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Espetáculo imersivo e itinerante ‘Traição’ será encenado no Hotel San Raphael

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Hernani Rocha.

O Núcleo Teatro de Imersão, em parceria com a Cia Boa Vista de Teatro, lança uma experiência teatral única com a adaptação imersiva e itinerante de ‘Traição’, obra-prima do dramaturgo britânico Harold Pinter. O espetáculo será apresentado no icônico Hotel San Raphael, localizado no Largo do Arouche, em São Paulo.

Nesta montagem, dirigida por Adriana Câmara, o público é levado a circular entre cinco quartos do hotel, em três andares diferentes e desvendará, cena após cena, os mistérios de um triângulo amoroso intrincado. Em cada ambiente, o público estará cercado pela cena, imerso no cenário e seus aromas, posicionado entre os personagens.

A trama foi especialmente adaptada para que os personagens realmente residam no apart-hotel, que abriga as complexas relações entre os três amigos. Trata-se de um espetáculo site-specific, em que a ambientação no próprio local da encenação intensifica a experiência imersiva.

Com sua atmosfera vintage, o Hotel San Raphael oferece o cenário perfeito para a encenação de ‘Traição’, ao transportar o público para os elegantes e misteriosos anos 60. Além disso, todo o cenário e o figurino, concebidos por Ana Lys, foram cuidadosamente escolhidos para refletir o período de 1959 a 1968.

A narrativa, fragmentada e não linear, contada de trás para a frente, segue as pistas deixadas pelos personagens envolvidos na traição, desafiando os espectadores a investigarem, ao longo do tempo, essa história repleta de enganos e segredos, em que todos os personagens traem uns aos outros e são traídos uns pelos outros. A interação com o ambiente e os personagens cria uma experiência envolvente, graças à qual cada espectador poderá vivenciar a trama sob diferentes perspectivas sensoriais.

No elenco, estão Glau Gurgel, interpretando o amante Jeremias, Marcelo Schmidt, como o marido Roberto, e Adriana Câmara, como a esposa Érica.

O espetáculo ‘Traição’ estreia em outubro e será apresentado durante todo o mês (exceto no dia 26/10), com sessões às sextas-feiras às 20h e, aos sábados e domingos, em dois horários: 15h e 19h. Serão recebidos apenas 15 espectadores por sessão, proporcionando uma imersão profunda na narrativa e no ambiente cuidadosamente recriado dos anos 1960.

FICHA TÉCNICA

Personagem/Elenco:

Érica: Adriana Câmara

Jeremias: Glau Gurgel

Roberto: Marcelo Schmidt

Texto original: Harold Pinter

Adaptação do texto: Adriana Câmara e Amanda Policarpo

Direção e produção: Adriana Câmara

Cenário e figurino,visagismo e direção de backstage: Ana Lys

Programação visual e assistência de cenografia: Hernani Rocha

Contrarregras: Gizelle Menon e Letícia Alves

Fotos de divulgação: Hernani Rocha

Realização: Núcleo Teatro de Imersão e Cia Boa Vista de Teatro

Produção: Menina dos Olhos do Brasil.

Sobre o Núcleo Teatro de Imersão

O Núcleo Teatro de Imersão é um grupo teatral de São Paulo, SP que realiza espetáculos de teatro imersivo em locais alternativos específicos para a trama a ser contada. A companhia propõe novas relações entre ator e espectador, ao inserir o público no espaço da representação, em meio à cena representada, e ao fazê-lo circular pelo espaço ficcional, sem separação entre palco e plateia e cercado pelos personagens, pelo cenário, pelas sonoridades e aromas da cena. Priorizando boas histórias, com enredos bem construídos, cativantes e sensíveis, o objetivo do Núcleo Teatro de Imersão é fazer com que o espectador se envolva com os personagens e se emocione com as ações, fatos e conflitos apresentados como se estivesse testemunhando eventos reais e não uma encenação. O grupo foi fundado em 2014 e desde sua estreia, em 2017, esteve em cartaz todos os anos, tendo realizado temporadas de três espetáculos imersivos: Tio Ivan (adaptação para O Tio Vania, de Anton Tchekhov), em cartaz em 2017, 2018 e 2019 e ganhador do Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Grupo pelo júri popular; As Palavras da Nossa Casa (livremente inspirado em textos de Ingmar Bergman), em cartaz em 2020, 2021 e 2022; e Personagens em Busca de um Autor (adaptação para Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello), em cartaz em 2023 e 2024.

