Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

‘Mucki Botkay: janelas imaginárias’: artista carioca apresenta individual em Salvador

Salvador, por Kleber Patricio

Minha terra tem palmeiras, 2023. Foto: Rafael Salim.

A Galatea Salvador estreia no dia 17 de outubro a exposição Mucki Botkay: janelas imaginárias, maior individual apresentada pela artista. A mostra reúne um conjunto de 17 telas inspiradas na exuberância das paisagens naturais do litoral do Rio de Janeiro e da Bahia, segundo lar de Mucki há mais de vinte anos. As obras aguçam não só a visão, mas também o tato, pelo movimento e textura alcançados através dos bordados com as contas de vidro. O texto crítico é assinado pelo jornalista e curador Leonel Kaz, que acompanhou a produção da artista nos últimos anos.

Mucki traz para a sua pintura com miçangas formas e cores presentes em diversos ecossistemas dentro da Mata Atlântica, como manguezais, lagunas e restingas. Criando composições que por vezes remetem a mestres da tapeçaria, como Genaro de Carvalho e Roberto Burle Marx, ela não só reencena a natureza, como também estica a figuração de modo a flertar com abstração.

Mucki Botkay (1958), 7 vasos, 2023.

Em uma espécie de zoom in, a artista vai ao detalhe da paisagem, depurando-a até de repente tornar o real abstrato. Essa decomposição da natureza em formas e cores é um convite à contemplação e à imaginação de um universo vivo e abundante. Por isso as obras de Mucki são como janelas imaginárias, título de sua individual.

Ademais, a criação do trabalho da artista conta com a colaboração de um coletivo de bordadeiras de Ilhéus e do Rio de Janeiro que dão forma final às obras e com quem a artista reparte os resultados. São obras que geram renda para mulheres artesãs advindas de contextos sociais vulneráveis e que se tornam parceiras em tornar real a sua imaginação.

Sobre seu processo criativo, Botkay diz: “Não existe forma concreta de como vou criar meu trabalho, pois é uma surpresa para mim. Basicamente, minha inspiração vem da natureza, onde eu costumo frequentar as matas em que eu fotografo às vezes uma pequena folha ou uma árvore enorme e vou pegando esse arquivo de ideias. Eu começo num desenho e vão entrando as camadas e as sobreposições de como vejo a natureza. Remodelo ele inteiro com uma caneta de ponta fina para evitar uma visão errada das cores, para surgir uma divisão que é muito importante na criação. Dou as cores que eu estou usando para cada espaço e com isso me facilita na hora da seleção do material que vai para os artesãos. É um processo que demanda paciência, mas que vale a pena quando está concluído”.

Mucki Botkay (1958), Mangue 3, 2023.

O curador Leonel Kaz, que assina o texto crítico, comenta que “há anos, visitei no Centre Pompidou, em Paris, uma exposição de Ghada Amer, artista egípcia renomada que foi uma das pioneiras da arte contemporânea com bordados, fibras tingidas e incrustações têxteis. Era uma pintura e não era. Era uma escultura na parede e não era. Era, apenas, o que deveria ser: um bordado que superava o artesanato contido em si mesmo e ganhava foros de grande arte. O mesmo ocorre no caso de Mucki. Há décadas, ela se debruça sobre panos. Nos panos, criou cores. Sobre as cores, refez caminhos, trajetórias, pontos e pespontos. Agora, com miçangas, cria uma forma nova, singular. Afinal, a função do artista não é a de criar algo fora do banal para acrescentar ao mundo o que ainda não foi visto? É o que ela consegue fazer com as telas bordadas, em que os fios invisíveis sustentam miçangas que fazem brotar uma paleta de cores diante de nossos olhos. A obra de Mucki reverbera o que a mata tem a dizer.”

Sobre a artista

Mucki Botkay (Rio de Janeiro, 1958) sempre buscou a cor. Após cursar, ao fim da década de 1970, artes decorativas na École Supérieure des Ensembliers, em Genebra, volta ao Brasil e explora as cores inicialmente no campo da moda e dos utilitários. Trabalha com diversos estilistas e funda a sua própria marca até que decide mergulhar na criação de obras de arte. O trabalho com estamparia evolui, então, para composições a partir do tingimento e da costura de recortes de tecido sobre tela. A entrada do bordado em sua obra abriu espaço, por sua vez, para os experimentos com miçangas, que resultaram no estágio atual da sua produção. O curador Leonel Kaz identifica a prática de Mucki, hoje, como uma pintura feita não por meio do pincel, mas por meio das miçangas de vidro que são tingidas de acordo com a paleta da própria artista.

