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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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“Agora só tem um caminho: implementar”, diz Marina Silva sobre ações contra mudança do clima

Brasília, por Kleber Patricio

Entre as ações do Brasil que serão apresentadas na COP30 estão o trabalho que resultou na queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a meta de redução de CO², além de investimentos para prevenção de desastres. Foto: Diego Campos/Secom-PR

A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), foi entrevistada por rádios de diversas regiões do país na última quarta-feira, 19 de março, no programa Bom dia, Ministra. Durante o bate-papo, a titular destacou ações relacionadas à implementação de políticas climáticas e de combate ao desmatamento e incêndios e ressaltou a importância estratégica de sediar a Conferência da ONU para Mudança do Clima, a COP30, em novembro, em Belém (PA). “A gente tem uma grande oportunidade de ter novamente no Brasil uma das conferências mais importantes, porque ela nasceu no Brasil em 1992, na Eco 92, e é a primeira vez que a COP se realiza aqui. Ou seja, tem a conferência mãe, onde ela nasceu, e agora ela volta adulta, com 30 anos de idade”, ilustrou a ministra.

Marina ressaltou que o Brasil vai apresentar na COP30 resultados que reforçam a liderança do país na responsabilidade com o meio ambiente. Entre eles, o trabalho que resultou na queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a meta de redução de CO², além de investimentos para prevenção de desastres.

Dados do Inpe indicam que os alertas de desmatamento na Amazônia Legal atingiram o menor nível da série histórica para fevereiro, com redução de 64,26% em relação a fevereiro de 2024. “Estamos chegando também com o Plano Clima, que são sete programas na parte de mitigação e 16 na parte de adaptação, e o Plano de Transformação Ecológica, liderado pelo Ministério da Fazenda, onde não só temos o plano, mas já buscamos recursos. Eu e o ministro Haddad fomos a Nova Iorque, fizemos um lançamento de títulos verdes e conseguimos R$ 10 bilhões para o Fundo Clima”, explicou a ministra.

Marina afirmou que esse é o momento de implementar decisões tomadas durante esses muitos anos de discussões no âmbito mundial. “São 33 anos debatendo. Agora só tem um caminho: implementar. É fim de combustível fóssil, de desmatamento e isso precisa se refletir, porque quando você fala em fim do desmatamento, tem que entender que é um grande investimento. Temos metas para todos os setores da economia: transporte, energia, indústria, agricultura, desmatamento”, listou.

NDCs

Marina também ressaltou que as decisões mais importantes são tomadas antes da Conferência, em cada país. Marina afirmou que 20 nações já apresentaram a Contribuição Nacionalmente Determinada — NDC, na sigla em inglês. A atual NDC do Brasil inclui os objetivos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e de zerar as emissões líquidas até 2050.

A ministra enfatizou que o país tem promovido o crescimento econômico com fomento à bioeconomia e acesso a financiamentos verdes. “Essas metas têm que estar alinhadas em não deixar a temperatura ultrapassar 1,5ºC. Isso não é só a defesa de redução por redução. Isso significa a oportunidade de um novo ciclo de prosperidade. É por isso que estamos apostando na bioindústria, na bioeconomia, na economia circular, na agricultura de baixo carbono e na nossa capacidade de produzir alimentos”, disse Marina.

Fim do combustível fóssil — A ministra Marina Silva também registrou a urgência de abandonar os combustíveis fósseis e a necessidade de investimentos para este fim. “O mapa do caminho para o fim do uso de combustível fóssil é uma necessidade inarredável da humanidade. É o uso de combustível fóssil que faz com que o clima tenha mudado com todos esses problemas que estamos enfrentando e depende, sim, de financiamento público de países ricos e financiamento privado”.

Desmatamento — As estratégias contínuas para conter o desmatamento do país também foram destacadas pela ministra. Serão lançados Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento para todos os biomas nacionais. A ministra ressaltou que os dois últimos planos que faltam — Pampa e Mata Atlântica — serão lançados até abril.