Sobre a Cia Boa Vista de Teatro | A Cia Boa Vista de Teatro começou a interessar-se por teatro imersivo em 2017, com o espetáculo Uma Peça Por Outra, de Jean Tardieu, que realizou mais de cem apresentações. Em 2018, o grupo estreou o espetáculo Hotel Tennessee, dramaturgia própria baseada em dezenas de personagens de Tennessee Williams, que circulou por diversos ambientes de uma mansão 1911 nos Campos Elísios. O espetáculo realizou mil apresentações. Em 2023, a companhia esteve em cartaz com os espetáculos Devaneios de uma noite de verão e Delírios de uma noite te verão, adaptações para obras de Shakespeare, em cartaz no jardim do mesmo casarão.

Sobre o Hotel San Raphael | Inaugurado em 1949, o Hotel San Raphael é um marco da arquitetura paulistana localizado no coração do Largo do Arouche. O edifício, em estilo neoclássico, já foi palco de eventos sociais e culturais de grande relevância ao longo das décadas, abrigando desde políticos até esportistas e artistas renomados, como o cantor Billy Paul, o pugilista Muhammad Ali e o primeiro campeão brasileiro de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi.

Serviço:

Espetáculo Traição – Núcleo Teatro de Imersão e Cia Boa Vista de Teatro

Local: Hotel San Raphael – Largo do Arouche, São Paulo, SP

Datas: 5 a 27 de outubro de 2024 (exceto dia 26/10, em que não haverá sessão)

Horários: sextas às 20h; sábados e domingos às 15h e 19h

Duração: 120 minutos

Classificação: 14 anos

Ingressos: R$80,00 (inteira), R$40,00 (meia)

Vendas: https://www.nucleoteatrodeimersao.com.br/

Redes Sociais: @nucleoteatrodeimersao

Sinopse | No coração de São Paulo, nos anos 60, um triângulo amoroso se desenrola nos quartos de um apart-hotel. Nesta montagem imersiva e itinerante, o público é convidado a seguir os passos dos personagens, circulando de quarto em quarto e revelando, pouco a pouco, a teia de traições e segredos que envolvem suas vidas.

(Fonte: Núcleo Teatro de Imersão)

Galeria de Arte André apresenta exposição sobre surrealismo com obras originais de Salvador Dalí

São Paulo, por Kleber Patricio

Salvador Dalí – A Persistência da Memória – 41 x 20,8 x1 0,2, 1981. Foto: Alan Teixeira.

No ano em que se completam 100 anos do Manifesto Surrealista, a Galeria de Arte André abriu, no dia 28 de setembro, sábado, a exposição Surrealismo, 100 – A mão, o olhar e a ideia em movimento’. Com curadoria de Mario Gioia, apresenta cerca 50 obras de arte, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, além de 50 itens, entre fotografias e documentação, como livros e catálogos de artistas surrealistas brasileiros e estrangeiros.

Entre os destaques, estão obras originais de Salvador Dalí, um dos mais representativos artistas do surrealismo. São cinco litografias do artista espanhol, dentre elas, La Divina Commedia: Inferno, da década de 1960, além da escultura Persistência da Memória, de 1981, representando uma de suas obras mais icônicas, com seus famosos relógios ‘derretendo’.

Além dele, há uma obra original de Joan Miró, pintor e escultor espanhol, também representante do surrealismo, com Mujer ante el sol, feita nos anos 1950. Considerado um dos precursores do surrealismo, o italiano Giorgio de Chirico também integra a exposição com a obra Il Trovatore con la luna, uma das mais importantes dele, dos anos 1970.

