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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Historiadora examina papel das famílias na formação social do Brasil colônia

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Mergulho profundo nas dinâmicas sociais e familiares da comunidade de Santana de Parnaíba, no estado de São Paulo, durante o período colonial, Família e fronteira no Brasil colonial: Santana de Parnaíba,1580-1822, uma obra fundamental de Alida C. Metcalf, acaba de ganhar edição em português pela Editora Unesp. Nela, a autora apresenta uma análise detalhada de como as famílias, a economia local e a expansão territorial moldaram a colonização e a estrutura social do Brasil entre os séculos XVI e XIX.

Baseada em extensa análise documental, Metcalf explora a vida de diferentes classes sociais – desde os proprietários agrícolas até os escravizados – expondo a complexa rede de interações sociais e suas repercussões sobre o processo de ocupação territorial. A autora destaca que as práticas de herança e alianças familiares foram decisivas para a transferência de bens e a exploração do sertão, moldando um legado que impactou a sociedade colonial e influenciou gerações.

Segundo Metcalf, “embora tenha sido escrita há anos, esta obra permanece relevante devido à crescente valorização da história social no Brasil. Ela narra a vida de indivíduos que, embora geralmente ignorados pela historiografia tradicional, tiveram um papel significativo na ocupação e no desenvolvimento de áreas hoje parte do estado de São Paulo”. Ao longo do livro, a autora documenta como as famílias da Capitania de São Paulo estenderam suas influências aos sertões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, impactando profundamente a formação dessas regiões. A resiliência e as estratégias usadas por essas famílias ao enfrentar os desafios da vida colonial são detalhadas, fornecendo uma perspectiva inovadora sobre a colonização do interior brasileiro e a expansão das fronteiras.

O estudo documenta como essas famílias paulistas estenderam suas influências aos sertões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, impulsionando a formação e a integração das fronteiras internas brasileiras. Metcalf reconstrói a vida cotidiana de pequenos proprietários e escravizados, revelando estratégias de adaptação e sobrevivência em um contexto de desafios econômicos e sociais, oferecendo uma perspectiva inovadora sobre a colonização do interior brasileiro.

Sobre a autora | Alida C. Metcalf é Professora ‘Harris Masterson, Jr.’ de história na Rice University, Houston, EUA. Família e fronteira no Brasil colonial: Santana de Parnaíba, 1580-1822 é o seu primeiro livro, finalmente disponível em português. É também autora dos seguintes títulos: Mapping an Atlantic World, circa 1500; Os papéis dos intermediários na colonização do Brasil, e The Return of Hans Staden: A Go-between in the Atlantic World, em coautoria com Eve M. Duffy. Com Farès el-Dahdah, desenvolveu a imagineRio, plataforma de humanidades digitais que mapeia e ilustra a evolução social e urbana do Rio de Janeiro de 1500 até o presente. Realiza atualmente pesquisas sobre a história das águas e de seu abastecimento urbano na cidade do Rio de Janeiro.

Título: Família e fronteira no Brasil colonial: Santana de Parnaíba, 1580-1822
Autora: Alida C. Metcalf
Tradução: Igor Machado de Lima, Ludmila de Souza Maia
Número de páginas: 312
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$74
ISBN: 978-65-5711-239-7.

(Com Diego Moura/Pluricom)

Guilherme Arantes & Ed Motta estrelam penúltima data dos Encontros Históricos na Sala São Paulo neste ano

São Paulo, por Kleber Patricio

Guilherme Arantes em foto de Vânia Toledo.

Em 2024, a Sala São Paulo está trazendo para seu palco mais uma temporada da popular série Encontros Históricos. Após quatro edições recebendo grandes nomes da nossa música popular acompanhados da Brasil Jazz Sinfônica, entre 2020 e 2023, a atual safra de concertos conta com novidades: formado por 20 músicos brasileiros, o grupo instrumental São Paulo Big Band é o atual residente do projeto. E a penúltima data deste ano terá como convidados os cantores e compositores Guilherme Arantes e Ed Motta, no próximo sábado (9/nov), às 21h30 – saiba mais sobre o encontro que encerra esta temporada na bilheteria oficial do projeto.