Amazônia Legal — Os planos são iniciativas do Governo Federal para reduzir o desmatamento em cada bioma. Um deles é o PPCDam, criado para reduzir o desmatamento na Amazônia Legal, que está em sua quinta fase e estabelece o desmatamento zero até 2030. Além deste, o PPCerrado foi relançado em novembro de 2023. Já os planos para o Pantanal e a Caatinga foram divulgados em dezembro de 2024.

Redução — A titular do Meio Ambiente ressaltou que, como resultados positivos do PPCDam, o desmatamento da Amazônia reduziu 46% comparado a 2022. “A partir dessa experiência, fizemos planos customizados para todos os biomas. Já conseguimos, nesses dois anos, ter o plano que vai enfrentar o desmatamento no Pantanal, no Cerrado e estamos concluindo Pampa e Mata Atlântica. Mesmo assim, já conseguimos resultados positivos só pelas ações do Ibama e do ICMBio”, salientou a ministra.

Prevenção — A ministra abordou também as ações de combate a incêndios florestais. Entre as medidas adotadas, está a maior contratação de brigadistas da história, com 4.608 profissionais organizados em 231 brigadas florestais federais. O número representa aumento de 25% em relação a 2024.

Mapeamento — Além disso, a ministra destacou a assinatura da portaria de emergência ambiental por risco de incêndios florestais em regiões e épocas específicas. O documento aponta áreas vulneráveis a incêndios em todo o país e os períodos de maior risco e busca estabelecer parâmetros para definir prioridades de ações dos estados para prevenção às queimadas. “Ampliamos a capacidade de contratar brigadistas. Antes, você precisava de um interstício de um ano para contratar. Isso diminuiu para seis meses. Depois, diminuiu para três meses. E agora, podemos fazer contratações mais alongadas com esses brigadistas. Nós temos mais de 200 brigadas no Brasil inteiro”, declarou a ministra.

Manejo — As medidas também integram a aprovação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e a aquisição de equipamentos, como aeronaves. “O Comitê de Manejo Integrado do Fogo tem se reunido sistematicamente, envolvendo todos os estados e brigadas. Temos aumentado a capacidade de intervenção, a quantidade de barcos e aeronaves de transporte e de combate. E, ao mesmo tempo, estamos fazendo todo um trabalho de prevenção e colocando no ar uma campanha de esclarecimento de educação para que não haja uso do fogo”, disse Marina.

Reestruturação — Outro ponto abordado foi a reestruturação dos órgãos de fiscalização. O fortalecimento do Ibama e do ICMBio, ressaltou Marina, são essenciais para o combate ao desmatamento e aos incêndios florestais. Além disso, ela enfatizou a importância do trabalho integrado com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. “Nós aumentamos a fiscalização do Ibama em 96%. Acabamos de fazer uma grande aquisição de equipamentos, com cerca de 27 aeronaves do Ibama e do ICMBio à disposição das nossas ações de combate a incêndios e a crimes ambientais. Estamos criando um sistema de monitoramento em tempo real das ações criminosas”, disse.

Margem Equatorial — A titular do Meio Ambiente afirmou que a exploração na Margem Equatorial se trata de um processo complexo. O Governo Federal realiza estudos detalhados antes de qualquer decisão. Ela destacou que há um acompanhamento constante por meio de uma sala de situação na Casa Civil para garantir que o debate seja transparente. “O presidente Lula, com muita sabedoria, mandou que esses projetos de alto impacto ambiental fossem encaminhados para estudos. Esses estudos estão sendo feitos e o Ibama está trabalhando no pedido de licença feito pela Petrobras. Os técnicos estão apresentando o parecer e a decisão será técnica, seja para o sim, seja para o não, porque os processos de empreendimento têm a ver com isso”, pontuou.

Quem participou — O Bom dia, Ministra é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram do programa desta quarta-feira as rádios Nacional Brasília, Amazônia e Alto Solimões/EBC, Grande Rio FM (Petrolina/PE), Nova Vida FM (Brumado/BA), Banda B (Curitiba/PR), Rádio Alems (Campo Grande/MS) e Clube de Parintins (Parintins/AM).

Assista à entrevista aqui.

(Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)

Quebrando o tabu: por que os meninos também devem ir ao urologista na adolescência

São Paulo, por Kleber Patricio

Acompanhamento com urologista desde a adolescência ajuda a prevenir doenças graves no futuro. Foto: FreePik.

Se seu filho já passou da fase de consultas pediátricas, chegou a hora levá-lo a um urologista. É entre os 10 e 15 anos, fim da infância e início da puberdade, que a primeira consulta deve acontecer. Embora a prática seja pouco difundida no Brasil, essa é a melhor forma de garantir que as novas gerações de meninos cresçam com acompanhamento, mais qualidade de vida, informação, segurança e, acima de tudo, sem medo de cuidar da própria saúde. É o que orienta o urologista José Roberto Colombo Júnior, médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Para ele, é fundamental que a sociedade reflita sobre o assunto e crie o hábito de cuidar da saúde urológica masculina desde cedo e não somente após os 40 anos. “É preciso desmistificar a ideia de que o urologista é um médico apenas para homens adultos e mais idosos. Assim como as meninas são levadas ao ginecologista para acompanhar seu desenvolvimento e prevenir doenças, também é necessário ter essa cultura de cuidado com os garotos para que eles aprendam a cuidar da própria saúde assim que entram na adolescência. Os pais ou responsáveis devem começar a agir como essa figura de incentivo, pois dessa forma poderão melhorar a vida de seus filhos no futuro”, destaca.

Sem tabus

A avaliação médica desde a adolescência, além de quebrar tabus, pode ajudar a identificar e tratar precocemente diversas condições, como alterações no desenvolvimento dos órgãos genitais, fimose e outras condições que afetam a higiene íntima, infecções urinárias recorrentes, varicocele – uma dilatação anormal das veias testiculares que pode afetar a fertilidade – e detecção precoce de doenças e outras enfermidades do aparelho urinário.

Diferentemente das meninas, que precisam anotar o ciclo menstrual para informar nas consultas, os garotos devem apenas conversar sobre seu histórico médico até então.

É o urologista também que poderá tirar aquelas dúvidas comuns aos garotos dessa faixa etária que sabem que o pediatra não é o médico mais adequado para respondê-las. Saber mais, por exemplo, sobre assuntos como o tamanho do pênis, se ‘está normal para a idade’, sobre o uso de preservativos, quais vacinas tomar, as infecções sexualmente transmissíveis, entre outras questões.

Prevenção

Quanto antes se cria o hábito do acompanhamento médico, maior é a chance de prevenir doenças graves no futuro, isso porque muitas doenças são silenciosas e podem ser fatais. “Grande parte dos homens só busca um especialista quando já tem um problema de saúde estabelecido. Um acompanhamento regular possibilita diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes. Um simples exame clínico pode fazer toda a diferença no futuro. Além disso, conversar sobre o tema de forma aberta e sem preconceitos dentro da família pode ajudar a naturalizar esse cuidado”, explica Colombo Júnior, que é também um dos ases nacionais no campo da cirurgia robótica do Hospital Albert Einstein.

Prevenção que pode ajudar a mudar uma triste projeção estatística. Segundo dados de um estudo da revista científica internacional Lancet, publicados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), até 2024, os casos de câncer de próstata no mundo devem duplicar, passando de 1,4 milhão, em 2020, para 2,9 milhões, em 2040, devido não só ao aumento da expectativa de vida global, mas também à falta da cultura do diagnóstico precoce.

Somente no Brasil, em 2023, o câncer de próstata matou sozinho uma média de 47 homens por dia, conforme dados do Ministério da Saúde. Outra doença silenciosa e perigosa é o câncer de testículo, tipo de tumor que mais afeta homens na idade reprodutiva, entre 15 e 35 anos. E, segundo a SBU, estudos indicam um aumento alarmante de 26,6% no número de óbitos projetados por essa causa entre 2026 e 2030, em comparação ao período de 2011 a 2015.

José Roberto Colombo Junior é urologista no Hospital Israelita Albert Einstein e possui forte atuação no interior de São Paulo. Foto: Divulgação.

