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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Ana Beatriz Nogueira estreia “A Procura de uma Dignidade”, uma performance teatral sobre o conto de Clarice Lispector

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculo dirigido por Gilberto Gawronski fará curta temporada em março no novo Teatro YouTube. Fotos: Divulgação.

São PauloAna Beatriz Nogueira estreia em São Paulo, no dia 6 de março, “A Procura de uma Dignidade”, uma performance teatral inspirada pelo conto homônimo de Clarice Lispector, com direção de Gilberto Gawronski, após temporada de sucesso no Rio de Janeiro.

A montagem inédita, que revisita o universo introspectivo da icônica escritora brasileira, fará uma curtíssima temporada no novo Teatro YouTube.

Em sua nova incursão, a premiada atriz reúne sua experiência de décadas de palco com a linguagem sensível e provocadora de Clarice Lispector, autora que já havia invocado em outro espetáculo, “Um Dia a Menos”, que estreou em 2019. O atual trabalho é uma adaptação de Leonardo Netto para o conto originalmente publicado no livro “Onde Estivestes de Noite?” (1974). A trama narra a trajetória singular da Sra. Xavier, uma mulher que, a caminho de um evento social, se perde nos corredores subterrâneos do Estádio do Maracanã e acaba embarcando em uma jornada íntima de autodescoberta — confrontando medos, desejos e a própria identidade. “Sou leitora de Clarice desde muito cedo. Este conto fala de muitas coisas que me tocam profundamente”, afirma a atriz.

O espetáculo, com direção de Gilberto Gawronski, traz um olhar contemporâneo ao universo da escritora e aborda questões existenciais que atravessam a obra de Lispector.

A cenografia é assinada por Beli Araújo, com figurino de Antônio Medeiros, iluminação de Adriana Ortiz, projeções de Pedro Colombo e trilha sonora de Chico Beltrão. A produção leva a assinatura da própria Ana Beatriz Nogueira, através da Trocadilhos 1000, e a proposta da montagem é justamente transformar o texto literário em uma experiência performática teatral singular, em que palavra, imagem e a presença cênica da atriz convergem em um diálogo profundo e reflexivo com o público.

Sobre Ana Beatriz Nogueira

Nascida no Rio de Janeiro, Ana é uma das mais versáteis atrizes do Brasil, com carreira marcada por grandes performances no cinema, na televisão e no teatro ao longo de mais de quatro décadas. Ela ganhou projeção internacional muito jovem ao estrear no cinema, aos 20 anos, como protagonista do drama Vera (1986), dirigido por Sérgio Toledo, papel que lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Berlim, um dos prêmios mais prestigiosos do cinema internacional. Na televisão, construiu um percurso sólido com participações marcantes em novelas e minisséries como CelebridadeCaminho das ÍndiasAlém do TempoRock Story e, mais recentemente, Todas as Flores e Mania de Você, demonstrando grande habilidade em personagens intensos ou bem-humorados. Paralelamente aos trabalhos na TV e no cinema, Ana Beatriz manteve uma presença constante no teatro, com montagens elogiadas e monólogos desafiadores, como Um Pai Puzzle e Sra. Klein — este último lhe rendeu o Prêmio APTR de Melhor Atriz em 2024 pela performance na pele da psicanalista Melanie Klein.

Ficha Técnica

Elenco: Ana Beatriz Nogueira

Adaptação do conto de Clarice Lispector: Leonardo Netto

Direção: Gilberto Gawronski

Preparadora da atriz: Clarisse Derziê Luz

Direção de Produção: Guilherme Scarpa

Cenário: Beli Araújo

Figurino: Antônio Medeiros

Iluminação: Adriana Ortiz

Projeções: Pedro Colombo

Programação Visual: Alexandre de Castro

Trilha sonora: Chico Beltrão

Fotos (ensaio e divulgação): Nil Caniné

Assistente de direção: Patrícia Regina

Assessoria de Imprensa: Dobbs Scarpa

Realização: Trocadilhos 1000 Produções.

Serviço:

Estreia: 6 de março de 2026

Temporada: até 29 de março de 2026

Local: Teatro YouTube – Rua Pamplona, 310 – Bela Vista, São Paulo, SP.

Sessões: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h.

Ingressos: disponíveis na bilheteria do teatro e na plataforma online Eventim

Duração: 50 minutos.

Classificação indicativa: 14 anos.

