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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Em carta, pesquisadores contestam texto do CNPq e defendem avanço imediato da Ciência Aberta

Brasil, por Kleber Patricio

Movimento em prol da ciência aberta busca, entre outros pontos, garantir acesso aberto a publicações derivadas de financiamento público. Imagem: Agência Bori – gerada por IA.

Uma carta aberta escrita por membros da Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR) e assinada por cientistas brasileiros contesta o texto Ciência aberta: uma visão desapaixonada, publicado recentemente pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), assinado pelo presidente da entidade, o físico Ricardo Galvão, e pela diretora de análise de resultados e soluções digitais, a também física Débora Menezes. Na avaliação dos pesquisadores, o documento oficial supervaloriza as dificuldades de implantar práticas de ciência aberta, enquanto há medidas simples, de baixo custo e alta efetividade, que podem ser adotadas imediatamente.

No dia 14 de janeiro, o CNPq divulgou uma visão crítica sobre o movimento de Ciência Aberta, destacando principalmente duas barreiras: o alto custo das taxas de processamento de artigos (APCs) cobradas por grandes editoras e a falta de infraestrutura adequada para compartilhar dados de pesquisa. Segundo o texto, tais fatores dificultam a aplicação prática de uma ciência mais transparente e acessível.

Contudo, a resposta da RBR enfatiza que, embora essas barreiras existam, elas não deveriam impedir ações imediatas em prol da abertura científica. “Não existe uma entidade utópica chamada ‘Ciência Aberta’ a ser implementada só depois de superados grandes entraves”, diz a carta, fazendo referência à definição da Unesco de que a ciência aberta consiste em um conjunto de ações e práticas possíveis de serem adotadas gradualmente.

Veja os alguns pontos defendidos na carta:

– Adoção de políticas de avaliação que não estimulem publicações em revistas pagas

– Valorização de práticas de ciência aberta no currículo Lattes

– Exigência de acesso aberto para artigos resultantes de financiamentos do CNPq

– Tornar o compartilhamento de dados a regra, com exceções para casos de dados sensíveis, estratégicos ou de grande volume.

Segundo o documento, o Brasil investe cerca de 500 milhões de reais ao ano em assinaturas de periódicos, enquanto muitos artigos ficam indisponíveis a quem não é vinculado às instituições de pesquisa. Isso, segundo a carta, faz do modelo por assinaturas uma solução ‘mais excludente e menos sustentável’ do que opções de acesso aberto.

Já quanto ao compartilhamento de dados, os pesquisadores reconhecem haver casos complexos – como os grandes volumes de dados do CERN (organização europeia de pesquisas nucleares) ou situações que envolvem informações sensíveis na Fiocruz –, porém destacam que boa parte das pesquisas nacionais não enfrenta esses problemas, podendo ser aberta de maneira simples em repositórios gratuitos.

Em um outro documento, disponibilizado na plataforma Zenodo.org, um repositório aberto para dados e documentos, pesquisadores também reforçam o valor de uma estratégia alinhada às tendências internacionais e capaz de aproveitar as iniciativas já existentes no Brasil para ampliar o acesso ao conhecimento científico e otimizar recursos públicos. “Muitos países já executam ações gradativas, investindo em infraestruturas abertas, de baixo custo e interoperáveis […]. O Brasil pode obter grandes benefícios com a adoção dessas práticas, mas também corre o risco de sofrer perdas significativas ao seguir um caminho diferente. Caso o país não se alinhe a esse movimento [da Ciência Aberta], poderá comprometer sua capacidade de colaboração internacional”, diz o texto.

(Fonte: Agência Bori)

Estádios brasileiros apostam na gastronomia para atrair torcedores além dos dias de jogo

Brasil, por Kleber Patricio

O Braza, restaurante do Allianz Parque. Foto: Mario Rodrigues.

A integração de experiências gastronômicas nos arredores dos estádios de futebol tem se consolidado como uma tendência crescente no Brasil, transformando esses espaços em centros de entretenimento que vão além das partidas. O objetivo é comum a todos: oferecer aos torcedores e ao público em geral ambientes que combinam a paixão pelo esporte com a gastronomia de qualidade.

O Estádio do Morumbi foi pioneiro nessa transformação ao inaugurar, em 2007, o Santo Paulo Bar. O espaço temático, que contou com investimento privado de quase R$2 milhões, foi idealizado para receber famílias não apenas nos dias de jogos, mas também durante a semana. Atualmente, o Morumbi Concept Hall já conta com diversas opções gastronômicas.

