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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Galeria Raquel Arnaud ganha exposição dedicada aos seus 50 anos de história na Galeria Piero Atchugarry, em Miami

São Paulo, por Kleber Patricio

Five Decades of Galeria Raquel Arnaud at Piero Atchugarry Gallery. Fotos: Piero Atchugarry Gallery.

Para a Miami Art Week 2024 deste ano, a Galeria Piero Atchugarry apresenta a exposição ‘Five Decades of Galeria Raquel Arnaud’. Esta exposição marca meio século de existência da galeria paulistana. A mostra apresenta momentos decisivos da arte contemporânea brasileira desde a década de 1970 e revela como a galerista consolidou, de forma visionária, um projeto artístico claro e coerente, promovendo grandes artistas como Amilcar de Castro, Guto Lacaz, Arthur Luiz Piza, Waltércio Caldas e Iole de Freitas, entre muitos outros.

A história da galeria é apresentada ao público com obras de artistas que passaram pelo espaço, como Sergio Camargo, Ding Musa, Sérvulo Esmeraldo e Mira Schendel, artista suíça que expôs a série ‘Sarrafos’ na instituição pouco antes de falecer, em 1988. “A primeira exposição que fizemos no Gabinete de Artes Gráficas foi a de Arthur Luiz Piza, com 70 gravuras, um sucesso, todas vendidas e mais algumas encomendadas. O artista Arthur Piza foi o primeiro artista em minha vida de galerista, e o acompanhei até sua morte em 2017”, destaca Raquel Arnaud.

No início de sua carreira como galerista, enquanto desenvolvia a carreira de artistas plásticos, Raquel Arnaud dirigiu a galeria Arte Global, na Rede Globo. Uma experiência única no mercado de arte brasileiro, que levou obras de artistas plásticos para o horário nobre da televisão por meio de peças publicitárias criadas para a linguagem audiovisual. Uma experiência inusitada no mundo artístico, mas importante na consolidação de uma cultura de arte.

Grandes nomes do movimento neoconcreto fazem parte do DNA da galeria desde sua formação. Willys de Castro, por exemplo, explorou possibilidades no campo da abstração geométrica e sempre teve espaço para expor suas criações, tendo realizado sua última mostra individual na instituição em 1986. No mesmo ano, a veterana Lygia Clark participou de sua última exposição coletiva na galeria. A escultora chamou a atenção por suas declarações sobre não ser uma artista. Nos últimos anos de sua vida, próxima à psicanálise, a dama do neoconcretismo incorporou mais trabalhos gestuais em sua obra.

E foi justamente na década de 1980 que a instituição entrou em uma nova fase e passou a ser conhecida como Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Novos nomes como Nuno Ramos e Tunga se destacam na programação da galeria com suas técnicas inovadoras. Ao mesmo tempo, foi exposta no Gabinete de Arte a série ‘Carimbos’, de Carmela Gross, uma obra que criticava diretamente a censura do regime militar ao lidar com a reprodução em massa de imagens.

Em um primeiro momento, houve pouca participação do público na exposição. Mas o reconhecimento veio anos depois, quando a obra foi incorporada à coleção permanente do MoMA, em Nova York, confirmando o olhar apurado de Raquel para as novas tendências.

A ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino exibiu alguns de seus trabalhos mais ousados com Raquel Arnaud. Conhecida por obras que retratam os perigos de regimes autoritários, com forte teor polêmico, Maiolino também explorou as possibilidades de linhas, dobras e formas em trabalhos com argila e tecidos.

“Continua sendo um desafio, como sempre foi, dar continuidade à linha de trabalho da galeria, considerando, de um lado, os nomes consagrados que represento há muitos anos e, de outro, os jovens talentos que também serão reconhecidos, em uma conversa geracional investigativa e produtiva”, ressalta Raquel.

