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Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Megafauna marinha e grandes mamíferos terrestres do litoral do Paraná estão ameaçados de extinção

Paraná, por Kleber Patricio

Onça-pintada. Fotos: Divulgação.

O programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) apoia projetos estratégicos de conservação, pesquisa e uso sustentável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação (UCs) e ampliando o conhecimento sobre as espécies terrestres e marinhas. Entre eles estão o MegaCoast-PR, coordenado pela Associação MarBrasil, que monitora a megafauna marinha (golfinhos, baleias, tartarugas, aves e tubarões), e o One Blue Health, que avalia a saúde dos ecossistemas por meio de análises integradas de fauna, ambiente e seres humanos. Já em terra, o BLP apoia o Monitora Serra do Mar, que acompanha grandes mamíferos e aves cinegéticas e/ou ameaçadas de extinção – como onça-pintada, anta, queixada, puma, veado, cateto, macuco, inhambus, urus e jacutinga – e monitora o ecossistema de Floresta Atlântica, incluindo as de florestas de terras baixas, submontana e montana.

O litoral do Paraná, onde essas iniciativas acontecem, é uma das regiões mais singulares do Brasil. Reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, abriga áreas Ramsar (sítios de relevância internacional para a conservação de áreas úmidas) e integra a Grande Reserva Mata Atlântica — maior remanescente protegido do bioma no mundo, com quase 3 milhões de hectares de áreas naturais, florestas, manguezais e águas costeiras preservadas nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. É um território que funciona como berçário, área de alimentação e rota migratória para espécies raras, endêmicas e ameaçadas.

Tayassu pecari.

“Estamos em uma região que é casa para espécies que só ocorrem aqui, como o papagaio-de-cara-roxa — ave endêmica do litoral norte do Paraná e sul de São Paulo, protegida há mais de 20 anos por um projeto da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), que conseguiu reverter a tendência de desaparecimento da espécie —, mas também rota de baleias-francas, golfinhos, tubarões-martelo, raias-manta e aves migratórias que vêm da Antártica e da Europa”, explica Camila Domit, pesquisadora do Laboratório de ecologia e Conservação (LEC) da UFPR e da Associação MarBrasil, e coordenadora do projeto MegaCoast-PR.

Megafauna marinha: inovação científica e saúde única

No campo da inovação científica, destaca-se o uso do DNA ambiental, metodologia empregada pelo projeto MegaCoast. A técnica consiste em coletar amostras de água e identificar, por meio de fragmentos genéticos nela presentes, quais espécies de animais ou microrganismos estão circulando naquele ecossistema. O método já revelou, por exemplo, a presença de bactérias que sinalizam riscos não apenas para a fauna, mas também para a saúde humana. “Já detectamos bactérias com alta resistência a antibióticos, o que nos leva a discutir a relação entre saúde do ecossistema, da fauna e dos humanos. Golfinhos, por exemplo, compartilham conosco a cadeia alimentar e são sentinelas da saúde ambiental. Se eles adoecem, nós também estaremos vulneráveis”, afirma Camila, da UFPR e MarBrasil.

Tecnologia SMART.

Outra inovação do projeto MegaCost-PR é o rastreamento acústico de animais marinhos, realizado em parceria com o LEC/UFPR e o Projeto Meros do Brasil. A iniciativa conecta o Paraná a uma rede de telemetria que se estende do Norte ao Sul do país, permitindo identificar as áreas prioritárias para a conservação das espécies e acompanhar os trajetos de espécies migratórias ameaçadas, como peixes ósseos, tubarões, raias, tartarugas marinhas. Estas informações são essenciais para subsidiar políticas públicas brasileiras e convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, tal como Comissão de espécies migratórias (CMS).

Além da ciência de ponta, há espaço para o envolvimento social. “Qualquer pessoa pode contribuir registrando avistagens de golfinhos, baleias e tartarugas em nosso site ou nos comunicando via o perfil de mídia social @lecufpr. A ciência cidadã colabora com o monitoramento e aproxima comunidades pesqueiras e litorâneas ao processo de construção do conhecimento regional da biodiversidade”, completa a pesquisadora.