Além dos grandes nomes, a exposição lança, segundo o curador Mario Gioia, “um olhar mais aprofundado sobre a própria história da galeria, já que, em mais de seis décadas de atividade, exibiu, trabalhou e mantém produções de artistas ligados à correnteMuitos artistas que tiveram exposições individuais na galeria no final dos anos 1970 e início dos 1990 não foram prestigiados na história da arte brasileira. Agora estamos vivendo uma retomada do surrealismo, em função deste centenário, e vivendo um novo ciclo dedicado a ele”, afirma o curador.

Artistas que tiveram individuais na história da galeria, como o pintor argentino Eduardo Torassa (1987), Roni Brandão (1983) e Philip Hallawell (1976), poderão ser vistos agora. De Hallawell, a André foi precursora em lançar um convite-catálogo com reproduções de trabalhos da exposição e textos críticos, uma novidade naqueles tempos e prática que se tornaria usual anos depois.

Salvador Dalí – xilogravura – 33 x 26 cm – déc. 60. Foto: Alan Teixeira.

Pode ser vista também, na exposição, uma série inédita do artista nipo-brasileiro Michinori Inagaki (1943–2022), com um conjunto de telas que ‘passeiam’ pelo fantástico, tema não muito utilizado pelo artista, que já teve obras expostas em três edições da Bienal de São Paulo.

Outros trabalhos pouco vistos de artistas que tiveram participação importante na galeria entre os anos 1970 e 1990 e bastante incensados no circuito internacional, como o pintor brasileiro Octávio Araújo (1926–2015) e o pintor italiano Vito Campanella (1932–2014), podem ser vistos na exposição.

Também serão mostradas peças pertencentes a colecionadores e instituições, assinadas por nomes de peso como Marcello Grassmann (1925–2013) e Fernando Odriozola (1921–1986). 

Mulheres e o surrealismo

Artistas mulheres também são destaque na exposição. Nomes expressivos como a escultora gaúcha Sonia Ebling, cujo trabalho escultórico durante o período em que morou em Paris trouxe bastante arrojamento à sua obra, e a paulista Sonia Menna Barreto também estão presentes na exposição, representando artistas de longa data do acervo da Galeria André. Dentre as contemporâneas, destaca-se Diana Motta, com a obra Vaca Vermelha.

Sobre a Galeria de Arte André

Com 65 anos de atuação no circuito das artes, a Galeria de Arte André foi fundada em 1959 pelo romeno André Blau. É considerada a maior galeria de arte da América Latina, tendo se tornado uma referência no mercado de arte brasileira. Atualmente dirigida por Juliana Blau, a casa ajudou a forjar o mercado de arte no Brasil e passou por diversos endereços até se consolidar na Rua Estados Unidos, entre a Avenida Rebouças e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

Conhecida pelo seu acervo de esculturas e obras de artistas como Aldemir Martins, Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Carlos Araujo, Carlos Scliar, Cícero Dias, Clóvis Graciano, Di Cavalcanti, Frans Krajcberg, Guignard, Hector Carybé, Orlando Teruz, Roberto Burle Marx, Sonia Ebling e Tomie Ohtake, entre muitos outros, a casa oferece ao público exposições periódicas e projetos educacionais e culturais.

Joan Miró – 31,7 x 23,8 – litogravura -Séc. 20. Foto: Alan Teixeira.

Oferece um calendário de exposições ao longo do ano, tendo diversos projetos curatoriais com artistas da casa e que fizeram parte da história e de seu acervo. Além disso, tem o projeto Multimuros, atualmente com uma obra de arte pública na fachada da galeria, localizada na Avenida Rebouças, assinada pela artista indígena Tamikuã Tixihi. Ainda em 2024, a galeria prepara uma exposição sobre o surrealismo a ser aberta em setembro.

A galeria também dispõe de uma loja virtual com obras de arte a preços acessíveis no link www.galeriandre.com.br/loja-virtual. Também mantém um blog com notícias e análises do mundo da arte em www.galeriandre.com.br/blog.