Ao destacar expoentes dos movimentos concreto, cinético, abstrato e geométrico, a Galeria Raquel Arnaud não deixou de abrir suas portas para artistas de outras áreas. Ao longo dos anos, o diálogo tornou-se sinônimo da curadoria dessa dama das artes, que apresentou artistas muito diferentes, como Vik Muniz, Regina Silveira e Lygia Pape. Alinhada a experimentos visuais e atenta às tendências internacionais, a galerista foi uma das primeiras a trazer grandes nomes da arte cinética, como Almandrade, Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez.

Raquel Arnaud também fundou o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), em 1997, para documentar e catalogar obras de artistas do gênero, como Sergio Camargo e Willys de Castro, os primeiros a terem seus acervos incorporados à instituição graças ao papel da galerista. O projeto de reunir arquivos para pesquisa e consulta pública demandou tempo, dedicação e recursos próprios, já que a instituição se propôs a um papel pioneiro na disponibilização de material até então inédito para pesquisadores.

Galeria Piero Atchugarry

Em dezembro de 2018, com um espaço estabelecido em Garzón, no Uruguai, Piero Atchugarry expandiu seu programa para a América do Norte em um armazém no renomado bairro Design District, em Miami. Um espaço de arte de 9.000 pés (aprox. 2.743 m²), a Galeria Piero Atchugarry tem o compromisso de apoiar e apresentar o trabalho de artistas locais e internacionais com uma abordagem institucional.

Survey Space

Com 940 pés (aprox. 287 m quadrados), o espaço de exposição Miami Survey oferece exposições individuais e coletivas de igual importância em uma escala menor. Destacando uma variedade de artistas contemporâneos e emergentes, o Survey Space incorpora um programa mais experimental. Ocasionalmente, os artistas representados pela Galeria são convidados a apresentar um corpo de trabalho exploratório fora de sua obra habitual. Visite a Galeria Piero Atchugarry em pieroatchugarry.com.

A Piero Atchugarry está localizada na 5520 NE 4th Avenue, Miami FL 33137.

Sobre a Galeria Raquel Arnaud

Criada em 1973, com o nome de Gabinete de Artes Gráficas. Com espaços marcantes assinados por arquitetos como Lina Bo Bardi, Ruy Ohtake e Felippe Crescenti, o Gabinete passou por diferentes endereços, como as avenidas Nove de Julho e Brigadeiro Luís Antônio, além do espaço que havia pertencido ao Subdistrito Comercial de Arte, na rua Artur de Azevedo, em Pinheiros, no qual permaneceu de 1992 a 2011.

A Galeria Raquel Arnaud o foco no segmento da abstração geométrica e a atenção especial dada às investigações da arte contemporânea – arte construtiva e cinética, instalações, esculturas, pinturas, desenhos e objetos – perpetuaram a Galeria Raquel Arnaud no Brasil e no exterior, tanto por sua coerência como pela contribuição singular para valorização e consolidação da arte brasileira. Para isso, contribuíram de forma fundamental artistas como Amilcar de Castro, Willys de Castro, Lygia Clark, Mira Schendel, Sergio Camargo, Hércules Barsotti, Waltercio Caldas, Iole de Freitas e Arthur Luiz Piza,Guto Lacaz, entre outros.

Atualmente com sede na Rua Fidalga, 125, Vila Madalena, a Galeria Raquel Arnaud representa artistas reconhecidos nacional e internacionalmente – Sergio Camargo, cujo espólio a Raquel é responsável, Waltercio Caldas, Carlos Cruz-Díez, Arthur Luiz Piza, Sérvulo Esmeraldo, Iole de Freitas, Maria Carmen Perlingeiro, Carlos Zilio e Tuneu. Os mais jovens atestam a consolidação de novas linguagens contemporâneas – Frida Baranek, Geórgia Kyriakakis, Julio Villani, Célia Euvaldo, Wolfram Ullrich, Elizabeth Jobim, Carla Chaim, Carlos Nunes, Ding Musa e Guto Lacaz.

