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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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‘O Avesso da Pele’, de Jeferson Tenório com o coletivo Ocutá de teatro, realiza curtíssima temporada no Sesc Bom Retiro

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Helt Rodrigues.

O espetáculo O Avesso da Pele, do Coletivo Ocutá, entra em cartaz em curta temporada no teatro do Sesc Bom Retiro com apresentações dias 11, 18 e 19, sextas e sábados, às 20h – no feriado do dia 12, sábado, a sessão acontece mais cedo, às 18h. A peça é uma adaptação do livro homônimo do escritor Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria Romance Literário; com direção de Beatriz Barros, tem no elenco Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto, que também assina a dramaturgia em parceria com a diretora do espetáculo.

Ambientada na Porto Alegre da década de oitenta, o enredo traz a história de Pedro, filho de um professor de literatura assassinado em uma desastrosa abordagem policial. Após este episódio, Pedro inicia uma investigação acerca de suas origens, o passado da sua família e a trajetória de seu pai, Henrique, construindo assim uma jornada que elucida não só questões de paternidade preta em um país marcado pelo racismo, mas também os caminhos que levam ao afeto e à redenção. Com O Avesso da Pele, Jeferson Tenório marca seu lugar na literatura brasileira contemporânea como um dos autores mais relevantes da atualidade.

“O Avesso da Pele não é um livro sobre o racismo e também não é um livro sobre a violência policial. Ele é antes de tudo uma reivindicação afetiva, que vai restituir a subjetividade perdida ou retirada em função do racismo e da violência. A questão central do livro é discutir as coisas que se perdem quando o Estado e a polícia agem dessa forma”, disse Jeferson Tenório em entrevista ao Jornal Nexo.

Em 2020, os atores Vitor Britto, Marcos Oli, Bruno Rocha e Alexandre Ammano, a partir do conhecimento da obra, convidaram a socióloga, atriz e diretora Beatriz Barros para dirigir a montagem e trazer um olhar feminino que fosse atento à cena teatral atual e às questões socioantropológicas que atravessam essa narrativa com embasamento teórico. O elenco é formado por quatro atores negros com menos de 30 anos que se reconheceram na trama como representantes de uma série de experiências ali descritas. Isso os aproximou da obra e do autor, Jeferson Tenório, que desde o início deu o aval para a montagem.

Em cena, os atores se alternam entre os personagens em um movimento em que todos serão pai e filho em algum momento. O cenário é o apartamento do pai, no qual Pedro, após o assassinato, observa os objetos ali presentes e os utiliza como ponto de partida na recuperação da história de seu pai. O que está em jogo é a vida de um homem abalado psicologicamente pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de um homem negro em um país racista.

Serviço:

O Avesso da Pele com Coletivo Ocutá

Dias 11, 18 e 19/10 | sextas e sábados, 20h | dia 12/10, sábado, 18h

Local: teatro (291 lugares). 14 anos. Valores: R$18 (Credencial Plena), R$30 (Meia) e R$60 (Inteira)

Venda de ingressos disponíveis pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/bomretiro, ou nas bilheterias.

Estacionamento do Sesc Bom Retiro – (vagas limitadas): O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com necessidades especiais e bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529. Valores: R$8 a primeira hora e R$3 por hora adicional (Credencial Plena). R$17 a primeira hora e R$4 por hora adicional (Outros).

Valores para o público de espetáculos: R$11 (Credencial Plena), R$21 (Outros).

Horários: Terça a sexta: 9h às 20h; sábado: 10h às 20h e domingo, 10h às 18h. Importante: Em dias de evento à noite no teatro, o estacionamento funciona até o término da apresentação.

Transporte gratuito: O Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorre na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.

Consulte os horários disponíveis de acordo com a programação no link https://tinyurl.com/3drft9v8.

Fique atento se for utilizar aplicativos de transporte particular para vir ao Sesc Bom Retiro. É preciso escrever o endereço completo no destino, Alameda Nothmann, 185, caso contrário o aplicativo informará outra rota/destino.

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo, SP

Telefone: (11) 3332-3600

Siga o @sescbomretiro nas redes sociais: Facebook, Instagram, Youtube.