O diálogo com comunidades tradicionais e pescadores artesanais locais também é importante para mitigar conflitos relacionados pelo uso de áreas comuns entre espécies ameaçadas e atividades econômicas de interesse humano. “As mesmas áreas de alta produtividade pesqueira são áreas de alimentação da fauna marinha. Nosso papel é mapear essas sobreposições e construir, junto com as comunidades, soluções que conciliem direitos e usos, integrando a conservação, aspectos culturais e quanto a segurança alimentar”, explica Camila.

Grandes mamíferos terrestres: sentinelas da Mata Atlântica

Tapirus terrestris.

Enquanto o mar exige atenção, a floresta litorânea também dá sinais de alerta. O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que reúne diferentes iniciativas voltadas à conservação de espécies-chave da Mata Atlântica, inclui o projeto Monitora Serra do Mar, apoiado pelo BLP e executado pelo IPeC – Instituto de Pesquisas Cananeia com o Instituto Manacá. A iniciativa acompanha quatro espécies emblemáticas, que são onça-pintada, onça-parda, anta e queixada. Todas ameaçadas na Mata Atlântica, sendo que três delas já estão classificadas como “criticamente ameaçadas” no Paraná. “A anta praticamente desapareceu das florestas de terras baixas do litoral, e a onça-pintada tem hoje uma população muito baixa, restrita a áreas remotas da Serra do Mar”, alerta Roberto Fusco, coordenador do projeto Monitora Serra do Mar.

Consideradas como sentinelas ambientais, por serem mais vulneráveis à caça e à perda de habitat, essas espécies são as primeiras a desaparecerem, indicando assim, a qualidade de conservação de uma floresta. Além disso, são espécies-guarda-chuva, sua proteção garante a conservação de diversos outros organismos e do próprio habitat.

Apesar do cenário crítico, Fusco vê sinais de esperança. “Em áreas com fiscalização intensiva, identificamos indícios de recuperação. Esses dados nos permitem recomendar regiões estratégicas para reforço populacional, com solturas de antas e queixadas. No caso da onça-pintada, os desafios logísticos e genéticos são maiores, mas não podemos descartar”.

Tecnologia e participação comunitária

As novas ferramentas de monitoramento são parte central da estratégia de conservação apoiada pelo BLP. Uma delas é o SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tools), plataforma usada em dezenas de países que digitaliza e padroniza dados de campo, permitindo que patrulhas registrem em tempo real desde avistamentos de fauna até atividades ilícitas como caça e extração de palmito.

No Paraná, essa tecnologia foi incorporada ao Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), iniciativa nacional que coleta e analisa informações sobre a biodiversidade em UCs de todo o país. Em parceria com o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, gestores de UCs da região receberam treinamento para aplicar o SMART, utilizar armadilhas fotográficas e sistematizar dados na produção de indicadores sobre médios e grandes mamíferos ameaçados de extinção e alvos de caça ilegal.

Essa integração fortaleceu a fiscalização e o manejo da biodiversidade e abriu espaço para o engajamento da sociedade. “Ao capacitar comunidades locais para usar essas ferramentas, consolidamos os Agentes de Monitoramento que reforçam a fiscalização, ampliam a intolerância à caça ilegal e ainda geram renda”, explica Roberto Fusco.

Para Camila, da UFPR e MarBrasil, o diálogo que nasce a partir desses resultados é também político. “Os dados do projeto devem orientar gestores públicos, empreendedores e órgãos licenciadores. É sobre qualificar as metodologias de monitoramento, reduzir custos e, sobretudo, harmonizar os diferentes usos do território sem perder de vista a vida que depende dele”.

Sobre o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná

Criado em 2021, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. Financiado pelo Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, o Programa transformou um passivo ambiental em investimento histórico em conservação: serão mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.

A governança do programa é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), supervisionados pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Paraná. A gestão financeira e operacional do Programa é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais, acesse www.biodiversidadelitoralpr.com.br.

(Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

OCAM realiza concerto de Natal no dia 14 de dezembro

São Paulo, por Kleber Patricio

Coro Infantil São Carlos Acuti. Foto: Divulgação.

Finalizando um ano marcado por ampla programação de espetáculos e iniciativas que fortaleceram o acesso democrático à música, a Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM) realiza sua última apresentação de 2025 no dia 14 de dezembro, às 11h30, na Fundação Maria Luísa e Oscar Americano. Em clima natalino, o concerto reúne a orquestra e o Coro Infantil São Carlos Acuti, celebrando a data com um programa especialmente preparado para a ocasião. Os arranjos destacados no repertório trazem novas cores a clássicos de diferentes épocas. A entrada é gratuita mediante a doação de um brinquedo novo, que será destinado às crianças atendidas pelo Hospital Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci).

O repertório percorre diferentes períodos e tradições musicais, começando por Toada à Moda Paulista, de Camargo Guarnieri, e pelo clássico barroco Concerto Grosso nº 8 em Sol menor, Op. 6 – Concerto de Natal, de Arcangelo Corelli, uma das mais emblemáticas da temporada. A programação também inclui a célebre Jesus, Alegria dos Homens, de J. S. Bach, que reforça o caráter espiritual e solene do programa, e a contemporânea On the Nature of Daylight, de Max Richter, conhecida por sua atmosfera emocional.

No eixo das canções tradicionais de Natal, o público poderá ouvir Natal Branco, de Irving Berlin, além de interpretações de clássicos universais como Adeste Fideles, em arranjo de David Willcocks, Noite Feliz, em arranjo de Ryan Brandau, e We Wish You a Merry Christmas, na versão arranjada por Horst Hinze. O programa se completa com Natal Menino, de Amaury Vieira, e com a tradicional Alegria de Natal, da tradição gaulesa, que encerram a apresentação em um clima acolhedor e festivo. O concerto conta com a regência de Ricardo Bologna, diretor e regente titular da OCAM, e com a participação especial do Coro Infantil São Carlos Acuti, sob regência de André Heryson. A presença do coro confere à apresentação uma atmosfera ainda mais sensível e emotiva, reforçando a proposta de celebração, união e partilha, a marca desta programação de fim de ano. “Este concerto de Natal é uma celebração da música como gesto de generosidade. Encerramos o ano compartilhando arte, afeto e tradição reunindo a orquestra, o coro infantil e o público em um encontro que simboliza união e esperança tradicionais do momento”, comenta Ricardo Bologna.

SERVIÇO:

Concerto de Natal – OCAM & Coro Infantil São Carlos Acuti

Data: 14 de dezembro de 2025 | domingo | Horário: 11h30

Local: Fundação Maria Luísa e Oscar Americano – Av. Morumbi, 477, Morumbi, São

Paulo, SP

Entrada: Um brinquedo novo, a ser doado para as crianças do Hospital Itaci –

Instituto de Tratamento do Câncer Infantil

Programa

Camargo Guarnieri – Toada à Moda Paulista

Arcangelo Corelli – Concerto Grosso nº 8 em Sol menor, Op. 6 – Concerto de

Natal

J. S. Bach – Jesus, Alegria dos Homens

Max Richter – On the Nature of Daylight

Irving Berlin – Natal Branco

John Francis Wade/David Willcocks (arr.) – Adeste Fideles

Amaury Vieira – Natal Menino

Franz Xaver Gruber/Ryan Brandau (arr.) – Noite Feliz

Horst Hinze (arr.) – We Wish You a Merry Christmas

Melodia Gaulesa – Alegria de Natal

Participações:

