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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Japan House destaca culinária japonesa em vídeos com a chef Telma Shiraishi

São Paulo, por Kleber Patricio

Podcast Vídeo 5. Imagens: divulgação/JHSP.

O #JHSPONLINE — projeto da Japan House São Paulo que destaca diariamente em suas redes sociais diferentes vertentes do Japão — segue enaltecendo a gastronomia e a história da culinária japonesa. Por isso, apresenta a série de vídeos inspirados na 2ª temporada do podcast da instituição que aborda a riqueza e diversidade em torno do tema e que relembram episódios marcantes, agora celebrados pela chef Telma Shiraishi, do restaurante Aizomê e Embaixadora da Boa Vontade para Difusão da Culinária Japonesa.

Ao todo, quatro programas ficarão disponíveis no YouTube da Japan House São Paulo todas as terças-feiras de junho (dias 8, 15, 22 e 29) e destacarão receitas, ingredientes e possíveis combinações saborosas para quem tem curiosidade em saber mais sobre o assunto. O material que já está no ar faz conexão com o episódio número cinco do podcast e conta sobre os temperos japoneses. Nele, a chef explora a potência e profundidade dos sabores japoneses a partir de ingredientes simples, como é o caso do nabo e de toda a riqueza e delicadeza do caldo base da gastronomia nipônica, o dashi.

No dia 15/7, para relembrar o sexto episódio, que trouxe à tona a experiência visual que pode ser proporcionada pela gastronomia japonesa, com empratamentos harmônicos e singulares, no vídeo Culinária Japonesa Ep. 6 – Composição, a chef ensina uma receita de Zaru soba, prato que mais se destaca entre os famosos macarrões frios da culinária japonesa. A massa, feita de trigo sarraceno, ganha destaque e pode ser combinada com diversos acompanhamentos e molho especial, chamado mentsuyu. Além disso, Telma também irá abordar a montagem e sua apresentação, passos essenciais para uma boa execução.

Vídeo Culinária Japonesa Ep. 7 – Chás e Infusões.

Na semana seguinte, dia 22/6, o vídeo Culinária Japonesa Ep. 7 – Chás e infusões remete ao sétimo episódio do podcast, no qual os destaques são as variedades dos chás japoneses, visto que o Japão é um dos países que mais consomem a bebida no mundo. O capítulo traz as diferenças entre chá e infusão, características de um bom chá, além da importância de seus detalhes para a cultura japonesa. Pensando nisso, Telma Shiraishi ensina duas receitas inspiradas no Ochazuke, tradicional sopa de arroz com ingredientes variados e chá verde ou dashi. Os preparos salgados são feitos utilizando o chá ou outra infusão, conferindo a essa refeição um delicioso aroma e sabor.

E, para encerrar a série de vídeos, no dia 29/6 o vídeo Culinária Japonesa Ep. 8 – Inovação, destaca o último episódio da temporada do podcast, sob tema que se mostrou bastante desafiador, trazendo depoimentos sobre a inovação e o futuro da gastronomia japonesa. Nesse vídeo, então, Telma contribui com a visão particular do que acredita para os próximos passos da culinária nipônica, um porvir que se pauta na sustentabilidade e preparações que não estejam desligadas da tradição, mas que aliam princípios e filosofias japoneses e adicionam ingredientes locais, neste caso, brasileiros. Para isso, ela elaborou um gohan — arroz japonês de grãos curtos — com pinhão cozido, ingrediente marcante na culinária da região Sul do Brasil. O resultado é um prato delicioso e fácil de preparar.

Podcast Japan House São Paulo | A segunda temporada do Podcast Japan House São Paulo traz a temática da riqueza e diversidade da gastronomia japonesa e todo o conteúdo está no YouTube da instituição cultural.  O programa tem apresentação de Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da instituição; Luiz Américo Camargo, jornalista, consultor gastronômico e curador do evento Taste of São Paulo e Thiago Bañares, chef do Tan Tan Noodle Bar, Ototo e Kotori. Para ressaltar a pluralidade desta cozinha, o Podcast apresenta técnicas, detalhes, curiosidades e histórias de Cortes, Fermentação, Cozimento, Tempero, Infusões, Composição/Harmonização e Inovações, sempre com participações exclusivas de chefs e especialistas para ampliar a conversa com diversas perspectivas, em episódios inusitados e dinâmicos.

