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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Dramaturgo Samir Yazbek e diretor Ulysses Cruz se unem no espetáculo ‘Perfeita!’, uma distopia sobre um futuro autoritário e ameaçado

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Priscila Prade.

Em tempos de IA (inteligência artificial), regimes totalitários em ascensão e um narcisismo exacerbado nas redes sociais, o dramaturgo Samir Yazbek escreveu a peça Perfeita!, uma distopia que provoca o público ao apontar a humanidade perdida nas ações cotidianas de todos nós. A trama é ambientada em um futuro distante – mas, quem sabe, nem tanto. O Comandante (interpretado por Sergio Guizé) é membro da defesa cibernética do Estado da província de Lusitânia. Ele pretende expulsar do país todos os estrangeiros que, nos últimos tempos, ganharam voz crescente e reivindicam direitos há muito negados. Entre eles, os chamados ‘agregatus’, está sua mulher (vivida por Sol Menezzes), que, no passado, emergiu dos excluídos e questiona as atitudes do marido.

Para somar forças, o Comandante se submete a um processo liderado pelo Cientista (papel de Gustavo Machado), que produzirá uma cópia fiel do chefe de Estado e o tornará mais potente diante dos opositores. Legatus, porém, não se reconhece e rejeita a própria cópia, mergulhando em uma crise de identidade que poderá ter consequências políticas. “Eu me concentrei na fábula para destacar três assuntos: a perspectiva de um futuro distópico, a questão do narcisismo e os avanços tecnológicos que nem sempre são usados para o bem”, aponta o dramaturgo.

O espetáculo, realizado pelo Sesc São Paulo, idealizado por Samir Yazbek, Fernando Padilha e Ulysses Cruz e produzido por Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha, da PadRok – que, desde 2008 já realizaram mais de cinquenta ações culturais, grande parte voltada para as artes cênicas – estreou em 24 de outubro no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, em São Paulo. O trabalho ainda conta com o diretor assistente e de movimento, Leonardo Bertholini e os efeitos de projeção, holografia e cenografia do Coletivo Bijari. O desenho de luz é de Aline Santini, com música original dos Irmãos Lessa. Os figurinos são de Ulysses Cruz. Jal Vieira veste Sol Menezzes, além de assinar o visagismo junto com Dennis Bello. No elenco, há a participação de Luma Litaiff como Secretária.

Autor de textos celebrados, como O Fingidor (1999), A Entrevista (2004) e As Folhas do Cedro (2010) e dos recentes O Outro Borges e Por Trás das Flores, Yazbek trabalha pela primeira vez com Ulysses Cruz, um dos encenadores mais celebrados do teatro brasileiro desde o fim da década de 1980. “É uma obra de um autor brasileiro que conheço e gosto muito e é raro encontrar um dramaturgo tão talentoso e receptivo como o Samir”, elogia o diretor, que, no ano passado, assinou a montagem de A Cerimônia do Adeus, de Mauro Rasi (1949–2003). “Nós vivemos em uma época em que as pessoas são incógnitas e todo mundo tem medo de se mostrar com fidelidade, por isso é tão importante a reflexão proposta por Samir.”

Para Yazbek, Perfeita! é a sua peça mais política e inaugura uma nova fase na sua escrita – algo que vem preparando nos últimos anos no sentido de expor como os fatos se dão em ditaduras evidentes ou contextos políticos aparentemente democráticos. “É um texto que desvenda como as decisões estabelecidas pelos poderes interferem na vida das pessoas, corrompendo as elites e indicando a importância de uma consciência aguçada para entender o mundo”, explica o autor, que, na construção da dramaturgia, pesquisou livros dos escritores Philip K. Dick, Aldous Huxley e Ursula K. Le Guin, especialistas em ficção científica.