Coro Infantil São Carlos Acuti

Regência do coro: André Heryson

Regência titular: Ricardo Bologna

Sobre a OCAM | A Orquestra de Câmara da ECA/USP (OCAM), um dos principais organismos artísticos da Universidade de São Paulo, celebra 30 anos de trajetória, consolidando-se como uma referência fundamental entre as orquestras profissionalizantes do Brasil. Fundada em 1995 pelo maestro Olivier Toni, a OCAM é composta por alunos do Departamento de Música da USP e de cursos de extensão universitária. Sob a direção do maestro Ricardo Bologna, a orquestra tem se destacado no cenário musical brasileiro, sendo reconhecida pela sua qualidade e pela diversidade de seu repertório. Ao longo dessas três décadas, a OCAM já formou mais de 800 alunos bolsistas, contou com a participação de cerca de mil convidados, entre maestros e solistas, e promoveu cerca de 300 masterclasses abertas à comunidade. Com aproximadamente dois mil concertos realizados, a orquestra tem desempenhado um papel essencial na vida cultural da USP e na promoção da música no Brasil. Seu trabalho vai além da arte musical, trazendo à tona questões sociais, promovendo a inclusão e gerando reflexões sobre a música e sua função social. Desde 2021, após a pandemia, a orquestra já arrecadou nove toneladas de alimentos para comunidades em situação de insegurança alimentar.

(Com Maria Fernanda/Agência Lema)

Espetáculo visita evento tradicional do sertão nordestino que destaca a vida sertaneja e o cotidiano do trabalho no campo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Débora Peccin.

Seguindo a missão de fazer um teatro que retrata a cultura popular, estimulando a troca afetuosa entre público e plateia, o CTI – Teatro-Baile faz uma abertura do processo de criação de seu novo trabalho. “Teatro-Baile conta Missa do Vaqueiro – em processo” marca a reinauguração da tradicional sede do grupo, na Vila Ré, na zona leste de São Paulo. As apresentações são gratuitas e acontecem entre 28 de novembro e 8 de dezembro, às sextas, aos sábados e às segundas, às 20h, e, aos domingos, às 18h. Em caso de chuva, a sessão é cancelada. Em 2026, o espetáculo faz sua estreia oficial, com temporadas entre janeiro e março.

A companhia tem se debruçado sobre um evento tradicional do sertão nordestino, que acontece desde 1970 em todo terceiro domingo de julho. “Na década de 1950, o vaqueiro Raimundo Jacó, que era primo de Luiz Gonzaga, apareceu morto na cidade de Serrita (PE). Vinte anos depois, o Padre João Câncio decidiu homenagear essa figura e, por isso, organizou uma missa. Ele convidou Gonzagão, que chamou outros amigos e artistas, como o poeta Pedro Bandeira e o compositor Janduhy Finizola, e a celebração foi ganhando uma outra dimensão”, conta Beto Bellinati, um dos integrantes do CTI – Teatro-Baile.

Instaurou-se então a Missa do Vaqueiro, uma cerimônia cultural e religiosa cujo objetivo é enaltecer a vida sertaneja e o cotidiano do trabalho no campo. Há até um folhetinho e uma liturgia própria para a homenagem. Hoje, ela acontece em muitas cidades da região, não apenas em Serrita.

Estátua de Jacó. Foto: Foto: Beto Bellinati.

Sinopse | O espetáculo investiga a “Missa do Vaqueiro”, da cidade de Serrita-PE, criada em homenagem a Raimundo Jacó, o vaqueiro mais importante que se tem notícia. Raimundo Jacó, primo legítimo de Luiz Gonzaga, tem seu nome entoado lá no fundo da Caatinga em todo terceiro domingo de julho desde 1970. Um grito de justiça no sertão por Raimundo Jacó, o vaqueiro encantado. “Só lembrado do cachorro que ainda chora a sua dor”.

Sobre a encenação

Este ano, o projeto de pesquisa do CTI – Teatro-Baile foi contemplado pelo Fomento, o que propiciou a viagem à Serrita. Assim, a companhia reuniu seus 16 integrantes e está montando um espetáculo a partir do seu olhar sobre a celebração.

“Não queremos contar a história do Raimundo Jacó. Nossa ideia é dar destaque para personagens comuns que encontramos lá e compõem o cenário local, como um dos funcionários do hotel que nos hospedamos, o dono do primeiro bar da cidade, outros comerciantes e vaqueiros”, comenta Bellinati.