Mucki Botkay (1958), Lá em Una, 2023.

Por meio de colaborações com bordadeiras da cidade do Rio de Janeiro e de Ilhéus, na Bahia, suas obras não só celebram a cultura e arte local, como também proporcionam o empoderamento de uma rede de mulheres em situação de vulnerabilidade social ao gerar uma fonte adicional de renda para as suas famílias. Assim, além de ser um trabalho repleto de memórias afetivas, que captura a riqueza cultural e natural brasileira, ele combina arte e impacto social oferecendo a oportunidade de crescimento econômico para mulheres talentosas provenientes de contextos vulneráveis.

Sobre a Galatea

A Galatea é uma galeria que surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin esteve à frente por quase uma década como sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita é marchand e colecionador, especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo é curador e contribuiu ativamente para a histórica renovação institucional do MASP, de onde saiu em 2022 como curador-chefe.

Tendo a arte brasileira moderna e contemporânea como foco principal, a Galatea trabalha e comercializa tanto nomes já consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Tal amplitude temporal reflete e articula os pilares conceituais do programa da galeria: ser um ponto de fomento e convergência entre culturas, temporalidades, estilos e gêneros distintos, gerando uma rica fricção entre o antigo e o novo, o canônico e o não-canônico, o erudito e o informal.

Além dessas conexões propostas, a galeria também aposta na relação entre artistas, colecionadores, instituições e galeristas. De um lado, o cuidado no processo de pesquisa, o respeito ao tempo criativo e o incentivo do desenvolvimento profissional do artista com acompanhamento curatorial. Do outro, a escuta e a transparência constante nas relações comerciais. Ao estreitar laços, com um olhar sensível ao que é importante para cada um, Galatea enaltece as relações que se criam em torno da arte — porque acredita que fazer isso também é enaltecer a arte em si.

Nesse sentido, partindo da ideia de relação é que surge o nome da galeria, tomado emprestado do mito grego de Pigmaleão e Galatea. Este mito narra a história do artista Pigmaleão, que ao esculpir em marfim Galatea, uma figura feminina, apaixona-se por sua própria obra e passa a adorá-la. A deusa Afrodite, comovida por tal devoção, transforma a estátua em uma mulher de carne e osso para que criador e criatura possam, enfim, viver uma relação verdadeira.

Serviço:

Exposição Mucki Botkay: janelas imaginárias

Local:  Galatea Salvador

Endereço: R. Chile, 22 – Centro, Salvador – BA

Abertura: 17 de outubro, 18h às 21h

Período expositivo: 17 de outubro de 2024 a 16 de janeiro de 2025

Horário de funcionamento: terça – quinta, 10 às 19h / sexta, 10h às 18h / sábado, 11h às 15h

Mais informações: https://www.galatea.art/.

(Fonte: Com Edgard França/A4&Holofote Comunicação)

Galeria Raquel Arnaud apresenta individual de Geórgia Kyriakakis

São Paulo, por Kleber Patricio

Veias abertas – Galeria Raquel Arnaud.

Sob o pulsar de veias abertas, a Galeria Raquel Arnaud recebe, a partir de 7 de novembro, o projeto ‘Os ventos do norte não movem moinhos’ da artista Geórgia Kyriakakis. Com texto crítico de Paula Borghi, a mostra traz obras que suscitam reflexões sobre a cultura, a história e a herança social do processo colonizador na América Latina.

Inspirada pela canção ‘Sangue Latino’, composta em 1973 por Paulinho Mendonça e João Ricardo e eternizada pela banda Secos e Molhados, a artista propõe uma visão ampliada da América Latina, que ultrapassa conceitos geográficos e contrapõe à influência cultural norte-americana. “O que chamamos de América Latina é um tipo de regionalização que considera os idiomas falados, os processos históricos de colonização e exploração, as desigualdades sociais e as origens indígenas ancestrais, entre outros fatores. Os ‘ventos do norte’ mencionados na canção são uma alusão direta às forças imperialistas do norte global, que resultam em opressão e espoliação de recursos naturais e sociais presentes na história da região. Essas forças ‘não movem moinhos’, promovem o subdesenvolvimento inexorável da América Latina”, explica Geórgia.

Série Chuquicamata I, 2024.

