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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Primeira Bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Márcia Jaqueline volta ao palco em ‘La Fille Mal Gardée’ no mesmo papel de 20 anos atrás

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Os primeiros bailarinos do TMRJ Márcia Jaqueline e Cícero Gomes durante ensaio. Foto: Daniel A. Rodrigues.

De origem humilde, filha de um vendedor de rua e de uma costureira, Márcia Jaqueline, Primeira Bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, passou muito perrengue até alcançar este cargo. Ainda estudante da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, a bailarina de Inhoaíba, bairro em Campo Grande, Rio de Janeiro, contava as moedas para pagar as passagens de ônibus, junto com sua mãe. Sempre driblando as dificuldades financeiras, as duas enfrentavam grandes caminhadas, debaixo de chuva ou de muito calor, no trajeto da Central até a Escola. Mas todo este esforço valeu a pena. Marcinha, como é conhecida pelos amigos e colegas, ama o que faz e revela o seu verdadeiro amor: “Dançar é libertador… é ser o que eu quiser, sentir tudo sem medo de nada”, afirma.

Em julho do ano passado, a artista teve o rompimento de ligamentos durante um ensaio e precisou parar tudo. Após uma cirurgia bem-sucedida, passou a fazer intensa fisioterapia e somente agora está apta para subir ao palco novamente.

Márcia Jaqueline ingressou no corpo de baile do Theatro Municipal aos 14 anos. Em 2007, foi promovida a Primeira Bailarina, passando a dançar os papéis principais em todos os espetáculos apresentados pela Companhia, com destaque para Odette e Odile (O Lago dos Cisnes, de Yelena Pankova), Fada Açucarada, e A Rainha das Neves, (O Quebra-Nozes, de Dalal Achcar), Ninfa (Floresta Amazônica, de Dalal Achcar), Kitri (Don Quixote, de Dalal Aschcar), Tatiana e Olga (Onegin, de John Cranko), Julieta (Romeo e Julieta, de John Cranko), Swanilda (Coppélia, de Enrique Martinez), Aurora (A Bela Adormecida, de Jaroslav Slavick), Giselle (Giselle, de Peter Wright) e Lise (La Fille Mal Gardée, de Frederick Ashton). Em seu repertório, também incluem obras de George Balanchine (Serenade e Divertiment nº 15), Roland Petit (Carmen e L’Arlesienne), Michael Fokine (Les Sylphides e El Espectro de la Rose), Uwe Scholz (A Criação e Sétima Sinfonia) e Glen Tetley (Voluntaries). Em La Bayadere (2014), de Luiz Ortigosa interpretou as personagens Nikyia e Gamzatti, fato que rendeu aplausos e elogios do público e da crítica especializada destacando a sua versatilidade e capacidade artística.

Márcia dançou em importantes teatros, como Teatro Colón (Argentina), Santiago do Chile, Sodre (Uruguay) e Paraguay. Dançou como convidada também em importantes Galas como Festival de Miami, Gala das Estrelas, em Creta e Luxembourg.

Em 2017, Marcia se tornou membro do Ballet Landestheater, de Salzburg, a convite do atual diretor Reginaldo Oliveira. Incluindo em seu repertório os papéis principais dos Ballets Medea, Othello e Romeu e Julieta (Reginaldo Oliveira), além de Cinderela (Peter Breuer).

Cícero Gomes e Márcia Jaqueline em La Fille Mal Gardée. Foto: Daniel Ebendinger.

Em 2019, convidada para o evento Live Magazine, dançou em importantes cidades da Europa, como Paris, Amsterdã e Arles.

Desde janeiro de 2019, Marcia faz parte do seleto grupo de Embaixadores da famosa marca russa de sapatilhas Grishko.