Os atores e a atriz são fundamentais para garantir a humanidade da montagem e Ulysses Cruz se mostra profundamente satisfeito com o elenco. Com uma longa e diversificada trajetória, Sergio Guizé interpretou no teatro textos de Harold Pinter, Mário Bortolotto e Sam Shepard e fez sucesso na televisão nas novelas Êta Mundo Bom! e O Outro Lado do Paraíso, além das séries Sessão de Terapia e Os Outros. “Guizé é um ator cheio de recursos, carismático e ajuda a compreender quem é essa personagem que se atormenta o tempo todo”, diz o diretor, que já comandou Antonio Fagundes (Fragmentos de um Discurso Amoroso, Macbeth e Tribos), Paulo Autran (Rei Lear) e Tarcísio Meira (O Camareiro).

Sol Menezzes começou a estudar teatro aos 8 anos e participou das peças Lívia, As Paparutas, Jacques e a Revolução e Os Insones. No audiovisual, a atriz se destacou nas séries Dois Tempos (Star+), Irmandade (Netflix) e Desnude (GNT) e nos filmes Meu Sangue Ferve por Você e Vale Night. “Sol é uma atriz cheia de tenacidade, capaz de dar credibilidade a uma personagem tão complexa porque ela é praticamente uma infiltrada, uma espiã do lado que o comandante quer destruir”, elogia Cruz.

Yazbek complementa o pensamento do diretor em relação à intérprete e à personagem, que, na concepção final, é quase uma rainha de uma cultura africana. “Esta mulher é um contraponto ao protagonista, uma representante dos valores humanistas e tem a missão de lidar com este homem que está prestes a se virar contra ela”, diz o autor.

Com três décadas de carreira, Gustavo Machado transita pelo teatro, cinema e televisão e, além de atuar, é diretor. Entre suas peças, já foi de Shakespeare (Hamlet) a Plínio Marcos (Navalha na Carne) e se destacou em O Avarento, A Cabra e Essa Nossa Juventude, que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Shell. “O Gustavo tem aquele olho que está sempre brilhando e, como diretor, eu percebo quando um ator está comigo porque eu estimulo a imaginação o tempo todo e esse estímulo é que vai fazê-lo trazer algo de original”, comenta Cruz.

Segundo Yazbek, o Cientista representado por Machado é o personagem que enfrenta o dilema ético sobre o que pode ou não ser feito em relação às suas criações. “A perspectiva de fazer deste artefato uma arma de guerra começa a afligi-lo porque as coisas fogem de seu controle e não há como voltar atrás”, observa.

Sinopse | Num futuro distópico, um comandante do Estado que pretende expulsar os estrangeiros de seu país, entre os quais se encontra sua esposa, tem seus planos ameaçados quando se vê diante de sua cópia.

Ficha Técnica

Texto: Samir Yazbek

Diretor Artístico: Ulysses Cruz

Idealização: Samir Yazbek, Fernando Padilha e Ulysses Cruz

Elenco: Sergio Guizé, Sol Menezzes, Gustavo Machado e Luma Litaiff

Diretor Assistente e Direção de Movimento: Leonardo Bertholini

Cenografia: Bijari

Direção de Cenografia: Gustavo Godoy e Olavo Ekman

Arquitetos: Gustavo Godoy, Bárbara Machado e Natã Martins

Direção de Efeitos Visuais: Olavo Ekman

Animação: Marcela Návia e Olavo Ekman

Assistente de Palco: Danny Andrade

Direção de Fotografia: Antonio Brasiliano

Som Direto: Debora Murakawa

Eletricista: Waldeck Santos

Cenotecnia: Leo Ceolin

Operação de Projeção: ON Projeções

Desenho de Luz: Aline Santini

Assistente de Iluminação e Programação: Ricardo Barbosa

Operador de Iluminação: Raphael Mota

Música Original: Irmãos Lessa

Operador de Som e Microfonista: Dugg Monteiro

Figurinista: Ulysses Cruz

Jal Vieira veste Sol Menezzes

Visagista: Jal Vieira

Caracterização de Efeito: Dennis Bello

Assistente de Efeito: Carla Diaz Maquiadora: Tamires Ramos

Assistente de Maquiagem: Henri Rodrigues

Fotos: Priscila Prade

Comunicação Visual: Kelson Spalato

Assessoria de Imprensa: Pevi

Mídias Sociais e Comunicação: Raquel Murano

Produção Executiva: Lucas Lentini

Produtora de Elenco: Vanessa Veiga

Gerente de Projetos e Administração: Andréia Porto

Direção de Produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha

Produção: PadRok Produções Culturais

Realização: Sesc São Paulo.

