Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Artigo: “O duplo preconceito vivenciado por idosos negros, gays, índios e PcD”, por Layla Vallias

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem de Abir Roy por Pixabay.

Há um contingente de brasileiros que, ao longo da vida, são discriminados por serem pessoas com deficiência (PcD), negros, gays ou indígenas. Ao passarem dos sessenta anos, uma nova violência é acrescida a esse cotidiano brutal: passam a sofrer preconceito por terem chegado à maturidade. Ao contrário de uma conquista, ser idoso se torna instrumento de uma dupla discriminação. Longe de ser uma mazela exclusiva do Brasil, o ageísmo – somado ao capacitismo, sexismo e racismo – é um fenômeno social pouco discutido no mundo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, embora representem 48% da população idosa brasileira, os negros são tratados como cidadãos de segunda categoria; fazem parte de uma parcela populacional ignorada, inclusive, pelos serviços de saúde. Na análise de Alexandre da Silva, doutor em saúde pública e gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), chegar ao envelhecimento no país sendo negro é uma conquista. Os serviços de saúde não estão preparados para atender esse grupo. Doenças evitáveis e tratáveis matam poucos idosos brancos; do outro lado, pretos e pardos morrem mais cedo por essas mesmas condições. Na prática, alguns remédios têm determinado efeito nos brancos, mas não funcionam tão bem para pessoas negras. “Óbvio que essa especificidade não está sendo levada em consideração”, alerta Silva. “Para dimensionar o peso numérico do problema, ressalto que mais de 3 milhões de pessoas maduras são pretas e 12,5 milhões dos nossos idosos são pardos.”

Em paralelo, a população LGBTQIA+ – que já soma 3,1 milhões de brasileiros 60+ – vivencia a volta para o armário – sim, eles têm que esconder que são gays. Depois de lutarem arduamente por direitos e serem aceitos na sociedade, ao envelhecer, esses indivíduos precisam se calar, pois há residenciais que não os aceitam, famílias que os abandonam e serviços públicos que não os entendem. O silêncio sobre a própria identidade é uma condição para serem aceitos e terem uma velhice minimamente digna.

Layla Vallias, especialista em Economia Prateada e fundadora da Hype50+. Foto: divulgação.

É alarmante ver que o preconceito etário só aumenta. Para Mirian Goldenberg, antropóloga que estuda o envelhecimento há mais de 20 anos no Brasil, a pandemia da Covid-19 evidenciou a violência etária, já que colocou um holofote sobre os idosos – que passaram a ser considerados como um grupo de risco do coronavírus. Os discursos “velhofóbicos” têm se generalizado nas manchetes dos jornais, nos memes do WhatsApp e discursos de famosos.  O surto de ageísmo durante a pandemia acentua a divisão entre jovens e velhos à medida que os com menos idade colocam a culpa nos maduros pela oneração dos planos de saúde e pela falta de recursos para o atendimento e tratamento aos mais novos.

A tensão gerada pelo preconceito, que já existia antes da pandemia, tem um impacto extremamente negativo na saúde mental dos maduros. Dados compilados na Pesquisa dos Valores Mundiais – realizada pela Organização Mundial de Saúde, em 2018, com 83 mil pessoas em 57 países – apontam que 6 em cada 10 pessoas têm opiniões negativas em relação à velhice. Ou seja, os mais velhos são frequentemente considerados menos competentes e capazes que os mais jovens; há uma clara associação dos longevos a um fardo para a sociedade e para as famílias. Poucos são os indivíduos que valorizam os idosos por sua sabedoria e experiência.

Como sociedade e diante do telhado branco do mundo, temos que discutir claramente o preconceito duplo e absurdo; devemos escrever e pesquisar sobre os estigmas e tabus associados ao envelhecimento. O ageísmo compreende, também, o pânico de envelhecer – algo que está extremamente arraigado na cultura brasileira e que faz com que os próprios maduros sejam preconceituosos em relação à velhice. Quando o etarismo é internalizado e normatizado pelos próprios maduros, esses passam a aceitar como natural serem tratados de forma desrespeitosa, paternalista, compassiva ou falsamente positiva. Eles aceitam o tratamento recebido pelas leis, instituições sociais, serviços públicos e privados, meios simbólicos e redes sociais. Está na hora de darmos um basta e construirmos, juntos, uma nova narrativa para o envelhecer. Afinal, se tudo der certo, todos chegaremos à maturidade.