Em 2020 tornou-se Embaixadora do programa Progressing Ballet Technique. Márcia voltou ao Brasil em 2021, retomando seu posto junto ao Theatro Municipal. Ainda em 2021, a convite da coreógrafa e diretora Dalal Achcar, atuou como bailarina e professora convidada junto a Cia de Ballet Dalal Achcar, onde criou seu primeiro ballet “Macabea”, com Pré-estreia em agosto, no Teatro Santa Cecília, em Petrópolis e estreia no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, em junho de 2023.

(Fonte: Com Claudia Tisato/Assessoria de Imprensa TMRJ)

Congresso Internacional de Jazz Dance realiza edição paralela e gratuita em Indaiatuba

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Katia Barros, uma das professoras desta edição, durante aula no Congresso. Foto: Nelson Miran.

Há 16 anos, Erika Novachi e Marcela Benvegnu criaram o Congresso Internacional de Jazz Dance, em Indaiatuba, interior de São Paulo, com a ideia de promover a arte do jazz dance em suas diversas formas. Em uma tentativa de horizontalização e descentralização do projeto, promovem agora esta edição paralela, que acontece entre os dias 6 e 8 de setembro e inclui palestras, aulas práticas, teóricas e espetáculos de dança com todas as atividades gratuitas. O projeto foi aprovado pela Lei Paulo Gustavo 21/2023 via Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

A edição paralela do Congresso de Jazz Dance se concentra em oferecer oportunidades educacionais sólidas por meio de aulas práticas e teóricas. “Os participantes têm a chance de aprimorar suas habilidades de dança, compreender a teoria do jazz dance e aprofundar seu conhecimento sobre seus mais variados estilos: teatro musical, jazz tradicional e jazz lírico, entre outros”, diz Erika Novachi, codiretora artística do evento.

Alunos 2024 em Congresso de Jazz Dance. Foto: Nelson Miran.

Foram selecionados 100 estudantes por meio de um edital de seleção, com 50% das vagas destinadas a pessoas do Estado de São Paulo, 20% para pessoas pretas, pardas e indígenas e 30% para participantes de outras localidades. “Reconhecemos a necessidade de promover a diversidade e a representatividade. Recebemos mais de 340 inscrições para selecionarmos 100. Foi uma tarefa difícil pois temos muitos talentos em São Paulo e no Brasil. Todos terão a chance de participar das atividades de forma gratuita”, afirma Marcela Benvegnu, codiretora artística do evento.

Ao reunir um time de 14 profissionais de renome do Estado, o Congresso não somente oferece uma plataforma para que esses artistas compartilhem seus conhecimentos e experiências, mas também destaca e reconhece a riqueza do talento local. Isso contribui para o fortalecimento da comunidade de dança em São Paulo. O evento também celebra o Dia do Bailarino – comemorado em 1º de setembro. Entre os professores convidados, estão Katia Barros, Luana Espíndola, Cris Cará, Turu Castelli, Jhean Allex, Lenon Vitorino, Edson Santos, Renan Banov, Alex Siqueira, Andrea Spósito, Claudionor Alves, Harry Gavlar, Erika Novachi e Marcela Benvegnu.

Para chegar a outros públicos, também estão previstas duas palestras em formato online sobre História da Dança e Corpo e Saúde. Por meio de palestras e discussões, a proposta é fomentar a pesquisa e o pensamento crítico sobre o jazz dance. Os participantes são incentivados a analisar e debater as tendências, desenvolvimentos e desafios do mundo contemporâneo.

Espetáculos

Detalhe: sapatos em Congresso de Jazz Dance. Foto: Nelson Miran.

Nos dias 6 e 7 de setembro, acontecem dois espetáculos de jazz dance, às 21h, com entrada gratuita. As apresentações reúnem mais de 200 bailarinos do Estado de São Paulo e de outras regiões, que se destacam por sua produção relevante no estilo do jazz dance. Essas noites proporcionam à população a oportunidade de assistir a diversidade e a excelência do jazz dance com diferentes estilos, coreografias e abordagens dentro dessa forma artística.