Composta por esculturas, desenhos, instalações e ações colaborativas, a exposição ocupa todo o espaço da galeria. No piso térreo estão duas séries de desenhos inspirados na história da cidade de Chuquicamata, no Chile, abandonada devido à poluição do ar e à contaminação causada pela exploração de cobre na região. Na parede principal, a artista apresenta Veias Abertas, uma extensa faixa de tecidos vermelhos de diferentes formatos e texturas cobrindo toda a metade inferior da parede. São quase 20 metros de tecidos sobrepostos dispostos de modo a representar a divisão geográfica entre norte e sul. Esses tecidos trazem recortes de trechos da música Sangue Latino: “minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos, meu sangue latino, minha’alma cativa”. Ainda no térreo, outra frase da mesma canção inspira a criação das três esculturas chamadas Lança ao espaço, compostas por 15 lanças de madeira torneada, pontiagudas e encaixadas umas nas outras.

No andar superior, estão expostas ações colaborativas propostas por Kyriakakis em parceria com as artistas Carla Chaim, Aline Langendonck, Isis Gasparini e Vânia Medeiros, desenvolvidas para envolver a participação da equipe da galeria. Exceto Vânia Medeiros, todas as demais artistas e também a curadora Paula Borghi foram alunas de Kyriakakis no curso de Artes Visuais da FAAP. O projeto surgiu do desejo da artista de unir sua atuação como artista e professora em uma mesma iniciativa.

Série Chuquicamata I, 2024.

Todas as ações estabelecem relações com o tema geral da mostra e foram criadas para uma colaboração inicial com a equipe de trabalho da galeria realizada durante a montagem dos trabalhos. Depois da abertura, o público também poderá interagir com as propostas.

Sobre a Galeria Raquel Arnaud

Criada em 1973 com o nome de Gabinete de Artes Gráficas. Com espaços marcantes assinados por arquitetos como Lina Bo Bardi, Ruy Ohtake e Felippe Crescenti, o Gabinete passou por diferentes endereços, como as avenidas Nove de Julho e Brigadeiro Luís Antônio, além do espaço que havia pertencido ao Subdistrito Comercial de Arte, na Rua Arthur de Azevedo, em Pinheiros, no qual permaneceu de 1992 a 2011.

A Galeria Raquel Arnaud o foco no segmento da abstração geométrica e a atenção especial dada às investigações da arte contemporânea – arte construtiva e cinética, instalações, esculturas, pinturas, desenhos e objetos – perpetuaram a Galeria Raquel Arnaud no Brasil e no exterior tanto por sua coerência como pela contribuição singular para valorização e consolidação da arte brasileira. Para isso, contribuíram de forma fundamental artistas como Amilcar de Castro, Willys de Castro, Lygia Clark, Mira Schendel, Sergio Camargo, Hércules Barsotti, Waltercio Caldas, Iole de Freitas e Arthur Luiz Piza, entre outros.

Série Chuquicamata I, 2024.

Atualmente com sede na Rua Fidalga, 125, Vila Madalena, a Galeria Raquel Arnaud representa artistas reconhecidos nacional e internacionalmente – Waltercio Caldas, Carlos Cruz-Díez, Arthur Luiz Piza, Sérvulo Esmeraldo, Iole de Freitas, Maria Carmen Perlingeiro, Carlos Zilio e Tuneu. Os mais jovens atestam a consolidação de novas linguagens contemporâneas – Frida Baranek, Geórgia Kyriakakis, Daniel Feingold, Julio Villani, Célia Euvaldo, Wolfram Ullrich, Elizabeth Jobim, Carla Chaim, Carlos Nunes e Ding Musa.

Raquel Arnaud também fundou o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em 1997, única instituição no Brasil que cataloga documentação de artistas.

Serviço:

Os ventos do norte não movem moinhos 

Local: Galeria Raquel Arnaud. Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena, São Paulo – SP

Abertura: 7 de novembro | 19—22h

Período expositivo: até 15 de janeiro de 2025

Horários de visitação: segunda a sexta, das 11h às 19h | sábado, das 11h às 15h

Entrada gratuita

https://raquelarnaud.com/

https://www.instagram.com/galeriaraquelarnaud/.

(Fonte: Com Julio Sitto/A4&Holofote Comunicação)

‘Tom Jobim Musical’ enaltece trajetória do gênio da Bossa Nova com visagismo fiel à época

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Fotos: Jairo Goldflus.