(Fonte: Com Flávio Aquistapace/Assessoria de imprensa Sesc Bom Retiro)

‘Voar é o que me põe de pé’ estreia no palco do Teatro Vivo

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

No dia 9 de outubro estreia ‘Voar é o que me põe de pé’, com Olivia Araujo, no Teatro Vivo. O espetáculo é inspirado em poemas de Geni Guimarães e da prosa de Marcelino Freire, com direção e dramaturgia de Renato Farias, que traz para o palco a sabedoria de transformar o cotidiano em poesia. As apresentações acontecem às terças e quartas, às 20h.

Em atuação solo, Olivia traz ao palco uma personagem que constrói seu universo através de memórias, saudades e histórias familiares delicadas e saborosas – o tempo, o vento, os sons, os cheiros, as dores e os amores, tudo para ela é um poema. No roteiro, a personagem de Olivia vive uma poeta e dá vida a sua trajetória defendendo o direito a cada palavra.

Vivo Cultura

Além do Teatro Vivo, que em 2023 promoveu 12 espetáculos, vistos por mais de 42 mil pessoas, a Vivo apoia peças em circulação por todo o país e incentiva importantes equipamentos culturais, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Museu da Imagem e do Som (MIS-São Paulo), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Instituto Inhotim, Museu Oscar Niemeyer e Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM- São Paulo). Todas as suas iniciativas buscam ampliar o acesso ao conhecimento com novas formas de vivência e aprendizado, fortalecidas nos aspectos de diversidade, inclusão, coletividade e educação.

Ficha técnica

Atriz: Olivia Araujo

Poesias: Geni Guimarães

Prosa: Marcelino Freire

Dramaturgia e direção: Renato Farias

Trilha Sonora: Sérgio Pererê

Iluminação: Cleber Eli

Preparação vocal: Marcelo Bofat

Consultoria de Movimento: Daisy Carvalho

Figurino e Arte: Thiago Mendonça

Sapatos: Virgínia Barros

Fotografia: Guilherme Lima

Maquiagem: André Sartori

Produção: Luz dos Olhos Meus Produções Artísticas.

Serviço:

Voar é o que me põe de pé

Temporada: De 9 de outubro a 27 de novembro | terças e quartas, às 20h

Classificação: Livre

Duração: 50 minutos

Teatro Vivo – Avenida Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo, SP

Estacionamento no local: R$30

Funcionamento: 2h antes da sessão até 30 minutos após o término da apresentação
Bilheteria (sem taxa de conveniência): aberta 2 horas antes das sessões
Totem Sympla: de segunda a sexta em horário comercial.

(Fonte: Assessoria de Imprensa Vivo)

Rubem Alves e Gandhi: reflexões sobre não violência

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

Rubem Alves, um dos mais influentes educadores, psicanalistas e teólogos do Brasil, continua a inspirar leitores dez anos após sua morte, com a nova edição da obra Reverência pela vida: A sedução de Gandhi, uma reflexão sobre a jornada desse líder indiano. Ao narrar em primeira pessoa a trajetória do pacifista, o autor se aproxima do contexto atual, trazendo questões que falam de política, violência e lutas cotidianas.

Na obra, publicada pela Papirus Editora, pautado sempre pelo princípio da não violência e da pacificação mundial, o educador brasileiro trata da forma como as pessoas reagem às adversidades e da escolha dos caminhos para lidar com os percalços da vida. A nova edição conta com prefácio assinado por Raquel Alves, filha caçula do autor, que traz uma perspectiva íntima e pessoal ao livro. Fundadora do Instituto Rubem Alves, ela revela a emoção de reviver as palavras do pai e reflete sobre a profundidade da obra dele.

Este livro mexeu com minhas entranhas emocionais.
Primeiro, pelo fato de ser uma obra incrível, que reúne todas as nossas questões mais profundas
ligadas à vida e ao nosso viver em um único lugar.
Segundo, pelo fato de ter sido escrito em primeira pessoa,
o que quer dizer que o autor vestiu a pele de Gandhi,
como se sentisse e pensasse em seu lugar, e isso, por si só,
já é um ato de coragem e ousadia que somente uma alma muito boa
e sensível se arriscaria a fazê-lo com responsabilidade e sabedoria.
Por fim, vem aqui o fato de eu ser filha de Rubem Alves. (
Reverência pela vida, p. 13)

O ano de 2024 é marcado pelos dez anos do falecimento de Rubem Alves, conhecido por sua crítica ao modelo educacional tradicional e defensor de uma pedagogia humanizada e poética. Ele deixou um legado que permanece vivo até os dias de hoje em ensaios, crônicas e livros infantis. 

