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Redes hoteleiras são pressionadas por políticas mais éticas

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação/Animal Equality Brasil.

Neste último mês, ativistas liderados pela Animal Equality, organização global de proteção animal, intensificaram suas campanhas junto a redes hoteleiras como Bourbon e Blue Tree, pedindo uma política para eliminar a compra de ovos de galinhas confinadas em gaiolas das redes.

Durante o evento Turistech Summit 2025, que reuniu representantes de mais de 30 empresas para discutir sustentabilidade, a Animal Equality, junto a voluntários, realizou uma ação de conscientização. Diante da presença de um representante da rede Bourbon, a organização questionou se a política de sustentabilidade da empresa inclui os animais e quando a rede assumirá o compromisso de banir a compra de ovos de galinhas confinadas em gaiolas.

Com relação à rede Blue Tree, a fundadora e CEO da rede, Chieko Aoki, foi questionada em um evento na Universidade de São Paulo (USP) sobre a viabilidade de adotar uma política para banir gaiolas da rede de suprimentos dos hotéis. Em sua resposta, Chieko Aoki reconheceu a crescente pressão da campanha no setor: “Essa é uma questão que está circulando em todas as redes hoteleiras, que está sendo discutida em fóruns de hotelaria. Todos receberam o recado de vocês”, disse.

Na ocasião, a Animal Equality entregou à executiva mais de 80 mil assinaturas da campanha Brasil Sem Gaiolas, que pede o fim do confinamento de galinhas em gaiolas no país. Isadora Lemes, gerente de campanhas da organização, destacou: “Durante o evento, a senhora Chieko Aoki afirmou que a indústria da hospitalidade é a indústria da paz. Está na hora de o Blue Tree mostrar que isso se estende à sua cadeia de fornecimento. A Animal Equality seguirá trabalhando para que as redes hoteleiras adotem políticas que reduzam o sofrimento dos animais e eliminem as gaiolas de sua cadeia de suprimentos.

Hóspedes questionam redes sobre origem dos ovos

Diversos hóspedes vêm manifestando suas preocupações sobre o tema. No site Reclame Aqui, há mais de 200 reclamações direcionadas às unidades das redes Bourbon Hospitalidade e Blue Tree questionando a falta de uma política cage-free. “Há duas semanas, recebi uma resposta do Blue Tree Hotels mencionando que estão ‘fiscalizando a [Editado pelo Reclame Aqui] de suprimentos’ e ‘avaliando a possibilidade de uma transição’ para ovos livres de gaiolas. No entanto, desde então, não houve qualquer atualização ou compromisso concreto sobre essa questão”, afirma uma das reclamações protocoladas no site.

Marina Andrade Araujo ilustra essa falta de transparência. Durante sua estadia em uma unidade do Blue Tree no interior de São Paulo, ela perguntou a funcionários sobre a política da rede em relação ao uso de ovos de galinhas confinadas em gaiolas, mas ninguém soube responder. “Fiquei surpresa ao perceber que ninguém na equipe conseguiu me informar sobre a origem dos ovos usados pelo hotel. Como consumidora, espero transparência e um compromisso claro com práticas mais éticas”, comentou Marina.

A demanda por maior compromisso ético das redes hoteleiras reflete uma mudança no perfil dos viajantes, que buscam hospedagens alinhadas aos seus valores. Segundo um relatório da Booking.com, 49% dos viajantes afirmam que acomodações com certificações sustentáveis são mais atraentes, reforçando a importância de políticas claras e responsáveis.

Problemas para os animais e riscos para a saúde pública

As galinhas confinadas em gaiolas vivem em espaços extremamente reduzidos que as impossibilitam de expressar comportamentos naturais, como esticar as asas e ciscar, gerando intenso sofrimento. De acordo com o Animal Welfare Footprint Project (AWFP), uma média de pelo menos 275 horas de dor incapacitante, 2.313 horas de dor intensa e 4.645 horas de dor incômoda são evitadas para cada galinha criada em um sistema livre de gaiolas.

Além disso, o estresse e a falta de mobilidade enfraquecem o sistema imunológico das aves, tornando-as mais vulneráveis a infecções, como por exemplo, a salmonelose. Para conter problemas de saúde nas aves, os produtores fazem uso excessivo de antibióticos, contribuindo para a resistência antimicrobiana, um problema de saúde global.

