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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Vinho do Porto: tradição, história e harmonizações

O Porto, por Kleber Patricio

Teor alcoólico do Vinho do Porto varia entre 19% e 22%. Foto: Divulgação.

Hoje, 27 de janeiro, celebra-se o Dia Internacional do Vinho do Porto, um dos produtos mais icônicos de Portugal, conhecido por sua história, tradição e sabor inconfundível. Produzido exclusivamente na região do Douro, este vinho fortificado é amplamente apreciado no mundo inteiro por suas características únicas, incluindo aromas ricos, paladar marcante e versatilidade gastronômica. Produzido exclusivamente na Região Demarcada do Douro, nas caves de Vila Nova de Gaia, a bebida adquiriu este nome por ter sido exportada para o mundo a partir da cidade de Porto desde o século XVII.

Na ocasião, os comerciantes adicionavam aguardente vínica ao vinho para preservá-lo durante longas viagens marítimas. O processo interrompia a fermentação da bebida, preservando uma grande quantidade de açúcar residual, tornando-a naturalmente doce e com maior teor alcoólico.

O vinho do Porto é resultado de um processo de produção que envolve a fermentação parcial do sumo de uvas frescas, seguida pela adição de aguardente vínica, o que preserva seus açúcares naturais. As variedades de vinho do Porto – como Ruby, Tawny e Branco – oferecem uma diversidade de sabores e estilos, ideais para combinações com pratos e sobremesas. O teor alcoólico varia entre 19% e 22%.

Harmonizações

O Vinho do Porto é versátil. Suas harmonizações clássicas do incluem queijos fortes, sobremesas à base de chocolate ou frutas secas, e até pratos sofisticados como carnes de caça. Ele pode apresentar diferenças nas cores, na riqueza e intensidade de aromas e sabores, no teor alcoólico e até na doçura.

Foto: Shutterstock.

O Ruby é um tipo de vinho do Porto com característica avermelhada intensa e aroma frutado. Esse tipo de vinho combina muito bem com queijos salgados, como os do tipo gorgonzola e parmesão. Também fica ótimo com sobremesas feitas de chocolate.

O vinho do Porto Tawny tem doçura e concentração alcoólica igual ao Ruby e pode ser mantido por até oito anos em recipientes de madeira, tornando sua cor, aroma e sabor mais evoluídos. A harmonização perfeita pode contar com queijos maturados, mix de castanhas, sementes e frutas, ou sobremesas à base de castanhas.

Já o vinho do Porto Branco é uma excelente opção para preparar drinks e também é bastante versátil. Sua combinação ideal é com frutas secas, como figo, tâmara e damasco, mas também se dá bem no paladar quando combinado com nozes e queijos do tipo gorgonzola ou roquefort.

Garantia de qualidade

O processo de importação da bebida conta com rigoroso controle dos auditores fiscais federais agropecuários, responsáveis por garantir que ela atenda às normas de segurança e qualidade, protegendo a saúde dos consumidores e a integridade do mercado brasileiro.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a entrada do vinho do Porto no Brasil, bem como de outros produtos de origem vegetal e animal importados, passa pelo controle de qualidade realizado pelos profissionais da carreira. Primeiro, eles verificam a conformidade documental, garantindo que o produto esteja devidamente certificado e que sua denominação de origem seja legítima.

Segundo o auditor fiscal federal agropecuário, José Antonio Simon, os controles exigidos são comuns para todos os vinhos, de todos os países. Além dos documentos aduaneiros, são exigidos Certificado de Origem de Bebidas e Certificado de Análise emitido por laboratório estrangeiro reconhecido Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além da comprovação de tipicidade. O produto deve atender a padrões de segurança e, para isto, ele passa por uma análise de resíduos e contaminantes. “Não pode ter metais pesados como cobre e arsênico, nem metanol ou algum produto derivado das madeiras que foram usadas. Em relação às garantias que tem que apresentar, estão o padrão e a tipicidade de Vinho do Porto, que são descritas em manuais”, explicou o auditor fiscal federal agropecuário.

Além desse controle da importação, existe a fiscalização no mercado interno. Neste caso, são verificadas informações referentes ao produto, à rotulagem, e eventualmente há a coleta para análises, com o objetivo de impedir fraudes. “São diversos controles bem rigorosos, que dão uma segurança para consumidor e mesmo para o país de origem. Com eles, temos a garantia de que é respeitada aquela denominação de origem de que se trata de produto legítimo”, explicou Simon.