No dia 6, sexta-feira, no Centro Cultural Hermenegildo Pinto (Piano), vinte coreografias – solos, duos e trios – compõem a noite. E, no dia 7, sábado, no CIAEI, é a vez de vinte conjuntos, de diversos estilos de jazz dance. Participam grupos de São Vicente, Jundiaí, São Paulo, Cubatão, Jacareí, Campinas, São José dos Campos, Valinhos e Santos, além de grupos de Florianópolis, Brasília, Porto Alegre, Butiá, Tocantins, Maringá e Londrina, entre outros. Os grupos foram selecionados via edital e recebem cachês de participação.

Acessibilidade | Posteriormente, as noites de espetáculos serão exibidas no YouTube, com audiodescrição. Os espetáculos e palestras também terão interpretação em LIBRAS e todos os espaços de realização do evento possuem acessibilidade arquitetônica. “O detalhamento do plano de acessibilidade reflete nosso compromisso em garantir que todas as pessoas, independentemente de suas capacidades físicas, sensoriais ou cognitivas, tenham a oportunidade de participar plenamente e desfrutar do evento”, falam as diretoras.

DIREÇÃO ARTÍSTICA

Erika Novachi

Erika Novachi em Congresso de Jazz Dance. Foto: Nelson Miran.

Erika Novachi é professora e coreógrafa de lyrical jazz. Diretora artística da Galpão 1, é formada em Educação Física e teve como grande mestra Rose Calheiros. Foi secretária de Cultura da cidade Indaiatuba de 1997 a 2018. Ministra materclasses e residências de lyrical jazz no Brasil e no exterior, com passagens como professora convidada pela na Broadway Dance Center, em Nova York (2017), pela Crossroads of Arts, em Los Angeles, Califórnia (2018) e pela West London University, na SA Dança, em Londres, Inglaterra (2018). Entre 2010 e 2014, 2023 e 2024 foi professora de Lyrical Jazz, no Festival de Dança de Joinville onde também foi jurada do gênero. Seu grupo participou como convidado em diversas aberturas do Passo de Arte Grand Prix nas noites de Jazz. Entre suas últimas criações destacam-se: um trecho de ‘Concerto Berstein 100’ (2018) para a São Paulo Companhia de Dança e ‘Music, Body and Soul’ (2021) para a Raça Cia. de Dança dentro do Projeto Raça por Elas. Em 2021 ministrou uma residência de aulas de Lyrical Jazz na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e no Summer e no Winter da Royal Academy of Dance Brasil. No ano de 2023 fez parte da Consultoria de Formação do 40° Festival de Dança de Joinville e junto com Cássia Navas e Enoque Santos foi curadora do eixo de Extensão Cultural da São Paulo Escola de Dança (2023 e 2024). É uma das diretoras e organizadoras do Congresso Internacional de Jazz Dance no Brasil, criado em 2009.

Marcela Benvegnu

Erika Novachi e Marcela Benvegnu – direção artística em Congresso de Jazz Dance. Foto: Nelson Miran.

Marcela Benvegnu jornalista, pesquisadora de dança e gestora. É Superintendente de Desenvolvimento Institucional da São Paulo Companhia de Dança e da São Paulo Escola de Dança. É master em Mídia, Comunicação e Negócios pela University of California (USA, 2017) e foi bolsista do programa de mentoria executiva da Harvard Business School (USA, 2019). É mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC (crítica de dança), pós-graduada em Estudos Contemporâneos em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em Gestão de Negócios – Competências Comportamentais, pelo Business Behavior Institute, de Chicago. Atualmente faz formação em psicanálise clínica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise. Foi coordenadora de Educativo e Comunicação (2009-2017) e de Registro e Memória, da São Paulo Companhia de Dança e consultora (2021). Atua como jurada, palestrante, crítica e jornalista convidada em eventos no Brasil e exterior. Já ministrou palestras na Broadway Dance Center, em Nova York (2009); na Crossroads of Arts, em Los Angeles (2017); na West London University, em Londres (2018); no Encludança, em Portugal (2023). É codiretora do Congresso Internacional de Jazz Dance no Brasil desde 2009. Foi curadora do evento de 35 anos, do Festidança e da MID-SP (Mostra Internacional de Dança, 2024). Foi diretora executiva/artística da Bloch Brasil (2019/2020) e professora do curso de Pós-Graduação em Dança e Consciência Corporal na Universidade Estácio de Sá e USC. É autora de diversas publicações na área de dança e coorganizadora do livro ‘São Paulo Companhia de Dança: 15 anos’ (Ed. Martins Fontes/2024). Dirige a MB – Gestão de Imagem e Comunicação para a Dança, assinando estratégias, conteúdos e experiências para nomes da dança.