(Com Fábio Dobbs/ Dobbs | Scarpa)

[LIVROS]: Ecos de liberdade em tempos de silêncio

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Entre perseguições, amores e ideais sufocados, “Cinzas de Cogumelos Azuis”, de Sebastian Levati, transporta o leitor a São Paulo dos anos 1970, quando a juventude sonhava em mudar o mundo mesmo sob o peso da censura e da repressão. A obra constrói um retrato humano de quem ousou acreditar na liberdade, revelando os contrastes entre a dureza do tempo histórico e a delicadeza das emoções que sobreviveram a ele.

Ambientado entre 1972 e 1992, o romance acompanha o período de ditadura militar no Brasil e os primeiros anos da abertura democrática do país por meio de Orlando, um jovem do interior que abandona os confortos da família para seguir o chamado da consciência política. Na capital, ele se une a um grupo de militantes que atua na clandestinidade, escrevendo panfletos, planejando ações e fugindo da vigilância constante do regime. No meio da turbulência, surge Clarice, sua namorada, cuja família tradicional representa o outro lado do país dividido.

Entre eles, cresce um amor que resiste às grades invisíveis da ditadura, mas também se desgasta sob o peso das escolhas e do medo. Ao redor deles orbitam figuras simbólicas — como o misterioso “Três-M”, o padre Dom Camilo e o idealista Moisés — que dão voz à pluralidade de um Brasil em ebulição.

Com uma escrita fluida, Sebastian Levati recria o cotidiano de uma geração que viveu entre a coragem e a incerteza. O leitor é levado das vielas sombrias às redações improvisadas onde panfletos subversivos eram escritos, das canções que embalavam a resistência às pausas silenciosas do amor que brotava em meio ao caos.

A força da obra está na forma como o autor transforma um período doloroso da história em reflexão atemporal sobre escolhas e consequências. Ao acompanhar o despertar de Orlando e sua luta para preservar a dignidade diante da opressão, Cinzas de Cogumelos Azuis nos convida a revisitar o passado para compreender os abismos e os sonhos que ainda habitam o presente.

Sensível e provocante, o livro reafirma o poder da literatura em dar voz aos silenciados e iluminar as zonas esquecidas da memória. Com sutileza e vigor, Sebastian Levati nos lembra que a liberdade é uma conquista contínua — e que, mesmo entre as cinzas, o humano sempre encontra uma forma de florescer.

FICHA TÉCNICA

Título: Cinzas de Cogumelos Azuis

Autor: Sebastian Levati

Editora: Viseu

ISBN: 978-6528027606

Páginas: 304

Preço: R$ 42,95

Onde comprar: Amazon

Sobre o autor: Sebastian Levati nasceu em General Salgado, interior de São Paulo. Trabalhou com Engenharia Mecânica antes de se dedicar integralmente à literatura, área em que atua como escritor, leitor e pesquisador independente. Hoje radicado na capital paulista, Levati transforma sua vivência e olhar analítico em narrativas marcadas por profundidade emocional e rigor histórico.

Facebook do autor: /sebastianlevati.

(Com Maria Clara menezes/LC Agência de Comunicação)

São Paulo Companhia de Dança inicia turnê internacional 2026

Europa, por Kleber Patricio

Agora, de Cassi Abranches – Foto: Silvia Machado | Le Chant du Rossignol, de Marco Goecke – Foto: Charles Lima | Umbó, de Leilane Teles – SPDC – Foto: Iari Davies | Gnawa, de Nacho Duato – Foto: Camilo Barbosa.

São Paulo Companhia de Dança (SPCD) embarca em mais uma viagem pela Europa levando ao público toda a potência da dança brasileira. Nos meses de fevereiro e março, a SPCD circula pela Alemanha e França, com apresentações e workshops em sete cidades, reafirmando sua presença como uma das companhias de dança mais prestigiadas da América Latina.

No repertório a ser apresentado, uma seleção de sete obras que evidenciam a pluralidade de linguagens e versatilidade da SPCD, da autoria de coreógrafos brasileiros e internacionais, sendo elas: Yoin, de Jomar Mesquita; The Eighth, de Stephen Shropshire; Agora, de Cassi Abranches; Gnawa, de Nacho Duato; Le Chant du Rossignol, de Marco Goecke; Odisseia, de Joëlle Bouvier; e Umbó, de Leilane Teles.

“Retornar à Europa é motivo de imensa alegria. A São Paulo Companhia de Dança tem construído uma relação sólida com o público internacional e esta turnê reforça esse vínculo. Cada cidade recebe uma combinação única de obras que são definidas em conjunto com os programadores locais e em sintonia com sua história e com as características da Companhia — que se reinventa a cada palco, unindo o clássico e o contemporâneo, a técnica e a expressividade”, comenta Inês Bogéa, diretora artística da SPCD.