A edição de 2024 teve início dia 13/abr com Fernanda Abreu e Paula Lima cantando sucessos da ‘Rainha do Rock’, Rita Lee (1947–2023). Já a apresentação mais recente da série, no dia 5/out, contou com grandes representantes do samba e da bossa nova: o lendário conjunto Demônios da Garoa e o cantor e compositor Toquinho. Neste mês de novembro a série recebe dois hitmakers brasileiros: o paulista Guilherme Arantes e o carioca Ed Motta. Os ingressos já estão esgotados, mas todos os concertos da série têm transmissão ao vivo no canal oficial da Sala São Paulo no YouTube.

Ed Motta. Foto: Jorge Bispo.

Foram inúmeros os momentos marcantes nesses quatro anos de projeto, como os duetos entre Erasmo Carlos & Roberta Sá, Ivan Lins & MP4, João Donato & Marcos Valle, Paulinho da Viola & Família, Alcione & Martinho da Vila, Daniela Mercury & Maria Gadú, Gilberto Gil & Aldo Brizzi, Céu & Vanessa da Mata, Tulipa Ruiz & Liniker e Simone & Zé Ibarra, entre outras performances inesquecíveis no palco da Sala.

“Em 2024, na quinta edição dos Encontros Históricos na Sala São Paulo, seguimos recebendo grandes ícones da MPB no palco da Sala São Paulo. Como novidade, temos a alegria de dar as boas-vindas à São Paulo Big Band, que acompanhará os artistas convidados. Um grupo instrumental criado em 2021 e que tem despontado no cenário brasileiro. Com isso, promoveremos uma nova experiência artística ao público”, afirma Marcelo Lopes, diretor executivo da Fundação Osesp, instituição idealizadora do projeto e responsável pela gestão da Sala São Paulo.

Sobre a São Paulo Big Band
A São Paulo Big Band une o instrumental refinado do universo das big bands à música popular brasileira e latino-americana. Com arranjos exclusivos que abrangem Bossa Nova, samba, choro, frevo e vários outros ritmos brasileiros, a banda oferece uma interpretação contemporânea de melodias intemporais. Criado em 2021, o conjunto solidificou rapidamente sua posição como uma das principais big bands do país. É composto por 20 membros permanentes, com uma formação dinâmica que inclui cinco saxofones, quatro trombones, quatro trompetes, bateria, guitarra, contrabaixo, percussão e piano. Já foi atração principal em inúmeros festivais prestigiados e se apresentaram em espaços culturais de renome em todo o Brasil, proporcionando performances eletrizantes como uma big band independente, ao lado de orquestras sinfônicas e colaborando com convidados como Daniela Mercury, João Bosco, Paula Lima, Simoninha, Ana Cañas, Vanessa Moreno, Toquinho, Ed Motta e Carlinhos Brown. Em 2024 faz sua estreia no projeto Encontros Históricos na Sala São Paulo a convite da Fundação Osesp.

São Paulo Big Band. Foto: Íris Zanetti.

A quinta edição da série Encontros Históricos na Sala São Paulo tem o patrocínio de Itaú, Porto, B3, Volkswagen Financial Services e EMS Farmacêutica, copatrocínio de Cebrace, Vivo e Embraer, apoio de Mattos Filho, Bain & Company e AlmavivA do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e ProAC ICMS. Realização: Fundação Osesp, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal – União e Reconstrução.

PROGRAMA

ENCONTROS HISTÓRICOS NA SALA SÃO PAULO

SÃO PAULO BIG BAND

ED MOTTA voz

GUILHERME ARANTES voz

Setlist a ser anunciado.

Serviço:

Encontros Históricos na Sala São Paulo – Guilherme Arantes & Ed Motta

9 de novembro, sábado, às 21h30 – Concerto Digital
Endereço: Sala São Paulo | Praça Júlio Prestes, 16
Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares
Recomendação etária: 7 anos
Ingressos: de R$39,60 a R$210,00 (valores inteiros*) – Esgotados
Bilheteria (INTI): neste link
(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h
Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners
Estacionamento: R$35,00 (noturno e sábado à tarde) e R$20,00 (sábado e domingo de manhã) | 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.

