função da ópera para a cultura e sociedade brasileira, estou feliz de estar junto, elaborando a imagem. Significa pensar a ópera e o livro como parte da formação da imagem que as pessoas têm da população indígena”, ressalta Baniwa.

Na montagem de “O Guarani” de 2023, as questões de identidade presentes no original se rearticulam sem deixar de fazer reverência à importância histórica da obra de Carlos Gomes e a de José de Alencar. “Estamos fazendo uma montagem de ‘O Guarani’ preservando Carlos Gomes e atendendo também ao apelo de Mário de Andrade a que salvemos Peri, revelando possibilidades do libreto à luz de outras leituras da antropologia e das artes onde os indígenas despontam nesse século 21, com disposição a tomar a palavra, sem licença ou sem temor da crase (!) – que, como já foi dito, não foi feita para humilhar a ninguém”, explica Ailton Krenak.

“A encenação está longe de ser romântica, mas respeita e incorpora a força simbólica e icônica dessa primeira grande ópera brasileira”, pontua Cibele Forjaz. “É uma releitura viva, para o momento presente, consciente de que estamos num país multiétnico, plurilinguístico, com culturas diversas que têm o direito de permanecerem diversas e de serem assim reconhecidas e valoradas”, completa.

Ailton Krenak é ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas e organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. Escreveu vários livros; entre eles, “Ideias para adiar o fim do mundo“, “O amanhã não está à venda“, “Lugares de origem” e “A vida não é útil”, obras em que compartilha reflexões e opiniões acumuladas em suas viagens pelo Brasil e pelo e pelo mundo acerca dos principais problemas socioambientais da contemporaneidade. O nome Krenak significa, em sua etimologia, cabeça (kre) da terra (nak). Os Krenak ou Borun são os últimos “Botocudos do Leste”.

Obra de Denilson Baniwa.

Denilson Baniwa é um artista brasileiro, curador, designer, ilustrador, comunicador e ativista dos direitos indígenas. Compõe sua obra trespassando linguagens visuais da tradição ocidental com as de seu povo utilizando performance, pintura, projeções a laser e imagens digitais. É conhecido como um dos artistas contemporâneos mais importantes da atualidade por romper paradigmas e abrir caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional. Realiza palestras, oficinas e cursos, atuando fortemente no Movimento Indígena Brasileiro. É considerado um artista antropófago, pois se apropria de linguagens ocidentais para descolonizá-las em sua obra. Tem sua trajetória consolidada como referência, rompendo paradigmas e abrindo caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.

Com quase 40 anos de história de teatro profissional, em especial dentro dos coletivos A Barca de Dionísos, de 1985 a 1991, Teatro Oficina Uzyna Uzona, de 1992 a 2001, e Cia. Livre, na qual é diretora artística desde 1999, Cibele Forjaz tem em sua pesquisa e trabalho teatral ao longo das últimas duas décadas um forte diálogo com as narrativas ameríndias e diversas questões que relacionam teatro contemporâneo brasileiro e povos indígenas. Seu projeto de pós-doutorado “A morte e as Mortes do Rio Xingu” foi realizado no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS/ FFLCH / USP), na linha de pesquisa da Antropologia das Formas Expressivas e sob supervisão de Pedro Cesarino. Em 2018, Cibele Forjaz realizou um estudo de campo no Rio Xingu junto aos povos Araweté; Kayapó Mebengokré; Kamayurá (MT); Xipaia (Altamira); Juruna (Volta Grande do Rio Xingu) e Yudjá (Tubatuba/MT). Ainda em 2018, colabora como pesquisadora e orientadora de direção no Projeto “Margens: Sobre rios, crocodilos e vagalumes” sobre a barragem de Belo Monte, que dá origem ao espetáculo “Altamira 2042”. Em 2019, volta para Tubatuba para terminar a pesquisa de campo e, a partir de março, dirige e atua no espetáculo “Os Um e os Outros”, peça de Bertolt Brecht que estreou em junho deste mesmo ano nas aldeias Kalipety, Tenondé Porã e Krukutú (povo Guarani M’Bya).

Maio efervescente

No mesmo período, de 15 a 24 de maio, o Theatro Municipal deve ainda receber o projeto Ópera Fora da Caixa, com a opereta-jazz “Blue Monday”, de George Gershwin, que contará com o Coral Paulistano e bailarinos do Balé da Cidade de São Paulo, ambos corpos artísticos fixos da casa, envolvidos na produção.

Ainda em 15 e 16 de maio, o Fórum de Comunicação e Marketing da Ópera Latinoamérica tem seu prelúdio acontecendo na casa: a 16ª Conferência Anual da Ópera Latinoamérica, nos dias 15 e 16 de maio. O Fórum OLA de Comunicação e Marketing abordará as oportunidades e desafios relacionados aos novos ambientes digitais e de inteligência artificial, bem como novas formas de desenvolver comunidades públicas que revelam o impacto que as organizações culturais têm sobre as pessoas. Os debates serão transmitidos pela internet ao vivo, com tradução consecutiva.