Sobre o Dr. José Roberto Colombo Júnior | Médico urologista e especialista em cirurgia robótica urológica do Hospital Israelita Albert Einstein. Coordenador Executivo da Pós-Graduação em Cirurgia Robótica do Hospital Israelita Albert Einstein. Formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Possui doutorado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) São Paulo. Aprimoramento (Fellowship) em cirurgia minimamente invasiva na Cleveland Clinic, Cleveland, EUA. Atendimento: (11) 97090-5300 e WhatsApp (11) 2151-4116.

(Fonte: Lettera Comunicação)

Descubra Ilhéus: a cidade baiana te convida para o feriado de Páscoa

Ilhéus, por Kleber Patricio

Conheça Ilhéus, a cidade imortalizada por Jorge Amado. Fotos: Divulgação.

Ilhéus, situada no sul da Bahia, é uma cidade repleta de história, cultura e belezas naturais. Com suas praias deslumbrantes, arquitetura colonial e uma rica tradição literária, Ilhéus se tornou um destino imperdível para quem quer explorar o litoral baiano. Aproveite o feriado de Páscoa para conhecer a cidade e mergulhar em sua cultura única.

Praias maravilhosas

Ilhéus é conhecida por suas praias de águas claras e quentes que atraem turistas o ano inteiro. A Praia dos Milionários, a do Cururupe, a do Norte e a de Olivença são apenas algumas das opções que oferecem ótimas condições para banhos de mar, passeios de barco e até mesmo para a prática de esportes aquáticos, como o surfe.

Terra do Cacau

Mergulhe na cultura da produção do cacau e conheça as fazendas que mantêm viva a tradição do fruto mais precioso da região.

Conhecida como a ‘Terra do Cacau’, a cidade já foi um dos maiores polos produtores de cacau do mundo e suas fazendas são referência no cultivo de amêndoas de alta qualidade. A região é famosa pela produção de chocolates finos, que conquistaram reconhecimento internacional com prêmios em diversas competições. Nas fazendas de cacau, é possível ver todo o processo de cultivo e produção do chocolate de origem, desde a colheita das amêndoas até a transformação em deliciosos produtos.

 

Acomodações e lazer

Ilhéus oferece diversas opções de acomodações e o Cana Brava Resort se destaca como a escolha perfeita para uma experiência inesquecível em família. Com uma infraestrutura completa, o resort combina momentos de descanso com diversão e atividades direcionadas a todas as idades, garantindo entretenimento e conforto para todos os gostos.

O pacote all-inclusive de quatro diárias por 12x de R$791,00 para casal com até duas crianças grátis é a opção ideal com uma programação recheada de surpresas. A temática de Páscoa deste ano é a Fábrica de Chocolate, trazendo uma decoração especial, muitas brincadeiras e, claro, o coelhinho da Páscoa para encantar as crianças. Durante o feriadão, a diversão será garantida com atividades como a tradicional caça aos ovos, oficinas de cupcake e muitas outras atividades lúdicas e educativas pensadas para os pequenos.

Cana Brava Resort é a escolha ideal para aproveitar o feriadão.

Pensando também nos adultos, o resort preparou uma atividade sensorial exclusiva de harmonização de chocolate com espumantes em que os participantes poderão aprender a combinar sabores e aromas de maneira única. É uma experiência para os adultos relaxarem e desfrutarem de uma degustação especial enquanto as crianças continuam suas atividades de forma segura e divertida. Além disso, o resort oferece shows noturnos, luau tropical e boate para quem busca uma diversão mais animada à noite.
(Com Gabrielle Cotrim/MAPA360)

Dicionário Crítico Jorge Amado reúne análises sobre a obra e trajetória do escritor

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

‘Dicionário Crítico Jorge Amado’ oferece um compêndio da obra de um dos mais célebres autores do Brasil. Organizado por Nelson Tomelin Jr. e Marcos Silva, o lançamento da Edusp reúne textos sobre trabalhos do escritor — incluindo livros, ensaios, artigos e discursos —, além de explorar aspectos de sua vida, como sua relação com a música, sua atuação na imprensa literária e seu engajamento político.

