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Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Gilberto Gil volta à Sala São Paulo com ‘Amor Azul’, ópera inédita no Brasil criada com maestro Aldo Brizzi

São Paulo, por Kleber Patricio

A Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp). Foto: Robs Borges.

A Sala São Paulo será palco do mais novo projeto de uma lenda da música popular brasileira: o cantor, compositor e instrumentista Gilberto Gil. Ao lado do maestro e compositor italiano Aldo Brizzi, o baiano desembarca na capital paulista entre os dias 28 e 31 de agosto com a ópera ‘Amor Azul’, que conta também com a participação da Orquestra Jovem do Estado São Paulo – Emesp Tom Jobim e do Coro Acadêmico da Osesp. A regência fica a cargo de Brizzi, um parceiro de longa data de Gil – a dupla estrelou dois concertos da série Encontros Históricos na Sala São Paulo em dezembro de 2021. Os cantores e percussionistas afro-brasileiros que participam da produção são integrantes do Núcleo de Ópera da Bahia – NOP. Criado em 2016, o NOP busca desenvolver um repertório único de óperas inspiradas nas culturas afro-brasileiras e indígenas.

Amor Azul se debruça sobre a história de amor entre o deus hindu Krishna e a mortal Radha. A ópera traz nada menos que 47 músicas inéditas compostas por Gilberto Gil e Aldo Brizzi, que celebram a persistência do amor e as diferentes expressões que dele provêm. Cerca de 140 artistas, entre músicos, cantores e bailarinos, estarão ao lado de Gil e Brizzi no palco da Sala São Paulo celebrando o encontro de elementos das culturas brasileira e indiana, envoltos por instrumentos da música de concerto, canto lírico e dança tradicional indiana.

Gilberto Gil em foto de Pedro Napolinário.

Os ingressos para as três récitas e o ensaio aberto, que custavam de R$39,60 a R$200,00 (valores inteiros), começaram a ser vendidos no dia 15/jul e se esgotaram rapidamente. Mas atenção: a performance de sexta-feira (30/ago) será transmitida ao vivo no canal oficial da Sala São Paulo no YouTube.

“Ficamos entusiasmados ao receber a proposta da equipe de Gilberto Gil, pois ela combina a estreia da ópera Amor Azul no Brasil, até então apresentada apenas em Paris, com nosso compromisso de oferecer atividades artísticas de grande qualidade durante as viagens de nossa Orquestra — em agosto a Osesp estará na Europa. E imediatamente pensamos na excelente Ojesp para participar do projeto. Parceiros de longa data, eles prontamente aceitaram e desde então estamos trabalhando em conjunto para garantir o sucesso deste projeto”, conta a coordenadora de Planejamento Artístico da Fundação Osesp, Gabriela de Souza. “Gilberto Gil e Aldo Brizzi já estiveram conosco em 2021, na série Encontros Históricos, também realizada pela Fundação Osesp, quando pudemos conferir algumas das canções que formam este espetáculo. Não poderíamos estar mais animados para essa estreia brasileira desse audacioso e inovador projeto da dupla”, completa Gabriela.

Um épico de amor

Amor Azul é uma ode aos sentimentos terrenos e à eternidade divina. O libreto é inspirado nos poemas e textos sagrados Cântico dos Cânticos, do Nuvem Mensageira, de Kalidasa, e do Gitagovinda, de Jayadeva, que versam sobre o amor puro entre Krishna e Radha. Na cultura indiana, o casal representa a cumplicidade do amor em sua essência, em que um ser não existe sem o sentimento do outro.

A obra se desdobra em dois atos, nos quais o público acompanhará a relação das divindades em diferentes cenários: a Índia mítica do passado e o Brasil vívido da contemporaneidade. No palco, o protagonista Jayadeva (Gilberto Gil – em alguns momentos personificado também como o deus Vishnu) cria e conta a história de Krishna e Radha. As 47 composições exclusivas que tecem a narrativa unem orquestra sinfônica, balé indiano, vozes populares e coro lírico a gêneros musicais como samba, bossa nova e afoxé, além de incorporar a percussão afro-brasileira e o vina, um tradicional instrumento de cordas indiano. Há também músicas mais próximas da ópera lírica tradicional, como partes corais, arias, duetos, concertados e recitativos.