A chef Telma Shiraishi.

Conheça Telma Shiraishi | Nascida em São Paulo, mas criada no interior, a chef largou a faculdade de medicina da USP por sentir falta de desenvolver seu lado mais artístico em múltiplos interesses, como flores, arte e animais. Entrou na gastronomia quando começou a fazer jantares e coquetéis para amigos e eventos. Em 2007, abriu o Aizomê, restaurante com uma cozinha equilibrada entre receitas quentes e frias, e se fixa em valores autenticamente japoneses, com ingredientes sazonais e locais, e uma filosofia que carrega o omotenashi – referente à hospitalidade de cortesia discreta –, e o mottainai – expressão em japonês que transmite sensação de pesar em relação ao desperdício.

Confira a programação completa dos vídeos com Telma Shiraishi:

Podcast Ep. 5 – Furofuki daikon, por Telma Shiraishi

Disponibilizado em 8 de junho (terça-feira)

Onde: https://youtu.be/uO6J3RfLT0E

Podcast Ep. 6 – Zaru soba, por Telma Shiraishi

Quando:  15 de junho (terça-feira)

Onde: YouTube da Japan House São Paulo

Podcast Ep. 7 – Ochazuke, por Telma Shiraishi

Quando: 22 de junho (terça-feira)

Onde:  YouTube da Japan House São Paulo

Podcast Ep. 8 – Gohan com pinhão, por Telma Shiraishi

Quando:  29 de junho (terça-feira)

Onde:   YouTube da Japan House São Paulo

Episódios 2ª temporada Podcast Japan House São Paulo disponíveis no YouTube da instituição.

Sobre a Japan House São Paulo (JHSP) | A Japan House é uma iniciativa que tem a finalidade de divulgar os diversos atrativos, atividades e medidas governamentais do Japão, ampliando o conhecimento de toda a comunidade internacional referente à cultura japonesa. Inaugurada em 30 de abril de 2017, a Japan House São Paulo foi a primeira a abrir as portas, seguida por Londres (Inglaterra) e Los Angeles (EUA). Atua como plataforma pública na geração de oportunidades de cooperação e intercâmbio entre o Japão e o Brasil nas mais diversas áreas, como artes, negócios, esportes, design, moda, gastronomia, educação, turismo, ciência e tecnologia. Apresentando o Japão, promove exposições, seminários, workshops e inúmeras outras atividades em sua sede, em outros espaços e digitalmente. Em fevereiro de 2020, a Japan House São Paulo alcançou a marca de 2 milhões de visitantes, sendo considerada uma das principais instituições culturais da Avenida Paulista. Desde abril de 2020, a instituição possui a Certificação LEED na categoria Platinum — o mais alto nível de reconhecimento do programa – concedida a edificações sustentáveis.

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Conselho Nacional de Justiça debate a liberdade de expressão em encontro nesta segunda-feira (14/6)

Brasília, por Kleber Patricio

Arte: CNJ.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realiza nesta segunda-feira (14/6), às 17h, o primeiro Encontro Virtual sobre Liberdade de Expressão. Com o tema A liberdade de expressão artística e os limites do Poder do Estado, o evento será transmitido ao vivo pelo canal do CNJ no YouTube. O diálogo vai contar com a participação da cantora Daniela Mercury, do cantor Gilberto Gil, do cineasta Luiz Carlos Barreto, da advogada Cris Olivieri, da procuradora da República Raquel Dodge e do presidente do CNJ, ministro Luiz Fux.

A proposta da série de encontros que estão sendo organizados pelo CNJ com o tema da Liberdade de Expressão foi apresentada por Daniela Mercury ao Observatórios de Direitos Humanos do Poder Judiciário, colegiado em que ela participa. “É importante se pronunciar sobre censura, represamento de projetos, a asfixia de recursos financeiros para a arte. Calar artistas é calar o povo.”

Serviço:

1º Encontro Virtual sobre Liberdade de Expressão: A liberdade de expressão artística e os limites do Poder do Estado

Quando: segunda-feira (14/6), às 17h

Onde: canal do CNJ no YouTube.