Layla Vallias | eleita, em 2020, pela Forbes Under 30 como uma das jovens brasileiras mais influentes com menos de 30 anos, é cofundadora do Hype50+, consultoria de marketing especializada no consumidor sênior e da Janno – startup agetech que tem como missão apoiar brasileiros 50+ em seu novo plano de vida. Foi coordenadora do Tsunami60+, maior estudo sobre Economia Prateada e Raio-X do público maduro no Brasil e diretora do Aging2.0 São Paulo, organização de apoio a empreendedores com soluções para o envelhecimento em mais de 20 países. Mercadóloga de formação, com especialização em marketing digital pela Universidade de Nova York, trabalhou com desenvolvimento de produto na Endeavor Brasil.

Museu Republicano realizará webnário sobre Hercule Florence, pioneiro da fotografia no Brasil

Itu, por Kleber Patricio

Crédito da foto: Museu Paulista/USP.

O Museu Republicano de Itu, em parceria com o Instituto Hercule Florence (IHF), promove webnário sobre a contribuição das obras de Hercule Florence (1804-1879) aos projetos expositivos concebidos por Afonso d’Escragnolle Taunay no Museu do Ipiranga e no Museu Republicano de Itu ao longo da primeira metade do século 20. O curso é parte das homenagens ao aniversário de Itu, comemorado em 2 de fevereiro e será realizado no dia 25 de fevereiro, das 19h às 21h. As inscrições gratuitas podem ser realizadas até 24 de fevereiro pelo site Webnário: Hercule Florence, a produção de imagens e as exposições do Museu do Ipiranga e do Museu Republicano de Itu (Google.com).

O seminário virtual Hercule Florence, a produção de imagens e as exposições do Museu do Ipiranga e do Museu Republicano de Itu contará com as palestras da Profa. Dra. Maria Aparecida de Menezes Borrego, docente do Museu Paulista e supervisora técnico-científica do Museu Republicano, da Profa. Dra. Ana Paula Nascimento, pesquisadora colaboradora do Museu Paulista da USP e Iara Lis Franco Schiavinatto, Profa. associada do Instituto de Artes da Unicamp. A mediação ficará por conta de Francis Melvin Lee, superintendente do IHF.

Imagem: Silvana Tinelli Gastronomia, Cultura e Arte.

Hercule Florence | Inventor e desenhista, reconhecido como o responsável pelo nascimento da fotografia no Brasil, Hercule Florence nasceu em Nice, na França e veio para o Brasil em 1824. Em Campinas, no interior de São Paulo, morou por cerca de 50 anos.

Foi durante uma expedição iniciada em setembro de 1825, passando por estados como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Pará, que Florence realizou uma série de desenhos e aquarelas retratando a fauna, a flora, a paisagem e a população dos locais visitados – essas imagens constituem a única documentação completa dessa viagem.

História do Museu Republicano | O Museu Republicano “Convenção de Itu” foi inaugurado pelo presidente do Estado de São Paulo, Washington Luis Pereira de Sousa, a 18 de abril de 1923 e, desde então, subordinou-se administrativamente ao Museu Paulista que, em 1934, tornou-se Instituto complementar da recém-criada Universidade de São Paulo e a ela se integrou em 1963.

É uma instituição científica, cultural e educacional, especializada no campo da História e da Cultura Material da sociedade brasileira com ênfase no período entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, tendo como núcleo central de estudos o período de configuração do regime republicano no Brasil.