Serviço: 

Mostra Paralela do Congresso Internacional de Jazz Dance, em Indaiatuba

Entrada gratuita

Dia 6 de setembro, 21h | Solos, Duos e Trios | Centro Cultural Hermenegildo Pinto (Piano) – Av. Eng. Fábio Roberto Barnabé, 5924 – Jardim Morada do Sol. Entrada gratuita.

Dia 7 de setembro, 21h | Conjuntos | Ciaei – Centro Integrado de Apoio à Educação de Indaiatuba – Av. Eng. Fábio Roberto Barnabé, 3665 – Jardim Regina.

(Fonte: Com Flávia Fontes Oliveira)

Galatea inaugura novo espaço no Jardins com individual de Montez Magno

São Paulo, por Kleber Patricio

Montez Magno (1934–2023) Sem título, da série Barracas do Nordeste, ciclo 3: O prazer de pintar [Untitled, from the Barracas do Nordeste series, cycle 3: O prazer de pintar], 1984. Fotos: Ding Musa.

Inaugurada há pouco mais de dois anos, em junho de 2022, a Galatea anuncia sua expansão com a abertura de mais um espaço em São Paulo. A nova sede da galeria está instalada em uma construção icônica da arquitetura brutalista: o Edifício Thais, localizado na Rua Padre João Manuel, nos Jardins. A primeira mostra na unidade será ‘Montez Magno: entre Morandi, Nordeste e Tantra’, individual do artista pernambucano Montez Magno (1934–2023), que terá início em 29 de agosto. Com curadoria de Tomás Toledo, a exposição apresenta uma coleção expressiva das obras de Montez, cuja trajetória é reconhecida pela fusão de elementos da cultura popular nordestina com experimentações geométricas e conceituais.

O texto crítico da exposição é assinado por Clarissa Diniz, curadora, pesquisadora e importante divulgadora do trabalho de Montez nos últimos anos. O ensaio de Diniz integra o livreto da mostra, que também traz a reedição inédita de um ensaio publicado por Montez em 1978, intitulado A forma popular construtivista. As ideias defendidas no texto do artista se materializam na série Barracas do Nordeste (1972-1993), um dos pilares da exposição.

Montez Magno (1934–2023) – Abstração Geométrica, 1957.

A mostra se divide em dois eixos e ocupa os dois espaços da Galatea: na Rua Oscar Freire estão concentradas as pinturas de grande formato, pouco exploradas em exposições recentes do artista. São 22 trabalhos que se baseiam em tradições estéticas alternativas a paradigmas eurocentrados, dialogando com o que o artista chamou de ‘arte popular geométrica’. Este eixo inclui obras das séries Barracas do Nordeste e Portas de Taquaritinga (1983), além de peças que refletem o interesse de Montez pelo zen-budismo e hinduísmo, como a série Tantra (1963-2006).

Já na Rua Padre João Manuel, em meio a 30 obras estão expostas três pinturas da série Morandi (1964/1972/2000) e trabalhos abstratos criados tanto no período inicial de sua produção, como a pintura Abstração Geométrica (1957), quanto em sua maturidade, como a série Teares de Timbaúba (1979-1998), além de uma seleção de obras em torno das práticas e investigações conceituais, textuais e cartográficas de Montez.