Após o surgimento da Bossa Nova, a moda descobria um novo estilo para chamar de seu em terras tupiniquins – com a informalidade como marca registrada do movimento, os jovens se expressavam de forma minimalista e discreta, porém, moderna. E no ano em que completa 30 da morte de Tom Jobim, ícone do gênero musical, a história desse gênio da música brasileira ganha vida com um espetáculo musical assinado por Nelson Motta e Pedro Brício com visagismo de Anderson Bueno e Simone Momo: Tom Jobim Musical.

Trata-se de uma montagem emocionante que retrata a vida e o legado do maior artista popular do Brasil. O espetáculo, com estreia marcada para o dia 17 de outubro no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, viaja desde a icônica praia de Ipanema nos anos 1950 até suas conquistas internacionais em New York, onde ele difundiu a Bossa Nova para o mundo. O musical enaltece sua importância na cultura musical do país e desperta o orgulho de ser brasileiro. Amado por sua música, inteligência e humor, Tom Jobim mostrou ao mundo o melhor do Brasil.

“Retratar pessoas que realmente existiram nos dá um direcionamento e, ao mesmo tempo, não nos deixa sair do óbvio. Principalmente se tratando de uma montagem onde retrata tudo no máximo de originalidade respeitando os estilos de maquiagem e cabelo da época. O João Fonseca [diretor] prima pelo naturalismo, sem exageros”, comenta Anderson Bueno.

Quando se ouve uma batida de Bossa Nova, em qualquer lugar do mundo, imediatamente se imagina o Brasil, suas belezas naturais, seu povo alegre e criativo. Foi a Bossa Nova de Tom Jobim, ao lado de Vinicius de Moraes e João Gilberto, que popularizou nossa musicalidade e levou nossa cultura para todos os cantos do mundo.

“A Bossa Nova faz parte da gente. Acredito que só uma pessoa muito desinformada não saiba um pouco sobre esse movimento que conquistou o mundo. Neste trabalho, eu tenho o talento de Simone Momo, que assina o visagismo comigo. Quando tivemos nossa primeira reunião de criativos, juntamente com a leitura do texto, o João já tinha, basicamente, tudo muito bem desenhado e os personagens definidos. O que nos deixou muito amparados para propor os looks. Sempre alinhando com o departamento de figurinos, assinado pelo Theodoro Cochrane, por conta dos adereços de cabeça”, acrescenta Bueno.

Otávio Müller dá vida a Vinicius de Moraes e sua caracterização impressionou até a viúva do compositor, Gilda Mattoso, segundo informações da revista Ela, do jornal O Globo, “é a terceira vez que me chamam para interpretá-lo, e a primeira que consigo aceitar o convite. Acho que temos um astral, um carioquismo em comum”, comentou o ator na publicação. Ao saber da notícia sobre a semelhança de ambos devido ao visagismo bem elaborado, Anderson Bueno comemorou: “posso dizer que foi emocionante, é quando a gente tem certeza de que está fazendo o trabalho de forma correta, sem ficar caricaturado”.

O musical leva os espectadores a uma jornada cativante através das melodias atemporais e das letras poéticas que definiram uma era. Da criação da icônica Garota de Ipanema aos sucessos internacionais como Desafinado e Wave, cada nota ressoa com a paixão e a genialidade de Jobim. Esta é uma oportunidade única de mergulhar na vida e na magia do universo musical de Tom Jobim.

O ator Elton Towersey protagoniza o espetáculo musical e, para o visagista Anderson Bueno, é um desafio a produção do personagem de Tom Jobim. “Eu acredito que o maior desafio é o processo de envelhecimento dele, pois o papel é feito pelo mesmo ator, desde muito jovem até sua morte. O trabalho dele corporal e como ator é importantíssimo, mas a maquiagem vem para dar uma lapidada, respeitando a naturalidade que o espetáculo exige”. 

“Nunca houve nem haverá de novo um compositor como Tom Jobim, que associou sua música maravilhosa para sempre como um símbolo do Brasil, de nossa riqueza e diversidade, de nossa natureza e nosso povo. Estilo, inspiração e muito trabalho duro o levaram ao panteão dos grandes mestres da canção popular do século XX, ao lado de Cole Porter, Gershwin, Irving Berlin, Duke Ellington, Rogers e Hart, Dylan, Stevie Wonder, Lennon e McCartney, Richards e Jagger. Tom Jobim mudou o rumo e ritmo da música do mundo, tornou-a mais leve, solar e melodiosa, Garota de Ipanema e Águas de Março estão entre os maiores hits mundiais de todos os tempos, gravadas pelos maiores intérpretes do nosso tempo”, comentou Nelson Motta.