Encontra-se instalado em sobrado histórico em Itu erguido nas décadas iniciais do século XIX e que se tornou residência da família Almeida Prado. Foi nesse local que se realizou, em 18 de abril de 1873, uma reunião de políticos e proprietários de fazendas de café para discutir as circunstâncias do país e que, posteriormente, se transformou na famosa Convenção Republicana de Itu, marco originário da campanha republicana e da fundação do Partido Republicano Paulista.

Serviço:

– Webnário Hercule Florence, a produção de imagens e as exposições do Museu do Ipiranga e do Museu Republicano de Itu

– Dia 25 de fevereiro, das 19h às 21h

– Inscrições: Webnário: Hercule Florence, a produção de imagens e as exposições do Museu do Ipiranga e do Museu Republicano de Itu (Google.com)

Os participantes inscritos receberão certificado após o encerramento do evento.

Tour Virtual – Enquanto estiver fechado devido à pandemia, o público pode visitar o Museu Republicano e conferir suas exposições de forma online. Lançado em novembro, o tour pode ser realizado por meio do link https://vila360.com.br/tour/mrciusp.html. A plataforma oferece recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva, recursos de audiodescrição e também descrição do conteúdo em espanhol e inglês.

Quatro alimentos que ajudam a controlar a ansiedade

Brasil, por Kleber Patricio

A chia é rica em ferro, aminoácidos e vitamina B, essenciais para o bom funcionamento da saúde cerebral. Também são fonte de fibras e ômega-3, que ajudam a diminuir os sintomas da ansiedade. Foto: divulgação.

Medo, apetite desregulado, alteração de sono, tensão muscular e preocupações em excesso são exemplos de sintomas que podem estar relacionados a transtornos de ansiedade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil já era o país mais ansioso do mundo antes da pandemia, com cerca de 8,6 milhões de pessoas que sofrem com a doença. Contudo, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), após o início da pandemia, aproximadamente 80% da população brasileira se tornou mais ansiosa, enquanto em outros países a média é de 30%.

Segundo a engenheira de alimentos Erika de Almeida, a alimentação balanceada é uma alternativa para ajudar a diminuir e controlar a ansiedade. “Magnésio, cálcio e triptofano são exemplos de nutrientes que aumentam a produção de serotonina, conhecida como o hormônio da felicidade. Outros nutrientes como ômega-3 e selênio, por exemplo, contribuem para um melhor funcionamento do organismo, ajudando a melhorar os sintomas da ansiedade. Alimentos saudáveis podem ser uma grandes aliados neste cenário”, explica a analista de Pesquisa e Desenvolvimento da Jasmine Alimentos, empresa especializada em alimentos saudáveis.

Confira cinco alimentos que ajudam a controlar a ansiedade:

Castanha-do-Pará | Rica em selênio, a castanha-do-Pará contribui para reduzir inflamações, que são comuns em pessoas que sofrem com transtornos de humor. Outro benefício das castanhas é a vitamina E, com propriedades antioxidantes que ajudam a prevenir danos celulares e são benéficas no controle da ansiedade. Além de serem consumidas in natura, as castanhas-do-Pará podem ser encontradas em cookies e granolas, por exemplo.

Banana | Com alto teor de triptofano, a banana é uma importante aliada na produção de serotonina, que ajuda no alívio da depressão e dos sintomas da ansiedade. A fruta também é rica em potássio, nutriente que também pode ajudar a reduzir os sintomas de estresse e ansiedade.

Chia | A chia é rica em ferro, aminoácidos e vitamina B, essenciais para o bom funcionamento da saúde cerebral. Também é fonte de fibras e ômega-3, que ajudam a diminuir os sintomas da ansiedade. Ela pode ser consumida em grãos, como farinha, ou na composição de receitas como biscoitos, bolos e pães.

Frutas cítricas | A vitamina C, presente nas frutas cítricas, diminui a secreção de cortisol e promove o bom funcionamento do sistema nervoso. O hormônio costuma ser liberado em resposta ao estresse e à ansiedade, transmitindo para todo o corpo. A ingestão de frutas cítricas também está relacionada com o aumento da imunidade.

OSM promove concertos abertos ao público e transmitidos ao vivo com obras dos séculos XIX e XX

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Rafael Salvador.

A Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSM) retorna ao palco essa semana para mais dois concertos abertos ao público e com transmissão pela internet. Em formação menor de músicos no palco, as apresentações ocorrem nesta quinta (4/2) e sexta-feira (5/2), às 18h. Os ingressos custam R$40,00 e R$20,00 (meia), mas quem estiver em casa também pode acompanhar ao vivo, de graça, pelo canal do Theatro Municipal no YouTube: www.youtube.com/theatromunicipalsp — e, o que é melhor, o conteúdo fica disponível on demand para acesso posterior a qualquer hora e sem necessidade de cadastro.

Na quinta-feira, 4 de fevereiro, sob a regência de Alessandro Sangiorgi, maestro assistente da OSM, o repertório revisita o final do século 19 e a primeira metade do século 20. Do compositor tcheco Antonin Dvorák, o grupo em versão camerística interpreta Serenata para Sopros em Ré menor Op. 44, uma instrumentação base para oboés, clarinetes, fagotes, contrafagote, trompas, violoncelo e contrabaixo. Na sequência, tem a obra concertante Aubade para Piano e Ensemble, do francês Francis Poulenc e, fechando o programa, uma versão para quinteto de sopros do Concerto para Tuba e Orquestra do compositor inglês Ralph Vaughan-Williams. O concerto conta com a participação dos solistas Cecilia Moita (piano) e Ricardo Serralheiro (tuba).

A Serenata de Dvorák chama atenção pelos toques irônicos presentes na partitura, começando pela marcha inicial, passando pelo segundo movimento, uma caricatura da dança aristocrática do século 18 evocada nas danças folclóricas tchecas. Já a obra de Poulenc foi concebida inicialmente como um balé, mas frequentemente é tocada como um concerto para piano e 18 instrumentos, versão esta que a OSM irá apresentar. Para fechar, tem o quinteto de sopros em leitura da peça original, Concerto para Tuba e Orquestra, de Vaughan-Williams, em execução apenas para o público presente na plateia do Theatro Municipal de São Paulo — a obra não será transmitida pela internet.

Na sexta-feira, 5, o maestro Roberto Minczuk, regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal, comanda repertório que traz Ma Mere L’oye Suite, do compositor francês Maurice Ravel e a Sinfonia nº 1 em Si bemol maior Op. 38 “Primavera”, do alemão Robert Schumann. Escrita originalmente para o piano e para ser tocada a quatro mãos, a obra de Ravel é inspirada em contos de fada de Charles Perrault e da condessa d’Aulnoy. Mas no mesmo ano em que foi escrita, 1910, foi transcrita para piano solo e, posteriormente, orquestrada pelo próprio autor, que adicionou novas partes e a transformou em um balé. Já a sinfonia Primavera de Schumann, pode ser considerada uma de suas obras mais espontâneas. Uma música alegre, vivaz com encerramento radiante do ponto de vista orquestral.

Os concertos presenciais no Theatro Municipal de São Paulo seguem todos os protocolos de segurança e prevenção à propagação do Coronavírus (Covid-19) e as orientações do Plano São Paulo e da Prefeitura Municipal de São Paulo para retomada consciente das atividades. Ao público espectador presente na Sala de Espetáculos, é necessário seguir os protocolos de segurança estipulados em nosso Manual do Espectador, disponível no site.

PROGRAMAS

Orquestra Sinfônica Municipal

Concertos presenciais abertos ao público e transmitidos ao vivo pela internet: www.youtube.com/theatromunicipalsp

4 de fevereiro, quinta-feira, 18h

Dvorák, Poulenc e Vaughan-Williams

Orquestra Sinfônica Municipal

Alessandro Sangiorgi, regência

Cecília Moita, piano

Ricardo Serralheiro, tuba

ANTONIN DVORÁK

Serenata para Sopros em Ré menor Op. 44 (24′)

FRANCIS POULENC

Aubade para Piano e Ensemble (23′)

(Edition Durand-Salabert-Eschig – Universal Music Publishing Classical Group) Paris representada por Melos Ediciones Musicales S.A., Buenos Aires www.melos.com.ar)