“É uma alegria chegar a dois anos de gestão com uma programação tão vívida e fazer de maio um mês em que duas óperas que agregam todos os nossos corpos artísticos estejam em cartaz. E, também, trazer nesse mesmo período profissionais que debatam os novos desafios que envolvem comunicar e divulgar todo o universo operístico para um fórum que o Complexo Theatro Municipal recebe e transmite para toda a comunidade. Uma verdadeira ebulição no que a casa faz de melhor”, diz Andrea Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal de São Paulo.

Serviço:

Ópera “Il Guarany” – “O Guarani”, de Carlos Gomes

Libreto de Antonio Scalvini e Carlo D’Ormeville

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

12/5/2023 – 20h

13/5/2023 – 17h

14/5/2023 – 17h

16/5/2023 – 20h

17/5/2023 – 20h

19/5/2023 – 20h

20/5/2023 – 17h

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

ORQUESTRA E CORO GUARANI

Roberto Minczuk, direção musical

Ailton Krenak, concepção geral

Cibele Forjaz, direção cênica

Denilson Baniwa, codireção artística e cenografia

Simone Mina, codireção artística, cenografia e figurino

Livio Tragtenberg, assistente musical

Ligiana Costa, dramaturgismo

Aline Santini, design de luz

Vic von Poser, design de vídeo

João Malatian, assistente de direção

Dias 12, 14, 17 e 20

Atalla Ayan, Peri

Nadine Koutcher, Ceci

Rodrigo Esteves, Gonzales

Dias 13, 16 e 19

Enrique Bravo, Peri

Débora Faustino, Ceci

David Marcondes, Gonzales

Todas as datas

David Vera Popygua Ju, Peri (ator)

Zahy Tentehar Guajajara, Ceci (atriz)

Lício Bruno, Cacique

Guilherme Moreira, Don Alvaro

Andrey Mira, Don Antonio

Carlos Eduardo Santos, Ruy

Orlando Marcos, Pedro

Gustavo Lassen, Alonso.

(Fonte: Theatro Municipal de SP)

98% das toninhas encalhadas no litoral norte de São Paulo foram encontradas mortas nos últimos cinco anos

Ubatuba, por Kleber Patricio

Segundo informações, de 2017 a 2022, foram registradas 330 ocorrências pela instituição, sendo que a maioria das toninhas (98%) encalhou morta. Fotos: Instituto Argonauta.

As toninhas (Pontoporia blainvillei), menor espécie de golfinho do Brasil e considerada a mais ameaçada da América do Sul, são encontradas encalhadas nas praias do litoral norte de São Paulo pela equipe do Instituto Argonauta, uma das instituições que executam o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), mas, na grande maioria das ocorrências, sem vida.

Os dados são do Instituto Argonauta, que monitora o Trecho 10 do PMP-BS, compreendido entre São Sebastião e Ubatuba. “De 2017 a 2022, foram registradas 330 ocorrências pela instituição, sendo que a maioria das toninhas (98%) encalhou morta. A cidade que registrou o maior número de encalhes nos últimos cinco anos foi Ubatuba (42,4%), seguida de São Sebastião (28,7%), Ilhabela (20,3%) e Caraguatatuba (11,3%)”, detalha o presidente do Instituto Argonauta, oceanógrafo Hugo Gallo Neto.

Coordenadora do PMP-BS no trecho 10 do Instituto Argonauta, a bióloga Carla Beatriz Barbosa alerta sobre os impactos a que a população de toninhas está sendo submetida. “Temos visto um número considerável de ocorrências de toninhas mortas, muitas com uma morte relacionada à captura acidental pela pesca, que é considerada hoje a maior ameaça a essa espécie, seguida pela poluição do ambiente marinho”, alertou.

Apesar de não intencional, essa captura pode levar a espécie a um risco grave de extinção. Carla ressalta que a situação está longe de ser facilmente resolvida, porque existem também importantes questões sociais e econômicas.

Neste ano

De janeiro a março de 2023, o Instituto Argonauta já contabilizou em sua base de dados do PMP-BS, um total de 26 atendimentos a ocorrências envolvendo encalhes de toninhas nas praias de Ubatuba (46%), Caraguatatuba (19%), São Sebastião (19%) e Ilhabela (15,4%). Em todos os encalhes, os animais foram encontrados mortos.

AMMA

Atendimento aos animais vivos e mortos que são encontrados nas praias do litoral norte de São Paulo pelo Instituto Argonauta por meio do PMP-BS envolve profissionais de campo e equipes.

Um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Argonauta, é o de Avistagem de Mamíferos Marinhos Argonauta (AMMA), que tem como objetivo implementar ações de conservação para os cetáceos que usufruem da região. Entre 2017 e 2022, o AMMA registrou 277 ocorrências de avistamentos desses animais. “A toninha é o golfinho que mais encontramos encalhados nas praias e o segundo mais comum de ser avistado quando estamos navegando. Ele reside em águas costeiras da nossa região e se alimenta principalmente de peixes e crustáceos”, explica a oceanógrafa do Instituto Argonauta MSc. Tami Albuquerque Ballabio. De janeiro a março de 2023, o projeto AMMA registrou 25 avistagens da espécie que, por serem ariscas e velozes, são conhecidas como “fantasminhas do mar”, já que fogem rapidamente quando uma embarcação se aproxima, sendo possível avistar apenas o seu “vulto”.