(Com Fernanda Balbino Okubo – FSB Comunicação e Jimena Carro – Hercog Comunicação)

Além do sol: Turistas que visitam a Praia Brava buscam experiências gastronômicas autênticas, saudáveis e ingredientes regionais

Itajaí, por Kleber Patricio

O salmão grelhado do Restaurante Shantal. Fotos: Divulgação/BravaMall.

A temporada de verão no litoral catarinense deve registrar índices históricos de fluxo turístico. A famosa Praia Brava de Itajaí, ao lado de Balneário Camboriú, se consolida cada vez mais como palco para produtos e serviços exclusivos, além de suas belezas naturais. Destaque para as atrações gastronômicas focadas em refeições autorais com a utilização de ingredientes frescos e locais. O BravaMall, centro de compras e lazer premium, tem sentido aumento do fluxo de pessoas em busca dessas opções em relação à movimentação do ano anterior. Os dados justificam pesquisas nacionais que apontam a preferência cada vez mais expressiva por produtos saudáveis, orgânicos e aumento da população que se declara vegetariana, segundo o IBGE.

“É nítida a mudança do comportamento alimentar das pessoas. A área do Mercato, no BravaMall, por exemplo, que prioriza refeições mais elaboradas, tem encantado público de diferentes perfis que prefere investir em refeições de qualidade do que opções rápidas e com ingredientes processados. Já percebemos um aumento significativo de visitantes em dezembro e no início de janeiro, em relação ao ano anterior”, conta a diretora executiva do BravaMall, Miriam Almeida.

Prato do Restaurante Pesca.

Dentre as quatorze operações gastronômicas do mall, o Pesca remete ao litoral com uma refeição de camarão do mar doce que faz sucesso entre os visitantes. O prato é composto por camarões salteados, cobertos com queijo brie gratinado e finalizados com crocante de amendoim torrado. Já o restaurante Shantal vem atraindo turistas pelas opções leves, como é o caso da salada com salmão grelhado.

O restaurante Nacho Man, que apesar de ser especializado em gastronomia mexicana traz produtos regionais às criações. Tortillas, guacamole e mini churros recheados são produzidos de forma artesanal e garantem sabores ainda mais marcantes atraindo público diverso, inclusive vegetarianos.

No Poème – Café Arte e Prosa, o toast vegetariano é sucesso, preparado com creme de queijo branco, cebola caramelizada, cogumelos salteados e folhas verdes. “Pessoas que visitam a Praia Brava têm demonstrado uma clara preferência pela alimentação de alta qualidade, uma tendência que não apenas transforma o mercado alimentício, mas incentiva práticas mais responsáveis e sustentáveis”, complementa Miriam Almeida.

Sobre o BravaMall

O BravaMall, localizado na Praia Brava, em Itajaí, SC, é um ambiente de alto padrão com foco na qualidade de vida que tem como base a gastronomia, cultura, moda e serviços. A área comercial compreende 12 lojas com enfoque no lar, decoração, literatura, acessórios e joias, supermercado, espaço kids, área pet, moda feminina e masculina com renomadas grifes de luxo. Já no Mercato, espaço gastronômico do BravaMall, as opções incluem pratos das cozinhas mexicana, japonesa, italiana, mediterrânea e australiana, como também a cultura do vinho e da cerveja. Há opção de buffet no BravaMall, cafés, hambúrgueres, bares e espaço para happy hour. O BravaMall é assinado pela PROCAVE Investimentos e Incorporações. Mais informações: www.bravamall.com.br.

Serviço:

Gastronomia autoral no Mercato
Local: Mercato – BravaMall – R. Delfim Mário de Pádua Peixoto, 500 – Praia Brava, Itajaí – SC

Horário: De seg. a qua.: 11h30 às 22h | Qui. a Sáb.: 11h30 às 23h | Dom. e Feriados: 11h30 às 22h

Música ao vivo de qui. a sab., das 20h às 23h e, domingo, das 13h às 16h.

(Com Matheus Peter/Rotas Comunicação)

Museu das Favelas é premiado pela APCA com exposição ‘Racionais Mc’s: O Quinto Elemento’

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Jozzue.

O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo sob gestão do IDG – Instituto de Desenvolvimento e Gestão foi reconhecido pela tradicional premiação da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na edição de 2024. A instituição venceu na categoria Música Popular com o prêmio de Projeto Especial pela exposição ‘Racionais MC’s – O Quinto Elemento’.