Serviço:

Perfeita! 

De 24 de outubro a 24 de novembro, quinta a sábado, às 21h | domingos e feriado, às18h

Duração: 80 minutos

Local: Teatro Paulo Autran

Classificação: 12 anos

Ingressos: R$70 (inteira); R$35 (meia) e R$21 (credencial plena)

Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo (SP)

Estacionamento com manobrista: terça a sexta, das 7h às 21h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h.

(Fonte: Com Andreia Lima Gleice Nascimento/Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros)

Os Paralamas do Sucesso e Samuel Rosa se apresentam em Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

Os Paralamas do Sucesso. Foto: Markos Fortes.

Os Paralamas do Sucesso e Samuel Rosa, grandes nomes da música popular brasileira, se apresentam em dois shows completos em uma noite mais do que especial. Eles sobem ao palco no dia 20 de novembro em Campinas, cidade do interior do Estado de São Paulo. Os shows acontecem no Royal Palm Hall. Os músicos prometem, em seus shows, apresentarem grandes sucessos que fizeram história na vida de seus fãs. A realização é da Oceania Eventos.

Estão disponíveis para o público quatro tipos de ingressos: Cadeira Mesa Diamante, Cadeira Mesa Ouro, Cadeira Mesa Prata e Cadeira Mesa Bronze. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Icones https://www.icones.com.br/evento/292053-samuel-rosa-e-os-paralamas-do-sucesso.

Os Paralamas do Sucesso

Os Paralamas do Sucesso são uma das mais importantes bandas da história da música brasileira. Com 40 anos de carreira, 27 discos lançados, dezenas de sucessos e incontáveis shows pelo Brasil e pelo mundo, o grupo segue na estrada, influenciando novas gerações e arrebatando plateias de todas as idades. O repertório estrelado de ‘Paralamas Clássicos’ é também um passeio pela variedade rítmica do grupo, certamente a formação que mais misturou gêneros musicais no país. É possível ver a influência do rock inglês no começo da carreira (‘Fui eu’, ‘Mensagem de amor’), do reggae e do dub (‘A novidade’, ‘Melô do marinheiro’), do requinte pop que se destacou na produção dos anos 90 (‘Tendo a lua’, Busca vida’) e o diálogo com a música latina (‘Trac-Trac’, ‘Lourinha Bombril’), entre tantos outros sucessos.

Samuel Rosa

Samuel Rosa. Foto: Divulgação.

À frente de várias composições e sucessos que embalaram o público, Samuel Rosa está na estrada agora com seu novo show solo ‘Samuel Rosa Tour’. O show traz algumas das músicas do novo álbum, ‘Rosa’, como o primeiro single lançado ‘Segue o jogo’, e a elas vão se juntar composições próprias, que foram sendo lançadas durante os últimos 30 anos.

Entre as canções escolhidas para o repertório, além de suas composições clássicas executadas pelo Skank, como ‘Resposta’, ‘Dois rios’, ‘Vou deixar’ e ‘Garota Nacional’, entre outras. Mesmo tendo estado à frente do Skank por 30 anos, Samuel Rosa sempre se permitiu participar de trabalhos junto com grandes artistas brasileiros, entre eles Nando Reis, Milton Nascimento, Lô Borges e Jorge Benjor, além do guitarrista Carlos Santana.

Serviço:

Show Samuel Rosa e Os Paralamas do Sucesso

Data: 20 de novembro

Horário de abertura: 20h

Local: Royal Palm Hall – Rua Monsenhor Luís Fernandes de Abreu, 311 – Jardim do Lago Continuação – Campinas/SP

Mais informações: https://www.icones.com.br/evento/292053-samuel-rosa-e-os-paralamas-do-sucesso.