Sobre o curador Mario Gioia

(São Paulo, 1974)

Curador independente e crítico de arte, é graduado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Foi crítico convidado de 2013 a 2015 do Programa de Exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo) e fez, na mesma instituição, parte do grupo de críticos do Programa de Fotografia 2012. Em 2015, no CCSP, fez a curadoria de Ter Lugar para Ser, coletiva com 12 artistas sobre as relações entre arquitetura e artes visuais. Em 2011, passou a integrar o grupo de críticos do Paço das Artes, instituição na qual fez o acompanhamento crítico de Exercícios Cosmopolíticos (2023), de Gustavo Torrezan, Luz Vermelha (2015), de Fabio Flaks, Black Market (2012), de Paulo Almeida, e A Riscar (2011), de Daniela Seixas, além de Ateliê Fidalga no Paço das Artes (2010). Em 2019, iniciou o projeto Perímetros no Adelina Instituto, em SP, dedicado a artistas ainda sem mostras individuais na cidade, que contou com cinco exposições solo de artistas de BA, DF, RS e interior de SP.

Em 2016, a mostra Topofilias, com sua curadoria, no Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, foi contemplada com o 10º Prêmio Açorianos, categoria desenho. Na feira ArtLima 2017 (Peru), assinou a curadoria da seção especial CAP Brasil, intitulada Sul-Sur, e fez o texto crítico de Territórios forjados (Sketch Galería, 2016), em Bogotá (Colômbia). Em 2018, assinou a seção curatorial dedicada ao Brasil na feira Pinta (Miami, EUA) e a curadoria de Esquinas que me atravessam, de Rodrigo Sassi (CCBB-SP). Já fez a curadoria de mostras em cidades como Brasília (Decifrações, Espaço Ecco, 2014), Porto Alegre (Fulgor na Noite, Galeria Mamute, 2022), Rio de Janeiro (Histórias Naturais, Caixa Cultural, 2014) e Salvador (Fragmentos de um discurso pictórico, Roberto Alban Galeria, 2017), entre outras.  É colaborador de periódicos de artes como Arte al Día. Na Galeria de Arte André, fez as curadorias de Sonia Ebling – Matéria em metamorfose (2023), Abstração em Fricção (2022), Carlos Scliar – Monográficas 1 (2020), André, 60 – Da Academia ao virtual (2019), Entre Artes e Ofícios, Centros e Arrabaldes (2019) e Cotidiano (2012), além do texto crítico de Brecheret, 1922-2022 – Nos Passos da Modernidade (2022).

Serviço:

Abertura da exposição Surrealismo, 100 – A mão, o olhar e a ideia em movimento

Dia 28 de setembro, sábado, das 11h às 15h – até 26 de outubro

Curadoria de Mario Gioia

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 19h; sábados das 10h às 14h

Galeria de Arte André

Rua Estados Unidos, 2.280 – Jardim Paulistano – São Paulo – SP

(11) 3081-9697 / 3081-3972 / 3063-0427

www.galeriaandre.com.br.

(Fonte: Com Cris Landi/Buriti Comunicação)

Ópera ‘Cinderela’ estreia no Dia das Crianças no Theatro São Pedro

São Paulo, por Kleber Patricio

O Príncipe (tenor Mar Oliveira) e Cinderela (soprano Marly Montoni). Foto: Heloísa Bortz.

Um dos contos de fadas mais conhecidos do planeta será apresentado em formato de ópera no Theatro São Pedro. Com récitas nos dias 12, 13, 19 e 20 de outubro, Cinderela, de Pauline Viardot (1821–1910), traz a adaptação de uma história que atravessa culturas e segue como fonte de inspiração universal para todas as gerações.

