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Pinacoteca realiza exposição dedicada à produção de artistas indígenas

São Paulo, por Kleber Patricio

Pinacoteca de São Paulo – Exposição “Véxoa: Nós Sabemos” – Foto: Levi Fanan.

A Pinacoteca de São Paulo realiza, pela primeira vez, uma exposição dedicada à produção indígena contemporânea, com curadoria da pesquisadora indígena Naine Terena. Véxoa: Nós sabemos contará com a presença de 23 artistas/coletivos de diferentes regiões do país apresentando pinturas, esculturas, objetos, vídeos, fotografias e instalações, além de uma série de ativações realizadas por diversos grupos indígenas. Os trabalhos podem ser vistos pelo público no Edifício Luz.

A mostra é um marco da representatividade dentro da Pina: “A Pinacoteca de São Paulo se dedica às artes visuais brasileiras desde sua fundação, em 1905, mas somente em 2019 incorporou ao seu acervo obras de arte brasileira produzidas por artistas indígenas. Esta exposição é fruto de um diálogo ativo durante os últimos anos entre o museu e diversos atores da arte contemporânea de origem indígena brasileira, colocando em debate a história da arte que o museu pretende contar e as que permaneceram invisíveis”, afirma o diretor-geral do Museu, Jochen Volz. A exposição tem o patrocínio do Itaú.

No ano passado, por meio do Programa de Patronos de Arte Contemporânea da Pinacoteca de São Paulo, foram adquiridas obras feitas por artistas indígenas, fato inédito na história do museu: Feitiço para salvar a Raposa Serra do Sol, de Jaider Esbell e Voyeurs, Menu, Luto, Vitrine; O antropólogo moderno já nasceu antigo e Enfim, Civilização, de Denilson Baniwa. Os trabalhos fazem parte da nova exposição do acervo da instituição, que foi inaugurada também em 31 de outubro.

Exposição

Detalhe da exposição. Foto: divulgação.

Véxoa: Nós sabemos ocupa as três novas salas para exposições temporárias localizadas no segundo andar da Pina Luz, em diálogo com a nova apresentação das coleções do museu. A doutora em educação (PUC/SP), mestre em artes (UNB) e ativista Naine Terena se dedica a uma pesquisa de longa data que tem se aprofundado no último um ano e meio. “A grande intenção é fazer uma mostra que não tenha uma centralização no pensamento do curador ou da instituição, mas que considere profundamente o local de fala dos artistas, os anseios”, comenta.

Os trabalhos selecionados, obras históricas e contemporâneas de artistas individuais e, também, de coletivos, demonstram a pluralidade da produção de artistas indígenas. São pinturas, instalações, esculturas, objetos, vídeos e fotografias que desmistificam a produção artística indígena à condição de artefato ou artesanato. Em Véxoa, a organização expositiva dos trabalhos não é cronológica, pois leva em consideração as diferentes temporalidades da produção artística indígena, que se transforma no tempo e não é efêmera ou pontual. “Por isso as obras ocupam espaços dialógicos independente da sua estrutura, localidade de origem, artista ou outra classificação, como a etnográfica”, explica Naine.

A exposição reverencia a importância de figuras históricas, trazendo trabalhos inéditos de artistas já conhecidos e também abre espaços para novos, demonstrando também a forte atuação do cinema e da fotografia indígenas, além de amplificar iniciativas de comunicação existentes, como a Radio Yandê.

Fotografia de Edgar Correa Kanayrõ.

Destaque para as obras produzidas em diferentes suportes, da fotografia ao vídeo, passando pela cerâmica, o bordado e o uso de materiais naturais, entre outros, além da presença de obras de um dos grandes pensadores indígenas brasileiros, Ailton Krenak. No tocante às pinturas, o Coletivo Huni kui Mahku, do Acre, formado por artistas plásticos indígenas que realizam murais a partir da vivência de diferentes lugares, procurará transpor para suporte da tela as distintas dimensionalidades que a Pinacoteca e a exposição carregam.