Grandes redes já assumiram compromisso

O setor hoteleiro já está se movendo nessa direção. Redes como Accor, Atlantica, Best Western, Choice, Club Med, Fasano, Unique, Hyatt, Intercity, InterContinental, Marriott, Minor, Palladium e Wyndham possuem políticas cage-free em suas operações no Brasil.

A Accor comprometeu-se a eliminar completamente os ovos de galinhas confinadas em gaiolas até 2025 em suas operações nas Américas. Hoje, 98% dos hotéis da rede nos Estados Unidos e Canadá já utilizam ovos de galinhas livres de gaiolas, assim como 87% na América Central e Caribe e 59% na América do Sul. A Fasano concluiu sua transição no fim de 2024, enquanto a Wyndham atingiu 70% de progresso global no último ano, com a meta de alcançar 100% cage-free até o final de 2025.

Essas iniciativas reforçam não apenas o compromisso com o bem-estar animal, mas também o alinhamento com a crescente preocupação dos consumidores. “A eliminação de ovos de gaiolas não é apenas uma mudança logística, mas um compromisso com a ética e a saúde pública. O setor hoteleiro não pode ignorar essa demanda”, afirma Julia Almeida, gerente de Relações Corporativas da Animal Equality.

(Com André Ferreira Lima/Animal Equality)

Maior consumo de alimentos ultraprocessados aumenta a chance de doenças crônicas em mulheres brasileiras

Brasil, por Kleber Patricio

Mulheres com refeições baseadas em alimentos naturais e minimamente processados tiveram 28% menor chance de apresentar obesidade. Foto: Bermix Studio/Unsplash.

Mulheres brasileiras que consomem mais alimentos ultraprocessados – como refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos de pacote – e menos alimentos in natura e minimamente processados – que são mais saudáveis – têm maior chance de apresentarem doenças crônicas e uma percepção negativa da própria saúde. É o que aponta um estudo publicado na sexta (11) na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde por pesquisadores das universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A pesquisa analisou dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, coletados entre 2018 e 2021. Foram entrevistadas 102.057 mulheres, nas capitais dos estados e no Distrito Federal, que responderam sobre seus hábitos alimentares e doenças crônicas. Os pesquisadores, então, avaliaram se a alimentação das respondentes seguia a Regra de Ouro do Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação do Ministério da Saúde define que os alimentos in natura ou minimamente processados – e as preparações culinárias feitas com esses alimentos – devem ser a base de todas as refeições, enquanto produtos ultraprocessados devem ser evitados.

As mulheres com alta adesão à Regra de Ouro do Guia – ou seja, que têm uma alimentação mais saudável – mostraram 28% menor chance de apresentar obesidade, 15% menor chance de apresentar hipertensão, 31% menor chance de apresentar depressão e 45% menor chance de uma autoavaliação negativa de saúde quando comparadas às mulheres com baixa adesão – e que possuem, portanto, uma alimentação com maior participação de ultraprocessados. Já as mulheres com adesão moderada à Regra de Ouro do Guia mostraram 14% menor chance de apresentar obesidade e 28% menor chance de relatar uma percepção negativa da própria saúde em comparação com as mulheres com baixa adesão.

O trabalho também identificou diferenças socioeconômicas e demográficas entre os perfis alimentares. O grupo com alimentação menos saudável é composto, majoritariamente, por mulheres com menos de 35 anos, com nove a 11 anos de escolaridade, que autodeclararam cor da pele preta ou parda e sem presença de companheiro. Por outro lado, a maior adesão Regra de Ouro do Guia foi verificada em mulheres acima de 50 anos, com nível superior de escolaridade e com companheiro.

Taciana Maia de Sousa, professora da UERJ e uma das autoras do trabalho, ressalta a importância de pesquisas que olhem para a alimentação das mulheres. “Apesar de as mulheres serem frequentemente associadas a comportamentos mais saudáveis, as disparidades socioeconômicas de gênero impactam negativamente a sua capacidade de acessar alimentos mais saudáveis devido aos menores níveis de renda dessa população”, complementa. Sousa acrescenta que essa desigualdade agrava o risco de insegurança alimentar em famílias chefiadas por mulheres – que, hoje, representam mais da metade dos lares brasileiros.