O maestro Aldo Brizzi. Foto: Ayala Valva.

As primeiras – e até hoje únicas – apresentações de Amor Azul aconteceram em dezembro de 2023 no auditório da Radio France, em Paris, com a Orquestra e o Coro da instituição. Foram três performances com ingressos esgotados, exibidas cinco vezes na televisão francesa e aplaudidas de pé a cada noite. Público e crítica destacaram a ópera como um ‘triunfo’, ‘uma criação original’ e ‘uma festa prodigiosa’, tornando-a um dos ápices recentes de uma carreira tão celebrada como a de Gilberto Gil, hoje com 82 anos.

A relação do músico baiano com o hinduísmo é antiga e duradoura. Da mesma forma que trata outras religiões, ele vê no sagrado uma fonte inesgotável de inspirações para a vida. O deus de Gil não possui dogmas próprios. Durante a década de 1960, o compositor se aproximou do hinduísmo e da entrega à meditação durante a repressão da ditadura militar. O contato com outras vertentes religiosas, como o candomblé, o catolicismo e a umbanda, culminou em canções hoje clássicas como Se eu quiser falar com Deus (1980) e Andar com fé (1982). Nessas peças, Gil estabelece o ser como um templo próprio em contato íntimo com o divino.

Em 2017, também em parceria com o maestro italiano Aldo Brizzi, Gil deu voz e encarnou o Contador de Histórias (Jayadeva) em Negro Amor. O concerto, com quatro músicas inéditas que formam a suíte Negro Amor, foi apresentado em cidades europeias como Londres, Helsinque, Reggio Calabria e Basel, e era uma versão inicial de Amor Azul. Agora reformulada e com mais elementos e músicos no palco, a ópera Amor Azul é um novo tratado de Gil e Brizzi sobre os poderes divinos que se escondem por trás do mundo humano.

A Sala São Paulo. Foto: Mariana Garcia.

O programa Amor Azul: A Ópera de Gilberto Gil e Aldo Brizzi conta com o patrocínio da Sabesp e do banco BV e com o apoio de Lefosse, Vivo e Cebrace, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Fundação Osesp, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal – União e Reconstrução.

PROGRAMA

AMOR AZUL: ÓPERA DE GILBERTO GIL E ALDO BRIZZI

ORQUESTRA JOVEM DO ESTADO DE SÃO PAULO – EMESP TOM JOBIM

CORO ACADÊMICO DA OSESP Alma da Floresta e voz interior

ALDO BRIZZI regente

GILBERTO GIL Jayadeva/Vishnu

JOSEHR SANTOS Krishna

LUCIANA PANSA Radha

GRAÇA REIS Sakhi

JEAN WILLIAM Espírito da Floresta

IRMA FERREIRA Gopi 1

MILLA FRANCO Gopi 2

RAGHUNATH MANET Avatar de Krishna

SWATI VAN RIJSWIJK Avatar de Radha

Amor Azul.

Serviço:

Amor Azul: Ópera de Gilberto Gil e Aldo Brizzi

28 de agosto, quarta-feira, às 18h30 [Ensaio aberto]

29 de agosto, quinta-feira, às 19h30

30 de agosto, sexta-feira, às 19h30 – Concerto Digital

31 de agosto, sábado, às 16h30

Endereço: Sala São Paulo | Praça Júlio Prestes, 16

Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares

Duração: 2h40, com intervalo de 20 minutos

Recomendação etária: 7 anos

Ingressos: entre R$39,60 e R$200,00 (valores inteiros*) – ESGOTADOS

Bilheteria (INTI)

(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h

Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners

Estacionamento: R$35,00 (noturno e sábado à tarde) e R$20,00 (sábado e domingo de manhã) | 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.

*Estudantes, pessoas acima dos 60 anos, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade de 15 a 29 anos, pessoas com deficiências e um acompanhante e servidores da educação (servidores do quadro de apoio – funcionários da secretaria e operacionais – e especialistas da Educação – coordenadores pedagógicos, diretores e supervisores – da rede pública, estadual e municipal) têm desconto de 50% nos ingressos para os concertos da Temporada Osesp na Sala São Paulo, mediante comprovação.