A turnê teve início em Baden-Baden e segue por Istres, Fréjus, Les Sables-D’olonne, Saint-Priest, Roubaix e Valenciennes em uma trajetória que conecta Alemanha e França por meio da dança. Ao longo do percurso, a Companhia realizará um workshop em Baden-Baden, com o objetivo de compartilhar sua técnica, seus processos criativos e a vivência artística com o público.

SERVIÇO:

Apresentações

Data e horário: 6 de fevereiro, às 20h | 7 de fevereiro, às 18h

Local: Festspielhaus Baden-Baden — Beim Alten Bahnhof 2, 76530 Baden-Baden

Workshop

Data e horário: 7 de fevereiro, 12h

Local: Festspielhaus Baden-Baden — Beim Alten Bahnhof 2, 76530 Baden-Baden

ISTRES (França)

Data e horário: 11 de março, às 20h

Teatro: Théâtre de l’Olivier — Av. Léon Blum, 13800 Istres

FRÉJUS (França)

Data e horário: 14 de março, às 20h30

Teatro: The Forum Theater — 83 Bd de la Mer, 83600 Fréjus

Ingressos: https://www.theatreleforum.fr/spectacle/sao-paulo-dance-company/

LES SABLES-D’OLONNE (França)

Data e horário: 17 de março, às 20h45

Teatro: Centre de Congrès Les Atlantes — 1 Prom. Wilson, 85100

SAINT-PRIEST (França)

Data e horário: 20 e 21 de março, às 20h

Teatro: Theater Théo Argence — Place Ferdinand Buisson, 69800

Ingressos:

https://www.theatretheoargence-saint-priest.fr/spectacles/sao-paulo-dance-company/

ROUBAIX (França)

Data e horário: 24 de março, às 20h

Teatro: Le Colisée — 31 Rue de l’Epeule, 59100

Ingressos:

https://www.coliseeroubaix.com/programmation/sao-paulo-dance-company

VALENCIENNES (França)

Data e horário: 26 de março, às 20h

Teatro: Phoenix National Scene Valenciennes — Bd Henri Harpignies, 59300

Ingressos: https://www.lephenix.fr/projects/yoin-umbo-agora-25-26/

FICHAS TÉCNICAS:

Yoin (2024)

Coreografia: Jomar Mesquita

Assistente de coreografia: Rúbia Frutuoso

Músicas: Poema Saudades, de Arnaldo Antunes; Assum Preto, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (intérprete: Jorge Du Peixe); Fim de Festa, de Itamar Assumpção (intérpretes: Naná Vasconcelos e Itamar Assumpção); Carinhoso, de João de Barro e Pixinguinha (intérprete: Elza Soares); Como 2 e 2, de Caetano Veloso (intérpretes: Arnaldo Antunes e Vitor Araújo); Samba da Benção, de Baden Powell e Vinícius de Moraes (intérprete: Maria Bethânia); Avisa, de Tato (intérprete: Cida Moreira); Juízo Final, de Elcio Soares; Nelson Cavaquinho (intérprete: Arnaldo Antunes); Manhã de Carnaval, de Luís Bonfa e Antônio Maria (intérpretes: Jean Pascal Quiles, Louis Quiles e Nelly Decamp); vozes dos bailarinos do elenco.

Figurino: Agustina Comas

Iluminação: André Boll

The Eighth (2024)

Coreografia e iluminação: Stephen Shropshire

Música: Symphony no 8: IV: Finale de Anton Bruckner (1824-1896)

Figurinos: Fabio Namatame

“The Eighth” é resultado de uma parceria entre o Dutch Performing Arts Program, do Performing Arts Fund NL, da Holanda, e a Associação Pró-Dança, São Paulo Companhia de Dança. É também uma coprodução do Bruckner Festival e apoio do Governo Holandês.

Agora (2019)

Coreografia: Cassi Abranches

Música: Sebastian Piracés

Iluminação: Gabriel Pederneiras

Figurinos: Janaína Castro

Gnawa (2009)

Coreografia: Nacho Duato

Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian

Iluminação: Nicolás Fischtel

Figurino: Luis Devota e Modesto Lomba

Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre (1964-2013)

Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Espanha)

Le Chant du Rossignol (2023)

Coreografia e cenografia: Marco Goecke

Remontagem: Giovanni di Palma

Música: Le Chant du Rossignol, de Igor Stravinsky (1882-1971)

Figurinos: Michaela Springer

Iluminação: Udo Haberland

Odisseia (2018)