Entre 2017 e 2021, o Brasil presenciou aumento na prevalência combinada de obesidade, diabetes e hipertensão entre mulheres, de 5,5% para 9,6%. “A redução do consumo de refeições tradicionais, incluindo o feijão, está diretamente ligada ao menor consumo de refeições em casa e ao aumento na ingestão de ultraprocessados e de refeições prontas”, exemplifica a autora. Segundo Sousa, a tendência está relacionada a mudanças no estilo de vida, como o aumento da carga de trabalho. Ela também cita a crise econômica enfrentada pelo país na última década, bem como a crise climática, que, combinadas, refletem no aumento do preço dos alimentos saudáveis, reduzindo o acesso a esses itens.

A fim de minimizar a presença de doenças crônicas em mulheres brasileiras, a professora defende ações que incentivem a adesão a uma alimentação mais saudável. “Políticas fiscais que reduzam impostos sobre alimentos in natura e minimamente processados, ao mesmo tempo em que aumentem a tributação sobre ultraprocessados e promovam a segurança alimentar são essenciais”, sugere. Sousa também destaca a importância de medidas mais amplas. “É necessário investir na infraestrutura urbana e nas condições de transporte, por exemplo, pois o longo tempo de deslocamento nas cidades reduz o tempo disponível para planejar e preparar refeições, favorecendo o consumo de ultraprocessados”, conclui.

(Fonte: Agência Bori)

Vamos falar de cafés árabes?

Dubai, por Kleber Patricio

Fotos: Divulgação.

14 de abril é Dia Mundial do Café e, nos países árabes, essa bebida tem papel fundamental na cultura. O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e por isso não tem só um dia de comemoração, no Brasil o Dia Nacional do Café é celebrado em 24 de maio; já pelo mundo, há duas datas: o dia 14 de abril e o dia 1° de outubro.

A cultura do café árabe é marcada por hospitalidade e rituais sociais, sendo uma parte essencial da tradição do Oriente Médio. No Oriente Médio, nos países árabes e no norte da África, o café (Qahwa) foi muito usado para celebrar acordos de casamento, fechar contratos e encerrar rivalidades sangrentas. Às vezes, ele era até oferecido para selar a paz e encerrar disputas. Em determinadas partes do Oriente Médio, o café árabe é usado para dar boas-vindas. Reza a lenda que, quando alguém recusa um café ao entrar na casa de outra pessoa, é porque vai pedir algo muito importante, como perdão ou permissão. Quando o pedido é aceito, o café Qahwa é servido como comemoração.

Os cafés árabes têm uma longa tradição e são apreciados por seu preparo único e sabores intensos. Entre os mais conhecidos estão:

Café Turco – Preparado em um recipiente chamado cezve (ou ibrik), é moído finamente e cozido com água e, às vezes, açúcar, sem ser coado.

Qahwa Árabe – Tradicional na Península Arábica, é um café levemente torrado, frequentemente aromatizado com cardamomo, cravo e açafrão. É servido sem açúcar e acompanhado de tâmaras.

Café Libanês – Similar ao café turco, mas muitas vezes misturado com especiarias como cardamomo.

Café Egípcio – Preparado de maneira semelhante ao turco, mas pode ser adoçado durante o cozimento.

O café árabe é feito com grãos Arábica?

Geralmente sim, por uma questão geográfica. Grande parte do café árabe pode ser servido com um toque de cardamomo. Tradicionalmente, o café é torrado em casa e depois moído, preparado e servido para as visitas. Ele costuma ser acompanhado de frutos secos para aliviar o sabor amargo. Um jarro chamado ‘Dallah’ é usado para servir o café árabe, que é despejado em xícaras pequenas sem asas. A quantidade de café normalmente cobre apenas o fundo da caneca.

Como fazer café Qahwa

O café Qahwa é o mais popular na cultura árabe. Ele é feito com grãos de café verde e cardamomo. O Qahwa é tão importante para os valores tradicionais nos países árabes que é a bebida quente preferida em casamentos e outras celebrações. Ele também é consumido para quebrar o jejum durante o Ramadã.