O artista plástico Jaider Esbell, indígena da etnia Macuxi, traz os diálogos interativos na obra coletiva Árvore de todos os saberes, um painel de lona de 2 metros que, desde 2013, vem sendo realizado por povos indígenas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Estado Unidos e México. Além desta produção, ele apresenta mais quatro vídeos que discutem temas como o neoxamanismo e a mercantilização dos saberes dos povos originários, denuncia os ataques aos seus parentes indígenas Makuxi e demonstra a inserção de uma nova geração de indígenas no universo das tecnologias digitais para registrar as memórias e suas experiências nos dias de hoje.

Também já conhecido do público, Denilson Baniwa, nascido na aldeia Darí, da comunidade Baturité/Barreira, no Amazonas, apresenta duas obras: uma instalação com vestígios do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, numa referência à destruição da cultura material indígena ali preservada e realiza uma ação de plantio de flores, ervas medicinais e pimenteiras no “território” externo da Pinacoteca, que será transmitida por meio de câmeras de segurança para o interior do museu.

Olinda Muniz – Tupinambá. Foto: divulgação.

O ativismo feminino estará presente por meio da produção de Yakunã Tuxá, da etnia Tuxá na Bahia, que propõe uma reflexão sobre os desafios das mulheres, em especial as indígenas. As ilustrações abordam as suas ancestrais, a força, a beleza e os preconceitos vividos pela mulher indígena nas grandes cidades.

Na mostra também se destacam produções de “etnomídia indígena”, em que as ferramentas de mídia são utilizadas pelos próprios povos, gerando autonomia, representatividade e pluralidade dos discursos. Destacam-se Olinda Muniz Tupinambá (Tupinambá, Bahia), o Coletivo Ascuri (Mato Grosso do Sul), Anapuaká Tupinambá (Tupinambá, Bahia) e Edgar Correa Kanaykõ (Xakriabá, Minas Gerais).

A Ascuri (Associação Cultural dos Realizadores Indígenas), formada por jovens realizadores/produtores culturais que usam a linguagem cinematográfica, traz para a exposição as diferentes facetas vividas pelos povos Terena e Kaiowá, entre outros, propagando o “jeito de ser indígena” a partir de suas produções.

Foto: Levi Fanan.

Ainda no campo do vídeo, a diretora Olinda Muniz Tupinambá faz a estreia do filme Kaapora, uma produção que, segundo a diretora, é feita para seu povo e também para o público externo. Ela explica que o filme é uma forma de fortalecer a cosmovisão de sua comunidade, embora também se preocupe com o que o não índio irá entender sobre sua produção. Assim como Daiara Tukano, reconhecida ativista, apresenta uma série de pinturas, os Hori, que propõem um diálogo com a cosmovisão Tukano.

A primeira web rádio indígena do Brasil, a Rádio Yandê (Nós, em Tupi), também estará presente, representada por seu co-fundador, Anapuaká Tupinambá, realizando uma programação especialmente desenvolvida para a mostra.

Em muitos dos trabalhos, será nítida a relação entre arte e ativismo indígena, aspecto inerente às práticas desses artistas. É o caso das fotografias em preto e branco do artista Edgar Kanayrõ que retratam a dança, a pintura corporal e a luta do seu povo, os Xakriabá, pela demarcação e revisão dos limites de terra no município de Itacarambí, em Minas Gerais.

No campo das esculturas, a pataxó Tamikuã Txihi expõe Áxiná (exna), Apêtxiênã e Krokxí, que simbolizam os guardiões da memória. Em 2019, essas peças sofreram ataques motivados por racismos em relação aos povos indígenas durante a Mostra Regional M”BAI de Artes Plásticas, na cidade de Embu das Artes.

Olinda Muniz Tupinambá. Foto: divulgação.

A exposição também discute os estereótipos a respeito das artes indígenas, frequentemente associadas apenas a peças de artesanato. Para isso, os artistas Gustavo Caboco, Lucilene Wapichana, Juliana Kerexu, Camila Kamē Kanhgág, Dival da Silva e Ricardo Werá exibem objetos confeccionados por indígenas que usualmente não são considerados como tal, por carregarem símbolos e elementos que não são considerados pertencentes à cultura dos povos originários, erroneamente passam a ser desconsiderados como arte indígena.