Livro responde aquelas questões da Ciência que você sempre quis saber

Indaiatuba, por Kleber Patricio

A origem da Terra é, talvez, uma das histórias mais intrigantes de nossa existência. Teorias e novas descobertas são detalhas e estudas até hoje num processo contínuo do desenvolvimento científico. A primeira evidência científica relacionada a esses mistérios da existência foi descoberta nos anos 1920, quando Edwin Hubble começou a fazer observações com um telescópio no Monte Wilson, na Califórnia. E para nos ajudar a compreender muitas questões como ‘ de onde viemos?’, ‘Por que estamos neste planeta’ e ‘por que nosso corpo é tão complexo?’, o jornalista Graham Lawton, da revista britânica New Scientist, escreveu A Origem de (Quase) Todas as Coisas, lançado no Brasil pela Editora Seoman.

Com introdução de Stephen Hawking, considerado um dos mais renomados cientistas do século XX – texto este que foi um dos últimos a escrever em vida –, o livro traz de forma prática (descomplicada e divertida) respostas para muitas de nossas indagações sobre ciência em geral. Com infográficos detalhados, coloridos e muito inteligentes, a obra desvenda diversos enigmas sobre a vida, astronomia, física e até predisposições biológicas sobre a escolha de nossa orientação política.

Para isso, o chefe de redação da New Scientist divide as perguntas (e o detalhamento das respostas) em capítulos sobre Universo, Civilização, Vida, Conhecimento e Invenções. O livro conta casos curiosos como, por exemplo, se chegássemos muito perto de um buraco negro, seríamos sugados como um macarrão, ou que a invenção da roda foi menos importante para a civilização que o aparecimento da mochila.

E ainda: Como tudo começou? Por que as estrelas brilham? Do que é feito o Universo? Qual tamanho da Lua? Por que nosso planeta tem terras e oceanos? Como a vida complexa evoluiu? Quando começamos a ficar bêbados?  Por que fazemos amizades? Essas são alguns milhares de questionamentos reunidos e respondidos nesta obra.

Segundo o autor, muitas das histórias contadas no livro se alteraram e se desdobraram enquanto ele estava sendo elaborado, à medida que novas descobertas vinham à tona. “É essa a inquieta beleza da ciência”, diz ele. Trata-se de uma obra diferente, por tratar de temas complexos de maneira fácil, mas não simplista – pelo contrário.  Seu projeto gráfico também faz jus ao objetivo de tentar esmiuçar nossas maiores inquietações, com uma cara de revista contemporânea. Por isso, é um livro voltado tanto para interessados e estudiosos da ciência, como para curiosos de todas as áreas e indicado para todas as idades. “Este livro apresenta a história singular do passado, do presente e do futuro do nosso Universo. Como ficará claro, muitos mistérios profundos permanecem sem solução. Ainda assim, estamos cada vez chegando mais perto de responder a perguntas tão antigas quanto a civilização: De onde viemos? E será que somos os únicos seres do Universo capazes de fazer essas perguntas? ”, diz Stephen Hawking, na introdução.

O autor da obra, Graham Lawton. Foto: divulgação.

Sobre o autor | Graham Lawton obteve graduação em Bioquímica e mestrado em Comunicação Pública da Ciência no Imperial College de Londres (Inglaterra) antes de se unir à New Scientist, na qual passou quase todo o século XXI; primeiro como redator, depois como chefe de redação. Indicado pela Association of British Science Writers, seu trabalho como redator e editor recebeu vários prêmios. Este é seu primeiro livro.

A revista NewScientist conseguiu, desde 1956, prestígio internacional por explorar e desvendar o progresso e as descobertas mais recentes da ciência e da tecnologia, colocando-os em contexto e abordando o que significam para o futuro. A cada semana, por meio de uma variedade de canais diferentes, entre eles, mídia impressa, mídia on-line, mídia social e outros mais, a NewScientist alcança, pelo mundo afora, mais de 5 milhões de leitores fiéis.

Serviço:

Livro A Origem de (Quase) Todas as Coisas

Autor: Graham Lawton e revista NewScientist

Editora: Seoman

Páginas: 256

Preço: R$69,90

Versão e-book: R$48,90.

Casa Museu Ema Klabin oferece 400 vagas em programação cultural virtual

São Paulo, por Kleber Patricio

“Monstros Grandes Devorando Monstros Pequenos”, 1961 – Malangatana Ngwenya. – Óleo s/ Unitex. Fundação Mário Soares. Crédito da imagem: divulgação.