Ingredientes para o café Qahwa

Grãos verdes de café levemente torrados com moagem grossa

Cardamomo triturado

Água

Fios de açafrão

Para fazer o verdadeiro café Qahwa, a água precisa ser fervida em uma panela. Adicione o café quando a água estiver fervendo. Depois que a água ferver por 10 minutos, adicione o cardamomo esmagado e mexa por cerca de 5 minutos. Desligue o fogo e cubra a panela para o pó do café se depositar no fundo. Aguarde por cerca de um minuto e não mexa. Agora adicione o açafrão. Filtre e despeje o café aquecido em uma caneca ou em um bule. Seu café Qahwa está pronto para ser servido.

Como pedir um café árabe

Se você está planejando uma viagem para o Oriente Médio, precisa saber pedir um café Qahwa. Estas são algumas formas de pedir seu café:

Qahwa Sada: café preto sem açúcar

Qahwa Ariha: café levemente adoçado

Ahwa Mazboot: café com uma quantidade média de açúcar

Qahwaziyada: café bastante doce.

Dubai é a escolha ideal para quem quer ter uma experiência cultural do café árabe. E com a Lygia Galvão Tours é possível conhecer e fazer uma imersão na tradição e hábitos de tomar café. Planejar passeios, reservar ingressos de restaurantes, shows, traslados, tudo organizado da melhor forma para aproveitar o máximo da viagem só com a Lygia Galvão Tours, que deixa sua experiência ser memorável no Oriente Médio. Para mais informações sobre passeios e dicas sobre turismo nos Emirados: Link.

(Com Juliana Ribeiro/Pronto Comunicação)

Médico lança obra filosófica ambientada em ala psiquiátrica

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

Os marginalizados pelo sistema são os protagonistas de ‘Errantes do Pensamento – O Segredo de Poggio: Uma rapsódia filosófica’. Os loucos, intelectuais incompreendidos, criativos e místicos tornam a obra do escritor A. A. A. Fernandes uma ficção que desafia a lógica binária do pensamento. Libertos das amarras de uma sociedade que tenta a todo custo padronizar seus integrantes, os personagens desconstroem certezas, celebram o delírio e ressaltam o poder do inconformismo no mundo.

No enredo, o neurocirurgião Urbano enfrenta uma crise existencial e é internado na ala psiquiátrica de um hospital. Após se tornar paciente, imerge em uma jornada introspectiva em busca de novos sentidos para a vida e de ressignificar conceitos pré-estabelecidos. Esse percurso filosófico se expande mais quando entra em contato com Poggio, um jovem internado na instituição com histórico espetacular e cujas experiências estão intimamente conectadas às leituras.

Além dos dois, outras figuras colaboram para a formação de um mosaico sobre a psique humana. Amigos de longa data de Urbano, J. e Asmin contrapõem a perspectiva de uma realidade racionalizada: o primeiro é um intelectual junguiano apaixonado pela união da ciência com a análise simbólica, já o segundo é um inteligente artista que se recusa a seguir o conhecimento acadêmico.

“Mas, olha, esse mundo é muito divertido mesmo, nossa! não sabemos nada, ou melhor, não percebemos as coisas, tudo está aí, dado, e nós ficamos a nos entreter com nós mesmos, por vezes com a cabeça enfiada em algum texto fatual, alguma notícia fátua, algum dispositivo a nos despertar, a nos fugir a atenção, e perdemos, perdemos a chance…” (Errantes do Pensamento – O Segredo de Poggio: Uma rapsódia filosófica, p. 235)

Compromissado com as temáticas da obra, o autor transmite as ideias também na estrutura da narrativa. Com narradores múltiplos, “não confiáveis” e instáveis, a obra alterna em diferentes pontos de vista entre os personagens e recorre a vozes oníricas. Ainda transita entre muitos gêneros, da carta ao poema, do romance ao ensaio, do relato clínico aos fragmentos textuais, com objetivo de retratar um fluxo de pensamento sem linearidade e um tempo não cronológico.