A mostra, que celebra a trajetória e o impacto cultural da principal banda de rap do país, destacou-se por sua relevância histórica e por sua contribuição para a valorização da cultura das periferias. Com curadoria de Eliane Dias e equipe composta pelo rapper Vitinho RB e pelos jornalistas Jairo Malta e André Caramante, o projeto combina elementos visuais e temáticos que refletem a essência e os valores da banda, como união e transformação. Inspirada no conceito do ‘quinto elemento’ do hip hop, que é o próprio Racionais, a mostra reafirma o legado do grupo como símbolo da cultura periférica e da resistência social. “Este prêmio é um reconhecimento do poder transformador da cultura periférica e das potências que nascem nela. A exposição Racionais MC’s – O Quinto Elemento é um tributo à toda população das favelas, que moldam e retratam a identidade brasileira. Estamos honrados em levar essa mensagem ao público e mais uma vez mostrar que a arte periférica faz parte da formação de uma identidade cultural brasileira e que possui relevância museológica”, afirma Natália Cunha, diretora do Museu das Favelas.

“Às vezes, a gente nem imagina onde os nossos sonhos podem nos levar. Ter a exposição Racionais MC’s: O Quinto Elemento eleita como uma das melhores pela Associação Paulista de Críticos é uma honra que nem acredito que está acontecendo. Saber que os críticos me conhecem, pessoas que admiro e respeito, é um presente. É ver que seguir seus instintos e lutar pelo que acredita vale a pena”, diz Eliane Dias. “Gestei esta exposição com muito cuidado, amor e fui muito exigente, na certeza de que todas as pessoas que iriam passar por ela sairiam com alguma mensagem boa, entendendo de forma carinhosa um dos processos do ciclo da vida. Agradeço a todo o time que esteve comigo e confesso que tenho vontade de ficar lá todos os dias”, acrescenta.

Em sua 69ª edição, a APCA anunciou os vencedores na última segunda-feira (20), durante uma cerimônia realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. Criado em 1956, o Prêmio é reconhecido como a mais tradicional premiação brasileira na área cultural. O reconhecimento deste ano reafirma o papel do Museu das Favelas como um espaço de resistência, promoção da diversidade cultural e valorização das narrativas periféricas.

Sobre o Museu das Favelas

O Museu das Favelas é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela organização social de cultura IDG – Instituto de Desenvolvimento e Gestão. O equipamento nasce de um processo colaborativo com pessoas que vivenciam o cotidiano das favelas, com atividades culturais e educativas voltadas para todos os públicos, sendo um ambiente de pesquisa, preservação, produção e comunicação das memórias e histórias das favelas brasileiras. Por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, o Museu possui o patrocínio master do Nubank, patrocínio do Mercado Livre, EDP e Itaú, apoio da EY e SulAmérica, cooperação da Unesco e parceria institucional da CUFA – Central Única das Favelas. Inaugurado em novembro de 2022, conta com o CRIA – Centro de Referência, Pesquisa e Biblioteca, e o CORRE – Centro de Formação, Trabalho e Empreendedorismo. Em 2024, o Museu celebrou sua reabertura no Centro Histórico de São Paulo, com a exposição de longa duração Sobre Vivências, reafirmando seu papel como um espaço vivo e diverso ao público.

Localizado em São Paulo, o Museu das Favelas está localizado no Largo Pátio do Colégio, 148, no Centro Histórico de São Paulo. Saiba mais em museudasfavelas.org.br.

Sobre o IDG

Há 23 anos, o IDG atua na gestão e desenvolvimento de projetos ambientais e culturais, sempre orientado pelas melhores práticas de Governança Corporativa Internacional. Atualmente, faz a gestão do Museu do Amanhã e Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, Museu das Favelas, em São Paulo, e Paço do Frevo, no Recife. Também foi responsável pela implantação do Memorial às Vítimas do Holocauto e revitalização do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, ambos no Rio de Janeiro, e pelo desenvolvimento, implantação e gestão dos Parques Urbanos Santana e Macaxeira no Recife, fomentando a conservação de áreas verdes no município. Ainda na capital pernambucana, implantamos o museu Cais do Sertão que reverencia o povo do Sertão e as obras do mestre Luiz Gonzaga.