(Fonte: Com Diego Vivan/Estrategic Assessoria e Comunicação)

Orquestra Jovem de Indaiatuba homenageia música sertaneja em concerto

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

A Orquestra Jovem de Indaiatuba apresenta, no próximo dia 31, o concerto Raiz e Sertão. Com regência do maestro Felipe Oliveira, o evento contará com as participações da orquestra de violeiros Amigos & Viola e da dupla Peão Carreiro & Praiano. O encontro acontece a partir das 20h, na sala Acrísio de Camargo, no Ciaei, com entrada gratuita e por ordem de chegada.

Com um repertório cheio de clássicos da música sertaneja e da moda de viola, que marcaram gerações e continuam vivos na cultura brasileira, Raiz & Sertão traz no setlist sucessos como Menino da Porteira, As Andorinhas, Franguinho na Panela e Saudade da Minha Terra. Para tornar a noite ainda mais especial, a dupla Peão Carreiro & Praiano interpretará as canções Porta do Mundo e Desatino – esta última, famosa na voz do próprio Praiano ao lado de Ronaldo Viola. O evento é realizado pela Associação Mantenedora da Orquestra Jovem de Indaiatuba (Amoji) em parceria com a Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Sobre Amigos & Viola | Formado por músicos e amigos de Indaiatuba, o grupo surgiu em 2017 com a missão de resgatar e preservar a música sertaneja caipira raiz com interpretações originais. Além do trabalho musical, o projeto tem como propósito realizar apresentações beneficentes em Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

Sobre Peão Carreiro & Praiano | Originalmente formada em 1994, a dupla Peão Carreiro & Praiano – nomes que já eram importantes separadamente na música sertaneja – ficou famosa por sucessos como Ela Diz que é 10, Flor da Rua e Dividindo o Prazer. Peão Carreiro faleceu em 1999 e, em 2023, seu filho assumiu seu lugar na dupla ao lado de Praiano.

Serviço:
Concerto Raiz & Sertão

Data: 31/10 l Horário: 20h
Local: Sala Acrísio de Camargo (Ciaei) – Avenida Engenheiro Fábio Roberto Barnabé, 3665 – Jardim Regina, Indaiatuba (SP) – mapa aqui
Ingresso: Gratuito e por ordem de chegada

Sobre a Amoji | A Associação Mantenedora da Orquestra Jovem de Indaiatuba (Amoji) é responsável pela manutenção da Orquestra Sinfônica de Indaiatuba – que celebra 10 anos de existência – vem se destacando por sua intensa atuação na divulgação e popularização da música orquestral. Realizando, anualmente, mais de uma dezena de concertos gratuitos, com participação de músicos do município de Indaiatuba (SP) e solistas de renome. Promove também o Encontro Musical de Indaiatuba (EMIn), que disponibiliza masterclasses para estudantes de música de todo o Brasil e uma programação cultural de concertos para a comunidade.

Redes sociais: Instagram Sinfônica | Facebook Sinfônica | Facebook Emosi. 

(Fonte: Com Samanta De Martino/Armazém da Notícia)

‘Saravá o Invisível’: Cipriano realiza sua primeira exposição individual na Nonada SP

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

A Nonada SP inaugurou no dia 26 de outubro a exposição individual do artista Cipriano intitulada *Saravá o Invisível*. Com curadoria de Paulo Azeco e texto crítico da curadora angolana Paula Nascimento, a mostra reúne trabalhos inéditos que exploram a relação entre memória, espiritualidade e materialidade utilizando elementos como algodão, carvão e pemba. As obras de Cipriano evocam gestos ritualísticos que dialogam com sua trajetória pessoal e sua vivência no terreiro, abrindo uma reflexão sobre o passado e o presente, tanto em suas dimensões pessoais quanto coletivas.

Paula Nascimento, angolana, pesquisadora, curadora e arquiteta, ganhadora do Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 2013, destaca no texto crítico o caráter performático das pinturas de Cipriano, onde os processos de repetição e sobreposição criam uma narrativa visual rica em significados. Através de suas composições, o artista explora o legado do tráfico transatlântico, a interligação entre culturas materiais e as tecnologias de resistência e cura. *Saravá o Invisível* é uma ode à continuidade da vida, aproximando o visível e o invisível, o pessoal e o coletivo, em uma reflexão sobre as experiências partilhadas e universais.