Ao atravessar filósofos como Gadamer, Lucrécio, Epicuro, Montaigne, Aristóteles, Nietzsche e Schelling, além de artistas como Fernanda Montenegro, Fernando Pessoa e Raul Seixas, A. A. A. Fernandes concebe um mundo onde é impossível desvincular a filosofia e a arte da essência da vida. Por meio de personagens múltiplos e reflexões profundas, ele transforma uma ala hospitalar em um protótipo de uma existência possível vinculada à ética e à sensibilidade.

FICHA TÉCNICA

Título: Errantes do Pensamento – O Segredo de Poggio

Subtítulo: Uma rapsódia filosófica

Autor: A. A. A. Fernandes

ISBN: 978-6554285988

Páginas: 534

Preço: R$ 130,59 (físico) | R$ 19,90 (e-book)

Onde comprar: Amazon.

Sobre o autor | Álvaro Fernandes é médico, cirurgião geral e vascular, com mais de três décadas de carreira. Apaixonado por literatura e filosofia desde os anos 1990, durante a faculdade, hoje cursa Filosofia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Como autor, assina com o nome A. A. A. Fernandes e publicou o livro Errantes do Pensamento – O Segredo de Poggio: Uma Rapsódia Filosófica. Obra é a primeira de uma trilogia que pretende explorar os conflitos internos do protagonista Urbano junto de temas como necropolítica, ética na medicina e outras discussões filosóficas.

Redes sociais do autor:

Instagram: @alvarofernandesescritor | Youtube: Jardineiros Noturnos (@parafernos).

(Com Maria Clara Menezes/LC Agência de Comunicação)

Osesp será residente no Festival Internacional de Música Clássica de Bogotá

Bogotá, por Kleber Patricio

Osesp e Polistchuk em Floresta Villa-Lobos. Foto: Laura Manfredini.

Na próxima semana, entre quinta-feira (17/abr) e sábado (19/abr), a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp se apresentará pela segunda vez na Colômbia, desta vez como residente do VII Festival Internacional de Música Clássica de Bogotá. Serão três dias de concertos no prestigiado Teatro Mayor Julio Mario Santo Domingo, localizado na parte norte da capital colombiana.

Esta edição do festival, que é bianual, celebra a identidade musical do continente americano sob o tema ‘Bogotá É América: Séculos XX e XXI’. Os repertórios apresentados pela Osesp irão do Sul ao Norte, com uma parada especial na miríade de obras brasileiras do programa Floresta Villa-Lobos. Com essa residência, a Osesp reafirma seu compromisso de fortalecer laços com o cenário musical latino-americano, valorizando nossa rica herança cultural e projetando a arte feita por aqui para além das fronteiras brasileiras.

Realizado entre 16 e 19/abr no Teatro Mayor Julio Mario Santo Domingo e em outros palcos de Bogotá, o VII Festival Internacional de Música Clássica de Bogotá terá em sua programação dezenas de orquestras, solistas e intérpretes de música clássica, de dentro e fora da Colômbia. Além da Osesp, grupos como o Attacca Quartet e o Third Coast Percussion e as orquestras Sinfônica Nacional Colombiana e Sinfônica Nacional Checa fazem parte da programação, sem contar os numerosos solistas convidados.

Osesp e Polistchuk em Floresta Villa-Lobos. Foto: Laura Manfredini.

A Osesp apresenta três programas distintos e em diálogo com o tema do evento, todos no Teatro Mayor: um com foco especial na música latino-americana, outro dedicado a compositores dos Estados Unidos e o celebrado Floresta Villa-Lobos, que reúne 70 minutos ininterruptos de obras brasileiras, acompanhadas por uma poderosa narrativa visual da fauna e da flora do Brasil. Confira os programas completos logo abaixo.

Segundo a organização do Festival, “a questão da música nas Américas surge de uma reflexão sobre identidade. Os programas apresentados neste evento abrangem desde as escolas nacionalistas, que se fortaleceram em diversos países da América Latina, até a música de compositores norte-americanos que se tornou imortal em grandes produções cinematográficas. Nomes como dos norte-americanos Aaron Copland, Leonard Bernstein, Samuel Barber e John Williams; dos mexicanos Silvestre Revueltas, María Grever e Gabriela Ortíz; dos brasileiros Heitor Villa-Lobos e Hekel Tavares; dos argentinos Alberto Ginastera e Astor Piazzolla; e dos colombianos Jaime León, Juan Antonio Cuéllar e Carolina Noguera, apenas para citar alguns, estarão presentes”.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp

Osesp e Thierry Fischer. Foto: Mario Daloia.