Coreografia: Jöelle Bouvier

Assistente de coreografia: Emilio Urbina e Rafael Pardillo

Música: trechos de Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa Lobos; trechos de Paixão Segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach; Melodia Sentimental, de Villa-Lobos (letra de Dora Vasconcellos); poema Pátria Minha, de Vinícius de Moraes; e texto de Irène Jacob

Figurinos: Fábio Namatame

Iluminação: Renauld Lagier

Umbó (2021)

Coreografia: Leilane Teles

Música: Muloloki Para a Poetisa Íntima, de Tiganá Santana e Nzambi Kakala Ye Bikamazu e Mama Kalunga, de Tiganá Santana na voz de Virgínia Rodrigues

Figurino: Teresa Abreu

Assistência de Figurino: Priscilla Bastos

Iluminação: Gabriele Souza.

(Fonte: Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo)

Theatro Municipal apresenta remontagem da ópera “O Amor das Três Laranjas”, de Sergei Prokofiev

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Rafael Salvador.

Destaque da temporada 2022 do Theatro Municipal de São Paulo, a ópera “O Amor das Três Laranjas” (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev, volta aos palcos no dia 27 de fevereiro (sexta-feira), às 20h, com sessões às 17h (sábados e domingos) e às 20h (terças, quartas e sextas-feiras), na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal. O espetáculo é marcado pela concepção do ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, cujas passagens incluem telas e palcos brasileiros, além da direção cênica de Ronaldo Zero e direção musical de Roberto Minczuk.

Essa divertida ópera de Prokofiev possui uma trama cômica e de origem bastante complexa, trazendo um conto do século XVII originalmente escrito por Giambattista Basile, porém com a adaptação para a linguagem teatral sob a assinatura de Carlo Gozzi, um século depois. L’Amour des Trois Oranges ainda passou a ser traduzida para o russo e francês pelo próprio compositor e por Vera Janacópulos, soprano brasileira de primeira importância em sua época por divulgar na Europa nomes como Villa-Lobos.

De acordo com Andrea Caruso Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal, “é muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público”. 

Os fãs do realismo fantástico devem se divertir com a narrativa, que conta a saga de um Rei para curar a melancolia de seu filho. Com esse objetivo, ele convoca uma série de atividades para entretê-lo, apresentadas por personagens oriundos da Commedia dell’Arte, magos, bruxas e uma musicalidade radiante entre a tradição russa e a tradição romântica.

Segundo o diretor cênico, Ronaldo Zero, a montagem se trata menos de refazer e mais de reativar. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada ‘guerra de linguagens’: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente. Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. O Amor das Três Laranjas segue atual justamente porque se recusa a ser estável”, explica.

Para o maestro Roberto Minczuk, que assina a direção musical do espetáculo, a orquestra tem um papel protagonista nesta ópera. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. O Amor das Três Laranjas é tão sinfônica que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental”, conclui.

SERVIÇO:

O Amor das Três Laranjas

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL

CORO LÍRICO MUNICIPAL

Datas e horários

27 FEV (sexta-feira), 20h

28 FEV (sábado), 17h

1 MAR (domingo), 17h

3 MAR (terça-feira), 20h

4 MAR (quarta-feira), 20h

6 MAR (sexta-feira), 20h

7 MAR (sábado), 17h

Roberto Minczuk – direção musical

Luiz Carlos Vasconcelos – concepção

Ronaldo Zero – direção cênica

Simone Mina – direção de arte, figurino e cenografia

Carolina Bertier – direção de arte, figurino e cenografia

Wagner Pinto e Carina Tavares – iluminação

Westerley Dornellas – caracterização

Aelson Lima – assistente de direção cênica

Elenco:

Valeriano Lanchas – O Rei de Paus

Giovanni Tristacci – O Príncipe

Lídia Schäffer – A Princesa Clarice

Johnny França – Leandro

Mikael Coutinho – Truffaldino

Santiago Villalba – Pantaleão

Fellipe Oliveira – O Mago Célio

Gabriella Pace – Fada Morgana

Raquel Paulin – Ninete

Keila de Moraes – Nicolete

Nathalia Serrano – Linete

Gustavo Lassen – A Cozinheira

Daniel Lee – Farfarelo

Sarah Migliori – Esmeraldina

Vitorio Scarpi – O Mestre de Cerimônias

Orlando Marcos – O Arauto

Elenco de apoio:

Abyara Santoro, Ana Carolina Yamamoto, Dora Cestari, Francisco Lcl Rolim, Giovana Echeverria, João Monteiro, Ju Soveral, Lacava di Castro, Lena Santos, Mirtes Ladeira, Nill de Pádua, Pexera, Raíssa Guimarães, Ricardo Aires.

Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)

Duração de aproximadamente 2h15 (com intervalo)

Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos (pode conter histórias de agressão física, insinuação de consumo de drogas e insinuação leve de sexo).

(Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

“Grande Sertão: Veredas”: Setenta anos depois, obra segue convocando leitores a viver o Brasil profundo

Cocos, BA, por Kleber Patricio

Amanhecer na Lagoa das Araras. Crédito das fotos: Pousada Trijunção.

Publicado em 1956, “Grande Sertão: Veredas” ocupa um lugar singular na literatura brasileira. Ao transformar o sertão em matéria literária de alcance universal, João Guimarães Rosa construiu um romance que ultrapassa o regionalismo e se afirma como reflexão profunda sobre a condição humana, seus conflitos, afetos, ambiguidades e escolhas. Setenta anos depois, a obra permanece viva, provocando leitores não apenas pela força da linguagem, mas pela transformação que opera em quem se dispõe a vivenciá-la.

É nesse contexto que acontece a viagem em grupo “Grande Sertão: Veredas”, entre os dias 20 e 24 de maio, realizada pela produtora de viagens com conhecimento NomadRoots, que, além de viagens personalizadas, desenvolve jornadas imersivas a partir da literatura e cultura. Inspirada no universo rosiano, a proposta articula livro, paisagem e presença, convidando os participantes a se aproximarem do sertão não apenas como espaço físico, mas como experiência sensível e simbólica.

Amanhecer na Lagoa das Araras. 

O percurso inclui áreas do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, com acesso por caminhos exclusivos a partir da Pousada Trijunção, que estará reservada apenas para o grupo e está localizada em um ponto singular do território brasileiro: no encontro entre Goiás, Minas Gerais e Bahia. Esse cruzamento geográfico, que dá nome ao lugar, funciona como um epicentro simbólico do sertão, onde fronteiras se diluem e o afastamento do cotidiano se transforma em possibilidade de reencontro. Estar ali é, para muitos, uma forma de se aproximar da fonte, do território, das escutas e das experiências que alimentaram a escrita de Guimarães Rosa.

A viagem começa em Brasília, não apenas como ponto de partida, mas como um portal simbólico que prepara, por contraste, para o que espera no coração do Cerrado brasileiro. Já, ao chegar na Pousada Trijunção, o tempo desacelera. Caminhadas, pausas, leituras e conversas se constroem em diálogo com o ambiente natural e com os modos de vida do Cerrado, apresentados também por guias especialistas que revelam camadas da paisagem que não se mostram à primeira vista.

Avistamento de lobo guará.

Para quem já participou, a experiência não se repete, se renova. “Cada edição é diferente porque o sertão nunca se apresenta da mesma forma e quem caminha também não. A luz, o clima e o tempo do dia transformam a paisagem, mas a experiência muda sobretudo conforme o estado interior de cada pessoa”, afirma o professor e escritor Chico Escorsim.

A jornalista Rafaella Silva, que também retornou ao sertão em mais de uma edição, compartilha percepção semelhante. “O livro está sempre presente, mas não como algo a ser explicado. Ele aparece nos intervalos, nas conversas espontâneas, nos detalhes do caminho. Há compreensões que só acontecem quando o corpo está em movimento”, observa.

Desde 2021, a experiência reúne grupos reduzidos de leitores em encontros marcados pela escuta, pela contemplação e pelo contato direto com o território. A edição de 2026 ganha ainda mais densidade ao coincidir com o ano de celebração dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, período em que a obra volta a ocupar o centro do debate cultural brasileiro, com novas edições, estudos críticos, projetos cênicos e o lançamento de uma ampla biografia de João Guimarães Rosa.

Mais do que uma releitura do romance, a proposta parte da compreensão de que o sertão rosiano não se encerra no livro. Ele se expande quando confrontado com o território que lhe deu origem, um espaço onde natureza, linguagem e humanidade se cruzam continuamente. “Sinto que passei um tempo em suspenso, fora desta dimensão em que estamos inseridos normalmente. A sensação para mim foi a de pertencimento. Ao grupo, à natureza, a cada minuto que vivi no sertão”, relata Zilda Fraletti, viajante que participou de uma das edições anteriores. “Guimarães Rosa, com sua arte e genialidade, nos mostrou que o sertão está dentro de nós”, conta.

A Travessia Literária Grande Sertão: Veredas, experiência inspirada na obra de João Guimarães Rosa, acontece de 20 a 24 de maio de 2026. Mais informações estão disponíveis em nomadroots.com.br/produto/sertao e no Instagram @clube.nomad.

(Com Marco Espanha/P+G Assessoria)