Cipriano, nascido em Petrópolis, RJ, é artista, escritor e pesquisador, com foco na africanidade. Sua obra, presente em diversas exposições individuais e coletivas, é marcada por um profundo diálogo com o espectador, ressignificando símbolos e tradições culturais. Esta é sua primeira exposição individual na Nonada SP, consolidando seu papel como uma voz emergente no cenário artístico contemporâneo.

Serviço: 

Exposição *Saravá o Invisível

Artista: Cipriano

Curadoria: Paulo Azeco

Texto Crítico: Paula Nascimento

Abertura: 26 de outubro de 2024, das 10h às 17h

Período: 29 de outubro de 2024 a 25 de janeiro de 2025

Local: Nonada SP – @nonada_nada

Endereço: Praça da Bandeira, 61 – Centro, São Paulo, SP

Funcionamento: terça a sexta-feira, das 11h às 18h; sábado, das 11h às 15h.

(Fonte: Com Silvia Balady/Nalady Comunicação)

36ª Bienal de São Paulo: Nem todo viandante anda estradas/Da humanidade como prática

São Paulo, por Kleber Patricio

Equipe conceitual da 36ª Bienal de São Paulo, da esq. para a dir.: Keyna Eleison, Alya Sebti, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, Henriette Gallus, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza. Foto: ©João Medeiros/Fundação Bienal de São Paulo.

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia o título, o conceito curatorial, os parceiros e a identidade visual da 36ª Bienal de São Paulo, que acontecerá a partir de setembro de 2025 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Intitulada Nem todo viandante anda estradasDa humanidade como prática, a edição será conduzida pelo curador geral Prof. Dr. Bonaventure Soh Bejeng Ndikung com sua equipe de cocuradores composta por Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, além da cocuradora at large Keyna Eleison e da consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus. A mostra se inspira no poema enigmático da poeta afro-brasileira Conceição Evaristo ‘Da calma e do silêncio’.

A exposição vem acompanhada, ainda, de uma mudança histórica na organização do evento, que tradicionalmente é realizado de setembro a dezembro. A Fundação Bienal tem o prazer de anunciar que a 36ª edição da mostra se estenderá por quatro semanas adicionais, sendo apresentada gratuitamente ao público entre 6 de setembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026. A decisão foi tomada pela presidente Andrea Pinheiro e sua Diretoria com o intuito de ampliar ainda mais o alcance da mostra, que poderá ser apreciada por uma quantidade maior de visitantes durante o período de férias escolares.

A proposta central dessa Bienal é repensar a humanidade como verbo, uma prática viva em um mundo que exige reimaginar as relações, as assimetrias e a escuta como bases de convivência a partir de três fragmentos/eixos curatoriais. A metáfora do estuário – local onde diferentes correntes de água se encontram e criam um espaço de coexistência – guia o projeto curatorial, inspirado nas filosofias, paisagens e mitologias brasileiras. Tal conceito reflete a multiplicidade de encontros que marcaram a história do Brasil e propõe que a humanidade se una e se transforme por meio de uma escuta atenta e da negociação entre seres e mundos distintos.

De acordo com o curador geral Prof. Dr. Bonaventure Soh Bejeng Ndikung: “Em uma época em que os seres humanos parecem ter, mais uma vez, perdido contato com o que significa ser humano, em uma época em que a humanidade parece estar perdendo o chão sob seus pés, em uma época de agravamento de crises sociopolíticas, econômicas e ambientais em todo o mundo, parece-nos urgente convidar artistas, acadêmicos, ativistas e outros profissionais da cultura ancorados em uma ampla gama de disciplinas para se juntarem a nós na reformulação do que a humanidade poderia significar e na conjugação da humanidade. Apesar ou por causa de todas essas crises e urgências do passado-presente-futuro, devemos nos dar o privilégio de imaginar outro mundo por meio de outro conceito e prática de humanidade. Portanto, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática é um convite para pensar e manifestar a humanidade como um verbo e uma prática, para pensar sobre a humanidade como encontro(s) e negociações sobre a convergência de mundos variados. É um convite para deliberar sobre o desmantelamento de assimetrias como um pré-requisito para a humanidade como prática, assim como essa Bienal nos oferece um convite para colocar a alegria, a beleza e suas poéticas no centro das forças gravitacionais que mantêm nossos mundos em seus eixos… pois a alegria e a beleza são políticas. Este é um convite para imaginar um mundo no qual damos ênfase às nossas humanidades em um momento em que a humanidade está literalmente falhando conosco”.