Programação

Durante o período em que a exposição ficará em cartaz, a mostra também será composta de ativações e outras atividades. Jaider Esbell realizará uma ativação na exposição. As mulheres Terena, de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, irão entoar os seus cantos lúdicos e ritualísticos. A presença dos Praiá, materialização dos encantados do povo Pankararu (comunidade que reside na grande São Paulo), também está confirmada e é outra programação que ocorrerá no período, ampliando os repertórios, conceitos e olhares de todos os visitantes. As datas dessas ações serão divulgadas posteriormente.

OPY e o Prêmio Sotheby’s 2019

A exposição Véxoa: Nós sabemos faz parte de um projeto de pesquisa com o título OPY, que é uma colaboração entre três instituições distintas, a Pinacoteca, a Casa do Povo e a aldeia Tekoa Kalipety – um museu do Estado, um centro cultural independente e uma comunidade Guarani Mbya perto do bairro da Barragem no sul da capital. OPY levanta questões ainda maiores em torno do projeto: Se olharmos a história da arte do ponto de vista do que não existe? Através de uma exposição de artistas indígenas contemporâneos e uma série de performances e seminários promovendo ações fora dos limites físicos do museu e, ao criar atrito entre a coleção de museus e as práticas de arte indígena, este projeto visa destacar a ausência de arte indígena nas coleções de museus, abordar questões de preservação, transmissão de conhecimento e ensaiar um outro Brasil. OPY recebeu o Prêmio Sotheby’s 2019, um reconhecimento da excelência da proposta curatorial e, recebendo um apoio financeiro para facilitar a exposição, a programação pública e a pesquisa são desenvolvidas pela Tekoa Kalipety.

Serviço:

Véxoa: Nós sabemos

Abertura: 31 de outubro

Horário: 12h às 20h de quarta a segunda

Ingressos: apenas no site (www.pinacoteca.org.br)

Curadoria: Naine Terena

Endereço: Praça da Luz, 2, Luz – São Paulo/SP

Ingressos: gratuitos para todos; museu aberto de quarta a segunda, mas é necessário reservar no site da Pinacoteca (https://www.pinacoteca.org.br)

Patrocínio: Itaú

Importante: O ingresso é válido para visitar a exposição Véxoa: Nós Sabemos e a exposição Acervo. Ele não é válido para visitar as salas expositivas da exposição OSGEMEOS: Segredos, que tem ingresso exclusivo e que também deve ser adquirido/reservado no site.

O renascer de um ícone: revelado o novo LEGO® Technic™ McLaren Senna GTR

Brasil, por Kleber Patricio

Modelo é o primeiro supercarro da McLaren a ser recriado na forma LEGO Technic. Foto: divulgação.

Hoje um novo e interessante integrante acelerou as pistas e o mundo dos supercarros. Radical ao máximo, como o ícone da vida real que o inspirou, o novo LEGO® Technic™ McLaren Senna GTR é garantia de emoção para os amantes de carros esportivos e fãs do automobilismo que buscam seu próximo desafio. Combinando o poder e a sofisticação incomparáveis da McLaren com a precisão de design do Grupo LEGO, o modelo de 830 peças desse supercarro não deixa a desejar quando se trata de engenharia e estilo. O modelo é o primeiro supercarro da McLaren a ser recriado na forma LEGO Technic e foi projetado para oferecer, durante sua construção, muita emoção para pessoas a partir dos 10 anos.

O McLaren Senna GTR é um carro como nenhum outro e essa incrível réplica é repleta de elementos autênticos e detalhes de design que a tornam igualmente impressionante. Com motor V8 e pistões em movimento, belas curvas aerodinâmicas, portas diédricas e uma pintura azul exclusiva, este modelo de 32 cm de comprimento certamente fará o coração bater mais forte, seja quando for levado para dar uma volta ou quando for exposto para ser admirado depois de construído.

O LEGO Technic McLaren Senna GTR estará disponível no mundo todo a partir de 1º de janeiro de 2021 no site LEGO.com, nas lojas LEGO e em varejistas em todo o mundo e também na rede mundial de varejistas da McLaren, pelo preço recomendado de 49,99 dólares*. “Recriar um carro tão radical quanto o McLaren Senna GTR usando LEGO Technic foi um desafio incrivelmente interessante”, afirma Uwe Wabra, designer sênior do LEGO Technic. “Esse carro de corrida não é como um automóvel de rua com o qual já havia trabalhado anteriormente. Há alguns detalhes únicos, como a silhueta e o incrível spoiler traseiro, que fazem a experiência de construção ser muito diferente. Assim como os excepcionais engenheiros da McLaren fazem ao projetar seus supercarros, nós realmente fizemos o máximo para que esse modelo honrasse imensamente a forma de arte que o McLaren Senna GTR expressa.”