Estádio do Morumbi.

Em 2022, a Gourmet Sports Hospitality (GSH) investiu quase R$6 milhões em dois restaurantes no Allianz Parque, o Braza e o La Coppa. Menos de um ano após as inaugurações, já foi possível observar um aumento no movimento do estádio em datas comuns: “Aos sábados, vemos um público de 400 pessoas almoçando ou jantando em família e amigos. Nos dias de semana, a média é de 250 clientes, especialmente entre executivos e pessoas que trabalham na região. É uma arena viva, que funciona fora de dias de eventos”, conta.

Fora de São Paulo também podemos observar a tendência. No Paraná, a Arena da Baixada, do Athletico Paranaense, abriga o Boulevard Gastronômico, espaço com mais de dez restaurantes que funcionam independentemente dos horários do estádio, e o Couto Pereira, estádio do Coritiba, ganhou recentemente o Coxa Sports Bar, dos empresários Victor Wille e Rodrigo Ramires, que combina a tradição da parrilla uruguaia com a atmosfera vibrante dos sports bars americanos. “O projeto nasceu da necessidade de um espaço que unisse gastronomia de qualidade e a experiência de assistir a eventos esportivos em um ambiente acolhedor”, conta o torcedor coxa-branca e empresário à frente do Coxa Sports Bar. “O desafio foi criar um modelo que equilibrasse alta qualidade gastronômica com o dinamismo de um sports bar. Nosso objetivo é nos tornarmos referência em Curitiba, não só para torcedores, mas para todos que buscam boa comida e entretenimento”, destaca.

Consumo no Coxa Sports Bar.

Com investimentos privados cada vez maiores, os estádios brasileiros seguem uma tendência já consolidada na Europa e nos Estados Unidos, transformando-se em polos gastronômicos e de lazer. A iniciativa não apenas fortalece o nome dos clubes e parceiros comerciais, como também cria novas oportunidades para os torcedores e frequentadores, que agora encontram nos estádios muito mais do que futebol.

(Com Fernanda Glinka/P+G Comunicação)

Casa Triângulo recebe mostra ‘Meu quintal é maior que o mundo’, de Priscyla Gomes

São Paulo, por Kleber Patricio

Ana Paula Sirino – Sonhar em partir, sonhar em voltar, 2024 – óleo sobre tela – 180 x 130 cm.

A Casa Triângulo, comprometida em trazer o melhor da arte contemporânea, apresenta a exposição coletiva ‘Meu quintal é maior que o mundo’, com curadoria de Priscyla Gomes. A mostra, que será inaugurada no dia 8 de fevereiro de 2025, às 14h, reúne obras de 23 artistas brasileiros de diferentes gerações, explorando o conceito do quintal como um espaço de conexão entre o doméstico e o universal.

Inspirado no poema ‘O Apanhador de Desperdícios’, do consagrado poeta mato-grossense Manoel de Barros, o título da exposição evoca uma reflexão sobre as pequenezas da vida e as coisas aparentemente insignificantes que ganham novos significados quando vistas sob uma perspectiva mais contemplativa e menos acelerada. A mostra propõe uma imersão no quintal como um lugar de encontro com a natureza, a espiritualidade, as festividades e a introspecção.

A curadora Priscyla Gomes destaca que a exposição busca ressignificar o quintal como um espaço de múltiplas possibilidades: um lugar para o cultivo da terra, a contemplação das estrelas, o convívio comunitário e a reflexão pessoal. “O quintal é um microcosmo que reflete o mundo exterior, um espaço onde o cotidiano e o universal se encontram”, afirma Gomes.

Albano Afonso – Floresta Azul, 2008 – fotografia – Ed. 2 de 3 – 200 x 110 x 7 cm.

A exposição apresenta obras em diversas mídias, incluindo pinturas, esculturas, instalações e fotografias, que exploram as diferentes interpretações do quintal como um espaço de conexão e transformação. Entre os artistas participantes estão nomes consagrados e emergentes: Albano Afonso, Sandra Cinto, Eduardo Berliner, Vânia Mignone, Lucas Simões, Mauro Restiffe, Zé Carlos Garcia, Amori, Ana Paula Sirino, Andy Vilela, David Almeira, Diego Mouro, Fernanda Galvão, Heitor Dos Prazeres, Leticia Lopes, Luiza Gottschalk, Marina Hachem, Mauricio Adinolfi, Mauricio Parra, Paula Scavazzini, Rafa Chavez, Yohana Oizumi e Zé Tepedino.