A Sala São Paulo é um equipamento do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerenciada pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

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(Fonte: Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Orientada pelo pensamento de Franz Fanon, montagem ‘Otelo, o Outro’ estreia no Sesc Santana

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Juliana Bachinn.

No próximo dia 30 de agosto entra em cartaz no Sesc Santana o espetáculo ‘Otelo, o outro’, uma releitura do clássico de William Shakespeare. Sedimentada no pensamento do psiquiatra e filósofo Franz Fanon, a montagem narra os efeitos da racialização da experiência humana. A distribuição desigual do afeto e a constituição da subjetividade de maneira frágil e traumatizada são encenadas pelos atores Carlos de Niggro, Jefferson Matias e Kenan Bernardes e têm direção de Miguel Rocha.

Partindo do protagonista da tragédia escrita pelo dramaturgo inglês, a peça é uma potente reflexão poética sobre a identidade do sujeito negro em diáspora. Otelo, o Outro é, pois, uma viagem interna, um mergulho em si mesmo em que o personagem vai se estranhando. Delírio, sonho ou pesadelo, essa viagem ou esse mergulho faz a personagem de Shakespeare encarar outros dois ‘Otelos’ que o habitam e que o guiam num caminho tão intrincado quanto doloroso, que passa necessariamente por Desdêmona, mas percorre outras sendas, explorando ambiguidades e aporias da memória e da identidade afro diaspóricas, marcadas pelo deslocamento social e cultural.

‘Otelo, o Outro’ representa um homem inventado como ‘negro’ pelo olhar ocidental, um sujeito que se submete a esse olhar, tentando se integrar por inteiro – ‘de corpo e alma’, como se diz. O casamento com Desdêmona – uma mulher branca da elite – é a metáfora dessa entrega incondicional a um sistema de valores e a comportamentos que o estigmatizam como ‘o mouro’, ao mesmo tempo em que se serve dele. A cegueira do ciúme é uma alegoria dessa apaixonada adesão. Sua corporeidade, portanto, é o índice e o limite que o separa irrevogável e irreversivelmente desse ‘Ocidente’ que ele deseja literalmente incorporar. A releitura, porém, fala de uma consciência dividida que, aos poucos, mas não sem muita dor, vai percebendo a origem do conflito que a fustiga. Ela reflete também sobre os mecanismos que recalcam a ancestralidade inscrita no corpo, repugnada pela sociedade à qual o ‘mouro’ aspira, caminhando para o desfecho trágico da morte – mas não da morte do corpo.

Nessa montagem – orientada sobretudo pelo pensamento de Frantz Fanon – Otelo se expõe à ruptura com o discurso que o inventa exatamente como ‘homem negro’, ao mesmo tempo em que recusa qualquer forma de tutela de sua consciência, inclusive aquela que lhe nega até o direito de odiar. Sem dar respostas, já que esse espetáculo procura mais provocar do que solucionar, ‘Otelo, o Outro’ explora as contradições da própria consciência negra numa sociedade como a brasileira contemporânea. Sociedade hegemonizada pelo capitalismo neoliberal e pela indústria cultural pós-moderna, que sempre aspira ao ‘novo’ sem enfrentar e superar o legado do escravismo colonial e de seu autoritarismo estruturante.

A peça fica em cartaz até 8 de setembro. Os ingressos estão disponíveis pelo app Credencial Sesc SP da Central de Relacionamento Digital e presencialmente nas bilheterias das unidades do Sesc.