A Casa Museu Ema Klabin oferece, em sua programação para os meses de junho e julho, curso, encontro com escritores e palestras – tudo de forma virtual. Haverá duas palestras mediadas por professores da Unifesp; uma sobre artes moçambicanas e a outra sobre Medievalismos no século XIX, além de um encontro sobre os significados das cores com Luciana Martha Silveira. E para quem curte fotografia, mesmo não sendo fotógrafo, a casa museu oferece ainda um curso que estimula os participantes a editarem suas imagens fotográficas para criar uma narrativa visual.

Ao todo, serão disponibilizadas 400 vagas, com inscrições que variam de gratuitas a R$200. As inscrições já podem ser realizadas no site do museu: http://emaklabin.org.br/. As palestras e ciclo de encontros com escritores têm apoio cultural da plataforma Benfeitoria e da Sitawi, no âmbito do projeto Digitalização da Coleção Ema Klabin – Matchfunding BNDES+ 2020.

Confira:

Palestra Unifesp – Medievalismos no século XIX | Os estudiosos definem o(s) medievalismo(s) como as múltiplas formas de recepção, interpretação e recriação da Idade Média a partir de uma vasta gama de discursos, práticas culturais e objetos. Nos séculos XVIII e XIX, a Idade Média foi reabilitada e as manifestações se fizeram presentes em diversas expressões artísticas: na arquitetura, na pintura, na confecção de mobiliários, utensílios e objetos diversos.

A palestra da professora de História da Arte Medieval Flávia Galli Tatsch vai falar sobre o tema e discutir quais eram os valores que representavam estas manifestações, quais narrativas despertaram tanto interesse neste período e por que foi necessário inventar um “estilo” a partir das ruínas e do que ainda se encontrava em pé. 12 de junho, das 11h às 13h

95 vagas – *Gratuito – Plataforma Zoom.

Curso Edição de imagens para construção de narrativas | Ministrado por Dani Sandrini, o curso, com cinco encontros, pretende estimular os participantes a editarem suas imagens fotográficas para criar uma narrativa visual. Através de exercícios e comentários usando imagens diversas, trabalhos fotográficos e audiovisuais de diferentes artistas, será possível experimentar o processo e ampliar repertório. Não é preciso ser fotógrafo profissional.  A parceria entre a Fundação Ema Klabin e a Gráfica Ipsis possibilita a impressão com descontos. 15, 22 e 29 de junho, 6 e 13 de julho, das 19h às 21h30 – 20 vagas – investimento: R$200 – plataforma Zoom.

Palestra Unifesp – Artes moçambicanas e outras modernidades: entre mercado, anticolonialismo e construção da nação | Com uma abordagem que destaca produções artísticas pouco conhecidas no Brasil, a palestra discutirá como se deu o processo de formação da ideia de modernidade artística em Moçambique. Mariana Fujisawa apresentará como a arte mobilizou-se junto à política e à sociedade no contexto das opressões coloniais nas décadas de 1960 e 1970.  A partir desse panorama, a palestrante buscará analisar o surgimento e incorporação dos estilos shetani e ujamaa nas esculturas makonde, assim como a elaboração das pinturas em tela do artista Malangatana Valente Ngwenya, de modo a ilustrar e contextualizar diferentes modernidades desenvolvidas e expressadas no país africano. 16 de junho, das 19h às 21h – 95 vagas – *Gratuito – Plataforma Zoom.

Encontros com escritores: outros olhares – Selma Maria | A sessão de junho do ciclo de palestras virtuais Encontros com escritores: outros olhares tem como convidada a escritora Selma Maria, que discutirá as práticas e efeitos da literatura na vida de crianças e adolescentes. Serão abordados tópicos como a importância de estimular a literatura desde a infância, perceber suas mensagens e de que maneira a poesia, as brincadeiras e a oralidade se relacionam com as produções literárias. Com mediação de Ana Beatriz Demarchi Barel, a série tem como objetivo estimular a leitura e proporcionar o contato do público com temas contemporâneos e com obras que registram múltiplas perspectivas narrativas da realidade brasileira. 30 de junho, das 17h às 18h30 – 95 vagas – gratuito* – Plataforma Zoom.