“A equipe responsável pelo design do McLaren Senna GTR trabalhou em estreita colaboração com os colegas de design do Grupo LEGO para capturar a aparência radical, a emoção e a essência de um supercarro tão incrível para os construtores da LEGO Technic”, comenta Robert Melville, diretor de design da McLaren Automotive. “Assim como o carro real, o modelo LEGO é repleto de incríveis detalhes, desde o spoiler traseiro até os pistões em movimento no motor V8 e as portas diédricas. Estamos tão orgulhosos do modelo quanto somos do carro real.”

O LEGO Technic McLaren Senna GTR é o modelo mais recente a ser lançado como parte da longa parceria com a McLaren Automotive, que teve início em 2015 e continuou até 2019, com o lançamento do conjunto McLaren Senna LEGO® Speed Champions. Construtores LEGO de todas as idades foram capazes de criar supercarros icônicos, como o McLaren P1™, o 720S de 2017 e o McLaren Senna de 2019. As duas marcas estão unidas em busca da excelência em engenharia e do design pioneiro que tornam modelos como esse tão divertidos de construir individualmente ou em família.

Sobre a McLaren Automotive

A McLaren Automotive é criadora de supercarros de luxo e alto desempenho. Cada veículo é montado manualmente no Centro de Produção McLaren (MPC) em Woking, Surrey, na Inglaterra. Fundada em 2010, a empresa compõe hoje a maior parte do Grupo McLaren. O portfólio da empresa com modelos GT, Supercar, Motorsport e Ultimate é vendido por meio de mais de 85 varejistas em 40 lugares ao redor do mundo.

A McLaren é pioneira em ultrapassar limites. Em 1981, lançou o chassis de fibra de carbono na Fórmula 1 com o McLaren MP4/1. Depois, em 1993, projetou e construiu o carro de rua McLaren F1 – a empresa só tem construído carros com chassi de fibra de carbono desde então. A McLaren foi a primeira a oferecer um hipercarro híbrido, o McLaren P1™, como parte da série Ultimate.

Em 2019, a McLaren lançou o 600LT Spider, bem como o novo GT, o Senna GTR de pista e revelou o 620R e o McLaren Elva.

Em 2020, a McLaren lançou o 765LT. Além disso, revelou a inovadora arquitetura fabricada no Centro de Tecnologia de Compósitos da McLaren. Avaliado em £50 milhões, o centro foi inaugurado na região de Sheffield, no norte da Inglaterra e apoiará a próxima década da McLaren.

Para promover o desenvolvimento, a engenharia e a fabricação de sua linha de carros esportivos e supercarros inovadores, a McLaren Automotive faz parceria com empresas líderes mundiais para garantir conhecimento especializado, tecnologias e soluções; entre elas, estão AkzoNobel, Ashurst, Dell Technologies, Pirelli, Richard Mille e Tumi.

Sobre o Grupo LEGO

A missão do Grupo LEGO é inspirar e desenvolver os construtores de amanhã por meio do poder de brincar. O LEGO System in Play, assente nos tijolos LEGO, permite às crianças construir e reconstruir tudo o que possam imaginar. O Grupo LEGO foi fundado em Billund, Dinamarca, em 1932, por Ole Kirk Kristiansen, derivando o seu nome da junção das palavras dinamarquesas LEg GOdt, que significam Brincar Bem. Hoje, o Grupo LEGO permanece uma companhia familiar sediada em Billund, sendo os famosos tijolos vendidos em mais de 130 países.

SESC Pinheiros apresenta exposição inédita sobre o bordado na arte

São Paulo, por Kleber Patricio

“Arpillera – Centro de detencion”, 1973-1989, Autora Desconhecida | CF: Cortesia Fondo Fundación Solidaridad. Colección Museo de la Memoria y los Derechos Humanos.