Com uma hora e quinze minutos de duração e dividida em três atos, a ópera tem libreto da própria compositora e será realizada em português, com versão de André Dos Santos, orquestração de Juliana Ripke e um elenco de sete cantores. A montagem conta com a direção musical de Fabrícia Medeiros e concepção cênica de Julianna Santos, que destaca o caráter atemporal do clássico. “É um tipo de literatura que pode ser infinitamente atualizado e o mais interessante é essa mobilidade que os contos de fadas trazem. Por isso, eles ainda são tão próximos da gente, tão vivos. A Cinderela tem seus desejos e vontades e a gente talvez se identifique com os desejos mais íntimos da personagem. É muito interessante quando ela e o príncipe se identificam com os mesmos desejos, o mesmo senso de ter liberdade para ser o que você quer, agir como você quer agir, escolher o que você quer escolher. E o mais bonito é ver essa beleza que existe, essa beleza na simplicidade”, avalia Julianna Santos.

Representatividade e processo criativo

Além de apresentar um enredo que oferece encantamento, entretenimento e identificação emocional para as pessoas ao longo do tempo, a montagem promovida pela Santa Marcelina Cultura tem um compromisso com a representatividade, conectando fantasia e realidade em um espetáculo protagonizado por pessoas negras: na ópera, a soprano Marly Montoni será Cinderela e os tenores Jean William e Mar Oliveira viverão o Conde e o Príncipe, respectivamente. “É muito especial ter esse protagonismo; isso faz toda a diferença e gera uma representatividade incrível para crianças e jovens pretos. É claro que a história ainda bebe na cultura ocidental de ser, mas já é um bom começo. E quem sabe um dia estaremos a contar, em ópera, histórias de príncipes e rainhas africanos?”, ressalta Oliveira.

No papel de Cinderela, Marly Montoni salienta a preferência por construir a personagem através do domínio da música, no processo de preparação para uma ópera. “Sempre busco encontrar alguma similaridade com minha personalidade para que a personagem possa ser mais real possível. Sobra a montagem, sinto que há o compromisso com a representatividade, já que os personagens principais são afro-brasileiros. Será muito gratificante ver as meninas afrodescendentes podendo sonhar em ser princesas”, observa Montoni.

Adaptação de Pauline Viardot 

Ópera Cinderela no Theatro São Pedro em 2023.

A versão de Cinderela que vai ao palco do Theatro São Pedro foi composta pela francesa Pauline Viardot e estreou em Paris em 1904, permanecendo relativamente fiel ao conto de fadas de Charles Perrault, que inspirou a obra. Nascida em uma família em que tudo girava em torno da música, Pauline começou a compor ainda menina e teve aulas de canto com os pais, harmonia e contraponto com Anton Reicha; porém, seu principal interesse era o piano – inclusive foi aluna de Franz Liszt, que declarou, a respeito de Viardot, que “o mundo finalmente tinha encontrado uma mulher compositora de gênio”.

No entanto, após o falecimento da irmã – Maria Malibran (1808-1836), grande diva da ópera no século XIX – Pauline optou por mudar de rumo e se profissionalizou como cantora. Seus maiores sucessos foram em papéis dramáticos, como Fidès em Le prophète, de Meyerbeer (que foi escrito para ela), e Rachel em La Juive, de Halévy. Além disso, Viardot interpretou o papel-título da ópera Orfeu e Eurídice, de Gluck, e cantou por diversas temporadas na ópera de São Petersburgo, na Rússia.

Paralelamente à sua carreira musical, Pauline se casou com Louis Viardot e estabeleceu um círculo social que incluía importantes figuras culturais da época, como Frédéric Chopin, George Sand, Hector Berlioz, Clara Schumann, Ivan Turgenev e Johannes Brahms, entre outras personalidades artísticas que lhe dedicaram obras musicais e literárias.

Mar Oliveira (Príncipe), Marly Montoni (Cinderela) e Jean William (Conde) serão protagonistas na ópera. Foto: Divulgação.

Além de dezenas de canções, obras de câmara para violino e piano e arranjos vocais para peças instrumentais de Chopin, Brahms, Haydn e Schubert, Viardot compôs cinco óperas de salão – sendo Cinderela a última dessas operetas. Com danças e canções alegres, a obra está repleta de valsas, mazurcas e polcas. E como uma ópera cômica, mistura canto e diálogos falados, sem fugir das típicas rimas fáceis e irônicas, quase sempre destacadas ritmicamente.