RALPH VAUGHAN-WILLIAMS

Concerto para Tuba e Orquestra – versão para quinteto de sopros

(a obra não será transmitida online)

5 de fevereiro, sexta-feira, 18h

Ravel e Schumann

Orquestra Sinfônica Municipal

Roberto Minczuk, regência

MAURICE RAVEL

Ma Mere L’oye Suite (20′)

ROBERT SCHUMANN

Sinfonia nº 1 em Si bemol maior Op. 38 “Primavera” (31′)

Serviço:

Datas: 4 e 5 de fevereiro de 2021, 18h

Local: Theatro Municipal de São Paulo – Sala de Espetáculos

Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Sé – São Paulo/SP, próximo à estação do metrô Anhangabaú

Duração dos concertos: 50 minutos aproximadamente

Classificação etária: Livre

Ingressos: R$40 (inteira) e R$20 (meia)

Atenção: não será permitida a entrada de público após o início do espetáculo.

Bilheteria: em função da pandemia de Covid-19, a bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo está fechada por tempo indeterminado. A venda de ingressos está sendo feita exclusivamente pelo site do Theatro Municipal de São Paulo: www.theatromunicipal.org.br.

Transmissões ao vivo e concertos gravados: as transmissões ao vivo e os concertos gravados poderão ser vistos gratuitamente pelo canal de YouTube do Theatro Municipal de São Paulo: www.youtube.com/theatromunicipalsp.

Manual do Espectador e Informações sobre os protocolos sanitários do Complexo Theatro Municipal: consulte os protocolos de segurança do Theatro Municipal no site.

Sobre o Teatro Municipal de São Paulo | O edifício do Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento cultural localizado na Praça Ramos de Azevedo, no centro de São Paulo. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular e outras linguagens do corpo, dentre outras). Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado.

O Patrimônio Theatro Municipal de São Paulo tem implantação retangular, sendo as medidas aproximadas de 92 metros (fachadas leste e oeste) e 42 metros (fachadas norte e sul). Divide-se basicamente em três corpos com funções distintas: o corpo da fachada – vestíbulo, a escada nobre, salão, portaria, restaurante e dependências da administração; a parte central – sala de espetáculo com seus corredores e galerias; o corpo posterior – palco e suas galerias laterais, camarins e salas de artistas. Composto de nove pavimentos, sendo um subterrâneo, sete correspondendo aos planos e ordens da ala de espetáculo e/ou administração e o pavimento referente à cúpula central. Tem área total construída de aproximadamente 17.000m².

Sobre a Santa Marcelina Cultura | Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs do ano de 2019 e de 2020, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e, pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Criada em 2008, é responsável pela gestão do Guri na Capital e região Metropolitana de São Paulo e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (Emesp Tom Jobim) . O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores e instrumentistas para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro. A Santa Marcelina Cultura assumiu em 1º de novembro de 2020 um Termo de Colaboração Emergencial para administração dos objetos culturais vinculados ao Complexo Theatro Municipal de São Paulo.

Editora Planeta lança biografia de Nara Leão

Brasil, por Kleber Patricio

“A importância de Nara Leão na cultura brasileira não se restringe à música popular, muito menos ao específico da bossa nova, do samba de morro, do tropicalismo. Ela ajudou decisivamente a mudar o jeito da mulher brasileira, a libertá-la de preconceitos antigos, a dar-lhe um novo sentido e um novo modo de estar no mundo.” Cacá Diegues, cineasta

Nara Leão certamente foi uma das artistas mais importantes e influentes da cultura brasileira, não só pela sua obra, mas pelo que representou para a mulher e a sociedade como um todo. Filha caçula de Dr. Jairo e dona Tinoca e irmã da modelo e famosa personagem da cena carioca Danuza, a jovem tímida, quieta e cheia de neuroses ficou marcada na história como uma das mais produtivas intérpretes da MPB dos agitados anos 1960 aos 1980, além de ser responsável por definir os costumes e a expressão política da época. “Foi símbolo da reação à ditadura de 1964 sem nunca pretender ser coisa alguma”, escreveu Paulo Francis após a morte da cantora.