Ficha Técnica

Concepção e produção geral: Kenan Bernardes

Dramaturgia: Israel Neto, Joaci Pereira Furtado e Kenan Bernardes

Encenação: Miguel Rocha

Elenco: Carlos de Niggro, Jefferson Matias e Kenan Bernardes

Designer de som e difusão sonora: João Paulo Nascimento

Consultoria idiomática: Hamza Abdul Karim

Direção e pesquisa de movimento e atuação: Erika Moura

Desenho de luz: Wagner Pinto

Produção de luz: Carina Tavares

Assistência de iluminação: Gabriel Greghi e Gabriela Cezário

Operação de luz: André Rodrigues

Cenografia: Julio Dojcsar

Cenotécnica: Helen Lucinda

Serralheiro: Fernado Lemos “Zito”

Figurinista: Silvana Marcondes

Adereços: Bru Fiamini

Costura: Atelier Judite de Lima

Voz off feminina: Ina

Orientação teórica da pesquisa: Deivison Nkosi

Fotografia: Julieta Bacchin

Arte gráfica: Murilo Thaveira

Vídeo: João Maria

Registro para as redes sociais: Talitha Senna

Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação

Produção executiva e contabilidade: Jussara Mendes.

Serviço:

De 30/8 a 8/9 | sexta e sábado, às 20h; domingo, às 18h

Dia 7/9, sessão às 18h

Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo – São Paulo, SP

Local: Teatro – 330 lugares – 16 anos

Ingressos: R$60,00 (inteira), R$30,00 (meia) R$18,00 (credencial plena)

App Credencial SESC SP e centralrelacionamento.sescsp.org.br

Duração: 90 minutos

Acesso para pessoas com deficiência

Estacionamento – R$17,00 a primeira hora e R$4,00 a hora adicional – desconto para credenciados

Paraciclo: gratuito (obs.: é necessária a utilização travas de segurança) – 19 vagas

Para informações sobre outras programações, acesse o portal Sesc SP.

(Fonte: Com Thiago Costa/Sesc Santana)

Desmatamento e queimadas ameaçam futuro do agronegócio e itens da cesta básica

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O acelerado desmatamento e as queimadas que atingem diversas regiões do Brasil não apenas destroem o meio ambiente, mas também representam uma ameaça real para o futuro das próximas gerações e para a sustentabilidade do agronegócio. Esse cenário impacta diretamente a produção de alimentos básicos, como arroz, feijão e leite, que compõem a cesta básica dos brasileiros, tornando a vida das famílias de baixa renda ainda mais difícil.

O agronegócio, que é uma das principais forças econômicas do país, depende de condições ambientais equilibradas para prosperar. O desmatamento desenfreado e as queimadas descontroladas afetam negativamente a fertilidade do solo, a disponibilidade de água e o equilíbrio climático, que são fundamentais para a produção agrícola. Com a degradação ambiental, os custos de produção sobem, o que pode levar ao aumento dos preços dos alimentos básicos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.

“Se o desmatamento continuar nesse ritmo alarmante, corremos o risco de enfrentar sérios problemas na produção de alimentos essenciais, o que afeta diretamente os preços e a disponibilidade dos itens da cesta básica. Isso é especialmente preocupante para as famílias de baixa renda, que já enfrentam desafios financeiros significativos para colocar comida na mesa”, alerta Gustavo Defendi, sócio-diretor da Real Cestas, empresa com mais de 20 anos de atuação no mercado de cestas básicas.

Além disso, o impacto ambiental causado pelo desmatamento e pelas queimadas tem um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, desde o campo até o consumidor final. A perda de biodiversidade e o desequilíbrio dos ecossistemas podem reduzir a oferta de matérias-primas e aumentar a vulnerabilidade do setor agrícola a pragas e doenças, o que também contribui para a elevação dos preços e a insegurança alimentar.

Diante desse cenário, é urgente a necessidade de políticas públicas eficazes que combatam o desmatamento e promovam práticas agrícolas sustentáveis. A preservação do meio ambiente não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas uma condição essencial para garantir a segurança alimentar das futuras gerações e a continuidade do agronegócio no Brasil.

“A sustentabilidade do agronegócio e a preservação dos recursos naturais são fundamentais para que possamos continuar oferecendo alimentos de qualidade e a preços acessíveis para todos. Precisamos agir agora para garantir que as próximas gerações tenham acesso aos mesmos recursos que temos hoje”, enfatiza Gustavo Defendi.

Foto: Divulgação.

Se o desmatamento e as queimadas não forem contidos, o futuro da produção agrícola no Brasil estará seriamente comprometido, e com ele, a segurança alimentar de milhões de brasileiros.