Apresentação no Dia das Crianças  

Dedicada ao público infantojuvenil, a montagem de Cinderela traz uma história de conto de fadas clássica que é amada por crianças e adultos. Além de envolver elementos de magia, romance e transformação, especialmente cativantes ao público jovem, a ópera será apresentada em português, tornando o espetáculo ainda mais acessível para estimular a imaginação das crianças e promover a apreciação das artes cênicas e da ópera. Inclusive para celebrar o Dia das Crianças, a récita de estreia será apresentada em 12 de outubro, em uma experiência cultural marcante e enriquecedora para toda as famílias.

Cinderela, no Theatro São Pedro, inclui Giorgia Massetani na cenografia; Fábio Retti na iluminação; Fábio Namatame no figurino e Tiça Camargo no visagismo. Integram o elenco Johnny França (Barão de Pictordu), Fernanda Nagashima (Amelinde), Daiane Scales (Maguelone) e Maria Sole Gallevi (Fada)

BILHETERIA   

Os ingressos custam de R$40 (meia-entrada) a R$120 (inteira) e podem ser adquiridos aqui

Transmissão ao vivo

A récita de 19 de outubro, sábado, às 17h, será transmitida ao vivo gratuitamente pelo canal de YouTube do Theatro São Pedro

TEMPORADA LÍRICA | ORQUESTRA DO THEATRO SÃO PEDRO

CINDERELA

PAULINE VIARDOT (1821–1910)

[ópera em três atos, com libreto original da compositora, versão brasileira de André Dos Santos e orquestração de Juliana Ripke]

ORQUESTRA DO THEATRO SÃO PEDRO 

Fabrícia Medeiros, direção musical

Julianna Santos, direção cênica

Giorgia Massetani, cenografia

Fábio Retti, iluminação

Fábio Namatame, figurino

Tiça Camargo, visagismo

Fábio Bezuti, preparador vocal e dicção

ELENCO

Marly Montoni, soprano (Cinderela)

Mar Oliveira, tenor (O Príncipe)

Jean William, tenor (O Conde)

Johnny França, barítono (Barão de Pictordu)

Fernanda Nagashima, mezzo-soprano (Amelinde)

Tati Reis, soprano (Maguelone)

Maria Sole Gallevi, soprano (A Fada)

Ensaio geral aberto: 9 de outubro, quarta-feira, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 12, 13, 19 e 20 de outubro | sábados, às 11h; domingos, às 17h

Local: Theatro São Pedro (R. Barra Funda, 171 – São Paulo/SP)

Ingressos aqui

Plateia: R$120/R$60 (meia)

1º Balcão: R$100/R$50 (meia)

2º Balcão: R$80/R$40 (meia)

Duração: 75 minutos (sem intervalo)

Classificação etária: Livre

THEATRO SÃO PEDRO

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país. Agora o Theatro São Pedro inicia uma nova fase, respeitando sua própria história e atento aos novos desafios da arte, da cultura e da sociedade.

(Fonte: Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Nelson Motta lança novo romance em evento no Blue Note Rio

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Capa ‘Corações de Papel’.

Jornalista, compositor, produtor musical e escritor, Nelson Motta faz uma fascinante jornada nostálgica ao Rio de Janeiro dos anos 1960 em ‘Corações de papel’. O livro tem como eixo as cartas que ele escreveu a um amor da juventude entre 1964 e 1965, oferecendo aos leitores uma visão profunda do universo pessoal do autor durante esse período. A obra inédita marca a estreia na Editora Record desta que é uma das figuras mais ilustres da cultura brasileira. Corações de papel será lançado no dia 8 de outubro, das 18h às 21h, no Piano Bar do Blue Note Rio (Av. Atlântica 1910 – Copacabana). Aberto ao público, o evento contará com um pianista na área interna e um DJ na área externa. Após o lançamento, às 21h, a casa receberá no segundo andar o show ‘Multidimensional’, com Eduardo Santana, apresentação que integra o projeto ‘Terças de Jazz’ do Blue Note Rio.