“O musical atravessa algumas décadas: 50/60/70 até os 80. A maquiagem tem algumas pequenas mudanças, mas isso fica muito mais claro pelos seus personagens e, no caso dos homens, pelo corte de cabelo. Se falarmos dos anos 50, as mulheres usavam sobrancelhas mais arqueadas, delineador e muita máscara para cílios para valorizar o olhar. E, claro, um batom vermelho. Já nos anos 60 o batom passa ter tons mais pastéis, olhos ainda mais marcados por sombras coloridas, côncavo com um cut crease e, claro, um delineador gatinho. Nos anos 70, a pele passa a ter um look mais natural, quase bronzeada, mas com um leve brilho e sombras vibrantes. Nos anos 80 a maquiagem era puro excesso. Sombras coloridas, blush bem marcado, lábios vibrantes e sobrancelhas grossas, porém, lembre-se que boa parte do espetáculo se passa no Rio de Janeiro, onde as mulheres sempre optaram por um visual mais limpo, sem exageros. No melhor estilo ‘garota de Ipanema’”, explica Bueno sobre o processo de maquiagem do espetáculo.

“Descendente musical de Dorival Caymmi e Ary Barroso com Debussy, Ravel e Cole Porter, não há um só entre os gigantes da música brasileira, Chico, Caetano, Gil, Milton, Edu Lobo, Paulinho da Viola, João Bosco, que não tenha bebido em sua generosa fonte. A parte mais difícil de transformar sua vida e obra em um musical de teatro é a qualidade de suas músicas – como escolher apenas 30? O certo é que nenhum musical da Broadway teve, tem ou terá um score musical à altura do maestro soberano Tom Jobim”, finaliza Nelson Motta.

A superprodução conta com 27 atores e 15 músicos, texto de Nelson Motta e Pedro Brício, direção de João Fonseca e direção musical de Thiago Gimenes.

(Fonte: Com Paulo Sanseverino/MKT Pepper)

Agentes de saúde devem adaptar práticas às vivências das mulheres indígenas durante gravidez e pós-parto

Brasil, por Kleber Patricio

Entrevistadas entendem o parto natural e o aleitamento materno como forma de respeitar as práticas sagradas das culturas indígenas. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Para melhor assistência às mulheres indígenas gestantes e puérperas, é preciso ampliar a presença de médicos nas aldeias e o acesso a medicamentos e exames para atendimento imediato de casos especiais. Profissionais de saúde também precisam respeitar as vivências indígenas para acolher as mulheres a partir de suas especificidades culturais. Esta é a recomendação de artigo científico publicado nesta sexta (11) na Revista Brasileira de Enfermagem por pesquisadores da Universidade Franciscana de Santa Maria (UFN), das federais do Maranhão (UFMA) e Amazonas (UFAM) e da Universidad Católica del Maule, do Chile.

A equipe realizou uma pesquisa qualitativa baseada em entrevistas com 27 gestantes indígenas do estado do Mato Grosso. A maioria delas, 23, teve parto por via vaginal e ocorrido na própria aldeia. A análise dos dados da entrevista permitiu identificar temáticas recorrentes para essas mulheres, como a valorização do parto natural e do aleitamento materno. De forma geral, as entrevistadas veem o percurso natural no nascimento como forma de respeito a práticas sagradas, além de atender as necessidades de cada bebê e possibilitar o convívio com a família na aldeia.

“Surpreendeu-nos o quanto as mulheres indígenas valorizam e reconhecem o seu saber e as suas práticas singulares para o desenvolvimento sustentável”, avalia Dirce Stein Backes, professora da UFN e autora do estudo. “Se, por um lado, o saber científico evolutivo nos conduziu às melhores evidências científicas, por outro criou cegueiras e miopias hegemônicas que nos distanciaram do saber dos povos originários”, acrescenta. Por isso, o estudo aponta que é importante uma aproximação mais efetiva dos profissionais de saúde, especialmente os médicos, com as gestantes e puérperas indígenas.