Segundo o curador Tomás Toledo, “Montez Magno é uma artista que se define por sua polifonia. Sua produção artística e intelectual altamente sofisticada, que misturava referências eruditas e populares, por muito tempo foi marginalizada pelo meio artístico sudestino e agora passa a ganhar o merecido destaque, como foi visto em sua individual na pinacoteca do São Paulo em 2023. A exposição Montez Magno: entre Morandi, Nordeste e Tantra, que ocorre nos dois espaços da Galatea em São Paulo, apresenta e celebra justamente toda a polifonia e multiplicidade do artista.”

Montez Magno (1934–2023), Sem título, da série Fachadas do Nordeste [Untitled, from the Fachadas do Nordeste series], 1997.

O título da mostra faz referência tanto a séries de trabalhos que são apresentados quanto a três universos que compuseram o imaginário de Montez Magno. Há as pinturas que partem da admiração de Montez pelo pintor italiano Giorgio Morandi (1890–1964) e que representam a sua prática de comentar outros artistas e de citar as vanguardas europeias; há o Nordeste, referência ao seu contexto de vida e à série Barracas do Nordeste (1972-1993), baseada nas geometrias vernaculares; e, por fim, Tantra, referência a um conjunto de trabalhos que exploram com originalidade o universo da filosofia tântrica e os ensinamentos de matrizes de pensamento não ocidentais.

Clarissa Diniz, em seu texto crítico, reflete sobre a influência de Morandi na obra de Montez: “No encontro de Montez com [Giorgio] Morandi, o pernambucano elaborou percepções que se tornaram definidoras de parte significativa de suas concepções poéticas, estéticas e políticas acerca da prática artística. Foi observando a pintura morandiana que, esgarçando a funcionalidade representativa da tradição das naturezas-mortas, Magno compreendeu que o caráter contemplativo da arte acontecia também para além da geometria ou da construção.”

Montez Magno: entre Morandi, Nordeste e Tantra ainda apresenta duas propostas diversas no âmbito da expografia: na Oscar Freire, as pinturas de grande formato são fixadas em estruturas que se inspiram nas criações dos arquitetos e designers italianos Franco Albini, Carlo Scarpa e Lina Bo Bardi. Já na unidade da Padre João Manuel, o ambiente convida a uma experiência intimista, e a expografia de caráter mais convencional permite que a arquitetura brutalista da nova unidade da galeria sobressaia.

Sobre o artista

Timbaúba, PE, 1934 – 2023, Recife, PE

Montez Magno nasceu no município de Timbaúba, mas mudou-se com a família para Recife, Pernambuco, ainda em 1934. Entre 1940 e 1942, estudou no Grupo Escolar João Barbalho. Em 1950, escreveu seus primeiros poemas e, em 1954, ingressou na Escola de Belas Artes do Recife, onde realizou o curso livre de paisagem e desenho artístico ministrado por Mário Nunes (1889–1982). Em 1957, mudou-se para Olinda, onde estabeleceu seu ateliê na Rua de São Bento, 358. Aproximou-se do artista Aloísio Magalhães (1927–1982) e realizou sua primeira exposição individual na galeria do Instituto dos Arquitetos do Brasil, em Recife. Em 1959, integrou o grupo de artistas da 5ª Bienal de São Paulo, no MAM-SP.

O artista também estudou litografia com o desenhista e gravador Darel Valença (1924–2017). Montez viajou para Madri, na Espanha, por meio de uma bolsa de estudos concedida pelo Instituto de Cultura Hispânica de Madri. Com isso, teve a oportunidade de conhecer vários países da Europa; entre eles a Itália, que visita em 1964 tanto para apreciar a Bienal de Veneza quanto para seguir o rastro de Giorgio Morandi na cidade de Bolonha.