Sobre a 36ª edição, Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, comenta: “A Bienal de São Paulo é um patrimônio artístico do Brasil e essa edição é resultado de um processo coletivo que começou com nosso conselho consultivo, responsável por deliberar e selecionar o projeto curatorial mais alinhado com os desafios contemporâneos. Este ano tivemos a alegria de receber a proposta Nem todo viandante anda estradas – A humanidade como prática proposto por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. Esse projeto não apenas reafirma o papel da Bienal como espaço de reflexão e diálogo sobre as questões mais urgentes de nosso tempo, mas também demonstra o compromisso institucional da Fundação de promover a produção artística de forma que seja acessível e relevante para os mais diversos públicos. E é justamente com o intuito de atingir o maior número possível de pessoas que ampliamos a duração da mostra em quatro semanas, até janeiro de 2026, para que mais visitantes tenham oportunidade de entrar em contato com a incrível produção artística que a equipe curatorial está reunindo”.

A proposta curatorial

Esta edição da Bienal de São Paulo está estruturada como um projeto de pesquisa que irá se manifestar em três fragmentos/eixos. O primeiro fragmento/eixo curatorial defende reivindicar o espaço e o tempo, busca desacelerar e prestar atenção aos detalhes e outros seres que constituem nosso ambiente. Situando-se dentro do poema Da calma e do silêncio, de Conceição Evaristo, esse eixo evoca a importância de explorar os mundos submersos que apenas o silêncio da poesia e a escuta poética podem acessar, acolhendo as diferenças e sugerindo uma reconexão com a natureza e suas sutilezas.

No segundo fragmento/eixo, a Bienal convida o público a se ver no reflexo do outro. A proposta é questionar o que vemos quando olhamos para nós mesmos e para os outros, confrontando as barreiras e fronteiras de nossas sociedades. Esse fragmento se baseia no poema Une conscience en fleur pour autrui, do poeta haitiano René Depestre, e explora a interconectividade das experiências, propondo uma coexistência mais atenta às necessidades coletivas.

Por fim, o terceiro fragmento/eixo se debruça sobre os espaços de encontros – como os estuários são espaços de múltiplas convergências, não apenas da água doce com a salgada, mas também o encontro do chamado Novo Mundo com as pessoas escravizadas sequestradas da África. Esse fragmento reflete sobre a colonialidade, suas estruturas de poder e suas ramificações em nossas sociedades atuais. Essa reflexão é baseada no movimento manguebeat e em seu manifesto Caranguejos com cérebro, entendido como uma representação do cérebro social coletivo. A história do Brasil, marcada pela fusão de povos indígenas, europeus e africanos escravizados, é um microcosmo das assimetrias de poder que ainda persistem. Nesse sentido, a exposição explora como as culturas e as sociedades lidam com essas diferenças e criam novos caminhos de coexistência e beleza, como manifestado em A beleza intratável do mundo, de Patrick Chamoiseau e Edouard Glissant.

Convergências globais

Como parte essencial de sua proposta curatorial, a 36ª Bienal de São Paulo contará com as Invocações: encontros com poesia, música, performance e debates que ecoam as ideias centrais da exposição, investigando e compreendendo noções de humanidade em diferentes geografias. A série de encontros é fruto de relacionamento com instituições culturais e precede a realização da mostra paulistana.