Palestra A cor em seus aspectos culturais e simbólicos | Quantas vezes nos perguntamos sobre os significados das cores? Como estes significados são apreendidos? Os significados das cores são fixos ou variam nos seus usos? Para responder essas e outras perguntas, Luciana Martha Silveira, doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) ministra a palestra A cor em seus aspectos culturais e simbólicos. O encontro tem como base a Teoria da Cor e o foco estará nos seus aspectos culturais e simbólicos. 3 de julho, das 11h às 13h – 95 vagas – gratuito* – Plataforma Zoom – inscrições: http://emaklabin.org.br/.

*Como em todos os seus eventos gratuitos, é sugerido a quem aprecia a Casa Museu Ema Klabin contribuir para a manutenção das atividades e apoiá-la com uma doação voluntária no site.

Com menores índices de floresta, oeste paulista é a região que mais necessita de restauração

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação/Fundação SOS Mata Atlântica.

Análise elaborada pelo GeoLab, ligado ao Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da USP, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, indica que a regularização dos imóveis segundo o Código Florestal poderá também trazer uma contribuição importante para o aumento da vegetação nativa e para a proteção das águas no estado de São Paulo. Porém, isoladamente, não resolverá a situação nas bacias e municípios com maior déficit de vegetação da Mata Atlântica, que é o bioma mais ameaçado do país. Para estes, também será necessária a restauração local das Reservas Legais ou de incentivos para restauração de vegetação nativa fora das áreas exigidas pelo Código Florestal. O estado conta com vegetação de dois biomas – além da Mata Atlântica, tem ocorrência de Cerrado.

O Programa Agro Legal regulamenta o Código Florestal no Estado de São Paulo. O governo estadual estima que, para a adequação ambiental, será necessário restaurar ou compensar 800 mil hectares entre Áreas de Preservação Permanente (APPs), que precisam ser restauradas nos imóveis, como as matas ciliares, e de Reserva Legal, que podem ser restauradas nos imóveis ou compensadas fora das propriedades. Tanto nas APPs dos imóveis menores do que 4 módulos fiscais, como nas Reservas Legais, pode haver exploração sustentável da vegetação, permitindo a geração de renda para o produtor rural.

Os estudos do GeoLab apontam outros números, indicando que São Paulo tem um déficit estimado de 768.580 hectares de APPs, que precisam ser restaurados no local, sendo 111.785 hectares no Cerrado e 656.795 hectares na Mata Atlântica. O déficit de Reserva Legal foi estimado em 367.403, que podem ser restaurados no local ou compensados fora das propriedades. No total, precisam ser restaurados e/ou compensados 1,14 milhão de hectares. “O ganho de vegetação nativa com a restauração somente de APPs será muito maior do que aquele que São Paulo teve ao longo dos últimos 10 anos, se compararmos com os dados do Inventário Florestal de 2020”, afirma Kaline de Mello, bióloga, doutora em Ciências e pós-doutoranda do GeoLab. Segundo o inventário, esse ganho foi de 4,9% em uma década (214 mil hectares de vegetação nativa).

São Paulo possui cerca de 5.670.532 hectares de vegetação natural. A restauração da faixa mínima de APP – que foi instituída no novo Código Florestal (Lei 12.651/12 no seu Artigo 61-A), de 2012, com a chamada “Regra da Escadinha” – levaria ao aumento de 14% da vegetação nativa do estado. Já se a APP fosse recuperada integralmente (sem aplicar a Regra da Escadinha), haveria um incremento de 22% em relação à vegetação nativa atual. No total, 768.580 hectares seriam acrescidos à vegetação nativa existente se fosse restaurada a faixa mínima de APP, ou 1.228.026 hectares no caso da recuperação de toda a APP – um incremento de 60% no total a ser restaurado (459.446 hectares). “Observamos que faz muita diferença restaurar toda a APP, em vez de recuperar somente a faixa mínima. E isso garantiria maior proteção dos recursos hídricos”, ressalta Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica. “Restam somente 12,4% de Mata Atlântica em bom estado de conservação no país. Em SP, a situação é um pouco melhor, mas a vegetação está distribuída desigualmente, com regiões de cobertura natural muito baixa. A recuperação das APPs pode atenuar esta situação em algumas bacias hidrográficas e municípios. Mas, para outras, o estado precisa ir além para alcançar o mínimo necessário e dar um exemplo para os demais estados”, complementa ele.