Raquel Arnaud também fundou o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em 1997, a única instituição no Brasil que cataloga documentação de artistas.

https://raquelarnaud.com/ | https://www.instagram.com/galeriaraquelarnaud/

Serviço:

Five Decades of Galeria Raquel Arnaud

Piero Atchugarry Gallery

1º de dezembro de 2024 a 1º de março de 2025

5520 NE 4th Ave
Miami, FL 33137.

(Com Julio Sitto/A4&Holofote Comunicação)

Estação CCR das Artes: Estação Júlio Prestes ganha nova sala de espetáculos

São Paulo, por Kleber Patricio

Plateia modular da nova Estação CCR das Artes, que acomoda até 543 pessoas. Fotos: Alexandre Silva.

Na noite de segunda-feira, 16 de dezembro, a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado, Marília Marton, o CEO do Grupo CCR, Miguel Setas, e o presidente do Conselho de Administração da Fundação Osesp, Pedro Parente, oficializaram a parceria entre as instituições em uma cerimônia para convidados que contou com uma apresentação natalina do Coro Acadêmico da Osesp e da São Paulo Big Band. O evento oficial de inauguração e entrega da Estação CCR das Artes à população acontecerá no dia 25 de janeiro de 2025, quando se comemora o aniversário de 471 anos da cidade de São Paulo.

“Com uma programação cultural eclética, a Estação CCR das Artes tem como missão formar novas plateias, atingindo um público bastante amplo, o que está profundamente conectado com um dos pilares da atuação do Instituto CCR: democratizar o acesso à cultura. Além disso, a requalificação deste espaço contribui para a revitalização do Centro de São Paulo e valoriza ainda mais a Estação Júlio Prestes, um patrimônio histórico da capital paulista e do Brasil que está sendo restaurado pelo Grupo CCR”, afirma o CEO da Companhia, Miguel Setas.

Com projeto arquitetônico do escritório Dupré Arquitetura, de Nelson Dupré — profissional que também foi responsável pelo consagrado projeto de restauro da Sala São Paulo, inaugurada em 9 de julho de 1999 —, a Estação CCR das Artes ocupa o antigo concourse da Estação Júlio Prestes, que ainda preserva sua arquitetura original, com vitrais coloridos da tradicional Casa Conrado e três imponentes lustres. O local torna-se, assim, parte do Complexo Cultural Júlio Prestes, que abriga também a Sala São Paulo — sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp, do Coro da Osesp e da Academia de Música —, a São Paulo Escola de Dança, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a Estação Pinacoteca e a Emesp Tom Jobim.

A Estação CCR das Artes foi viabilizada por meio de uma parceria do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, com a Fundação Osesp e conta com o suporte do Grupo CCR, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal, para sua operacionalização. A iniciativa reafirma o compromisso destas instituições com a revitalização urbanística do Centro de São Paulo e a democratização do acesso à cultura. “O projeto da Estação CCR das Artes demonstra como a colaboração entre o poder público, organizações culturais e a iniciativa privada é fundamental para impulsionar a cultura e transformar a cidade. Parcerias como esta são essenciais para a revitalização do Centro de São Paulo e para ampliar o acesso à cultura, oferecendo espaços de qualidade para a população e promovendo um impacto positivo tanto cultural quanto econômico”, destaca a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton.

A ideia de transformar o concourse da Estação Júlio Prestes em um espaço voltado às artes é mais antiga que a própria Sala São Paulo. Ainda em 1995, a Secretaria da Cultura do Estado promoveu uma apresentação da Osesp nessa área – que depois viria a ser chamada de Estação das Artes – onde originalmente eram vendidos os bilhetes ferroviários. O concerto, que celebrava a recente restauração do espaço, funcionou também como um teste, realizado no contexto de um projeto do maestro Eleazar de Carvalho, que por 23 anos esteve à frente Osesp, com o então secretário da Cultura, Marcos Mendonça.