O ciclo incluirá conversas, palestras, oficinas e performances em quatro localidades. Os dois primeiros eventos, apresentados ainda em 2024, acontecerão em Marrakech, Marrocos, e Les Abymes, Grande-Terre, Guadalupe. O primeiro encontro se dará no Le18 e na Fondation Dar Bellarj, liderados por Laila Hida e Maha El Madi, enquanto o segundo será realizado em Lafabri’K, liderado por Léna Blou. Em 2025, acontecerão as últimas duas Invocações, em Zanzibar, Tanzânia, e no Japão, em instituições que serão oportunamente anunciadas.

A primeira Invocação, intitulada Souffles: On Deep Listening and Active Reception [Souffles: Sobre escuta profunda e recepção ativa], a ser realizada em 14 e 15 de novembro em Marrakech, será uma deliberação sobre três tópicos: a precariedade da respiração, as culturas Gnawa e Sufi, e a escuta como uma prática de coexistência.

A segunda Invocação, intitulada Bigidi mè pa tonbé! [Balança mas não cai!], acontecerá entre 5 e 7 de dezembro em Les Abymes, Guadalupe, e refletirá sobre a inteligência do movimento dos corpos entre a ruptura e a adaptação para manter o equilíbrio em movimento em tempos de crise.

A terceira Invocação, que será realizada em fevereiro de 2025, em Zanzibar, recebeu o título Mawali-Taqsim: Improvisation as a Space and Technology of Humanity [Mawali-Taqsim: A improvisação como espaço e tecnologia da humanidade]. O encontro se baseia na percepção do taarab não apenas como um ritmo, mas como uma construção de encontros e múltiplas trocas que o território da Tanzânia e o Oceano Índico têm promovido.

A quarta e última Invocação, programada para março de 2025, no Japão, intitulada The Uncanny Valley or I’ll Be your Mirror [O vale da estranheza ou eu serei seu espelho], traz reflexões e encontros sobre as dinâmicas do afeto entre humanos e não humanos, pessoas e máquinas em um exercício de construção de coexistências, interações, distâncias e proximidades.

Esses encontros funcionarão como afluentes, convergindo para o corpo principal da 36ª Bienal em São Paulo, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.

Outro importante afluente da 36ª Bienal de São Paulo será a Casa do Povo, em São Paulo, um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória. Ela abrigará um programa de performances desenvolvido por Benjamin Seroussi (diretor artístico da Casa do Povo) e Daniel Blanga Gubbay (diretor artístico do Kunstenfestivaldesarts). Novos afluentes serão anunciados em breve.

Identidade visual

O estúdio berlinense Yukiko, fundado por Michelle Phillips e Johannes Conrad, é o responsável pela identidade visual da 36ª Bienal. Reconhecido por seu estilo experimental, o estúdio traz uma abordagem que dialoga diretamente com o conceito curatorial dessa edição, criando uma experiência visual e gráfica que reforça o papel da escuta e a ideia de confluências a partir da imagem do estuário. “O conceito visual da 36ª Bienal de São Paulo é inspirado na ideia de humanidade como prática, enfatizando a interconexão, a empatia e a coexistência criativa. Com base no eixo curatorial do som e do movimento manguebit, a identidade visual é fundamentada em ondas sonoras polifônicas e na série harmônica, simbolizando as frequências sobrepostas das experiências humanas. Essas ondas sonoras representam a ideia de que a humanidade está constantemente evoluindo e se remodelando por meio de encontros, assim como o estuário, onde vários mundos se encontram e se misturam. Essa manifestação visual reforça a mensagem central da Bienal: que por meio da escuta intencional e da reflexão profunda, podemos imaginar a humanidade como uma prática viva e pulsante”, explicam os designers.

Sobre a Fundação Bienal de São Paulo
Fundada em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas / Da humanidade como prática [Not All Travellers Walk Roads / Of Humanity as Practice]

Curador geral: Bonaventure Soh Bejeng Ndikung / Cocuradores: Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza / Cocuradora at large: Keyna Eleison / Consultora de comunicação e estratégia: Henriette Gallus

6 set 2025 – 11 jan 2026
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera · Portão 3 · São Paulo, SP
O título da 36ª Bienal de São Paulo, Nem todo viandante anda estradas, é formado por versos da escritora Conceição Evaristo.

(Fonte: Fundação Bienal de São Paulo)