Sobre o poema ‘O Apanhador de Desperdícios’

O poema de Manoel de Barros, que inspirou o título da exposição, celebra as coisas simples e despretensiosas da vida, como os insetos, as tartarugas e os passarinhos. O poeta reflete sobre a beleza do que é muitas vezes considerado insignificante, propondo uma visão mais lenta e contemplativa do mundo. O verso “Meu quintal é maior que o mundo” sintetiza essa ideia de que o pequeno pode conter o infinito.

Sobre a Casa Triângulo

Fundada em 1988 por Ricardo Trevisan, a Casa Triângulo, consolidou-se como uma das mais importantes galerias de arte contemporânea do Brasil. Seu programa é reconhecido por apresentar mostras antológicas de seus artistas estabelecidos, além de revelar e consolidar a carreira de vários artistas jovens e/ou emergentes.

Instalada no bairro dos Jardins em São Paulo, ocupa uma sede projetada pelo renomado escritório Metro Arquitetos Associados. Com cerca de 500 m², o espaço combina traços arquitetônicos modernos e funcionais, com áreas internas e externas que permitem a realização de exposições e eventos ao ar livre.

Serviço:

Exposição Meu quintal é maior que o mundo

Curadoria: Priscyla Gomes

Abertura: 8 de fevereiro, das 14h às 18h

Período expositivo: 8 de fevereiro a 22 de março

Local: Casa Triângulo

Endereço: Rua Estados Unidos, 1324, Jardins – São Paulo – SP

Horários: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h

Site: www.casatriangulo.com

Instagram: @casatriangulo.

(Com Carolina Amoedo/A4&Holofote Comunicação)

Sesc Belenzinho apresenta espetáculo circense ‘Ítaca’

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculo é um solo do palhaço do Cirque du Soleil Thiago Andreuccetti. Fotos: Divulgação.

“Quando partires em viagem para Ítaca

faz votos para que seja longo o caminho,

pleno de aventuras, pleno de conhecimentos.

Os Lestrigões e os Ciclopes,

o feroz Poseidon, não os temas,

tais seres em teu caminho jamais encontrarás,

se teu pensamento é elevado, se rara

emoção aflora teu espírito e teu corpo.

Konstantinos Kavafis (1863–1933)

Um barco, um único valente e pitoresco marinheiro, uma viagem pelo oceano, a tormenta e o encalhar em uma ilha deserta. A luta pela sobrevivência. Esta é uma sucinta sinopse do espetáculo de palhaçaria e acrobacia ‘Ítaca’.

‘Ítaca’ é um solo do artista Thiago Andreuccetti, palhaço e acrobata que integrou o elenco do Cirque du Soleil no show ‘Amaluna’. O artista desenvolve um trabalho completamente autoral sobre um aparelho inédito no Brasil – o Mastro Culbuto – em um espetáculo que mistura duas técnicas circenses: Palhaço e Mastro Chines, promovendo uma inovação no atual cenário cultural já saturado das artes circenses.

Os processos criativos de ‘Ítaca’ nascem em 2020 por meio do Edital de Fomento ao Circo para a cidade de São Paulo, resultado de uma pesquisa continuada em palhaçaria e mastro chines, muitas delas vivenciadas no show ‘Amaluna’ do Cirque du Soleil, em que a história da sua personagem se passava numa ilha, após um naufrágio. Mas, foi em 2019 que conheceu o Mastro Culbuto, uma mistura de mastro chinês com o que conhecemos aqui no Brasil com o João Bobo, o aparelho lembra muito os movimentos de um barco. A criação do solo ocorre em meio a vivência pandêmica e o artista realiza todos os seus treinos no quintal de casa.

A pandemia e os sentimentos, emoções e sensações vividos por todos nós, moldaram o trabalho num sentido mais sutil: a figura de um pescador náufrago, isolado num barco, sem contato com outros seres humanos, tentando sobreviver a algo que ele ainda não entende e, por isso, sendo atacado por sentimentos como depressão, ansiedade, medo, solidão, saudade de casa, de quem se ama.