Com regência de Eleazar, a apresentação contou com a presença do engenheiro Mário Garcia, que naquele período participava do esforço para encontrar uma sede para a Osesp que fosse ideal no quesito acústica. Em 1997, um ano após a morte de Eleazar, foi decidido que o jardim de inverno da Estação Júlio Prestes, com área ainda maior que a do concourse, seria o local perfeito para uma grande sala de concertos. Finalmente, 25 anos após a inauguração da casa de concertos, a Fundação Osesp liderou os esforços que culminaram na criação do novo espaço. “A entrega desse novo espaço, plural e dedicado às artes, é mais um passo da Fundação Osesp na sua vocação de prover cultura de qualidade e acessível a São Paulo e ao país, com a participação da sociedade civil através de uma gestão responsável e transparente”, afirma o presidente do Conselho de Administração da Fundação Osesp, Pedro Parente.

Miguel Setas, Marília Marton, Pedro Parente e Marcelo Lopes.

A Osesp e a Sala São Paulo — da qual faz parte a Estação CCR das Artes — são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura. Acompanhe a Osesp: Site | Instagram | YouTube | Facebook | TikTok | LinkedIn.

(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Exposição ‘Rupturas Imaginadas’ está em cartaz na WG Galeria

São Paulo, por Kleber Patricio

Obras de Larissa Anne. Imagem: Divulgação.

A WG Galeria celebra o primeiro ano de atividades do seu espaço no centro de São Paulo e apresenta ‘Rupturas Imaginadas’ até 25 de janeiro de 2025. A exposição reúne três artistas contemporâneos que, a partir de suas trajetórias distintas e de uma profunda relação com a cidade, provocam uma reflexão sobre as tensões urbanas, sociais e culturais que marcam o presente. Com curadoria de Maria Luiza Meneses, a mostra apresenta obras dos artistas Larissa Anne, Danilo Cunha e André Firmiano, que se afastam das convenções estabelecidas e fazem da cidade e de suas complexas dinâmicas o cenário e a matéria-prima de suas criações. ‘Rupturas Imaginadas’ propõe um questionamento sobre as relações de classe, raça e gênero na maior cidade da América Latina, e investiga como as diferentes camadas sociais, territórios e identidades se cruzam, se separam e se tornam simultaneamente distantes e interdependentes.

Três artistas, três rupturas

A exposição busca abrir um campo para os gestos dos artistas, que questionam as convenções visuais, sociais e artísticas. Cada um dos trabalhos exibe uma profunda crítica aos sistemas estabelecidos, oferecendo novas formas de olhar para o espaço urbano e as narrativas que o constituem.

Larissa Anne, que combina sua formação em arquitetura com a pesquisa do graffiti, utiliza a cidade como um campo de reflexão sobre o tempo e o território. Suas obras, compostas por três telas, evocam memórias e marcas de um passado recente, abordando as casas, a vida familiar e as ilusões de futuro, com uma paleta de cores que transmite uma crítica social implícita nas relações de poder e nas expectativas de vida. Seu trabalho destaca-se pela capacidade de atualizar o passado à luz das questões contemporâneas, convidando o público a refletir sobre a complexidade do espaço e da memória coletiva.

Danilo Cunha, por sua vez, se inspira na estética da contracultura urbana, com fortes influências do punk, hardcore, skate e hip-hop. Seu trabalho explora a cidade em sua forma caótica, buscando a beleza na desordem e realizando intervenções no espaço com materiais coletados da própria urbe, como pedaços de lambe-lambes, tijolos e espelhos de fachadas. Para ‘Rupturas Imaginadas’, ele apresenta uma pesquisa inédita sobre os modos de ocupação da cidade, criando instalações que subvertem as normas e exploram as contradições e poéticas do cotidiano urbano.

André Firmiano traz à galeria uma reflexão profunda sobre o mito de criação do mundo com base na filosofia Bakongo e investiga a transição entre a vida e a morte. Suas 14 obras, que formam a série ‘A Quebra da Horizontalidade’, mesclam a abstração com o figurativo e dialogam com a ancestralidade dos povos africanos, enquanto trazem também uma crítica ao presente e ao futuro, em especial à virtualização das experiências humanas no contexto contemporâneo. Firmiano utiliza as redes sociais e o metaverso como um ponto de conexão com a história, criando uma ponte entre o passado ancestral e o futuro digital.