Desde seu primeiro concerto, em 1954, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. A cada ano, a Osesp realiza em média 130 concertos para cerca de 150 mil pessoas. Thierry Fischer tornou-se diretor musical e regente titular em 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, por Marin Alsop. Seus antecessores foram Yan Pascal Tortelier, John Neschling, Eleazar de Carvalho, Bruno Roccella e Souza Lima. Além da Orquestra, há um coro profissional, grupos de câmara, uma editora de partituras e uma vibrante plataforma educacional. A Osesp já realizou turnês em diversos estados do Brasil e também pela América Latina, Estados Unidos, Europa e China, apresentando-se em alguns dos mais importantes festivais da música clássica, como o BBC Proms, e em salas de concerto como o Concertgebouw de Amsterdam, a Philharmonie de Berlim e o Carnegie Hall em Nova York. Mantém, desde 2008, o projeto “Osesp Itinerante”, promovendo concertos, oficinas e cursos de apreciação musical pelo interior do estado de São Paulo. É administrada pela Fundação Osesp desde 2005.

Thierry Fischer regente

Desde 2020, Thierry Fischer é diretor musical da Osesp, cargo que também assumiu em setembro de 2022 na Orquestra Sinfônica de Castilla y León, na Espanha. De 2009 a junho de 2023, atuou como diretor artístico da Sinfônica de Utah, da qual se tornou diretor artístico emérito. Foi principal regente convidado da Filarmônica de Seul [2017-20] e regente titular (agora convidado honorário) da Filarmônica de Nagoya [2008-11]. Já regeu orquestras como a Royal Philharmonic, a Filarmônica de Londres, as Sinfônicas da BBC, de Boston e Cincinnatti e a Orchestre de la Suisse Romande. Também esteve à frente de grupos como a Orquestra de Câmara da Europa, a London Sinfonietta e o Ensemble intercontemporain. Thierry Fischer iniciou a carreira como Primeira Flauta em Hamburgo e na Ópera de Zurique. Gravou com a Sinfônica de Utah, pelo selo Hyperion, Des canyons aux étoiles [Dos cânions às estrelas], de Olivier Messiaen, selecionado pelo prêmio Gramophone 2023, na categoria orquestral. Na Temporada 2024, embarcou junto à Osesp para a turnê internacional em comemoração aos 70 anos da Orquestra.

Wagner Polistchuk regente

Wagner Polistchuk é trombone solista da Osesp, onde também atua como professor de trombone e regência de sua Academia de Música. Atual regente da Orquestra Experimental de Repertório, já esteve à frente da Sinfônica Municipal de São Paulo, da Filarmônica de Mendonza, na Argentina, da Sinfônica Nacional do Peru (OSN) e da Hermitage, na Suíça. Foi diretor artístico da tradicional Camerata Antiqua de Curitiba, entre 2009 e 2011, grupo com a qual gravou Versos Brasileiros [2007], e regente principal da Sinfônica da USP (OSUSP), de 2012 a 2014, à frente da qual lançou Carlos Gomes, Villa-Lobos, Omar Fontana, Guarnieri, Guerra-Peixe (Independente, 2013) e Pitombeira, Rachmaninoff e Strauss. Em 1998, obteve o 2º lugar no 5º Concurso Latino-Americano de Regência Orquestral da OSUSP. Em 2002, foi premiado no Concurso Internacional de Regência Prix Credit Suisse, na Suíça e no Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes.

Guido Sant’Anna violino

Osesp, Fischer e Guido Sant’Anna. Foto: Laura Manfredini.