Gustavo Defendi é sócio-diretor da Real Cestas, empresa que atua há mais de 20 anos no mercado de cestas básicas. Possui experiência corporativa, financeira e contábil no mercado da indústria alimentícia, gestão financeira, inteligência de negócios, estratégia e inteligência de mercado.Formação acadêmica na Escola de Engenharia Mauá e MBA em Estratégia de Mercado na Fundação Getúlio Vargas. Certificação para conselheiro no IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Quase 61% dos municípios do Nordeste melhoraram a nota no Ideb em 2023

Recife, por Kleber Patricio

Município de Pires Ferreira, no Ceará, foi a única nota 10 no resultado deste ano. Foto: Divulgação.

Dos 18 municípios que obtiveram nota acima de 9 nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano) do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2023, 17 estão no Nordeste. Estes números mostram o avanço da região na educação fundamental ao longo dos últimos anos. Análise realizada pela Coordenação de Estudos e Pesquisas da Sudene mostra que a rede pública de 60,7% dos municípios nordestinos melhorou os resultados entre 2021 e 2023 no principal indicador da qualidade de ensino do Brasil. Vale destacar que o único município a tirar nota 10 no país foi Pires Ferreira, no Ceará – há 16 anos, sua nota era de 3,7.

O país só atingiu a meta do Ideb nos anos iniciais do ensino fundamental, fixada em nota 6. Considerando as notas dos estados, oito dos nove do Nordeste melhoraram seus resultados entre os anos de 2021 e 2023 – apenas a Bahia manteve a mesma nota nas duas avaliações, 5,3. Todos superaram a meta regional, de 5,2. Apenas Ceará (6,6) e Alagoas (6), no entanto, alcançaram a meta do Brasil.

Do total de municípios do Nordeste (1.794), 20,1% superaram a meta nacional (6). Importante ressaltar que 57% dos municípios da Região conseguiram atingir a sua própria meta da rede pública dos anos iniciais do Ensino Fundamental estabelecida para o ano de 2021. Este resultado é próximo ao Sul e Centro-Oeste, cujos percentuais correspondem a 56,7% e 55%, respectivamente, e demonstra ser um avanço comparado ao Sudeste (36,2%) e Norte (24%).

De acordo com o diretor de Planejamento, Álvaro Ribeiro, responsável pela área de estudos e pesquisa da Sudene, a educação é um dos sete eixos estratégicos do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste. A universalização do acesso à educação infantil e ao ensino fundamental e médio é um dos objetivos explicitados no PRDNE. “A educação é fundamental para a melhoria da formação de capital, que impacta positivamente na competitividade da nossa região”, afirmou.

Ao analisar os dados em cada estado, a equipe da Sudene observou que a rede pública municipal do Nordeste, nos anos iniciais, apresentou avanços. Chama a atenção o estado do Ceará – 83% dos municípios melhoraram suas notas em relação à última avaliação do Ideb. “O investimento contínuo em educação e com objetivos evidentes mostra a sua importância. Mesmo num estado que já tem municípios com altas notas, estas permanecem crescendo, gerando uma sinergia, um efeito-demonstração positivo para todas as gestões públicas municipais. Já deixou de ser um fato pontual, um ou outro município, uma ou outra escola, para ser generalizada a qualidade do Ensino Fundamental naquele estado”, comentou o coordenador Desenvolvimento Territorial, o economista José Farias.

Mais da metade dos municípios dos estados do Ceará (83%), do Maranhão (78%), de Alagoas (77%), de Pernambuco (61%), do Rio Grande do Norte (61%) e do Piauí (56%) incrementaram suas notas entre os anos de 2021 e 2023. Esse dado pode ser considerado reflexo do desempenho das escolas – 100 unidades educacionais do país com maior desempenho no Ideb são do Nordeste. O Ceará concentra o maior número de unidades (68), Alagoas (31) e uma de Pernambuco.