A cidade como protagonista

A curadora Maria Luiza Meneses explica que a cidade de São Paulo, com sua complexa estrutura social e histórica, é o pano de fundo que dá substância a cada uma das obras apresentadas. “Caminhar por São Paulo é observar a diferença”, afirma Meneses. A partir da análise das dinâmicas sociais e urbanas, a exposição propõe um olhar atento para as zonas da cidade que carregam as marcas da colonização, mas também as fissuras abertas pelas resistências populares ao longo da história. “A cidade contemporânea é uma ruína colonial”, diz ela, refletindo sobre as desigualdades que perpassam a urbe e como essas diferenças ainda determinam quem tem acesso à dignidade e quem é deixado à margem.

Um ano de arte e reflexão

WG é uma galeria de arte que estabelece diálogo entre a pesquisa e registro de artistas residentes e a multiplicidade de repertórios de artistas emergentes da arte contemporânea. Possui como sócios o casal de arquitetos e artistas André e Mariana Weigand, a head de negócios Cris Genaro e o jornalista Fernando Mungioli. Vem se consolidando no mercado das artes como um espaço legitimamente aberto a diferentes perfis de artistas, linguagens, materialidades e público. A WG considera as questões sociais, culturais e políticas que definem a realidade atual, ao mesmo tempo que valoriza a relação com colecionadores e se dedica à formação de novos consumidores de arte contemporânea.

A abertura da exposição ‘Rupturas Imaginadas’ é uma celebração da trajetória da WG e um convite para o público refletir sobre a cidade, a arte e os caminhos possíveis para um futuro mais inclusivo e plural.

Serviço:

Exposição Rupturas Imaginadas

Artistas: Larissa Anne, Danilo Cunha e André Firmiano

Curadoria: Maria Luiza Meneses

Período: De 23 de novembro de 2024 a 25 de janeiro de 2025

Local: WG Galeria – Rua Araújo, 154, Mezanino, São Paulo – SP

Entrada: Gratuita

Site: www.wggaleria.com | Instagram: @wg.galeria.

(Com Camila Russi)

‘Sangue’, fábula ácida sobre o fazer artístico e as relações de poder, em cartaz no CCBB-BH

Belo Horizonte, por Kleber Patricio

Fotos: Heloisa Bortz.

Até que ponto o poder e a dominação compõem a essência do ser humano e as relações sociais e de trabalho? O espetáculo ‘Sangue’, escrito por Kiko Marques especialmente para os atores Carol Gonzalez, Leopoldo Pacheco, Marat Descartes e Rogério Brito, está em cartaz até 30 de dezembro no CCBB BH. A peça tem sessões de sexta a segunda-feira, sempre às 20h. Kiko Marques também assina a direção. O espetáculo conta com o patrocínio do Banco do Brasil, com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Em circulação, já passou pelo CCBB São Paulo, CCBB Rio de Janeiro, ambas com grande sucesso de público e crítica, e depois de BH, ainda seguirá para o CCBB Brasília.

A obra propõe uma discussão sobre o poder e a dominação a partir da história de dois atores que, durante a montagem de um texto de um grande autor francês, já falecido, recebem a notícia da revogação de seus direitos autorais. “A ideia foi criar um poema cênico, um mito sobre as inúmeras e insuspeitáveis formas de guerra e dominação do ser humano por outro ser humano; sobre a necessidade de possuir o outro, mas também sobre o verdadeiro pertencimento e a fraternidade que brota nos mais imprevisíveis campos”, afirma o autor e diretor Kiko Marques.