Ficha técnica
Título: Reverência pela vida
Subtítulo: A sedução de Gandhi
Autor: Rubem Alves
Editora: Papirus
ISBN: 978-65-5650-172-7
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 144
Preço: R$59,90 (físico) R$29,90 (e-Book)
Onde encontrar: https://a.co/d/1QlvpL6

Sobre Rubem Alves (1933–2014): foi um teólogo, psicanalista, educador e escritor brasileiro. Sua obra aborda temas como educação, espiritualidade e filosofia, com uma perspectiva que busca humanizar a vida e promover reflexões profundas sobre a condição humana.

Instagram: @institutorubemalvesoficial

Raquel Alves com o pai.

Sobre Raquel Alves: é arquiteta graduada e pós-graduada pela PUC-Campinas. Após o falecimento do pai, Rubem Alves, assumiu a presidência do Instituto Rubem Alves, dedicando-se a disseminar seu legado. Atualmente, é palestrante e escritora infantil.

Instagram: @raquelalvesescritora

Sobre a Papirus: A Papirus Editora se destaca pela publicação de obras nas áreas de educação, filosofia e psicologia, além de temas relacionados a desenvolvimento pessoal e profissional. Com um catálogo diversificado e autoral, busca promover o conhecimento e o debate sobre questões relevantes para a sociedade contemporânea.

Instagram: @papiruseditora.

(Fonte: Com Genielli Rodrigues/LC Agência de Comunicação)

Balé da Cidade de São Paulo apresenta remontagem ‘Variação’, de David Pontes e inédita ‘o que é o coro. coro’, de Marcela Levi e Lucía Russo

São Paulo, por Kleber Patricio

Coreografia Variação. Fotos: Larissa Paz.

O Balé da Cidade de São Paulo estreia sua terceira temporada na sala de espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. Grupo marcadoo pela sua relevância nadança contemporânea e inovação artística, apresenta a remontagem ‘Variação’, de Davi Pontes e coreografia inédita ‘o que é o coro.coro’, de Marcela Levi e Lucía Russo. As apresentações acontecem de 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30 e 31 de outubro e os ingressos variam de R$10 a R$87.

o que é o coro.coro: uma metáfora para o corpo

A coreografia o que é o coro.coro parte do conceito de coro já explorada nas peças Natureza Monstruosa (2011), Mordedores (2015) e Deixa Arder (2017) da dupla Marcela Levi e Lucía Russo. Antes da palavra ‘coreografia’ surgir no século XVII, a dança era vista como uma arte coral, registrada no tratado francês ‘Orchesographie’, de 1589. Levi e Russo resgatam esse princípio mostrando como o ‘coro’ é uma metáfora para o corpo, visto como suporte de múltiplas existências e influências. Para elas, o coro é turbilhão e cacofonia, e sua ‘des-orquesografia’ propõe poesia e vida.

A carioca Marcela Levi e a argentina radicada no Rio de Janeiro Lucía Russo fundaram, em 2010, a Improvável Produções. Marcela e Lucía apostam em um projeto de autoria compartilhada, em uma direção artística que aponta para um regime de sentido aberto em que diferentes posições inventivas se entrecruzam em um processo que acolhe linhas desviantes, dissenso e diferenças internas como força crítica construtiva.

Marcela Levi foi artista residente e convidada em instituições ao redor do mundo e seus projetos têm sido apresentados em vários festivais e centros de arte no Brasil, na Europa e na América Latina. Já Lucía Russo estudou psicologia na Universidade de Buenos Aires e dança contemporânea no EDDC (Holanda) e no Centro Cultural Rojas (Argentina). Se move entre a criação artística, os processos de transmissão e intercâmbio e a gestão cultural. Desde os anos 2000 mergulha na prática continuada da direção.
Variação: 31 bailarinos em cena e inúmeras releituras

Variação explora a relação entre movimento e emoção, convidando o espectador a uma jornada sensorial por meio de uma linguagem coreográfica contemporânea. Com uma trilha sonora envolvente e um elenco talentoso, a obra busca dialogar com a pluralidade das vivências humanas, traduzindo-as em dança de forma única e cativante.

Com 31 bailarinos em cena se revezando em uma plataforma, eles executam imagens de seus arquivos pessoais que se repetem e se recombinam, desafiando formas de viajar no tempo e a linearidade. Um jogo que brinca e questiona, aponta e esgarça os limites e perigos de uma história única.