Kaline concorda, e reforça que essa análise é uma contribuição da Academia e da área científica para melhorar a implementação de políticas públicas.

Água e floresta | O trabalho também avaliou a situação das bacias hidrográficas do Estado e de cada um dos 645 municípios paulistas. Das 21 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs) de São Paulo, atualmente apenas 6, localizadas em região costeira, possuem cobertura de vegetação nativa maior ou igual a 30% – que é o recomendado para manter o equilíbrio ecológico e garantir a conservação da biodiversidade. As UGRHIs do oeste paulista possuem as porcentagens mais baixas de vegetação nativa, sendo que Baixo Tietê, Baixo Pardo Grande e Turvo Grande estão próximas de 10%. No total, 13 UGRHIs possuem porcentagem de cobertura de vegetação nativa abaixo de 20%.

De acordo com o estudo, com a restauração da faixa mínima de APP, nenhuma UGRHI atingirá os 30%; porém, a bacia do Pardo alcança mais de 20%. Com a restauração total da APP, a bacia do Alto Paranapanema passaria a ter 30,5% de cobertura de vegetação, sendo que atualmente possui 25%, e algumas bacias do oeste paulista passariam a ter ao menos 20% de cobertura de vegetação

A bacia do Paraíba do Sul é a que possui o maior déficit de APP e a restauração, tanto de APP mínima como total, representa o maior ganho em vegetação entre todas as bacias, passando de 33% para 40% e 45%, respectivamente.

Em relação aos municípios paulistas, hoje apenas 104 (16% do total) possuem vegetação nativa maior ou igual a 30%. Esse número passaria para 134 com restauração da faixa mínima de APP e 160 com restauração total da APP – ou seja, 30 municípios (4,7% do total) alcançam os 30% apenas com restauração da faixa mínima e 56 (8,7%) alcançam essa porcentagem com restauração total de APP.

Novamente a região do oeste paulista se destaca de forma negativa. Os municípios atualmente com vegetação nativa abaixo de 10% – que são considerados totalmente desflorestados segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) – se concentram na região de Ribeirão Preto, Piracicaba e Paranapanema. Entretanto, grande parte dos municípios conseguirá atingir mais de 10% de vegetação nativa apenas com a restauração de APP.

Na Mata Atlântica, 117 (18%) possuem atualmente vegetação nativa maior ou igual a 30% – esse número passaria para 147 (23%) com a restauração de faixa mínima de APP e 176 (28%), com a restauração de APP total. No Cerrado, o cenário é mais preocupante, com apenas 10 municípios de 192 (5%) com vegetação nativa maior ou igual a 30%. Esse número passaria para 17 (9%) apenas com a restauração de APP mínima e 28 (15%), com a restauração de APP total.

“Os municípios possuem realidades muito distintas de cobertura de vegetação nativa e na geografia dos déficits de APP. Diferentes estratégias de adequação ambiental precisam ser adotadas de acordo com essa realidade. Para alguns municípios, a restauração da faixa mínima de APP é suficiente para aumentar a cobertura de vegetação nativa de forma satisfatória, chegando a 20% ou 30%. Para outros, isso não é suficiente para melhorar o cenário de baixa cobertura de vegetação nativa; por isso, a importância de compromissos voluntários e incentivos de recuperação de APP total”, ressalta Gerd Sparovek, coordenador do Geolab.

Segundo ele, o Protocolo Etanol Mais Verde, assumido por parte do setor sucroenergético, é um bom exemplo de como compromissos voluntários podem contribuir na solução de problemas ambientais. “Como a restauração da Reserva Legal localmente não é obrigatória e a compensação fora da propriedade pode não gerar benefício ambiental local ou regional algum, incentivar a restauração com florestas multifuncionais, que permitem atingir os objetivos ambientais, ao mesmo tempo em que podem ser exploradas de forma sustentável para fins econômicos nas propriedades, é outro exemplo que concilia o aspecto econômico e ambiental da adequação das propriedades. No entanto, os compromissos voluntários e incentivos existentes atualmente ainda são muito tímidos para o enorme desafio de garantir o mínimo de vegetação natural em todo estado”, conclui Sparovek.