Obras de arte históricas e contemporâneas — em sua maioria, nacionais — que refletem sobre o lugar do bordado na arte dos séculos XX e XXI compõem a exposição inédita Transbordar: Transgressões do Bordado na Arte, em cartaz a partir de 26 de novembro no SESC Pinheiros. Com curadoria de Ana Paula Cavalcanti Simioni, a mostra reúne 39 artistas de diferentes gerações e pesquisas; nomes como Ana Bella Geiger, Bispo do Rosário, Karen Dolorez, Nazareno Rodrigues, Nazareth Pacheco, Rosana Paulino, Teresa Margolles e Zuzu Angel. Em comum, suas obras apresentam subversões dos sentidos tradicionalmente atribuídos a essa prática, tais como o de obras como sensíveis, delicadas e “femininas”.

O público poderá visitar a mostra gratuitamente de terça a sexta, das 13h às 20h e, aos sábados, das 10h às 14h, mediante agendamento prévio pelo portal SESCsp.org.br/pinheiros. O uso de máscara facial é obrigatório para todas as pessoas durante toda a visita.

‘Bai feliz buando, no bico dum passarinho nº 6’, 2012, Fábio Carvalho | CF: Cortesia do artista.

Historicamente, o bordado foi uma atividade muito semantizada e, tal como ocorreu com diversas outras práticas artísticas, como a tapeçaria, vitrais e mobiliário, foi relegado pelo circuito acadêmico que pulsava na Europa do século XVI à condição de uma “arte menor”, ao contrário do que ocorreu com a pintura e escultura, que foram, então, nobilitadas como “belas artes”.

A exposição discute a ideia do bordado como um ornamento tido como fútil ou pouco funcional por meio de obras que incitam a pensar sobre diversos tipos de violência — contra a população infanto-juvenil, violência de gênero, violência racial, violência manicomial, gordofobia e LGBTQIA — tão disseminados na sociedade contemporânea. Para a curadora Ana Paula Cavalcanti Simioni, “o bordado é uma prática artística carregada de significado. Frequentemente é associado a uma produção feminina, doméstica e artesanal. Essas associações, no entanto, não devem ser vistas como naturais e, sim, como fruto de uma história da arte e da cultura que se construiu a partir de divisões e hierarquias que, hoje, precisam e podem ser questionadas”.

Estruturada a partir de dois módulos — Artificando o Bordado e Transbordamentos — a exposição traz ao público mais de 100 obras. A disposição dos trabalhos no espaço expositivo é, simultaneamente, histórica e temática. São criações realizadas por artistas mulheres e homens que têm no bordado um meio expressivo e um contestador social.

‘Cabeças’, 2017, Jucélia da Silva | CF: Ana Pigosso.

Entre os destaques da mostra, há criações de Arpilleras, uma técnica chilena usada sobretudo por mulheres durante o período da ditadura como forma de denúncia e resistência. “O caráter intimista do bordado também é revolvido pelo sentido social que essas obras podem ter. Isso porque elas evocam tradições de um saber fazer coletivo, anônimo, que é aqui apropriado e transformado”, explica Simioni. “Essas memórias, individuais e de grupo, são costuradas ou, como bem define Rosana Paulino, suturadas. São obras que transbordam as hierarquias, os limites a que essa prática foi, historicamente, confinada. Em cada uma delas, o bordado demonstra sua potência de encantar e incomodar, seduzir e conscientizar”, finaliza a curadora.

Lista completa dos artistas que compõem a mostra

Aldo Bonadei, Anna Bella Geiger, Ana Miguel, AngelaOD, Arpilleras, Beth Moysés, Bispo do Rosário, Brígida Baltar, Caroline Valansi, Edith Derdyk, Fábio Carvalho, Fernando Marques Penteado, Janaina Barros, JeaneteMusatti, Jucélia da Silva, Karen Dolorez, Leonilson, Letícia Parente, Lia Menna Barreto, Nara Amélia, Nazareno Rodrigues, Nazareth Pacheco, Nino Cais, NiobeXandó, Paulo Lima Buenoz, Pedro Luis, Paola Fernandez, Regina Gomide Graz, Regina Vater, Rick Rodrigues, Rodrigo Lopes, Rodrigo Mogiz, Rosana Palazyan, Rosana Paulino, Rosângela Rennó, Sol Casal, Sonia Gomes, Teresa Margolles e Zuzu Angel.