O trabalho ainda está em construção, mas o grupo quer compartilhar sua pesquisa com o público. Teatro-Baile conta Missa do Vaqueiro – em processo segue o jogo cênico habitual da companhia de borrar a fronteira entre palco e plateia. Os espectadores são convidados a dançar e a degustar alimentos e bebidas como paçoca, kariri com mel e pinga com mel e limão.

Foto: Débora Peccin.

A dramaturgia é coletiva e a equipe criativa está toda em cena. Os intérpretes são Adriel Vinícius, Azre Maria Tarântula, Beto Bellinati, Bia Nascimento, Débora Peccin, Edu Brisa, Evandro Cavalcante, Fefê Camilo, Juliana Crifes, Kinda Marques, Mariane Lima, Michel Xavier, Roma Oliveira, Samara Neves, Ton Moura e Val Ribeiro.

Para essa grande festança, um elemento fundamental é a música. Além das canções do Rei do Baião, o coletivo apresenta composições próprias, inspiradas em ritmos nordestinos. Para isso, a montagem conta com sanfonas, zabumba, triângulo, baixo, baixo elétrico, pandeiro e outros instrumentos de percussão.

Visualmente, o grupo também vai explorar as máscaras. Serão feitas várias oficinas para reproduzir cabeças de boi em papelão. “Nosso projeto tem a meta de retomar uma intensa atividade na nossa sede. Estamos planejando mostras e outras atrações para os próximos meses”, afirma Beto.

Essa peça integra o projeto “O teatro é uma luta popular – CTI 21 anos (r)existindo pela identidade”, que foi contemplado pela 44ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Ficha Técnica:

Criação Coletiva da Cia. Teatro da Investigação – CTI – Teatro-Baile

Equipe criativa CTI – Teatro-Baile: Adriel Vinícius, Azre Maria Tarântula, Beto Bellinati, Bia Nascimento, Débora Peccin, Edu Brisa, Evandro Cavalcante, Fefê Camilo, Juliana Crifes, Kinda Marques, Mariane Lima, Michel Xavier, Roma Oliveira, Samara Neves, Ton Moura e Val Ribeiro

Dramaturgia e direção: Edu Brisa

Direção musical: Fernando Alabê

Elenco: Equipe Criativa

Artistas orientadores formadores: Jéssica Nascimento, Cida Almeida, Alexandre Mate, Carlos Simioni, Ednaldo Freire e Fernando Alabê.

SERVIÇO:

Teatro-Baile conta Missa do Vaqueiro – em processo

Data: 28 de novembro a 8 de dezembro, às sextas, aos sábados e às segundas, às 20h, e, aos domingos, às 18h

Local: Sede CTI Teatro-Baile – Rua Pangauá, 381 – Vila Ré (São Paulo, SP)

Ingressos: gratuitos – Retirada 1h antes do início da apresentação.

Em caso de chuva, não haverá espetáculo.

Capacidade: 35 lugares

Duração: 60 minutos

Classificação: Livre.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Castanhas assadas perfumam Lisboa em clima festivo

Lisboa, por Kleber Patricio

Fotos: Lisboa Secreta.

Passear pelas ruas lisboetas nesta época de outono pode ser ainda mais especial. Marcado por sua atmosfera sempre acolhedora, temperaturas amenas e folhas caídas pelo chão, o destino exala o agradável e intenso aroma de suas castanhas assadas, típicas das comemorações de São Martinho, marcadas por eventos comunitários onde moradores e visitantes se reúnem para dividir momentos de convívio e tradição. “Quem quer quentes e boas, quentinhas. A estalarem cinzentas, na brasa”, já cantava, não por acaso, o consagrado fadista Carlos do Carmo, em “O Homem das Castanhas”.

A lenda dessa celebração remonta a São Martinho de Tours, um soldado romano que, num gesto de compaixão, teria cortado a sua capa ao meio para cobrir um mendigo durante uma tempestade. Tal ato de bondade teria sido, então, recompensado com um milagre, com o céu abrindo-se e o sol brilhando, dando origem ao “verão de São Martinho”.