Davi Pontes graduou-se em Artes pela Universidade Federal Fluminense e é Mestre em Artes pela mesma instituição. Foi premiado no ImPulsTanz – Young Choreographers’ Award 2022 e no Artlink Award – 100 artists from around the world, em 2022. Foi destaque como artista da 35ª Bienal de São Paulo de 2023.

David Pontes, conhecido por sua habilidade em unir técnica e criatividade, afirma: “Essa coreografia é um convite à reflexão sobre as diferentes camadas da experiência humana. Cada movimento é uma variação de sentimentos, e espero que o público se sinta tocado e inspirado.”

Serviço:

Balé da Cidade de São Paulo

23 OUT, quarta-feira, 20h

24 OUT, quinta-feira, 20h

25 OUT, sexta-feira, 20h

26 OUT, sábado, 17h

27 OUT, domingo, 17h

29 OUT, terça-feira, 20h

30 OUT, quarta-feira, 20h

31 OUT, quinta-feira, 20h

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

Ingressos de R$12,00 a R$87,00 (inteira)

Classificação indicativa – 18 anos

Duração total: Aproximadamente 18 minutos (com intervalo)

Variação

Davi Pontes, coreografia e concepção

Iara Izidoro, assistência

Podeserdesligado, trilha sonora

Julliana Araújo, designer de moda

Alanis Machado, assistente de moda

Mirella Brandi, desenho de luz

Elenco: Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Grecia Catarina, Harry Gavlar, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Leonardo Silveira, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Márcio Filho, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Odu Ofá, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam e Yasser Díaz.

o que é o coro.coro (estreia)

Marcela Levi e Lucía Russo, concepção, direção e desenho de som

Martim Gueller, cocriação do desenho de som e pianista convidado

Lucas Fonseca, assistente de coreografia

Laura Salerno, desenho de luz

Camila Schmidt, cenografia

Levi e Russo em colaboração com João Victor Cavalcante, figurino

André Omote, sonorização

Performance e cocriação: Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Grecia Catarina, Harry Gavlar, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Leonardo Silveira, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Márcio Filho, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Odu Ofá, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam e Yasser Díaz

Mais informações disponíveis no site.
(Fonte: Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa Theatro Municipal)

Limpeza de manguezais mobiliza comunidades na costa amazônica

Pará, por Kleber Patricio

Moradores de comunidades costeiras retiram lixo dos rios. Fotos: Projeto Mangues da Amazônia.

O lixo marinho é um dos principais desafios socioambientais na costa amazônica, no Amapá, Pará e Maranhão – região que abriga a maior faixa contínua de manguezais do planeta. Descartados nas cidades, levados até o litoral pelos rios ou trazidos de outras partes do mundo pelas correntes oceânicas, os resíduos – sobretudo plásticos – demandam soluções que mobilizam comunidades costeiras em busca da conservação da biodiversidade e melhor qualidade de vida. “Com a sensibilização ambiental, há uma maior percepção pública para a necessidade de mudar atitudes em relação ao lixo, prevenindo riscos à fauna e flora, aos meios de sustento e à saúde das pessoas”, afirma Marcus Fernandes, coordenador do Mangues da Amazônia e do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Bragança (PA).

No projeto Mangues da Amazônia, realizado pelo Instituto Peabiru e Associação Sarambuí com apoio do LAMA, a importância da destinação adequada dos resíduos inspira ações coletivas de limpeza de manguezais e praias, no contexto do uso sustentável dos recursos naturais. Desde 2021, o projeto, que tem patrocínio da Petrobras e do Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, mobilizou quase mil pessoas nessa iniciativa, com mais de 5,5 mil quilos de resíduos coletados. Só em 2024, foram realizados dez mutirões de limpeza em diferentes municípios do Pará, no total de 741 participantes.

Com o apoio da Petrobras, “a iniciativa nasceu da importância de trabalhar a educação ambiental não só em salas de aula, mas ir a campo e envolver vários atores e parceiros nas localidades”, explica Dayene Mendes, pesquisadora do LAMA e coordenadora das atividades sobre resíduos no Mangues da Amazônia.

As ações se integram ao movimento global World CleanUp Day, realizado em setembro. Os materiais são coletados por grupos de voluntários em pontos estratégicos da zona costeira e separados para classificação e pesagem. Uma parte é destinada a cooperativas de reciclagem. Entre os resíduos mais comuns incluem-se cordas, redes e outros apetrechos da chamada ‘pesca fantasma’, na qual esses materiais – descartados no mar por barcos pesqueiros como lixo – acabam atingindo e matando caranguejos nos manguezais e peixes, tartarugas e outros animais nos estuários e no mar. “Além da limpeza, a iniciativa tem sido importante na sensibilização dos moradores e na mudança de práticas como queimar o lixo nos quintais”, observa Dayene Mendes, pesquisadora voltada a estudos sobre microplásticos no ambiente marinho, tema abordado na sua tese de doutorado, apoiada pelo projeto Mangues da Amazônia.