Em 2011, em comemoração aos 55 anos de carreira de Montez Magno, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães — MAMAM, no Recife, realizou uma retrospectiva de sua obra que abarcou 150 trabalhos entre desenhos, pinturas, gravuras, poesias visuais, objetos, fotomontagens, livros, instalações, performances e música. Em 2023, a Pinacoteca de São Paulo abriu, logo antes da morte do artista, uma exposição panorâmica que reuniu um conjunto de mais de 80 trabalhos de sua autoria. Suas obras podem ser encontradas em diversas coleções permanentes, tais como: Museu de Arte do Rio – MAR, no Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM, em Recife; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP, em São Paulo; e Pinacoteca de São Paulo.

Galatea e o novo espaço

Tomás Toledo, Conrado Mesquita e Antonia Bergamin no novo espaço da Galatea.

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a galeria escolheu uma pérola da arquitetura brutalista, o edifício Thais, projetado em 1978 pela arquiteta Maria Luiza Correa e localizado na Rua Padre João Manoel, para abrigar a nova sede. Com reforma assinada pelo Kas Arq e paisagismo por Paula Bergamin, o espaço soma 430 m² e ocupa o térreo e o primeiro pavimento do prédio com salão expositivo, viewing room, escritório e acervo.

O arquiteto Klaus Schmidt comenta: “O projeto resgata a arquitetura brutalista do edifício, tirando proveito da sua bela estrutura em concreto aparente. Desenhamos o espaço de forma a ganhar paredes e criar um percurso de chegada à galeria sem restringir sua flexibilidade expográfica. O jardim interno e os longos bancos em granilite conferem singularidade ao salão expositivo e funcionam como espaços de contemplação e convivência. Salas de apoio, trabalho e reunião foram concentradas no andar superior.”

Paula Bergamin, responsável pelo paisagismo do novo espaço, destaca: “O projeto foi desenvolvido para harmonizar e valorizar a arquitetura brutalista do prédio. Penso que o concreto aparente pede um jardim com muito verde, textura e força. Por isso investi nas plantas tropicais com as suas folhas volumosas. Além disso, pratico um tipo de paisagismo que se chama ecogênese e sempre busco priorizar as espécies nativas. Neste projeto, usei 90% de plantas nativas, com destaque para os palmitos-juçara e uma variedade de philodendrons, alocasias e samambaias.”

Somando-se a unidade localizada na rua Oscar Freire, o novo local configura uma expansão substancial da galeria, que passa a ter dois espaços expositivos na cidade de São Paulo, além da sede em Salvador.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe.

Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores.

Serviço:

Montez Magno: entre Morandi, Nordeste e Tantra

Local:  Galatea

Endereço: Rua Padre João Manuel, 808 – Jardins, São Paulo – SP | R. Oscar Freire, 379 – Jardim Paulista – São Paulo – SP

Abertura: 29 de agosto | 18h às 21h

Período expositivo: 29 de agosto a 21 de setembro

Horários: segunda à quinta das 10h às 19h; sexta das 10h às 18h e sábado, das 11h às 15h

Mais informações: https://www.galatea.art/.

(Fonte: Bruna Lira/A4&Holofote Comunicação)

Reciclagem no Brasil: Incentivos não são suficientes sem engajamento de atores públicos e privados, alerta diretor da Recicleiros

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Recicleiros.

O Governo Federal anunciou no último dia 10 um conjunto de medidas que somam mais de R$425 milhões em incentivos à reciclagem e ao trabalho de catadores e catadoras de materiais recicláveis. Essas iniciativas abarcam, entre outras coisas, a retomada do Programa Cataforte e a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR). As medidas têm foco no fortalecimento de cooperativas e associações de catadores de recicláveis e segue a linha de programas lançados no passado, priorizando o investimento em máquinas, equipamentos e capacitações. Um cenário familiar para o Instituto Recicleiros, que atua há 17 anos com o desenvolvimento de soluções para a gestão sustentável de resíduos sólidos com inclusão de catadores em todo Brasil, por meio do Programa Recicleiros Cidades. Além disso, em 2023, o Instituto Recicleiros alcançou um marco importante com a regulamentação dos Certificados de Crédito de Massa Futura pelo Decreto Federal 11.413/2023, criado e executado de maneira pioneira pela organização.