Sobre a curadora

Ana Paula Cavalcanti Simioni é professora no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. É também orientadora credenciada junto ao programa Culturas e Identidades Brasileiras (IEB-USP) e Interunidades em Estética e História da Arte (MAC-USP). Desde 2000, dedica-se ao estudo das relações entre arte e gênero no Brasil, destacando entre suas publicações Profissão artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras, 1884-1922, EDUSP/FAPESP, 2008/2019. Foi também curadora da exposição Mulheres artistas: as pioneiras (1880-1930), com Elaine Dias, na Pinacoteca Artística do Estado de São Paulo, em 2015.

Orientações de segurança para visitantes

O SESC São Paulo retoma, de maneira gradual e somente através da reserva de horário e ingresso virtual, a visitação gratuita e presencial a exposições em suas unidades na capital, na Grande São Paulo, no interior e no litoral. Para tanto, foram estabelecidos protocolos de atendimento em acordo com as recomendações de segurança do governo estadual e da prefeitura municipal.

Para diminuição do risco de contágio e propagação do novo coronavírus, conforme as orientações do poder público, foram estabelecidos rígidos processos de higienização dos ambientes e adotados suportes com álcool em gel nas entradas e saídas dos espaços. A capacidade de atendimento das exposições foi reduzida para até 5 pessoas para cada 100 m², com uma distância mínima de 2 metros entre os visitantes e sinalizações com orientações de segurança foram distribuídas pelo local.

A entrada na unidade será permitida apenas após confirmação do agendamento feito no portal do SESC São Paulo. A utilização de máscara cobrindo boca e nariz durante toda a visita, assim como a medição de temperatura dos visitantes na entrada da unidade, serão obrigatórias. Não será permitida a entrada de acompanhantes sem agendamento. Seguindo os protocolos das autoridades sanitárias, os fraldários das unidades seguem fechados nesse momento e, portanto, indisponíveis aos visitantes.

Serviço:

Transbordar: Transgressões do Bordado na Arte

SESC Pinheiros

Curadoria: Ana Paula Cavalcanti Simioni

Período expositivo: 26 de novembro de 2020 a 8 de maio de 2021

Funcionamento: terça a sexta, das 13h às 20h. Sábado, das 10h às 14h.

Reserva de horário: www.SESCsp.org.br/pinheiros

Classificação indicativa: Livre

Grátis – limite de 4 ingressos por CPF

SESC Pinheiros – Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo/SP

Saiba +: SESC Digital

Acompanhe o SESC Pinheiros nas redes sociais:

Facebook, YouTube, Twitter e Instagram/@SESCspinheiros.

MAM SP projeta obras de seu acervo em Heliópolis e Cidade Tiradentes

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra de Heitor dos Prazeres. Fotos: divulgação.

Com o objetivo de expandir seu espaço físico e atingir públicos diversos, o MAM na Cidade, projeto do Museu de Arte Moderna de São Paulo, ganha segunda edição e será realizado nos dias 20 e 27 de novembro, respectivamente, nas zonas sul e leste de São Paulo. Com recorte baseado na Consciência Negra, obras de artistas negros e negras como Antônio Obá, Mariana de Matos, Mestre Didi e Rosana Paulino serão projetadas em escala monumental na fachada do Instituto Baccarelli, no bairro de Cidade Nova Heliópolis e no Centro Cultural Arte em Construção, no bairro de Cidade Tiradentes. A ação é fruto da parceria entre o MAM, a agência Africa, a plataforma Projeto Afro e os projetos Inspirar-te e ali – Arte Livre Itinerante.

Segundo o curador do Museu, Cauê Alves, “Entre os objetivos do projeto MAM na Cidade está a vontade do Museu de se aproximar da vida e do cotidiano das pessoas. Mais do que uma exposição de projeções monumentais, trata-se de um convite para que o cidadão se aproxime do acervo do MAM e conheça o trabalho de artistas fundamentais para a nossa história, além de poder participar dos inúmeros programas e atividades educativas que realizamos. É a postura de um Museu que se abre para toda a cidade; um esforço de irmos para além do Parque Ibirapuera e chegarmos em locais em que tradicionalmente os museus não estão presentes”.