*Estudantes, pessoas acima dos 60 anos, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade de 15 a 29 anos, pessoas com deficiências e um acompanhante e servidores da educação (servidores do quadro de apoio – funcionários da secretaria e operacionais – e especialistas da Educação – coordenadores pedagógicos, diretores e supervisores – da rede pública, estadual e municipal) têm desconto de 50% nos ingressos para os concertos da Temporada Osesp na Sala São Paulo mediante comprovação. 

Sala São Paulo. Foto: Mariana Gacria.

A Sala São Paulo é um equipamento do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerenciada pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

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(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Paisagens latino-americanas é tema de concerto da Sinfônica de Campinas no sábado, 9

Campinas, por Kleber Patricio

Anderson Alves, maestro e diretor musical do Coro de Câmara Carioca, regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem Fluminense e maestro da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa. Foto: Divulgação.

‘Paisagens Latino-Americanas’ é o tema do próximo concerto da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, que será realizado no sábado, 9 de novembro, às 20h, no Teatro Municipal Castro Mendes. Para reger, foi convidado o maestro Anderson Alves. Haverá também a participação dos solistas André Micheletti, violoncelo, e Samuel Lima, violino. O programa será composto por obras de Astor Piazzolla e Radamés Gnatalli. Os ingressos estarão disponíveis na bilheteria do teatro ou pelo site www.teatrocastromendes.com.br nos valores de R$20 (inteira) e R$10 (meia).

A apresentação também celebra os 45 anos do Hospital PUC-Campinas. Para este concerto a peça escolhida para a abertura é ‘As Quatro Estações Portenhas’, de Piazzolla, dividida em quatro movimentos que fazem referência às estações do ano em Buenos Aires. A obra é frequentemente considerada um contraponto contemporâneo à célebre ‘Quatro Estações’, de Vivaldi. Em seguida, o concerto será finalizado com a ‘Sinfonia Popular’ de Radamés Gnatalli, compositor que navegou entre a música erudita e popular no Brasil.

Anderson Alves
Nascido no Rio de Janeiro, maestro, pianista e compositor, ele iniciou sua carreira de regente à frente de diferentes grupos vocais e instrumentais, com os quais criou espetáculos, escreveu composições, realizou gravações e tournées internacionais.

Como compositor, tem obras para diversas formações; entre elas, Divertimento para Trio (parte do CD ‘Novos Ventos’ do Trio Capitu); Fantasia para Orquestra Sinfônica, Suíte Pixinguinha e Canções Lunares para oboé e piano (obra composta por encomenda do oboísta americano William Wielgus da National Symphony Orchestra – EUA). É maestro e diretor musical do Coro de Câmara Carioca, regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem Fluminense, e maestro da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa.

André Micheletti

Natural de Piracicaba, Micheletti tem duplo doutorado pela Indiana University em violoncelo e violoncelo barroco sob a orientação de Helga Winold, Nigel North e Stanley Ritchie, tendo aulas particulares e master classes com Janos Starker. É mestre em violoncelo e Pedagogia do violoncelo pela Northwestern University em Chicago, sob orientação de Hans Jörgen Jensen, e Bacharel em violoncelo pela Unicamp, sob orientação de Antonio Lauro del Claro.

Samuel Lima
Natural de São Paulo, iniciou seus estudos musicais aos 9 anos de idade. Entre as instituições onde se formou, destacam-se a Escola Municipal de Música de São Paulo e a Escola de Comunicações e Artes da USP, onde estudou violino, música de câmara e regência.

Foi solista e spalla em várias orquestras, incluindo a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a Orquestra de Câmara de Campinas, a Orquestra Sinfônica de São José dos Campos, a Sinfônica de Sorocaba e a Orquestra Sinfônica de Santo André. Além disso, participou de festivais de música no Brasil e no exterior, com destaque para o Festival de Campos do Jordão, e para eventos na Bélgica e na Alemanha, como a Sommermusikakademie Hundisburg, atuando com a Orquestra Internacional de Berlim.