Natural de São Paulo, o violinista fez sua primeira apresentação solo com orquestra aos sete anos de idade e no ano seguinte foi finalista do Concurso Prelúdio (TV Cultura). Em 2018, então com 12 anos, tornou-se o primeiro sul-americano a ser selecionado para a Menuhin Competition, em Genebra (Suíça), recebendo o Prêmio Música de Câmara e de Público, além do apoio da Caris Foundation, com o empréstimo de um violino de Vicenzo Iorio, de 1833. Integrou o Perlman Music Program (EUA) de 2019 a 2021, ano em que venceu o Concurso Jovens Solistas da Osesp. Venceu, em 2022, o 10º Concurso Internacional de Violino Fritz Kreisler (Viena), feito inédito para um brasileiro. Em 2023, iniciou contrato com a agência KD Schmid e recebeu bolsa integral para estudar na prestigiada Kronberg Academy, na Alemanha. Atualmente é bolsista do Cultura Artística e toca em um violino Jean Baptiste Vuillaume [1798-1875], gentilmente cedido pelo Luthier Marcel Richters, de Viena.

Marc-André Hamelin piano

Reconhecido mundialmente por sua fusão excepcional de musicalidade e virtuosismo técnico, Hamelin se apresenta regularmente com algumas das principais orquestras do mundo e em prestigiadas salas de concerto e festivais internacionais. Na temporada 2024-2025, faz recitais na China, na Coreia do Sul e no Japão. Na Europa, apresenta-se em cidades como Varsóvia, Copenhague, Toulouse, Florença, Budapeste, Hamburgo e Londres. No Brasil, retorna à Osesp para concerto e recital. Na América do Norte, Hamelin se apresenta no Carnegie Hall e colabora com orquestras como as de Cleveland, Montreal, Atlanta, Quebec, Ottawa e Edmonton. Participa de festivais como Schubertiade, Banff Center e Lanaudière. Artista exclusivo da Hyperion Records, lançou quase 90 álbuns, com repertórios solo, sinfônico e de câmara. Nascido em Montreal, Hamelin já recebeu diversas honrarias, incluindo Juno Awards e indicações ao Grammy. É Oficial da Ordem do Canadá, Chevalier da Ordem Nacional do Quebec e membro da Sociedade Real do Canadá.

PROGRAMAS

17 ABR QUI 11H30

AMÉRICA LATINA

OSESP

THIERRY FISCHER regente

GUIDO SANT’ANNA violino

Heitor VILLA-LOBOS | Sinfonia nº 6 — Sobre as linhas das montanhas

Hekel TAVARES | Concerto para violino e orquestra em formas brasileiras

Silvestre REVUELTAS | La noche de los mayas

18 ABR SEX 18H30

AMAZÔNIA

OSESP

CORO NACIONAL DA COLÔMBIA

WAGNER POLISTCHUK regente

BETTY GARCÉS soprano

Floresta Villa-Lobos [Concierto Amazónico]

Clarice ASSAD | Nhanderú

Heitor VILLA-LOBOS | Choros nº 3 — Pica-Pau

Edino KRIEGER | Canticum Naturale: Monólogo das Águas

Heitor VILLA-LOBOS | Choros nº 5 — Alma Brasileira

Almeida PRADO | Sinfonia dos Orixás: Seleção

Heitor VILLA-LOBOS | Floresta do Amazonas: Cair da Tarde

Marco Antônio GUIMARÃES | Onze

Philip GLASS | Águas da Amazônia: Seleção

Antônio Carlos JOBIM | Boto e Passarim

Heitor VILLA-LOBOS

Bachianas Brasileiras nº 4: Seleção

Choros nº 10 — Rasga o Coração: Excerto

19 ABR SÁB 20H30

AMÉRICA DO NORTE

OSESP

THIERRY FISCHER regente

MARC-ANDRÉ HAMELIN piano

Leonard BERNSTEIN | Sinfonia nº 2 – The age of anxiety [A era da ansiedade]

George GERSHWIN | Rhapsody in blue

Leonard BERNSTEIN | West Side Story: Danças sinfônicas

Serviço:

Osesp no VII Festival Internacional de Música Clássica de Bogotá

Datas:

17 de abril, quinta-feira, 11h30

18 de abril, sexta-feira, 18h30

19 de abril, sábado, 20h30

Endereço: Teatro Mayor Julio Mario Santo Domingo – Calle 170 #67-51, Bogotá, Colômbia

Capacidade: 1.303 lugares

Ingressos: De R$ 42,00 a R$ 170,00

Bilheteria: https://teatromayor.checkout.tuboleta.com/list/events

Mais informações nos sites oficiais do Festival e da Osesp.

A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.

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(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)