Nelson Motta é conhecido por sua vivência em meio à música – é compositor e descobriu grandes cantoras. Também assinou espetáculos e livros com suas memórias vividas no meio musical. Mas antes de mergulhar nessa vida artística, estudou Design e foi no primeiro ano da faculdade que ele viveu um romance de juventude com uma colega, Ana Luiza, que acabou indo morar com a família em Paris. Apaixonado, Nelsinho passou um ano escrevendo cartas para a amada – que depois virou amiga.

No final de 2014, Nelson Motta recebeu da amiga uma pasta azul com as cartas escritas por ele entre os anos de 1964 e 1965, todas meticulosamente organizadas em ordem cronológica. Ao reler a correspondência do antigo namorado cinquenta anos depois, Ana Luiza disse ter ficado impressionada com a profundidade e a qualidade da escrita, especialmente considerando que ambos tinham então apenas vinte anos. São essas cartas que agora ele transformou no eixo deste seu novo livro, complementadas por deliciosas contextualizações das circunstâncias históricas, culturais e amorosas em que foram escritas.

Em Corações de papel, Nelson Motta faz um relato autobiográfico no formato epistolar e um painel daqueles tempos de profunda ebulição na sociedade brasileira e no mundo. Com uma escrita que é, ao mesmo tempo, inteligente, bem-humorada e de uma sinceridade corajosa, a obra prende o leitor ao entrelaçar romance e dilemas de crescimento pessoal, além de proporcionar um saboroso retrato do Rio de Janeiro da década de 1960.

Entre discussões fervorosas e declarações de amor, o autor traz à tona a revolução estética inspirada pelo design moderno e pela Bauhaus, a fase áurea do cinema de arte, os escritores e jornalistas em ascensão e o apogeu da cena musical brasileira. Nomes conhecidos como João Gilberto, Nara Leão, Dori Caymmi, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Zuenir Ventura, Ruy Guerra, Glauber Rocha, Ingmar Bergman e Luchino Visconti gravitam no livro como coadjuvantes de primeira grandeza.

Sobre o autor

Nelson Motta é paulista, de 1944, e do signo de escorpião. Estudou Design, mas fez carreira como jornalista, compositor, produtor musical e escritor. Casou cinco vezes e tem três filhas, três netos e um bisneto. É autor das músicas ‘Como uma onda’, ‘Dancin’ days’, ‘Bem que se quis’ e ‘Coisas do Brasil’, e dos livros ‘Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais’, ‘Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia’ e ‘O canto da sereia’. Foi produtor musical de Elis Regina, Marisa Monte, Djavan e Daniela Mercury, entre outros. É autor também dos musicais de teatro ‘Elis, a musical’, ‘O som e a fúria de Tim Maia’, ‘Frenetic dancin’ days’ e ‘Tom Jobim, o musical’. Foi roteirista da série Armação Ilimitada e do filme ‘Elis e Tom, só tinha de ser com você’, além de colunista de O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Foi comentarista de cultura e comportamento do programa Manhattan Connection e do Jornal da Globo. Atualmente, é criador de conteúdo sobre vida e arte no Instagram.

Corações de Papel

Nelson Motta

160 págs. | R$64,90

Ed. Record | Grupo Editorial Record.

Serviço:

Lançamento Corações de Papel

Data: 8/10 (terça-feira) | Horário: 18h às 21h

Local: Piano Bar, Blue Note Rio (Av. Atlântica, 1910 – Copacabana, Rio de Janeiro)

Entrada gratuita

Show Terças de Jazz/Eduardo Santanna – Multidimensional

Data: 8/10 (terça-feira) | Horário: 21h

Local: Segundo andar, Blue Note Rio (Av. Atlântica, 1910 – Copacabana, Rio de Janeiro).

(Fonte: Com Marina Avellar/Lupa Comunicação)

Literatura: Raquel Alves leva palestra ‘Literatura infantil e segurança emocional’ para Indaiatuba

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Escritora apresenta, em encontro com educadores e mães, um histórico de sua vida e sua missão de ajudar crianças a vencerem obstáculos e amar a vida apesar dos desafios. Fotos: Kleber Patricio.