Essa história também inspirou a tradição do “Magusto”, uma festa popular portuguesa que exalta a colheita das castanhas e o vinho novo, simbolizando a partilha e a abundância. Durante as festas, vários pontos da cidade, como o Chiado, Belém e a Baixa, são tomados por assadores de castanhas oferecendo-as quentinhas e acompanhadas de vinho novo, água-pé ou jeropiga. Além disso, diversas freguesias organizam eventos que incluem música tradicional, danças e outras atividades culturais, proporcionando uma imersão na rica herança cultural lisboeta.

Desse modo, muito mais do que simples ato de comer castanhas, a celebração de São Martinho é uma oportunidade para vivenciar Lisboa de forma autêntica e calorosa – um convite para explorar seus bairros, interagir com os locais e participar de uma tradição que une passado e presente, criando memórias inesquecíveis para todos seus visitantes.

Mais informações:

www.visitlisboa.com

https://www.instagram.com/visit_lisboa/

https://www.facebook.com/visitlisboa.

(Com Lívia Aragão/Mestieri PR)

Theatro Municipal de São Paulo apresenta ópera “Les Indes Galantes” e celebra encontro entre música barroca e dança urbana

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Rafael Salvador/Divulgação.

Em uma fusão ousada entre tradição e contemporaneidade, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta a ópera “Les Indes Galantes”, de Jean-Philippe Rameau, com libreto de Louis Fuzelier, na reta final de sua temporada de óperas. A montagem integra a Temporada França-Brasil 2025, celebrando o Ano Cultural que aproxima as culturas dos dois países. O espetáculo será apresentado nos dias 2/12, às 20h; 3/12, às 20h e 4/12, às 20h, com ingressos de R$ 39 a R$ 252.

A concepção cênica e coreográfica será da Bintou Dembélé, dançarina e coreógrafa reconhecida como uma das figuras pioneiras da dança Hip hop na França, que cria um diálogo entre as camadas históricas da obra e as expressões das ruas. A direção musical é do maestro suíço-argentino Leonardo García-Alarcón, à frente dos músicos da Cappella Mediterrânea, um dos conjuntos barrocos mais respeitados da atualidade. O Coral Paulistano, sob regência de Maíra Ferreira, compõe o elenco vocal. A apresentação conta com a participação de artistas da Structure Rualite, coralistas do Choeur de Chambre de Namur e de bailarinos e músicos brasileiros convidados.

A cenografia e design de luz ficará a cargo de Benjamin Nesme e o figurino será assinado pela francesa Charlotte Coffinet e pela brasileira Laura Françozo. O elenco conta com Laurène Paternò (como Amour, Phani, Fatime e Zima) Ana Quintans (como Hébé, Émilie e Zaïre), Mathias Vidal (como Valère, Don Carlos, Tacmas e Damon) e Andreas Wolf (como Bellone, Osman, Huascar, Ali, Don Alvar e Adario).

Obra-prima do iluminismo francês, Les Indes Galantes teve estreia pela Académie Royale de Musique, atual Ópera de Paris, em 1735, e é considerada uma ópera-balé, gênero que combina drama lírico, música e dança. O libreto de Louis Fuzelier costura distintas histórias de amor ambientadas em “locais exóticos” para a França daquele período, que divide a obra em quatro partes: O Turco Generoso, Os Incas do Peru, As Flores da Pérsia e Os Selvagens da América do Norte. 

Apesar de sua importância histórica, a obra raramente é encenada no Brasil, o que torna esta apresentação uma ocasião rara de apreciação. A montagem do Theatro Municipal de 2025 reunirá artistas brasileiros e franceses em uma releitura que insere elementos da cultura urbana contemporânea, em especial, a dança de rua e o hip hop, no contexto musical barroco.