(Com Mayara Oliveira/Oliver Press)

‘Magma-Jagunço’, de Clayton Mariano, relaciona ascensão da extrema direita aos ‘novos jagunços’ e ao agronegócio

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Larissa Moraes.

Ao refletir sobre as novas formas de ‘jagunçagem’, o diretor e dramaturgo Clayton Mariano criou o espetáculo ‘Magma-Jagunço’, com estreia prevista para dia 30 de janeiro no TUSP Maria Antonia. A temporada gratuita segue até o dia 23 de fevereiro, com sessões de quinta a sábado às 20h e, aos domingos, às 18h.

A peça do Tablado_SP conta a história de um grupo de cineastas militantes de esquerda que decide invadir a fazenda do tio de um dos membros do grupo, um dos maiores empresários da carne do país, para realizar uma ação político-artística. Durante a ação, porém, o grupo é capturado por um jagunço que parece não mais pertencer àquela realidade. O trabalho estabelece uma relação direta entre o agronegócio, a ascensão da extrema direita e o tradicional sistema jagunço. “A ideia parte de algumas provocações do filósofo Paulo Arantes e do sociólogo Gabriel Feltran, que relacionam o avanço da extrema direita a um novo tipo de jagunçagem. Para esses estudiosos, é possível entender a extrema direita atual como uma verdadeira ‘revolta de jagunços’. A base da jagunçagem é a mesma, o que significa uma aliança entre a fé, o messianismo religioso e a violência”, reflete Clayton.

A partir dessa premissa, o dramaturgo iniciou sua pesquisa e entrou em contato com os estudos do jornalista Bruno Paes Manso e do economista Marcio Pochmann. “Paes Manso publicou o livro A fé e o fuzil: crime e religião no Brasil do século XXI (2023), sobre a relação entre membros do PCC ou da milícia com a igreja; Marcio Pochmann discorre em seus estudos sobre os ciclos da jagunçagem”, coloca.

Ao mesmo tempo, o diretor se debruçou sobre a figura literária do jagunço que atravessa a história da literatura e também do cinema. “Desde o século 19 até os dias de hoje, em obras como o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, e o filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o jagunço e o sertão ocupam um espaço de destaque na nossa cultura, enraizando-se no imaginário nacional. O jagunço é uma personagem-símbolo do Brasil profundo”, comenta.

O diretor observa que, desde a década de 1990, com a industrialização do campo, assistimos a uma mudança profunda na cultura sertaneja. “Assim como o agro hoje é apresentado como pop e tech, o jagunço também se modernizou. Podemos entender as periferias e comunidades das grandes metrópoles como extensões daquele antigo sertão. Por isso, o jagunço de hoje é representado tanto pelos velhos capangas a serviço de fazendeiros, quanto por novas lideranças, a exemplo de pastores neopentecostais, pequenos proprietários, policiais, milicianos e qualquer outro que se impõem à força para garantir a ordem e a manutenção do poder”, acrescenta.

Sobre a encenação

Magma-Jagunço se estrutura como se fossem dois filmes. Jagunço, o primeiro filme (ou ato), é contado pela ótica dos militantes de esquerda. Já Magma, o segundo filme, é uma espécie de remake de Jagunço, só que contado pelo olhar da elite do agronegócio. Os filmes têm posicionamentos e linguagens diferentes, mas se entrelaçam ao fim. “Hoje o agro é dono, ou pelo menos sócio, da maior indústria cultural do país – basta acompanhar as músicas mais tocadas nas plataformas de streaming para ver que nove, entre dez, fazem parte do que se chama de música sertaneja. Isso sem falar nas novelas, séries, podcasts, moda etc. Por isso, na nossa peça, os cineastas acabam reféns do agronegócio, como muitos de nós que temos uma posição crítica a essa cultura acabaremos, com sorte, estrelando ou escrevendo alguma ‘novela rural’, financiada por essas grandes empresas. Trata-se de uma contradição antiga, obviamente; a novidade é que hoje, mais do que em outros tempos, isso não aparece mais como contradição”, argumenta Clayton.