‘Sangue’ surge a partir de um acontecimento similar ocorrido com parte da equipe da peça, que, há alguns anos, teve um projeto artístico bloqueado por questões de direitos autorais. Kiko se inspirou no inconveniente da situação para falar sobre aspectos brutais da natureza humana. Como uma miniatura do mundo, os conflitos da peça espelham os conflitos que a própria sociedade atravessa. “Falar sobre o poder e a dominação é revelar uma parte fundamental da essência das relações sociais humanas. No caso de ‘Sangue’, é tirar o véu com que se camuflam nas mais justificáveis intenções. É mostrar a verdadeira face da violência e da usurpação do outro”, afirma.

Acessibilidade | No próximo dia 21/12, sábado, haverá apresentação com interpretação em Libras e audiodescrição. A peça também conta com programas em Braille. E em todas as apresentações será disponibilizado, por meio de um QR Code, um vídeo do espetáculo em Libras (formato digital). Caso a pessoa não possua um aparelho compatível, ela deverá acionar a produção do espetáculo para ter acesso ao equipamento.

O fazer artístico no cerne do espetáculo

Em ‘Sangue’, os franceses – detentores dos direitos da obra – armam uma armadilha para se apoderar do projeto dos artistas brasileiros, fazendo-os perder o domínio daquilo que eles próprios idealizaram. Assim, a peça também traz para o debate questões que envolvem a produção artística e os trabalhadores da cultura, mostrando um pouco dos bastidores, numa situação fictícia, mas que poderia muito bem ser verdade. “Quis abrir a porta da nossa casa (os bastidores do teatro) ao olhar de quem não vive essa realidade, para que esse espectador pudesse conhecer, em parte, nossa ‘aldeia’ (como diria Tolstoi); conhecer as pessoas envolvidas com o fazer teatral, seus anseios, suas paixões e reconhecer-se nelas”, completa Kiko.

O texto também discute o olhar eurocêntrico e a violência de gênero, que aparece desde o início do relacionamento amoroso entre o diretor francês e a atriz brasileira.

A equipe criativa conta ainda com o mineiro André Cortez na criação do cenário, Marichilene Artisevskis nos figurinos, Gabriele Souza no desenho de luz e Marcelo Pellegrini na música original. Kiko Rieser assina a direção de produção.
Sinopse | Carin e Cesar Santo estão ensaiando ‘Sangue’, peça de Aponti, genial autor francês já falecido, quando chega a informação de que os direitos da montagem foram cancelados por Victor, irmão do autor. Carin, então parte para entender o que aconteceu e tentar revogar essa decisão por meio de Leon, seu ex-marido e amigo íntimo de Victor. A partir disso e do encontro dessas pessoas, o rumo dessa montagem e de suas vidas irá mudar radicalmente.

FICHA TÉCNICA

Texto e direção: Kiko Marques

Elenco: Carol Gonzalez, Leopoldo Pacheco, Marat Descartes e Rogério Brito

Cenário: André Cortez

Desenho de luz: Gabriele Souza

Figurinos: Marichilene Artisevskis

Música original: Marcelo Pellegrini

Visagismo: Leopoldo Pacheco

Assistência de direção: Matilde Mateus Menezes

Técnico e operador de luz e som: Rodrigo Palmieri

Design gráfico: Letícia Andrade (Nós Comunicações)

Fotos: Heloísa Bortz

Mídias sociais: Felipe Pirillo (Inspira Comunicação)

Assessoria contábil: Juliana Rampinelli Calero

Supervisão administrativa e prestação de contas: Dani Angelotti

Direção de produção: Kiko Rieser

Produção executiva: Fernanda Lorenzoni

Idealização e projeto: Carol Gonzalez e Kiko Rieser

Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil

Patrocínio: Banco do Brasil.

Circuito Liberdade | O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Serviço:

Espetáculo Sangue

Temporada: Até 30 de dezembro de 2024 | sexta a segunda, às 20h

Duração: 100 min

Classificação: 14 anos

Ingressos: R$30 | R$15 meia

Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria física ou pelo site ccbb.com.br/bh

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte, MG

Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h (fechado às terças)

Mais informações em bb.com.br/cultura.