A obra é composta por 52 verbetes, organizados em ordem alfabética, que abrangem tanto a produção literária de Jorge Amado quanto sua trajetória pessoal, discutindo suas obras, ideias e influências. Escritos por autores de diferentes gerações, nacionalidades e áreas do conhecimento, como estudos literários, história e antropologia, os textos oferecem uma abordagem multidisciplinar e aprofundada sobre o autor e seu legado.

Entre as análises da vasta produção de Amado, há reflexões sobre clássicos, como ‘Capitães da Areia’ e ‘Tieta do Agreste’, além de obras menos conhecidas, como ‘Lenita’, sua primeira ficção, e diversas crônicas e biografias. Algumas dessas obras recebem mais de uma análise crítica, como o livro de memórias ‘Navegação de Cabotagem’ e o romance ‘Brandão entre o Mar e o Amor’, escrito em parceria com Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aníbal Machado e José Lins do Rego.

O Dicionário Crítico Jorge Amado foi elaborado com o apoio de diversas instituições e colaboradores, incluindo a Fundação Casa de Jorge Amado, que contribuiu com acesso a materiais, informações e contatos essenciais para a realização do projeto.

(Com Bruno Passos Cotrim/Libris)

Simões de Assis apresenta exposição com pinturas inéditas de Jorge Guinle

São Paulo, por Kleber Patricio

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle. Fotos: Erika Mayumi/cortesia Simões de Assis.

A Simões de Assis apresentará entre os dias 27 de março e 10 de maio uma exposição com pinturas inéditas de Jorge Guinle (1947–1987), em São Paulo. A mostra ‘Infinito’ apresenta um conjunto de 10 obras, sendo nove em grande formato, realizadas pelo artista durante sua temporada em Nova York entre 1985 e 1986. Pela primeira vez reunidas e trazidas ao Brasil, essas pinturas marcam um momento singular em sua trajetória, combinando maturidade artística com a densidade emocional que permeou seus últimos anos de vida.

No período em que produziu essas telas, Guinle participou da 17ª Bienal de São Paulo e realizou exposições individuais em importantes galerias. Paralelamente, enfrentava o impacto de um diagnóstico de doenças relacionadas à Aids, que levaria ao seu falecimento em 1987. As telas dessa fase nova-iorquina revelam um percurso intenso e visceral, no qual suas composições se tornam mais diluídas e translúcidas, sem perder a vibração gestual e cromática que caracterizou sua obra.

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

A exposição conta com texto assinado por Vanda Klabin, curadora, historiadora e amiga próxima do artista, que contextualiza a importância desse conjunto dentro da produção de Guinle. Reconhecido por sua abordagem singular dentro da pintura contemporânea brasileira, ele estabeleceu um diálogo intenso com as tendências internacionais da época, como o expressionismo abstrato e a pintura norte-americana do pós-guerra. Ao longo de sua curta, mas intensa carreira, Guinle foi um dos grandes incentivadores da revalorização da pintura nos anos 1980, sendo uma referência fundamental para a chamada Geração 80. Seu trabalho era marcado pelo gestual enérgico, pelo uso audacioso das cores e pela busca constante de uma harmonia dissonante, que se distanciava das vertentes conceituais predominantes na década anterior.

A série de pinturas, realizada no Kaufman’s Studio, em Nova York, permaneceu inédita até o momento, mesmo sendo considerada uma das mais significativas de sua carreira. As nove pinturas foram localizadas pela galeria Simões de Assis e trazidas para primeira exposição no Brasil, ao lado de outras obras produzidas entre 1985 e 1986; elas consolidam o estilo único do artista, que soube capturar tanto a energia do cenário artístico internacional quanto às especificidades do contexto brasileiro.

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

Jorge Guinle Filho nasceu em Nova York em 1947 e passou parte de sua vida entre o Brasil, Paris e Nova York. Autodidata, aprofundou seus estudos em pintura a partir do contato direto com grandes mestres do modernismo, como Henri Matisse, além de influências decisivas da action painting e da pop art. Sua produção, concentrada nos últimos sete anos de vida, revela um comprometimento absoluto com a pintura como experiência vital.