Backes também ressalta que os resultados da pesquisa devem orientar gestores locais para atentar à alimentação das gestantes e puérperas indígenas — considerando que muitas entrevistadas relataram fraqueza. Cansaço e desânimo também foram reportados, principalmente durante a amamentação. Apesar de as mulheres somente interromperem o aleitamento a partir do nascimento do próximo filho, a recorrência de mal-estar nessas circunstâncias reforça a importância de políticas específicas de apoio às puérperas para que a prática siga sendo culturalmente aceita.

A equipe também recomenda o investimento em cursos de qualificação dos agentes indígenas de saúde. “As mulheres indígenas preferem ser assistidas e orientadas por profissionais de saúde indígena, pela compreensão sólida de práticas culturalmente aceitas e estimuladas”, destaca a autora.

O Programa em Saúde Materno Infantil da UFN, coordenado por Backes, trabalha atualmente com pesquisadores de instituições nacionais e internacionais na qualificação dos agentes indígenas de saúde, das equipes de saúde hospitalar e da equipe das Casas de Saúde Indígena (Casai). Entre outras ações realizadas para melhorar a assistência às mulheres indígenas, estão a suplementação alimentar e nutricional das gestantes e puérperas indígenas e a realização de teleconsultas. “O projeto visa sensibilizar os profissionais da saúde em relação aos cuidados, direitos e a valorização da cultura dos povos originários, em uma perspectiva humanística e prospectiva”, revela a pesquisadora.

DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2023-0410pt.

(Fonte: Agência Bori)

Pesquisa sobre biodiversidade na América Latina é três vezes mais intensa que a média global, diz relatório da Elsevier

América Latina, por Kleber Patricio

Brasil e México respondem por 58% da pesquisa em biodiversidade na América Latina, segundo relatório da Elsevier. Foto: Pexels/Pixabay.

A América Latina, apesar de contribuir com uma parcela menor na pesquisa global em comparação com outras regiões em números absolutos, é três vezes mais ativa em pesquisa sobre biodiversidade do que a média global. Ou seja, proporcionalmente à sua produção científica considerando todas as áreas de estudo, os latino-americanos dedicam uma atenção significativamente maior à biodiversidade. É o que revela novo relatório da editora acadêmica Elsevier publicado nesta terça (15).

Segundo o levantamento, a América Latina é responsável por 11% da produção científica mundial em biodiversidade, com Brasil e México como os principais expoentes, respondendo por 58% da pesquisa latino-americana. Entre as 30 universidades mais produtivas em biodiversidade na América Latina, 20 são do Brasil, sendo que Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) compõem o Top 5.

O estudo baseou-se na análise da produção científica de diferentes países e regiões, utilizando indicadores como o número de publicações e citações em periódicos acadêmicos. A metodologia considerou também a participação em colaborações internacionais, um aspecto crucial para a pesquisa em biodiversidade.

A Europa contribui com 32% de toda a pesquisa em biodiversidade, muito à frente de Estados Unidos e Canadá (17%) e do Leste Asiático (16%, incluindo a China). Em termos relativos, além da América Latina, também se destaca a África, que publica duas vezes a média global.

A pesquisa em biodiversidade tem um impacto significativo na formulação de políticas ambientais globais. Esses trabalhos são citados em 10% dos documentos de políticas, o que é três vezes maior do que para pesquisas em todas as disciplinas. Destacam-se neste quesito a Australásia (com 20%) e os Estados Unidos e Canadá (com 15%). Na América Latina, 8,5% das pesquisas em biodiversidade são citadas em documentos de políticas, substancialmente superior aos 3,7% de todas as pesquisas originadas da região.

A América Latina está em uma posição única para liderar os esforços globais de conservação, avalia o pesquisador Mauro Galetti, do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Com a maior diversidade biológica do planeta, os pesquisadores latino-americanos são essenciais para o desenvolvimento de novas políticas que protejam efetivamente essa biodiversidade inestimável”, comenta.

O relatório antecipa as discussões previstas para a COP 16 de Biodiversidade, que ocorrerá em Cali, na Colômbia, a partir de 21 de outubro, sobre o papel da América Latina na produção de conhecimento nessa área. “É uma ótima notícia que a pesquisa em biodiversidade na América Latina reflita a riqueza da natureza da região. O grau de citação em políticas públicas acima da média geral também é algo a ser celebrado, trazendo a esperança de uma crescente conscientização pela sustentabilidade, tão necessária”, completa Dante Cid, vice-presidente de Relações Acadêmicas da América Latina da editora Elsevier.

(Fonte: Agência Bori)