Para Erich Burger, diretor do Instituto Recicleiros, o incentivo anunciado pelo Governo Federal é importante, mas sozinho não muda a realidade histórica da reciclagem no país. “Investimentos em infraestrutura são muito importantes, mas sozinhos não sustentam as operações de coleta seletiva e reciclagem, mesmo com a melhor infraestrutura possível e em qualquer formato de operação, com ou sem catadores. Enquanto não houver um critério claro e definitivo sobre o pagamento por serviços ambientais que são prestados pelas cooperativas, viveremos de ciclos que, em geral, não constroem legado e acabam por desperdiçar os investimentos”, explica o diretor.

Ainda de acordo com o diretor, os custos de coleta, processamento e destinação ambientalmente adequada dos resíduos são muito superiores ao preço de venda dos materiais, que, além de serem baixos, são muito voláteis. “Enquanto essa realidade não for encarada e a conta do serviço não for dividida entre municípios e setor empresarial com base no artigo 33 da PNRS, que versa sobre a Responsabilidade Compartilhada pelo Ciclo de Vida dos Produtos, viveremos nessa lógica de exploração do trabalho dos catadores e num eterno ciclo de desvalorização da cadeia, que não permite avançar em qualidade e eficiência, nem tampouco atender o mercado com o mínimo nível de compliance”, finaliza Burger.

Recicleiros traz inovação para a reciclagem

Dados do Relatório de Impacto Socioambiental, divulgado pelo Instituto, destaca desafios e avanços no setor. Em 2023, o Instituto Recicleiros contabilizou mais de 970 mil pessoas atendidas com coleta seletiva na porta de casa em 14 operações municipais localizadas em 11 estados brasileiros e a geração de, até o momento, 347 postos de trabalho para catadoras e catadores de materiais recicláveis que, neste modelo, passam por um intenso processo de formação profissional por meio do sistema de incubação da Academia Recicleiros do Catador. Esses dados foram coletados do Relatório de Impacto Socioambiental, que será divulgado pelo Instituto Recicleiros no dia 17/7.

O principal compromisso da instituição é o desenvolvimento de ecossistemas sustentáveis, operacionalmente eficientes e com geração de trabalho digno para os catadores, para que as cooperativas se transformem em parceiro estratégico da limpeza pública municipal. Além disso, há progressos nas condições sanitárias das cidades devido ao fortalecimento da gestão de resíduos nos territórios.

Foram realizadas 2.328 ações presenciais de mobilização social e educação ambiental com 152.589 pessoas diretamente impactadas. Isso faz parte de um trabalho voltado para mudança de comportamento para a reciclagem realizado pelo Instituto.

O Relatório ainda destaca como o movimento integrado do Instituto gera um impacto socioambiental positivo, envolvendo todos os elementos do ecossistema da reciclagem: catadores, gestão pública, setor empresarial e sociedade em geral. Clique aqui para acessar o relatório na íntegra.

Sobre o Instituto Recicleiros | Organização da Sociedade Civil (OSC), qualificada como OSCIP, que atua há 17 anos no desenvolvimento de soluções para a gestão sustentável de resíduos sólidos em todo Brasil, com especial foco na recuperação de embalagens pós-consumo com a inclusão de catadores e catadoras. Por meio do Programa Recicleiros Cidades, implanta nos municípios brasileiros a coleta seletiva e a reciclagem, envolvendo em um mesmo ecossistema em cadeia circular prefeituras, empresas, catadores e cidadãos.

(Fonte: Com Daiana do Amaral Costa/DAC Comunicação)

ONG lança iniciativa que fortalece o desenvolvimento na Primeira Infância

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Marcelo Martins.