Com esta exposição, a Simões de Assis pretende trazer ao público obras fundamentais da arte moderna e contemporânea brasileira, promovendo a redescoberta de um dos grandes nomes da pintura do século XX.

Sobre Jorge Guinle

Jorge Guinle Filho (Nova York, EUA, 1947–1987) viveu entre o Rio de Janeiro e Paris durante o período de 1965 a 1977, fixando-se na cidade carioca em 1977. Nos anos seguintes, o clima de abertura política no país favoreceu as manifestaçõe

Jorge Guinle em seu ateliê. Foto: Cortesia de Marco Rodrigues e Simões de Assis.

s artísticas e Guinle retomou sua carreira em uma trajetória muito rápida: trabalhou por sete anos, nos quais produziu obras marcantes. Entre 1980 e 1982, realizou entrevistas para a revista Interview, de circulação nacional, com importantes artistas brasileiros, entre eles Hélio Oiticica, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Lygia Clark, Mira Schendel e Cildo Meireles.

Sua obra integra coleções importantes como Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey, México; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Coleção Gilberto Chateaubriand, Brasil; Museu Nacional de Belas Artes, Brasil; Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Brasil; Centro Cultural Cândido Mendes, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Brasil; Coleção Roberto Marinho, Brasil; Coleção José Olympio Pereira, Brasil; Coleção Hecilda e Sérgio Fadel, Brasil; Coleção Ronaldo Cezar Coelho, Brasil; Coleção Ricardo Akagawa, Brasil; e Coleção Orandi Momesso, Brasil.

Sobre Vanda Klabin

Vanda Mangia Klabin (Rio de Janeiro) é cientista social, historiadora e curadora de artes plásticas. Formada em Ciências Políticas e Sociais, graduou-se também em Educação Artística e História da Arte, com pós-graduação em História da Arte e Arquitetura pela PUC/Rio. Foi coordenadora adjunta do Curso de Especialização em História da Arte e de Arquitetura no Brasil, PUC-Rio, entre 1983 e 1990. Dirigiu o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, 1996-2000, onde realizou exposições de artistas brasileiros e estrangeiros. Foi coordenadora adjunta de Brasil + 500 Mostra do Redescobrimentos, na Bienal de São Paulo, 1999-2000, e curadora do módulo A vontade construtiva na arte brasileira – 1950/1960, integrante da exposição Art in Brazil, no Festival Europalia, Bozar, em Bruxelas, Bélgica (2011-2012). Participou regularmente de conselhos consultivos em instituições como o Paço Imperial, Dia Center for the Arts, ICOM, Museu da Chácara do Céu – Fundação Raymundo Castro Maya, Prêmio Pipa, entre outras. Atualmente, trabalha como consultora e curadora independente para museus, instituições e editoras.

Sobre a Simões de Assis

Sem Título, 1985-1986, Jorge Guinle.

Desde a sua abertura, em 1984, a Simões de Assis dirige o seu olhar para a arte moderna e contemporânea, especialmente para a produção latino-americana. Ao longo de quatro décadas de trabalho, a galeria se especializou na preservação e na difusão do espólio de importantes artistas como Abraham Palatnik, Carmelo Arden Quin, Cícero Dias, Emanoel Araujo, Ione Saldanha e Miguel Bakun, contando com a parceria de famílias e fundações responsáveis.

A partir do contato estreito com pesquisadores e curadores, a Simões de Assis conseguiu a articulação necessária para difundir e representar seus artistas no Brasil e no exterior. Ampliando o alcance no mercado de arte do Brasil, atualmente, a galeria tem três espaços: em São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC), estimulando trocas e debates, além de fomentar o talento e a carreira de seus artistas.

Serviço:

Infinito, exposição individual de Jorge Guinle

Período expositivo: 27 de março a 10 de maio de 2025

Local: Simões de Assis | Alameda Lorena, n° 2050 – térreo – Jardins – São Paulo/SP

Horário de visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h | sábados, das 10h às 15h

Entrada gratuita

@simoesdeassis_ | www.simoesdeassis.com.

(Com Patricia Marrese)