Expansão das atividades socioambientais nos manguezais

Lixo coletado durante a atividade de limpeza realizada pelo Projeto com a participação da comunidade.

A Amazônia estará sob os holofotes do planeta na COP 30 – a conferência do clima da ONU, no próximo ano, em Belém. Ainda bem conservada, a costa atlântica da região, no Pará, é vitrine de soluções que conciliam uso sustentável da biodiversidade, geração de renda e mitigação climática. “O reconhecimento desse trabalho chega em momento oportuno para dar visibilidade aos manguezais, normalmente esquecidos nas agendas”, pondera John Gomes, gestor do Mangues da Amazônia.

Em 2024, em seu segundo ciclo de atividades, o projeto expandiu a abrangência para quatro municípios paraenses – Bragança, Tracuateua, Augusto Corrêa e Viseu. As ações ambientais, sociais e culturais beneficiam direta e indiretamente cerca de 15 mil pessoas na região, com estratégia de maior aproximação com a sociedade. “A etapa atual é de validação científica das ações como frentes transformadoras, de modo a consolidar e replicar o modelo de atuação”, afirma Gomes.

No aspecto ambiental, o trabalho dá continuidade à recuperação de manguezais em áreas degradadas, totalizando 16 hectares até o momento, com uso de tecnologias inovadoras. Além do mapeamento participativo dos locais para plantio de mudas com apoio das comunidades extrativistas, o trabalho monitora o retorno dos caranguejos às áreas já restauradas no passado. Amostras de árvores são coletadas em diferentes áreas de pesquisa dos manguezais para o estudo de variabilidade genética, indicando onde estão as sementes que podem apresentar maior resiliência e sucesso no reflorestamento.

No campo social, além dos mutirões contra a poluição por resíduos, o projeto tem como destaque atividades educativas que envolvem mais de mil estudantes de diferentes faixas etárias: o Clube do Recreio (crianças de 4 a 6 anos), o Clube de Ciências (10 a 12 anos), o Protetores do Mangue (13 a 15 anos) e o AlfaMangue, voltado à alfabetização de crianças na idade entre 7 e 9 anos.

A agenda inclui excursões para visita a outras cidades, inclusive a capital, visando à troca de experiências e à abertura de novos horizontes. De igual modo, estudantes das maiores cidades chegam às comunidades e conhecem um novo mundo por meio da iniciativa Escola Vai ao Mangue. “É essencial envolver as novas gerações no debate sobre desenvolvimento sustentável”, afirma Gomes. Há, ainda, o trabalho psicossocial junto aos estudantes e suas famílias, com encaminhamento para redes de apoio nos municípios atendidos pelo Mangues da Amazônia.

Sobre o Projeto Mangues da Amazônia | O Mangues da Amazônia é um projeto socioambiental com foco na recuperação e conservação de manguezais em Reservas Extrativistas Marinhas do estado do Pará. É realizado pelo Instituto Peabiru, Associação Sarambuí e Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Com início em 2021 e duração de dois anos, o projeto foi renovado por mais 3 anos e atua na recuperação de espécies-chave dos manguezais, educação ambiental e ações socioculturais.

Sobre a Associação Sarambuí | A Associação Sarambuí é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) com sede em Bragança – Pará, constituída em 2015, cuja missão é promover a geração de conhecimento de maneira participativa, em prol da conservação e sustentabilidade dos recursos estuarino-costeiros. Nossas ações são direcionadas ao ecossistema manguezal, ao longo da costa amazônica brasileira, em particular no litoral do Estado do Pará. É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

Sobre o Instituto Peabiru | O Instituto Peabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) brasileira fundada em 1998 que tem por missão facilitar processos de fortalecimento da organização social e da valorização da sociobiodiversidade. Com sede em Belém, atua nacionalmente, especialmente no bioma Amazônia, com ênfase no Marajó, Nordeste Paraense e na Região Metropolitana de Belém (PA). É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

(Fonte: Com Hedylaine Boscolo/Arco W Comunicação e Design)