A primeira infância, que compreende do nascimento até os seis anos de idade, é um importante período para o desenvolvimento humano e social. É nessa fase que se formam as bases para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das crianças. A legislação brasileira protege os direitos infantis nesse período por meio da Lei nº 13.257, que abrange normas e diretrizes destinadas a assegurar o bem-estar, a saúde, a educação, a assistência social, a cultura, o lazer, o meio ambiente e a proteção contra a violência e a exploração infantil.

Em agosto, mês dedicado à primeira infância e à conscientização sobre a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento humano, o ChildFund Brasil lança um novo programa social voltado para esse ciclo de vida, chamado Crescendo com Você. A iniciativa visa apoiar de forma segura e saudável o desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos em comunidades vulneráveis, de privação ou em situação de exclusão, proporcionando as ferramentas básicas para estabelecer um ambiente protetor e promover a parentalidade positiva.

Cuidar e investir nas pessoas que vivem a primeira infância também é benéfico para toda a sociedade. Uma pesquisa realizada pelo economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Economia no ano 2000, James Heckman, demonstrou que a cada 1 dólar investido em crianças com até os seis anos de idade, há um retorno de 7 dólares. As crianças frequentam a escola por mais anos, têm alimentação e hábitos de vida mais saudáveis e são incentivadas a buscar melhor qualificação profissional. “É fundamental que a criança cresça em um ambiente acolhedor e de parentalidade lúdica, pois isso promove seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Quando pais, mães e cuidadores se engajam de forma positiva e brincam com as crianças, eles não só fortalecem os laços afetivos, mas também estimulam a criatividade, a autoconfiança e a capacidade de resolver problemas, estabelecendo as bases para uma vida saudável e segura”, explica Maurício Cunha, diretor de país do ChildFund Brasil, organização que há 57 anos atua na promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente.

O programa Crescendo com Você oferecerá atividades que atendem as necessidades de bebês, crianças, familiares e cuidadores. As crianças participarão de sessões educativas que estimulam seu desenvolvimento, socialização e aprendizado, por meio de ações lúdicas realizadas coletivamente, com possibilidade de participação de pais, mães e cuidadores. O público adulto vai participar de oficinas que abordam temas como nutrição, proteção, prevenção de riscos e desastres e parentalidade positiva. As iniciativas serão realizadas pelas organizações parceiras nos seguintes estados onde o ChildFund Brasil atua: Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraíba e Piauí. “A implementação do Crescendo com Você demonstra que o ChildFund Brasil atua no desenvolvimento integral da pessoa e das comunidades, visando à sustentabilidade das ações; o protagonismo individual, com o acompanhamento de familiares, para que crianças, adolescentes e jovens tenham mais dignidade em suas vidas e sejam lideranças em suas comunidades. Assim, ficam conscientes de que são pessoas que podem lutar por seus direitos”, complementa Águeda Barreto, coordenadora de advocacy do ChildFund Brasil.

Com essas ações, o ChildFund Brasil vem fortalecer o seu compromisso com a primeira infância no Brasil, como uma das organizações que compõem o Pacto Nacional pela Primeira Infância no Brasil.

Sobre o ChildFund Brasil | O ChildFund Brasil é uma organização que atua na promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, para que tenham seus direitos respeitados e alcancem o seu potencial. A fundação no Brasil foi em 1966, e sua sede nacional se localiza em Belo Horizonte (MG). A organização faz parte de uma rede internacional associada ao ChildFund International, presente em 23 países e que gera impacto positivo na vida de 14,8 milhões de crianças e suas famílias e está entre as 25 melhores organizações do Brasil, segundo o ranking emitido pela The Dot Good, foi eleita a melhor ONG de assistência social do Brasil em 2022 e a melhor para Crianças e Adolescentes do país, por três anos (2018, 2019 e 2021), pelo Prêmio Melhores ONGs.

(Fonte: Com Jessica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)