Esta etapa do MAM na Cidade tem curadoria de Deri Andrade, pesquisador e jornalista alagoano radicado em São Paulo que integra a equipe de comunicação do Museu e, também, fundador do Projeto Afro, uma plataforma de mapeamento e difusão de artistas afrodescendentes. Seu projeto curatorial foi pensado a partir da realização da mostra histórica A Mão Afro-brasileira, exibida em 1988 no MAM São Paulo com curadoria de Emanoel Araújo.

Ao todo, serão projetadas sete obras do acervo MAM São Paulo, além de um dos cartazes de A Mão Afro-Brasileira e um trabalho em vídeo de Mariana de Matos que integrou a 36ª edição do Panorama da Arte Brasileira: Sertão no MAM. “O Museu de Arte Moderna de São Paulo possui um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea do país. Realizar um recorte como este, com obras de artistas negros e negras de diversas narrativas e contextos, que extrapola os espaços físicos do MAM, é uma forma de levar essa produção artística para o conhecimento de ainda mais pessoas e também apresentar a diversidade da arte de autoria negra presente no acervo do Museu”, explica Deri Andrade.

Na estreia da ação, não ao acaso em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a projeção em Heliópolis será acompanhada por uma apresentação musical ao ar livre de quinteto de alunos da Orquestra Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli. A realização do evento segue as orientações dos órgãos de saúde pública, com medidas de distanciamento e uso de máscara facial para evitar o contágio ou disseminação do Covid-19.

Edilson Ventureli, maestro e diretor executivo do instituto, contextualiza: “Há 24 anos o Instituto Baccarelli tem quebrado barreiras sociais levando seus alunos para se apresentar nos principais palcos da cidade e, também, a frequentar diferentes espaços culturais de forma a ampliar sua formação artística e intelectual. Então, nos deixa muito felizes quando o oposto acontece e uma atração cultural vem até Heliópolis, até a periferia, cumprindo o mesmo propósito de inclusão, de democratização da cultura”.

De forma a transcender a efemeridade das projeções e ampliar o debate, aproximando ainda mais as obras das comunidades Heliópolis e Cidade Tiradentes, o Inspirar-te (https://www.inspirar-te.com/) produziu, em colaboração com o MAM, um vídeo educativo de Experiências Poéticas que propõe questões disparadoras e reflexões acerca das obras e seus contextos. Assim, o Inspirar-te se torna uma ponte ao possibilitar outras formas de mediação cultural para jovens, crianças e público em geral, além de toda comunidade e sociedade – interessados em debater, conhecer e aprender mais sobre arte. O vídeo será lançado na semana de realização do projeto nas redes sociais do Museu, no perfil do @projetoinspirarte e dos outros parceiros da iniciativa. O Inspirar-te acredita na aproximação de conteúdo e experiência de forma acessível e enriquecedora às crianças e adultos para se aproximarem do universo artístico de forma leve e divertida.

Ao longo de novembro, o Educativo do MAM São Paulo também traz ao público atividades educativas online e presenciais pensadas a partir do protagonismo negro de artistas, curadores, educadores e pesquisadores. A programação, que inclui diversas experiências de saberes pedagógicos e artísticos para todas as idades, pode ser conferida no site do Museu: https://mam.org.br.

Sobre o MAM São Paulo

Foto: website do MAM SP.

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público e sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e à diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O Museu mantém uma ampla grade de atividades, que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de áudio-guias, vídeo-guias e tradução para a língua brasileira de sinais. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

https://mam.org.br/

www.instagram.com/MAMoficial

www.twitter.com/MAMoficial

www.facebook.com/MAMoficial

www.youtube.com/MAMoficial.