De acordo com José Farias, os estudantes de um ensino fundamental de qualidade em 2024 serão potenciais alunos de graduação ou ensino técnico em uma década e terão a chance de chegar ao mercado de trabalho em melhores condições, trazendo para os pequenos e médios municípios do Nordeste uma geração mais exigente e com maior capacidade de gerar riqueza, não apenas monetária, mas com inquietação e com o germe da inovação, para o território onde habitam. “Uma geração que recebe uma educação de melhor qualidade tem condições de tratar melhor o seu destino e colaborar mais efetivamente para o desenvolvimento de um território. Isto é bem relevante para o desenvolvimento de mais longo prazo na nossa região”, destacou José Farias.

(Fonte: Assessoria de Comunicação Social e Marketing Institucional/Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene)  

O impacto positivo dos parques na saúde e no bem-estar de crianças e adultos

São Paulo, por Kleber Patricio

Contato com a natureza melhora a fadiga e o cansaço mental dos grandes centros. Fotos: Divulgação.

O fim de semana se aproxima e, para muitos moradores de São Paulo, isso significa a busca por momentos de descanso e de lazer. Depois de uma semana corrida, os parques urbanos da capital se destacam como verdadeiras ilhas verdes para escapar da agitação da cidade grande. Além do contato com a natureza, trazem inúmeros benefícios para as saúdes física e mental.

O acesso a parques oferece um contraponto necessário à hiper estimulação urbana, ou seja, um convite a uma pausa no cotidiano. Estar ao ar livre melhora o equilíbrio físico e emocional, a criatividade, a cooperação social e a concentração. “Saímos da rotina, pois ao estarmos em espaços coletivos, por mais que façamos isso sempre no mesmo horário, não teremos controle sobre o que iremos encontrar, estimulando-nos a lidar de forma saudável com o imprevisível”, explica a psicóloga Ana Paula Camara.

De acordo com a psicóloga, a urbanização e a popularização das tecnologias isolam as pessoas do contato com natureza, o que contribui para afetar a saúde socioafetiva de crianças, jovens e adultos. “Os parques mitigam esses efeitos e proporcionam alívio do estresse e da poluição. O simples contato visual com a natureza pode acalmar e auxiliar o cérebro humano a lidar com a fadiga e o cansaço mental promovido pelos diversos estímulos da cidade”, explica.

Um desses espaços é o Parque Jardim das Perdizes, na Zona Oeste da capital, inaugurado em 2016, com 45 mil m² de área verde, pista de corrida, ciclovia, playground, equipamentos de ginástica, bebedouros para pets e obras de arte de Tomie Ohtake, Daisy Nasser e Bia Doria. Sua infraestrutura inclusiva, certificada com o Selo de Acessibilidade, também é um exemplo para outras unidades. O local é um ‘bolsão’ aberto em meio a torres residenciais, o que contribui para revitalizar o entorno e melhorar a qualidade de vida da população.

O arquiteto Itamar Berezin elenca as principais funções dos parques em uma metrópole como São Paulo. Segundo o profissional, além de ajudar a regular o clima e a umidade e favorecer a biodiversidade, representam uma opção sustentável para combater as ilhas de calor e reduzir o ruído do intenso tráfego urbano. “Eles criam espaços de respiro nesta imensa cidade, com equipamentos de lazer e vegetação que propiciam o bem-estar físico e mental, onde crianças, jovens e adultos se encontram”, diz.

E foi para melhorar a qualidade de vida que o empresário Luca Savoia decidiu se mudar para ficar mais perto do Parque Jardim das Perdizes em 2018. “Não preciso me deslocar, pois ele fica ao lado da minha casa. Corro e caminho aqui para cuidar bem da minha saúde. É um ambiente limpo, familiar e silencioso. Acho interessante que os moradores também zelam pelo local”, explica.

Parques urbanos como aliados da saúde das crianças 

Para evitar o uso excessivo de dispositivos eletrônicos, Daniela mantém o hábito de levar os filhos em parques e em clubes da cidade. Fotos: Divulgação.