Em Ninguém pode com Nara Leão, que chega às lojas pela Editora Planeta, Tom Cardoso reconstrói a vida da artista que participou ativamente dos mais importantes movimentos musicais surgidos a partir da década de 1960, que, tratada como ‘café com leite’ pela patota que se reunia no apartamento da família em Copacabana, deixou a bossa nova para se juntar à turma politizada do CPC e do Cinema Novo e foi a primeira estrela da MPB a falar abertamente contra a ditadura militar.

Na biografia, que traz prefácio de Tárik de Souza, um dos mais respeitados críticos da MPB, Tom apresenta passagens da infância de Nara, marcadas pela angústia e reclusão, detalhes da inimizade com Elis Regina, dos famosos encontros no apartamento da Av. Atlântica, onde a bossa nova ganhou corpo, cara e nome, do relacionamento com Ronaldo Bôscoli, da amizade com figuras como Vinicius de Moraes, Roberto Menescal e Ferreira Gullar, por quem nutria admiração mútua e teve um affair. No livro, Tom relata que Nara inclusive chegou a sugerir que ele largasse a mulher e os filhos e viajasse com ela pelo Brasil.

À frente de seu tempo, Nara foi uma das primeiras adolescentes do Rio a fazer análise, por necessidade e curiosidade, e a obra Opinião de Nara, lançada sete meses após o Golpe de 1964, foi o primeiro trabalho de uma estrela da MPB a colocar o dedo no nariz da ditadura. Além disso, Nara foi a primeira do segmento a atacar diretamente o regime ao afirmar em entrevista ao Diário de Notícias que “o Exército não servia para nada” e que “podiam entender de canhão e metralhadora, mas não pescavam nada de política”.

O livro também acompanha o relacionamento de Nara com o cineasta Cacá Diegues, na época em que se aproximou do CPC e dos expoentes do Cinema Novo. Ele foi o responsável por apresentar a ela um outro mundo musical, fazendo-a se impressionar com artistas como Carmen Miranda, Ary Barroso e Luiz Gonzaga. Ela e Cacá se casaram em cerimônia íntima, recebendo convidados como Danuza e Samuel Wainer, Chico Buarque e Marieta Severo, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Aloysio de Oliveira e Flávio Rangel. Foi também com o cineasta que Nara se exilou na França e teve dois filhos, Isabel e Francisco.

Nara morreu por conta de um tumor no cérebro na manhã de quarta-feira do dia 7 de junho de 1989, aos 47 anos e deixou um legado que extrapolou o cenário musical na época em que viveu. “Amo Nara Leão. Nara e Narinha. Essa mulher sabe tudo do Brasil 1964. Essa mulher é a primeira mulher brasileira. Essa mulher não tem tempo a perder. Atenção: ninguém pode com Nara Leão”, escreveu Glauber Rocha em uma carta enviada a Cacá Diegues no período do exílio.

Por que ninguém podia com Nara Leão?

1 – A despeito do ar de desencanto e da quase displicência, Nara participou ativamente dos mais importantes movimentos musicais surgidos a partir da década de 1960 – e saiu de todos eles sem se despedir.

2 – Ela foi a primeira artista de sua geração a ridicularizar a passeata contra a guitarra elétrica, liderada por Elis Regina e Geraldo Vandré e endossada por Gilberto Gil.

3 – Filha de um advogado excêntrico, fez tudo que uma pré-adolescente de classe média alta carioca nos anos 1950 jamais sonhou fazer, como ir ao cinema, ao teatro e ter aulas de violão com um professor negro.

4 – Ela foi uma das primeiras adolescentes do Rio a fazer análise, por necessidade e curiosidade.

5 – Tratada como bibelô pelos machos alfas da bossa nova, deixou o movimento para se juntar à turma politizada do CPC e do Cinema Novo.