Tratar desses temas é sempre muito delicado, mas ao mesmo tempo necessário. “Porque ao olharmos de frente para o que vivemos, podemos processar todos esses sentimentos e sair fortalecidos da experiência. É exatamente disso que o poema de Kaváfis, que inspirou Itaca, diz: ‘(…) Os Lestrigões e os Ciclopes, o feroz Poseidon, não os temas, tais seres em teu caminho jamais encontrarás, se teu pensamento é elevado, se rara emoção aflora teu espírito e teu corpo. (…)”, declara o palhaço e acrobata.

Thiago Andreuccetti – palhaço que já integrou o elenco do Cirque Du Soleil, entre 2018 e 2020, no show ‘Amaluna’, onde nasce as primeiras pesquisas técnicas e dramatúrgicas para a montagem de Ítaca. O artista dá vida a Santiago – inspirado em livros como ‘O Velho e o Mar’, de Hemingway, a ‘Odisseia’ de Homero e no poema homônimo de Constantino Kavafis, um homem do mar-palhaço que se equilibra no seu pequeno barco-casa, mergulhado na eterna viagem que é a vida.

Sinopse | Um barco chamado Ítaca, tripulado por um único, valente e pitoresco marinheiro, cruza o oceano. De repente, uma implacável tempestade muda o rumo da aventura. Barco e barqueiro, levados pela tormenta, encalham em uma ilha deserta. Ali, a urgência da vida se traduzirá em cada gesto, cada rabugice e cada sonho. Com humor sensível e técnica apurada, Ítaca é um espetáculo para todas as idades, uma oportunidade para se divertir e refletir a partir dos desvios do destino.

O artista

Thiago Andreuccetti e um artista brasileiro com mais de 20 anos de carreira, que mistura técnicas físicas de construção de personagens como: Commedia dell’Arte, Laban e as qualidades do movimento, Mímica Corporal Dramática e ensinamentos do mestre Klauss Vianna. Palhaco desde 2003, estudou com professores(as) do Brasil e do mundo como: Luis Louis, Esio Magalhaes, Bete Dorgan, Mario Bolognesi, Ana Luisa Bellacosta, La Minima, Aziz Gual, André Casaca e Drs. da Alegria. Em teatro participou de dezenas de produções, destacando-se: ‘Facas nas Galinhas’, dir. de Francisco Medeiros, ‘A Condessa e o Bandoleiro’, dir. Fernando Escrich e ‘Henriques’ da Cia. Vagalum Tum Tum. De 2018 a 2020 foi o palhaço ‘Tito’ no show ‘Amaluna’ do Cirque du Soleil, excursionando dezenas de países nas Américas do Sul e do Norte. Desde 2012 desenvolve um trabalho como orientador corporal e preparador físico de elenco ministrando oficinas de curta e longa duração, tendo como base as técnicas as quais se dedica. Orienta alunos de Palhaçaria no curso Física Cômica no espaço Improclube em SP; foi preparador corporal dos espetáculos: ‘Julietas’, ‘Tarsila’ e ‘O Beco’ da Cia. de Inventos; ‘Jogo de Imaginar’ da Cia Barracão Cultural e orienta o treinamento de monitoria do Acampamento Nosso Recanto. Está em cartaz com seu solo ‘Ítaca’.

Ficha técnica

Idealização, coordenação artística e atuação: Thiago Andreuccetti

Direção: Luciana Viacava

Dramaturgia: Nereu Afonso da Silva

Trilha Sonora: Alexandre Maldonado

Concepção de luz: Giuliana Cerchiari

Técnica e operação de luz: Ana Matie

Técnico de som: Cic Morais

Criação, contrarregra e sonoplastia: Ivy Donato

Construção do Mastro Cubulto: Cenografia Sustentável, Evas Carreteiro, Art&Solda

Mastro: Gaia Pole

Adereços: Tetê Ribeiro e Ivy Donato

Sombras: Lucas Luciano.

Figurinos: Marichilene Artisevskis

Costureira: Judite Lima

Envelhecimento do figurino: Foquinha

Nariz de palhaço: Carol do Amaral.

Fotos: Mariana Serzedelo e Weslei Soares

Produção executiva: Caruá Produções (Marina Mioni).

Serviço:

Espetáculo Ítaca, com Thiago Andreuccetti

De 1º a 16 de fevereiro. Sábados e domingos, às 16h.

Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia-entrada), R$12,00 (Credencial Plena), Crianças até 12 anos não pagam ingresso.

Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.

Local: Sala de Espetáculos I (130 lugares). Duração: 50 min. Classificação: Livre.

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento:

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional.

Transporte público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Sesc Belenzinho nas redes: Facebook | Instagram | YouTube.

(Com Priscila Dias/Sesc Belenzinho)

Graffiti Pra Cego Ver: Arte que se sente, histórias que transformam

São Paulo, por Kleber Patricio

Kelly Reis: Artista convidada para segunda edição do Graffitti Pra Cego Ver. Foto: Divulgação.

Em sua segunda edição, o projeto Graffiti Pra Cego Ver chega para reafirmar seu compromisso em unir acessibilidade e expressão artística gerando um impacto positivo na vida de pessoas com deficiência visual e ampliando sua participação no circuito cultural. Inspirado pela ideia de que a arte deve ser sentida por todos, o projeto transforma murais de grafite em obras sensoriais por meio de texturas, relevos e inscrições em braille que descrevem cada detalhe da obra – cores, formas, dimensões e significados – estabelecendo uma conexão sensorial através do toque. Além disso, QR codes integrados às obras permitem que os visitantes ouçam áudios com descrições detalhadas, criando uma experiência imersiva.

O desenho que ilustra o mural foi concebido pela artista plástica Kelly S. Reis, uma mineira radicada em São Paulo, que além de artista plástica é arte-educadora e ilustradora com uma década de atuação no grafite. Sua arte aborda a mestiçagem biológica e cultural sob uma perspectiva feminina e afro-indígena, além de temas como liberdade e intolerância religiosa. Suas obras já foram exibidas em importantes museus brasileiros, como a Caixa Cultural Recife, Salvador e Itaú Cultural, e seus murais estão espalhados por diversos estados do Brasil e países como Peru e Chile.

À época em que atuou como arte-educadora teve dois alunos deficientes visuais com quem compartilhou aprendizado e teve a oportunidade de desenvolver novas habilidades para transmitir a eles seus conhecimentos. Convidada pela Mosaiky para participar do projeto Graffiti Pra Cego Ver, Kelly trouxe para sua criação memórias emocionantes de sua trajetória como educadora. Em sua vivência, ela teve alunos com deficiência visual que, ao serem incluídos nas aulas de arte, descobriram um novo universo de expressão criativa. Um deles, ensinou a importância das texturas, enquanto outra aluna chegou a explorar esculturas e tecelagem, transformando a arte em um elemento central de suas vidas.

Inspirada por essas experiências, a artista concebeu esse trabalho ampliando a experiência do ‘ver’ para além dos olhos. Conhecida por pintar mulheres afro-indígenas, frequentemente retratadas sem íris, ela afirma que “vemos com os olhos da alma e que a verdadeira percepção envolve todos os sentidos”.

Para Kelly, o grafite é mais do que uma obra de rua; é uma ponte entre mundos. “Imagino meus ex-alunos e tantas outras pessoas podendo tatear e sentir esse desenho. O grafite sempre foi acessível por estar na rua, mas agora, ele poderá ser percebido de uma forma totalmente nova por quem nunca teve essa oportunidade”, celebra.

Por que Graffitti Pra Cego Ver?

Enquanto quem enxerga pode admirar a magnitude de um mural de grafite, se emocionar com suas cores e formas, as pessoas com deficiência visual, muitas vezes, não têm essas mesmas experiências no espaço urbano (limitando-se apenas ao nome da obra e de seu autor). Pensando nisso, o projeto busca democratizar o acesso à arte de rua, permitindo que todos, independentemente da visão, sintam, interpretem e vivenciem a arte em sua totalidade.

Trata-se de uma celebração da arte como ferramenta de inclusão e transformação. Ao dar novos significados ao conceito de ‘ver’ e ampliar o alcance do grafite para além do visual, ele reafirma o papel da cultura como elemento essencial para a construção de uma sociedade mais acessível, diversa e sensível às histórias que nos cercam.

Serviço:

Graffitti Pra Cego Ver

Quando: até 18 de fevereiro

Onde: Beco do Batman (Rua Gonçalo Afonso, 120 – Centro do Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo)

Acesso gratuito.

(Com Cristiana Vieira/Mosaiky)