Para a superintendente geral do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, Andrea Caruso Saturnino, a ópera será um dos pontos culminantes tanto da temporada lírica do Municipal, quanto para as trocas culturais entre os dois países. “Após um ano repleto de entusiasmo, elaboração de novos paradigmas críticos e intercâmbios entre Brasil e França, marcado também pelo concerto Bizet e Seus Contemporâneos com participação de músicos da Academia da Ópera de Paris e da Orquestra Sinfônica Municipal, e pela muitíssimo bem sucedida turnê do Balé da Cidade na França, temos a alegria de apresentar ao público mais uma obra pouco executada no Brasil – Les Indes Galantes, de Rameau com a genial direção cênica de Bintou Dembelé, mesclando barroco e urbano, com o nítido intuito de acrescentar novas camadas de leitura à ópera”, explica.

Nesse sentido, é central o olhar crítico para a obra original feita com Bintou. “Les Indes Galantes poderia ser resumido por esta citação do French Directory: ‘são jovens dançando sobre um vulcão em erupção’. Esse vulcão é muito real e ameaça entrar em erupção a qualquer momento. O que talvez parecesse como desentendidos ou um entretenimento inocente evoluiu, ao longo da história, para uma situação geopolítica séria, complexa e explosiva. De certa forma, Les Indes Galantes já continha as sementes do nosso mundo atual”, define Bintou, diretora cênica da ópera.

Depois de dançar por mais de trinta anos no mundo do Hip Hop, Dembélé é diretora artística de sua própria companhia de dança, Rualité, desde 2002. Seu trabalho explora a questão da memória do corpo através dos prismas da história colonial e pós-colonial francesa, que será a abordagem central para Les Indes Galantes. “Todos somos o ‘selvagem’ de alguém; uma vez que tomamos consciência disso, a desconstrução desse mecanismo pode começar”, completa.

Do ponto de vista musical, por se tratar de uma obra barroca, Les Indes Galantes percebe que, em toda emoção humana, há uma assimetria de ritmo. “Emoções extremas como amor, ódio, raiva e o medo da morte ou do abandono desafiam qualquer tentativa de quantificação, transcendendo os limites do tempo mensurável”, pontua Leonardo García-Alarcón, diretor musical do espetáculo.

García-Alarcón é um maestro suíço-argentino especializado em música barroca. Estudou cravo e órgão e foi assistente de Gabriel Garrido por vários anos, antes de fundar o conjunto Cappella Mediterranea, com o qual se apresentou em diversos festivais, em especial no Festival d’Ambronay. “A ópera, em sua essência, representa um esforço utópico de harmonizar o ritmo da música e da dança com o ritmo indizível e profundamente humano de nossas emoções”, finaliza.

SERVIÇO:

Les Indes Galantes, de Jean-Philippe Rameau

Theatro Municipal de São Paulo 

CAPPELLA MEDITERRANEA*

STRUCTURE RUALITÉ*

CHOEUR DE CHAMBRE DE NAMUR

CORAL PAULISTANO 

*Com a participação de bailarinos e músicos brasileiros convidados.

Datas
2/12, às 20h

3/12, às 20h

4/12, às 20h

Leonardo García-Alarcón, direção musical

Bintou Dembélé, direção cênica e coreografia

Benjamin Nesme, cenografia e design de luz

Charlotte Coffinet e Laura Françozo, figurino

Laurène Paternò, Amour, Phani, Fatime, Zima

Ana Quintans, Hébé, Émilie, Zaïre

Mathias Vidal, Valère, Don Carlos, Tacmas, Damon

Andreas Wolf, Bellone, Osman, Huascar, Ali, Don Alvar, Adario

Programação integrante da Temporada do Ano Cultural França-Brasil 2025.

Duração estimada: 150 minutos (com intervalo)

Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

Faixa de ingressos: de R$ 39 a R$ 252 (inteira)

Patrocínio do Bradesco, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Organização da Embaixada da França no Brasil, Institut Français, Instituto Guimarães Rosa e correalização da Cappella Mediterrânea.

A programação da Temporada França-Brasil 2025 conta com o apoio do comitê de patrocinadores composto por: Fundação ENGIE, LVMH, Leroy Merlin, JCDecaux, Sanofi, Airbus, CMA CGM, CNP Assurances, L’Oréal, Fundação TotalEnergies, VINCI, BNP Paribas, Carrefour, Vicat e Scor.

(Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)