Sobre Inspirar-te

https://www.inspirar-te.com/

@projetoinspirarte

Criado há cinco anos, o Inspirar-te é uma associação sem fins lucrativos que surgiu com o intuito de fazer da arte um caminho possível tanto para crianças de escolas particulares como para crianças em situação de vulnerabilidade social da comunidade de Heliópolis. Atua promovendo o acesso à arte ainda na infância como forma de incentivar a criatividade e o pensamento crítico, além de transformações social por meio de uma relação um para um: cada experiência vendida doa a mesma para uma criança em vulnerabilidade. Conectando arte e educação, o projeto promove visitas a exposições e instituições de arte e tem todo o lucro revertido para projetos sociais artísticos do Instituto Baccarelli, que há 23 anos atua em Heliópolis. Ao longo de sua trajetória, já impactou a vida de mais de 13 mil crianças.

Polo Shopping Indaiatuba recebe roda-gigante de 22 metros de altura

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Uma roda-gigante com 22 metros de altura, batizada como Roda Encantada, está sediada no Polo Shopping Indaiatuba, em curta temporada, prometendo muita diversão e belas imagens para toda a família. A abertura da roda-gigante para o público acontece nesta quinta-feira, dia 19, às 16h.

A Roda Encantada possui 16 cabines, com capacidade para quatro pessoas cada, o que permite que até 64 clientes participem da atração ao mesmo tempo. Um dos diferenciais do modelo é a cabine acessível para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Com fabricação italiana, a roda-gigante tem um modelo compacto, que permite que ela seja transportada em único semirreboque, com montagem rápida em diferentes locais. Por ter tamanha mobilidade, a estrutura já esteve presente em grandes eventos nacionais, como Lollapalloza, Planeta Atlântida, Oktoberfest e Expoflora, entre outros, além de vários shoppings de grande porte por todo o país.

A iluminação de led programável é um dos grandes atrativos do projeto. Além dos aros de sustentação iluminados, todas as cabines possuem iluminação interna, que muda de cor conforme a programação escolhida. Além disso, a altura de 22 metros permite uma vista panorâmica do entorno do shopping e da cidade, criando um cenário perfeito para fotos. A Roda Encantada está localizada numa área nobre do estacionamento do Polo Shopping, em frente ao restaurante Madero e ao lado de um grande jardim natural. A estrutura será visível para quem estiver circulando pela Rodovia Santos Dumont.

Iluminação de LED permite diferentes efeitos visuais na roda-gigante.

Para garantir a segurança de clientes e funcionários, diversas medidas de prevenção ao novo coronavírus serão adotadas na área da roda-gigante, como disponibilização de dispensers de álcool em gel na bilheteria e no acesso às cabines, uso obrigatório de máscara por parte dos clientes e funcionários durante toda a permanência no evento, ocupação das cabines apenas por pessoas da mesma família ou convívio direto e higienização de todas as cabines após cada uso, antes da utilização por outro grupo de clientes.

O passeio na Roda Encantada engloba cinco voltas, sendo quatro contínuas e a última com interrupções. O ingresso terá valores diferenciados de acordo com o dia da semana: de segunda a quinta-feira, o valor será de R$15 por pessoa. Já a sextas, sábados, domingos e feriados, o valor será de R$ 20 por pessoa. Crianças até 3 anos acompanhadas de um adulto responsável pagante terão acesso gratuito à Roda Encantada, sendo o limite de uma criança de até três anos por adulto pagante. “Sempre trouxemos atrações inéditas para Indaiatuba e região e estamos muito felizes com a Roda Encantada, que chega para o Natal, época em que recebemos muitas famílias. Pela qualidade do equipamento e da experiência, com todas as medidas de prevenção necessárias para o momento, acreditamos que o evento será uma diversão segura e inesquecível”, afirma Andréa Fernandes, gerente de marketing do shopping.

Serviço:

Roda Encantada

Inauguração: quinta-feira (19/11), 16h.

Horários: segunda a sexta-feira, de 15h às 22h; sábados, domingos e feriados de 14h às 22h.

Ingressos: R$15 por pessoa de segunda a quinta-feira e R$20 por pessoa nas sextas, sábados, domingos e feriados (crianças até 3 anos acompanhadas de um adulto responsável pagante terão acesso gratuito, sendo o limite de uma criança de até 3 anos por cada adulto pagante).

Local: estacionamento do Polo Shopping Indaiatuba (Alameda Filtros Mann, 670 – Jardim Tropical – Indaiatuba/SP).