Atualmente, é membro da Orquestra Sinfônica de Campinas, onde exerce o cargo de chefe de naipe dos segundos violinos. Também é spalla e professor da Orquestra Jovem do Interior, além de integrar o Quarteto D’Arcos e o Quinteto de Cordas de Campinas. É regente e professor da Orquestra de Cordas do projeto Cidadão Musical de Paulínia. Atualmente, cursa pedagogia e licenciatura em música pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Serviço:

Concerto Paisagens Latino-Americanas

Data: 9 de novembro | Horário: 20h

Local: Teatro Castro Mendes

Endereço: Rua Conselheiro Gomide, 62, Vila Industrial, Campinas (SP)

Ingressos: Bilheteria do Teatro Castro Mendes ou www.teatrocastromendes.com.br.

(Com Maria Finetto/Prefeitura de Campinas)

Oito em cada dez pessoas com HIV deixaram de se vacinar contra mpox no Brasil, aponta estudo

Alagoas, por Kleber Patricio

No Nordeste, situação é de extremos: Pernambuco tem 22,7% da população com HIV vacinada e o Rio Grande do Norte, zero. Foto: FreePik.

A cobertura vacinal contra mpox (anteriormente chamada de varíola dos macacos) entre pessoas vivendo com HIV no Brasil é de apenas 18,3%. É o que mostra levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) que avaliou a vacinação desta população em todas as regiões do país. Os resultados foram publicados nesta sexta (25) na Revista Brasileira de Enfermagem. Segundo o artigo, a região Sul tem a menor cobertura, enquanto a região Sudeste tem mais pessoas vacinadas.

O trabalho faz parte da pesquisa de mestrado da enfermeira Núbia Tavares. A cientista usou dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde sobre cobertura vacinal contra mpox entre pessoas com HIV. A vacina foi introduzida no sistema de saúde em março de 2023 e a coleta de dados foi feita no mês de abril do mesmo ano. Tavares organizou as informações por regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), por estados, por faixa etária e por gênero.

Até a data analisada, 2.978 doses da vacina contra mpox foram administradas na população com HIV em todo o Brasil, o que corresponde a uma cobertura vacinal de 18,3%. Na região Sul, há apenas 3,5% de vacinados, enquanto no Sudeste são 32,8%, cerca de um terço da população. O Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que mais vacinaram na região, enquanto o Espírito Santo não vacinou ninguém.

Os extremos em cada região acontecem também no Nordeste, onde Pernambuco tem 22,7% da população com HIV vacinada e o Rio Grande do Norte, zero, e no Centro-Oeste, com Mato Grosso zerado em doses de vacina aplicadas e o Distrito Federal com 23,7% de vacinados. No Sul, região mais crítica, Santa Catarina tem apenas 0,9% de vacinados, enquanto o Paraná tem 6,1% e o Rio Grande do Sul, 3,5%.

Na análise entre gêneros, em todas as regiões os homens de todas as faixas etárias se vacinaram mais do que as mulheres. “Existe uma dificuldade de levar os homens para as unidades de saúde; as mulheres frequentam mais do que os homens de maneira geral, então ficou uma incógnita para nós o porquê dessa diferença”, comenta a professora da Escola de Enfermagem da UFAL Amuzza Santos, orientadora de Tavares. Outro ponto importante da análise foi a completude do esquema vacinal. “Para uma resposta imunológica eficiente, é preciso tomar duas doses da vacina, mas a maioria tomou apenas uma”, aponta Tavares.

A enfermeira não pesquisou os motivos para a baixa cobertura vacinal entre a população vivendo com HIV, mas a falta de informações sobre as vacinas, o medo dos efeitos colaterais e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde podem ser alguns fatores que influenciam a baixa procura pelo imunizante. “Cada unidade da federação precisa olhar para o seu público para entender o que está acontecendo”, afirma Tavares, sinalizando a necessidade de mais estudos nesta área.