A noite desta quinta-feira, 26 de setembro, marcou um seleto público com a realização da palestra Literatura infantil e segurança emocional, com a escritora e palestrante Raquel Alves. A palestra aconteceu na Sala Mendoza, que faz parte da unidade local da Grand Cru, e reuniu cerca de 35 pessoas, entre educadores e mães interessadas no assunto.

Raquel é filha de ninguém menos que o psicanalista, educador, teólogo, escritor, palestrante e pastor presbiteriano Rubem Alves, de quem herdou o humanismo e o encantamento com a vida. Dotada de uma personalidade encantadora, dotada de uma sensibilidade que se manifesta de forma verdadeira e envolvente– em todos os aspectos, mas mais marcadamente com relação ao ser humano –, honestidade e um otimismo muito bem fundamentado, graças, em parte, ao fato de ter nascido filha de um homem que marcou sua geração pela forma de ver o mundo.

Metade da palestra, de cerca de duas horas (contando o tempo de conhecimento e interação individual com o público), se desenrolou, como não podia deixar de ser, em torno do contexto de sua infância. Raquel compartilhou com o público coisas marcantes desse período, que já começaram no nascimento, marcado pelo lábio leporino, fator que foi central em sua percepção da vida, já que, tão logo adquiriu a percepção do outro, fez com tivesse que lidar com a dificuldade humana de lidar com as diferenças. E aí entra o xis da questão: tão marcante foi o nascimento temporão de Raquel, que, a partir dele e de suas circunstâncias, Rubem se visse levado a uma simplificação não apenas de seu vocabulário, até então, marcantemente acadêmico, como também dos seus conceitos, de maneira a torná-los compreensíveis pela filha que, desde cedo, se viu lutando pela vida. Daí a tornar-se escritor de livros – entre os quais, o mais emblemático foi Ostra feliz não faz pérola – foi um passo.

Raquel emocionou a plateia de modo especial em dois momentos: o primeiro foi quando narrou uma fala do pai: “Eu não poderei poupar você das dificuldades da vida, mas prometo que estarei ao seu lado em todas elas”, não sei se exatamente com essas palavras. O segundo foi quando ele confessou que, diante das dificuldades antevistas, ele precisaria mostrar a ela o quanto a vida é rica e que viver é uma experiência maravilhosa, mesmo com os obstáculos. Segundo ela, suas palavras teriam sido algo como “Preciso fazer com que ela goste de viver, já que só se luta por aquilo que se gosta”. Fatos que, desconhecidos da maioria das pessoas, ilustram de maneira terna e inequívoca a personalidade de Rubem Alves.

Alexandre Gama, Raquel Alves, Alessandra Balthazar dos Santos e Renata Prenstetter Gama.

Instrumentalizada pelo apoio sistemático dos pais e pela inevitabilidade da necessidade de processar de maneira mais determinada a vivência desses desafios, a simplificação dos conceitos, a exemplo do que ocorreu como o pai, seguiu um caminho inevitável até desembocar na carreira de escritora de livros infantis. E a isso foi dedicada a outra metade da palestra.

Raquel demonstrou, por meio de casos de sua infância, a forma como foi simplificando esses desafios até digeri-los, até perceber que outras crianças, em maior ou menor grau, compartilhavam a grande maioria desses desafios e, assim, assumiu essa missão, que cumpre com amor, dedicação e prazer. Ao final da palestra, a escritora autografou os livros adquiridos pela plateia.

Para o diretor da Grand Cru Indaiatuba, Alexandre Gama, “Receber a Raquel, com toda sua história, seu talento e disposição, foi uma grande honra. A Grand Cru Indaiatuba está comprometida com o bem-estar da comunidade e, por isso, promovemos eventos culturais que enriquecem o ambiente ao nosso redor, como esta palestra e, no primeiro semestre, com a inauguração da exposição permanente da artista plástica Cristiane Maschietto.

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