Como predadores de topo, as toninhas ajudam a controlar a população de peixes e lulas, o que é fundamental para manter o equilíbrio ecológico nos ecossistemas costeiros, e são consideradas um bioindicador da saúde dos ecossistemas marinhos, uma vez que sua presença indica a preservação de habitats importantes para a vida marinha. A conservação das toninhas, portanto, contribui para a conservação da biodiversidade marinha como um todo.

As toninhas também possuem um valor cultural e econômico significativo para as comunidades costeiras que dependem dos recursos marinhos para subsistência e para o turismo. A preservação das toninhas é importante não apenas para a manutenção da biodiversidade marinha, mas também para a sustentabilidade das comunidades costeiras.

O Instituto Argonauta trabalha em parceria com outras organizações e órgãos governamentais para fortalecer a proteção das toninhas e garantir sua conservação em longo prazo.

Sobre o Instituto Argonauta

O @institutoargonauta foi fundado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba (@aquariodeubatuba.oficial) e reconhecido em 2007 como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O Instituto tem como objetivo a conservação do Meio Ambiente, em especial dos ecossistemas costeiros e marinhos. Para isso, apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, dentre outras atividades.

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O Instituto Argonauta monitora o Trecho 10, compreendido entre São Sebastião e Ubatuba. Para mais informações sobre o PMP-BS, consulte: www.comunicabaciadesantos.com.br.

Seja um Argonauta

Venha conhecer o Museu da Vida Marinha @museudavidamarinha na Avenida Governador Abreu Sodré, 1067 – Perequê-Açu, Ubatuba/SP, aberto diariamente.

Também é possível baixar gratuitamente o aplicativo Argonauta, disponível para os sistemas operacionais iOS (APP Store) e Android (Play Store). No aplicativo, o internauta pode informar ocorrências de animais marinhos debilitados ou mortos em sua região, bem como informar ainda problemas ambientais nas praias, para que a equipe do Argonauta encaminhe a denúncia para os órgãos competentes.

Conheça mais sobre esse trabalho em www.institutoargonauta.org, www.facebook.com/InstitutoArgonauta e Instagram: @institutoargonauta.

(Fonte: Instituto Argonauta)

Projeções em murais no Minhocão dão visibilidade a pessoas em situação de rua debaixo do elevado

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua apontaram para um aumento de 48.384 indivíduos em situação de rua desde 2012, em São Paulo. Exposição na Via Elevado Presidente João Goulart, popularmente conhecida por Minhocão, ressignificou os famosos murais “Eu sabia que você existia”, localizados acima do elevado, e trouxe essa vulnerabilidade social identificada nas fotografias e histórias de pessoas como William, Vinicius, Tamara, Pricila, Jean, Sandra, Rogério, Patrick, Miguel, Charles, José, Ubiratan e Lucas, pessoas em situação de rua debaixo da via.

Assinados por Felipe Morozini, artista e ativista em defesa do projeto Parque Minhocão, os murais receberam projeções desses retratos durante uma exibição a céu aberto entre os dias 20 e 22 de abril, das 20h às 22h – horário em que a via fica fechada para a circulação de veículos e livre acesso aos pedestres. A proposta foi utilizar uma arte que tem sido cartão postal em diversos pontos do país para propagar histórias emocionantes das pessoas que moram logo abaixo do viaduto e pessoas assistidas pela ONG SP Invisível.

Histórias como a de Patrick, que foi para rua após falecimento de seu filho; a de Pricila, que perdeu tudo com a separação matrimonial; a de Jean, mestre de obras que se envolveu com as drogas e já completa 15 anos nas ruas; e a de Tamara, vinda de Teresina (MA) para colocar silicone e acabou ficando presa na vida de prostituição na capital paulista, estão por trás das imagens fotografadas para a exposição.

“O processo de conhecer esses personagens e capturar seus retratos procura lembrar a todos sobre quem são as pessoas por trás de suas cicatrizes, usando a arte para dialogar, abraçar e transformar essa situação”, destaca Felipe Morozini.

O projeto também visa aumentar o número de doações destinados à ONG. “As instituições voltadas para assistência às pessoas em situação de rua são umas das poucas saídas para essa população. Nós temos uma missão não apenas de assistencialismo social, mas, de fato, viabilizar maneiras de ajudar essas pessoas a saírem dessa condição – e de forma digna”, afirma André Soler, fundador da SP Invisível.

Elaborada em uma co-criação com a agência de propaganda AlmapBBDO, a ação também conta com a parceria da Projetemos, que cuidou da execução da exposição.

Acesse os bastidores aqui. Conheça a história das pessoas do Minhocão aqui.

(Fonte: Giusti Comunicação)