(Com Fábio Gomides/A Dupla Informação)

Projeto Petrechos de Pesca coleta mais de 1 tonelada de redes de pesca para reciclagem

Brasil, por Kleber Patricio

Equipe durante coleta de petrechos. Fotos: Divulgação.

No dia 5 de dezembro, mais de 1 tonelada de redes de pesca foi destinada à reciclagem. O material foi recolhido pelo Projeto Petrechos de Pesca, criado pelo Instituto de Pesca (IP-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo com apoio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) e financiamento da Petrobras.

O projeto, que vem sendo realizado desde fevereiro de 2023 no Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Norte, em Ubatuba-SP, foi criado em atendimento à condicionante nº 12 da autorização para licenciamento de empreendimento dentro da área de Unidade de Conservação ou em sua Zona de Amortecimento nº 11/2018 (Fundação Florestal), referente ao Licenciamento Ambiental da Atividade de Produção e Escoamento de Petróleo e Gás Natural do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos – Etapa 3, com duração de três anos.

Equipe do Petrechos de Pesca e demais parceiros em ação educacional.

Uma das ações de destaque do projeto é o Ecoponto do Pescador, instalado no Píer do Saco da Ribeira, composto por um Ponto de Entrega Voluntária (uma caçamba de acesso público) e um contêiner para armazenamento de materiais que não são mais utilizados na pesca. Além disso, outros três pontos estão em operação no Cais do Frediani, no Cais do Alemão e em Perequê-Açu, sendo este último gerido pelos próprios pescadores colaboradores do projeto. Tal ação reforça o compromisso e o interesse da pesca artesanal no processo de descarte adequado desse tipo de material.

Desde a instalação dos ecopontos, cerca de 2,5 toneladas de petrechos inservíveis foram recebidas pelo projeto, sendo os materiais separados conforme o tipo de plástico de que são produzidos. No caso das redes de pesca de emalhe, feitas de poliamida, essas são recicladas e transformadas em pellets – bolinhas de plástico puro – que, posteriormente, serão utilizados na fabricação de novos produtos, como bandejas e agulhas de pesca, que serão retornados aos pescadores para uso em suas atividades.

O projeto também realiza pesquisas inovadoras, incluindo mapeamento do fundo do mar, com foco na área do Parque Estadual da Ilha Anchieta, que integra a Zona de Proteção da Geobiodiversidade da APA Marinha Litoral Norte. As pesquisas e ações realizadas objetivam o melhor entendimento do ecossistema marinho e a garantia da sustentabilidade dos recursos pesqueiros para assegurar o futuro das comunidades que dependem dessas atividades. As ações de resgate de petrechos submersos e o mapeamento das áreas impactadas contribuem diretamente para a preservação dos ecossistemas marinhos.

Neste ano, visando atender uma linha educacional, o projeto ainda reuniu alunos do ensino médio da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves, em Ubatuba. Em 2025, entre os encontros a serem realizados, estão previstas duas oficinas abordando importantes questões sobre a pesquisa e o empreendedorismo voltados ao oceano.

Os resultados que o projeto vem obtendo só estão sendo alcançados graças à participação e colaboração de pescadores artesanais e demais pessoas da comunidade. Segundo um dos coordenadores do projeto e diretor do Núcleo Regional de Pesquisa do Instituto de Pesca em Ubatuba, Venâncio Guedes de Azevedo, “a parceria com pescadores e a comunidade é essencial para o sucesso do projeto, uma vez que com colaboração entre a sociedade e o poder público é possível conciliar as atividades econômicas com a proteção do meio ambiente. Juntos, estamos promovendo a economia circular e protegendo o meio ambiente. Por isso, agradecemos a todos que colaboraram de diversas formas”.

Em caso de descarte de petrechos sem utilidade, a equipe do projeto orienta que sejam depositados em um dos Pontos de Entrega Voluntária ou entre em contato pelo WhatsApp (12) 99164-4775 ou pelo Instagram petrechosdepesca_ip.

Instituto de Pesca | O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.

(Com Guilherme Araujo dos Santos/Instituto de Pesca – Núcleo de Comunicação Científica)