Para as pesquisadoras, outro fator importante a ser considerado é o contexto do aumento da repercussão de fake news sobre vacinas e o crescimento do movimento antivacina desde o início da pandemia de Covid-19. “As pessoas com HIV são mais vulneráveis às formas mais graves da doença e, nos últimos anos, podem ter ficado receosas de tomar vacina. O imunizante não impede que a pessoa pegue a doença, mas protege de sua gravidade”, completa Tavares.

(Fonte: Agência Bori)

Parasita causador de meningite é identificado em caracóis de 26 municípios do RJ

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Caracol africano Achatina fulica foi o mais encontrado com o parasita. Foto: Charles J. Sharp/Wikimedia Commons.

Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) registrou pela primeira vez a presença do verme Angiostrongylus cantonensis nas regiões metropolitana e centro fluminense do estado do Rio de Janeiro. Os resultados estão publicados na revista científica ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ nesta quarta (6). Nos humanos, este parasita é causador da meningite eosinofílica, doença que afeta o sistema nervoso central. A infecção ocorre principalmente pela ingestão de caracóis e lesmas crus parasitados com larvas deste verme, mas também por meio da ingestão do muco dos moluscos, contendo larvas, liberados sobre alimentos como frutas e vegetais.

O levantamento encontrou larvas do parasita em 230 dos 2.600 caracóis examinados, quase 9%, em 26 dos 46 municípios estudados – entre os quais, a capital, Niterói, Nilópolis, Maricá, Nova Iguaçu e Seropédica.

Os pesquisadores forneceram um panorama da distribuição de A. cantonensis no estado do Rio de Janeiro, assim como das espécies de caracóis e lesmas que atuam como seus hospedeiros intermediários. Ao longo de quatro anos, a equipe coletou os animais manualmente em áreas urbanas e periurbanas, como parques e terrenos baldios. Esses locais são comumente ocupados também por hospedeiros definitivos do parasita, como ratos. Tratam-se, portanto, de áreas com potencial epidemiológico, explica a pesquisadora em saúde pública do IOC/Fiocruz Suzete Rodrigues Gomes, uma das autoras do estudo.

Publicações documentam 40 casos de meningite eosinofílica no Brasil, com mais de 100 casos suspeitos em oito estados, incluindo o Rio de Janeiro. A literatura científica associa a disseminação do nematódeo e, consequentemente, dos casos da doença no Brasil nas últimas duas décadas à propagação do caracol gigante africano Achatina fulica, uma espécie invasora. Conforme o estudo, ela foi a espécie mais frequente e amplamente distribuída no Rio de Janeiro, tendo sido encontrada infectada pelo verme em 22 municípios.

Gomes observa que lesmas e caracóis que atuam como hospedeiros do parasita A. cantonensis são, em geral, espécies exóticas ou nativas comuns em áreas urbanas. “Estudos têm mostrado que as espécies de moluscos mais abundantes em áreas urbanas são aquelas que mais provavelmente serão também encontradas infectadas”, aponta a pesquisadora.

Apesar do caracol africano Achatina fulica ter sido aquele com a maior distribuição e comparativamente mais encontrado parasitado com A. cantonensis, há outras espécies de moluscos terrestres com importância médica, incluindo, por exemplo, lesmas, como Angustipes erinaceus, que merecem atenção. Uma surpresa para os pesquisadores foi encontrar pela primeira vez o pequeno caracol sinantrópico (adaptado a povoamentos humanos) Leptinaria unilamellata naturalmente infectado com A. cantonensis.

A meningite eosinofílica é considerada uma doença emergente, porém ainda negligenciada e, por isso, pouco diagnosticada. O trabalho alerta para a importância do acompanhamento dos riscos por órgãos de saúde e para a conscientização da população, que deve higienizar corretamente os alimentos crus antes do consumo, por exemplo. “Esse mapeamento fornece informações essenciais para a avaliação do risco de infecção humana e deve ajudar as autoridades de saúde locais a fornecer um diagnóstico mais rápido e preciso sempre que houver suspeita da doença”, ressalta Gomes.

(Fonte: Agência Bori)