Os parques urbanos são alternativas para as crianças reduzirem o tempo de uso de dispositivos eletrônicos. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que a utilização constante de celulares, entre outras telas, pode afetar a visão dos pequenos. Oftalmologistas relataram fator de risco para miopia, acompanhados de sintomas extraoculares como dores no ombro e pescoço, cefaleia e dor nas costas. Segundo a pediatra Denise Lellis, autora do livro Primordial – Um Livro Pela Infância em seu Pleno Potencial: Nutrição, Comportamento e Estilo de Vida em Pediatria, a exposição ao sol em parques oferece vantagens imunológicas, melhora a saúde dos olhos e facilita a conversão de vitamina D, essencial para a saúde óssea. “A falta de exposição à luz natural está associada ao aumento de miopias graves”, complementa.

A médica explica ainda que a exposição ao sol e a prática de atividades físicas são fundamentais para manter a longevidade. “Os seis pilares do estilo de vida saudável incluem alimentação balanceada, prática de atividades físicas e de preferência ao ar livre, sono de qualidade, conexões sociais, redução de estresse e moderação no consumo de álcool, entre outras substâncias e medicamentos. Estudos na área apontam 20 anos de vida a mais para pessoas que mantenham esses pilares em suas vidas”, pontua.

Além disso, desde 2019, a SBP trabalha com o Programa Criança e Natureza para orientar e inspirar pediatras, famílias e educadores sobre a relevância do convívio de crianças e adolescentes em meio à natureza para contribuir com o bem-estar e as saúdes física e mental. Para a entidade, a urbanização resultou em um distanciamento da natureza, redução das áreas naturais e o aumento da poluição. Ainda segundo a Sociedade, garantir que as crianças tenham uma infância rica em contato com a natureza é uma responsabilidade compartilhada.

De acordo com Lellis, a interação com a natureza aumenta a resistência e a tolerância à frustração e reduz os níveis de ansiedade e de estresse. “A atividade física ao ar livre eleva a endorfina, combate o sedentarismo e os efeitos negativos do uso excessivo de telas, que prejudica essas interações e afeta o desenvolvimento emocional, cognitivo e imunológico das crianças”, afirma.

Para evitar o excesso de exposição às telas, pelo menos uma vez por semana a empreendedora Daniela Ruelli leva os filhos, Henrique, 9, e Isabela, 3, para brincar no Parque Jardim das Perdizes e em clubes da cidade. “A Isabela ainda não tem contato com dispositivos digitais, enquanto o Henrique os utiliza apenas uma hora por dia. A redução do tempo de tela foi uma recomendação da pediatra”, comenta.

Em um contexto em que o uso excessivo de telas preocupa especialistas em saúde, oferecer às crianças a oportunidade de brincar ao ar livre contribui com o crescimento saudável. “Tenho muita preocupação com o desenvolvimento deles, pois o uso excessivo de dispositivos eletrônicos faz mal e ainda gera ansiedade e estresse. Prefiro que eles tenham essa troca com a natureza e melhorem a parte emocional para se relacionar bem com outras crianças”, explica a empreendedora.

Para finalizar, Denise Lellis ressalta que os parques urbanos ajudam a promover um estilo de vida mais saudável em uma sociedade digital. “As pessoas valorizam cada vez mais os seguidores e os likes, mas é fundamental valorizar a saúde e o bem-estar. Oferecer espaços verdes e incentivar o uso desses parques pode ajudar a combater os efeitos negativos da vida digital e proporcionar um ambiente mais sadio tanto para crianças quanto adultos”, aponta.

Parques em São Paulo | O Parque Jardim das Perdizes, onde Daniela leva seus filhos, fica aberto das 5h às 22h, todos os dias da semana.  Bicicletas, patins e skates são permitidos nas áreas designadas. Também é permitida a entrada de animais domésticos com coleira e guia. Não há lanchonetes no local, por isso é recomendado levar lanches, mas churrasqueiras e fogueiras são proibidas. Para aproveitar bem o local, escolha a atividade de sua preferência e não esqueça o protetor solar. Além deles, a capital oferece diversas opções de parques urbanos para lazer e descanso. Entre eles estão: Parque Ibirapuera, Parque da Independência, Jardim Botânico, Parque Villa-Lobos, Parque da Aclimação, Parque da Água Branca, Parque Ecológico do Tietê, Horto Florestal e Parque Ecológico do Guarapiranga, entre outros.

(Fonte: Com Marina Paschoal/Agência Pub)