A pergunta que move a peça é justamente essa: o que pode a arte engajada diante dessa quase onipotência do agronegócio? “Nesse sentido, a nossa tradição artística sobre os jagunços oferece algumas pistas e parece atingir uma espécie de síntese na obra de Glauber Rocha. Tanto em Deus e o Diabo na terra do Sol (1964) como em O Dragão da maldade contra o santo guerreiro (1971), Glauber parece questionar os limites de uma aliança entre a militância de esquerda e o jagunço na figura de Antônio das Mortes. Pensamos se era possível recolocar o questionamento de Glauber diante dos ‘novos-jagunços’. Faz sentido imaginar uma aliança, hoje, com parte dessa extrema direita?”, questiona o autor.

Para dar o tom da montagem, a trilha sonora criada originalmente pelo músico e diretor de arte do espetáculo, Eduardo Climachauska, mescla aboios tradicionais, música eletrônica e o agronejo.

Os cenários e figurinos de Jessica Mancini vão no sentido oposto ao tradicional imaginário do sertão. Trata-se de um sertão plastificado, como se fosse imaginado por jovens artistas na mesa de um bar da Santa Cecília. A luz de Camille Laurent enfatiza o caráter artificial desse sertão-pop. A peça ainda conta com direção cinematográfica do cineasta Luan Cardoso, mesclando imagens ao vivo com cenas pré-gravadas “Há algumas referências explícitas ao cinema novo e outros filmes nacionais, ao longo da peça”, comenta o diretor.

O elenco é composto por uma maioria de atores vindos do interior de São Paulo e conta com novos e antigos parceiros do diretor, a exemplo de Vinícius Meloni (indicado ao prêmio shell por Agropeça), André Capuano, Maria Tendlau, Rodolfo Amorim, Rafael Lozano e Bruna Betito.

Sinopse | Três cineastas planejam uma ação política-artística: invadir a fazenda do tio de um dos membros do grupo, um dos maiores empresários do agronegócio do país, para denunciar os crimes cometidos no campo. Durante a ação, porém, o grupo é capturado por um jagunço que parece estar fora do seu tempo. Dois filmes, narrados sob pontos de vistas opostos, questionam os limites da arte engajada diante do poder das elites empresariais do agronegócio no Brasil.

Ficha Técnica

Texto e direção: Clayton Mariano

Elenco: André Capuano, Bruna Betito, Maria Tendlau, Rafael Lozano, Rodolfo Amorim e Vinícius Meloni

Direção de arte: Eduardo Climachauska

Cenário e figurino: Jéssica Mancini

Trilha sonora: Eduardo Climachauska

Direção cinematográfica: Luan Cardoso

Iluminação: Camille Laurent

Operação e edição de vídeo: Larissa Moraes

Fotos: Larissa Moraes

Produção: Leo Devitto e Letícia Alves/Corpo Rastreado

Assessoria de imprensa: Canal Aberto

Realização: Tablado_SP, Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, Cooperativa Paulista de Teatro.

Serviço:

Magma-Jagunço

Data: 30 de janeiro a 23 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 18h

Local: TUSP Maria Antonia – R. Maria Antônia, 294 e 258 – Vila Buarque, São Paulo/ SP

Ingressos: gratuitos | Retirada na bilheteria com 1 hora de antecedência

Duração: 120 min

Classificação Livre.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

De Maria Bethânia a Denílson Baniwa, leituras de obras de artistas podem ser ouvidas gratuitamente por telefone

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Álvaro Serrano/Unsplash.

A arte poética ganha novos contornos no Brasil com a chegada do Dial-A-Poem, projeto icônico criado por John Giorno em 1968 que agora permite aos brasileiros ouvirem leituras de poesias por telefone. Disponível pelo número gratuito 0800-01-76362 (ou 0800-01-POEMA, em português), a iniciativa reúne obras de poetas, artistas e escritores brasileiros de diversas origens, influências, gerações e regiões, como Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Denílson Baniwa e Simone Homem de Mello.

O projeto, trazido pela Coleção Moraes-Barbosa com apoio da Vivo, recria no Brasil o espírito inovador que marcou a estreia de John Giorno no MoMA de Nova York. Agora, a poesia está ao alcance de qualquer pessoa com um telefone, democratizando o acesso a uma experiência artística única e intimista. As chamadas de voz gratuitas oferecem uma viagem pelas palavras e interpretações de grandes nomes da literatura e das artes brasileiras, convidando o público a explorar novas conexões com a poesia.

Dial-A-Poem Brasil estará disponível até 15 de março de 2025, trazendo um toque de modernidade a essa exposição de poesia expandida que promete inspirar e emocionar ouvintes em todo o país.

(Com Kátia Gonçalves/Fato Relevante)