6 – No disco de estreia, recusou-se a pegar carona no sucesso da bossa nova e gravou um disco com sambas de Cartola, Zé Kéti e Nelson Cavaquinho.

7 – Apesar da decisão de dar um caráter mais político ao disco de estreia tendo como fio condutor um gênero que estava associado diretamente às massas, ela se recusou a gravar uma letra machista de Cartola.

8 – Lançado sete meses após o Golpe de 1964, Opinião de Nara foi o primeiro trabalho de uma estrela da MPB a colocar o dedo no nariz da ditadura. Sem rodeios, sem metáforas. Um disco-manifesto, inserido no contexto político-social e em sintonia com o que se ouvia nas favelas do Rio, marginalizadas e discriminadas pela política higienista do governador Carlos Lacerda.

9 – O demolidor segundo disco serviu de inspiração para um dos mais revolucionários espetáculos musicais da história do país: o Opinião.

10 – Foi ela, em pesquisa musical pelo Brasil, quem abriu as portas do Sudeste para os talentos do Teatro Vila Velha Caetano, Gil, Gal e Bethânia – essa última, com 17 anos, foi convocada para substituí-la no show Opinião.

11 – Foi a primeira estrela da MPB a falar abertamente e de forma mais contundente contra a ditadura militar, ao afirmar, em 1966, que o “Exército não servia para nada”.

12 – Ao ver nascer a expressão “Esquerda Narista”, ela, que sempre rejeitou ser porta-voz de qualquer coisa, decidiu gravar, só por provocação, uma singela marchinha de um compositor iniciante, que mal abria a boca: Chico Buarque.

13 – Atendendo a um pedido de Nara, Chico compôs Com Açúcar, Com Afeto, a primeira de muitas canções em que a mulher assume a narrativa na primeira pessoa. Preso aos preceitos machistas da época, Chico recusou-se a interpretá-la, passando a tarefa para a cantora Jane Moraes. Nara, sempre na vanguarda, achou a atitude ridícula.

14 – Primeira artista da MPB a gravar no mesmo disco Ernesto Nazareth e Lamartine Babo, Villa-Lobos e Custódio Mesquita, Nara nasceu tropicalista antes do movimento existir – e ser gestado com a sua ajuda.

15 – Presidente do júri da polêmica e histórica edição do FIC 1972, o festival que revelou Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Walter Franco, pediu demissão por não aceitar a ingerência dos militares.

16 – Cansada de tudo e de todos, decidiu dar um tempo, no auge da carreira: “Uma hora eu sou a musa da bossa nova, outra a cantora de protesto e ainda tem essa coisa ridícula do joelho. Então me recuso a virar um sabonete e vou dar uma parada”.

17 – Decidida a estudar Psicologia na PUC, por um bom tempo não foi reconhecida pelos colegas de classe, dez anos mais novos.

18 – De volta aos estúdios, decidiu gravar um disco inteiramente dedicado ao cancioneiro de Roberto e Erasmo, ainda vistos como artistas menores por alguns medalhões da MPB.

19 – No fim da década de 1970, rodou o país numa perua Kombi, fazendo shows nos rincões do Brasil ao lado de uma nova e renovadora turma do choro carioca; entre eles, o violonista Raphael Rabello, de 15 anos.

20 – Diagnosticada com um tumor no cérebro, que lhe impôs uma série de complicações, nunca deixou de produzir compulsivamente, gravando praticamente um disco autoral por ano.

Sobre o autor | Tom Cardoso, nascido no Rio de Janeiro, é jornalista com vasta passagem pela imprensa paulistana. Autor, entre outras obras, das biografias do jornalista Tarso de Castro, do jogador Sócrates e do político Sérgio Cabral, foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2012 com o livro-reportagem O cofre do Dr. Rui, que narra o assalto ao cofre de Adhemar de Barros, em 1969, comandado pela VAR-Palmares.

FICHA TÉCNICA

Título: Ninguém pode com Nara Leão – uma biografia

Autor: Tom Cardoso

240 páginas

Livro físico: R$49,90

E-book: R$30,90

Editora Planeta.